Esporte feminino cresce e mira patamar global

Foto: Pixabay

De acordo com um estudo divulgado pela Deloitte, a receita mundial do esporte feminino deve atingir US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15,3 bilhões) em 2026. A projeção indica um avanço de 25% na comparação com o ano anterior. Em 2025, o segmento gerou US$ 2,4 bilhões, acumulando um crescimento de 248% no período entre 2022 e 2025.

Segundo a empresa, o futebol, o futebol americano e o basquete femininos devem responder, individualmente, por aproximadamente 35% da receita global do setor em 2026. A América do Norte deve permanecer na liderança do mercado, com faturamento estimado em US$ 1,64 bilhão, o que representa 54% do total. Já a Europa ocupa a segunda posição, com cerca de US$ 434 milhões, valor equivalente a 14%.

No Brasil, o futebol feminino vem ganhando mais destaque e exposição. Em 2025, um levantamento do Ibope apontou que 92 empresas passaram a exibir suas marcas nos uniformes das 16 equipes do Brasileirão Feminino.

Um estudo da Nielsen Sports, realizado em parceria com a empresa PepsiCo, indica que o futebol feminino deve figurar entre os cinco esportes mais acompanhados globalmente até 2030. A pesquisa também estima aumento de 38% na audiência, alcançando mais de 800 milhões de espectadores.

Na avaliação da especialista em marketing Brenda Simões, o avanço está ligado a uma mudança estrutural no consumo esportivo. “O público está mais aberto à diversidade e as marcas perceberam que o esporte feminino entrega engajamento real. Não é apenas uma questão de justiça, mas de oportunidade de negócio, quando há investimento consistente, a audiência responde rapidamente”.

O crescimento também é resultado de uma combinação de fatores culturais e tecnológicos, afirma Brenda. “A maior cobertura midiática, o acesso facilitado por plataformas digitais e o fortalecimento das ligas femininas criaram um ambiente mais favorável. Antes, faltava visibilidade, hoje, falta consolidar essa alta com estrutura”.

Para a educadora física Ana Paula Neto, apesar dos avanços, os desafios ainda são significativos. “Entre os principais obstáculos das atletas mulheres estão a diferença salarial em relação ao esporte masculino, menor investimento em categorias de base, calendário competitivo irregular e menor exposição na mídia tradicional. Além disso, muitas jogadoras ainda precisam conciliar treinos e competições com outras atividades profissionais para garantir sustento”.

A profissional ressalta que a valorização passa por políticas contínuas e não apenas ações pontuais. “Não basta investir em grandes eventos ou torneios específicos. É necessário criar um ecossistema sustentável, com os campeonatos estruturados, formação de base e contratos mais estáveis. Sem isso, o crescimento pode estagnar”.

Brenda complementa que a visibilidade também depende de narrativa. “É preciso contar histórias, humanizar as atletas e ampliar a cobertura. Quando o público conhece as jogadoras, a conexão aumenta e o interesse se mantém”.

Elas destacam que sem uma estrutura sólida desde cedo, o crescimento do esporte feminino pode perder força a médio prazo. “A ampliação de escolinhas, a criação de competições regionais regulares e o apoio financeiro a clubes formadores são vistos como medidas essenciais para garantir uma renovação constante de talentos e elevar o nível técnico das competições”, explica a educadora física.

Além disso, a presença de mulheres em cargos de liderança dentro do esporte também é considerada fundamental para acelerar mudanças estruturais. “A maior participação feminina em comissões técnicas, diretorias e entidades esportivas contribui para decisões mais alinhadas às necessidades das atletas e para a construção de políticas mais inclusivas”, conclui Ana Paula.

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