Setor de eventos deve crescer 8% e gerar 143 mil novos empregos

O setor de eventos deve seguir em expansão em 2026, com crescimento previsto de 7,8% no consumo e a geração de aproximadamente 143 mil novos empregos formais no Brasil, conforme projeções da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape). Segundo a entidade, os gastos relacionados à recreação devem chegar a R$ 151,9 bilhões no próximo ano, ante os R$ 140,8 bilhões estimados para 2025. Os economistas que assinam o estudo consideram o crescimento expressivo, refletindo a consolidação do setor tanto em suas atividades principais quanto nas áreas indiretas impactadas pelos eventos. “Esses números mostram que o setor de eventos se consolidou como um dos motores do consumo e da geração de empregos no Brasil. O crescimento não é apenas quantitativo, mas qualitativo, pois envolve a diversificação das atividades e o fortalecimento das cadeias produtivas associadas”, afirma Lucas Ribeiro, consultor em gestão de eventos. O hub setorial, composto por 52 atividades relacionadas ao setor, deve gerar cerca de 120 mil empregos, representando 83,9% das novas vagas. Entre os segmentos mais beneficiados estão bares e restaurantes, hospedagem, segurança privada, serviços gerais, publicidade, marketing e agências de turismo. A previsão indica um crescimento de 24% em relação aos níveis anteriores à pandemia. Para Ribeiro, “o aumento expressivo de vagas no hub setorial reflete a retomada plena das atividades pós-pandemia e a importância de setores indiretos que dependem do movimento de eventos e entretenimento”. O core business, abrangendo organização de eventos, atividades artísticas e culturais, espetáculos, lazer e produção esportiva, deve gerar aproximadamente 23 mil novos empregos formais em 2026. Atualmente, esses setores mantêm um nível de empregos 80,9% superior ao registrado em 2019. O profissional vê esse crescimento como resultado de um efeito acumulado de investimentos em cultura, tecnologia e inovação. “Além da retomada de grandes eventos, temos observado o fortalecimento de projetos culturais e esportivos que geram empregos diretos e indiretos, ampliando o impacto econômico do setor”. “O aumento de consumo e empregos é um indicativo de que o setor se profissionalizou, diversificou suas atividades e passou a gerar impactos positivos em várias cadeias produtivas, desde alimentação e hospedagem até publicidade e serviços de segurança”, completa. Ele reforça que os números de 2026 ainda podem ser superados, à medida que investimentos em tecnologia, logística e gestão de eventos avançam. A economista Ana Clara Medeiros aponta que o crescimento do setor de eventos tem impacto direto na economia nacional. Além de gerar empregos formais, os eventos estimulam consumo, fomentam pequenas e médias empresas e aumentam a arrecadação tributária. “Cada evento realizado movimenta um conjunto de serviços que vai muito além do próprio entretenimento. Estamos falando de uma cadeia econômica que envolve transporte, alimentação, hospedagem, marketing, tecnologia e serviços gerais, criando um efeito multiplicador importante para a economia”. Outro fator relevante é o efeito da inovação e digitalização no setor. Plataformas de gestão de eventos, aplicativos de venda de ingressos e soluções de marketing digital para atrações culturais têm ampliado a capacidade de gerar empregos e aumentar a produtividade. “A tecnologia permite que o setor atenda a públicos maiores e de forma mais eficiente, gerando mais oportunidades de trabalho e aumentando o impacto econômico das atividades”, ressalta. Apesar das projeções otimistas, especialistas alertam para a necessidade de políticas públicas que mantenham o crescimento sustentável do setor. Educação profissional, capacitação técnica e incentivos à cultura e ao entretenimento são apontados como elementos essenciais para consolidar os ganhos de empregos e fortalecer a economia. “Não se trata apenas de gerar números, mas de criar qualidade de emprego, segurança jurídica e sustentabilidade para o setor a longo prazo”, enfatiza o consultor.
ECA Digital amplia a proteção on-line de crianças e adolescentes

O estudo “Práticas de aferição de idade em 25 serviços digitais usados por crianças no Brasil”, de 2025, aponta que 84% das plataformas mais utilizadas por crianças no país, 21 de um total de 25 analisadas, não realizavam verificação etária no momento da criação de contas. Os dados retratam um cenário anterior à entrada em vigor do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA) Digital no dia 17 de março. Também conhecido como Lei Felca, o marco jurídico tem como foco a proteção de crianças e adolescentes no ambiente on-line, incluindo redes sociais, jogos, plataformas de vídeo e e-commerces voltados a esse público. A norma veda o uso exclusivo da autodeclaração de idade, como informar a data de nascimento ou apenas marcar uma opção. Na prática, as plataformas não podem mais se basear somente na informação fornecida pelo usuário. A legislação também passa a exigir supervisão parental e a adoção de mecanismos efetivos de verificação etária para acesso a conteúdos e serviços digitais. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a advogada especialista em Direito Digital, Chayana de Rezende. O que muda em relação ao que já existia no Estatuto da Criança e do Adolescente tradicional? O ECA (1990) foi pensado para uma infância no mundo físico, mas a expansão do ambiente digital ampliou riscos sem que a aplicação da lei acompanhasse. O princípio da proteção integral permanece, mudando sua aplicação diante de riscos on-line, que deixam de ser episódios isolados e passam a ser fenômenos estruturais e escaláveis. Exposição de imagem, uso de dados e violência digital tornam-se centrais. O dever de cuidado se amplia, incluindo agentes privados. Assim, o avanço está em fazer direitos já existentes valerem no ambiente digital com maior alcance e rapidez. Quais são as principais responsabilidades impostas às plataformas digitais? A mudança central é que plataformas digitais deixam de alegar neutralidade: quem organiza e amplifica conteúdo é agente ativo e responde proporcionalmente ao seu poder. Isso implica três deveres: prevenir riscos, agir rapidamente diante de danos e não se omitir. Em um ambiente de curadoria algorítmica, a inércia passa a ter relevância jurídica. Essa visão tensiona o modelo do Marco Civil, ao reconhecer que não há neutralidade real. O objetivo não é censurar, mas alinhar poder e responsabilidade. Como a lei contribui para combater algumas práticas antigas como cyberbullying, exploração sexual e aliciamento on-line? A lei corrige a defasagem entre a rápida evolução digital e uma proteção jurídica ainda analógica, reforçando deveres já existentes à luz do princípio da proteção integral. Violências como cyberbullying e aliciamento passam a ser tratadas como fenômenos estruturais e amplificados. A responsabilidade deixa de focar só na autoria e inclui a capacidade de intervenção. A omissão, diante de controle e moderação, deixa de ser neutra. Sem negar a liberdade de expressão, o foco é prevenir danos e reduzir sua propagação no ambiente digital. Empresas de tecnologia podem ser penalizadas caso não cumpram as regras? Sim, o descumprimento deixa de ser apenas reputacional e passa a gerar consequências jurídicas. A responsabilização decorre da ação ou omissão diante de violações, sobretudo envolvendo crianças. As punições são progressivas: medidas corretivas para cessar o dano, multas para garantir rapidez e responsabilização civil com indenização. A lógica segue o Marco Civil, mas reforça deveres de diligência. Assim, a omissão passa a ter custo, sem impedir a inovação, apenas limitando a impunidade. Como o ECA Digital aborda a proteção de dados pessoais de crianças e adolescentes? O Estatuto da Criança e do Adolescente Digital redefine dados de crianças como extensões de sua identidade e vulnerabilidade. Reforça a exigência de maior cuidado, transparência e justificativa no tratamento dessas informações. A lógica deixa de ser coleta ampla e passa a exigir finalidade legítima e necessidade real. Alinhado à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), vai além ao proteger a formação da criança no ambiente digital. Como dados moldam algoritmos e comportamentos, seu uso deixa de ser neutro. O foco é limitar uma lógica de exploração antes pouco regulada. Na sua avaliação, o que ainda precisa avançar na legislação brasileira sobre proteção digital de menores? O Brasil avançou, mas ainda corre atrás de um cenário que evolui mais rápido que a lei. Falta enfrentar o modelo econômico baseado em engajamento, que tensiona a proteção de crianças. Não basta regular condutas se o sistema incentiva exposição e coleta de dados. A legislação ainda trata algoritmos como neutros, ignorando seu impacto na formação e comportamento. Soma-se a isso a lentidão do direito frente ao dano imediato e a falta de educação digital estruturada. O desafio é regular com mais firmeza e responsabilidade.
Pilates possibilita a melhora na qualidade de vida

O pilates tem ganhado cada vez mais espaço no cotidiano de pessoas que buscam qualidade de vida, condicionamento físico e equilíbrio mental. Entre 2019 e 2024, os check-ins em aulas de pilates na plataforma Wellhub registraram crescimento de 277,6%. O resultado coloca a modalidade como a segunda atividade física mais praticada no país. De acordo com o fisioterapeuta Renato Lacerda, especialista em reabilitação funcional, o pilates se diferencia de outras atividades físicas por priorizar a execução consciente dos movimentos. “O método trabalha o corpo de forma global, com foco especial na região do core, que inclui abdômen, lombar e pelve. Isso contribui não só para a estética, mas principalmente para a estabilidade corporal e prevenção de lesões. A prática regular pode melhorar significativamente a postura, reduzir dores crônicas e aumentar a flexibilidade”. Além dos benefícios físicos, o pilates também se destaca pelos impactos positivos na saúde mental. O profissional ressalta que a conexão entre respiração e movimento é um dos pilares da técnica. “Durante os exercícios, o praticante é estimulado a manter a concentração e o controle da respiração, o que ajuda a reduzir níveis de estresse e ansiedade. Muitas pessoas relatam sensação de bem-estar logo após as aulas. Esse aspecto torna o pilates uma alternativa interessante para quem busca não apenas condicionamento físico, mas também equilíbrio emocional”. Outro ponto relevante é a versatilidade da prática, que pode ser adaptada para diferentes objetivos e necessidades, desde reabilitação de lesões até condicionamento físico mais intenso. A instrutora Carla Siqueira destaca que o método pode ser realizado tanto no solo, com o auxílio de acessórios como bolas e faixas elásticas, quanto em equipamentos específicos, como o reformer. “Cada modalidade tem suas particularidades, mas ambas oferecem resultados eficazes quando orientadas por um profissional qualificado”. Ela alerta que alguns cuidados são essenciais antes de iniciar a prática e a avaliação física é um dos primeiros passos recomendados. “É fundamental que a pessoa passe por uma análise prévia para identificar limitações, histórico de lesões ou condições de saúde específicas. Isso permite que o treino seja personalizado e seguro. O aluno também deve informar ao instrutor qualquer desconforto durante os exercícios”. Também é importante respeitar os limites do próprio corpo e não se basear em repetições exaustivas ou movimentos bruscos, mas sim na qualidade da execução. “Não adianta querer evoluir rapidamente sem dominar a técnica. O progresso no pilates é gradual e consciente, e isso é o que garante resultados duradouros”, explica. A instrutora diz que a atividade é considerada inclusiva, pode ser praticada por jovens, adultos, idosos e até mesmo gestantes, desde que com as devidas adaptações. “O método também é frequentemente indicado para pessoas em processo de reabilitação. Pacientes com dores na coluna, problemas articulares ou recuperação pós-cirúrgica podem se beneficiar muito, pois os exercícios são de baixo impacto e focados no fortalecimento muscular”. “Para idosos, pode contribuir para a manutenção da mobilidade, equilíbrio e autonomia, reduzindo o risco de quedas. Já para gestantes, quando liberado pelo médico, ajuda no fortalecimento da musculatura abdominal e pélvica, além de aliviar dores comuns durante a gravidez”, reforça. Nos últimos anos, o pilates também passou a ser incorporado à rotina de atletas e praticantes de outras modalidades esportivas, como forma de complementar o treinamento. Isso ocorre porque o método melhora a consciência corporal, a coordenação motora e a eficiência dos movimentos, fatores que impactam diretamente o desempenho esportivo. Com uma proposta que une corpo e mente, o pilates se consolida como uma prática completa e acessível. “Seus benefícios vão além da estética, abrangendo aspectos fundamentais para a saúde e o bem-estar. O sucesso na modalidade depende de orientação adequada, disciplina e respeito aos limites”, conclui Carla.
Exposição dedicada a Renoir marca os 20 anos da Casa Fiat de Cultura

Até 10 de maio de 2026, a Casa Fiat de Cultura recebe a exposição “Renoir na Casa Fiat de Cultura”, que apresenta 11 pinturas e uma escultura do artista francês Pierre-Auguste Renoir (1841-1919), que foi um dos nomes mais importantes do impressionismo, e seus retratos e cenas ao ar livre revolucionaram a pintura moderna ao substituir a rigidez acadêmica por cores vibrantes e pinceladas soltas. O conjunto, pertencente ao acervo do MASP, é exibido pela primeira vez fora de São Paulo e percorre diferentes fases da carreira do artista, permitindo ao público apreciar obras originais que atravessam mais de um século e permanecem referência na história da arte moderna. A visitação conta ainda com uma sala imersiva, criada especialmente pela Casa Fiat de Cultura, dedicada à obra ‘Rosa e Azul’ (1881). O espaço possibilita que o público examine de perto os detalhes das pinturas, aproximando-se das pinceladas, das camadas de cor e da percepção do volume nas obras. Elementos audiovisuais oferecem contexto sobre o período de criação e a história das peças, proporcionando uma conexão mais profunda com um dos retratos mais icônicos do impressionismo francês. A exposição faz parte das celebrações pelos 20 anos da instituição e oferece entrada gratuita ao público. Segundo Massimo Cavallo, presidente da Casa Fiat de Cultura, a chegada de Renoir a Belo Horizonte representa um momento histórico nas comemorações dos 20 anos da instituição. “Celebrar duas décadas de atuação com a obra de um artista dessa dimensão reforça o papel da Casa Fiat de Cultura na circulação de grandes mestres no Brasil. A exposição de Renoir sintetiza esse percurso e consolida nosso compromisso com uma programação gratuita e de alcance internacional”. Membro da primeira geração do impressionismo, ao lado de Claude Monet e Edgar Degas, Renoir participou das exposições independentes que desafiaram os Salões franceses oficiais. No entanto, sua produção não se restringiu apenas à experimentação impressionista: após uma viagem à Itália em 1881, aprofundou o estudo da tradição clássica e começou a organizar suas composições. Essa fusão entre inovação e diálogo com o passado conferiu à sua obra uma singularidade dentro do movimento. Na exposição, os visitantes poderão explorar diferentes fases da carreira de Renoir. Obras como “A banhista e O cão griffon – Lise à beira do Sena” (1870) ilustram sua fase inicial, ainda influenciada pela pintura acadêmica. Já trabalhos voltados às banhistas, como “Banhista enxugando a perna direita” (1910) e “Banhista enxugando o braço direito” (1912), produzidos nas primeiras décadas do século 20, destacam volumes marcantes, cores quentes e um estudo aprofundado da textura da pele e da dissolução dos contornos. A escultura “Vênus vitoriosa” (1916) complementa o percurso, mostrando como Renoir transferiu para o bronze suas reflexões sobre movimento e sensualidade. “As obras de Renoir foram incorporadas ao acervo do MASP durante o período das grandes aquisições, entre o fim dos anos 1940 e início dos 1950, quando o italiano Pietro Maria Bardi estruturou um núcleo fundamental de arte europeia no Brasil. As 12 obras reunidas nesta exposição percorrem praticamente toda a carreira do artista e raramente são apresentadas em conjunto. Anteriormente à mostra acontecer na ocasião da inauguração do novo edifício do MASP, o conjunto havia sido exibido há 23 anos, no próprio museu”, explica Fernando Oliva, curador da mostra e doutor em história da arte pela USP.
Setor de franquias faturou mais de R$ 26 bilhões em Minas Gerais

Um levantamento da Associação Brasileira de Franchising (ABF) apontou que o setor de franquias em Minas Gerais movimentou mais de R$ 26 bilhões em 2025, com crescimento de 10,2% na comparação com o ano anterior. Além do avanço no faturamento, o franchising no Estado também expandiu sua atuação geográfica. O total de unidades franqueadas alcançou 18.699 operações, o que representa uma alta de 4,9%. O segmento ainda foi responsável pela geração de mais de 158 mil empregos diretos, registrando aumento de 5,9%. O estudo da ABF também indicou os segmentos que mais contribuíram para o crescimento das franquias em Minas Gerais, com destaque para saúde, beleza e bem-estar, que avançou 18,3%, seguido por casa e construção, com alta de 16,5%, e entretenimento e lazer, que aumentou 14,2%. No contexto nacional, o setor de franquias também segue em expansão contínua. Dados da Pesquisa de Desempenho do Franchising 2025, divulgada pela ABF, mostram que o segmento alcançou faturamento recorde de R$ 301,7 bilhões, um crescimento de 10,5% frente ao período anterior. Atualmente, o Brasil reúne 202.444 unidades franqueadas, vinculadas a 3.297 marcas, que juntas geram cerca de 1,762 milhão de empregos diretos. Para a economista Renata Figueiredo, o bom desempenho do setor está diretamente ligado à capacidade de adaptação das franquias às novas demandas do mercado. “O modelo de negócio tem se mostrado resiliente mesmo diante de cenários econômicos desafiadores, as franquias oferecem um formato mais estruturado, com processos definidos e suporte ao franqueado, o que reduz riscos e aumenta as chances de sucesso. Isso atrai investidores, especialmente em momentos de incerteza”. Outro fator relevante é a mudança no perfil do consumidor, que passou a valorizar mais conveniência, qualidade e padronização. Segundo Renata, isso favorece diretamente o franchising. “As marcas franqueadas conseguem manter um padrão de atendimento e produto, independentemente da unidade, o que gera confiança no consumidor. Além disso, muitas redes têm investido em tecnologia e canais digitais, ampliando o alcance e as vendas”. No caso de Minas Gerais, a diversidade econômica do Estado também contribui para o crescimento do setor. Cidades de médio porte têm se tornado polos atrativos para expansão de franquias, especialmente nos segmentos de serviços e alimentação. “Há um movimento de interiorização muito forte. Regiões fora dos grandes centros apresentam demanda reprimida e custos operacionais mais baixos, o que favorece a abertura de novas unidades”, observa o consultor de negócios Eduardo Martins. No cenário nacional, o aumento no número de unidades reflete o interesse crescente de empreendedores pelo modelo e consolidando o setor como um dos principais geradores de trabalho no país. “Esse crescimento está associado também à busca por alternativas ao emprego formal, muitas pessoas têm optado por empreender, e as franquias surgem como uma porta de entrada mais segura, com suporte e reconhecimento de marca”, destaca. A digitalização dos negócios é outro elemento apontado como decisivo para o avanço do franchising. Martins diz que muitas redes aceleraram investimentos em plataformas on-line, delivery e estratégias de marketing digital nos últimos anos. “A integração entre o físico e o digital, o chamado modelo omnichannel, tem sido fundamental para ampliar receitas e fidelizar clientes”. As expectativas para 2026 são positivas, embora seja recomendada cautela. A projeção é de que o setor continue crescendo, ainda que em ritmo moderado, acompanhando o desempenho da economia brasileira. “Se houver estabilidade econômica, controle da inflação e melhora no acesso ao crédito, o franchising tende a manter uma trajetória de expansão”, explica. Ela acrescenta que setores ligados à saúde, bem-estar e serviços devem continuar em destaque, acompanhando tendências de consumo. “A população está mais preocupada com qualidade de vida, o que impulsiona esses segmentos. Além disso, áreas como educação, tecnologia e serviços especializados também têm potencial de crescimento”. Por outro lado, desafios como custos operacionais, carga tributária e necessidade de inovação constante permanecem no radar dos empresários. “O sucesso no franchising depende cada vez mais de gestão eficiente e capacidade de adaptação. As redes que investirem em inovação, treinamento e suporte ao franqueado terão mais chances de se destacar”, conclui.
Uso de IA em conteúdos falsos mais que triplica em um ano

A circulação de conteúdos falsos produzidos com o uso de inteligência artificial (IA) mais que triplicou no Brasil entre 2024 e 2025, registrando um crescimento de 308% no período. A informação faz parte de um levantamento inédito realizado pelo Observatório Lupa que analisa tendências, principais alvos e estratégias utilizadas na propagação de informações falsas. Para o estudo, foram examinados 617 conteúdos checados pela agência em 2025, em comparação com 839 verificações realizadas em 2024, a partir de análises qualitativas e quantitativas. Os resultados indicam que deepfakes e outros materiais manipulados com IA passaram de 39 registros em 2024, o equivalente a 4,6% das checagens feitas pela Agência Lupa naquele ano, para 159 casos em 2025, representando 25% do total de verificações. Na prática, isso significa um aumento de 120 ocorrências desse tipo de desinformação. O levantamento indica que, em 2024, a inteligência artificial era utilizada principalmente na aplicação de golpes digitais, como a produção de deepfakes de celebridades promovendo plataformas fraudulentas. Já em 2025, a tecnologia passou a ser usada de forma mais estratégica no campo político: quase 45% dos conteúdos gerados com IA apresentavam viés ideológico, frente aos 33% registrados no ano anterior. A análise também revelou que mais de 75% dos materiais com uso de IA que circularam em 2025 exploravam a imagem ou a voz de pessoas públicas, sobretudo de lideranças políticas. Entre os principais alvos identificados no estudo estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), citado em 36 conteúdos falsos, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 33 casos, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em 30 registros. Segundo a sondagem, o WhatsApp deixou de concentrar a maior parte da circulação de desinformação, passando de quase 90% dos casos em 2024 para 46% em 2025. Para o Observatório, essa queda não significa necessariamente uma redução das notícias falsas na plataforma, mas sim uma maior diversificação dos canais utilizados para disseminar esse tipo de conteúdo. A professora de comunicação digital, Samira Costa, esclarece que a sofisticação dos conteúdos falsos exige mais atenção dos usuários antes de compartilhar qualquer informação. “Hoje é possível criar vídeos e áudios extremamente realistas com poucos recursos técnicos. Muitas vezes, a pessoa vê uma imagem ou ouve uma fala aparentemente autêntica e acredita que aquilo é verdadeiro. É fundamental adotar uma postura mais crítica e sempre verificar a origem da informação”. Entre os principais sinais de alerta estão conteúdos que despertam forte emoção, como indignação ou surpresa, e que incentivam o compartilhamento imediato. “Mensagens alarmistas, com títulos chamativos ou que afirmam revelar algo ‘que a mídia não quer mostrar’, são estratégias comuns em conteúdos falsos”, explica. O especialista em educação midiática, Rafael Torres, também recomenda que os usuários procurem confirmar a informação em diferentes fontes antes de repassá-la. “Uma dica importante é pesquisar se aquele fato foi noticiado por veículos confiáveis ou checado por agências especializadas. Se apenas um perfil desconhecido está divulgando aquilo, há grande chance de ser falso”. Além disso, Torres destaca que inconsistências visuais e sonoras podem indicar manipulação. “Em vídeos feitos com IA, às vezes é possível perceber movimentos labiais estranhos, cortes abruptos ou falas que não combinam com o contexto. No caso de áudios, vale desconfiar quando a mensagem parece muito sensacionalista ou fora do padrão de comunicação da pessoa que supostamente estaria falando”. Outra medida importante é denunciar conteúdos suspeitos nas próprias plataformas digitais. Redes sociais e aplicativos de mensagens costumam oferecer ferramentas para reportar publicações enganosas ou perfis que espalham desinformação. Torres reforça que combater a desinformação depende também do comportamento individual dos usuários. “Cada pessoa tem um papel fundamental nesse processo. Antes de compartilhar qualquer conteúdo, é preciso fazer uma pausa, verificar a informação e pensar nas consequências. Muitas vezes, a simples decisão de não repassar uma mensagem já ajuda a interromper a cadeia de desinformação”.
Um em cada cinco adolescentes no mundo vive com obesidade

Informações do Atlas Mundial da Obesidade 2026 indicam que 20,7% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos no mundo apresentam sobrepeso ou obesidade, o que corresponde a aproximadamente um em cada cinco jovens, somando 419 milhões de pessoas. Segundo projeções da Federação Mundial da Obesidade, esse número pode chegar a 507 milhões até 2040, caso a tendência atual se mantenha. Em comunicado, a entidade adverte que o excesso de peso na infância pode desencadear problemas de saúde semelhantes aos verificados em adultos, como hipertensão e doenças cardiovasculares. As projeções indicam que, até 2040, cerca de 57,6 milhões de crianças poderão apresentar sinais iniciais de doenças cardiovasculares, enquanto 43,2 milhões devem manifestar hipertensão. Os dados apontam que no Brasil cerca de 6,6 milhões de crianças entre 5 e 9 anos apresentam sobrepeso ou obesidade. Quando se inclui a faixa etária de 10 a 19 anos, esse contingente chega a 9,9 milhões, somando aproximadamente 16,5 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos vivendo com excesso de peso no país. As projeções para 2040 indicam um cenário preocupante: mais de 1,6 milhão de jovens dessa faixa etária podem ser diagnosticados com hipertensão associada ao índice de massa corporal (IMC); cerca de 635 mil devem apresentar hiperglicemia relacionada ao IMC; aproximadamente 2,1 milhões podem ter níveis elevados de triglicerídeos; e 4,6 milhões podem desenvolver doença hepática esteatótica metabólica. Para a endocrinologista pediátrica Mariana Vasconcelos, o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, aliado à redução da atividade física, tem impacto direto na saúde das crianças. “A obesidade infantil é uma condição complexa, que envolve fatores biológicos, comportamentais e sociais. Hoje vemos crianças consumindo grandes quantidades de produtos ricos em açúcar, gorduras e sódio, ao mesmo tempo em que passam muitas horas diante de telas. Esse conjunto favorece o ganho de peso e pode desencadear problemas de saúde que eram mais comuns na vida adulta”. Segundo Mariana, os impactos do excesso de peso podem aparecer de forma precoce e afetar diferentes sistemas do organismo. “Crianças com obesidade têm maior risco de desenvolver hipertensão, resistência à insulina, diabetes tipo 2, alterações no colesterol e problemas no fígado. Além disso, existem consequências emocionais importantes, como baixa autoestima, ansiedade e episódios de bullying”. O nutricionista Carlos Menezes destaca que os hábitos familiares têm papel fundamental na formação do comportamento alimentar das crianças. “Os pais são os principais modelos para os filhos. Quando a família adota uma alimentação equilibrada e inclui atividades físicas na rotina, as crianças tendem a reproduzir esse comportamento. Oferecer frutas, verduras e refeições caseiras, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e limitar o tempo de tela são medidas simples que fazem grande diferença”. Ele também ressalta a importância de estabelecer uma relação saudável com a comida desde cedo. “É fundamental evitar o uso de alimentos como recompensa ou punição. A criança precisa aprender a reconhecer sinais de fome e saciedade, além de entender que a alimentação saudável faz parte do cuidado com o corpo”. Além das mudanças no ambiente familiar, o profissional defende que o enfrentamento da obesidade infantil exige ações mais amplas por parte do poder público. “Esse é um problema que ultrapassa a responsabilidade individual das famílias. Precisamos de políticas que incentivem ambientes mais saudáveis, como regulamentação da publicidade de alimentos ultraprocessados voltada ao público infantil, rotulagem clara dos produtos e programas de alimentação saudável nas escolas”. Menezes defende investimentos em infraestrutura urbana que favoreçam a prática de atividades físicas. “Espaços públicos seguros, parques, ciclovias e quadras esportivas são fundamentais para estimular crianças e adolescentes a se movimentarem. A escola também pode desempenhar um papel central, ampliando o tempo dedicado à educação física e à educação alimentar”. Outra medida apontada é o fortalecimento da atenção básica em saúde, como programas de acompanhamento nutricional e orientação às famílias que podem ajudar na identificação precoce de casos de sobrepeso e na adoção de estratégias de prevenção.
Blocos criticam a concentração de recursos no Carnaval

Representantes dos blocos carnavalescos e escolas de samba de Belo Horizonte pedem mais investimentos e melhor infraestrutura para fortalecer a festa popular que, todos os anos, ocupa as ruas da capital. Durante reunião da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa, realizada no dia 10 de março, integrantes da comunidade do Carnaval levaram suas demandas a representantes dos governos estadual e municipal. Uma das maiores preocupações das lideranças ligadas ao Carnaval é a forma como os recursos públicos são destinados aos cortejos. Os blocos apontam críticas às chamadas vias sonorizadas, financiadas com aproximadamente R$ 10 milhões pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge). Embora a medida proporcione melhor qualidade de som, os critérios sobre quais grupos são contemplados geram questionamentos. De acordo com a Bruta, liga que representa cerca de 70 blocos carnavalescos, as chamadas vias sonorizadas, localizadas nas avenidas Brasil, Andradas e Amazonas, receberam 23 cortejos neste ano. Para a presidente da entidade, Marcela Linhares, do bloco “Então Brilha!”, a situação revela uma forte concentração de recursos direcionados a um número restrito de blocos. Ela sugere que o modelo de patrocínio da Codemge seja revisto, com a possibilidade de que os recursos sejam destinados diretamente aos blocos, que relatam dificuldades para custear a realização dos desfiles. “O aluguel de um trio elétrico custa cerca de R$ 70 mil, e muitos não conseguem arrecadar o montante. Não existe valorização do Carnaval sem dinheiro na mão dos blocos”. A Bruta também pede que sejam definidos critérios mais objetivos e transparentes para a seleção dos blocos contemplados pelas vias sonorizadas. Segundo Marcela Linhares, neste ano o “Alcova Libertina”, um dos blocos mais tradicionais de Belo Horizonte, não conseguiu desfilar na Avenida dos Andradas, local onde costumava se apresentar. Com o objetivo de garantir mais recursos para o carnaval, os blocos ainda defendem o aumento do limite de patrocínio previsto na Lei Estadual de Incentivo à Cultura (Leic). De acordo com Leandro César da Silva, diretor do bloco “Então Brilha!”, “os recursos destinados ao financiamento do Carnaval e de outras iniciativas culturais acabam se esgotando rapidamente”. Para Maria Elisa Abreu da Cruz, presidente da Liga das Escolas de Samba de Minas Gerais (Aliga), as agremiações necessitam de mais investimentos e de maior atenção por parte das políticas públicas. Ela também destacou que as escolas de samba vão além do espetáculo carnavalesco: funcionam como espaços de formação para profissionais da cultura, fortalecem o protagonismo feminino e ajudam a acolher jovens em situação de vulnerabilidade e expostos à violência. “A escola de samba oferece disciplina, pertencimento, identidade cultural e comunidade. Cada jovem que entra em uma bateria, em uma ala ou em uma oficina cultural encontra também um espaço de formação, convivência e cidadania”. A secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, contestou as críticas relacionadas à sonorização de algumas vias da cidade e disse que a iniciativa tem boa aceitação tanto entre os foliões quanto entre as agremiações carnavalescas. Ela também argumentou que, caso os recursos destinados à sonorização fossem distribuídos entre os mais de 600 blocos de rua existentes na capital, o valor recebido por cada grupo seria bastante reduzido. Já o vice-presidente da Belotur, Bruno Eduardo Silva Cassimiro, destacou o empenho da administração municipal em apoiar o Carnaval e afirmou que a prefeitura mantém disposição para dialogar com os blocos de rua e as escolas de samba. “Sabemos que temos muita coisa para melhorar, mas estamos de portas abertas para construir um Carnaval melhor”. A deputada Bella Gonçalves (Psol) fez críticas à postura da secretária de Estado de Cultura e Turismo e voltou a questionar a escolha de investir na sonorização de determinadas vias. Na avaliação da parlamentar, a medida representa uma “concentração excessiva” de recursos em uma ação específica, que não atende diretamente às necessidades dos blocos carnavalescos. “Queremos saber quem está lucrando com esse Carnaval, já que os blocos não recebem recursos para fazer seus cortejos”. A parlamentar reiterou que o teto de recursos da Leic não aumenta porque o governo estadual não permite. “Precisamos que o governo compreenda a importância da cultura”. Já a deputada Lohanna (PV) afirmou que os cidadãos precisam acompanhar a atuação da Secretaria de Estado de Cultura. “Que tipo de carnaval a gente quer: privado, com blocos selecionados sem transparência, ou descentralizado, que pertença ao povo mineiro?”.
32 novos radares de velocidade entraram em operação na capital

Com a entrada em funcionamento de 32 novos radares na semana passada, Belo Horizonte passou a contar com 146 equipamentos de monitoramento eletrônico ativos em 2026. Isso significa que, em média, a prefeitura colocou em operação cerca de 2,5 dispositivos por dia este ano. A maioria dos aparelhos instalados substitui antigos equipamentos, cujos contratos expiraram recentemente. Ainda assim, alguns locais passam a contar com fiscalização eletrônica pela primeira vez. Desde o fim de fevereiro, a Prefeitura de Belo Horizonte deixou de informar individualmente a data de início de funcionamento de cada novo radar. A administração municipal passou a reunir todos os equipamentos em uma planilha única. Antes, os dispositivos recém-instalados eram divulgados em uma página específica destinada a esse fim. Os últimos conjuntos de radares ativados neste ano haviam sido anunciados no encerramento de janeiro e também no fim de fevereiro. Já em março, a comunicação ocorreu logo no terceiro dia do mês. Embora a relação oficial aponte 146 aparelhos, esse número não corresponde, necessariamente, a 146 locais distintos de fiscalização. Isso porque há casos em que mais de um equipamento está instalado no mesmo endereço, sendo contabilizados separadamente conforme a faixa monitorada. Em alguns trechos do Anel Rodoviário, por exemplo, existem vários radares em um único ponto para acompanhar diferentes faixas ou sentidos de tráfego. Na prática, portanto, o total de dispositivos em operação pode não coincidir com a quantidade de pontos diferentes onde os condutores notarão a presença da fiscalização eletrônica. Segundo o engenheiro de trânsito, Marcos Albuquerque, os radares desempenham um papel fundamental na redução de acidentes e na conscientização dos motoristas sobre os limites de velocidade. “A instalação de radares não deve ser vista apenas como um instrumento de arrecadação de multas, mas como uma ferramenta preventiva. Quando bem posicionados, esses dispositivos ajudam a disciplinar o tráfego, evitam ultrapassagens perigosas e diminuem o número de acidentes graves em corredores críticos da cidade”. Além de contribuir para a segurança, os radares também têm potencial para melhorar a mobilidade urbana. “A fiscalização eletrônica cria um efeito de moderação de velocidade, o que ajuda a reduzir o congestionamento e permite que os veículos circulem de forma mais uniforme, diminuindo o risco de acidentes por freadas bruscas ou mudanças de faixa repentinas”. Ainda conforme Albuquerque, o planejamento da instalação dos radares deve considerar não apenas o volume de tráfego, mas também o histórico de acidentes e os pontos de maior risco, o que garante que o investimento seja direcionado de forma estratégica. Já o especialista em segurança viária, Roberto Lima, aponta que a simples presença de radares não garante uma redução significativa nos acidentes ou na velocidade média do tráfego. É necessário que haja educação para o trânsito, fiscalização complementar e planejamento urbano adequado. “Os radares funcionam como uma ferramenta de apoio, não como solução isolada. Eles são mais eficazes quando combinados com medidas como lombadas eletrônicas, campanhas de conscientização e fiscalização móvel em trechos estratégicos”. A percepção dos motoristas em relação aos radares também é um ponto importante. Muitos condutores reconhecem a importância dos equipamentos, mas ainda veem a fiscalização como punitiva. “É natural que haja resistência no início, mas com o tempo, percebe-se que os radares contribuem para um trânsito mais seguro e previsível. O desafio é equilibrar a necessidade de segurança com a sensação de que a fiscalização é justa e transparente”, explica Lima.
MG tem 4,5 mil novos MEIs na categoria comércio ambulante de alimentos

Apenas em 2025, mais de 56 mil brasileiros passaram a atuar como microempreendedores individuais (MEIs) no ramo de serviços ambulantes de alimentação, o que representa um avanço de 45% em relação a dois anos atrás. Em 2023, o total de registros foi de 38,8 mil, subindo para 42,8 mil em 2024. As informações são da base da plataforma DataSebrae. Minas Gerais concentra quase 10% desse total de novos microempreendedores individuais. No Estado, foram contabilizadas 4.508 formalizações de MEIs na categoria de comércio ambulante de alimentos em 2025. Os meses com maior número de registros foram janeiro, fevereiro e novembro. O aumento nas formalizações coincide com períodos festivos, tanto no cenário nacional quanto em Minas Gerais, como o Carnaval. A movimentação superior a R$ 1,4 bilhão na economia de BH no período contou com contribuição significativa dos vendedores ambulantes. A consultora de pequenos negócios, Mariana Tavares, avalia que a formalização por meio do MEI representa uma mudança estrutural para milhares de trabalhadores que antes atuavam na informalidade. Ela explica que o registro como microempreendedor garante acesso a diversos benefícios. “Ao se formalizar, o ambulante passa a ter CNPJ, pode emitir nota fiscal, acessar linhas de crédito com juros mais baixos e contribuir para a Previdência Social. Isso significa mais segurança para o negócio e para a família”. Além da proteção social, que inclui aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade, o enquadramento como MEI também facilita a participação em eventos organizados pelo poder público. “Em cidades como Belo Horizonte, a regularização é frequentemente exigida para o credenciamento de vendedores em grandes festas. O Carnaval da capital mineira, que nos últimos anos consolidou-se como um dos maiores do país, exemplifica esse movimento. Milhares de foliões ocupam as ruas a cada edição, ampliando o consumo de alimentos e bebidas e gerando oportunidades para quem trabalha de forma itinerante”, destaca. Com a simplicidade para ingressar ou se desligar do regime formal por meio do MEI no Brasil, é frequente a ocorrência de muitas aberturas e encerramentos de registros, conforme aponta o Sebrae. Ainda assim, Minas Gerais apresentou estabilidade no número de microempreendedores individuais ativos após o término do último ano. Entre os 4.508 CNPJs registrados no período, 2.711 foram encerrados, o que resultou em um saldo positivo de 1.797 novas empresas. O economista Rafael Campos ressalta que os 4,5 mil novos registros em Minas Gerais têm impacto que vai além do número absoluto. “Estamos falando de milhares de famílias inseridas de maneira mais estruturada na economia. Cada ambulante compra insumos, contrata ajudantes temporários e movimenta fornecedores locais. É um ciclo que começa na rua, mas se espalha por toda a cadeia produtiva”. Esse efeito multiplicador é percebido sobretudo em períodos festivos, o resultado é um fortalecimento da economia circular, conceito que descreve a manutenção dos recursos em uso pelo maior tempo possível dentro de uma mesma região. Segundo Campos, a formalização contribui para organizar esse fluxo econômico. “Quando o ambulante se torna MEI, passa a registrar suas compras e vendas, cria histórico financeiro e pode planejar melhor o negócio. Isso traz previsibilidade e estimula reinvestimentos. Parte do lucro obtido no Carnaval, por exemplo, costuma ser aplicada na melhoria de equipamentos ou na ampliação do cardápio”. Os dados de 2025 reforçam uma tendência observada nos últimos anos: a busca por autonomia profissional aliada à segurança jurídica. Muitos trabalhadores veem no empreendedorismo uma alternativa diante das oscilações do mercado formal de trabalho. Para Mariana, o desafio agora é garantir capacitação contínua. “Formalizar é o primeiro passo. Depois, é preciso investir em gestão, controle de estoque, precificação e atendimento ao cliente”.