Psoríase: doença crônica vai além da pele e exige acompanhamento

Vermelhidão, descamação, coceira e lesões que podem aparecer em diferentes partes do corpo são alguns dos sinais mais conhecidos da psoríase, uma doença inflamatória crônica que afeta milhões de pessoas no Brasil. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a estimativa é de que entre 3 milhões e 5 milhões de brasileiros convivam com a doença, o número mais recente divulgado pela entidade mantém essa faixa de estimativa e reforça a dimensão do problema no país. A psoríase ocorre quando o sistema imunológico passa a atuar de maneira inadequada, provocando uma inflamação que acelera a renovação das células da pele. A causa exata ainda não é completamente conhecida, mas fatores genéticos e imunológicos têm papel importante. Pessoas com familiares que apresentam a doença possuem maior risco de desenvolvê-la, ao mesmo tempo, determinados fatores ambientais e comportamentais podem funcionar como gatilhos, como estresse, infecções, lesões na pele, clima frio e seco, tabagismo e consumo excessivo de álcool. Alguns medicamentos também podem desencadear ou agravar crises em determinadas pessoas. “É importante entender que a psoríase não é simplesmente um problema superficial da pele, trata-se de uma doença inflamatória relacionada ao funcionamento do sistema imunológico, que pode apresentar períodos de melhora e de piora. O paciente pode ter uma predisposição genética e, diante de determinados gatilhos, desenvolver ou agravar as lesões”, explica a dermatologista Helena Moura. As manifestações variam de acordo com o tipo de psoríase e a região atingida, afirma Helena. “A forma mais comum é a psoríase em placas, caracterizada por áreas elevadas, espessas e avermelhadas, geralmente cobertas por escamas esbranquiçadas. Cotovelos, joelhos e couro cabeludo estão entre os locais frequentemente afetados, mas as lesões podem aparecer em outras regiões, inclusive nas unhas. Coceira, ressecamento e desconforto também podem ocorrer, em alguns casos, a doença ultrapassa a pele e provoca inflamação nas articulações, condição conhecida como artrite psoriásica”. O tratamento depende da extensão e da gravidade do quadro. Nos casos leves, podem ser indicados medicamentos de uso tópico, como cremes, pomadas e loções com ação anti-inflamatória. Quando a doença é mais extensa ou não responde adequadamente às terapias locais, o dermatologista pode recomendar fototerapia ou medicamentos sistêmicos, administrados por via oral ou injetável. “O objetivo do tratamento não é apenas deixar a pele com uma aparência melhor. É controlar a inflamação, reduzir sintomas, prevenir novas crises e melhorar a qualidade de vida. A escolha do medicamento precisa ser individualizada, considerando a extensão da doença, outras condições de saúde, idade e resposta aos tratamentos anteriores”, ressalta a reumatologista Carolina Menezes. Apesar dos avanços, a doença ainda não possui cura definitiva. Isso não significa que o paciente precise conviver permanentemente com lesões ou desconforto. Com acompanhamento médico adequado, é possível alcançar controle significativo ou até quase completo dos sinais e sintomas. A interrupção do tratamento por conta própria, por outro lado, pode favorecer novas crises. Carolina explica que não existe uma forma conhecida de prevenir completamente o surgimento da psoríase, principalmente porque fatores genéticos e imunológicos estão envolvidos. “É possível, contudo, reduzir alguns fatores que podem desencadear ou piorar as crises, como controlar o estresse, não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool, proteger a pele contra ferimentos e queimaduras e seguir corretamente o tratamento prescrito. Também é importante identificar os gatilhos individuais de cada paciente”. Mais do que uma questão estética, a psoríase deve ser encarada como uma doença crônica que merece acompanhamento. Formas mais graves podem estar associadas a outras condições, como obesidade, hipertensão e alterações metabólicas, além da artrite psoriásica. Por isso, o diagnóstico e o tratamento devem ser conduzidos por profissionais de saúde, especialmente dermatologistas e, quando necessário, reumatologistas.

Belo Horizonte ganha lei para a proteção das vítimas de intolerância religiosa

Belo Horizonte passa a contar com uma iniciativa voltada à criação de uma política pública específica para combater a intolerância religiosa e oferecer suporte às pessoas e instituições atingidas por esse tipo de violência. A Lei 12.142, publicada no dia 24 de setembro no Diário Oficial do Município (DOM), estabelece o Programa Municipal de Assistência às Vítimas de Intolerância Religiosa. A medida foi apresentada por um grupo de parlamentares formado pelas vereadoras Juhlia Santos (PSOL), Iza Lourença (PSOL), Luiza Dulci (PT) e Cida Falabella, atualmente afastada, além dos vereadores Dr. Bruno Pedralva (PT), Helton Junior (PSD) e Pedro Patrus (PT). Entre os objetivos da nova legislação estão garantir acolhimento, oferecer orientação e encaminhamento e prestar apoio a pessoas físicas ou jurídicas que tenham sido vítimas de ações que atentem contra a liberdade religiosa. Com a legislação já em vigor, a execução das ações previstas no programa ficará sob responsabilidade do Poder Executivo, que deverá considerar as normas legais aplicáveis e os recursos orçamentários e administrativos disponíveis. A Lei 12.142/2026 define como intolerância religiosa atos ilícitos que violem a liberdade de crença, culto ou manifestação religiosa. O programa poderá ser acionado pela vítima, por seu representante legal ou por órgão público, diante de indícios da ocorrência. Entre as medidas previstas estão o encaminhamento das vítimas a programas de proteção, ações de prevenção e incentivo ao respeito à diversidade religiosa, além da proteção preventiva de templos e espaços religiosos, dentro das atribuições municipais. A norma também proíbe o Poder Executivo de interferir em manifestações religiosas fora das hipóteses legais, criar obstáculos ao exercício da fé ou promover ações que atentem contra a liberdade religiosa. Para a socióloga Andreia Lima, a criação de um programa específico pode contribuir para tornar mais organizado o atendimento às vítimas. “Uma política pública estruturada ajuda a transformar um direito que já existe em mecanismos concretos de proteção. A vítima precisa saber onde procurar ajuda, quais órgãos podem ser acionados e quais medidas podem ser adotadas diante de uma ameaça ou agressão”. “O combate à intolerância não deve ser visto apenas como uma punição individual, a responsabilização é importante porque demonstra que agressões motivadas pela religião não são aceitáveis, mas também é necessário investir em prevenção, educação e proteção das comunidades”, completa. O antropólogo Carlos Menezes explica que “garantir segurança exige uma atuação conjunta entre poder público, instituições religiosas e sociedade civil, com canais acessíveis para denúncias e respostas rápidas diante de ameaças”. Na avaliação de Menezes, a efetividade da nova política dependerá da capacidade de transformar as diretrizes da lei em atendimento concreto. “Isso inclui facilitar o acesso às denúncias, proteger pessoas ameaçadas, preservar espaços religiosos e promover ações educativas que valorizem a liberdade de crença. Dessa forma, a segurança de praticantes de diferentes religiões passa a ser tratada não apenas como uma questão individual, mas como parte da proteção dos direitos fundamentais e da convivência democrática”. Ele também destaca que a proteção à liberdade religiosa precisa alcançar diferentes espaços da vida cotidiana, e não apenas os locais de culto. “Garantir que uma pessoa possa professar sua fé sem medo de sofrer discriminação, ameaça ou violência é fundamental para uma sociedade democrática, a segurança deve estar acompanhada de informação, acolhimento e políticas de prevenção capazes de alcançar escolas, comunidades, espaços públicos e instituições de forma ampla e efetiva”.

44,2% das famílias sentem o impacto da alta dos alimentos nas finanças

O encarecimento dos alimentos é o principal fator de pressão sobre o orçamento familiar para 44,2% dos entrevistados, segundo uma pesquisa realizada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg. Como era possível indicar mais de uma alternativa no questionário, 32,1% mencionaram o aumento das despesas essenciais (como energia elétrica, água, gás e internet) como o item que mais afeta as finanças da família. Já 25% dos participantes apontaram o acúmulo de dívidas ou as taxas elevadas de juros como o principal impacto sobre sua situação financeira. Entre os demais fatores apontados pelos entrevistados, 23,9% citaram os impostos como o principal responsável pelo impacto sobre suas finanças. Na sequência, aparecem as despesas com saúde, mencionadas por 11,1%, e o aumento nos custos de transporte ou combustível, indicado por 9,5%. Outros 5,5% apontaram a elevação dos preços dos serviços, enquanto 5,3% relacionaram a maior dificuldade financeira à falta de emprego. Já os gastos com educação foram citados por 4,3% dos participantes, e o aumento do aluguel ou do condomínio, por 3,9%. Além dessas alternativas, 10,1% dos eleitores afirmaram que outro fator é o que mais pesa sobre sua situação financeira. Para o economista Rafael Gomes, a combinação entre clima, produção e custos de transporte ajuda a explicar porque determinados produtos podem ficar muito mais caros em pouco tempo. “Alimentos in natura são bastante sensíveis à oferta, uma quebra de safra ou uma alteração no clima pode reduzir a quantidade disponível e provocar uma alta rápida. Além disso, gastos com combustível, armazenamento e transporte também podem chegar ao preço final pago pelo consumidor”. O cenário também mostra que o consumidor precisa olhar para além do preço de um único produto. Em alguns períodos, itens que estavam caros podem voltar a ficar mais baratos com a melhora da oferta. “Foi o que ocorreu no meio do ano, quando a alimentação no domicílio acumulou quedas após meses de alta. Dados oficiais mostram que, em junho, produtos in natura acumulavam alta no ano, enquanto em julho o comportamento dos preços começou a apresentar forte reversão”, ressalta. Diante das oscilações, comparar preços e substituir produtos pode ser uma estratégia para reduzir o valor da feira sem comprometer a qualidade da alimentação. “A primeira recomendação é não montar o cardápio pensando em marcas ou produtos fixos. O consumidor pode escolher frutas, verduras e legumes da estação, que têm maior oferta, e trocar uma proteína mais cara por outra de preço mais acessível”, afirma o consultor de varejo e especialista em consumo, Eduardo Naves. Ele reforça que o planejamento também evita desperdícios, que representam uma despesa muitas vezes invisível para as famílias. “Antes de ir ao supermercado, vale conferir o que já existe em casa e elaborar as refeições da semana. Comprar grandes quantidades de alimentos perecíveis apenas porque estão em promoção pode gerar economia no caixa, mas prejuízo quando parte da comida estraga”. Naves explica que outra alternativa é priorizar alimentos básicos e versáteis, como arroz, feijão, ovos, legumes e verduras, combinando- -os de diferentes maneiras ao longo da semana. “A substituição também pode ser feita dentro de uma mesma categoria, se uma determinada fruta estiver muito cara, por exemplo, outras opções da estação podem ocupar o lugar”. Nesse contexto, diminuir o gasto com alimentação pode representar uma das formas de reorganizar o orçamento mensal. A estratégia, porém, não precisa significar abrir mão de uma dieta equilibrada. Planejar as compras, pesquisar preços, aproveitar alimentos da estação, observar promoções realmente vantajosas e diversificar as opções são medidas que podem ajudar a diminuir a conta do supermercado.

Número de conflitos no campo tem alta no primeiro semestre deste ano

No primeiro semestre de 2026, o Brasil registrou um crescimento no número de conflitos agrários, enquanto as mortes no campo apresentaram redução em comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), esse cenário está relacionado ao avanço da mercantilização e da financeirização das terras no país. De acordo com os registros da comissão, foram identificados seis assassinatos no campo entre janeiro e junho deste ano, uma redução significativa em relação aos 27 casos registrados no mesmo período de 2025. Em sentido contrário, os conflitos aumentaram: passaram de 798 para 841 ocorrências. Os casos registrados neste ano são em grande maioria conflitos por terra (711), seguidos por conflitos por água (100) e ocorrências de trabalho escravo rural (30). Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a coordenadora nacional da CPT, Maria Petronila Neto. A CPT aponta a intensificação da mercantilização e da financeirização da terra. Como esse processo está transformando as disputas pelo território? A intensificação dos conflitos e da violência no campo está ligada às disputas por bens naturais, cada vez mais estratégicos para novas tecnologias, inteligência artificial e transição energética. O Brasil tem grande disponibilidade de matérias-primas e se torna alvo de interesses econômicos. As terras raras, fundamentais para tecnologias modernas, ganham destaque nesse cenário. Os povos e comunidades tradicionais são os mais afetados, especialmente na Amazônia e na Caatinga. O que explica a concentração e o crescimento dessas disputas em determinadas regiões do país? Maranhão e Amazonas integram a Amazônia Legal, região rica em recursos naturais e marcada por crescentes disputas econômicas. Essa pressão envolve governos federal, estaduais e municipais, interessados na exploração dessas riquezas. No Maranhão, nos últimos três anos, destacam-se conflitos por terra relacionados ao uso de agrotóxicos, prática chamada pelas comunidades de “guerra química”. No Amazonas, os conflitos também se intensificam diante das disputas por recursos e territórios. O aumento da violência resulta de um processo impulsionado, há anos, pela expansão das fronteiras agrícola, mineral e energética na região da Amacro. No Sul do estado, especialmente em Boca do Acre e Lábrea, destacam-se conflitos ligados às BR-319 e BR-230 e disputas pela água, associadas ao garimpo e às ameaças ao Rio Madeira. Paralelamente, avançam o desmatamento, a pecuária, a soja e grandes obras de infraestrutura, processo que amplia a pressão sobre territórios e modos de vida das comunidades tradicionais. O que os dados revelam sobre os impactos ambientais e humanos do atual modelo de exploração do território? Esses dados apontam para um cenário de genocídio e etnocídio, marcado por uma “arma química invisível”, cujos impactos são difíceis de comprovar devido às limitações do sistema de saúde. Diante disso, questiona-se quem será responsabilizado pelos danos causados a povos inteiros, como os impactos da contaminação sobre o povo Munduruku. O próprio Estado aparece como agente, cúmplice ou omisso, tornando complexa a responsabilização. Os conflitos pela água mais que dobraram, de 47 para 100 registros. O que está por trás desse crescimento e como estão tornando a água um dos principais focos de disputa no campo brasileiro? A água tem se tornado objeto de disputa e exploração para atender aos grandes projetos do agronegócio, do setor hidroenergético e da mineração. Nessa lógica, passa a ser tratada como mercadoria, assim como a terra, as florestas e os recursos minerais, intensificando a mercantilização da natureza. Como consequência, os conflitos por água tendem a crescer, especialmente na Amazônia Legal. Diante desse cenário, quais são as medidas mais urgentes que o Estado brasileiro deveria adotar para reduzir os conflitos e garantir a permanência dessas populações em seus territórios? A primeira medida é garantir o cumprimento da Constituição e efetivar os direitos dos povos indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais, frequentemente ameaçados por projetos de exploração. Também é fundamental ampliar a participação e o controle social, avançar na reforma agrária e na demarcação e regularização dos territórios. Para isso, são necessárias políticas públicas efetivas, orçamento adequado e o cumprimento dos acordos internacionais, incluindo a consulta prévia, livre e informada às comunidades afetadas por empreendimentos.

Krav magá ganha espaço como arte de defesa pessoal e condicionamento físico

Criado a partir da necessidade de defesa em situações reais, o krav magá deixou de ser associado exclusivamente ao treinamento militar e passou a ocupar espaço em academias, centros de artes marciais e projetos esportivos em diferentes países. A proposta é preparar o praticante para reconhecer situações de risco, evitar o confronto quando possível e reagir diante de uma ameaça. No treinamento, são trabalhadas técnicas de golpes, deslocamentos, defesas, quedas e escapes, além de exercícios voltados à percepção do ambiente. Para a instrutora Natália Fagundes, a expansão do krav magá está ligada justamente à combinação entre defesa pessoal e atividade física. “A modalidade ganhou popularidade porque apresenta uma proposta diferente da ideia tradicional de aprender uma luta para competir. O aluno entra na academia buscando segurança, condicionamento ou uma nova atividade e encontra um treinamento que trabalha situações práticas”. Segundo Natália, além da defesa pessoal, o treinamento pode proporcionar ganhos relacionados ao condicionamento físico. “Uma aula costuma envolver aquecimento, deslocamentos, exercícios aeróbicos e anaeróbicos, movimentos de força, agilidade e flexibilidade. A intensidade varia de acordo com o nível do aluno e a metodologia adotada pela escola”. Os efeitos também podem ultrapassar a dimensão física. A concentração necessária para responder aos estímulos, a repetição dos movimentos e a simulação controlada de situações de pressão exigem atenção e autocontrole. “O aluno precisa aprender a controlar a reação emocional para conseguir perceber o que está acontecendo. Isso pode favorecer a disciplina, a confiança e a capacidade de manter a atenção em situações de tensão”, afirma o educador físico Ricardo Menezes. Ele orienta que a prática não deve ser confundida com uma garantia de invulnerabilidade. “Isso porque aprender técnicas de defesa pessoal não elimina os riscos de uma situação de violência, e a prevenção continua sendo um dos princípios centrais ensinados em diferentes escolas. A orientação de priorizar a percepção do perigo, e evitar o confronto quando possível, também faz parte da abordagem apresentada por muitos instrutores”, ressalta. O krav magá é oferecido a pessoas de diferentes idades e níveis de condicionamento, com exercícios adaptados às características de cada turma. A ideia de que o praticante precisa ser forte ou ter experiência prévia em artes marciais não é uma exigência para o início das aulas, ainda assim, pessoas com limitações físicas, lesões ou condições específicas devem procurar orientação profissional antes de iniciar atividades de alta intensidade. Os profissionais relatam que para quem deseja começar, o primeiro passo é procurar uma escola ou academia com instrutores qualificados e conhecer a metodologia oferecida. Uma aula experimental pode ajudar a entender o ritmo dos treinamentos e verificar se o ambiente é adequado. O foco no início deve estar no aprendizado dos movimentos básicos, postura, coordenação e compreensão dos princípios de segurança, sem preocupação em executar técnicas avançadas rapidamente. “O mais importante para o iniciante é não enxergar a primeira aula como um teste de coragem, mas um processo de aprendizagem. A evolução acontece quando a pessoa desenvolve técnica, condicionamento e consciência do próprio corpo”, ressalta Natália. Na avaliação de Menezes, a regularidade também é fundamental. “Como em qualquer atividade física, os benefícios aparecem com a prática consistente e com uma progressão compatível com o nível de cada aluno”.

Projeto valoriza cultura afro-brasileira com oficinas de tranças e contação de histórias

O cabelo crespo carrega ancestralidade, memória e identidade. O ato de trançar vai além da estética: é também uma forma de cuidado, conexão e transmissão de saberes entre gerações. É a partir dessa perspectiva que chega à segunda edição o projeto “Trançar e Contar Histórias – Um Resgate Ancestral”, com início em 26 de setembro, em Belo Horizonte. Realizada com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, a iniciativa segue até 12 de dezembro, reunindo rodas de conversa, história musicada, oficinas de tranças nagô e box braids, trançado coletivo e amarrações de turbantes. A proposta aborda a resistência negra a partir da valorização da ancestralidade, do conhecimento, da autoestima, dos vínculos e da criação. Segundo Ana Paula Barbosa, comunicadora e idealizadora do projeto, esses elementos também são formas de preservar e fortalecer a experiência e a cultura negra. A aproximação dela com o tema surgiu a partir de uma experiência familiar. Graduada em Comunicação Social e mãe de Ana Beatriz, de 13 anos, e Eduardo, de 7, ela passou a enxergar nos cuidados com os cabelos crespos uma forma de fortalecer sua conexão com a ancestralidade, que mais tarde também se tornou parte de sua atuação social. A transformação teve início quando Ana Beatriz tinha 4 anos. Ao chegar em casa, Ana encontrou a filha chorando e segurando uma tesoura. A menina havia cortado os próprios cabelos porque se incomodava com o formato dos fios, que ficavam para cima. A situação fez Ana repensar sua própria relação com o cabelo e com a maternidade, além de despertar a necessidade de apresentar à filha novas referências de beleza e identidade. “Aquela experiência me mostrou que uma criança começa muito cedo a perceber como o mundo olha para ela. Quando encontrei minha filha chorando, com uma tesoura na mão, entendi que aquilo não era apenas uma questão de cabelo. Existiam referências de beleza, pertencimento e aceitação sendo construídas ali, e percebi também a minha responsabilidade como mãe: eu precisava aprender a cuidar daquele cabelo, mas, principalmente, ajudá-la a enxergar beleza e história nele. Esse movimento começou dentro da minha casa e depois ganhou uma dimensão muito maior”, relata Ana. Ela salienta que não se deve ignorar o racismo e nem as dores que atravessam a experiência negra. “A resistência do povo negro também está no conhecimento que permanece, no cuidado, na criatividade, na beleza, no afeto e naquilo que conseguimos transmitir. Por isso, o projeto mistura conversa, história, música e prática. As pessoas vão aprender técnicas, mas também vão trocar experiências, olhar umas para as outras e pensar sobre o significado desses saberes. Acredito muito que a nossa força renasce no coletivo, na oralidade que é uma base de resistência do meu povo e na esperança que nos mantêm em pé”. Para Ana, é fundamental mostrar que existe conhecimento naquele gesto. “Ao aprender a separar, preparar, trançar e cuidar do cabelo, e depois compartilhar esse saber, não se transmite apenas uma técnica, mas também memória, criatividade, cuidado e tradição. Queremos ainda valorizar referências africanas e afro- -brasileiras e mostrar que tranças e turbantes carregam uma história. O mais bonito é perceber que esse saber ancestral permanece vivo ao encontrar novas mãos e caminhos no presente”. A primeira edição mostrou que o projeto precisava ir além da oficina de tranças. Nesta segunda, ela reforça os momentos de conversa e reflexão sobre identidade e representatividade, junto à prática. “Para mim, é importante criar espaços onde as pessoas possam aprender, falar sobre como se enxergam e compartilhar saberes. Cada participante traz uma história diferente, e essa diversidade fortalece o projeto. Foi assim que percebi que a história da Bia, minha filha, também se conecta à de muitas mulheres negras”, explica. ServiçoTrançar e Contar Histórias Um Resgate Ancestral | 2ª edição Período: 26 de setembro a 12 de dezembroHorário: sábados, das 9h às 11hLocal: Centro Cultural Bairro das IndústriasEndereço: Rua dos Industriários, 289 – Bairro das Indústrias Programação:26/09 – Roda de Conversa/Abertura10/10 – História Musicada: Trança e Trança07/11 – Oficina de Tranças Nagô14/11 – Oficina Prática de Tranças28/11 – Oficina de Box Braids05/12 – Oficina de Amarrações em Turbantes12/12 – Roda de Conversa/Encerramento

E-commerce cria novas possibilidades e impulsiona pequenos negócios

O comércio eletrônico vem ampliando sua presença no cotidiano dos brasileiros e criando novas possibilidades para pequenos empreendedores. Um levantamento do SPC Brasil em parceria com a Offerwise Pesquisas aponta que 139 milhões de pessoas fizeram ao menos uma compra pela internet nos 12 meses anteriores à pesquisa, número 20 milhões maior do que o registrado no levantamento anterior. O crescimento mostra que o consumo digital deixou de ser apenas uma alternativa às compras presenciais e passou a fazer parte da rotina de uma parcela significativa da população. Entre os fatores que ajudam a explicar esse avanço estão a praticidade, a possibilidade de comparar preços e a facilidade de realizar compras pelo celular. A expansão das redes sociais também modificou a maneira como consumidores descobrem e adquirem produtos. De acordo com a pesquisa, 54% dos entrevistados compraram por meio dessas plataformas nos últimos 12 meses. O TikTok aparece com 24% das compras, seguido pelo Instagram (17%) e pelo YouTube (12%). O WhatsApp também ocupa um espaço relevante: 73% dos consumidores afirmaram ter realizado pelo menos uma compra pelo aplicativo no último mês. Para a especialista em comportamento do consumidor digital, Aline Marques, a transformação está relacionada principalmente à mudança nos hábitos de aquisição. “O consumidor passou a concentrar várias etapas da decisão de compra no celular. Ele pode conhecer um produto nas redes sociais, pesquisar preços, conferir avaliações, conversar com o vendedor e finalizar o pedido sem precisar sair daquele ambiente”. Dados da pesquisa reforçam essa dinâmica: 64% dos consumidores consultam preços nas redes sociais antes de comprar, enquanto 39% procuram comentários de outros clientes e outros 39% verificam fotos dos produtos. “Esse cenário representa uma oportunidade especialmente relevante para os pequenos negócios, que podem alcançar consumidores de diferentes regiões sem depender exclusivamente de uma loja física. A presença digital permite que empresas menores apresentem seus produtos para um público mais amplo e utilizem canais de comunicação que já fazem parte do cotidiano dos clientes”, destaca. Em 2025, o Sebrae auxiliou cerca de 728 mil empresas a fortalecerem sua atuação no mercado digital. Conforme avalia o consultor de comércio eletrônico Leandro Filho, simplesmente estar presente nas plataformas digitais não é suficiente para garantir resultados. “O pequeno empreendedor precisa entender onde está seu público e adaptar a comunicação a cada canal. Não adianta publicar todos os dias se o conteúdo não apresenta claramente o produto, não transmite confiança e não facilita a compra”. Segundo Filho, entre as estratégias que podem contribuir para o crescimento das vendas estão a produção de conteúdos que apresentem os produtos de maneira clara, o uso de boas imagens, a divulgação de avaliações de clientes e um atendimento rápido. “O empreendedor também pode utilizar o WhatsApp para organizar contatos e divulgar novidades, enquanto redes como Instagram e TikTok podem funcionar como espaços de descoberta e divulgação”. O próprio Sebrae recomenda uma presença estratégica nas redes sociais, atenção à logística e atualização constante em marketing, gestão e vendas. Pós-venda Outro ponto importante é a experiência oferecida depois da venda. Prazos de entrega, facilidade para esclarecer dúvidas e cumprimento do que foi anunciado podem influenciar a confiança do consumidor e sua decisão de voltar a comprar. No ambiente digital, em que diferentes empresas podem ser acessadas com poucos cliques, esses aspectos ajudam a construir a reputação do negócio, e a pesquisa do SPC Brasil também destaca a importância de avaliações e da confiança na decisão de compra pelas redes sociais.

Uso de inteligência artificial nas atividades escolares exige equilíbrio

Uma análise recente da OCDE, baseada nos dados do Pisa, indica que o uso frequente de chatbots de inteligência artificial (IA) nas atividades escolares pode estar associado a resultados acadêmicos mais baixos. Alunos que utilizam essas ferramentas diariamente apresentam desempenho inferior ao de estudantes que fazem uso moderado da tecnologia ou não recorrem a ela. Em ciências, a diferença pode alcançar 28 pontos, resultado comparável a cerca de um ano e meio de aprendizagem. O levantamento contou com a participação de mais de 760 mil estudantes, distribuídos por 91 países. Entre os brasileiros, quase metade (48%) afirma utilizar ferramentas de inteligência artificial nos estudos ao menos uma vez por semana. Apesar dessa adesão, o desempenho dos alunos do país permanece inferior à média dos integrantes da OCDE nas áreas de ciências, matemática e leitura. O relatório aponta que o problema está menos na tecnologia e mais na forma como ela é utilizada. Alunos orientados a questionar e verificar as respostas da inteligência artificial apresentam melhor desempenho. O uso moderado, uma vez por semana, também se mostra mais positivo do que não usar ou recorrer à ferramenta diariamente. Para a psicopedagoga Carla Silva, o princípio deve ser fazer da inteligência artificial uma ferramenta de apoio, e não uma substituta do estudante. “O aluno pode pedir à IA que explique um conceito de outra maneira, apresente exemplos ou ainda ajude a identificar erros em um exercício. O que não deve acontecer é entregar à ferramenta a tarefa de pensar por ele, pois a aprendizagem depende do esforço de compreender, testar hipóteses e até mesmo errar”. Uma das estratégias recomendadas é utilizar a IA depois de uma primeira tentativa independente. “Em vez de pedir diretamente a resposta de um problema de matemática, por exemplo, o estudante pode apresentar seu próprio raciocínio e solicitar uma explicação sobre onde errou. Em trabalhos de pesquisa, a ferramenta também pode ajudar na organização de ideias, desde que as informações sejam conferidas em fontes confiáveis”, explica. O acompanhamento dos pais é importante, não precisa significar vigilância constante ou proibição completa. Para Carla, os responsáveis devem estabelecer limites de tempo e conversar com os filhos sobre o motivo pelo qual estão utilizando a ferramenta. “Melhor do que perguntar se a criança usou IA é questionar de que forma utilizou. Os pais podem pedir que o estudante explique o que aprendeu, quais respostas conferiu e o que fez sozinho. Isso ajuda a perceber quando a tecnologia está facilitando o estudo e quando está substituindo o aprendizado”. Nas escolas, o desafio é transformar a inteligência artificial em objeto de educação digital. Para o professor de informática Osvaldo Mendes, simplesmente proibir os chatbots não resolve o problema. “Os estudantes precisam aprender que uma resposta produzida por IA não é automaticamente verdadeira, sendo necessário ensinar a verificar informações, comparar fontes, identificar erros e compreender os limites dessas ferramentas”. Professores podem incorporar esse aprendizado às próprias atividades. “Em vez de apenas impedir o uso de IA em trabalhos, podem propor exercícios em que os alunos analisem uma resposta produzida por um chatbot, encontrem possíveis erros e expliquem como chegariam a uma conclusão diferente. Dessa forma, a tecnologia passa a ser utilizada como objeto de análise e não apenas como mecanismo para obter respostas rápidas”, sugere. Segundo Mendes, a orientação também deve considerar a idade dos estudantes. “Crianças mais novas precisam de acompanhamento mais próximo dos adultos e de regras claras sobre quando e para que utilizar ferramentas de IA. Já entre os adolescentes, a escola pode ampliar gradualmente a autonomia, mas mantendo critérios para o uso responsável, especialmente em tarefas avaliativas”.

Pesquisa mostra que jovens de 16 a 24 anos têm maior índice de tabagismo

Uma pesquisa realizada pelo A.C. Camargo Cancer Center, em parceria com a empresa Nexus, identificou que o consumo de tabaco é mais frequente entre jovens brasileiros de 16 a 24 anos quando comparado ao observado em outras faixas etárias. Entre os participantes de 16 a 24 anos, 19% afirmaram fazer uso de produtos derivados do tabaco, incluindo os cigarros tradicionais e eletrônicos. Esse percentual supera a média registrada no país, de 17%, além de ser superior ao observado nas demais faixas etárias. O levantamento contou com a participação de mais de 2 mil pessoas de diferentes regiões do Brasil. Na faixa etária de 25 a 40 anos foi identificado o menor percentual de fumantes, correspondente a 15% da amostra. Na sequência, aparecem os indivíduos com 60 anos ou mais, com 16%, enquanto aqueles entre 41 e 59 anos representam 17% dos entrevistados que fazem uso de produtos de tabaco. Os resultados também revelam que uma parcela significativa dos brasileiros permanece em contato com os efeitos nocivos do tabaco. Aproximadamente 33% da população relata conviver com fumantes, seja em casa ou no ambiente profissional. Essa exposição à fumaça de terceiros pode aumentar o risco de câncer de pulmão, inclusive entre pessoas que nunca tiveram o hábito de fumar. Para a psicóloga Lara Fagundes, a maior presença de fumantes entre os jovens pode estar relacionada a uma combinação de fatores sociais, comportamentais e emocionais. “A adolescência e o início da vida adulta são períodos marcados pela busca de identidade, influência dos grupos de convivência e experimentação. O contato com amigos ou familiares que fumam, associado à percepção equivocada de que o cigarro ajuda a controlar a ansiedade ou o estresse, pode favorecer o início do consumo”. Outro aspecto apontado pela especialista é a facilidade de acesso a diferentes produtos de nicotina. Embora o cigarro convencional seja conhecido por seus riscos, os dispositivos eletrônicos também podem contribuir para a dependência. “Alguns jovens acreditam que o cigarro eletrônico é menos prejudicial, o que pode reduzir a preocupação com o consumo e facilitar a manutenção do hábito”. Os prejuízos provocados pelo tabagismo vão muito além da dependência, porque a fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas, muitas delas tóxicas e cancerígenas. O consumo frequente pode comprometer o funcionamento dos pulmões, além de aumentar o risco de diferentes tipos de câncer. Entre as doenças relacionadas ao tabagismo estão câncer de pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas e bexiga, além de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). O hábito também está associado a problemas respiratórios, incluindo doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que pode provocar falta de ar, tosse e redução da capacidade pulmonar. Para o pneumologista Ricardo Avelar, abandonar o cigarro é uma das medidas mais importantes para reduzir os riscos associados ao tabagismo. “Parar de fumar traz benefícios em qualquer idade. O organismo começa a se recuperar depois que a pessoa interrompe o consumo, e, com o passar do tempo, os riscos de diversas doenças diminuem”. O processo de abandono pode ser difícil porque a nicotina provoca dependência. Por isso, especialistas recomendam procurar auxílio profissional em vez de tentar enfrentar o problema sozinho. O primeiro passo é estabelecer uma data para parar e identificar situações que despertam a vontade de fumar. Também é importante buscar estratégias para lidar com a ansiedade e evitar, principalmente nos primeiros dias, ambientes ou situações associados ao consumo. “Uma recaída não significa que todo o esforço foi perdido, pois a dependência é um processo que pode exigir mais de uma tentativa. O importante é compreender o que levou ao retorno do consumo e retomar o tratamento”, destaca Avelar. No Brasil, pessoas que desejam abandonar o cigarro podem procurar uma unidade de saúde para receber orientação e verificar a disponibilidade de acompanhamento a fim de parar de fumar. O tratamento pode envolver acompanhamento médico e psicológico e, quando indicado por um profissional de saúde, medicamentos para ajudar no controle da dependência.

Reajuste das contribuições do Ipsemg gera críticas sobre atendimento

Desde abril de 2025 começaram a valer novos valores de contribuição para o Ipsemg Saúde, programa destinado à prestação de serviços de assistência médica, hospitalar, farmacêutica e odontológica aos servidores públicos estaduais. Com a mudança, a expectativa é de que a arrecadação adicional alcance R$ 954 milhões até o encerramento deste ano. De acordo com a administração do Instituto de Previdência, os recursos arrecadados foram destinados a investimentos considerados relevantes nas áreas de infraestrutura e de gestão de pessoal. Entretanto, usuários do serviço questionam os resultados dessas medidas e relatam insatisfação com o atendimento oferecido, sobretudo nos municípios do interior. A Lei nº 25.143/2025 modificou os limites das contribuições descontadas dos servidores. Conforme a nova regra, o valor mínimo passou de R$ 34,55 para R$ 60, enquanto a contribuição máxima aumentou de R$ 287,86 para R$ 500. A taxa básica paga pelos servidores continuou fixada em 3,2%, mas usuários com idade superior a 59 anos passaram a estar sujeitos a um acréscimo de 1%. A legislação também estabeleceu a cobrança de contribuições referentes a cônjuges e dependentes dos servidores. O governo justificou as mudanças como uma medida necessária para enfrentar o déficit financeiro do Ipsemg Saúde. Em oposição às alterações, a deputada Beatriz Cerqueira (PT), responsável pelo requerimento da audiência pública, argumenta que “os servidores indicam não ter ocorrido melhora nos serviços de saúde prestados pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (Ipsemg), os quais continuariam precários”. A posição apresentada pela deputada também recebeu apoio de representantes dos servidores do Ipsemg e dos usuários do sistema. Durante a discussão, integrantes do sindicato que representa os trabalhadores do instituto sustentaram que qualquer processo de reorganização da instituição deve incluir a análise e a reformulação das carreiras dos profissionais que compõem seu quadro. O presidente do sindicato, Pedro Oliveira, argumentou que “salários ‘pífios’ não retêm os servidores no serviço, causando alta rotatividade”. Há 25 anos no Ipsemg e com curso superior completo, ele relatou receber R$ 2.043 de salário-base. As principais dificuldades relatadas pelos usuários do Ipsemg Saúde, durante a audiência e também em manifestações enviadas à deputada Beatriz Cerqueira, estão os obstáculos para conseguir consultas e exames. Também foram mencionados problemas relacionados à disponibilidade da rede credenciada, à escassez de profissionais e de estabelecimentos conveniados nos municípios do interior e à ausência de insumos necessários para determinados atendimentos e procedimentos médicos. O presidente do Ipsemg, André Luiz dos Anjos, afirmou que os R$ 954 milhões adicionais arrecadados com o reajuste das contribuições permitiram ampliar os investimentos na rede própria, especialmente no Hospital Governador Israel Pinheiro, com a expansão de leitos e exames. Entre as medidas citadas estão a entrada em exercício de 376 servidores aprovados em concurso, o aumento de profissionais credenciados, de 767 em 2024 para 1.047 em 2026, e a abertura de 177 novos leitos. Segundo Anjos, as medidas contribuíram para diminuir o período de internação e a espera na urgência, além de ampliar a quantidade de cirurgias e altas hospitalares. O gestor também citou a retomada de exames ambulatoriais e a expansão dos recursos e da rede de atendimento. Do valor arrecadado com o reajuste, 65% foram destinados à rede contratada, 25% ao pagamento de pessoal, 7% à rede própria e 3% à gestão do Ipsemg. Na avaliação da parlamentar Beatriz Cerqueira, os dados apresentados pelo instituto deveriam corresponder aos mesmos parâmetros utilizados, em 2025, para fundamentar a aprovação da lei. “É importante apresentar os mesmos mapas por região, com as redes credenciadas e o número de procedimentos realizados, dizendo exatamente o que melhorou após um ano da lei”.