Alongamento dinâmico pode melhorar desempenho físico

Antes de iniciar uma atividade física, o alongamento costuma ser indicado como parte do aquecimento. Entre os tipos existentes está o alongamento dinâmico, um método que talvez as pessoas não identifiquem pelo nome, mas que provavelmente já realizaram em algum momento. Esse tipo de alongamento é caracterizado por movimentos contínuos e controlados, que ajudam a preparar o corpo para o exercício. Ao contrário do alongamento estático, em que a posição é mantida por alguns segundos, no dinâmico o corpo permanece em movimento durante toda a execução. Segundo o fisioterapeuta esportivo Renato Lacerda, o principal diferencial do alongamento dinâmico está na forma como ele ativa o corpo. “Ao realizar movimentos repetidos e com amplitude controlada, o organismo começa a se adaptar gradualmente ao esforço que virá. Isso aumenta a temperatura muscular, melhora a elasticidade dos tecidos e favorece a resposta neuromuscular”. Em outras palavras, o corpo deixa de sair de um estado de repouso para um esforço intenso de forma abrupta. Além disso, o alongamento dinâmico contribui diretamente para a circulação sanguínea. Lacerda destaca que esse fator é essencial para o desempenho. “Com maior fluxo de sangue nos músculos, há também maior oferta de oxigênio e nutrientes. Isso prepara a musculatura para contrações mais eficientes e ajuda a evitar fadiga precoce”, afirma. Ele acrescenta que esse tipo de alongamento também estimula a lubrificação das articulações, já que favorece a liberação do líquido sinovial, permitindo movimentos mais suaves e seguros. Outro benefício importante está relacionado à especificidade dos movimentos. Diferentemente do alongamento estático, que muitas vezes trabalha o músculo de forma isolada, o dinâmico pode simular gestos semelhantes aos da atividade principal. A preparadora física Lívia Silveira explica que “se um atleta vai praticar corrida, por exemplo, faz muito mais sentido incluir exercícios que envolvam elevação de joelhos, passadas e deslocamentos. Porque melhora a coordenação motora e prepara o corpo de forma mais funcional”. Para esportes coletivos, como futebol e basquete, movimentos laterais e rotações também são bastante indicados. Entre os exemplos mais comuns de alongamento dinâmico estão o balanço de pernas, que trabalha a mobilidade do quadril e posterior de coxa; a rotação de braços, importante para aquecer ombros e parte superior do corpo; e o avanço alternado, conhecido como afundo dinâmico, que ativa glúteos e quadríceps. Exercícios como skipping, corrida no lugar com elevação dos joelhos, e deslocamentos laterais também são amplamente utilizados, especialmente em treinos funcionais e esportivos. Esses movimentos, quando realizados de forma progressiva, contribuem para um aquecimento completo. Apesar das vantagens, especialistas alertam que a execução correta é fundamental. Movimentos muito rápidos, desordenados ou com amplitude excessiva podem causar lesões. “O ideal é começar com intensidade leve e aumentar gradativamente, respeitando os limites do corpo”, orienta Lívia. Ela também ressalta a importância de manter a respiração controlada, evitando prender o ar durante os exercícios. Em comparação, o alongamento estático continua sendo útil, mas em contextos diferentes. De acordo com a preparadora física, ele é mais indicado para o momento pós-exercício ou para sessões específicas de ganho de flexibilidade. “Antes de atividades que exigem força e potência, o alongamento estático pode reduzir a capacidade muscular. Já o dinâmico prepara o corpo sem causar esse efeito”. A crescente adoção do alongamento dinâmico reflete uma mudança na forma como o aquecimento é encarado. A tendência é que essa prática continue ganhando espaço, especialmente entre aqueles que procuram melhorar o desempenho e treinar com mais segurança.
CCBB Belo Horizonte no ranking dos 100 museus mais visitados

O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) passou a figurar entre os 100 museus mais visitados do mundo em 2025. De acordo com o ranking internacional divulgado pelo jornal “The Art Newspaper”, a instituição mineira alcançou a 69ª colocação na lista global. Ao longo do período analisado, o espaço cultural da capital recebeu cerca de 1,1 milhão de visitantes, consolidando um número bastante significativo. A entidade responsável estruturou o ranking a partir de informações oficiais disponibilizadas pelas próprias instituições culturais. Os dados considerados abrangem o intervalo de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2025, e o cálculo do público foi feito de forma criteriosa, com base na comercialização e na emissão de ingressos. Localizado na Praça da Liberdade, o Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte ocupa um edifício histórico que por si só já representa um patrimônio arquitetônico da cidade. Nos últimos anos, o espaço tem se destacado por oferecer uma agenda plural, que inclui exposições de artes visuais, mostras de cinema, espetáculos teatrais e atividades educativas. Essa combinação de atrações tem contribuído para ampliar o alcance do público e consolidar o CCBB como um ambiente de convivência e formação cultural. Para o museólogo Marcelo Cardoso, a presença do CCBB BH no ranking internacional simboliza uma mudança importante na percepção da produção cultural na cidade. “Quando um equipamento cultural de Belo Horizonte aparece em uma lista global como essa, há um reconhecimento não apenas da instituição, mas de todo um ecossistema artístico que vem sendo fortalecido na cidade. Isso estimula artistas locais, atrai exposições de grande porte e amplia o diálogo com circuitos internacionais”. lém do impacto simbólico, há reflexos diretos no turismo. Ele destaca que rankings como o do “The Art Newspaper” funcionam como uma vitrine global. “Turistas culturais buscam destinos que ofereçam experiências relevantes e reconhecidas. Estar entre os museus mais visitados do mundo coloca BH em um mapa estratégico, o que pode aumentar o fluxo de visitantes, movimentar a rede hoteleira, restaurantes e outros serviços ligados à economia criativa”. Outro ponto ressaltado é o papel do CCBB na democratização do acesso à cultura. Grande parte das atividades oferecidas pelo centro cultural é gratuita ou possui preços acessíveis, o que permite a participação de públicos diversos. Para o produtor cultural Rafael Lacerda, esse aspecto é fundamental para o sucesso da instituição. “O CCBB consegue equilibrar excelência artística com inclusão. Ao oferecer programação de alto nível com entrada gratuita ou a baixo custo, ele rompe barreiras históricas de acesso e aproxima diferentes camadas da população das artes”. Segundo Lacerda, esse modelo também contribui para a formação de novos públicos. “Muitas pessoas têm no CCBB o primeiro contato com uma exposição internacional ou com o teatro. Esse tipo de experiência pode transformar a relação do indivíduo com a cultura ao longo da vida”. Com a visibilidade internacional ampliada, o Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte se consolida não apenas como um ponto de referência local, mas como um agente relevante no cenário cultural global. A presença na lista dos museus mais visitados do mundo reforça o potencial da capital mineira como destino cultural e evidencia o papel estratégico de instituições que apostam na inclusão, na diversidade e na valorização da arte como instrumento de transformação social.
Minas encerra o primeiro trimestre com mais de 35 mil empresas abertas

Segundo relatório da Junta Comercial de Minas Gerais (Jucemg), o Estado registrou 35.239 novas empresas no 1º trimestre de 2026, alta de 9,97% em relação a 2025. Em março, foram 12.843 aberturas, crescimento de 40,18%, com média de 414 empresas por dia. A região Central liderou o período (16.178 registros), seguida por Sul de Minas (4.254) e Triângulo Mineiro (3.621). Depois aparecem Zona da Mata (2.792), Vale do Rio Doce (2.118), Centro-Oeste (2.050), Norte (1.534), Alto Paranaíba (1.301), Jequitinhonha (774) e Noroeste (616). No primeiro trimestre do ano, o segmento de serviços apresentou o maior avanço, com crescimento de 12,56% e a abertura de 26.883 novos empreendimentos. A indústria registrou alta de 6,03% e a criação de 1.530 negócios. Já o comércio mostrou expansão mais moderada, com aumento de 1,65% e 6.825 novas formalizações no período. Belo Horizonte liderou o trimestre com 9.538 novas empresas, alta de 10,51% em relação a 2025, e 3.479 registros em março, crescimento de 36,32%. Em seguida aparecem Uberlândia (2.103), Contagem (1.188), Juiz de Fora (937) e Betim (667). Para a economista Mariana Torres, esse movimento está diretamente ligado à combinação de fatores estruturais e conjunturais. “Minas Gerais vem colhendo resultados de políticas de simplificação de abertura de empresas, somadas ao avanço da digitalização dos processos públicos. Além disso, há um efeito pós-pandemia ainda em curso, em que muitos trabalhadores migraram para o empreendedorismo por necessidade ou oportunidade. O ambiente de juros mais estáveis também contribui para dar alguma previsibilidade ao investimento inicial”. Ela destaca ainda o papel da modernização administrativa. “A redução da burocracia, especialmente com integração de sistemas entre órgãos estaduais e municipais, tem sido determinante. Hoje, abrir uma empresa em Minas é significativamente mais rápido do que há cinco anos. Isso reduz custos de entrada e estimula pequenos empreendedores a formalizarem seus negócios”. Os benefícios desse crescimento são amplos para a economia mineira, ressalta Mariana. “O aumento no número de empresas formalizadas tende a ampliar a geração de empregos, elevar a arrecadação tributária e estimular cadeias produtivas locais. Além disso, a maior diversidade de negócios fortalece o ecossistema de inovação e aumenta a competitividade entre setores. Em regiões mais dinâmicas, como a Central e o Triângulo Mineiro, o impacto é ainda mais perceptível na circulação de renda e no fortalecimento do comércio local”. Apesar do cenário positivo, empreender em Minas Gerais ainda apresenta desafios relevantes. Entre os principais entraves estão o acesso ao crédito, a complexidade tributária e a necessidade de capacitação técnica para gestão de negócios. O consultor em empreendedorismo, Carlos Menezes, aponta que muitos empreendedores iniciam suas atividades sem planejamento adequado. “Existe uma euforia inicial, mas também uma taxa de mortalidade elevada entre pequenas empresas. Falta educação financeira e apoio mais consistente nos primeiros anos de operação”. Outro ponto sensível é a desigualdade regional. Enquanto a capital e grandes centros concentram infraestrutura e serviços de apoio ao empreendedor, regiões mais afastadas ainda enfrentam dificuldades de acesso à tecnologia, crédito e redes de negócios. Para ampliar e sustentar o avanço na abertura de empresas, Menezes sugere uma combinação de medidas. “Dentre elas estão a ampliação de programas de capacitação empreendedora, incentivos fiscais direcionados a micro e pequenas empresas, além da expansão de plataformas digitais integradas que simplifiquem ainda mais o processo de formalização. Também se destaca a importância de políticas de crédito mais acessíveis, especialmente para negócios iniciantes”. No campo das políticas públicas, o consultor defende maior articulação entre governo, instituições financeiras e entidades de apoio ao empreendedorismo. “A ideia é criar um ambiente mais favorável não apenas para a abertura de empresas, mas também para sua sobrevivência e crescimento ao longo do tempo”.
Registros de bullying e cyberbullying crescem em Minas Gerais

Em Minas Gerais, os registros formais utilizados como prova de bullying e cyberbullying atingiram o maior nível desde a criação da lei que criminaliza essas condutas. Em 2025, os cartórios do Estado emitiram 21.663 atas notariais, documentos que servem para comprovar agressões, o que representa um aumento de 8% em relação às 20.030 registradas em 2024, conforme dados do Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF). O crescimento desses registros está relacionado à Lei Federal sancionada em janeiro do ano passado, que tipificou o bullying e o cyberbullying como crimes. Com isso, aumentou a procura por instrumentos de comprovação jurídica por parte de vítimas e seus familiares. Segundo o levantamento, a nova legislação influenciou a forma como a população reage a esses casos, ampliando o uso de registros formais para documentar ocorrências, principalmente no ambiente digital. Isso ocorre porque conteúdos como mensagens, vídeos e publicações podem ser removidos com facilidade, tornando a documentação das provas fundamental para possíveis medidas judiciais. A demanda por esse tipo de registro cresce de forma contínua nos últimos anos. Em Minas Gerais, entre 2020 e 2025, o total de atas notariais quase dobrou, subindo de 10.904 para 21.663, o que representa um aumento de 98,6% no período. Conforme a psicóloga educacional Carla Silva, o crescimento desses registros também revela uma face preocupante da vida escolar e digital. “O aumento dos casos formalizados não significa apenas que há mais denúncias, mas que há mais sofrimento sendo vivido por crianças e adolescentes. O bullying e o cyberbullying deixam marcas profundas, que vão desde a queda da autoestima até quadros de ansiedade, depressão e isolamento social”. Ela destaca que o ambiente virtual amplia o alcance das agressões. “Diferente do bullying presencial, o cyberbullying não termina quando o aluno sai da escola. Ele invade a casa, o quarto, o tempo de descanso. Isso faz com que a vítima sinta que não há refúgio”. Carla avalia que esse movimento de maior procura por instrumentos formais para registrar os atos representa uma mudança cultural importante na forma como a sociedade lida com conflitos virtuais. “Antes, muitas situações de bullying e cyberbullying eram tratadas apenas no campo informal, dentro da escola ou da família. Hoje, há uma compreensão maior de que esses atos podem ter consequências legais e precisam ser documentados de forma adequada”. A profissional ressalta que a formalização não substitui o diálogo, mas pode ser decisiva em casos mais graves. “A ata notarial não resolve o problema em si, mas garante segurança jurídica para a vítima, especialmente quando há repetição ou escalada das agressões”. Para a pedagoga e consultora educacional, Ana Maria Costa, o papel das escolas é central na prevenção e no enfrentamento dessas práticas. “A instituição precisa ir além da punição. É fundamental trabalhar a educação emocional, o respeito às diferenças e o uso responsável da internet desde os primeiros anos”. Ela defende que ações isoladas não são suficientes. “Campanhas pontuais ajudam, mas o combate ao bullying e ao cyberbullying exige uma cultura escolar contínua, com participação de professores, alunos e famílias”. Ela também destaca a importância de protocolos claros de acolhimento. “Quando um estudante sofre violência, ele precisa encontrar na escola um espaço seguro para relatar o que aconteceu. Muitas vezes, o silêncio agrava o problema”. Segundo Ana, a ausência de escuta pode levar ao agravamento dos impactos psicológicos e ao afastamento do ambiente escolar. Entre as especialistas, há consenso de que o papel dos pais também é decisivo. Carla reforça que a supervisão do uso da internet não deve ser confundida com controle excessivo, mas sim com acompanhamento ativo. “Os responsáveis precisam estar atentos a mudanças de comportamento, como isolamento e queda no rendimento escolar. O diálogo aberto é a principal ferramenta de prevenção”.
Síndrome do intestino irritável pode afetar a qualidade de vida

Abril é dedicado à conscientização da síndrome do intestino irritável, uma doença gastrointestinal crônica que atinge milhões de pessoas e ainda é pouco compreendida e frequentemente subdiagnosticada. Caracterizada por um conjunto de sintomas recorrentes que afetam o funcionamento do intestino, a condição não provoca alterações estruturais visíveis em exames laboratoriais ou de imagem, o que muitas vezes contribui para atrasos no diagnóstico e para a sensação de insegurança em quem convive com a doença. De acordo com a gastroenterologista Isabela Moreira, a síndrome do intestino irritável deve ser entendida como uma condição multifatorial. “Não existe uma única causa para o distúrbio. O que observamos é uma interação entre fatores biológicos, como alterações na motilidade intestinal e na sensibilidade visceral, e fatores psicológicos, como estresse e ansiedade. Além disso, há evidências de que a microbiota intestinal desempenha um papel importante no desenvolvimento e na manutenção dos sintomas”. Segundo Isabela, os sintomas mais comuns incluem dor abdominal recorrente, geralmente associada à evacuação, além de alterações no padrão intestinal, que podem se manifestar como diarreia, constipação ou alternância entre ambas. Muitos pacientes também relatam sensação de inchaço abdominal, excesso de gases e sensação de evacuação incompleta. “Esses sinais podem variar em intensidade e frequência, o que torna o quadro ainda mais heterogêneo”. “Essa variabilidade é justamente uma das marcas da doença, que não segue um padrão fixo. Há pacientes que passam semanas praticamente assintomáticos e, de repente, entram em crises intensas. A imprevisibilidade é um dos fatores que mais afetam a saúde mental dos indivíduos”, acrescenta. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na avaliação dos sintomas e na exclusão de outras doenças orgânicas que possam causar manifestações semelhantes, como doença inflamatória intestinal, intolerâncias alimentares ou infecções gastrointestinais. “Atualmente, são utilizados os critérios de Roma IV, que consideram a presença de dor abdominal recorrente associada a alterações na frequência ou na forma das fezes, por um período mínimo de tempo. Exames complementares podem ser solicitados para descartar outras condições, mas não existe um teste específico que confirme a síndrome”. Não há cura definitiva para a síndrome, mas existem diversas estratégias capazes de controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O tratamento costuma ser individualizado e pode incluir mudanças na alimentação, uso de medicamentos e acompanhamento psicológico. “Dietas com redução de alimentos fermentáveis têm mostrado bons resultados em muitos casos. Além disso, antiespasmódicos, laxantes, antidiarreicos e, em algumas situações, antidepressivos em doses baixas podem ser utilizados para modular a dor e o funcionamento intestinal”, destaca a nutricionista clínica Cristina Souza. Ela ressalta que o cuidado com o aspecto emocional é fundamental no manejo da doença. “Muitos pacientes subestimam o impacto do estresse no intestino. Hoje sabemos que existe uma comunicação direta entre o cérebro e o sistema gastrointestinal, chamada eixo cérebro-intestino. Isso significa que fatores emocionais podem desencadear ou agravar sintomas intestinais de forma clara”. A prevenção não é totalmente estabelecida, justamente por se tratar de uma condição de origem multifatorial e ainda não completamente compreendida. No entanto, hábitos saudáveis podem reduzir a frequência e a intensidade das crises. “Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, boa qualidade do sono e controle do estresse são fatores considerados protetores. Evitar o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, cafeína e bebidas alcoólicas também pode contribuir para a redução dos sintomas em pessoas predispostas”, destaca a nutricionista. Apesar dos desafios, o prognóstico da doença é geralmente favorável quando há diagnóstico adequado e acompanhamento contínuo. A patologia tende a ser crônica, mas não evolui para condições mais graves como câncer ou insuficiência intestinal. O foco do tratamento está na adaptação do paciente à condição e no controle dos sintomas ao longo do tempo, permitindo uma vida funcional e ativa.
Minas debate sobre os direitos da natureza e impactos da mineração

Iniciativas em municípios e regiões de Minas Gerais já deram origem a normas que reconhecem a natureza como detentora de direitos. Contudo, a forte presença da atividade mineradora no Estado representa um dos principais obstáculos à efetiva proteção ambiental, como foi destacado em audiência pública realizada no contexto do Dia Internacional da Mãe Terra, data criada pela ONU em 2009 e comemorada todos os anos em 22 de abril. Promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a reunião também foi motivada pelo III Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza, que ocorrerá a partir de 31 de julho nas cidades de Ouro Preto e Mariana. O evento reunirá povos indígenas, comunidades tradicionais, movimentos sociais, universidades, representantes do poder público e a sociedade civil para debater o reconhecimento da natureza como sujeito de direitos. A discussão foi requerida pelas deputadas Beatriz Cerqueira e Leninha, ambas do PT. Leninha, que ocupa a 1ª vice-presidência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), destacou a relevância do tema para um Estado marcado por desigualdades sociais e ambientais e afetado pelos impactos da mineração. “Minas Gerais é importante para o Brasil e para esse tema, porque guarda marcas profundas do modelo econômico e de atividades como a mineração. Uma realidade que se intensifica com a desertificação, o empobrecimento do solo e os extremos climáticos”. Ao chamar atenção para iniciativas que se opõem à preservação ambiental, Beatriz Cerqueira mencionou ainda o Projeto de Lei 3.991/22, de sua autoria. A proposta prevê a inclusão, nos conteúdos de educação ambiental, do estudo sobre os impactos do uso de agrotóxicos e ainda aguarda votação em segundo turno. Conforme expôs ela, “demorou quatro anos para o projeto ser levado ao Plenário, por força de setores como o industrial e agropecuário, contra pautas de proteção de territórios, águas e meio ambiente”. Representante do Ministério Público Federal, o procurador Helder Magno da Silva destacou que setores como o da mineração devem repensar sua relação com comunidades locais e povos originários, que tradicionalmente orientam suas práticas pelo cuidado e pelo respeito à Mãe Terra. “O próprio Ministério Público precisa repensar a prática antiga de fazer Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), que resultam no recebimento de recursos que também financiam a nossa instituição a partir da degradação e em um momento em que o licenciamento ambiental está capenga e prevalece a lógica do capitalismo. É como se a natureza continuasse a ser vendida”. De acordo com Silva, mecanismos de reparação por prejuízos, a exemplo dos acordos firmados após o rompimento da barragem de Fundão, da Vale, acabam transmitindo a ideia de que o dano pode ser compensado. “Os governos estaduais e federal, ávidos por recursos, acabam aceitando esses acordos e a lógica das empresas se sobrepõe aos direitos da natureza”. Três municípios do Norte de Minas, Porteirinha, Nova Porteirinha e Serranópolis de Minas, aprovaram leis que reconhecem os direitos do Rio Mosquito, fundamental para comunidades rurais da região, afetadas pela seca e por eventos climáticos extremos. As normas preveem, entre outras ações, a criação de um fundo para financiar a proteção do rio. Segundo Aldinei Dias Leão, do Centro de Referência em Direitos Humanos do Norte de Minas, a regulamentação já iniciou a formação de comitês responsáveis por acompanhar essas iniciativas. Bruna Medeiros Bolzani, advogada socioambiental do Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso, afirmou que o debate sobre os direitos da natureza exige uma transformação profunda de paradigmas. “É reconhecer que rios, florestas, biomas e ecossistemas possuem valores, independentemente de sua utilidade para os seres humanos”. Ivo Poletto, articulador nacional e integrante do Grupo Executivo do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, defendeu que a preservação da natureza também passa pela superação de uma lógica colonial e capitalista de pensamento, a qual favorece uma exploração econômica prejudicial ao planeta. Por sua vez, a defensora pública Ana Cláudia Storch destacou, durante o debate, a importância de ir além dos marcos jurídicos atuais relacionados ao tema, especialmente para lidar com as emergências climáticas. “Nosso sistema jurídico não consegue absorver toda a complexidade que envolve esses limites da natureza”.
Belo Horizonte registra mais de 13 mil acidentes no início de 2026

Belo Horizonte contabilizou mais de 13 mil ocorrências de trânsito apenas nos dois primeiros meses de 2026. De acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a Avenida Cristiano Machado, um dos principais eixos viários da capital, passou a liderar o ranking de acidentes e fatalidades. Com extensão de 11,7 km, a via registrou 596 colisões, cerca de 10 por dia, e três mortes, ultrapassando o Anel Rodoviário, que teve 519 acidentes e um óbito ao longo de seus 22 km, mesmo sendo historicamente o trecho com maiores índices na cidade. Além disso, os registros de combinação entre consumo de álcool e direção seguem em patamar elevado. Em Minas Gerais, foram contabilizadas 546 ocorrências desse tipo, das quais 253 envolveram ao menos uma vítima. Em Belo Horizonte, a capital do estado, houve 47 registros relacionados a essa situação. O cenário na Cristiano Machado é resultado de uma combinação de fatores estruturais, comportamentais e de planejamento urbano. O especialista em segurança viária e trânsito, José Carlos Souza, explica que a via concentra características que aumentam significativamente o risco de acidentes. “A Cristiano Machado funciona como um corredor híbrido: ao mesmo tempo em que é via de trânsito rápido, ela também está inserida em uma área urbana densa, com cruzamentos frequentes, acessos comerciais e grande circulação de pedestres. Essa mistura eleva o conflito viário e reduz a previsibilidade do tráfego”. Segundo Souza, outro ponto crítico é a alta taxa de variação de velocidade ao longo do trecho. “O motorista sai de um segmento de fluxo livre e rapidamente encontra semáforos, entradas de bairros e pontos de ônibus. Essa alternância exige uma atenção constante que nem sempre é respeitada, o que contribui para colisões traseiras e laterais”. A urbanista Fernanda Bastos acrescenta que o desenho urbano da avenida também influencia diretamente os índices elevados de acidentes. “A Cristiano Machado foi estruturada para priorizar a fluidez dos veículos, mas não acompanhou de forma adequada o crescimento populacional e a expansão de atividades comerciais ao longo do seu eixo. Hoje, há uma disputa intensa entre carros, ônibus, motocicletas e pedestres, sem que a infraestrutura tenha sido totalmente adaptada para isso”. Diante do cenário, especialistas defendem que a redução dos acidentes depende de um conjunto integrado de políticas públicas. Entre as medidas mais citadas está o reforço na fiscalização eletrônica e presencial, especialmente em vias de alto fluxo como a Cristiano Machado e o Anel Rodoviário. “A fiscalização precisa ser constante e inteligente, com uso de dados em tempo real para identificar pontos críticos e horários de maior risco”, afirma Souza. No campo da prevenção ao consumo de álcool associado à direção, o especialista defende campanhas educativas contínuas e ações integradas com bares, restaurantes e aplicativos de transporte. “A conscientização precisa ser permanente, não apenas em datas comemorativas. Além disso, políticas que incentivem alternativas seguras de deslocamento após o consumo de álcool são fundamentais para reduzir esse tipo de ocorrência”. Outra estratégia apontada por Fernanda é a requalificação urbana da avenida, com foco na redução de conflitos entre diferentes modais de transporte. Isso inclui a criação de travessias mais seguras para pedestres, reorganização de acessos, melhorias na sinalização e revisão dos limites de velocidade em trechos específicos. “Não basta apenas punir o comportamento inadequado. É necessário redesenhar o espaço urbano para que ele induza comportamentos mais seguros”.
Exportações mineiras batem US$ 10,2 bilhões no primeiro trimestre deste ano

No primeiro trimestre de 2026, Minas Gerais registrou importações de US$ 4,5 bilhões e obteve um saldo positivo de US$ 5,7 bilhões na balança comercial. Segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o volume total de comércio exterior do Estado atingiu US$ 14,7 bilhões entre janeiro e março, crescimento de 0,5% em comparação com igual período do ano anterior. Em março, as vendas externas de Minas Gerais alcançaram US$ 3,5 bilhões, colocando o Estado na terceira posição entre os maiores exportadores do país, com participação de 11,1% no total nacional no período. Dessa forma, o acumulado das exportações mineiras no primeiro trimestre de 2026 chegou a US$ 10,2 bilhões. O principal destaque do período foi o ouro, cujas exportações cresceram US$ 519,6 milhões, um avanço de 85,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Já o segmento de outros veículos aéreos teve incremento de US$ 101,2 milhões (983,7%), enquanto as ferroligas registraram aumento de US$ 70,0 milhões (14%) no valor exportado. No mês passado, os itens mais exportados por Minas Gerais foram o café (US$ 757,9 milhões, equivalente a 21,7% do total), os minérios de ferro (US$ 743,4 milhões e 21,2%), o ouro (US$ 421,1 milhões e 12%), a soja (US$ 364 milhões e 10,4%) e as ferroligas (US$ 202,6 milhões e 5,8%). No período, os produtos do Estado chegaram a 157 destinos internacionais. Entre os principais compradores estão China (32,8%), Estados Unidos (9,9%), Canadá (5,5%), Reino Unido (4,9%) e Argentina (3,9%). Além disso, houve expansão para novos mercados, com 20 países que ainda não haviam importado no mesmo intervalo de 2025, como Palestina, Haiti, Senegal, Aruba e Azerbaijão. Para especialistas, os números refletem não apenas a força produtiva de Minas Gerais, mas também a importância estratégica das exportações para a economia estadual. A economista Laura Mendes afirma que o superávit comercial tem impacto direto na geração de empregos e na arrecadação. “Quando o Estado exporta mais do que importa, há entrada líquida de divisas, o que fortalece a moeda, estimula investimentos e dinamiza cadeias produtivas inteiras, especialmente no interior”. Ela destaca ainda que os setores como mineração e agronegócio possuem grande capacidade de encadeamento econômico. “O café e o minério de ferro, por exemplo, não movimentam apenas as empresas exportadoras, mas também logística, transporte, armazenagem e serviços financeiros. Isso cria um efeito multiplicador relevante para o Produto Interno Bruto (PIB) estadual”. O analista de mercado exterior, Pedro Vieira, chama atenção para o crescimento do ouro e de produtos industrializados, como veículos aéreos. “Esse avanço indica uma diversificação gradual da pauta exportadora, o que é extremamente positivo. Quanto mais diversificada a exportação, menor a vulnerabilidade do Estado a oscilações de preços internacionais”. Apesar do cenário favorável, os especialistas alertam para desafios importantes. Entre eles, estão a dependência de commodities, a infraestrutura logística ainda limitada e a volatilidade do mercado internacional. “Minas Gerais ainda depende fortemente de produtos com baixo valor agregado, o que expõe o Estado às variações de preço no mercado global. Uma queda no valor do minério ou da soja, por exemplo, pode impactar a balança comercial”, observa. A infraestrutura também aparece como gargalo. Segundo Vieira, problemas em rodovias, ferrovias e portos elevam custos e reduzem a competitividade. “O produtor mineiro muitas vezes paga mais caro para escoar sua produção do que concorrentes internacionais. Isso precisa ser enfrentado com investimentos consistentes”. Outro ponto de atenção é o cenário geopolítico e econômico global. Tensões comerciais, mudanças em políticas de importação e desaceleração econômica em grandes mercados consumidores podem afetar a demanda pelos produtos mineiros. “A forte dependência da China é uma vantagem em momentos de crescimento, mas pode se tornar um risco em períodos de desaceleração”, destaca Laura. Diante desse contexto, a economista defende a adoção de políticas públicas e estratégias voltadas à ampliação e qualificação das exportações. Entre as principais medidas sugeridas estão o incentivo à industrialização, a diversificação de mercados e o fortalecimento da infraestrutura logística. “É fundamental agregar valor aos produtos exportados, investindo em tecnologia e inovação. Exportar produtos industrializados gera mais renda e empregos do que commodities”.
900 mil ataques virtuais à imprensa foram registrados em 2025

Em 2025, o relatório da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) registrou 66 casos de violência não letal contra cerca de 80 jornalistas e veículos. Apesar da queda nos números, a imprensa ainda sofre ataques, em média, a cada cinco dias. As agressões físicas lideraram as ocorrências, com 39% dos casos (26 registros), atingindo ao menos 35 profissionais, alta em relação ao ano anterior. Segundo a Abert, políticos e agentes públicos lideram as agressões, seguidos por torcedores de times de futebol. Os casos de intimidação somaram 10 registros, com aumento expressivo em relação a 2024. Já um estudo da Bites aponta cerca de 900 mil ataques virtuais à imprensa em 2025, média de 2,5 mil por dia, ou quase dois por minuto. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Lina Rocha. Qual é o impacto desse cenário de ataques virtuais e físicos na liberdade de imprensa e na cobertura jornalística no Brasil? A violência, seja física ou digital, tem um impacto muito grande na produção jornalística, visto que gera uma insegurança no profissional, que por temer os ataques, preferem não lidar com pautas que possam gerar essas reações. E nesse sentido, a liberdade de imprensa sofre um golpe, já que temas que devem ser abordados socialmente deixam de ter a cobertura e debate necessários para a manutenção do Estado de Direito. Existe relação entre polarização política e aumento da violência contra jornalistas? A polarização política tem intensificado a violência contra jornalistas, sobretudo em períodos eleitorais, quando disputas ideológicas alimentam perseguições. Dados da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), divulgados em 2025 sobre 2024, indicam que a violência política segue como principal causa desses ataques no Brasil. Nesse período, mais de 40% das agressões partiram de políticos, assessores ou apoiadores diretos, que lideram o ranking de agressores, seguidos por militantes e cidadãos comuns em contextos de engajamento político. Há indícios de que a cultura de hostilidade contra jornalistas esteja aumentando ou mudando de forma significativa nos últimos anos? De acordo com a Fenaj, a violência física contra os jornalistas caiu recentemente, enquanto que o assédio virtual se tornou o principal meio de perseguição, com crescimento de 35% de 2024 para 2025. Além disso, o assédio judicial tem se intensificado como forma de intimidação financeira e psicológica, levando à autocensura. Dados da Abraji indicam aumento de quase 20% nos processos contra jornalistas no mesmo período, afetando a autonomia da profissão. Qual é a importância de o profissional denunciar essas agressões? As agressões, sejam elas físicas ou verbais, ocorrendo de forma presencial ou no ambiente digital, não devem ser aceitas em nenhuma circunstância. A ausência de denúncias contribui para o agravamento e a repetição desses atos de violência. Por isso, é essencial que os casos sejam formalmente reportados, permitindo a devida apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, o que também ajuda a desestimular agressores e eventuais mandantes. Os ataques direcionados a jornalistas são inaceitáveis, e o Sindicato se mantém à disposição de toda a categoria para receber denúncias e adotar medidas que contribuam para coibir essas práticas. Como é a atuação do Sindicato referente a esses atos de violência? O Sindicato acompanha de perto a atuação dos profissionais da categoria, com o objetivo de receber denúncias e combater situações de abuso, tanto na defesa dos direitos trabalhistas quanto diante de atitudes hostis dirigidas aos trabalhadores. Nenhuma forma de desrespeito pode ser aceita, e a atuação da entidade segue justamente nesse sentido: mobilizar as empresas empregadoras para que garantam a proteção de seus profissionais, além de acionar os órgãos competentes para a apuração e responsabilização dos casos de agressão.
Calor empurra milhões de pessoas para o sedentarismo

O aquecimento global decorrente das mudanças climáticas pode gerar um efeito pouco esperado e preocupante para a saúde mundial: o aumento do sedentarismo. De acordo com uma pesquisa internacional divulgada na revista The Lancet Global Health, a elevação das temperaturas tende a diminuir a prática de exercícios físicos, o que pode resultar em até 700 mil mortes adicionais por ano até 2050. O estudo avaliou informações de 156 países no período de 2000 a 2022 e apontou que cada mês extra com temperaturas médias superiores a 27,8 °C eleva a taxa de sedentarismo global em aproximadamente 1,44 ponto percentual. Nos países de baixa e média renda, que geralmente dispõem de menos estrutura para lidar com o calor, esse efeito é ainda mais acentuado, alcançando cerca de 1,85 ponto percentual. A inatividade física já é reconhecida como um dos principais fatores de risco para doenças crônicas, estando relacionada ao aumento da probabilidade de problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. Além disso, é responsável por cerca de 5% das mortes entre adultos, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 47% dos adultos são sedentários, índice que chega a 84% entre os mais jovens. O educador físico Ricardo Menezes explica que o corpo humano foi feito para o movimento. “Quando há uma quebra nesse padrão, surgem alterações metabólicas importantes, como aumento da pressão arterial, resistência à insulina e acúmulo de gordura corporal. Mesmo pequenas mudanças na rotina já podem trazer benefícios significativos”. Ele também destaca que a falta de atividade também afeta diretamente a saúde mental. “Pessoas sedentárias tendem a apresentar mais sintomas de ansiedade e depressão, além de dificuldades no sono e na concentração. A prática de exercícios libera substâncias que promovem bem-estar, como a endorfina, o que reforça a importância de uma rotina ativa”. Apesar dos riscos amplamente conhecidos, a adoção de hábitos mais saudáveis ainda esbarra em uma série de barreiras estruturais, sociais e econômicas. Em muitas regiões do país, especialmente nas periferias urbanas e áreas rurais, faltam espaços públicos adequados e seguros para a prática de atividades físicas, como praças, parques e ciclovias. Além disso, a rotina de trabalho intensa, muitas vezes associada a longos deslocamentos, reduz o tempo disponível para o lazer e o autocuidado. “Existe uma falsa ideia de que praticar atividade física exige investimento financeiro, quando, na verdade, muitas atividades podem ser realizadas gratuitamente. No entanto, a falta de informação e de políticas públicas eficazes acaba limitando essas possibilidades”, ressalta Menezes. Para reverter esse quadro, o cardiologista Renato Farias diz que a mudança de hábitos deve começar de forma gradual e adaptada à realidade de cada pessoa. “A OMS recomenda que adultos pratiquem entre 150 e 300 minutos de atividade física moderada por semana, o que pode incluir caminhadas, ciclismo, dança ou qualquer outra atividade que eleve a frequência cardíaca”. No entanto, qualquer movimento já é melhor do que nenhum. Entre as estratégias mais indicadas estão substituir o elevador por escadas, caminhar pequenas distâncias em vez de utilizar transporte motorizado, fazer pausas ativas durante o trabalho e incorporar atividades prazerosas à rotina. “O segredo não está em começar com treinos intensos, mas em criar consistência. A regularidade é o que traz resultados a longo prazo”, conclui. Além disso, políticas públicas são fundamentais para promover mudanças em larga escala. Investimentos em infraestrutura urbana, campanhas de conscientização e programas comunitários de incentivo à prática esportiva podem contribuir para tornar a atividade física mais acessível e inclusiva. Sem essas iniciativas, o sedentarismo tende a se agravar, ampliando desigualdades e pressionando os sistemas de saúde.