Como preservar músculos com o avançar da idade

Foto: Magnific.com

A partir dos 30 anos, o corpo humano inicia um processo gradual de mudanças fisiológicas que, embora naturais, costumam ser percebidas de forma mais evidente ao longo das décadas seguintes. Entre as alterações mais discutidas por especialistas estão a perda progressiva de massa muscular e a redução da eficiência metabólica, fatores que influenciam diretamente a força, a disposição e a composição corporal.

Pesquisadores da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP indicam que esse declínio muscular pode variar entre 3% e 8% a partir dos 30 anos, com aceleração significativa após os 60 anos. O estudo também sugere que o aumento do volume de treinamento pode ajudar a reduzir a falta de resposta ao exercício em pessoas idosas, reforçando a importância da atividade física estruturada ao longo da vida.

Esse processo, segundo especialistas, está relacionado a múltiplos fatores biológicos. Dentre eles, destacam-se a diminuição natural da produção de hormônios anabólicos, como testosterona, estrogênio e hormônio do crescimento, além da redução da síntese proteica muscular, que é a capacidade do organismo de reparar e construir tecido muscular. Com o passar do tempo, também ocorre uma perda progressiva de unidades motoras, estruturas responsáveis pela ativação das fibras musculares, o que contribui para a redução de força e desempenho físico.

Paralelamente, o metabolismo tende a ficar mais lento não apenas pela idade em si, mas principalmente pela diminuição da massa muscular, já que músculos são tecidos ativos e consomem energia mesmo em repouso.

O educador físico Ricardo Menezes explica que esse processo começa de forma silenciosa e muitas vezes passa despercebido no dia a dia. “A partir dos 30 anos, o corpo já não tem a mesma eficiência na recuperação e manutenção muscular. Isso não significa que a perda de massa seja inevitável ou rápida, mas sim que existe uma tendência biológica que pode ser acelerada pelo sedentarismo, pela má alimentação e pelo estresse crônico. Quando a pessoa não treina força, essa perda tende a ser muito mais evidente ao longo dos anos”.

Outro fator importante é a mudança no estilo de vida moderno, que reduz o nível de atividade física espontânea. “Hoje, muitas pessoas passam horas sentadas, o que reduz ainda mais o estímulo muscular necessário para manter a massa magra. O corpo funciona por demanda, se não há estímulo, ele economiza energia e reduz tecido muscular”.

Além do impacto fisiológico, essas mudanças também influenciam diretamente a saúde metabólica. Com menos massa muscular, o organismo passa a gastar menos energia ao longo do dia, o que pode favorecer o acúmulo de gordura, sobretudo quando a alimentação não acompanha as novas necessidades do corpo.

A fisiologista Carla Menezes destaca que é possível intervir positivamente nesse processo por meio de estratégias consistentes de treino e alimentação. “O envelhecimento não deve ser visto como sinônimo de perda inevitável de qualidade de vida. Quando estimulamos o músculo de forma adequada, especialmente com treino de força, conseguimos não só preservar, mas também recuperar massa muscular em diferentes idades. Isso melhora a força, a autonomia e também o metabolismo”.

Ela acrescenta que a combinação de exercícios de força com atividades aeróbicas é uma das abordagens mais completas. “O treino de força atua diretamente na manutenção da massa magra, enquanto o aeróbico contribui para a saúde cardiovascular e o gasto calórico. Juntos, formam uma estratégia extremamente eficiente para o envelhecimento saudável”.

De acordo com Carla, a alimentação também desempenha papel central nesse processo. A ingestão adequada de proteínas, aliada a um consumo equilibrado de carboidratos e gorduras saudáveis, ajuda a sustentar a síntese muscular e fornece energia para o treino. “Muitas pessoas subestimam a importância da proteína na maturidade. Ela é essencial para reparar microlesões musculares causadas pelo exercício e para manter o tecido ativo. Sem isso, o corpo tende a perder massa mais rapidamente”.

Alguns hábitos como sono de qualidade, controle do estresse e regularidade na prática de exercícios são apontados como fundamentais para manter o metabolismo mais ativo e preservar a saúde ao longo dos anos.

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