Exportações mineiras batem US$ 10,2 bilhões no primeiro trimestre deste ano

No primeiro trimestre de 2026, Minas Gerais registrou importações de US$ 4,5 bilhões e obteve um saldo positivo de US$ 5,7 bilhões na balança comercial. Segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o volume total de comércio exterior do Estado atingiu US$ 14,7 bilhões entre janeiro e março, crescimento de 0,5% em comparação com igual período do ano anterior. Em março, as vendas externas de Minas Gerais alcançaram US$ 3,5 bilhões, colocando o Estado na terceira posição entre os maiores exportadores do país, com participação de 11,1% no total nacional no período. Dessa forma, o acumulado das exportações mineiras no primeiro trimestre de 2026 chegou a US$ 10,2 bilhões. O principal destaque do período foi o ouro, cujas exportações cresceram US$ 519,6 milhões, um avanço de 85,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Já o segmento de outros veículos aéreos teve incremento de US$ 101,2 milhões (983,7%), enquanto as ferroligas registraram aumento de US$ 70,0 milhões (14%) no valor exportado. No mês passado, os itens mais exportados por Minas Gerais foram o café (US$ 757,9 milhões, equivalente a 21,7% do total), os minérios de ferro (US$ 743,4 milhões e 21,2%), o ouro (US$ 421,1 milhões e 12%), a soja (US$ 364 milhões e 10,4%) e as ferroligas (US$ 202,6 milhões e 5,8%). No período, os produtos do Estado chegaram a 157 destinos internacionais. Entre os principais compradores estão China (32,8%), Estados Unidos (9,9%), Canadá (5,5%), Reino Unido (4,9%) e Argentina (3,9%). Além disso, houve expansão para novos mercados, com 20 países que ainda não haviam importado no mesmo intervalo de 2025, como Palestina, Haiti, Senegal, Aruba e Azerbaijão. Para especialistas, os números refletem não apenas a força produtiva de Minas Gerais, mas também a importância estratégica das exportações para a economia estadual. A economista Laura Mendes afirma que o superávit comercial tem impacto direto na geração de empregos e na arrecadação. “Quando o Estado exporta mais do que importa, há entrada líquida de divisas, o que fortalece a moeda, estimula investimentos e dinamiza cadeias produtivas inteiras, especialmente no interior”. Ela destaca ainda que os setores como mineração e agronegócio possuem grande capacidade de encadeamento econômico. “O café e o minério de ferro, por exemplo, não movimentam apenas as empresas exportadoras, mas também logística, transporte, armazenagem e serviços financeiros. Isso cria um efeito multiplicador relevante para o Produto Interno Bruto (PIB) estadual”. O analista de mercado exterior, Pedro Vieira, chama atenção para o crescimento do ouro e de produtos industrializados, como veículos aéreos. “Esse avanço indica uma diversificação gradual da pauta exportadora, o que é extremamente positivo. Quanto mais diversificada a exportação, menor a vulnerabilidade do Estado a oscilações de preços internacionais”. Apesar do cenário favorável, os especialistas alertam para desafios importantes. Entre eles, estão a dependência de commodities, a infraestrutura logística ainda limitada e a volatilidade do mercado internacional. “Minas Gerais ainda depende fortemente de produtos com baixo valor agregado, o que expõe o Estado às variações de preço no mercado global. Uma queda no valor do minério ou da soja, por exemplo, pode impactar a balança comercial”, observa. A infraestrutura também aparece como gargalo. Segundo Vieira, problemas em rodovias, ferrovias e portos elevam custos e reduzem a competitividade. “O produtor mineiro muitas vezes paga mais caro para escoar sua produção do que concorrentes internacionais. Isso precisa ser enfrentado com investimentos consistentes”. Outro ponto de atenção é o cenário geopolítico e econômico global. Tensões comerciais, mudanças em políticas de importação e desaceleração econômica em grandes mercados consumidores podem afetar a demanda pelos produtos mineiros. “A forte dependência da China é uma vantagem em momentos de crescimento, mas pode se tornar um risco em períodos de desaceleração”, destaca Laura. Diante desse contexto, a economista defende a adoção de políticas públicas e estratégias voltadas à ampliação e qualificação das exportações. Entre as principais medidas sugeridas estão o incentivo à industrialização, a diversificação de mercados e o fortalecimento da infraestrutura logística. “É fundamental agregar valor aos produtos exportados, investindo em tecnologia e inovação. Exportar produtos industrializados gera mais renda e empregos do que commodities”.

Investimento viário tem potencial de gerar efeitos relevantes na economia

Os investimentos em infraestrutura rodoviária têm potencial para gerar efeitos relevantes na economia brasileira. Um levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indica que cada R$ 1 aplicado pelo setor privado pode gerar até R$ 4,77 no Produto Interno Bruto (PIB) do transporte em até nove meses, enquanto o investimento público federal alcança R$ 4,64 em cerca de 18 meses. No curto prazo, os impactos também são expressivos. A cada R$ 1 investido pela iniciativa privada em rodovias, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor cresce R$ 2,58 no mesmo trimestre. Já o aporte público tem efeito imediato menor, de R$ 0,61 por real aplicado. Segundo a diretora-executiva da CNT, Fernanda Rezende, esse desempenho está ligado ao papel estruturante da logística. “Os investimentos ampliam a capacidade de escoamento da produção, reduzem custos e elevam a produtividade ao melhorar o tempo de deslocamento e a confiabilidade das operações. Como o transporte é uma demanda derivada, esses ganhos se espalham rapidamente por toda a economia”. Ela acrescenta que o capital privado tende a apresentar resultados mais rápidos por concentrar aportes contínuos e intensivos, sobretudo no início dos contratos. “Entre 2016 e 2025, os investimentos privados em rodovias somaram R$ 127,22 bilhões, enquanto os públicos federais chegaram a R$ 110,41 bilhões, com maior volatilidade. Por quilômetro, as concessionárias aplicaram de três a quatro vezes mais, o que se reflete nos ganhos do PIB do transporte”. Impactos no setor Na prática, os efeitos são percebidos diretamente pelas empresas. De acordo com o diretor da Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais (FETCEMG), Adalcir Lopes, a melhoria das rodovias eleva a eficiência operacional. “Rodovias em boas condições aumentam a velocidade média das viagens, reduzem paradas não planejadas e melhoram a fluidez do tráfego. Isso amplia a disponibilidade da frota, otimiza o uso dos motoristas e eleva o número de viagens, gerando ganhos concretos de produtividade e mais confiabilidade nas operações”. Lopes destaca que o reflexo também aparece no frete. “Uma estrada conservada reduz o consumo de combustível, o desgaste de pneus e freios e os custos de manutenção, além de minimizar riscos de avarias. Isso resulta em queda no custo do frete, sobretudo em rotas estratégicas que ligam Minas a polos industriais e ao agronegócio”. Efeitos na economia Os reflexos vão além do transporte e atingem toda a atividade econômica. Para o economista Wallace Marcelino Pereira, a infraestrutura logística tem caráter transversal. “O investimento em rodovias expande o transporte, reduz gargalos e melhora a fluidez da produção. Isso amplia oportunidades de negócios, gera emprego, renda e impulsiona o crescimento do PIB”. Ele destaca também que esses aportes funcionam como indutores do crescimento. “Ao reduzir custos e elevar a eficiência, aumentam a competitividade da economia e criam condições para investimentos produtivos”. Outro efeito relevante apontado por Pereira é sobre a inflação. “Uma logística mais eficiente reduz custos operacionais. Como o modal rodoviário responde por mais de 60% das cargas, isso impacta diretamente o preço do frete e, consequentemente, de alimentos e combustíveis. Investir em infraestrutura é uma medida estrutural importante para conter a inflação”, explica. Apesar dos benefícios, o país ainda investe pouco em transporte. Em 2025, os investimentos na economia brasileira cresceram apenas 2,9%, e a participação no PIB ficou em 16,8%, abaixo da média histórica de 17,9% registrada entre 1996 e 2025. Para a CNT, o avanço depende de uma estratégia combinada. “As concessões ampliam a capacidade de investimento e a eficiência da gestão, mas não substituem o papel do Estado, essencial no planejamento e na viabilização de projetos”, conclui Fernanda.

Brasil pode somar 1,2 milhão de pessoas com doença de Parkinson em 2060

A doença de Parkinson, condição neurológica progressiva que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, ainda é cercada por dúvidas. Caracterizada principalmente por alterações motoras, como tremores e rigidez muscular, ela também impacta aspectos cognitivos e emocionais. Um levantamento conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), aponta que mais de 500 mil brasileiros com 50 anos ou mais convivem atualmente com a doença. As projeções, no entanto, indicam um crescimento expressivo nas próximas décadas: até 2060, esse contingente pode ultrapassar 1,2 milhão de pessoas. O estudo também revela que a maioria dos casos é identificada apenas em fases mais avançadas, o que sugere que os sinais iniciais da doença frequentemente não são reconhecidos ou acabam sendo ignorados. Segundo a neurologista Helena Duarte, o Parkinson tem origem complexa e multifatorial. “A doença está associada à degeneração de neurônios produtores de dopamina em uma região do cérebro chamada substância negra. A dopamina é fundamental para o controle dos movimentos, e sua redução causa os sintomas característicos”. Ela ressalta que fatores genéticos e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença, embora, na maioria dos casos, não haja uma causa única. Os sintomas vão muito além dos tremores, que são frequentemente vistos como sua principal marca. Helena destaca que “os primeiros sinais podem ser sutis, como diminuição do olfato, alterações no sono e uma leve lentidão nos movimentos. Com o tempo, surgem rigidez muscular, instabilidade postural e dificuldades na fala e na escrita”. Além disso, sintomas não motores, como depressão, ansiedade e comprometimento cognitivo, também são comuns e muitas vezes negligenciados. O diagnóstico ainda é essencialmente clínico, baseado na avaliação dos sintomas e no histórico do paciente. “Não existe um exame único que confirme o Parkinson de forma definitiva, os exames de imagem podem ser usados para descartar outras condições, mas a observação médica especializada continua sendo o principal instrumento diagnóstico”, explica. Essa realidade pode levar a atrasos na identificação da doença, especialmente em fases iniciais. Em relação ao tratamento, embora ainda não exista cura, há diversas abordagens capazes de melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O uso de medicamentos que aumentam ou substituem a dopamina é a base do tratamento. “A levodopa continua sendo o padrão ouro, mas hoje contamos com outras opções terapêuticas e até intervenções cirúrgicas, como a estimulação cerebral profunda, em casos selecionados”, explica o neurocirurgião Ricardo Tavares. Ele enfatiza também a importância de terapias complementares, como fisioterapia, fonoaudiologia. A prevenção do Parkinson ainda é um campo em desenvolvimento, mas estudos indicam que hábitos saudáveis podem reduzir riscos ou retardar o aparecimento dos sintomas. “Atividade física regular, alimentação equilibrada e estímulo cognitivo são aliados importantes para a saúde do cérebro”, afirma. Tavares ressalta que, para além dos aspectos médicos, muitos pacientes enfrentam preconceito e isolamento, principalmente devido às manifestações motoras visíveis. “É fundamental que a sociedade compreenda que o Parkinson não define a pessoa. É possível manter uma vida ativa e digna”. Campanhas de conscientização, acessibilidade em espaços públicos e políticas de inclusão no mercado de trabalho são algumas das medidas apontadas como essenciais para reduzir a marginalização. Além disso, o suporte familiar e comunitário desempenha papel crucial no bem- -estar dos pacientes. “O acolhimento faz toda a diferença. Quando a pessoa se sente compreendida, ela enfrenta a doença com mais autonomia e confiança”, conclui.

MG deixou de arrecadar R$ 128 bilhões em função de benefícios fiscais

Segundo dados do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), o Governo de Minas deixou de arrecadar R$ 22 bilhões em impostos devido à concessão de benefícios fiscais a empresas de diversos setores em 2024. Entre 2017 e 2024, o Estado renunciou aproximadamente R$ 128,3 bilhões. Em termos comparativos, esse montante representa mais de 70% da dívida com a União, atualmente estimada em R$ 180 bilhões. Ainda de acordo com o relatório do TCE, o total de renúncias fiscais saiu de R$ 17.763.410, em 2017, para R$ 22.165.617, em 2024. Em dezembro, o órgão anunciou que fará o monitoramento de todas as concessões deste tipo no Estado, para ampliar a transparência, avaliar os impactos desses benefícios nas contas públicas e verificar o cumprimento das contrapartidas assumidas pelas empresas. O economista Gelton Filho explica que o peso atual da renúncia fiscal no orçamento é de, aproximadamente, 21% da receita. “O volume de isenções e renúncias nos últimos anos alcançou patamares tão elevados que impediram diversas políticas públicas fundamentais para a população. Somando o valor, poderiam ser construídas linhas inteiras do metrô interligando as principais cidades da região metropolitana, por exemplo”. “Se adicionarmos os índices de 2025 e 2026, os números são muito mais alarmantes. Nos dois anos citados são cerca de R$ 48,2 bilhões, o que torna a gestão completamente insustentável e gera problemas graves de caixa como já projetado pelo próprio governo. Não há como manter esses números crescentes e ao mesmo tempo equacionar a dívida pública ou ao menos reduzi-la, quanto mais atender as demandas sociais cada vez mais presentes”, complementa. Tem décadas que isenções fiscais começaram a ser questionadas pela ausência de contrapartidas, ressalta o economista. “No caso mineiro, pelo sigilo imposto, há de se questionar se cada empresa beneficiada gerou o retorno devido ou se esses valores serviram apenas para acumulação pessoal de alguns grupos financeiros. Isenções são instrumentos pontuais e não devem ser permanentes como se tornaram”. Filho ressalta ainda que no mesmo período em que se ampliaram as renúncias e isenções, a dívida pública cresceu em patamar relevante. “No início do governo Romeu Zema (Novo), a dívida era de R$ 113,8 bilhões (dado de dezembro de 2018) e em sua saída alcançou R$ 205 bilhões, crescimento de R$ 91,2 bilhões. Em 2026, as isenções vão chegar perto de R$ 25,2 bilhões. Portanto, houve uma escolha pública de não pagar a dívida enquanto abriu-se mão de receita indiscriminadamente”. Posição do Governo Por meio de nota, o Governo de Minas destaca que o Estado, assim como os demais entes federativos, participa da concorrência e competição nacional pela atratividade de investimentos, incremento de seu parque industrial e logístico, diversificação econômica e geração de empregos. Normalmente, as táticas da “Guerra Fiscal” são identificadas como benefícios fiscais, mas na realidade são atrativos e incentivos comerciais para alcançar resultados na geração de empregos e aumento de renda, e quem se beneficia são os estados que conseguem mais empresas e mais recursos para investir nas Políticas Públicas sem aumentar os impostos. A política tributária de Minas Gerais tem papel fundamental nos resultados alcançados pela atual gestão, somando mais de R$ 530 bilhões de investimentos atraídos e a geração de mais de 1 milhão de empregos, desde 2019. Esses são alguns dos resultados consolidados pela estratégia de incentivos, corresponsável também por desenvolver o Produto Interno Bruto (PIB), que pela primeira vez na história, alcançou a marca de R$ 1 trilhão, em 2024. Ressaltamos que na atual gestão não foram criados novos incentivos fiscais, apenas mantidos os modelos já existentes desde 2017. “Em tempo, reforçamos que o Governo de Minas cumpre os mínimos constitucionais de investimento em Saúde e Educação. O montante aplicado em Ações e Serviços Públicos de Saúde, considerando a despesa empenhada (R$ 11,58 bilhões), foi de 12,36%, superando o mínimo de 12% exigido pela legislação. Em relação à Manutenção e Desenvolvimento do Ensino, o índice foi de 25,40%, considerando a apuração pelo total da despesa empenhada (R$ 23,81 bilhões), sendo 0,40% maior que a aplicação mínima constitucional (25%)”.

Endividamento bate novo recorde e atinge 80,2% das famílias brasileiras

O alto nível de endividamento das famílias brasileiras em 2026 acende um alerta para a necessidade de planejamento financeiro e da criação de uma reserva de emergência. Dados de fevereiro da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que 80,2% das famílias têm dívidas, sendo o maior valor da série histórica, enquanto 29,6% estão com contas em atraso. O levantamento também indica que o comprometimento da renda com dívidas segue elevado. Em média, cerca de 29,7% do orçamento familiar está destinado ao pagamento de compromissos financeiros. Segundo o presidente do Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (IGEOC), Rodrigo Mandaliti, a ampliação do crédito nos últimos anos contribuiu para a inclusão financeira, mas também aumentou o número de famílias endividadas. “Essa maior oferta de crédito foi positiva, mas, somada à inflação em itens essenciais e aos juros elevados, acabou comprimindo a renda e dificultando a quitação das obrigações. Hoje, o principal desafio é a sustentabilidade dessas dívidas ao longo do tempo”. Na avaliação de Mandaliti, a educação financeira é um dos principais instrumentos para evitar que o endividamento evolua para a inadimplência. “Ela ajuda o consumidor a planejar melhor o uso do crédito, verificar sua capacidade de pagamento e buscar renegociação logo nos primeiros sinais de dificuldade”. Reserva como proteção Em um cenário de juros elevados, a ausência de planejamento tende a agravar os riscos. O assessor de investimentos Cecílio Costa destaca que o custo do crédito se torna um dos principais problemas para quem não possui reserva financeira. “Sem planejamento e uma reserva de emergência, qualquer imprevisto acaba sendo financiado com crédito caro. Isso gera o efeito ‘bola de neve’, em que pequenas dívidas crescem e se tornam difíceis de administrar”. De acordo com Mandaliti, a reserva financeira funciona como um importante mecanismo de proteção. “Ela atua como um colchão financeiro, evitando o uso de linhas caras, como cheque especial e cartão de crédito rotativo. Mais do que um luxo, é uma ferramenta de estabilidade”. Além de ajudar a evitar dívidas, Costa reforça que a educação financeira também reduz a vulnerabilidade a fraudes. Em um ambiente marcado pelo aumento de golpes digitais, o conhecimento básico sobre finanças se torna um diferencial. “A educação financeira desenvolve senso crítico. A pessoa passa a identificar promessas irreais, desconfiar de decisões urgentes e entender melhor os riscos antes de agir”. O assessor de investimentos lembra que a falta de conhecimento ainda é um problema estrutural no país. “Muitas pessoas utilizam o crédito como extensão da renda e não compreendem o impacto dos juros compostos, o que agrava o endividamento”. Mudança de comportamento Especialistas apontam que o principal impacto da educação financeira está na mudança de comportamento. O consumidor deixa de agir por impulso e passa a tomar decisões mais conscientes. “O planejamento financeiro traz controle, reduz dívidas e permite formar reservas e investir. O principal ganho é a tranquilidade e a autonomia sobre o próprio dinheiro”, afirma Costa. Mesmo para quem tem renda limitada, o início pode ser simples. “É possível começar com pequenos valores, desde que haja consistência. O importante é tratar a reserva como prioridade, e não como sobra”, finaliza Mandaliti.

“Penduricalhos” geram impactos relevantes no orçamento público

Um assunto que está dominando o país é sobre as remunerações extras pagas a uma elite do funcionalismo, que levam os contracheques dos servidores a superarem o teto constitucional (atualmente em R$ 46.366,19), os denominados “penduricalhos”. No dia 25 de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai iniciar a votação sobre as decisões que suspenderam esse pagamento nos Três Poderes. Para entender mais sobre o impacto desses valores no orçamento público, o Edição do Brasil conversou com a professora de Direito Constitucional do UniArnaldo Centro Universitário de Belo Horizonte, Virgínia Machado. O que são os chamados “penduricalhos”? Os “penduricalhos” estão relacionados às verbas que podem ser pagas aos agentes públicos além da remuneração regular prevista para a função. A Constituição permite essa ação, que teoricamente não têm o objetivo de enriquecer o indivíduo, mas de ressarcir despesas relacionadas ao exercício do cargo, como auxílio-alimentação ou diárias por deslocamento. O problema surge quando esses pagamentos, que não estão submetidos ao teto constitucional, justamente por terem caráter de ressarcimento, passam a ser utilizados de forma ampliada ou sem controle. Qual é o impacto estimado desses valores extras no orçamento público? O impacto é considerado relevante, já que representam a criação de despesas adicionais, muitas vezes não acompanhadas da correspondente previsão de receita. Quando benefícios como esses são instituídos, especialmente sem previsão legal clara, surge um problema orçamentário, pois não há garantia de que eles estejam contemplados nas leis que organizam o orçamento. Em alguns casos, essas verbas são criadas por meio de atos administrativos normativos e não por lei, o que levanta dúvidas se o gasto estava efetivamente previsto no planejamento financeiro do ente federativo. Isso também gera questionamentos sobre a origem dos recursos utilizados para custear esses pagamentos e se essas receitas estavam originalmente destinadas a outras áreas da administração pública. Essas verbas podem comprometer a capacidade de investimento do Estado em políticas públicas estruturantes? Qualquer despesa pública que não esteja inicialmente prevista na Lei Orçamentária Anual (LOA) e alinhada ao planejamento estabelecido no Plano Plurianual (PPA) pode configurar uma irregularidade e gerar consequências relevantes na execução do orçamento. Isso ocorre porque, uma vez instituído o pagamento de determinados benefícios a agentes públicos, o gasto tende a se manter até que haja alguma revisão ou suspensão formal. Nesse contexto, despesas dessa natureza podem comprometer recursos que poderiam ser direcionados a programas, políticas públicas ou investimentos em infraestrutura. O impacto tende a ser ainda mais significativo em municípios, onde os orçamentos são geralmente mais limitados. Há mecanismos de transparência suficientes para acompanhar esse pagamento? Do ponto de vista da legislação de transparência e da Lei de Acesso à Informação, essas verbas devem, sim, ser discriminadas. Na prática, porém, observa-se que muitas vezes há desinteresse ou desconhecimento da sociedade sobre a existência desses mecanismos. Isso revela não apenas uma lacuna de informação, mas também questões culturais e educacionais mais amplas, que dificultam o acompanhamento do orçamento público pela população, fiscalização de gastos e cobrança por maior transparência. Propostas de reforma administrativa costumam incluir restrições a “penduricalhos”? As propostas de reforma administrativa não tratam diretamente da proibição das verbas indenizatórias. No que diz respeito especificamente aos chamados “penduricalhos”, não se observam grandes avanços. A principal necessidade apontada é a criação de critérios mais claros e moralizadores para as verbas indenizatórias, com definição de limites mínimos e máximos, regras sobre as fontes de receita que financiarão esses pagamentos e critérios objetivos sobre quais agentes podem recebê-los e em quais circunstâncias. Além disso, reforça-se o entendimento de que despesas dessa natureza não podem ser criadas sem previsão legal e orçamentária

Câmara dos Deputados pode votar Marco Legal do Transporte Público Coletivo

A possível votação do Marco Legal do Transporte Público Coletivo (PL 3.278/21) nas próximas semanas na Câmara dos Deputados tem mobilizado especialistas, gestores públicos e operadores do setor. A proposta pretende criar uma nova base jurídica para organização e financiamento do transporte coletivo urbano no Brasil, historicamente dependente quase que exclusivamente da tarifa paga pelos passageiros. Na avaliação do advogado Marcello Lauer, conselheiro do Instituto Brasileiro de Estudos Técnicos Avançados (IBETA), o projeto representa uma mudança estrutural na lógica de custeio do sistema. Segundo ele, o texto estabelece formalmente que o financiamento do transporte pode combinar diferentes fontes. “O projeto deixa explícito que o sistema pode ser financiado por receitas tarifárias, receitas extratarifárias e subsídio público ao usuário, vinculados a metas e padrões de desempenho. Isso transforma o contrato de transporte: deixa de ser apenas um contrato de passagem e passa a ser um contrato de serviço”, afirma. Na prática, essa mudança pode permitir que municípios utilizem outras fontes de recursos para reduzir a pressão sobre a tarifa. Também abre espaço para ampliar a destinação de recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para custeio do transporte coletivo e investimentos em infraestrutura. Além da diversificação de receitas, Lauer destaca a importância das regras de transparência previstas no projeto. “O marco legal exige critérios claros para reajustes tarifários e maior publicidade dos dados do sistema. Tarifa sem auditoria vira crença. Tarifa com método vira política pública controlável”. O especialista salienta que a falta de transparência e de modelagem econômica adequada ainda é um dos principais problemas dos sistemas de transporte no país. Ele cita como exemplo o caso recente de Belo Horizonte, onde a tarifa municipal foi reajustada de R$ 5,75 para R$ 6,25 em janeiro de 2026, aumento de 8,7%, mesmo com parte dos custos sendo coberta por subsídios do poder público. Outro ponto recorrente, segundo Lauer, é a ausência de dados e critérios verificáveis para definição de tarifas. Como referência positiva, ele menciona iniciativas de transparência em cidades como Uberlândia. “O município mantém um portal com metodologia, documentos e acompanhamento institucional sobre o sistema. Isso aproxima o cidadão de como a tarifa é calculada e reduz o risco de judicialização”. Para os operadores do setor, o novo marco regulatório também pode ajudar a reorganizar a relação entre empresas e poder público. O diretor-presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Francisco Christovam, reforça que a proposta surge após anos de deterioração financeira dos sistemas de transporte coletivo. Ele esclarece que a crise se aprofundou durante a pandemia, quando houve forte queda na demanda e na arrecadação tarifária. Na avaliação do setor, o cenário evidenciou os limites do modelo baseado exclusivamente no pagamento do usuário. “Chegamos a um ponto em que ficou claro que não é possível sustentar o transporte coletivo apenas com a tarifa paga pelo passageiro”. Christovam explica que o projeto cria bases mais claras para separar dois conceitos centrais: a tarifa técnica, que representa o custo real da prestação do serviço, e a tarifa pública, que corresponde ao valor pago pelo usuário. “Você calcula primeiro quanto custa prestar o serviço. Depois o poder público define quanto o passageiro pode pagar e cobre a diferença com outras fontes”. De acordo com o dirigente, a separação já ocorre em alguns sistemas, como em São Paulo, onde a tarifa pública está em torno de R$ 5,50, enquanto o custo do serviço supera R$ 11 por viagem, com a diferença coberta pelo município. O texto pode estimular maior planejamento dos sistemas de transporte e revisão das redes de linhas, contratos e modelos operacionais, destaca Christovam. “Formalmente, a própria lei prevê um prazo de cerca de um ano para que estados, municípios e operadores façam as adaptações necessárias. Mas acredito que em poucos meses já será possível começar a perceber mudanças no sistema”, finaliza.

Liquidações extrajudiciais de bancos testam o Fundo Garantidor de Créditos

A sequência de liquidações extrajudiciais promovidas pelo Banco Central, envolvendo o Banco Master, o Will Bank e o Banco Pleno, colocou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no centro do debate sobre estabilidade e risco sistêmico no Brasil. Com pagamentos estimados em mais de R$ 40 bilhões apenas no caso Master e bilhões adicionais nas demais instituições, o fundo enfrenta o maior teste desde sua criação, em 1995. O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos, para produtos como CDB, LCI, LCA, poupança e conta corrente. O mecanismo é privado, financiado pelas próprias instituições associadas, e tem como missão preservar a confiança no sistema bancário. Para o advogado e doutor em Direito Civil, Vanderlei Garcia Júnior, o papel do fundo vai além do ressarcimento. “É um mecanismo privado de proteção ao sistema financeiro que tem como função principal garantir depósitos e determinados investimentos até os limites estabelecidos. Isso significa que, se um banco quebrar, o cidadão não perde automaticamente o dinheiro aplicado. Mas o papel do FGC vai muito além, atuando também como instrumento de estabilidade sistêmica, reduzindo o risco de corrida bancária e preservando a confiança no sistema financeiro como um todo”. A confiança é elemento central da engrenagem econômica, avalia Júnior. “Sem previsibilidade, o crédito encarece, a liquidez das instituições diminui drasticamente e a economia desacelera. O FGC funciona como amortecedor de crises e contribui para a segurança do ambiente financeiro brasileiro”. Limites do modelo atual O episódio recente também reacendeu o debate sobre governança e incentivos de risco. Para o CEO da Queiroz Investimentos e Participações, Cesar Queiroz, o caso evidencia a necessidade de aperfeiçoamentos. “O maior pagamento de garantias da história do sistema financeiro brasileiro não é apenas um episódio pontual”. “Ele reacende um debate essencial sobre risco sistêmico, governança e responsabilidade no uso dos mecanismos de proteção ao investidor. Quando o instrumento passa a ser utilizado como argumento mercadológico de proteção total, pode haver distorções que incentivem estratégias incompatíveis com o porte e a estrutura de determinadas instituições”, complementa. Queiroz defende que o fortalecimento do FGC passa por critérios proporcionais ao risco. “Experiências internacionais mostram que instituições com maior perfil de risco contribuem mais para fundos garantidores. Esse é um debate relevante para evitar concentração de risco sistêmico”. Já o especialista do mercado financeiro, Pedro Persichetti, destaca que parte do problema está na falta de compreensão das regras por investidores. “O erro mais comum é acreditar que qualquer investimento bancário está garantido. O FGC cobre produtos específicos e o limite é por CPF ou CNPJ, por instituição e por conglomerado financeiro. Diversificar apenas entre marcas diferentes não garante maior proteção se elas pertencem ao mesmo grupo econômico”. Persichetti reforça que o FGC deve ser visto como rede de segurança, não como estratégia de investimento. “A proteção do fundo é importante, mas não substitui análise de risco e diversificação adequada. O investidor precisa entender limites e exposições para não concentrar patrimônio acima do teto garantido”. Em meio às discussões sobre ajustes regulatórios, o consenso é que o FGC permanece peça-chave da estabilidade financeira e sua relevância ultrapassa o aspecto operacional. “O Fundo Garantidor de Créditos é um ativo institucional que sustenta o sistema bancário brasileiro. Ele não representa apenas uma garantia financeira, mas um instrumento de preservação da confiança coletiva. Sem esse mecanismo, o risco de instabilidade seria significativamente maior”, conclui Júnior.

Brasil bate recorde no turismo e recebe 9,3 milhões de visitantes estrangeiros

Segundo dados do Banco Central, o Brasil atingiu um novo patamar histórico no gasto de visitantes internacionais. Em 2025, os turistas estrangeiros, que estiveram no país, deixaram o montante de US$ 7,865 bilhões, o equivalente a R$ 41,7 bilhões. É um aumento de 7,1% em relação a 2024. Foram 9,3 milhões de turistas internacionais desembarcando no território brasileiro, um total de 37,1% a mais que o previsto para o ano. Entre os mercados emissores, a Argentina manteve a liderança absoluta, com 3.386.823 turistas. Na sequência, vieram os chilenos, com 801.921 visitantes, e os norte- -americanos (759.637). Já viajantes vindos de países da Europa, como França, Portugal, Alemanha, Itália, Reino Unido e Espanha, somaram juntos 1.274.567 visitantes. O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, enfatiza que o turismo representa um pilar estratégico e crescente na economia brasileira. “É mais um resultado histórico que reafirma o poder do setor como uma matriz econômica de geração de emprego e renda para o nosso país. Esse recorde se traduz em crescimento para os pequenos negócios e reforça o papel do segmento como modelo de desenvolvimento econômico compatível com as exigências do século 21”. O especialista em investimentos, finanças e negócios internacionais, Beny Fard, explica que esse volume relevante de gastos impacta no Produto Interno Bruto (PIB) direta e indiretamente. “Considerando que o gasto do turista estrangeiro entra como exportação de serviços na conta de transações correntes, isso ajuda a equilibrar o balanço externo e a reduzir nossa dependência de commodities”. Na prática, a cada dólar gasto em turismo há um desdobramento em consumo interno, arrecadação tributária e geração de renda local, afirma o especialista. “Estudos do setor indicam que o efeito multiplicador do segmento pode variar entre 1,6 e 2 vezes, especialmente em economias emergentes como a brasileira, ou seja, esses US$ 7,9 bilhões não ficam restritos a hotéis e passagens, eles irrigam outros importantes ramos como comércio, transportes, alimentação, cultura e serviços, com reflexo direto no crescimento econômico”. Fard ressalta o câmbio como um dos principais fatores que explica o aumento do número de turistas no país. “Com o real desvalorizado, o Brasil se torna um destino mais competitivo em termos de custo-benefício. Outro ponto é a retomada e fortalecimento da conectividade aérea internacional no pós-pandemia. Ainda podemos acrescentar um esforço maior de promoção internacional do país, a simplificação do processo de vistos para mercados estratégicos, bem como uma mudança de percepção do Brasil como destino de natureza, cultura e experiências únicas”. Ele aponta que ainda há limitações em aeroportos regionais, o que dificulta a interiorização do turismo. “Também há desafios em mobilidade urbana, saneamento, sinalização turística e conectividade digital em destinos emergentes. Outro ponto sensível é a qualificação profissional, principalmente em idiomas e atendimento ao turista internacional”. A tendência de crescimento é positiva, mas com ressalvas, avalia Fard. “O cenário global ainda é de incertezas geopolíticas e econômicas, o que pode afetar os fluxos turísticos. Ainda assim, o Brasil está bem posicionado. Se mantiver o câmbio competitivo, ampliar a conectividade aérea e garantir segurança jurídica e institucional, é possível sim avançar em número de visitantes e receita”. Empregos O setor de turismo fechou 2025 com cerca de 1,9 milhão de admissões com carteira assinada no país, totalizando um saldo positivo de mais de 80 mil empregos formais, conforme dados do Novo Caged analisados pelo Ministério do Turismo. Na análise por segmentos, o setor de alimentação foi o que mais firmou contratos no ano, respondendo por 1.331.818 admissões. Em seguida, destacam-se os setores de alojamentos (268.346) e transporte terrestre (120.183). “O turismo possui peso estratégico na criação e manutenção de empregos, porque é intensivo em mão de obra e absorve profissionais de diferentes níveis de qualificação, gerando empregos diretos, como em hotéis, bares, restaurantes e agências, e indiretos, em logística, eventos, cultura e economia criativa”, conclui Fard.

Acordo comercial entre Mercosul-UE pode injetar R$ 37 bilhões no PIB

Após mais de 25 anos sendo negociado, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que foi assinado em janeiro, pode injetar até R$ 37 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil até 2044, segundo previsões do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O tratado prevê a eliminação ou redução gradual de tarifas, o Mercosul vai zerar a cobrança sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos e a UE vai eliminá-la sobre 95% dos produtos do bloco sul-americano em até 12 anos. De acordo com uma estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil será o maior beneficiado pelo acordo e prevê um crescimento de 1,49% nos investimentos no país. Já a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que o tratado pode gerar um aumento de cerca de US$ 7 bilhões nas exportações. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou um levantamento apontando que, quando entrar em vigor, vai aumentar de 8% para 36% o acesso brasileiro ao mercado de importações mundiais de bens. O presidente da CNI, Ricardo Alban, ressalta que a formalização da parceria ocorre em um momento estratégico para o país. “O acordo é a decisão comercial mais importante para a indústria brasileira em décadas. Ele garante acesso imediato ao mercado europeu, assegura tempo de adaptação para a indústria nacional e reposiciona o Brasil em um contexto de diversificação de parceiros, criando também um incentivo para avançar na agenda de competitividade estrutural”. Para o mestre em economia, Heldo Siqueira, há um benefício marginal de eliminar as tarifas de produtos que o Brasil exporta, como itens vinculados à alimentação e outras mercadorias do agronegócio. “A UE já é o segundo parceiro comercial do país. Ou seja, os produtos brasileiros deste segmento já têm mercado na Europa, de maneira que o ganho tende a ser marginal naquelas nações que mantém tarifas elevadas”. “As estimativas do MDIC são modestas, ao considerar efeitos de 0,34% do PIB, com impacto de 2,65% nas exportações e 2,46% nas importações até 2044. Neste sentido, parece ser um ganho mais diplomático que econômico, uma vez que se trata de um esforço grande de integração para pouco impacto na renda, ao longo prazo”, observa. Os produtos industriais europeus são bastante competitivos, destaca Siqueira. “Assim, sem a proteção das tarifas, os produtos europeus podem entrar no país, competindo com os da indústria nacional, sobretudo a automobilística. Os produtores brasileiros de automóveis incluem várias marcas europeias, neste sentido, pode ser que valha a pena trazer o veículo diretamente da Europa do que produzi-lo no Brasil”. O economista acredita que acordos comerciais podem ser vantajosos. “Mas, nenhum tratado substituirá o investimento em tecnologia e a melhoria da infraestrutura. Essa é a verdadeira fonte de competitividade, e são essas as políticas que fortalecerão a economia brasileira, com ou sem alianças com qualquer que seja o parceiro comercial”. Setores beneficiados Os principais setores beneficiados com o tratado são o agronegócio e exportadores tradicionais, destacadamente, carnes, grãos e derivados, incluindo os itens processados. “Além da indústria de transformação, como máquinas, equipamentos e bens de capital. Também há previsão para melhorar a condição de exportação de micro, pequenas e médias empresas”, pontua o especialista. Porém, Siqueira acrescenta que os empregos serão gerados na medida em que haja o aumento das exportações, naquelas atividades em que este fato ocorra. “Outros postos de trabalho podem ser gerados na adequação da produção brasileira às regras europeias, mas acredito que este seja um volume bastante reduzido”. “A diminuição de tarifas em um novo mercado sempre abre a possibilidade da constituição de empresas para concorrer e diversificar a pauta exportadora. Entretanto, as instituições que concorrem em mercados de produtos de maior valor agregado são muito competitivas. Neste sentido, apesar de a possibilidade existir, vai ser difícil que novas organizações brasileiras possam concorrer com as europeias que já dominam o mercado”, finaliza.