Investimento viário tem potencial de gerar efeitos relevantes na economia

Os investimentos em infraestrutura rodoviária têm potencial para gerar efeitos relevantes na economia brasileira. Um levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indica que cada R$ 1 aplicado pelo setor privado pode gerar até R$ 4,77 no Produto Interno Bruto (PIB) do transporte em até nove meses, enquanto o investimento público federal alcança R$ 4,64 em cerca de 18 meses. No curto prazo, os impactos também são expressivos. A cada R$ 1 investido pela iniciativa privada em rodovias, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor cresce R$ 2,58 no mesmo trimestre. Já o aporte público tem efeito imediato menor, de R$ 0,61 por real aplicado. Segundo a diretora-executiva da CNT, Fernanda Rezende, esse desempenho está ligado ao papel estruturante da logística. “Os investimentos ampliam a capacidade de escoamento da produção, reduzem custos e elevam a produtividade ao melhorar o tempo de deslocamento e a confiabilidade das operações. Como o transporte é uma demanda derivada, esses ganhos se espalham rapidamente por toda a economia”. Ela acrescenta que o capital privado tende a apresentar resultados mais rápidos por concentrar aportes contínuos e intensivos, sobretudo no início dos contratos. “Entre 2016 e 2025, os investimentos privados em rodovias somaram R$ 127,22 bilhões, enquanto os públicos federais chegaram a R$ 110,41 bilhões, com maior volatilidade. Por quilômetro, as concessionárias aplicaram de três a quatro vezes mais, o que se reflete nos ganhos do PIB do transporte”. Impactos no setor Na prática, os efeitos são percebidos diretamente pelas empresas. De acordo com o diretor da Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais (FETCEMG), Adalcir Lopes, a melhoria das rodovias eleva a eficiência operacional. “Rodovias em boas condições aumentam a velocidade média das viagens, reduzem paradas não planejadas e melhoram a fluidez do tráfego. Isso amplia a disponibilidade da frota, otimiza o uso dos motoristas e eleva o número de viagens, gerando ganhos concretos de produtividade e mais confiabilidade nas operações”. Lopes destaca que o reflexo também aparece no frete. “Uma estrada conservada reduz o consumo de combustível, o desgaste de pneus e freios e os custos de manutenção, além de minimizar riscos de avarias. Isso resulta em queda no custo do frete, sobretudo em rotas estratégicas que ligam Minas a polos industriais e ao agronegócio”. Efeitos na economia Os reflexos vão além do transporte e atingem toda a atividade econômica. Para o economista Wallace Marcelino Pereira, a infraestrutura logística tem caráter transversal. “O investimento em rodovias expande o transporte, reduz gargalos e melhora a fluidez da produção. Isso amplia oportunidades de negócios, gera emprego, renda e impulsiona o crescimento do PIB”. Ele destaca também que esses aportes funcionam como indutores do crescimento. “Ao reduzir custos e elevar a eficiência, aumentam a competitividade da economia e criam condições para investimentos produtivos”. Outro efeito relevante apontado por Pereira é sobre a inflação. “Uma logística mais eficiente reduz custos operacionais. Como o modal rodoviário responde por mais de 60% das cargas, isso impacta diretamente o preço do frete e, consequentemente, de alimentos e combustíveis. Investir em infraestrutura é uma medida estrutural importante para conter a inflação”, explica. Apesar dos benefícios, o país ainda investe pouco em transporte. Em 2025, os investimentos na economia brasileira cresceram apenas 2,9%, e a participação no PIB ficou em 16,8%, abaixo da média histórica de 17,9% registrada entre 1996 e 2025. Para a CNT, o avanço depende de uma estratégia combinada. “As concessões ampliam a capacidade de investimento e a eficiência da gestão, mas não substituem o papel do Estado, essencial no planejamento e na viabilização de projetos”, conclui Fernanda.
Atacarejo mineiro cresce 10% e alcança faturamento de R$ 26 bilhões

As quatro maiores redes de atacarejo em Minas Gerais alcançaram, em 2025, um faturamento conjunto de R$ 26,1 bilhões, valor 10,13% superior ao obtido no ano anterior, quando somaram R$ 23,7 bilhões. Além disso, essas empresas contabilizaram 301 unidades em operação e empregaram 41.162 trabalhadores no Estado. As informações integram o Ranking Abaas 2026, elaborado pela NielsenIQ em parceria com a Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço (Abaas). São elas o Grupo Mart Minas (R$ 12,5 bilhões); Grupo ABC (R$ 5,5 bilhões); Grupo Bahamas (R$ 4,5 bilhões); Villefort (R$ 3,6 bilhões). De acordo com o relatório, o faturamento dessas quatro empresas com atuação em Minas Gerais representa 7,06% do total obtido pelas 24 companhias vinculadas à Abaas no país, que encerraram o último ano com receita de R$ 369,5 bilhões. O estudo também aponta que as 301 unidades das redes mineiras correspondem a 13,75% do total nacional, que soma 2.189 lojas. Já o número de funcionários, 41.162, equivale a 9,54% do contingente registrado por todos os associados, que juntos empregam 431.536 pessoas. Segundo o economista Eduardo Moreira, o crescimento do faturamento pode ser atribuído a diversos fatores, como a consolidação do modelo de vendas de atacarejo, que combina preços competitivos com variedade de produtos. “O consumidor está cada vez mais atento ao custo-benefício, especialmente após o período de inflação elevada nos últimos anos. O atacarejo consegue oferecer produtos em grandes quantidades a preços mais baixos, atraindo desde pequenos comerciantes até famílias que compram em volume para reduzir gastos mensais”. O levantamento indica que a receita movimentada nacionalmente no último ano foi 11% superior ao de 2024, e equivalente a cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. No mesmo período, houve avanço no número de empregos diretos e de lojas, com altas de 12% e 11%, respectivamente. Moreira reforça a relevância social do setor. “O atacarejo é estratégico para a economia, pois além de movimentar bilhões em faturamento, cria oportunidades de emprego em diferentes níveis, desde funções administrativas até operacionais. Em regiões com menor acesso a supermercados de grande porte, essas lojas se tornam essenciais para abastecer a população e fortalecer o comércio local”. Ainda conforme a sondagem, o consumo das famílias brasileiras cresceu 1,3% em 2025, com projeção de alta de 1,5% para 2026. No atacarejo, o volume comercializado avançou 1,7%, enquanto o varejo independente e as mercearias registraram retração de 5,2%. Já os bares apresentaram queda de 6,8% ao longo do ano passado. Para Moreira, essa tendência indica que o consumidor está cada vez mais buscando formas de economizar sem abrir mão da quantidade e da qualidade dos produtos, o que favorece diretamente o modelo de atacarejo. A analista econômica Laura Pires acredita que a perspectiva para 2026 é de continuidade no crescimento, especialmente se houver investimentos em infraestrutura e estratégias de marketing voltadas ao consumidor final. “Muitos estão investindo em tecnologia para melhorar a experiência de compra e em logística para ampliar a cobertura no Estado e no país. A expectativa é que o faturamento continue em alta, acompanhando a demanda por produtos mais acessíveis e em maior quantidade”. O setor de atacarejo também desempenha papel importante no fortalecimento de cadeias produtivas. Segundo Laura, o aumento da demanda por produtos em grandes volumes também impacta fornecedores, produtores e distribuidores, gerando efeito multiplicador em toda a economia. “A competitividade do setor estimula ainda melhorias na eficiência operacional, na qualidade do atendimento e na diversificação de produtos, beneficiando o consumidor”. Apesar dos números positivos, Laura alerta que o crescimento do setor depende de fatores estruturais, como o desenvolvimento de centros urbanos com infraestrutura, políticas públicas que incentivem a formalização de pequenos comerciantes e investimentos em capacitação da mão de obra.
Inauguração do Horizonte deve impulsionar pequenos negócios

Micro e pequenos empreendedores da capital mineira passam a contar com um novo aliado para enfrentar os desafios do dia a dia. Foi inaugurado o Horizonte, centro de soluções integradas criado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), em parceria com o Sebrae Minas, com a proposta de oferecer apoio direto, acessível e aplicado à realidade dos negócios dos setores de comércio e serviços. O espaço instalado na região Centro-Sul da capital surge com um conceito claro: concentrar, em um único ambiente, ferramentas e orientações que ajudem o empreendedor a ampliar as vendas, organizar a gestão e tomar decisões com mais segurança. A iniciativa aposta em uma abordagem prática, que vai além da teoria e busca resultados concretos. De acordo com o presidente da CDL/BH e do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva, o Horizonte foi estruturado para ser resolutivo e próximo da realidade do empreendedor. “O que a gente quer é acolher esse empreendedor de forma simples e objetiva. Entender primeiro o problema dele, identificar qual é a solução que ele mais precisa naquele momento e orientar como aplicar isso dentro do negócio. Não adianta só apresentar caminhos, é preciso garantir que ele consiga executar”. O atendimento começa com um diagnóstico individualizado e segue por uma trilha de soluções que inclui capacitação, consultorias e acesso a tecnologias. Entre as possibilidades estão ferramentas de gestão, meios de pagamento, estratégias de digitalização e até melhorias no layout de lojas e processos internos. “A gente vai ter várias soluções disponíveis para que, em um tempo muito curto, ele consiga encontrar aquilo que realmente faz diferença. O pequeno empreendedor não tem tempo a perder, precisa sair daqui com algo prático para aplicar”, afirmou Souza e Silva. Para o presidente da CDL/BH, a proposta do Horizonte também responde a uma dificuldade recorrente entre os pequenos empresários: compreender o próprio negócio de forma integrada. “Hoje, uma das maiores dificuldades é entender o negócio como um todo. Muitas vezes, ele conhece partes da operação, mas não consegue enxergar o conjunto. Aqui, a gente ajuda a organizar essa visão e mostrar quais soluções podem ser adotadas para reduzir esforços e melhorar os resultados”. A estrutura conta com 29 ambientes, como estúdios, salas de treinamento e espaços de inovação, onde é possível produzir materiais visuais, desenvolver protótipos e testar soluções antes de implementá-las. Segundo Souza e Silva, a ideia é oferecer suporte contínuo, do planejamento à execução. “É um espaço onde o empreendedor chega, é acolhido e encontra caminhos claros. Queremos que ele realmente saia com soluções que façam sentido para o empreendimento”. Outro ponto destacado pelo dirigente é o caráter acessível do projeto. “Ele será acolhido aqui, com orientação e diagnóstico sem custo. A partir disso, entende o que precisa e decide o que quer implementar. Nosso papel é facilitar esse processo e aproximar esse empreendedor das soluções disponíveis”. “O Horizonte também busca enfrentar entraves históricos, como acesso a crédito, capacitação e gestão financeira. Quando o empreendedor consegue evoluir nesses aspectos, ele ganha mais controle do negócio e aumenta as chances de crescer de forma sustentável”, acrescentou. Com investimento previsto ao longo dos próximos anos, o Horizonte tem a expectativa de atender cerca de mil empresas em sua fase inicial. O presidente da CDL/BH destacou que a iniciativa busca não apenas impulsionar resultados individuais, mas também contribuir para o fortalecimento do ambiente de negócios na capital. “Mais do que crescimento pontual, a gente quer negócios mais preparados, com mais perenidade. São empresas que geram emprego e movimentam a economia, então precisam de suporte adequado”. A longo prazo, o projeto prevê a expansão do atendimento para o formato digital, ampliando o alcance das soluções. “É um projeto com potencial de se tornar referência nacional”, concluiu Souza e Silva.
Aviação brasileira registra melhor início de ano da história

A aviação brasileira começou o ano de 2026 com o melhor desempenho da série histórica para o primeiro bimestre. Entre janeiro e fevereiro, foram registrados 22,9 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais no país, segundo o relatório da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O volume apresenta um crescimento de 10,1% em relação ao mesmo período de 2025, e configura o maior resultado para os dois primeiros meses do ano nos últimos 25 anos. A movimentação foi liderada pela região Sudeste, com 10,6 milhões de embarques, seguida pelo Nordeste (4 milhões), Sul (2,4 milhões), Centro-Oeste (1,9 milhão) e Norte (928 mil). Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o resultado reflete o momento de crescimento da economia e o fortalecimento do setor aéreo no país. “Esse desempenho mostra que o Brasil está voltando a crescer, com mais pessoas viajando a trabalho, a turismo e para acessar serviços. A aviação é um termômetro da atividade econômica e esse recorde no início do ano indica um cenário de maior dinamismo e ampliação da conectividade no país”. A economista e professora da Una, Vaníria Ferrari, explica que o setor vem apresentando progresso desde o pós-pandemia, o que de forma acumulada, apresenta uma evolução significativa. “O valor do dólar, aliado a conflitos externos, têm direcionado o público para o turismo interno. Ainda tivemos o Carnaval, no início do ano, que apresentou expressivo crescimento. E o destino internacional também registrou avanço, muito voltado para o objetivo profissional”. A especialista esclarece que esse movimento não é uma normalização pós-pandemia. “Isso já ocorreu entre 2022 e 2023. O que vemos hoje é um aumento acima do normal. Pode significar um novo padrão de consumo, uma vez que as pessoas estão optando pelo transporte aéreo em desfavor do rodoviário; um aquecimento do turismo interno, em detrimento do externo; e um aumento dos negócios”. Vaníria afirma ainda que esse número sinaliza um aquecimento da demanda agregada por voos. “Economicamente, esse avanço é positivo, pois tem reflexo em toda a cadeia, como hotelaria, alimentação e transporte local. Por outro lado, esse crescimento, aliado ao não acompanhamento por parte da oferta e ao recente e provável aumento no valor do petróleo, pode significar um encarecimento de preços de passagens a médio e longo prazo”. Avanço X Desaceleração O crescimento do setor se consolidou nos últimos anos. Em 2021, no mesmo período, mais de 11 milhões de passageiros foram transportados. Desde então, a alta tem sido contínua, superando inclusive os níveis pré-pandemia. Somente em janeiro de 2026, foram registrados 12,4 milhões de viajantes. Em fevereiro, o total chegou a 10,5 milhões, alta de 9,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Ao longo de janeiro deste ano, os voos domésticos transportaram 9,4 milhões de passageiros pelo Brasil. O volume foi 9,3% maior em relação ao mesmo mês de 2025, quando a movimentação atingiu 8,6 milhões de viajantes. Segundo a economista, esse crescimento a longo prazo pode não ser sustentável e perder força por vários motivos. “Além do aumento provável de preços das passagens, pelo fato da oferta não acompanhar a demanda e pelo aumento dos custos, como o caso do combustível, que representa em torno de 80% do total dos gastos de uma empresa, esse setor é extremamente vulnerável ao cenário macroeconômico”. “Pode haver uma desaceleração em função da pressão sobre os preços e da renda da população frente a um aumento iminente da inflação. O dólar alto impacta as despesas fora do país, provocando redução da demanda por voos internacionais. E os juros elevados encarecem o crédito, as compras de passagens via cartão, o que aliado ao maior índice de endividamento e inadimplência da população aponta para uma desaceleração do segmento”, salienta a especialista.
Setor de eventos deve crescer 8% e gerar 143 mil novos empregos

O setor de eventos deve seguir em expansão em 2026, com crescimento previsto de 7,8% no consumo e a geração de aproximadamente 143 mil novos empregos formais no Brasil, conforme projeções da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape). Segundo a entidade, os gastos relacionados à recreação devem chegar a R$ 151,9 bilhões no próximo ano, ante os R$ 140,8 bilhões estimados para 2025. Os economistas que assinam o estudo consideram o crescimento expressivo, refletindo a consolidação do setor tanto em suas atividades principais quanto nas áreas indiretas impactadas pelos eventos. “Esses números mostram que o setor de eventos se consolidou como um dos motores do consumo e da geração de empregos no Brasil. O crescimento não é apenas quantitativo, mas qualitativo, pois envolve a diversificação das atividades e o fortalecimento das cadeias produtivas associadas”, afirma Lucas Ribeiro, consultor em gestão de eventos. O hub setorial, composto por 52 atividades relacionadas ao setor, deve gerar cerca de 120 mil empregos, representando 83,9% das novas vagas. Entre os segmentos mais beneficiados estão bares e restaurantes, hospedagem, segurança privada, serviços gerais, publicidade, marketing e agências de turismo. A previsão indica um crescimento de 24% em relação aos níveis anteriores à pandemia. Para Ribeiro, “o aumento expressivo de vagas no hub setorial reflete a retomada plena das atividades pós-pandemia e a importância de setores indiretos que dependem do movimento de eventos e entretenimento”. O core business, abrangendo organização de eventos, atividades artísticas e culturais, espetáculos, lazer e produção esportiva, deve gerar aproximadamente 23 mil novos empregos formais em 2026. Atualmente, esses setores mantêm um nível de empregos 80,9% superior ao registrado em 2019. O profissional vê esse crescimento como resultado de um efeito acumulado de investimentos em cultura, tecnologia e inovação. “Além da retomada de grandes eventos, temos observado o fortalecimento de projetos culturais e esportivos que geram empregos diretos e indiretos, ampliando o impacto econômico do setor”. “O aumento de consumo e empregos é um indicativo de que o setor se profissionalizou, diversificou suas atividades e passou a gerar impactos positivos em várias cadeias produtivas, desde alimentação e hospedagem até publicidade e serviços de segurança”, completa. Ele reforça que os números de 2026 ainda podem ser superados, à medida que investimentos em tecnologia, logística e gestão de eventos avançam. A economista Ana Clara Medeiros aponta que o crescimento do setor de eventos tem impacto direto na economia nacional. Além de gerar empregos formais, os eventos estimulam consumo, fomentam pequenas e médias empresas e aumentam a arrecadação tributária. “Cada evento realizado movimenta um conjunto de serviços que vai muito além do próprio entretenimento. Estamos falando de uma cadeia econômica que envolve transporte, alimentação, hospedagem, marketing, tecnologia e serviços gerais, criando um efeito multiplicador importante para a economia”. Outro fator relevante é o efeito da inovação e digitalização no setor. Plataformas de gestão de eventos, aplicativos de venda de ingressos e soluções de marketing digital para atrações culturais têm ampliado a capacidade de gerar empregos e aumentar a produtividade. “A tecnologia permite que o setor atenda a públicos maiores e de forma mais eficiente, gerando mais oportunidades de trabalho e aumentando o impacto econômico das atividades”, ressalta. Apesar das projeções otimistas, especialistas alertam para a necessidade de políticas públicas que mantenham o crescimento sustentável do setor. Educação profissional, capacitação técnica e incentivos à cultura e ao entretenimento são apontados como elementos essenciais para consolidar os ganhos de empregos e fortalecer a economia. “Não se trata apenas de gerar números, mas de criar qualidade de emprego, segurança jurídica e sustentabilidade para o setor a longo prazo”, enfatiza o consultor.
MG deixou de arrecadar R$ 128 bilhões em função de benefícios fiscais

Segundo dados do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), o Governo de Minas deixou de arrecadar R$ 22 bilhões em impostos devido à concessão de benefícios fiscais a empresas de diversos setores em 2024. Entre 2017 e 2024, o Estado renunciou aproximadamente R$ 128,3 bilhões. Em termos comparativos, esse montante representa mais de 70% da dívida com a União, atualmente estimada em R$ 180 bilhões. Ainda de acordo com o relatório do TCE, o total de renúncias fiscais saiu de R$ 17.763.410, em 2017, para R$ 22.165.617, em 2024. Em dezembro, o órgão anunciou que fará o monitoramento de todas as concessões deste tipo no Estado, para ampliar a transparência, avaliar os impactos desses benefícios nas contas públicas e verificar o cumprimento das contrapartidas assumidas pelas empresas. O economista Gelton Filho explica que o peso atual da renúncia fiscal no orçamento é de, aproximadamente, 21% da receita. “O volume de isenções e renúncias nos últimos anos alcançou patamares tão elevados que impediram diversas políticas públicas fundamentais para a população. Somando o valor, poderiam ser construídas linhas inteiras do metrô interligando as principais cidades da região metropolitana, por exemplo”. “Se adicionarmos os índices de 2025 e 2026, os números são muito mais alarmantes. Nos dois anos citados são cerca de R$ 48,2 bilhões, o que torna a gestão completamente insustentável e gera problemas graves de caixa como já projetado pelo próprio governo. Não há como manter esses números crescentes e ao mesmo tempo equacionar a dívida pública ou ao menos reduzi-la, quanto mais atender as demandas sociais cada vez mais presentes”, complementa. Tem décadas que isenções fiscais começaram a ser questionadas pela ausência de contrapartidas, ressalta o economista. “No caso mineiro, pelo sigilo imposto, há de se questionar se cada empresa beneficiada gerou o retorno devido ou se esses valores serviram apenas para acumulação pessoal de alguns grupos financeiros. Isenções são instrumentos pontuais e não devem ser permanentes como se tornaram”. Filho ressalta ainda que no mesmo período em que se ampliaram as renúncias e isenções, a dívida pública cresceu em patamar relevante. “No início do governo Romeu Zema (Novo), a dívida era de R$ 113,8 bilhões (dado de dezembro de 2018) e em sua saída alcançou R$ 205 bilhões, crescimento de R$ 91,2 bilhões. Em 2026, as isenções vão chegar perto de R$ 25,2 bilhões. Portanto, houve uma escolha pública de não pagar a dívida enquanto abriu-se mão de receita indiscriminadamente”. Posição do Governo Por meio de nota, o Governo de Minas destaca que o Estado, assim como os demais entes federativos, participa da concorrência e competição nacional pela atratividade de investimentos, incremento de seu parque industrial e logístico, diversificação econômica e geração de empregos. Normalmente, as táticas da “Guerra Fiscal” são identificadas como benefícios fiscais, mas na realidade são atrativos e incentivos comerciais para alcançar resultados na geração de empregos e aumento de renda, e quem se beneficia são os estados que conseguem mais empresas e mais recursos para investir nas Políticas Públicas sem aumentar os impostos. A política tributária de Minas Gerais tem papel fundamental nos resultados alcançados pela atual gestão, somando mais de R$ 530 bilhões de investimentos atraídos e a geração de mais de 1 milhão de empregos, desde 2019. Esses são alguns dos resultados consolidados pela estratégia de incentivos, corresponsável também por desenvolver o Produto Interno Bruto (PIB), que pela primeira vez na história, alcançou a marca de R$ 1 trilhão, em 2024. Ressaltamos que na atual gestão não foram criados novos incentivos fiscais, apenas mantidos os modelos já existentes desde 2017. “Em tempo, reforçamos que o Governo de Minas cumpre os mínimos constitucionais de investimento em Saúde e Educação. O montante aplicado em Ações e Serviços Públicos de Saúde, considerando a despesa empenhada (R$ 11,58 bilhões), foi de 12,36%, superando o mínimo de 12% exigido pela legislação. Em relação à Manutenção e Desenvolvimento do Ensino, o índice foi de 25,40%, considerando a apuração pelo total da despesa empenhada (R$ 23,81 bilhões), sendo 0,40% maior que a aplicação mínima constitucional (25%)”.
Setor de franquias faturou mais de R$ 26 bilhões em Minas Gerais

Um levantamento da Associação Brasileira de Franchising (ABF) apontou que o setor de franquias em Minas Gerais movimentou mais de R$ 26 bilhões em 2025, com crescimento de 10,2% na comparação com o ano anterior. Além do avanço no faturamento, o franchising no Estado também expandiu sua atuação geográfica. O total de unidades franqueadas alcançou 18.699 operações, o que representa uma alta de 4,9%. O segmento ainda foi responsável pela geração de mais de 158 mil empregos diretos, registrando aumento de 5,9%. O estudo da ABF também indicou os segmentos que mais contribuíram para o crescimento das franquias em Minas Gerais, com destaque para saúde, beleza e bem-estar, que avançou 18,3%, seguido por casa e construção, com alta de 16,5%, e entretenimento e lazer, que aumentou 14,2%. No contexto nacional, o setor de franquias também segue em expansão contínua. Dados da Pesquisa de Desempenho do Franchising 2025, divulgada pela ABF, mostram que o segmento alcançou faturamento recorde de R$ 301,7 bilhões, um crescimento de 10,5% frente ao período anterior. Atualmente, o Brasil reúne 202.444 unidades franqueadas, vinculadas a 3.297 marcas, que juntas geram cerca de 1,762 milhão de empregos diretos. Para a economista Renata Figueiredo, o bom desempenho do setor está diretamente ligado à capacidade de adaptação das franquias às novas demandas do mercado. “O modelo de negócio tem se mostrado resiliente mesmo diante de cenários econômicos desafiadores, as franquias oferecem um formato mais estruturado, com processos definidos e suporte ao franqueado, o que reduz riscos e aumenta as chances de sucesso. Isso atrai investidores, especialmente em momentos de incerteza”. Outro fator relevante é a mudança no perfil do consumidor, que passou a valorizar mais conveniência, qualidade e padronização. Segundo Renata, isso favorece diretamente o franchising. “As marcas franqueadas conseguem manter um padrão de atendimento e produto, independentemente da unidade, o que gera confiança no consumidor. Além disso, muitas redes têm investido em tecnologia e canais digitais, ampliando o alcance e as vendas”. No caso de Minas Gerais, a diversidade econômica do Estado também contribui para o crescimento do setor. Cidades de médio porte têm se tornado polos atrativos para expansão de franquias, especialmente nos segmentos de serviços e alimentação. “Há um movimento de interiorização muito forte. Regiões fora dos grandes centros apresentam demanda reprimida e custos operacionais mais baixos, o que favorece a abertura de novas unidades”, observa o consultor de negócios Eduardo Martins. No cenário nacional, o aumento no número de unidades reflete o interesse crescente de empreendedores pelo modelo e consolidando o setor como um dos principais geradores de trabalho no país. “Esse crescimento está associado também à busca por alternativas ao emprego formal, muitas pessoas têm optado por empreender, e as franquias surgem como uma porta de entrada mais segura, com suporte e reconhecimento de marca”, destaca. A digitalização dos negócios é outro elemento apontado como decisivo para o avanço do franchising. Martins diz que muitas redes aceleraram investimentos em plataformas on-line, delivery e estratégias de marketing digital nos últimos anos. “A integração entre o físico e o digital, o chamado modelo omnichannel, tem sido fundamental para ampliar receitas e fidelizar clientes”. As expectativas para 2026 são positivas, embora seja recomendada cautela. A projeção é de que o setor continue crescendo, ainda que em ritmo moderado, acompanhando o desempenho da economia brasileira. “Se houver estabilidade econômica, controle da inflação e melhora no acesso ao crédito, o franchising tende a manter uma trajetória de expansão”, explica. Ela acrescenta que setores ligados à saúde, bem-estar e serviços devem continuar em destaque, acompanhando tendências de consumo. “A população está mais preocupada com qualidade de vida, o que impulsiona esses segmentos. Além disso, áreas como educação, tecnologia e serviços especializados também têm potencial de crescimento”. Por outro lado, desafios como custos operacionais, carga tributária e necessidade de inovação constante permanecem no radar dos empresários. “O sucesso no franchising depende cada vez mais de gestão eficiente e capacidade de adaptação. As redes que investirem em inovação, treinamento e suporte ao franqueado terão mais chances de se destacar”, conclui.
Endividamento bate novo recorde e atinge 80,2% das famílias brasileiras

O alto nível de endividamento das famílias brasileiras em 2026 acende um alerta para a necessidade de planejamento financeiro e da criação de uma reserva de emergência. Dados de fevereiro da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que 80,2% das famílias têm dívidas, sendo o maior valor da série histórica, enquanto 29,6% estão com contas em atraso. O levantamento também indica que o comprometimento da renda com dívidas segue elevado. Em média, cerca de 29,7% do orçamento familiar está destinado ao pagamento de compromissos financeiros. Segundo o presidente do Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (IGEOC), Rodrigo Mandaliti, a ampliação do crédito nos últimos anos contribuiu para a inclusão financeira, mas também aumentou o número de famílias endividadas. “Essa maior oferta de crédito foi positiva, mas, somada à inflação em itens essenciais e aos juros elevados, acabou comprimindo a renda e dificultando a quitação das obrigações. Hoje, o principal desafio é a sustentabilidade dessas dívidas ao longo do tempo”. Na avaliação de Mandaliti, a educação financeira é um dos principais instrumentos para evitar que o endividamento evolua para a inadimplência. “Ela ajuda o consumidor a planejar melhor o uso do crédito, verificar sua capacidade de pagamento e buscar renegociação logo nos primeiros sinais de dificuldade”. Reserva como proteção Em um cenário de juros elevados, a ausência de planejamento tende a agravar os riscos. O assessor de investimentos Cecílio Costa destaca que o custo do crédito se torna um dos principais problemas para quem não possui reserva financeira. “Sem planejamento e uma reserva de emergência, qualquer imprevisto acaba sendo financiado com crédito caro. Isso gera o efeito ‘bola de neve’, em que pequenas dívidas crescem e se tornam difíceis de administrar”. De acordo com Mandaliti, a reserva financeira funciona como um importante mecanismo de proteção. “Ela atua como um colchão financeiro, evitando o uso de linhas caras, como cheque especial e cartão de crédito rotativo. Mais do que um luxo, é uma ferramenta de estabilidade”. Além de ajudar a evitar dívidas, Costa reforça que a educação financeira também reduz a vulnerabilidade a fraudes. Em um ambiente marcado pelo aumento de golpes digitais, o conhecimento básico sobre finanças se torna um diferencial. “A educação financeira desenvolve senso crítico. A pessoa passa a identificar promessas irreais, desconfiar de decisões urgentes e entender melhor os riscos antes de agir”. O assessor de investimentos lembra que a falta de conhecimento ainda é um problema estrutural no país. “Muitas pessoas utilizam o crédito como extensão da renda e não compreendem o impacto dos juros compostos, o que agrava o endividamento”. Mudança de comportamento Especialistas apontam que o principal impacto da educação financeira está na mudança de comportamento. O consumidor deixa de agir por impulso e passa a tomar decisões mais conscientes. “O planejamento financeiro traz controle, reduz dívidas e permite formar reservas e investir. O principal ganho é a tranquilidade e a autonomia sobre o próprio dinheiro”, afirma Costa. Mesmo para quem tem renda limitada, o início pode ser simples. “É possível começar com pequenos valores, desde que haja consistência. O importante é tratar a reserva como prioridade, e não como sobra”, finaliza Mandaliti.
Indústria brasileira de alimentos projeta um crescimento de 2,5%

A indústria brasileira de alimentos inicia 2026 com expectativas de expansão. A projeção do setor é de crescimento real das vendas entre 2% e 2,5%, além de aumento entre 1% e 1,5% no emprego direto. A avaliação da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) é que o cenário reúne condições favoráveis, embora ainda existam desafios ligados aos custos e ao ambiente internacional. Segundo o gerente de Economia e Inteligência Competitiva da ABIA, Cleber Sabonaro, a perspectiva positiva está ligada a fatores como o desempenho da produção agrícola e a possível melhora nas condições de crédito, além da continuidade do ciclo de investimentos e da perspectiva de avanço das exportações. “A safra 2025/2026 robusta, estimada em mais de 353 milhões de toneladas e a melhora gradual do crédito com possível redução da Selic ajudam a criar um ambiente favorável. Ao mesmo tempo, ainda existem desafios, como os custos pressionados por embalagens e os riscos tarifários e geopolíticos no comércio internacional”. Para o presidente-executivo da ABIA, João Dornellas, o setor entra neste novo ciclo com bases sólidas. “A combinação de estabilidade da safra, redução gradual dos juros e um ambiente econômico de crescimento moderado cria condições mais previsíveis para o planejamento e o investimento”. Desempenho em 2025 O otimismo para o ano vem após um resultado consistente em 2025. De acordo com balanço da ABIA, a indústria brasileira de alimentos e bebidas registrou faturamento de R$ 1,388 trilhão, crescimento de 8,02% em relação ao ano anterior. O setor respondeu por 10,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O mercado interno foi o principal motor desse desempenho, impulsionado pela expansão do emprego e da renda das famílias. “Isso fez avançar tanto o varejo alimentar quanto o food service, que cresceram 8,4% e 10,1%, respectivamente. Também contribuíram o aumento físico da produção, as exportações resilientes e a desaceleração da inflação dos alimentos, que ajudou a preservar o poder de compra das famílias”, explica Sabonaro. Outro destaque foi a capacidade do setor de conter a inflação dos alimentos. Mesmo com aumento médio de 5,1% nos custos de produção, impulsionado por embalagens, energia e insumos atrelados ao câmbio, a indústria conseguiu limitar o repasse ao consumidor, ressalta Sabonaro. “Enquanto a inflação geral foi de 4,26%, a inflação dos alimentos ficou em 2,95% e a dos alimentos industrializados em apenas 1,8%. Isso foi possível graças aos investimentos robustos em inovação e eficiência produtiva, além da queda das commodities agrícolas no segundo semestre, que aliviou parte das pressões ao longo da cadeia”. Para Dornellas, o resultado vai além de um indicador econômico. “Contribuir para manter a inflação dos alimentos abaixo da inflação geral é também a expressão do compromisso do setor com a segurança alimentar do Brasil”. Minas Gerais No cenário regional, o Estado manteve posição de destaque na indústria alimentícia brasileira, registrando R$ 164,5 bilhões em valor de produção, o equivalente a 11,9% de toda a produção nacional, consolidando-se como o terceiro maior faturamento do país no setor. De acordo com o gerente da ABIA, a força do Estado está na integração entre indústria e produção agropecuária. “O que garante disponibilidade de matéria-prima e competitividade estrutural. Minas reúne liderança nacional em lácteos, tradição em café, doces e panificação, além de uma forte integração com a agricultura familiar e expansão das proteínas animais e produtos processados”. Ele lembra que a presença do setor também tem impacto relevante no mercado de trabalho. Minas reúne 6.853 empresas da indústria de alimentos, que mantêm cerca de 247,5 mil empregos diretos e 750 mil indiretos, totalizando aproximadamente 1 milhão de trabalhadores na cadeia produtiva. “Esse conjunto faz de Minas o terceiro maior Estado da indústria de alimentos, com crescimento consistente e sustentado, evidenciando o papel estratégico do setor na economia estadual e na transformação da produção agropecuária em alimentos industrializados”, conclui.
Páscoa 2026: chocolate mais caro pesa no bolso do consumidor

A celebração da Páscoa ocorre no dia 5 de abril, e o mercado já indica uma tendência de aumento nos preços do chocolate e dos bombons. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os valores do chocolate em barra e do bombom acumularam alta de 24,77% nos 12 meses encerrados em janeiro. Em Belo Horizonte, um levantamento do site de pesquisa Mercado Mineiro em dez redes de supermercados aponta que os ovos de Páscoa estão até 35,8% mais caros. O aumento mais expressivo foi registrado no ovo Trakinas 190g, que saiu de R$ 59,62 em 2025, para R$ 80,99 em 2026. Entre os estabelecimentos, a maior variação de preço foi observada no Laka e Diamante Negro 494g, encontrado entre R$ 94,99 e R$ 124,19, diferença de 30,74%. Já o item mais barato foi o Lacta ao Leite 157g, com um valor médio de R$ 53,19, alta de 11,86% em comparação com 2025. O economista e professor dos cursos de Gestão e Negócios do UniBH, Fernando Sette Júnior, explica que o doce vem sofrendo uma pressão muito acima do padrão de inflação percebido pelo consumidor médio. “Como chocolate em barra e bombom são produtos diretamente dependentes de insumos específicos, qualquer encarecimento relevante ao longo da cadeia tende a ser repassado ao preço final”. “Além disso, como a Páscoa é um período de forte apelo comercial, há uma concentração maior da demanda justamente em um momento no qual os custos já estão elevados. Isso faz com que o consumidor perceba mais intensamente a alta e associa o encarecimento dos produtos a um movimento generalizado de aumento no setor de chocolates”, salienta. Para Júnior, os valores dos ovos em Belo Horizonte tendem a mexer com as projeções do varejo mineiro no primeiro semestre. “Porque a Páscoa é uma data relevante para o comércio. Preços maiores podem até inflar o faturamento nominal, já que cada unidade vendida gera mais receita em reais”. No entanto, existe o risco desse faturamento crescer menos do que o esperado, destaca o profissional. “Inclusive, decepcionar em termos reais, caso a alta de preços desestimule as compras. Se o consumidor reduzir a quantidade ou trocar produtos premium por opções mais baratas, o varejo pode ter um resultado nominal aparentemente positivo, porém, com perda de dinamismo real nas vendas. E isso pode levar empresas e supermercados a revisar estoques, campanhas e reforços de equipe. Nesse contexto, a contratação temporária, por exemplo, pode continuar existindo, mas com perfil mais seletivo”. Empregos O levantamento da Fecomércio MG indica que a grande maioria das empresas (98,3%) afirmou que não pretende contratar funcionários temporários para o período. Apenas 1,3% dos empresários indicaram que deverão reforçar as equipes, com uma média de cerca de dois trabalhadores adicionais por estabelecimento. Apesar de não ter uma perspectiva grande de contratação, cerca de 60,6% das empresas afirmaram que o período tem impacto positivo nas vendas. Em relação ao desempenho esperado, 51,2% dos empresários acreditam que o consumo será semelhante ao do ano passado, enquanto 33% projetam crescimento. A pesquisa também aponta a expectativa de gasto dos consumidores, as compras devem se concentrar nas faixas entre R$ 50,01 e R$ 70 (33,3%) e entre R$ 70,01 e R$ 100 (28,4%). Consumidor Essa alta acumulada no chocolate tende a deixar o consumidor mais cauteloso. “Como se trata de um aumento muito expressivo em um item diretamente ligado à data, a reação mais provável é a busca por opções de menor valor, redução da quantidade comprada e maior comparação de preços entre marcas e lojas”, afirma o economista. Ele destaca ainda que o cenário aponta para forte pressão sobre o consumo. “Isso aumenta a chance de o faturamento crescer em valores correntes, mas sem avanço efetivo em volume vendido. A retração real pode ocorrer justamente porque o consumidor continua participando da data, entretanto, compra menos”. “A Páscoa é um período que pode manter movimento no comércio, porém, com uma menor quantidade de itens por compra, menor diversificação no carrinho e mais substituições por produtos que possuem menor preço. Esse é um ambiente típico em que a receita nominal não traduz necessariamente um desempenho real mais forte”, finaliza.