Clésio topa ser candidato ao governo, se obtiver apoio de Lula

Nas últimas semanas, a sucessão ao Governo de Minas tem sido uma espécie de fábrica de informações truncadas, expondo ainda mais a indecisão de grupos e partidos políticos. Nos bastidores, nomes que não têm apoio para pleitear o posto de chefe do Executivo podem ser listados com fartura, porém, menciona-se o exemplo do empresário Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar. Josué não vem a Minas há 15 anos e seria um ilustre desconhecido por parte do povo mineiro. Para matemáticos da política mineira, não passa de balela a sugestão quanto a indicação do ex-procurador de Justiça de Minas, Jarbas Soares, rumo ao posto de candidato ao Palácio Tiradentes no projeto eleitoral de 2026. Conforme avaliação, Jarbas conquistou bons amigos ao longo do tempo, mas pela natureza de sua atividade profissional, representando o Ministério Público, também deixou um número preponderante de pessoas insatisfeitas. Clésio e Marília Reativamente aos debates relacionados ao pleito deste ano, algumas indefinições marcaram a semana envolvendo os nomes do senador Rodrigo Pacheco (PSB), Flávio Roscoe (PL) e Cleitinho Azevedo (Republicanos). Eles têm emitido sinais trocados, ora afiançando serem pré-candidatos, e depois desmentem a informação. A novidade mais recente, que não foi desmentida até o momento, foi um encontro do empresário Clésio Andrade com a pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT). Na conversa, ambos trataram de vários assuntos e foi aventada a possibilidade de o nome de Clésio receber aval do presidente Lula (PT) na peleja deste ano. Nos bastidores da Assembleia Legislativa, onde o contato de Clésio com o PT passou a ser disseminado, acrescentou-se que ele teria mantido contato também com o deputado federal Reginaldo Lopes (PT), ou seja, sua incursão nessa vertente da esquerda parece ser uma realidade. Em síntese, tudo está no patamar como vem sendo noticiado nos últimos dias. Vale rememorar que os nomes já confirmados para o certame eleitoral deste ano são: governador Mateus Simões (PSD), Alexandre Kalil (PDT) e o ex-presidente da Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB). Jornalistas da crônica política mineira apostam que as especulações tendem a ser ainda mais intensas nos últimos dias do mês de maio.

Qualidade da água dos rios da Mata Atlântica segue precária

As águas dos rios da Mata Atlântica seguem impactadas pela poluição e exigem tratamento para abastecimento e outros usos. O diagnóstico do estudo do Retrato da Qualidade da Água nos Rios da Mata Atlântica, da Fundação SOS Mata Atlântica indica que, entre janeiro e dezembro de 2025, quase 80% dos pontos monitorados apresentaram qualidade regular. Minas Gerais e outros cinco estados continuaram nessa categoria, em comparação com 2024. Segundo a pesquisa, o principal entrave para a recuperação dos rios permanece sendo a falta de saneamento adequado. Para analisar os desafios jurídicos e ambientais relacionados ao tema, o Edição do Brasil conversou com o advogado especializado em direito ambiental, mineração e energia, Ricardo Carneiro. Minas Gerais possui legislação suficiente para proteger os recursos hídricos ou ainda existem lacunas legais? Possui sim, desde a década de 1990. Existe uma Política Estadual de Recursos Hídricos, com instrumentos compatibilizados com a legislação federal, órgãos gestores e instrumentos de natureza econômica. O problema é mais a falta de gestão efetiva e de planejamento, do que a ausência de legislação aplicável. Após os desastres de Mariana e Brumadinho, houve avanço real nas políticas de proteção da água em Minas? Não diretamente ligadas à proteção da água, mas ao gerenciamento de barragens de rejeitos de mineração, com uma série de atos normativos editados pela Agência Nacional de Mineração (ANM). O descarte irregular de esgoto nos rios poderia gerar responsabilização mais severa aos municípios?Não só poderia, como deveria haver punição, além do ajuizamento de ações por parte do Ministério Público. O problema, como sempre, é mais do que jurídico; é político. O país está atrasado na implementação de políticas de saneamento, embora haja linhas de financiamento que poderiam ser utilizadas para a execução de Estações de Tratamento de Esgotos. Porém, quase nunca o saneamento é prioridade no âmbito dos municípios, não havendo interesse político no enfrentamento do tema, após os períodos eleitorais. Até que ponto a falta de investimento em saneamento pode caracterizar omissão das prefeituras? A omissão, na maioria das vezes, resulta de inércia das prefeituras, que preferem investir em obras mais visíveis ou apenas na canalização de rios e córregos, sem enfrentar o problema da qualidade da água. Quase sempre as áreas urbanas nas cidades brasileiras dificultam o recolhimento de esgotos e efluentes domésticos, dependendo também da colaboração das pessoas. O Ministério Público tem conseguido atuar de forma efetiva na proteção dos recursos hídricos? O esforço de solução é permanente, mas as ações dos Promotores de Justiça quase sempre esbarram na falta de recursos das prefeituras, cujos orçamentos públicos ficam comprometidos com o pagamento de salários dos servidores, sem capacidade de investimento em saneamento básico. A flexibilização de licenciamentos ambientais pode aumentar os riscos para a qualidade da água? São problemas distintos e não se pode cair no raciocínio simplista de que a flexibilização ou simplificação do processo de licenciamento ambiental aumente o risco de piora na qualidade da água. O licenciamento ambiental autoriza impactos e não riscos ambientais de desastres. Na verdade, o país burocratiza demais o licenciamento e tem estrutura de menos nos órgãos ambientais. O problema é a vontade política e não o licenciamento ambiental. Quais medidas deveriam ser prioridade imediata para recuperar os rios da Mata Atlântica e melhorar a qualidade da água em Minas Gerais? Seguramente, conter o desmatamento irregular, mediante ações de controle e fiscalização permanentes. A população possui instrumentos legais para cobrar melhorias na qualidade da água e no saneamento? Tem vários, mas os cidadãos precisam ter vontade de participar e cobrar dos políticos eleitos a implementação de políticas públicas. A maioria das pessoas reclama dos problemas, mas não se vê como ator fundamental do processo de gestão dos interesses públicos.

NR-1: empresas deverão monitorar riscos à saúde mental

A entrada em vigor da fase de fiscalização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), a partir de 26 de maio, marca uma mudança significativa na forma como as empresas brasileiras devem lidar com a saúde mental no ambiente de trabalho. Após um período de adaptação, o Ministério do Trabalho e Emprego passa a exigir, na prática, a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com possibilidade de autuações imediatas. Segundo a advogada trabalhista Naiara Insauriaga, o momento representa a transição definitiva de um modelo burocrático para uma gestão efetiva. “A partir desta data, a fiscalização passa a ser plena. Empresas que negligenciarem a inclusão dos riscos psicossociais em seu inventário do PGR estarão expostas a sanções imediatas. O risco aqui não é apenas a multa, mas a fragilidade jurídica e o impacto direto no bem-estar e na produtividade das equipes”. Um dos principais desafios, de acordo com Naiara, é romper com a visão de que saúde mental no trabalho se resume a ações pontuais de bem-estar. Ela explica que há uma diferença clara entre iniciativas isoladas e o cumprimento da norma. “Enquanto o bem-estar é uma escolha de marca empregadora, a NR-1 exige uma atuação técnica, direcionada e preventiva”. “No Judiciário e na fiscalização, o que protege o patrimônio da empresa não é a intenção generosa, mas a evidência de uma gestão de riscos precisa e individualizada”, acrescenta. Nesse contexto, a advogada alerta que um dos principais erros é a adoção de soluções genéricas, criando uma falsa sensação de segurança e podem ser consideradas ineficazes em fiscalizações. “Muitas organizações estão utilizando análises que falham ao não espelhar a realidade específica de cada cargo e as nuances que são parte do ambiente organizacional“. Ela lembra que a exigência vale para empresas de todos os portes. Embora micro e pequenas possam contar com simplificações administrativas, a cobrança por resultados efetivos é a mesma. “O fiscal não quer saber apenas se a empresa tem o PGR, mas se esse documento foi atualizado para contemplar a saúde mental”. Ambiente e liderança no centro A psicóloga e especialista em saúde mental no trabalho, Janaína Fidelis, afirma que muitos ambientes já apresentam sinais claros de adoecimento. “O aumento do absenteísmo, a rotatividade elevada e equipes silenciosas, com medo de se posicionar, são indicativos de que o ambiente não é psicologicamente seguro. O burnout é o estágio final de um processo que já vinha dando sinais há muito tempo”. Para a psicóloga, a nova exigência pode contribuir para a redução desses quadros, desde que aplicada de forma consistente. “A regulamentação obriga as organizações a reconhecerem que riscos psicossociais existem e precisam ser gerenciados. Mas o que faz diferença é o que a empresa faz com essa exigência”. Um ponto central é o papel da liderança. “O problema não é a cobrança por resultados, mas como ela é feita. Desempenho saudável existe quando há clareza de metas, recursos e espaço para diálogo. Já a gestão tóxica aparece quando a pressão é constante, desorganizada e desproporcional”, afirma Janaína. Ela acrescenta que líderes despreparados tendem a potencializar problemas estruturais. “A insegurança prolongada é um dos principais gatilhos do adoecimento emocional”. Além disso, a participação dos trabalhadores depende de um ambiente seguro. “Não existe prevenção real sem segurança para falar. Se há medo de retaliação, isso já é um indicador de risco psicossocial”, finaliza Janaína.

60% das mortes por câncer de testículo são em homens jovens

Embora seja considerado um tumor raro, o câncer de testículo tem impacto desproporcional entre homens jovens no Brasil. Um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), com base em dados do Ministério da Saúde, revela que 61,67% das mortes pela doença em 2024 ocorreram entre homens de 20 a 39 anos. Ao todo, foram registrados 527 óbitos no período, sendo que mais de 76% atingiram pacientes com até 49 anos. Os números reforçam uma característica marcante da doença. Sua maior incidência está justamente na faixa etária mais produtiva da vida. De acordo com o cirurgião oncológico Renato Almeida Rosa de Oliveira, esse padrão acompanha o comportamento natural do tumor. “É uma doença típica de homens jovens, geralmente entre o fim da adolescência e os 40 anos. Por isso, a mortalidade acaba acompanhando essa mesma faixa etária”. Apesar do impacto, Oliveira destaca que o câncer de testículo apresenta altas taxas de cura, especialmente quando diagnosticado precocemente. Ainda assim, o atraso na busca por atendimento médico segue como um dos principais desafios. “A descoberta na fase inicial está diretamente relacionada à maior chance de cura. O que leva ao diagnóstico tardio é negligenciar alterações no testículo, seja por medo ou preconceito”. Entre os principais sinais de alerta estão o aparecimento de nódulos endurecidos, aumento do volume testicular e mudanças na consistência do órgão, geralmente sem dor. “A maioria das alterações relacionadas ao câncer não dói, e isso pode fazer com que o paciente demore a procurar ajuda”, ressalta o médico. Autocuidado é importante Nesse contexto, o autoexame surge como uma ferramenta essencial. A recomendação de Oliveira é que homens, especialmente a partir da adolescência, conheçam o próprio corpo e observem possíveis mudanças. “Apalpar os testículos durante o banho, identificar o que é normal e perceber alterações pode fazer toda a diferença. Muitas vezes não é nada, mas quando é, pode ser o fator decisivo para um diagnóstico precoce”. Outro ponto de atenção na avaliação do cirurgião oncológico envolve barreiras culturais. Vergonha, desinformação e até o receio de julgamento ainda dificultam que jovens relatem sintomas ou procurem atendimento. “Muitos associam alterações a traumas ou infecções e evitam falar sobre o assunto. Isso atrasa a investigação e o início do tratamento”, completa. Avanços recentes na medicina têm permitido abordagens mais eficazes e menos agressivas. Oliveira destaca que a cirurgia para retirada do testículo afetado (orquiectomia) segue como tratamento inicial padrão, mas novas estratégias têm reduzido a necessidade de quimioterapia em determinados casos. “Hoje, em algumas situações, é possível apenas observar o paciente após a cirurgia, evitando efeitos colaterais desnecessários”. Além disso, técnicas minimamente invasivas, como cirurgias laparoscópicas e robóticas, têm contribuído para preservar funções importantes, como a ejaculação. A preservação da fertilidade também ganhou destaque no cuidado com esses pacientes. “Antes de iniciar o tratamento, orientamos o congelamento de sêmen, já que alguns procedimentos comprometem a fertilidade”, finaliza Oliveira.

Indefinição de Rodrigo Pacheco pode refletir na campanha de Lula

Reuniões, conspirações, falações e insinuações têm acontecido nos bastidores da política mineira, com o fito de encontrar um projeto minimamente viável, tendo em vista as eleições ao Governo de Minas. Recentemente, surgiu a notícia de que um forte movimento está sendo feito para desidratar a campanha do candidato à reeleição, o governador Mateus Simões (PSD). Os rumores sobre essa tese foram levantados nos bastidores do Parlamento mineiro, quando passou a circular a seguinte informação. Para isolar cada vez mais o atual chefe do Executivo na peleja deste ano, existe o esboço de um projeto para turbinar a candidatura do presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe (PL). As fontes acrescentam que o pré-candidato estaria em conversações avançadas com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). O parlamentar está sendo convencido a apoiar Roscoe, em entendimento com apoio nacional das duas siglas. O grupo abriria espaço para garantir a eleição dos dois irmãos do senador: um que pleiteia ser deputado federal, e outro já em pré-campanha para a Assembleia Legislativa de Minas. Pacheco, a incógnita Ao longo dos anos, não se registrou um debate com situação atípica para o pleito ao Palácio Tiradentes. Desde o início de 2026, a cada hora se forma uma onda de comentários. Porém, o burburinho para saber o destino do senador Rodrigo Pacheco (PSB) sempre pautou os encontros de palpiteiros políticos. Decifrar efetivamente o que planeja o parlamentar mineiro é complicado. Até porque, o político não passa uma semana sem oferecer pistas diferentes a respeito de suas futuras labutas eleitorais. Sua empreitada é recheada de mistério. A esperada aliança entre o socialista e o PT visando o Governo do Estado, através do presidente Lula, continua na pauta. Porém, não com a mesma ênfase de outrora. Políticos dos partidos de esquerda categorizam que essa demora para traçar um rumo tem levado grandes siglas estaduais a acertarem alianças eleitorais, especialmente com Mateus Simões, Alexandre Kalil (PDT) e até mesmo em relação ao pré-candidato Gabriel Azevedo (MDB). A irritação nos bastidores de alguns nomes aliados de Pacheco se deve ao fato de sua morosidade em definir se está empenhado com o projeto de reeleição do presidente Lula. Na semana passada, em Contagem, já foi dito que seria bom a ex-prefeita Marília Campos (PT) ficar em estado de alerta. Ela pode ser convencida a mudar de rota, deixando de lado a sua pretensão em disputar o Senado e encabeçar chapa ao Palácio Tiradentes, caso essa celeuma envolvendo Rodrigo Pacheco não seja resolvida.

Ao menos uma em cada 10 crianças não vai à escola em 876 cidades

Segundo informações do novo indicador de atendimento escolar em nível municipal, elaborado pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), embora a matrícula na educação infantil seja obrigatória para crianças a partir dos 4 anos no Brasil, ainda existem muitas fora da escola. Em cerca de 16% dos municípios, o equivalente a 876 cidades, pelo menos 10% delas entre 4 e 5 anos não estão frequentando creches ou pré-escolas. As disparidades se tornam ainda mais evidentes quando se observa a localização dessas cidades. Na região Norte, por exemplo, 29% dos municípios (130 ao todo) apresentam índices inferiores a 90% de crianças nessa etapa de ensino. No Sul, esse cenário é menos acentuado, com 11% dos municípios registrando menos de 90% das crianças de 4 a 5 anos na escola. No Centro-Oeste, esse percentual chega a 21% (99 municípios), enquanto no Nordeste é de 17% (304 municípios) e, no Sudeste, de 13% (213 municípios). Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com Lívia Maria Fraga, pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Infância e Educação Infantil – NEPEI/UFMG. Quais fatores estruturais explicam a exclusão de crianças da educação infantil no Brasil? Sob uma perspectiva interseccional das desigualdades, diversos estudos indicam que as principais diferenças no acesso à educação infantil estão relacionadas à localização e à renda. Crianças de áreas rurais têm cerca de 20% menos chances de frequentar creches do que as de áreas urbanas. Já o fator renda é ainda mais determinante: crianças de famílias de baixa renda possuem 30% menos acesso do que aquelas de maior renda, o que contraria a ideia de que a creche é um serviço destinado apenas às populações mais pobres. Quais são os benefícios de frequentar creche ou pré-escola nessa faixa etária? Pesquisas indicam que crianças que frequentam pré-escolas de qualidade têm trajetórias escolares mais bem-sucedidas, sobretudo quando as etapas seguintes também oferecem boas condições de ensino. A educação infantil favorece a socialização, amplia aprendizagens, desenvolve diferentes linguagens e contribui para uma formação baseada na igualdade de gênero e no respeito às relações étnico-raciais. Esses números escondem desigualdades ainda maiores quando se consideram renda, raça ou área urbana e rural? O Brasil ainda apresenta desigualdades no acesso à educação infantil, especialmente entre regiões. Norte, Centro-Oeste e Nordeste concentram os menores índices de atendimento. Isso se deve a dificuldades de acesso, como longas distâncias, transporte precário e uso de vias fluviais, além da menor oferta de instituições, relacionada à baixa arrecadação municipal e limitações de gestão. Na sua opinião, onde estão os principais gargalos: financiamento, infraestrutura, formação de professores ou gestão? A qualidade das creches e pré- escolas também pode gerar exclusão. Ela envolve a formação e valorização dos profissionais da educação infantil, boas condições de trabalho e infraestrutura adequada, com espaços, brinquedos e materiais pedagógicos. Inclui ainda gestão participativa e políticas públicas voltadas às populações mais vulneráveis. O que deveria ser prioridade imediata para reduzir esse déficit de matrículas? A boa gestão do financiamento da educação é essencial para políticas de primeira infância, que devem ser articuladas com saúde, assistência social e infraestrutura urbana. A ampliação do acesso também depende da busca ativa de crianças fora da pré-escola, da melhoria da acessibilidade e da garantia de atendimento inclusivo à educação especial.

CCBB Belo Horizonte no ranking dos 100 museus mais visitados

O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) passou a figurar entre os 100 museus mais visitados do mundo em 2025. De acordo com o ranking internacional divulgado pelo jornal “The Art Newspaper”, a instituição mineira alcançou a 69ª colocação na lista global. Ao longo do período analisado, o espaço cultural da capital recebeu cerca de 1,1 milhão de visitantes, consolidando um número bastante significativo. A entidade responsável estruturou o ranking a partir de informações oficiais disponibilizadas pelas próprias instituições culturais. Os dados considerados abrangem o intervalo de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2025, e o cálculo do público foi feito de forma criteriosa, com base na comercialização e na emissão de ingressos. Localizado na Praça da Liberdade, o Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte ocupa um edifício histórico que por si só já representa um patrimônio arquitetônico da cidade. Nos últimos anos, o espaço tem se destacado por oferecer uma agenda plural, que inclui exposições de artes visuais, mostras de cinema, espetáculos teatrais e atividades educativas. Essa combinação de atrações tem contribuído para ampliar o alcance do público e consolidar o CCBB como um ambiente de convivência e formação cultural. Para o museólogo Marcelo Cardoso, a presença do CCBB BH no ranking internacional simboliza uma mudança importante na percepção da produção cultural na cidade. “Quando um equipamento cultural de Belo Horizonte aparece em uma lista global como essa, há um reconhecimento não apenas da instituição, mas de todo um ecossistema artístico que vem sendo fortalecido na cidade. Isso estimula artistas locais, atrai exposições de grande porte e amplia o diálogo com circuitos internacionais”. lém do impacto simbólico, há reflexos diretos no turismo. Ele destaca que rankings como o do “The Art Newspaper” funcionam como uma vitrine global. “Turistas culturais buscam destinos que ofereçam experiências relevantes e reconhecidas. Estar entre os museus mais visitados do mundo coloca BH em um mapa estratégico, o que pode aumentar o fluxo de visitantes, movimentar a rede hoteleira, restaurantes e outros serviços ligados à economia criativa”. Outro ponto ressaltado é o papel do CCBB na democratização do acesso à cultura. Grande parte das atividades oferecidas pelo centro cultural é gratuita ou possui preços acessíveis, o que permite a participação de públicos diversos. Para o produtor cultural Rafael Lacerda, esse aspecto é fundamental para o sucesso da instituição. “O CCBB consegue equilibrar excelência artística com inclusão. Ao oferecer programação de alto nível com entrada gratuita ou a baixo custo, ele rompe barreiras históricas de acesso e aproxima diferentes camadas da população das artes”. Segundo Lacerda, esse modelo também contribui para a formação de novos públicos. “Muitas pessoas têm no CCBB o primeiro contato com uma exposição internacional ou com o teatro. Esse tipo de experiência pode transformar a relação do indivíduo com a cultura ao longo da vida”. Com a visibilidade internacional ampliada, o Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte se consolida não apenas como um ponto de referência local, mas como um agente relevante no cenário cultural global. A presença na lista dos museus mais visitados do mundo reforça o potencial da capital mineira como destino cultural e evidencia o papel estratégico de instituições que apostam na inclusão, na diversidade e na valorização da arte como instrumento de transformação social.

Alerta para casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave

Minas Gerais está entre os 14 estados em nível de alerta, risco ou alto risco para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com tendência de crescimento dos casos, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG). Até abril deste ano, foram notificadas 7.592 ocorrências de SRAG, sendo 428 por influenza. Conforme o Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os casos de SRAG por influenza A têm impactado crianças de até 4 anos e idosos. Em 2026, já foram notificadas 37.244 ocorrências. Destas, 15.816 (42,5%) tiveram resultado positivo para vírus respiratórios, 14.723 (39,5%) foram negativas e 3.990 (10,7%) ainda aguardam resultado. Também houve aumento das hospitalizações pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças menores de 2 anos de idade. A pesquisadora do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz (Procc/Fiocruz), Tatiana Portella, afirma que o VSR é um dos principais responsáveis por internações por SRAG nessa faixa etária. “O vírus também é uma das principais causas de bronquiolite. Por isso, é essencial que gestantes, a partir da 28ª semana, tomem a vacina contra o vírus para proteger seus bebês nos primeiros meses de vida”. O pediatra e intensivista pediátrico da Unimed-BH, Bruno Morais Damião, reforça que a principal medida de prevenção de SRAG são as vacinas. “Não existe outra forma de prevenir uma infecção viral grave, principalmente os abaixo de um ano, prematuros, e os menores de dois anos que têm comorbidades. A imunização é o mecanismo mais eficaz e estudado para esse tipo de síndrome”. Ele acrescenta ainda que os pais podem ensinar as crianças doentes a forma mais higiênica de toalete de vias respiratórias e nasal. “Como colocar o braço na frente da boca na hora de tossir; usar máscara, quando sabidamente estão com alguma infecção gripal; e levar ao médico quando ver algum sinal de gravidade, como falta de ar”. Já que esse sintoma é um dos principais sinais de SRAG, alerta Damião. “Percebemos a piora de um quadro gripal quando a infecção que começou mais leve, com obstrução nasal e febre no início, com o passar do tempo tem uma piora no estado geral e do padrão de respiração, insuficiência respiratória, principalmente nas crianças, que vão apresentar uma respiração mais acelerada”. SRAG De acordo com a SES/MG, a SRAG não é uma doença específica, mas um conjunto de sintomas graves que afetam a respiração. Começa como uma gripe, mas piora rapidamente, exigindo cuidados urgentes. Ela pode ser provocada por diversos tipos de vírus e bactérias, sendo as mais comuns, o vírus da gripe (Influenza); coronavírus, que causa a COVID-19; vírus sincicial respiratório (VSR) e outros que também atacam o sistema respiratório. O principal procedimento de tratamento é o suportivo, que é focado em estabilizar o paciente, garantindo oxigenação adequada e manejo dos sintomas enquanto o corpo combate a infecção subjacente. “A ideia é deixar o paciente hidratado, porque perde muito líquido pela via respiratória e tem que manter a oxigenação do sangue. Em alguns casos, só a oferta de oxigênio pelo cateter nasal é suficiente, em outros, precisam da ventilação não invasiva”, destaca o pediatra. O profissional complementa dizendo que a SRAG pode acometer qualquer faixa etária. “Desde crianças, adultos e idosos. É uma enfermidade grave, com possibilidade de insuficiência respiratória, e em alguns casos, com um atendimento mais intensivo”. A recomendação é procurar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), em casos leves. Já sintomas como falta de ar, respiração acelerada e piora do estado geral indicam a necessidade de atendimento imediato em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou hospitais.

Nomes bem avaliados para conquistar votos no pleito de 2026

Uma meia dúzia de ex-prefeitos em cidades de Minas Gerais estão embalados para disputar as eleições de 2026. A grande novidade é a confirmação do nome do jornalista e radialista Eduardo Costa, que já está em plena atividade política, visitando as lideranças com destaque para contatos a partir de eventos na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Nos bastidores da Assembleia Legislativa, consta que Eduardo será apoiado pelo deputado João Vítor Xavier, agora cumprindo período de licença para cuidar de assuntos particulares, pois se tornou o principal executivo do grupo de comunicação, compreendendo a Rádio Itatiaia e a CNN Brasil, em São Paulo. Falcão na disputa Ao renunciar ao cargo de prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (Republicanos) deixou também o importante posto de presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM). Quando estava no comando de sua cidade, se gabava de ter sido eleito para o segundo mandato com algo em torno de 80% dos votos. Nesse limiar de maio, o futuro político de Falcão parece incerto. Seu projeto inicial previa compor chapa, na qualidade de vice, do pré-candidato ao Governo do Estado, senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Amigos do ex-prefeito afiançam que se ele não for aproveitado como vice-governador, poderá pleitear uma vaga na Câmara Federal, com potencial de conquistar muitos votos somente em Patos de Minas, o que lhe garantiria uma possível vitória consagradora. Incentivado por amigos do ninho tucano, o ex-atleta e ex-deputado João Leite é outro nome alentado para pleitear uma vaga no Congresso Nacional. Atualmente conectado com projetos de logística de transportes, Leite é tido como um nome muito querido pelos evangélicos, especialmente no que diz respeito à Igreja da Lagoinha, espaço de orações frequentado por toda a sua família. Comandando há mais de cinco anos o programa de TV denominado “Mundo dos Negócios”, na TV Band Minas, o empresário e advogado Fabiano Cazeca tem projeto encaminhado para tentar conquistar uma cadeira no Parlamento Federal. Pessoas próximas dizem que esta é a sua grande oportunidade, sobretudo por haver se tornado mais conhecido pela população por conta de sua imagem associada ao mundo televisivo.

Lei da Escuta Protegida ainda enfrenta desigualdades no Brasil

Sancionada em 2017, a Lei nº 13.431, conhecida como Lei da Escuta Protegida, instituiu no Brasil um novo modelo de atendimento voltado a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência. A norma criou mecanismos para evitar a revitimização – situação em que a vítima precisa repetir diversas vezes relatos traumáticos em ambientes inadequados – e estabeleceu procedimentos específicos, como a escuta especializada e o depoimento especial. A legislação também determinou a atuação articulada entre os setores de saúde, assistência social, educação, segurança pública e Justiça, com foco na proteção integral, no acolhimento humanizado e na responsabilização dos agressores. Nove anos depois, a lei é considerada um marco na defesa da infância, embora ainda enfrente obstáculos para sua plena implementação em todo o país. Em entrevista ao Edição do Brasil, o superintendente de Advocacy da Childhood Brasil, Itamar Gonçalves, analisa os avanços e os desafios desse processo. Nove anos após a sanção da lei, o Brasil conseguiu incorporar o princípio de evitar a revitimização? Houve um avanço real no campo normativo e também na conscientização. Hoje existe maior entendimento sobre os efeitos perversos da revitimização, que é uma forma de violência institucional. Profissionais da saúde, educação, assistência social, segurança pública e Justiça passaram a reconhecer a importância de métodos mais adequados. Mas, na prática, ainda enfrentamos limitações estruturais importantes. Quais avanços mais concretos podem ser destacados nesse período? Um dos principais indicadores é o crescimento das salas de depoimento especial. Saímos de apenas duas salas em 2003 para mais de 1.800 em 2025. Também houve criação de comitês de gestão colegiada e maior mobilização social em torno da proteção da infância. Por que a implementação segue desigual entre as regiões do país? Principalmente por falta de infraestrutura adequada e ausência de equipes capacitadas. Em muitas comarcas, especialmente no Norte e Nordeste, ainda faltam espaços apropriados e profissionais treinados no Protocolo Brasileiro de Entrevista Forense. Isso revela que o país ainda precisa de investimento contínuo e coordenação federativa efetiva. A integração entre os órgãos que compõem a rede de proteção ainda é um desafio para que a lei funcione de forma plena e articulada? Sem dúvida. A lei pressupõe fluxos e protocolos unificados entre conselhos tutelares, escolas, saúde, delegacias e Justiça. Porém, a maioria dos crimes contra crianças e adolescentes ainda é investigada por delegacias comuns, muitas vezes sem preparo técnico para lidar com vítimas dessa faixa etária. Sem rede integrada, a eficácia da lei fica comprometida. Além da desigualdade regional e da falta de integração, que outros gargalos ainda preocupam na aplicação da lei? Falta estrutura pericial em muitos municípios, faltam protocolos nos Institutos Médico-Legais e a coleta de vestígios pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não se tornou realidade em todo o país. Além disso, muitas vítimas são ouvidas muito tempo depois do fato ocorrido, o que prolonga o sofrimento das famílias. O que precisa ser prioridade daqui para frente para que a legislação avance de forma efetiva em todo o país? Precisamos fortalecer o Pacto Nacional pela Implementação da Lei da Escuta Protegida e ampliar os esforços de estados e municípios. Mais do que reconhecer avanços, é necessário universalizar essas práticas, com compromisso institucional, monitoramento e investimento contínuo. A violência contra crianças e adolescentes é prevenível e pode ser enfrentada por uma rede verdadeiramente integrada e humanizada.