Dormir poucas horas pode impactar a saúde dos adolescentes

Uma pesquisa publicada na revista científica JAMA, conduzida com 120 mil jovens, apontou que 76,8% dos adolescentes apresentam privação de sono, dormindo sete horas ou menos por noite. O levantamento também mostrou que cerca de 25% descansam somente cinco horas diariamente. No Brasil, informações da Fundação Oswaldo Cruz indicam que aproximadamente metade dos jovens não alcança a quantidade mínima de sono recomendada. A privação de sono entre adolescentes tem sido associada a uma série de problemas de saúde e dificuldades no cotidiano. Alterações de humor, dificuldade de concentração, baixo rendimento escolar, ansiedade e aumento do risco de doenças cardiovasculares estão entre as consequências mais comuns. Além disso, o uso excessivo de telas e a rotina intensa de estudos e atividades extracurriculares aparecem como alguns dos principais fatores responsáveis pela redução das horas de descanso. Para a neurologista Helena Duarte, o organismo dos adolescentes sofre impactos profundos quando o descanso adequado deixa de fazer parte da rotina. “O sono é um processo biológico essencial para a consolidação da memória, para o equilíbrio hormonal e para a recuperação do corpo. Quando um jovem dorme menos do que precisa, ele passa a apresentar sinais claros de desgaste físico e mental, mesmo que não perceba”. Segundo a médica, a privação contínua de sono interfere diretamente na capacidade de aprendizado. “Muitos adolescentes acreditam que estudar até tarde da noite melhora o desempenho escolar, mas ocorre o contrário. Sem dormir adequadamente, o cérebro perde eficiência na retenção de informações, na criatividade e na capacidade de resolver problemas”. Além dos prejuízos cognitivos, os impactos emocionais também chamam atenção. A irritabilidade e a dificuldade em lidar com frustrações tendem a aumentar em jovens que dormem pouco. “Existe uma relação forte entre privação de sono e transtornos emocionais, como ansiedade e depressão. O cérebro cansado reage de forma mais intensa aos estímulos negativos do cotidiano”, destaca Helena. Outro ponto de preocupação é o risco de acidentes. Jovens sonolentos apresentam mais dificuldade de atenção no trânsito, em atividades físicas e até em tarefas simples do dia a dia. “O déficit de sono reduz os reflexos e a capacidade de tomar decisões rápidas. Isso pode representar um perigo para adolescentes que já dirigem ou utilizam motocicletas”. A psicóloga Lara Fagundes, avalia que a rotina contemporânea tem contribuído diretamente para o problema. “Os adolescentes vivem hoje em um ambiente de hiperconexão. Muitos passam horas nas redes sociais, jogando on-line ou assistindo vídeos até de madrugada. O celular se tornou um dos principais responsáveis pela redução das horas de sono”. Existe ainda uma pressão social relacionada à produtividade, relata Laura. “Há jovens que acumulam escola, cursos, atividades físicas e responsabilidades familiares. Em meio a tantas exigências, o sono acaba sendo visto como algo secundário”, explica. A especialista também ressalta que muitos adolescentes enfrentam dificuldades emocionais silenciosas, o que pode agravar a insônia. “Ansiedade relacionada ao futuro, pressão estética e comparações nas redes sociais fazem com que muitos tenham dificuldade para relaxar antes de dormir”. Ela alerta que mudar esse cenário exige uma mudança nos hábitos diários. Entre as recomendações está estabelecer horários fixos para dormir e acordar, inclusive aos fins de semana. “O cérebro funciona melhor quando existe regularidade. Dormir cada dia em um horário diferente dificulta a produção adequada de melatonina, hormônio responsável pelo sono”. Helena destaca que o uso excessivo de celulares, tablets e computadores antes de dormir prejudica a qualidade do sono, já que a luz das telas reduz a sensação de cansaço e mantém o cérebro em estado de alerta. A recomendação é evitar aparelhos eletrônicos uma hora antes de deitar. Hábitos como consumir café, energéticos e refeições pesadas à noite também podem atrapalhar o descanso. Manter o quarto escuro, silencioso e confortável, e praticar exercícios físicos regulares, ajuda o organismo a relaxar e melhora a qualidade do sono.

Vendas do Dia dos Namorados devem injetar R$ 22 bilhões

O Dia dos Namorados de 2026, comemorado em 12 de junho, se destaca como uma das datas mais importantes para o varejo no Brasil. De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, a expectativa é de que aproximadamente 93 milhões de consumidores participem das compras, impulsionando o comércio nessa ocasião. Em média, os brasileiros devem gastar cerca de R$ 238 na compra de presentes para a data, o que pode gerar uma movimentação de aproximadamente R$ 22,14 bilhões nos setores de varejo e serviços. A pesquisa também indica que a maior parte dos consumidores pretende presentear cônjuges (58%) ou parceiros (as) (34%). Além disso, 61% dos entrevistados afirmam que devem comprar apenas um presente, enquanto 27% planejam adquirir dois itens, resultando em uma média de 1,4 presentes por consumidor. Os itens mais desejados pelos consumidores incluem roupas (38%), seguidos por perfumes, cosméticos e maquiagens (34%). Também aparecem na lista calçados (20%), jantares (20%) e bombons ou chocolates (18%). Em relação às comemorações, 39% dos entrevistados pretendem celebrar a data em casa, enquanto 31% devem optar por restaurantes e 8% planejam comemorar em hotéis ou motéis. A maior parte dos consumidores (75,70%) afirma que pretende adquirir os presentes em lojas físicas. Sobre o pagamento, a forma à vista será a mais utilizada, representando 69% das intenções, com destaque para o Pix (34%). Já o pagamento parcelado é mencionado por 28% dos consumidores, principalmente no cartão de crédito (22%), com média de 3,5 parcelas. Para a economista Paula Albuquerque, o desempenho expressivo do Dia dos Namorados está ligado à combinação entre emoção e estratégia comercial. “É uma data em que o consumo é altamente simbólico. As pessoas não compram apenas um produto, mas uma forma de demonstrar afeto. Isso reduz a sensibilidade ao preço em muitos casos e amplia o potencial de vendas, especialmente em categorias como moda, beleza e gastronomia”. O crescimento do uso de meios de pagamento instantâneos também contribui para acelerar decisões de compra, segundo Paula. “O Pix, por exemplo, reduz a fricção na hora da transação e favorece a conclusão imediata da venda, o que é muito importante em períodos de alta demanda”. Já o especialista em varejo, Eduardo Naves, destaca que o resultado positivo para o comércio também depende de estratégias bem estruturadas ao longo das semanas que antecedem a data. “O varejo que se sai melhor é aquele que não espera a última hora. Campanhas antecipadas, vitrines temáticas e comunicação emocional ajudam a criar conexão com o consumidor e aumentam o fluxo nas lojas”. Na avaliação de Naves, a integração entre canais físicos e digitais também é determinante. “O cliente quer praticidade. Ele pesquisa on-line, compara preços e muitas vezes finaliza a compra na loja física. As marcas que conseguem unir esses dois ambientes saem na frente”. Apesar do potencial de consumo, os especialistas alertam para a necessidade de planejamento financeiro por parte dos consumidores. Com o aumento do uso do crédito e do parcelamento, o risco de endividamento pode crescer se não houver controle dos gastos. Paula recomenda cautela. “O ideal é estabelecer um orçamento antes de sair às compras e respeitá-lo. O parcelamento deve ser usado com cuidado, porque pequenas prestações acumuladas podem comprometer a renda dos meses seguintes. Presentear não precisa significar desequilibrar as finanças pessoais”. Do lado das empresas, o Dia dos Namorados segue sendo uma oportunidade estratégica para ampliar vendas e fidelizar clientes. Além de promoções e descontos, o varejo tem investido em experiências personalizadas, kits temáticos e ações voltadas à jornada completa do consumidor. “Não se trata apenas de vender mais barato, mas de criar uma experiência marcante. Embalagens especiais, atendimento diferenciado e ações digitais bem planejadas podem influenciar a decisão de compra”, finaliza Naves.

Prefeitos das maiores cidades na mira dos candidatos ao governo

Como há uma indefinição quanto aos nomes que irão participar da campanha ao Governo de Minas em 2026, os pretendentes a esse projeto buscam com toda ênfase apoio dos prefeitos, especialmente nas maiores cidades. Isso será importante no início das campanhas, no sentido de empolgar as lideranças de outros municípios. Neste projeto relativamente ao pilar de sustentação política na peleja estadual, um dos nomes mais cobiçados é do prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), cujo município registra aproximadamente dois milhões de eleitores. Se o chefe do Executivo da capital não está ainda tão popular a ponto de transferir votos a um possível apadrinhado, também é verdade que ele não tem desgastes mais expressivos em sua administração. Portanto, uma aliança com Damião de qualquer que seja o proponente ao Palácio Tiradentes, pode ser uma janela de oportunidade. Outros nomes significativos No segundo colégio eleitoral do Estado, Uberlândia, ostentando quase 500 mil eleitores, pode significar um reforço para quem almeja a aproximação com o atual prefeito da cidade, Paulo Sérgio (PP). O mandatário tem realizado grandes feitos no município, e sua inclinação para qualquer um dos pré-candidatos tem ares de importância nesta eleição ao governo mineiro. A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), pelas suas ligações políticas, tende a ficar com um nome ligado à esquerda, cujo escolhido ainda é uma incógnita. Vale registrar que JF é o terceiro maior aglomerado de votos, com mais de 400 mil eleitores. Na Região Metropolitana de Nova Lima, o prefeito João Marcelo Dieguez (Cidadania) merece uma observação positiva. Diferentes institutos de pesquisa o classificam com mais de 80% de popularidade. Ele é hoje uma das fortes lideranças municipalistas do Estado, especialmente pelo fato de ter elevado a sua cidade à categoria de uma das melhores urbes de Minas e do Brasil para se viver. Com certeza, o prefeito nova-limense é uma de figuras mais cortejadas neste momento, por todos os políticos que almejam voos mais altos do comando na política majoritária e proporcional de Minas Gerais. O prefeito de Betim, Heron Guimarães (União Brasil), e o de Montes Claros, Guilherme Guimarães (União Brasil), são lideranças fortes. Se estão politicamente hibernados, deve ser pelo fato de as campanhas estarem ainda apenas nas redes sociais. Com a cassação do prefeito de Governador Valadares, Coronel Sandro Fonseca (PL), semana passada, o município está fragilizado em relação a este tipo de abordagem eleitoral. Em Ipatinga, Capital do Vale do Aço, as debilidades administrativas do prefeito Gustavo Nunes (PL) o deixam à margem dessa empreitada.

Medo da criminalidade muda comportamento dos brasileiros

A violência urbana deixou de ser apenas um problema estatístico e passou a moldar diretamente a rotina da população brasileira. Evitar determinados trajetos, restringir horários de circulação e abrir mão de objetos pessoais se tornaram medidas de autoproteção adotadas por milhões de pessoas diante do avanço da criminalidade. Pesquisa recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha revela que 41% da população afirma conviver com o crime organizado na região onde mora, enquanto cresce a sensação de que o Estado perdeu espaço para as facções em diversas áreas urbanas do país. Em entrevista ao Edição do Brasil, o especialista em Inteligência Policial e Segurança Pública, André Santos Pereira, analisa os principais impactos desse cenário sobre a liberdade da população e aponta alguns caminhos para enfrentar o avanço crescente da violência e da impunidade. Como a percepção de domínio das facções impacta a relação da população com os espaços públicos? A percepção de que o crime organizado domina o território altera drasticamente a relação do cidadão com a cidade. Isso se manifesta fisicamente por meio de barricadas e vigilância armada, restringindo o direito constitucional de ir e vir. O espaço público deixa de ser um local de convivência e passa a ser visto como território de risco, pautado pelas regras impostas pelas facções, como a cobrança de taxas ilegais a comerciantes. Mesmo com redução de alguns crimes violentos, cresce a sensação de insegurança. O que explica esse descompasso? Existe um grave descompasso entre a propaganda do governo e a realidade das ruas. A redução de crimes letais não anula o impacto dos delitos do dia a dia, como roubos de celulares e golpes virtuais. A população baseia seu medo na sensação de onipresença da criminalidade comum e na baixa capacidade de punição desses crimes patrimoniais, o que gera insegurança generalizada. A mudança de hábitos da população representa uma normalização da violência? Sim. Quando o cidadão deixa de sair à noite ou evita usar seus pertences de valor como alianças e celulares para se autopreservar, a violência deixa de ser apenas um evento fortuito e passa a ser um elemento estruturante da vida urbana. Isso revela uma normalização patológica da insegurança e sinaliza uma questão bastante preocupante: a sociedade passou a aceitar a incapacidade do Estado em garantir proteção mínima das pessoas. Mulheres e pessoas de baixa renda aparecem entre os grupos mais afetados. O que pode ser feito? É necessário ampliar o monitoramento eletrônico ativo de agressores, garantindo aplicação em massa de tornozeleiras em casos de violência contra a mulher. Além disso, o poder público deve investir em inteligência policial, tecnologia e identificação imediata de criminosos em áreas de grande circulação, assegurando que o policiamento e a investigação cheguem às periferias e aos centros urbanos. O programa “Brasil Contra o Crime Organizado” pode trazer resultados concretos? A iniciativa é necessária, mas o sucesso depende de ultrapassar o papel. O combate à lavagem de dinheiro e o bloqueio de ativos são fundamentais para asfixiar economicamente as facções. O principal desafio é garantir integração de dados entre forças de segurança e entes federativos, além de enfrentar a impunidade. Quais mudanças estruturais seriam mais urgentes para restaurar a sensação de segurança? É urgente fortalecer a investigação criminal com investimento em inteligência policial e cibernética, além de revisar regras de progressão de regime e benefícios penais para crimes violentos. A população só voltará a confiar nas instituições quando o risco de cometer um crime for maior do que o benefício obtido com ele.

Cancelamentos de corrida são queixas dos apps de transporte

O cancelamento de corridas poucos minutos antes do embarque é a principal reclamação do artista cênico Gustavo Gomes, de 61 anos, sobre os aplicativos de transporte. O usuário utiliza o serviço pelo menos duas vezes por semana. Gomes alega que esse problema gera atrasos nos seus compromissos. “Se a gente cancela, recebemos multa. Quando eles cancelam, não temos nenhum respaldo. Sou morador de Sete Lagoas, na região Central, e utilizo o aplicativo da 99 para o lazer. Mas, encontro algumas dificuldades na prestação desse serviço, por exemplo, encontrar motoristas em determinados horários”. Segundo dados do ProconData, entre 1º de janeiro e 28 de abril de 2026, foram registradas 1.181 reclamações dos aplicativos Uber, 99, Indrive e Lady Driver, em Minas Gerais. Em Belo Horizonte, no mesmo período, foram 552 manifestações no Procon e na Ouvidoria do Ministério Público de Minas Gerais. Conforme uma análise realizada pela Peck Advogados, baseada nos dados da plataforma Reclame Aqui, as queixas dos consumidores obtiveram uma alta de 19,5%, entre 2022 e 2023. Foi um aumento de 100 mil para 124 mil registros. Falta de transparência nas tarifas, motoristas pouco preparados ou mal avaliados, atrasos significativos, e, em alguns casos, problemas de segurança, foram as principais reclamações. O sócio da Peck Advogados, Henrique Rocha, destaca que uma das principais razões por trás desse aumento está relacionada à expansão rápida e à falta de regulação efetiva. “A concorrência acirrada entre diferentes empresas de aplicativos de transporte privado levou a práticas comerciais agressivas, resultando em serviços inconsistentes e inadequados”. “A resistência de algumas empresas em lidar efetivamente com as reclamações dos usuários e implementar mudanças positivas em resposta ao feedback contribuiu para a persistência desses entraves”, afirma Rocha. O Procon e a Secretaria Nacional do Consumidor recomendam que, diante de problemas com aplicativos de transporte, o consumidor utilize os canais oficiais da plataforma e, caso não resolvido, registre a queixa em órgãos de defesa do consumidor. Jornadas longas O motorista Willian Mendes, de 35 anos, que trabalha para os aplicativos Uber, 99 e Indrive em Belo Horizonte e Região Metropolitana, ressalta que os principais desafios do dia a dia são a insegurança, a baixa remuneração e a falta de suporte. “São entre 10 e 12 horas à frente do volante e o valor pago pelas corridas é péssimo. O suporte oferecido pelos aplicativos é muito ruim e o atual modelo de gestão afeta a qualidade do serviço”. Já o condutor Gustavo Brant, de 44 anos, que trabalha com a Uber e, esporadicamente, a 99 Pop, aponta também a insegurança e a instabilidade dos ganhos como as principais dificuldades. “Sou motorista de aplicativo desde 2018, trabalho entre 8 e 12 horas por dia. O pagamento por corrida, na maioria das vezes, é baixo diante dos custos que temos, com manutenção do veículo e combustível, além do desgaste físico e mental”. Ele pontua que o suporte oferecido pelos aplicativos poderia ser melhor. “Muitas vezes, o motorista sente falta de um atendimento mais humano e de soluções mais rápidas para problemas importantes. E o modelo atual das plataformas acaba impactando a qualidade do serviço, porque os condutores precisam trabalhar jornadas muito longas para conseguir manter a renda, o que gera desgaste e afeta toda a operação”. “Já precisei cancelar corridas em algumas situações, principalmente quando o embarque era em local de risco, o passageiro demorava excessivamente, não compensava financeiramente ou havia informações desencontradas no chamado”, pontua. Brant conta também que já teve situações envolvendo avaliações injustas e problemas no aplicativo. “Mas, felizmente nunca tive bloqueio definitivo. Muitos motoristas vivem com receio constante de punições automáticas. Porém, ainda acho que vale a pena continuar no serviço, principalmente pela flexibilidade de horário”. A reportagem entrou em contato com os aplicativos Uber, 99 e Indrive, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.

Onicofagia: quando o hábito de roer unhas vira um transtorno

A onicofagia, termo médico utilizado para descrever o hábito compulsivo de roer unhas, é frequentemente tratada como um comportamento simples ou um vício sem maiores consequências. No entanto, especialistas alertam que o problema pode estar associado a transtornos emocionais, ansiedade e até dificuldades de regulação emocional, afetando não apenas a saúde física, mas também a autoestima e a vida social de quem convive com a condição. Embora seja mais comum na infância e na adolescência, o hábito pode persistir na vida adulta e, em casos mais graves, exigir acompanhamento psicológico e psiquiátrico. De acordo com um estudo publicado na revista científica National Library of Medicine, 20% a 30% da população mundial, em todas as faixas etárias, roem as unhas. O comportamento costuma surgir de forma aparentemente inofensiva, muitas vezes em momentos de tensão, preocupação ou tédio, mas pode evoluir para episódios repetitivos e difíceis de controlar. As consequências incluem deformações nas unhas, infecções bacterianas e danos aos dentes. A psicóloga Lara Fagundes explica que a onicofagia está diretamente relacionada ao modo como o cérebro responde ao estresse. “Roer as unhas funciona, para muitas pessoas, como uma válvula de escape emocional. O ato produz uma sensação momentânea de alívio e ajuda a descarregar tensão acumulada. O problema é que o cérebro passa a associar esse comportamento ao conforto emocional, criando um ciclo repetitivo”. Embora a ansiedade seja um dos fatores mais comuns associados ao problema, ela não é a única causa. “Existem pacientes que desenvolvem o hábito por imitação durante a infância, enquanto outros apresentam a condição ligada a transtornos obsessivo-compulsivos, hiperatividade ou dificuldades emocionais mais profundas. Em muitos casos, a pessoa nem percebe que está roendo as unhas, porque o comportamento se torna automático”, afirma Lara. O diagnóstico da onicofagia é clínico e geralmente realizado por psicólogos, psiquiatras ou dermatologistas. A avaliação considera a frequência do comportamento, o grau de lesão provocado nas unhas e o impacto emocional causado pela compulsão. Em situações mais graves, o hábito pode provocar sangramentos constantes, dores e infecções recorrentes. A dermatologista Helena Moura destaca que o problema vai muito além da questão de estética. “As unhas funcionam como uma barreira de proteção natural do corpo. Quando a pessoa rói constantemente essa estrutura, abre portas para fungos, bactérias e inflamações. Também há alguns riscos odontológicos importantes, como desgaste dos dentes, retração gengival e alterações na mordida”. Entre os principais sintomas observados em pacientes com onicofagia estão unhas muito curtas, deformadas ou irregulares, feridas ao redor dos dedos, cutículas machucadas e sensação frequente de culpa após os episódios compulsivos. Muitos pacientes relatam vergonha de mostrar as mãos em ambientes sociais ou profissionais, o que pode agravar quadros de insegurança e isolamento. “O sofrimento emocional costuma ser silencioso, segundo Lara. “Há pessoas que tendem a esconder as mãos o tempo todo ou evitam interações sociais por vergonha do estado das unhas. Isso afeta a autoestima e pode gerar um impacto psicológico significativo”. Especialistas ressaltam que a onicofagia não deve ser encarada apenas como falta de disciplina ou “mania”. O comportamento compulsivo possui componentes emocionais complexos e, em determinados casos, está relacionado a transtornos de ansiedade e depressão. O tratamento varia conforme a intensidade do quadro e as causas associadas. Helena explica que existem ainda recursos complementares usados para reduzir o impulso compulsivo. “Muitos pacientes se beneficiam do uso de bases com sabor amargo aplicadas nas unhas, além de cuidados estéticos que ajudam a preservar a aparência das mãos e reforçam a motivação para abandonar o hábito. Em situações mais severas, pode haver indicação de medicamentos para controle da ansiedade, sempre com acompanhamento médico”. A família também desempenha papel importante no tratamento, principalmente quando a onicofagia aparece na infância. Especialistas alertam que punições e críticas excessivas tendem a aumentar a ansiedade da criança, piorando o comportamento.

Clésio topa ser candidato ao governo, se obtiver apoio de Lula

Nas últimas semanas, a sucessão ao Governo de Minas tem sido uma espécie de fábrica de informações truncadas, expondo ainda mais a indecisão de grupos e partidos políticos. Nos bastidores, nomes que não têm apoio para pleitear o posto de chefe do Executivo podem ser listados com fartura, porém, menciona-se o exemplo do empresário Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar. Josué não vem a Minas há 15 anos e seria um ilustre desconhecido por parte do povo mineiro. Para matemáticos da política mineira, não passa de balela a sugestão quanto a indicação do ex-procurador de Justiça de Minas, Jarbas Soares, rumo ao posto de candidato ao Palácio Tiradentes no projeto eleitoral de 2026. Conforme avaliação, Jarbas conquistou bons amigos ao longo do tempo, mas pela natureza de sua atividade profissional, representando o Ministério Público, também deixou um número preponderante de pessoas insatisfeitas. Clésio e Marília Reativamente aos debates relacionados ao pleito deste ano, algumas indefinições marcaram a semana envolvendo os nomes do senador Rodrigo Pacheco (PSB), Flávio Roscoe (PL) e Cleitinho Azevedo (Republicanos). Eles têm emitido sinais trocados, ora afiançando serem pré-candidatos, e depois desmentem a informação. A novidade mais recente, que não foi desmentida até o momento, foi um encontro do empresário Clésio Andrade com a pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT). Na conversa, ambos trataram de vários assuntos e foi aventada a possibilidade de o nome de Clésio receber aval do presidente Lula (PT) na peleja deste ano. Nos bastidores da Assembleia Legislativa, onde o contato de Clésio com o PT passou a ser disseminado, acrescentou-se que ele teria mantido contato também com o deputado federal Reginaldo Lopes (PT), ou seja, sua incursão nessa vertente da esquerda parece ser uma realidade. Em síntese, tudo está no patamar como vem sendo noticiado nos últimos dias. Vale rememorar que os nomes já confirmados para o certame eleitoral deste ano são: governador Mateus Simões (PSD), Alexandre Kalil (PDT) e o ex-presidente da Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB). Jornalistas da crônica política mineira apostam que as especulações tendem a ser ainda mais intensas nos últimos dias do mês de maio.

Qualidade da água dos rios da Mata Atlântica segue precária

As águas dos rios da Mata Atlântica seguem impactadas pela poluição e exigem tratamento para abastecimento e outros usos. O diagnóstico do estudo do Retrato da Qualidade da Água nos Rios da Mata Atlântica, da Fundação SOS Mata Atlântica indica que, entre janeiro e dezembro de 2025, quase 80% dos pontos monitorados apresentaram qualidade regular. Minas Gerais e outros cinco estados continuaram nessa categoria, em comparação com 2024. Segundo a pesquisa, o principal entrave para a recuperação dos rios permanece sendo a falta de saneamento adequado. Para analisar os desafios jurídicos e ambientais relacionados ao tema, o Edição do Brasil conversou com o advogado especializado em direito ambiental, mineração e energia, Ricardo Carneiro. Minas Gerais possui legislação suficiente para proteger os recursos hídricos ou ainda existem lacunas legais? Possui sim, desde a década de 1990. Existe uma Política Estadual de Recursos Hídricos, com instrumentos compatibilizados com a legislação federal, órgãos gestores e instrumentos de natureza econômica. O problema é mais a falta de gestão efetiva e de planejamento, do que a ausência de legislação aplicável. Após os desastres de Mariana e Brumadinho, houve avanço real nas políticas de proteção da água em Minas? Não diretamente ligadas à proteção da água, mas ao gerenciamento de barragens de rejeitos de mineração, com uma série de atos normativos editados pela Agência Nacional de Mineração (ANM). O descarte irregular de esgoto nos rios poderia gerar responsabilização mais severa aos municípios?Não só poderia, como deveria haver punição, além do ajuizamento de ações por parte do Ministério Público. O problema, como sempre, é mais do que jurídico; é político. O país está atrasado na implementação de políticas de saneamento, embora haja linhas de financiamento que poderiam ser utilizadas para a execução de Estações de Tratamento de Esgotos. Porém, quase nunca o saneamento é prioridade no âmbito dos municípios, não havendo interesse político no enfrentamento do tema, após os períodos eleitorais. Até que ponto a falta de investimento em saneamento pode caracterizar omissão das prefeituras? A omissão, na maioria das vezes, resulta de inércia das prefeituras, que preferem investir em obras mais visíveis ou apenas na canalização de rios e córregos, sem enfrentar o problema da qualidade da água. Quase sempre as áreas urbanas nas cidades brasileiras dificultam o recolhimento de esgotos e efluentes domésticos, dependendo também da colaboração das pessoas. O Ministério Público tem conseguido atuar de forma efetiva na proteção dos recursos hídricos? O esforço de solução é permanente, mas as ações dos Promotores de Justiça quase sempre esbarram na falta de recursos das prefeituras, cujos orçamentos públicos ficam comprometidos com o pagamento de salários dos servidores, sem capacidade de investimento em saneamento básico. A flexibilização de licenciamentos ambientais pode aumentar os riscos para a qualidade da água? São problemas distintos e não se pode cair no raciocínio simplista de que a flexibilização ou simplificação do processo de licenciamento ambiental aumente o risco de piora na qualidade da água. O licenciamento ambiental autoriza impactos e não riscos ambientais de desastres. Na verdade, o país burocratiza demais o licenciamento e tem estrutura de menos nos órgãos ambientais. O problema é a vontade política e não o licenciamento ambiental. Quais medidas deveriam ser prioridade imediata para recuperar os rios da Mata Atlântica e melhorar a qualidade da água em Minas Gerais? Seguramente, conter o desmatamento irregular, mediante ações de controle e fiscalização permanentes. A população possui instrumentos legais para cobrar melhorias na qualidade da água e no saneamento? Tem vários, mas os cidadãos precisam ter vontade de participar e cobrar dos políticos eleitos a implementação de políticas públicas. A maioria das pessoas reclama dos problemas, mas não se vê como ator fundamental do processo de gestão dos interesses públicos.

NR-1: empresas deverão monitorar riscos à saúde mental

A entrada em vigor da fase de fiscalização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), a partir de 26 de maio, marca uma mudança significativa na forma como as empresas brasileiras devem lidar com a saúde mental no ambiente de trabalho. Após um período de adaptação, o Ministério do Trabalho e Emprego passa a exigir, na prática, a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com possibilidade de autuações imediatas. Segundo a advogada trabalhista Naiara Insauriaga, o momento representa a transição definitiva de um modelo burocrático para uma gestão efetiva. “A partir desta data, a fiscalização passa a ser plena. Empresas que negligenciarem a inclusão dos riscos psicossociais em seu inventário do PGR estarão expostas a sanções imediatas. O risco aqui não é apenas a multa, mas a fragilidade jurídica e o impacto direto no bem-estar e na produtividade das equipes”. Um dos principais desafios, de acordo com Naiara, é romper com a visão de que saúde mental no trabalho se resume a ações pontuais de bem-estar. Ela explica que há uma diferença clara entre iniciativas isoladas e o cumprimento da norma. “Enquanto o bem-estar é uma escolha de marca empregadora, a NR-1 exige uma atuação técnica, direcionada e preventiva”. “No Judiciário e na fiscalização, o que protege o patrimônio da empresa não é a intenção generosa, mas a evidência de uma gestão de riscos precisa e individualizada”, acrescenta. Nesse contexto, a advogada alerta que um dos principais erros é a adoção de soluções genéricas, criando uma falsa sensação de segurança e podem ser consideradas ineficazes em fiscalizações. “Muitas organizações estão utilizando análises que falham ao não espelhar a realidade específica de cada cargo e as nuances que são parte do ambiente organizacional“. Ela lembra que a exigência vale para empresas de todos os portes. Embora micro e pequenas possam contar com simplificações administrativas, a cobrança por resultados efetivos é a mesma. “O fiscal não quer saber apenas se a empresa tem o PGR, mas se esse documento foi atualizado para contemplar a saúde mental”. Ambiente e liderança no centro A psicóloga e especialista em saúde mental no trabalho, Janaína Fidelis, afirma que muitos ambientes já apresentam sinais claros de adoecimento. “O aumento do absenteísmo, a rotatividade elevada e equipes silenciosas, com medo de se posicionar, são indicativos de que o ambiente não é psicologicamente seguro. O burnout é o estágio final de um processo que já vinha dando sinais há muito tempo”. Para a psicóloga, a nova exigência pode contribuir para a redução desses quadros, desde que aplicada de forma consistente. “A regulamentação obriga as organizações a reconhecerem que riscos psicossociais existem e precisam ser gerenciados. Mas o que faz diferença é o que a empresa faz com essa exigência”. Um ponto central é o papel da liderança. “O problema não é a cobrança por resultados, mas como ela é feita. Desempenho saudável existe quando há clareza de metas, recursos e espaço para diálogo. Já a gestão tóxica aparece quando a pressão é constante, desorganizada e desproporcional”, afirma Janaína. Ela acrescenta que líderes despreparados tendem a potencializar problemas estruturais. “A insegurança prolongada é um dos principais gatilhos do adoecimento emocional”. Além disso, a participação dos trabalhadores depende de um ambiente seguro. “Não existe prevenção real sem segurança para falar. Se há medo de retaliação, isso já é um indicador de risco psicossocial”, finaliza Janaína.

60% das mortes por câncer de testículo são em homens jovens

Embora seja considerado um tumor raro, o câncer de testículo tem impacto desproporcional entre homens jovens no Brasil. Um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), com base em dados do Ministério da Saúde, revela que 61,67% das mortes pela doença em 2024 ocorreram entre homens de 20 a 39 anos. Ao todo, foram registrados 527 óbitos no período, sendo que mais de 76% atingiram pacientes com até 49 anos. Os números reforçam uma característica marcante da doença. Sua maior incidência está justamente na faixa etária mais produtiva da vida. De acordo com o cirurgião oncológico Renato Almeida Rosa de Oliveira, esse padrão acompanha o comportamento natural do tumor. “É uma doença típica de homens jovens, geralmente entre o fim da adolescência e os 40 anos. Por isso, a mortalidade acaba acompanhando essa mesma faixa etária”. Apesar do impacto, Oliveira destaca que o câncer de testículo apresenta altas taxas de cura, especialmente quando diagnosticado precocemente. Ainda assim, o atraso na busca por atendimento médico segue como um dos principais desafios. “A descoberta na fase inicial está diretamente relacionada à maior chance de cura. O que leva ao diagnóstico tardio é negligenciar alterações no testículo, seja por medo ou preconceito”. Entre os principais sinais de alerta estão o aparecimento de nódulos endurecidos, aumento do volume testicular e mudanças na consistência do órgão, geralmente sem dor. “A maioria das alterações relacionadas ao câncer não dói, e isso pode fazer com que o paciente demore a procurar ajuda”, ressalta o médico. Autocuidado é importante Nesse contexto, o autoexame surge como uma ferramenta essencial. A recomendação de Oliveira é que homens, especialmente a partir da adolescência, conheçam o próprio corpo e observem possíveis mudanças. “Apalpar os testículos durante o banho, identificar o que é normal e perceber alterações pode fazer toda a diferença. Muitas vezes não é nada, mas quando é, pode ser o fator decisivo para um diagnóstico precoce”. Outro ponto de atenção na avaliação do cirurgião oncológico envolve barreiras culturais. Vergonha, desinformação e até o receio de julgamento ainda dificultam que jovens relatem sintomas ou procurem atendimento. “Muitos associam alterações a traumas ou infecções e evitam falar sobre o assunto. Isso atrasa a investigação e o início do tratamento”, completa. Avanços recentes na medicina têm permitido abordagens mais eficazes e menos agressivas. Oliveira destaca que a cirurgia para retirada do testículo afetado (orquiectomia) segue como tratamento inicial padrão, mas novas estratégias têm reduzido a necessidade de quimioterapia em determinados casos. “Hoje, em algumas situações, é possível apenas observar o paciente após a cirurgia, evitando efeitos colaterais desnecessários”. Além disso, técnicas minimamente invasivas, como cirurgias laparoscópicas e robóticas, têm contribuído para preservar funções importantes, como a ejaculação. A preservação da fertilidade também ganhou destaque no cuidado com esses pacientes. “Antes de iniciar o tratamento, orientamos o congelamento de sêmen, já que alguns procedimentos comprometem a fertilidade”, finaliza Oliveira.