Mpox: nova variante desperta preocupação entre especialistas

Mais de 80 casos de mpox já foram confirmados no Brasil em 2026, segundo dados do Ministério da Saúde. A doença, causada pelo vírus monkeypox, voltou a preocupar após o aumento das notificações e a maior circulação de pessoas no período pós-Carnaval. O cenário ganha um novo componente com a confirmação, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de uma variante do vírus, formada pela combinação genética dos clados Ib e IIb. O infectologista Klinger Faíco explica que a recombinação é um fenômeno conhecido na virologia, mas que ainda precisa ser observado de perto no contexto da mpox. “Quando falamos de recombinação, estamos nos referindo à mistura do material genético de dois vírus que infectaram a mesma pessoa. Isso pode gerar um novo vírus com características diferentes. Ele pode ter transmissão mais fácil, mais rápida, ou até conseguir driblar o sistema imune. Pessoas que já haviam desenvolvido alguma imunidade podem não estar totalmente protegidas. É algo que ainda não tinha ocorrido na mpox, o que nos preocupa neste momento”. Segundo o especialista, o monitoramento agora deve se concentrar não apenas na quantidade de registros, mas também na evolução clínica dos pacientes. “Precisamos acompanhar se há aumento da gravidade, se mais pessoas estão sendo hospitalizadas, se evoluem para UTI ou apresentam complicações raras, como pneumonia ou encefalite. Tudo isso deve ser analisado para entender se essa nova variante altera o comportamento da enfermidade”. Transmissão A mpox é transmitida principalmente pelo contato direto com lesões cutâneas, secreções, gotículas respiratórias em proximidade prolongada e por objetos contaminados, como roupas e toalhas. A infectologista Flavia Porto ressalta que a disseminação pode ocorrer antes mesmo do surgimento evidente das lesões. “A pessoa começa a transmitir alguns dias antes de apresentar os sintomas. Não existem formas totalmente assintomáticas, como vimos na COVID-19, mas pode haver quadros leves, com poucos sinais, e o diagnóstico passar despercebido. Nesse intervalo, ela já consegue transmitir o vírus até a resolução completa do quadro”. De acordo com Flavia, a manifestação clínica é marcada principalmente por lesões de pele que evoluem de maneira semelhante entre si. “São vesículas, pequenas bolhas agrupadas, que passam por um ciclo: começam como lesão avermelhada, tornam-se bolhas, depois formam crostas e cicatrizam. Diferentemente da catapora, em que as lesões aparecem em estágios distintos, na mpox elas costumam estar na mesma fase. Muitas vezes surgem na região genital ou em mucosas, o que pode confundir com herpes ou outras infecções sexualmente transmissíveis”. Na avaliação da infectologista, qualquer alteração deve ser examinada. “Como se trata de uma doença de notificação compulsória e que não circula amplamente, a orientação é buscar atendimento médico diante de suspeita. O profissional vai avaliar, notificar em até 24 horas e orientar o isolamento. Essa é a lógica para conter a propagação”. Ela reforça que o isolamento deve ser mantido até a cicatrização completa das lesões. “Mesmo que a pessoa esteja se sentindo bem, não pode interromper o isolamento por conta própria. As lesões precisam cicatrizar totalmente antes da liberação médica”. Os especialistas também enfatizam que a mpox não está restrita a um grupo específico, embora determinados perfis tenham concentrado mais ocorrências desde 2022. “Existe muito preconceito quando se associa a doença a um grupo. Todas as pessoas são suscetíveis. A transmissão está ligada à exposição e ao contato, não à identidade de gênero ou à orientação sexual”, afirma Flavia. Klinger Faíco acrescenta que estratégias como prevenção combinada e educação em saúde são essenciais. “Precisamos falar de saúde sexual, testagem, formas de prevenção e acesso à informação de qualidade. A desinformação dificulta o controle da doença e pode afastar as pessoas dos serviços de saúde”.
Construção civil projeta um desempenho mais robusto em 2026

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta um desempenho mais robusto para o setor em 2026. A estimativa é de crescimento de 2%, o que marcará o terceiro ano consecutivo de expansão. Em 2025, o avanço foi de 1,3%. Segundo a entidade, a expectativa é sustentada pela combinação de um conjunto de fatores: o início do ciclo de redução da taxa de juros, o orçamento recorde para habitação financiada pelo FGTS, novas contratações do programa “Minha Casa, Minha Vida”, a implementação do novo modelo de financiamento habitacional com recursos da poupança e os investimentos em infraestrutura. Entre as iniciativas que reforçam o cenário favorável está o Reforma Casa Brasil, que prevê investimentos de R$ 40 bilhões. E as mudanças no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que ampliou o valor dos imóveis passíveis de financiamento e deve aumentar a oferta de crédito. A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, ressalta a preocupação do setor para 2026. “A taxa de juros ainda elevada, a escassez e o alto custo da mão de obra, menor ritmo de crescimento da economia nacional e a situação fiscal do país. Como pontos positivos, para as nossas expectativas, temos o início da queda da taxa de juros, apesar de ser uma redução pequena, é uma expectativa de ciclo de diminuição, que é importante”. “O país está em um período de obras de infraestrutura, e isso deve continuar em 2026, impactando diretamente o setor. Tem o Reforma Casa Brasil, que é um programa importante e que pode incentivar as pequenas obras e reformas. Um orçamento recorde do FGTS para habitação e novas contratações do programa Minha Casa, Minha Vida”, complementa. Mercado em alta De acordo com os dados que compõem a pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais, houve um crescimento de 18,6% do mercado no quarto trimestre de 2025, em comparação ao trimestre anterior, com o lançamento de 133.811 unidades. No acumulado de 12 meses, o aumento foi de 10,6%, registrando 453.005 unidades. Em 2025, o mercado imobiliário brasileiro registrou um Valor Geral de Lançamento (VGL) de R$ 292,3 bilhões, montante 10,6% superior a 2024. Tanto o dado trimestral quanto o anual representam recordes, assim como o VGL teve o maior valor histórico. Além do crescimento do número de lançamentos, houve aumento de 5,4% no volume de vendas e de 6,2% na oferta final de unidades, considerando os dados fechados de 2024 e 2025. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, houve um aumento de 8% da oferta, encerrando o ano passado com 347.013 unidades. “O mercado imobiliário mostrou robustez. A demanda se sustentou no ano mesmo diante de um cenário de juros elevados, revelando que o déficit habitacional persiste, e o brasileiro está em busca pela realização do sonho da casa própria”, destaca o presidente-executivo da CBIC, Fernando Guedes Ferreira Filho. Empregos A construção civil encerrou 2025 com 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, alta de 3,08% em relação ao final de 2024. O segmento de construção de edifícios concentrou o maior contingente de empregados e registrou o maior incremento no número de trabalhadores formais. Entre 2020 e 2025, o setor foi responsável pela criação de 886.709 empregos com carteira assinada. O segmento de infraestrutura também contribuiu para o resultado. Em 2025, conforme estimativas realizadas pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), os investimentos podem ter alcançado R$ 280 bilhões, cerca de 3% acima do registrado em 2024, com predominância do capital privado, responsável por 84% do total. Ieda explica que São Paulo, Pernambuco e Bahia registraram o maior índice de geração de vagas, e Minas Gerais se destacou com um número de demissões superior ao de admissões. “O que gerou um saldo de vagas negativo (- 6.198). Até o terceiro trimestre, Minas era o segundo Estado que mais gerava empregos na construção”. “Esse resultado aconteceu em função das vagas perdidas, no quarto trimestre, por causa das obras de infraestrutura. O Estado fechou 8.517 empregos no segmento, sendo que isso aconteceu mais no último trimestre do ano e foi o principal responsável pelo saldo negativo”, aponta a economista.
Projetos na ALMG reforçam o combate à violência doméstica

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, em 1º turno, na última semana, dois Projetos de Lei (PLs) que alteram a Lei nº 22.256/2016, responsável por instituir a política de atendimento à mulher vítima de violência no Estado. Uma das propostas é o PL nº 4.172/2025, de autoria da deputada Maria Clara Marra (PSDB). O projeto institui o Programa de Atendimento Psicológico Remoto para Vítimas de Violência Doméstica e Familiar em Minas Gerais e prevê facilitar o acesso ao acompanhamento psicológico, especialmente em regiões onde a oferta presencial é escassa ou inexistente. A iniciativa busca oferecer suporte emocional e psicológico que auxilie na superação de traumas e na recuperação da autonomia das mulheres, além de fortalecer a rede de apoio por meio da integração do serviço com outros órgãos de proteção. A relatora e presidente da Comissão, deputada Ana Paula Siqueira (Rede), opinou pela aprovação da matéria. “A rede estadual de saúde passa a promover o atendimento psicológico remoto à mulher vítima de violência, especialmente em regiões onde o serviço presencial é escasso ou inexistente”. A proposta também autoriza a ampliação do serviço por meio de convênios e acordos de cooperação técnica e acadêmica, sob supervisão da Secretaria de Estado de Saúde. Outro projeto foi o PL nº 4.666/2025, de autoria da deputada Ione Pinheiro (União). A iniciativa cria o programa Beleza Empoderada contra a Violência Doméstica, destinado à capacitação de profissionais da área da beleza e da estética como agentes de enfrentamento ao problema. Na justificativa, a parlamentar ressaltou a necessidade de oferecer à sociedade instrumentos eficazes de combate à violência contra a mulher. Segundo Ione, esses profissionais mantêm convivência frequente e diálogo próximo com o público feminino, o que pode representar uma medida relevante para o fortalecimento das ações de prevenção e enfrentamento. Também relatora da proposta, Ana Paula Siqueira destacou que o texto deve avançar na tramitação. “A proposta estabelece ações que ampliam a rede de proteção e contribuem para o fortalecimento das políticas de enfrentamento da violência contra a mulher”, afirmou. O projeto prevê atividades de capacitação, orientação e divulgação sobre a Lei Maria da Penha, os direitos das mulheres, os mecanismos de proteção disponíveis, as formas de violência doméstica e familiar e seus impactos sociais, além dos canais de denúncia e dos serviços públicos de atendimento às vítimas. Também contempla a disponibilização de materiais educativos em formato físico e digital e a certificação dos participantes, com foco na valorização social e no engajamento comunitário no combate à violência doméstica.
Veículos de carga estão envolvidos em 43,93% das mortes nas BRs

No relatório mais recente da Operação Rodovida, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apresentou um panorama preocupante sobre acidentes nas estradas federais. De acordo com a corporação, nos últimos 66 dias foram contabilizadas 1.172 mortes, sendo que 514 envolveram veículos de carga, o equivalente a 43,93% do total de óbitos registrados no período. Ao todo, foram registrados 3.149 acidentes com esse tipo de veículo, número que corresponde a 23,81% de todos os sinistros nas rodovias federais. Segundo a PRF, entre os acidentes que envolveram veículos de carga, as colisões frontais se destacaram como as mais letais, somando 288 mortes. No intervalo do Carnaval, ao menos 130 pessoas perderam a vida nas rodovias. De acordo com a instituição, trata-se do período carnavalesco mais letal dos últimos dez anos. Os dados indicam crescimento de 8,54% no número de acidentes graves registrados durante os dias de festa. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a presidente da Comissão de Enfrentamento à Violência no Trânsito da OAB-MG, Alice Araújo Pedrosa. Quais são os principais fatores que levaram a esse número estatístico? Na minha avaliação, estão ligados tanto à conduta dos motoristas quanto ao desrespeito à jornada de trabalho. Os dados da Operação Rodovida são alarmantes: foram registrados 1,2 milhão de veículos com excesso de velocidade e mais de 58 mil ultrapassagens irregulares. Além disso, a conduta perigosa é reforçada por 11,1 mil flagrantes de embriaguez e 9,6 mil condutores usando o celular ao volante. Quanto à jornada, o fato de 17,1 mil motoristas terem desrespeitado a Lei do Descanso mostra que a fadiga é um componente crítico na segurança viária. A norma que regula o tempo de direção e descanso dos caminhoneiros é suficiente? A legislação que regula o tempo de direção (Lei do Descanso) estabelece parâmetros claros, como a pausa de 11 horas, mas os índices de mortalidade sugerem que a eficácia depende de uma fiscalização ainda mais onipresente. Embora existam normas rigorosas para o uso do cronotacógrafo (Resolução 938/22) e a obrigatoriedade do exame toxicológico para categorias C, D e E (Resolução 923/22), o alto número de infrações durante a Operação Rodovida indica que muitos condutores ainda arriscam o descumprimento. As empresas transportadoras também devem ser responsabilizadas com rigor quando há acidentes fatais? Sim, as transportadoras devem ter uma responsabilidade técnica e administrativa bem definida, pois a segurança não recai apenas sobre o condutor. O Contran já prevê mecanismos de responsabilização, como a Resolução 710/17, que regulamenta multas para pessoas jurídicas que não identificam o condutor infrator (Multa NIC). Além disso, normas como a Resolução 926/22 padronizam as notificações de penalidades para empresas, garantindo que a responsabilidade administrativa seja efetivada quando há falhas na gestão da frota ou do pessoal. Em que medida as condições das rodovias federais contribuem para a gravidade desses acidentes? Embora as fontes não detalhem o estado técnico do pavimento, as estatísticas de dinâmica de sinistros mostram que o desenho operacional das vias federais é palco para colisões de extrema gravidade. No período analisado, as colisões frontais foram as que mais resultaram em mortes em acidentes com veículos de carga, totalizando 288 óbitos. Isso evidencia que, independentemente da condição da pista, a infraestrutura das rodovias federais, muitas vezes de pista simples, contribui para a letalidade quando ocorre uma falha de conduta ou fadiga. Que políticas públicas podem ser implementadas de forma imediata para reduzir esses índices? Acredito que a implementação imediata deve focar na tecnologia de monitoramento e na expansão de planos estratégicos já existentes. Políticas como o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), disciplinado pela Resolução 1.004/23, devem ser priorizadas em todos os estados. Além disso, o uso de sistemas de livre passagem e a pesagem automatizada de veículos podem reduzir o estresse nas vias e melhorar o fluxo, diminuindo pontos de conflito. Você defende mudanças no Código de Trânsito Brasileiro ou em normas específicas para o transporte de cargas? Defendo a atualização constante das normas para acompanhar a realidade das estradas. O foco deve estar no refinamento das resoluções do Contran que tratam da formação de condutores e na sinalização viária. Mais do que grandes mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), precisamos de agilidade na regulamentação de novos dispositivos de segurança veicular e em campanhas educativas contínuas e obrigatórias, como as definidas para 2025 pela Resolução 1.014/24.
Correios registram um saldo negativo de R$ 6 bilhões até setembro

Os Correios enfrentam uma crise financeira que, segundo a direção da companhia, vem desde 2016. No ano passado, a estatal registrou um saldo negativo de R$ 6 bilhões, nos nove primeiros meses do ano, e está com um patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões. A empresa apresentou um plano de reestruturação que prevê fechar 16% de suas agências, além de cortar despesas em R$ 5 bilhões até 2028, e dois planos de demissão voluntária (PDVs) previstos para reduzir o número de funcionários em 15 mil até 2027. O advogado especializado em reestruturação empresarial, Christian de Luca, explica que a situação é extremamente preocupante. “O sinal de alerta não decorre apenas de déficits contábeis pontuais, mas da erosão da capacidade de investimento da companhia em tecnologia e renovação de frota. Quando uma empresa de tal magnitude começa a apresentar dificuldades para manter sua eficiência operacional básica, enquanto observa competidores privados expandirem centros de distribuição automatizados, o risco de irrelevância de mercado torna- -se uma ameaça real”. Luca afirma que os principais fatores que desencadearam a atual crise combinam passivos trabalhistas históricos com uma defasagem tecnológica acentuada. “O peso das obrigações com planos de saúde e previdência complementar (Postalis) consome uma parcela significativa do fluxo de caixa. Além disso, a manutenção de agências em municípios deficitários gera um custo social, e a demora na transição para um modelo focado em inteligência de dados e logística de última milha (last mile) permitiu que plataformas de e-commerce criassem suas próprias malhas de entrega, reduzindo a dependência da estatal e desviando receitas vitais”. Para o especialista, o Plano de Reestruturação possui diretrizes ambiciosas. “Porém, a viabilidade depende estritamente da celeridade de sua execução e da estabilidade política. O plano foca na modernização dos centros de triagem e na digitalização de serviços, o que é um passo correto, contudo, tardio. Para aliviar a crise é necessário que as metas de redução de desperdício e incremento de produtividade não fiquem apenas no papel, enfrentando resistências sindicais e burocráticas”. “Nos próximos anos, o cenário mais provável para os Correios é o de uma transformação em uma empresa de logística híbrida, reduzindo drasticamente sua dependência do correio de papel e focando quase exclusivamente no e-commerce e serviços financeiros digitais. É provável que a empresa caminhe para um modelo de governança semelhante ao de uma sociedade de economia mista, buscando um equilíbrio delicado entre a sustentabilidade financeira e a missão constitucional de integração do território brasileiro”, finaliza Luca. Trabalhadores Na avaliação do presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos e Similares do Estado de Minas Gerais, Robson Gomes Silva, a crise atual é fruto de anos de decisões de gestão equivocadas que ignoraram a modernização e as novas tecnologias. “Aliado a isso, também tem a redução de investimentos, o sucateamento deliberado da estrutura e tentativas recorrentes de preparar a empresa para a privatização”. Silva ressalta que a privatização é um risco enorme não só para os funcionários, mas para a população em geral. “Experiências internacionais mostram aumento de tarifas, fechamento de agências e abandono de regiões menos lucrativas e do conjunto de políticas públicas do Estado. Exemplo disso é a distribuição de livros didáticos, transporte de vacinas, e ajuda humanitária em casos de desastres naturais, que sem o Correio público seria impossível essa ajuda chegar na velocidade e na quantidade necessárias”. O presidente argumenta que uma das alternativas para recuperar a empresa é colocar em prática a Lei nº 14.744/2023, que estabelece a contratação preferencial dos Correios para serviços postais e de comunicação pela administração pública federal. “Isso já resolveria a situação, pois estudos já apontaram na época que essa legislação poderia gerar até R$ 20 bilhões por ano. Também defendemos um plano público de investimentos, recomposição do quadro de pessoal, via concurso, fortalecimento da logística nacional, ampliação de serviços e gestão profissional com foco social, além da criação do marketplace próprio da estatal”.
R$ 5,7 milhões foram gastos com internações por ansiedade

Segundo um levantamento feito pela Planisa, empresa de gestão de gastos hospitalares, em conjunto com a plataforma DRG Brasil, entre 2022 e 2024, as hospitalizações por Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) custaram R$ 5,7 milhões aos hospitais públicos e privados do país. Foram registradas 2.202 internações no período. Dados recentes mostram que o Brasil lidera o ranking mundial de transtornos de ansiedade, com 9,3% da população afetada, o que equivale a cerca de 18 milhões de brasileiros. A depressão também é uma preocupação crescente, agravada pelo impacto da pandemia de COVID-19, que levou a um aumento de 25% nos casos de transtornos mentais no país, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). A especialista em gestão de saúde corporativa e em psicologia clínica, Renata Livramento, ressalta que esse dado acende um alerta vermelho. “Pois, R$ 5,7 milhões é um custo altíssimo, mas sabemos que isso é só a ponta do iceberg. Por trás desses números existe um sofrimento humano gigantesco, famílias impactadas, pessoas que perdem sua capacidade de trabalho. Quando chegamos ao ponto de uma internação, por exemplo, isso significa que o indivíduo não conseguiu acesso ao tratamento adequado antes ou que o quadro já estava bem avançado”. O TAG é um transtorno de saúde mental, cuja característica principal é uma preocupação excessiva, explica Renata. “E essa apreensão é incontrolável. O paciente fica preocupado a respeito de diversos assuntos, a ponto de prejudicar o seu dia a dia. O transtorno traz uma sensação de descontrole, uma inquietação que não é proporcional à ameaça real que a pessoa está vivendo”. A profissional pontua que os sintomas psicológicos mais comuns são a preocupação excessiva e problemas de concentração. “Já os físicos são fadiga e um cansaço constante, algumas dificuldades com sono, dores de cabeça, problemas gastrointestinais, sudorese e palpitações. Contudo, não necessariamente essas manifestações isoladamente caracterizam um TAG”. Tratamento Renata afirma que por ser um transtorno multifatorial, o tratamento também é multimodal e é individualizado, por isso, a importância de um diagnóstico bem feito. “Basicamente se dividem entre psicoterapia, para identificar os padrões de pensamento negativos e distorcidos; a farmacoterapia, em muitos casos é necessário o uso de medicamentos; e mudanças no estilo de vida para ajudar a pessoa a não apenas sair do quadro de transtorno de ansiedade generalizada, mas também não ter reincidência”. Ela destaca ainda que não tratar corretamente o TAG pode levar a um agravamento da situação. “Essa ansiedade pode se tornar crônica e piorar os sintomas físicos, por exemplo, aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Pode gerar também outros problemas de saúde mental e prejudicar severamente a qualidade de vida”. 40 anos com TAG O técnico administrativo, de 53 anos, que prefere não se identificar, diz que ao longo da sua vida sempre teve crises de ansiedade. “Contudo, nunca pensei que fosse progredir e tornar-se algo perigoso, portanto, tem uns 40 anos, aproximadamente, que convivo com o transtorno”. Cada crise tem o seu grau de gravidade, relata o técnico. “Depende muito do que estou encarando. Uma simples mensagem pode desencadear uma ansiedade profunda, caso não haja resposta. Se for algo que possa me prejudicar, minha mente aumenta esse perigo consideravelmente, fazendo com que todos os cenários sejam desfavoráveis a mim. A dimensão de todo episódio negativo é aumentada pelo cérebro. Daí surge a crise de ansiedade e, posteriormente, a autoproteção fazendo com que eu tome decisões desproporcionais ao problema real”. “Meu tratamento está apenas começando, já que a última crise afetou terceiros devido à minha reação negativa. Quando recuperei a razão, assumi os erros, porém, o estrago já tinha sido feito. Por isso, resolvi procurar ajuda médica e o diagnóstico inicial foi o transtorno de ansiedade generalizada”, finaliza.
Mais de uma dezena de deputados buscam novos partidos

A semana promete ser intensa nos bastidores da Assembleia Legislativa, por conta dos acontecimentos internos, inclusive a definição oficial pelo nome do presidente da Casa, Tadeu Leite (MDB), para o cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas. O Edição do Brasil antecipou essa informação no início do segundo semestre do ano passado, cabendo desmentidos à época. No entanto, a notícia agora foi confirmada. Pelo roteiro, Tadeu deverá ficar no posto até o final do ano, o que é permitido pelo Estatuto Interno do Tribunal. Entre outras ações, o parlamentar vai buscar reforçar a eleição de sua esposa, a deputada Maria Clara Marra (PSDB). Mudança de partidos Pela legislação eleitoral vigente, o prazo de filiação partidária para quem almeja ser candidato circunda entre 3 de março a 2 de abril deste ano. Os interessados no assunto já estão em efervescência à procura da melhor oportunidade para se juntar a um futuro projeto político eleitoral. O imbróglio fica por conta dos atuais parlamentares. Alguns irão participar dessa corrida pela mudança, mas constata-se a resistência para aceitação da chegada de novos membros, especialmente por parte das siglas menores. No Parlamento mineiro, circula uma lista de 12 nomes rejeitados. Essa janela partidária só é válida para quem já tem mandato. No prazo de 30 dias, todos carecem de tomar as suas decisões. Possivelmente, Tadeu Leite (MDB) e João Vítor Xavier (Cidadania) não disputariam novos mandatos. Já a lista de estaduais querendo uma cadeira no Congresso são: Bella Gonçalves (PSOL), Lohanna (PV), Cássio Soares (PSD), Leonídio Bouças (PSDB) e Cristiano Caporezzo (PL). Relativamente aos desejos de migrarem para novos partidos, é uma lista bem preponderante. À espera de um novo ninho partidário estão os deputados: Grego da Fundação (Mobiliza), Bosco (Cidadania), João Magalhães (MDB), Betinho Pinto Coelho (PV), Doorgal Andrada (PRD), Dr. Paulo (PRD), Chiara Biondini (PP), Arlen Santiago (Avante), Enes Cândido (Republicanos), Maria Clara Marra (PSDB), Raul Belém (Cidadania), Roberto Andrade (PRD), Lud Falcão (PODE) e Ana Paula Siqueira (Rede).
Golpes digitais no país exploram falhas de conectividade

O Brasil registrou cerca de 553 milhões de tentativas de phishing, golpe digital em que criminosos se passam por fontes confiáveis – bancos, empresas ou instituições – para enganar vítimas e obter informações sensíveis como senhas, dados bancários ou números de cartão de crédito, seja por e-mail, SMS, ligações ou mensagens falsas entre 2024 e 2025, segundo levantamento da Kaspersky. Tecnologias como VoIP, números virtuais, spoofing de chamadas e redes Wi-Fi inseguras têm sido exploradas por criminosos para ocultar identidades, enganar usuários para roubar dados ou dinheiro, e dificultar o rastreamento dessas fraudes pelas autoridades competentes. Para entender o volume tão alto de phishing e como falhas na infraestrutura de redes e telecomunicações ampliam esse cenário, o Edição do Brasil conversou com o especialista em infraestrutura de redes e conectividade, Jander César Albuquerque Faria. Esse volume revela uma fragilidade estrutural da nossa infraestrutura de conectividade ou uma falha de governança e fiscalização no setor? O número é reflexo dos dois problemas. Existe uma fragilidade estrutural na forma como a conectividade foi construída, priorizando expansão e custo, mas isso é agravado por falhas de governança e fiscalização. A tecnologia evoluiu muito rápido no meu ponto de vista, enquanto os mecanismos de controle e segurança não acompanharam esse ritmo, criando um ambiente favorável para o crime digital. Como as tecnologias ampliam os golpes? Elas permitem escalar golpes e ocultar a origem das chamadas, tornando as fraudes mais convincentes. A regulamentação ainda não acompanha essa evolução e carece de exigências mais eficazes de controle, autenticação e rastreabilidade. O uso indevido dessas ferramentas facilita crimes como falso suporte bancário e cobranças fraudulentas, explorando falhas na validação de chamadas e na identificação da origem. Estamos lidando com um problema técnico ou cultural? É muito mais um problema cultural do que técnico. As soluções existem, mas ainda há uma mentalidade de tratar segurança como algo secundário, acionado só depois do incidente. Falta incorporar a segurança digital como parte da rotina e da estratégia das empresas e instituições públicas. Até que ponto operadoras devem assumir maior responsabilidade? Precisam assumir um papel mais ativo na proteção da infraestrutura, sem interferir no conteúdo. Isso passa por monitorar padrões de tráfego suspeitos, bloquear rotas fraudulentas conhecidas e fortalecer mecanismos de validação, porque hoje grande parte do risco acaba recaindo apenas sobre o usuário final. Você avalia que é necessário tratar a conectividade como ativo estratégico? Na prática, significa tratar a internet como infraestrutura crítica. Para pequenas e médias empresas, isso passa por escolher bons provedores, manter equipamentos atualizados e adotar controles básicos de segurança, porque uma falha de conectividade hoje pode impactar diretamente o negócio e trazer graves prejuízos financeiros. O que precisa ser feito para o Brasil deixar de ser um dos principais alvos das fraudes digitais? Hoje, em grande parte, estamos reagindo. Na minha avaliação, a conectividade precisa ser pensada de maneira preventiva e estratégica. Para deixarmos de ser um dos principais alvos de phishing, é necessário avançar em regras mais claras, melhorar a integração entre telecomunicações e segurança digital, elém de educação digital do usuário. Sem essa mudança de abordagem, os golpes continuarão evoluindo mais rápido do que as defesas.
Quase 2 mil pessoas já andaram de Capivarã na Lagoa da Pampulha

O passeio de Capivarã, um catamarã turístico, na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, deu início à retomada da navegação turística no local. A operação começou no final de dezembro do ano passado, e a experiência é ofertada de quinta a domingo, com três saídas diárias e ingressos gratuitos. Segundo a Prefeitura de BH, o intuito é estimular novas dinâmicas de visitação, valorizar o Conjunto Arquitetônico e paisagístico reconhecido como Patrimônio Cultural Mundial, na categoria de Paisagem Cultural, e oferecer mais uma opção de contemplação do complexo, agora a partir de uma perspectiva diferente, diretamente sobre as águas. Até o momento, 1.913 pessoas já participaram do passeio. Durante a experiência, um guia de turismo apresenta a história, a arquitetura, a paisagem e a importância cultural e ambiental do Conjunto Arquitetônico. O trajeto passa pelos principais monumentos da Pampulha, revelando detalhes, curiosidades e novos olhares. As entradas são disponibilizadas semanalmente, às terças-feiras, a partir das 12h, por meio da plataforma Sympla. Cada passeio oferece 24 ingressos, sendo permitido até dois por CPF. O presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel, ressalta que a criação desse projeto representa um novo passo na ampliação das experiências turísticas da Pampulha. “Nós entendemos que o turismo contemporâneo é feito de vivências, de conexão emocional com o território. O passeio de barco amplia o repertório do visitante e fortalece toda a cadeia produtiva do turismo local”. Era uma iniciativa muito demandada pela população e também pelos turistas, salienta o presidente. “Essa retomada é simbólica, porque contribui diretamente para a revitalização da imagem da Pampulha, fortalece o posicionamento de Belo Horizonte como destino cultural e impulsiona nosso processo de internacionalização. É uma entrega concreta que dialoga com a vocação turística da cidade”. “Para colocar o projeto em prática, cumprimos etapas fundamentais para garantir segurança e excelência na navegação. Uma iniciativa dessa magnitude exige o cumprimento rigoroso de todas as normas da Marinha do Brasil. Além disso, todo o processo de contratação da empresa operadora seguiu os trâmites legais. Também houve um trabalho técnico de planejamento operacional, definição de rotas, adequação do ponto de embarque e estruturação da experiência como um produto turístico qualificado”, acrescenta. Satisfação Em pesquisa realizada pelo Observatório do Turismo de Belo Horizonte, a atividade registrou média geral de satisfação de 9,8 (a nota máxima é 10). O principal destaque da experiência é a navegação, apontada por 46% dos participantes. Em seguida, 27,4% destacaram as explicações do guia como o grande diferencial. A maior parte do público participante é composto pelo gênero feminino (55,3%), com o masculino constituindo de 39,6%. Os passeios atraíram majoritariamente moradores de Belo Horizonte (65%) e da região metropolitana (24,1%), além de turistas do interior de Minas Gerais e de outros estados, que juntos representaram 19,9% do público. A média de idade dos participantes foi de aproximadamente 37 anos. De acordo com Cruvinel, os índices confirmam que o projeto foi bem estruturado em todas as etapas. “Desde o planejamento até a entrega da experiência ao público. Mais do que números, esses indicadores mostram que estamos entregando uma experiência qualificada, segura e memorável. Não chega a ser uma surpresa, porque houve planejamento técnico envolvido, porém, é uma confirmação muito importante de que estamos no caminho certo”. Célia Rodrigues, moradora do Bairro Santa Cruz, região Nordeste de Belo Horizonte, participou do passeio e destacou a experiência. “É muito legal ver a Pampulha pela perspectiva do catamarã, navegando pelas águas da Lagoa. Eu costumo passear bastante pela região, no entanto, do chão, a gente não consegue observar tudo. Com essa nova iniciativa, consegui viver uma experiência diferente, apreciando a paisagem, a arquitetura e a história da Pampulha de um jeito especial”, comenta.
Mulheres entre 30 e 50 anos são mais afetadas pela fibromialgia

Fevereiro é conhecido mundialmente como o mês de conscientização sobre a fibromialgia, assinalado pela cor roxa em campanhas que buscam dar visibilidade a uma condição ainda pouco compreendida. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a doença afeta cerca de 2% a 3% da população brasileira, com uma maior incidência em mulheres do que em homens, sobretudo na faixa etária entre 30 e 50 anos de idade. O distúrbio crônico é caracterizado por dor musculoesquelética generalizada, fadiga intensa, distúrbios do sono e uma série de outros sintomas que afetam profundamente a qualidade de vida. Segundo a reumatologista Carolina Menezes, a fibromialgia ainda é um desafio para a medicina moderna justamente porque não há um exame específico que a confirme. “O diagnóstico é clínico, baseado em critérios definidos pelo Colégio Americano de Reumatologia que levam em conta a presença de dor difusa ao longo do corpo por mais de três meses, além de sintomas associados como fadiga, alterações do sono e problemas cognitivos ou névoa mental”. Para a especialista, a falta de um marcador biológico dificulta tanto a identificação precoce quanto a aceitação da doença por parte de profissionais de saúde menos familiarizados com o tema. A causa da fibromialgia ainda não é totalmente esclarecida, mas pesquisadores apontam para uma combinação de fatores genéticos, neuroquímicos e ambientais. “Sabemos que há uma alteração na maneira como o sistema nervoso central processa os sinais de dor, um fenômeno chamado sensibilização central, que faz com que estímulos normalmente leves sejam interpretados como intensamente dolorosos”, explica a neurologista Marina Torres. Carolina destaca que os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas a dor difusa é o mais característico. “Ela pode ser sentida em músculos, tendões e articulações, e costuma ser descrita como uma dor profunda e persistente. Pacientes também relatam fadiga intensa que não melhora com o descanso, distúrbios do sono, como insônia ou sono não reparador, e sensibilidade exagerada a estímulos como luz, ruído e toque, além de dificuldades cognitivas, como memória falha, dificuldade de concentração e sensação de lentidão mental”. Tratamento O tratamento da fibromialgia é multidimensional, já que não existe uma cura definitiva. “Aqui não falamos em eliminar completamente os sintomas, mas em reduzir sua intensidade e melhorar a funcionalidade do paciente”, afirma Marina. “Medicamentos que modulam os neurotransmissores envolvidos na percepção da dor podem ser úteis em alguns casos, mas não são eficazes para todos. Em paralelo, terapias como atividade física regular, especialmente exercícios de baixo impacto como caminhada, natação e alongamentos, têm papel central no alívio da dor e na melhora da qualidade de vida”, ressalta. A neurologista comenta ainda a importância de incluir técnicas de relaxamento que ajudam a reduzir a tensão muscular e melhorar o equilíbrio emocional. “O corpo e a mente estão intimamente ligados na fibromialgia. Técnicas que atuam sobre o estresse e a ansiedade reduzem a sensação de dor e promovem bem-estar”. Embora não exista uma maneira de prevenir a fibromialgia de forma garantida, especialistas indicam medidas que podem reduzir o risco de agravamento dos sintomas ou ajudar no enfrentamento da condição. Marina recomenda atenção ao gerenciamento do estresse, manutenção de um padrão regular de sono e prática de exercícios físicos adaptados à capacidade individual. “A convivência com a fibromialgia exige adaptação e paciência. Para muitos, isso significa reorganizar rotinas, ajustar expectativas e aprender a escutar o próprio corpo”.