Entenda a grave lesão do atacante Rodrygo Goes

A grave lesão no joelho direito do atacante Rodrygo Goes, do Real Madrid e da Seleção Brasileira, trouxe à tona um problema recorrente no esporte: a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA). O jogador sofreu o rompimento do ligamento associado a uma lesão no menisco lateral, quadro que o tirará da disputa da Copa do Mundo. Para o especialista em fisioterapia esportiva, Alexandre Alcaide, esse tipo de lesão costuma ocorrer em movimentos muito específicos do esporte, especialmente em modalidades que exigem mudanças rápidas de direção e desacelerações bruscas. “O ligamento cruzado anterior tem a função de restringir o movimento de anteriorização da perna em relação à coxa. Quando o atleta está correndo e faz um freio para mudar de direção, o cruzado estabiliza esse deslizamento. Em esportes com mudanças rápidas de direção ou saltos com apoio em apenas uma perna, o risco de lesão é maior”. De acordo com Alcaide, no caso de Rodrygo, o quadro foi agravado pela associação com o menisco, estrutura que também tem papel importante na estabilidade do joelho. “Hoje sabemos que o menisco é um estabilizador secundário do joelho. Quando há lesão meniscal associada ao cruzado, tratamos como um caso mais complexo, porque envolve mais de uma estrutura importante da articulação”. O especialista lembra que por muitos anos, as lesões meniscais eram tratadas com a retirada parcial da estrutura. Atualmente, a prioridade da medicina esportiva é preservar o menisco por meio de sutura, procedimento que ajuda a manter a estabilidade da articulação no longo prazo. “O menisco auxilia o ligamento na estabilidade da articulação. A primeira opção é tentar suturar essa estrutura para que ela cicatrize e continue cumprindo sua função”. Alcaide ressalta que a recuperação de uma lesão de LCA também exige cautela. Estudos recentes mostram que o retorno precoce ao esporte pode aumentar o risco de uma nova ruptura. “Pesquisas mostraram que muitos casos de relesão aconteciam entre o sexto e o décimo mês, quando o atleta era liberado com protocolos mais curtos. Além disso, exames de imagem indicam que, com seis meses, o enxerto ainda não está biologicamente incorporado de forma adequada”. Lesão em “atletas de fim de semana” Se antes a ruptura do LCA era associada principalmente ao esporte profissional, especialistas observam aumento de casos entre pessoas que praticam atividade física por lazer. De acordo com o ortopedista Thales Rama, o fenômeno está ligado principalmente à retomada de atividades esportivas após longos períodos de sedentarismo. “Hoje vemos cada vez mais adultos acima dos 30 que retomam a prática esportiva após anos de sedentarismo. O corpo, especialmente o joelho, nem sempre está preparado para esforços bruscos, torções ou mudanças rápidas de direção”, afirma. Segundo o médico, esportes recreativos como futebol, corrida ou treinos funcionais concentram grande parte desses episódios. “As lesões do LCA geralmente acontecem em movimentos de torção do joelho, mudanças rápidas de direção, desacelerações bruscas ou aterrissagens instáveis após saltos. No futebol de fim de semana, por exemplo, essas ações são muito frequentes”. Rama destaca que um dos sinais mais comuns da ruptura é o estalo percebido no momento da lesão. “O estalo geralmente corresponde ao momento em que o ligamento se rompe. Logo depois podem surgir inchaço rápido, dor e sensação de instabilidade no joelho”. Ignorar esses sintomas é um erro comum entre praticantes recreativos, reforça Rama. “O maior erro é tentar continuar treinando ou normalizar a dor, acreditando que o corpo vai se acostumar. Quanto antes o paciente for avaliado, maiores são as chances de recuperação funcional completa”. A recomendação do ortopedista é que a prevenção passe por um preparo físico adequado antes da prática esportiva. “O ideal é melhorar o condicionamento físico, fortalecer quadríceps, musculatura posterior da coxa e o core, além de trabalhar equilíbrio e propriocepção. Também é importante aquecer antes da atividade e aumentar a intensidade dos treinos de forma gradual”, finaliza.

Exposição transforma bordado e crochê em linguagem artística

A exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino”, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) até 1º de junho, propõe uma reflexão sobre o corpo, a memória e a condição histórica das mulheres por meio da arte têxtil. A mostra reúne 13 obras da artista maranhense e transforma práticas como bordado, crochê e costura em linguagem artística contemporânea. A entrada é gratuita e os ingressos podem ser retirados no site ccbb.com.br/bh ou na bilheteria do CCBB BH. Com curadoria de Betânia Pinheiro, a exposição ocupa as galerias do térreo do CCBB BH e ressignifica técnicas tradicionalmente associadas ao espaço doméstico. O gesto de costurar, bordar ou tecer ganha novos significados e passa a funcionar como forma de denúncia da invisibilização histórica das mulheres no campo da arte. Segundo Marlene Barros, seu trabalho parte justamente do deslocamento desses saberes têxteis para o universo das artes visuais. “Às vezes, práticas vistas como artesanato carregam memória e potência simbólica. Cada ponto é também uma forma de costurar pensamentos e ressignificar um trabalho que por muito tempo foi invisibilizado. Esses saberes podem falar de política, cuidado, resistência e denúncia”. Corpo feminino e identidade Ao reunir obras produzidas em diferentes momentos de sua trajetória, a exposição aborda temas como a coisificação do corpo feminino, os padrões estéticos impostos às mulheres e as limitações sociais associadas a elas. Entre as peças apresentadas está “Eu tenho a tua cara”, instalação composta por 49 fotografias de mulheres nas quais olhos e bocas foram recortados, trocados e costurados. A intervenção cria um efeito de estranhamento e convida o público a refletir sobre identidade e violência de gênero. De acordo com a artista, a obra também dialoga com dados sobre feminicídio no Brasil. “Ao trocar as bocas e os olhos, proponho uma reflexão sobre empatia e cumplicidade entre mulheres, como se pudéssemos olhar e falar umas pelas outras”, explica. Outra obra de destaque é “Coso porque está roto”, um casaco que, ao ser visto do avesso, revela órgãos humanos bordados. Inspirada no “Manto da Apresentação”, de Arthur Bispo do Rosário, a peça é uma metáfora de interioridade e vulnerabilidade. “À medida que bordava coração, pulmões e vísceras, pensava na forma como carregamos sentimentos difíceis de nomear. Bordar esses elementos foi uma maneira de materializar essas camadas internas”, relata Marlene. Memória e experiência A exposição também incorpora elementos autobiográficos. Em “Caixa Preta”, fotografias, colagens e intervenções têxteis formam um autorretrato expandido da artista, reunindo fragmentos de memória e experiências pessoais. Já na instalação “Entre nós”, o crochê deixa de ser um objeto doméstico para ocupar o espaço expositivo e criar uma experiência imersiva. O visitante atravessa uma trama de fios e significados, refletindo sobre atividades historicamente atribuídas às mulheres e naturalizadas em contextos de submissão doméstica. Embora as obras tenham sido produzidas em momentos distintos da carreira da artista, a curadoria buscou criar um diálogo entre elas. O percurso expositivo não segue ordem cronológica, permitindo que o público construa sua própria leitura a partir das relações entre matéria, gesto e memória. Com mais de quatro décadas de atuação, Marlene Barros consolidou-se como referência no cenário artístico maranhense. Em “Tecitura do feminino”, a artista transforma linhas, tecidos e costuras em elementos de reflexão sobre o feminino, ampliando o debate sobre o lugar da arte produzida por mulheres e sobre o papel da criação artística como espaço de questionamento social. Serviço:Exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino” Data: até 1º de junhoLocal: CCBB BH, Praça da Liberdade, 450 – Bairro FuncionáriosHorário: de quarta a segunda, das 10h às 22h Entrada gratuita

Indústria brasileira de alimentos projeta um crescimento de 2,5%

A indústria brasileira de alimentos inicia 2026 com expectativas de expansão. A projeção do setor é de crescimento real das vendas entre 2% e 2,5%, além de aumento entre 1% e 1,5% no emprego direto. A avaliação da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) é que o cenário reúne condições favoráveis, embora ainda existam desafios ligados aos custos e ao ambiente internacional. Segundo o gerente de Economia e Inteligência Competitiva da ABIA, Cleber Sabonaro, a perspectiva positiva está ligada a fatores como o desempenho da produção agrícola e a possível melhora nas condições de crédito, além da continuidade do ciclo de investimentos e da perspectiva de avanço das exportações. “A safra 2025/2026 robusta, estimada em mais de 353 milhões de toneladas e a melhora gradual do crédito com possível redução da Selic ajudam a criar um ambiente favorável. Ao mesmo tempo, ainda existem desafios, como os custos pressionados por embalagens e os riscos tarifários e geopolíticos no comércio internacional”. Para o presidente-executivo da ABIA, João Dornellas, o setor entra neste novo ciclo com bases sólidas. “A combinação de estabilidade da safra, redução gradual dos juros e um ambiente econômico de crescimento moderado cria condições mais previsíveis para o planejamento e o investimento”. Desempenho em 2025 O otimismo para o ano vem após um resultado consistente em 2025. De acordo com balanço da ABIA, a indústria brasileira de alimentos e bebidas registrou faturamento de R$ 1,388 trilhão, crescimento de 8,02% em relação ao ano anterior. O setor respondeu por 10,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O mercado interno foi o principal motor desse desempenho, impulsionado pela expansão do emprego e da renda das famílias. “Isso fez avançar tanto o varejo alimentar quanto o food service, que cresceram 8,4% e 10,1%, respectivamente. Também contribuíram o aumento físico da produção, as exportações resilientes e a desaceleração da inflação dos alimentos, que ajudou a preservar o poder de compra das famílias”, explica Sabonaro. Outro destaque foi a capacidade do setor de conter a inflação dos alimentos. Mesmo com aumento médio de 5,1% nos custos de produção, impulsionado por embalagens, energia e insumos atrelados ao câmbio, a indústria conseguiu limitar o repasse ao consumidor, ressalta Sabonaro. “Enquanto a inflação geral foi de 4,26%, a inflação dos alimentos ficou em 2,95% e a dos alimentos industrializados em apenas 1,8%. Isso foi possível graças aos investimentos robustos em inovação e eficiência produtiva, além da queda das commodities agrícolas no segundo semestre, que aliviou parte das pressões ao longo da cadeia”. Para Dornellas, o resultado vai além de um indicador econômico. “Contribuir para manter a inflação dos alimentos abaixo da inflação geral é também a expressão do compromisso do setor com a segurança alimentar do Brasil”. Minas Gerais No cenário regional, o Estado manteve posição de destaque na indústria alimentícia brasileira, registrando R$ 164,5 bilhões em valor de produção, o equivalente a 11,9% de toda a produção nacional, consolidando-se como o terceiro maior faturamento do país no setor. De acordo com o gerente da ABIA, a força do Estado está na integração entre indústria e produção agropecuária. “O que garante disponibilidade de matéria-prima e competitividade estrutural. Minas reúne liderança nacional em lácteos, tradição em café, doces e panificação, além de uma forte integração com a agricultura familiar e expansão das proteínas animais e produtos processados”. Ele lembra que a presença do setor também tem impacto relevante no mercado de trabalho. Minas reúne 6.853 empresas da indústria de alimentos, que mantêm cerca de 247,5 mil empregos diretos e 750 mil indiretos, totalizando aproximadamente 1 milhão de trabalhadores na cadeia produtiva. “Esse conjunto faz de Minas o terceiro maior Estado da indústria de alimentos, com crescimento consistente e sustentado, evidenciando o papel estratégico do setor na economia estadual e na transformação da produção agropecuária em alimentos industrializados”, conclui.

Câmara dos Deputados pode votar Marco Legal do Transporte Público Coletivo

A possível votação do Marco Legal do Transporte Público Coletivo (PL 3.278/21) nas próximas semanas na Câmara dos Deputados tem mobilizado especialistas, gestores públicos e operadores do setor. A proposta pretende criar uma nova base jurídica para organização e financiamento do transporte coletivo urbano no Brasil, historicamente dependente quase que exclusivamente da tarifa paga pelos passageiros. Na avaliação do advogado Marcello Lauer, conselheiro do Instituto Brasileiro de Estudos Técnicos Avançados (IBETA), o projeto representa uma mudança estrutural na lógica de custeio do sistema. Segundo ele, o texto estabelece formalmente que o financiamento do transporte pode combinar diferentes fontes. “O projeto deixa explícito que o sistema pode ser financiado por receitas tarifárias, receitas extratarifárias e subsídio público ao usuário, vinculados a metas e padrões de desempenho. Isso transforma o contrato de transporte: deixa de ser apenas um contrato de passagem e passa a ser um contrato de serviço”, afirma. Na prática, essa mudança pode permitir que municípios utilizem outras fontes de recursos para reduzir a pressão sobre a tarifa. Também abre espaço para ampliar a destinação de recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para custeio do transporte coletivo e investimentos em infraestrutura. Além da diversificação de receitas, Lauer destaca a importância das regras de transparência previstas no projeto. “O marco legal exige critérios claros para reajustes tarifários e maior publicidade dos dados do sistema. Tarifa sem auditoria vira crença. Tarifa com método vira política pública controlável”. O especialista salienta que a falta de transparência e de modelagem econômica adequada ainda é um dos principais problemas dos sistemas de transporte no país. Ele cita como exemplo o caso recente de Belo Horizonte, onde a tarifa municipal foi reajustada de R$ 5,75 para R$ 6,25 em janeiro de 2026, aumento de 8,7%, mesmo com parte dos custos sendo coberta por subsídios do poder público. Outro ponto recorrente, segundo Lauer, é a ausência de dados e critérios verificáveis para definição de tarifas. Como referência positiva, ele menciona iniciativas de transparência em cidades como Uberlândia. “O município mantém um portal com metodologia, documentos e acompanhamento institucional sobre o sistema. Isso aproxima o cidadão de como a tarifa é calculada e reduz o risco de judicialização”. Para os operadores do setor, o novo marco regulatório também pode ajudar a reorganizar a relação entre empresas e poder público. O diretor-presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Francisco Christovam, reforça que a proposta surge após anos de deterioração financeira dos sistemas de transporte coletivo. Ele esclarece que a crise se aprofundou durante a pandemia, quando houve forte queda na demanda e na arrecadação tarifária. Na avaliação do setor, o cenário evidenciou os limites do modelo baseado exclusivamente no pagamento do usuário. “Chegamos a um ponto em que ficou claro que não é possível sustentar o transporte coletivo apenas com a tarifa paga pelo passageiro”. Christovam explica que o projeto cria bases mais claras para separar dois conceitos centrais: a tarifa técnica, que representa o custo real da prestação do serviço, e a tarifa pública, que corresponde ao valor pago pelo usuário. “Você calcula primeiro quanto custa prestar o serviço. Depois o poder público define quanto o passageiro pode pagar e cobre a diferença com outras fontes”. De acordo com o dirigente, a separação já ocorre em alguns sistemas, como em São Paulo, onde a tarifa pública está em torno de R$ 5,50, enquanto o custo do serviço supera R$ 11 por viagem, com a diferença coberta pelo município. O texto pode estimular maior planejamento dos sistemas de transporte e revisão das redes de linhas, contratos e modelos operacionais, destaca Christovam. “Formalmente, a própria lei prevê um prazo de cerca de um ano para que estados, municípios e operadores façam as adaptações necessárias. Mas acredito que em poucos meses já será possível começar a perceber mudanças no sistema”, finaliza.

Mpox: nova variante desperta preocupação entre especialistas

Mais de 80 casos de mpox já foram confirmados no Brasil em 2026, segundo dados do Ministério da Saúde. A doença, causada pelo vírus monkeypox, voltou a preocupar após o aumento das notificações e a maior circulação de pessoas no período pós-Carnaval. O cenário ganha um novo componente com a confirmação, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de uma variante do vírus, formada pela combinação genética dos clados Ib e IIb. O infectologista Klinger Faíco explica que a recombinação é um fenômeno conhecido na virologia, mas que ainda precisa ser observado de perto no contexto da mpox. “Quando falamos de recombinação, estamos nos referindo à mistura do material genético de dois vírus que infectaram a mesma pessoa. Isso pode gerar um novo vírus com características diferentes. Ele pode ter transmissão mais fácil, mais rápida, ou até conseguir driblar o sistema imune. Pessoas que já haviam desenvolvido alguma imunidade podem não estar totalmente protegidas. É algo que ainda não tinha ocorrido na mpox, o que nos preocupa neste momento”. Segundo o especialista, o monitoramento agora deve se concentrar não apenas na quantidade de registros, mas também na evolução clínica dos pacientes. “Precisamos acompanhar se há aumento da gravidade, se mais pessoas estão sendo hospitalizadas, se evoluem para UTI ou apresentam complicações raras, como pneumonia ou encefalite. Tudo isso deve ser analisado para entender se essa nova variante altera o comportamento da enfermidade”. Transmissão A mpox é transmitida principalmente pelo contato direto com lesões cutâneas, secreções, gotículas respiratórias em proximidade prolongada e por objetos contaminados, como roupas e toalhas. A infectologista Flavia Porto ressalta que a disseminação pode ocorrer antes mesmo do surgimento evidente das lesões. “A pessoa começa a transmitir alguns dias antes de apresentar os sintomas. Não existem formas totalmente assintomáticas, como vimos na COVID-19, mas pode haver quadros leves, com poucos sinais, e o diagnóstico passar despercebido. Nesse intervalo, ela já consegue transmitir o vírus até a resolução completa do quadro”. De acordo com Flavia, a manifestação clínica é marcada principalmente por lesões de pele que evoluem de maneira semelhante entre si. “São vesículas, pequenas bolhas agrupadas, que passam por um ciclo: começam como lesão avermelhada, tornam-se bolhas, depois formam crostas e cicatrizam. Diferentemente da catapora, em que as lesões aparecem em estágios distintos, na mpox elas costumam estar na mesma fase. Muitas vezes surgem na região genital ou em mucosas, o que pode confundir com herpes ou outras infecções sexualmente transmissíveis”. Na avaliação da infectologista, qualquer alteração deve ser examinada. “Como se trata de uma doença de notificação compulsória e que não circula amplamente, a orientação é buscar atendimento médico diante de suspeita. O profissional vai avaliar, notificar em até 24 horas e orientar o isolamento. Essa é a lógica para conter a propagação”. Ela reforça que o isolamento deve ser mantido até a cicatrização completa das lesões. “Mesmo que a pessoa esteja se sentindo bem, não pode interromper o isolamento por conta própria. As lesões precisam cicatrizar totalmente antes da liberação médica”. Os especialistas também enfatizam que a mpox não está restrita a um grupo específico, embora determinados perfis tenham concentrado mais ocorrências desde 2022. “Existe muito preconceito quando se associa a doença a um grupo. Todas as pessoas são suscetíveis. A transmissão está ligada à exposição e ao contato, não à identidade de gênero ou à orientação sexual”, afirma Flavia. Klinger Faíco acrescenta que estratégias como prevenção combinada e educação em saúde são essenciais. “Precisamos falar de saúde sexual, testagem, formas de prevenção e acesso à informação de qualidade. A desinformação dificulta o controle da doença e pode afastar as pessoas dos serviços de saúde”.

Projetos na ALMG reforçam o combate à violência doméstica

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, em 1º turno, na última semana, dois Projetos de Lei (PLs) que alteram a Lei nº 22.256/2016, responsável por instituir a política de atendimento à mulher vítima de violência no Estado. Uma das propostas é o PL nº 4.172/2025, de autoria da deputada Maria Clara Marra (PSDB). O projeto institui o Programa de Atendimento Psicológico Remoto para Vítimas de Violência Doméstica e Familiar em Minas Gerais e prevê facilitar o acesso ao acompanhamento psicológico, especialmente em regiões onde a oferta presencial é escassa ou inexistente. A iniciativa busca oferecer suporte emocional e psicológico que auxilie na superação de traumas e na recuperação da autonomia das mulheres, além de fortalecer a rede de apoio por meio da integração do serviço com outros órgãos de proteção. A relatora e presidente da Comissão, deputada Ana Paula Siqueira (Rede), opinou pela aprovação da matéria. “A rede estadual de saúde passa a promover o atendimento psicológico remoto à mulher vítima de violência, especialmente em regiões onde o serviço presencial é escasso ou inexistente”. A proposta também autoriza a ampliação do serviço por meio de convênios e acordos de cooperação técnica e acadêmica, sob supervisão da Secretaria de Estado de Saúde. Outro projeto foi o PL nº 4.666/2025, de autoria da deputada Ione Pinheiro (União). A iniciativa cria o programa Beleza Empoderada contra a Violência Doméstica, destinado à capacitação de profissionais da área da beleza e da estética como agentes de enfrentamento ao problema. Na justificativa, a parlamentar ressaltou a necessidade de oferecer à sociedade instrumentos eficazes de combate à violência contra a mulher. Segundo Ione, esses profissionais mantêm convivência frequente e diálogo próximo com o público feminino, o que pode representar uma medida relevante para o fortalecimento das ações de prevenção e enfrentamento. Também relatora da proposta, Ana Paula Siqueira destacou que o texto deve avançar na tramitação. “A proposta estabelece ações que ampliam a rede de proteção e contribuem para o fortalecimento das políticas de enfrentamento da violência contra a mulher”, afirmou. O projeto prevê atividades de capacitação, orientação e divulgação sobre a Lei Maria da Penha, os direitos das mulheres, os mecanismos de proteção disponíveis, as formas de violência doméstica e familiar e seus impactos sociais, além dos canais de denúncia e dos serviços públicos de atendimento às vítimas. Também contempla a disponibilização de materiais educativos em formato físico e digital e a certificação dos participantes, com foco na valorização social e no engajamento comunitário no combate à violência doméstica.

Santa Rita do Sapucaí sedia maior competição nacional de robótica

Entre os dias 6 e 8 de março, o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) realiza, em Santa Rita do Sapucaí (MG), a 10ª edição da IronCup (Inatel Robotics National Cup), considerada a maior competição de robótica de Minas Gerais e a única do país com 15 categorias em disputa. O evento reúne mais de 600 competidores e cerca de 500 robôs inscritos, considerado um recorde. Os interessados podem se inscrever no endereço inatel.br/ironcup. Para o coordenador da competição, Alexandre Baratella, a dimensão alcançada ao longo da década. “Começamos em 2017 com cerca de 70 pessoas e poucas equipes de fora. Hoje são mais de 600 competidores e quase 500 robôs. Se considerar o número de categorias, é a maior competição do Brasil”. O crescimento acima de 10% em relação ao ano passado reflete a consolidação do evento no cenário nacional, pontua Baratella. “O aumento no número de robôs foi muito superior a 10%. Isso se deve à visibilidade das competições e ao interesse crescente dos estudantes por tecnologia e inovação”, pontua. Baratella explica que a IronCup também é uma das quatro competições brasileiras que classificam para o All Japan Robot Sumo Tournament, no Japão, nas categorias de Sumô Mini e 3 kg, rádio controlado e autônomo. “O campeão dessas categorias garante vaga para disputar o Mundial do Japão. Isso ajuda a elevar o nível técnico das disputas”. Além do aspecto competitivo, Baratella reforça o caráter formativo do evento. “A IronCup é um evento educativo. Mais do que colocar um robô para lutar, promovemos conexões, networking e desenvolvimento de soft skills. Os participantes aprendem a competir sob pressão, a trocar experiências e a trabalhar em equipe”. Entre os destaques técnicos está a equipe RobotBulls, atual tetracampeã na categoria Robô Trekking. A capitã da equipe, Mayara do Prado Almeida, conta que o interesse pela robótica começou ainda na infância. “Na escola, construíamos pequenos robôs movidos a pilha. Aquilo despertou minha curiosidade e no ensino médio tive certeza de que queria seguir na engenharia”. A RobotBulls competirá em todas as categorias da IronCup, incluindo Trekking, Sumô, Combate, Follow Line, VSS e Hóquei. “Os desafios técnicos são constantes. Observamos falhas nas competições e buscamos melhorias ao longo do ano. Estamos sempre evoluindo”, afirma Mayara. “A preparação inclui rigor na validação técnica. Nós utilizamos balanças, paquímetros e medidores para garantir que peso e dimensões estejam dentro das regras. Esse controle evita desclassificações”, complementa. Na avaliação de Mayara, o alto nível dos adversários é um estímulo. “O nível técnico é sempre altíssimo. Aprendemos muito com outras equipes e também compartilhamos conhecimento. A IronCup proporciona uma bagagem valiosa para a vida acadêmica e profissional”. Mesmo sendo uma competição “em casa”, a capitã da RobotBulls diz que a pressão é grande. “Existe uma responsabilidade adicional por representar o Inatel dentro da própria instituição. É uma das competições mais difíceis do nosso calendário”. Independentemente do resultado, Mayara revela que o aprendizado é garantido. “A IronCup nos ensina a tomar decisões sob pressão, resolver problemas rapidamente e lidar com frustrações e conquistas. É uma preparação intensa para a vida profissional”, conclui.

Liquidações extrajudiciais de bancos testam o Fundo Garantidor de Créditos

A sequência de liquidações extrajudiciais promovidas pelo Banco Central, envolvendo o Banco Master, o Will Bank e o Banco Pleno, colocou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no centro do debate sobre estabilidade e risco sistêmico no Brasil. Com pagamentos estimados em mais de R$ 40 bilhões apenas no caso Master e bilhões adicionais nas demais instituições, o fundo enfrenta o maior teste desde sua criação, em 1995. O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos, para produtos como CDB, LCI, LCA, poupança e conta corrente. O mecanismo é privado, financiado pelas próprias instituições associadas, e tem como missão preservar a confiança no sistema bancário. Para o advogado e doutor em Direito Civil, Vanderlei Garcia Júnior, o papel do fundo vai além do ressarcimento. “É um mecanismo privado de proteção ao sistema financeiro que tem como função principal garantir depósitos e determinados investimentos até os limites estabelecidos. Isso significa que, se um banco quebrar, o cidadão não perde automaticamente o dinheiro aplicado. Mas o papel do FGC vai muito além, atuando também como instrumento de estabilidade sistêmica, reduzindo o risco de corrida bancária e preservando a confiança no sistema financeiro como um todo”. A confiança é elemento central da engrenagem econômica, avalia Júnior. “Sem previsibilidade, o crédito encarece, a liquidez das instituições diminui drasticamente e a economia desacelera. O FGC funciona como amortecedor de crises e contribui para a segurança do ambiente financeiro brasileiro”. Limites do modelo atual O episódio recente também reacendeu o debate sobre governança e incentivos de risco. Para o CEO da Queiroz Investimentos e Participações, Cesar Queiroz, o caso evidencia a necessidade de aperfeiçoamentos. “O maior pagamento de garantias da história do sistema financeiro brasileiro não é apenas um episódio pontual”. “Ele reacende um debate essencial sobre risco sistêmico, governança e responsabilidade no uso dos mecanismos de proteção ao investidor. Quando o instrumento passa a ser utilizado como argumento mercadológico de proteção total, pode haver distorções que incentivem estratégias incompatíveis com o porte e a estrutura de determinadas instituições”, complementa. Queiroz defende que o fortalecimento do FGC passa por critérios proporcionais ao risco. “Experiências internacionais mostram que instituições com maior perfil de risco contribuem mais para fundos garantidores. Esse é um debate relevante para evitar concentração de risco sistêmico”. Já o especialista do mercado financeiro, Pedro Persichetti, destaca que parte do problema está na falta de compreensão das regras por investidores. “O erro mais comum é acreditar que qualquer investimento bancário está garantido. O FGC cobre produtos específicos e o limite é por CPF ou CNPJ, por instituição e por conglomerado financeiro. Diversificar apenas entre marcas diferentes não garante maior proteção se elas pertencem ao mesmo grupo econômico”. Persichetti reforça que o FGC deve ser visto como rede de segurança, não como estratégia de investimento. “A proteção do fundo é importante, mas não substitui análise de risco e diversificação adequada. O investidor precisa entender limites e exposições para não concentrar patrimônio acima do teto garantido”. Em meio às discussões sobre ajustes regulatórios, o consenso é que o FGC permanece peça-chave da estabilidade financeira e sua relevância ultrapassa o aspecto operacional. “O Fundo Garantidor de Créditos é um ativo institucional que sustenta o sistema bancário brasileiro. Ele não representa apenas uma garantia financeira, mas um instrumento de preservação da confiança coletiva. Sem esse mecanismo, o risco de instabilidade seria significativamente maior”, conclui Júnior.

Golpes digitais no país exploram falhas de conectividade

O Brasil registrou cerca de 553 milhões de tentativas de phishing, golpe digital em que criminosos se passam por fontes confiáveis – bancos, empresas ou instituições – para enganar vítimas e obter informações sensíveis como senhas, dados bancários ou números de cartão de crédito, seja por e-mail, SMS, ligações ou mensagens falsas entre 2024 e 2025, segundo levantamento da Kaspersky. Tecnologias como VoIP, números virtuais, spoofing de chamadas e redes Wi-Fi inseguras têm sido exploradas por criminosos para ocultar identidades, enganar usuários para roubar dados ou dinheiro, e dificultar o rastreamento dessas fraudes pelas autoridades competentes. Para entender o volume tão alto de phishing e como falhas na infraestrutura de redes e telecomunicações ampliam esse cenário, o Edição do Brasil conversou com o especialista em infraestrutura de redes e conectividade, Jander César Albuquerque Faria. Esse volume revela uma fragilidade estrutural da nossa infraestrutura de conectividade ou uma falha de governança e fiscalização no setor? O número é reflexo dos dois problemas. Existe uma fragilidade estrutural na forma como a conectividade foi construída, priorizando expansão e custo, mas isso é agravado por falhas de governança e fiscalização. A tecnologia evoluiu muito rápido no meu ponto de vista, enquanto os mecanismos de controle e segurança não acompanharam esse ritmo, criando um ambiente favorável para o crime digital. Como as tecnologias ampliam os golpes? Elas permitem escalar golpes e ocultar a origem das chamadas, tornando as fraudes mais convincentes. A regulamentação ainda não acompanha essa evolução e carece de exigências mais eficazes de controle, autenticação e rastreabilidade. O uso indevido dessas ferramentas facilita crimes como falso suporte bancário e cobranças fraudulentas, explorando falhas na validação de chamadas e na identificação da origem. Estamos lidando com um problema técnico ou cultural? É muito mais um problema cultural do que técnico. As soluções existem, mas ainda há uma mentalidade de tratar segurança como algo secundário, acionado só depois do incidente. Falta incorporar a segurança digital como parte da rotina e da estratégia das empresas e instituições públicas. Até que ponto operadoras devem assumir maior responsabilidade? Precisam assumir um papel mais ativo na proteção da infraestrutura, sem interferir no conteúdo. Isso passa por monitorar padrões de tráfego suspeitos, bloquear rotas fraudulentas conhecidas e fortalecer mecanismos de validação, porque hoje grande parte do risco acaba recaindo apenas sobre o usuário final. Você avalia que é necessário tratar a conectividade como ativo estratégico? Na prática, significa tratar a internet como infraestrutura crítica. Para pequenas e médias empresas, isso passa por escolher bons provedores, manter equipamentos atualizados e adotar controles básicos de segurança, porque uma falha de conectividade hoje pode impactar diretamente o negócio e trazer graves prejuízos financeiros. O que precisa ser feito para o Brasil deixar de ser um dos principais alvos das fraudes digitais? Hoje, em grande parte, estamos reagindo. Na minha avaliação, a conectividade precisa ser pensada de maneira preventiva e estratégica. Para deixarmos de ser um dos principais alvos de phishing, é necessário avançar em regras mais claras, melhorar a integração entre telecomunicações e segurança digital, elém de educação digital do usuário. Sem essa mudança de abordagem, os golpes continuarão evoluindo mais rápido do que as defesas.

SAF consolida uma nova era do esporte brasileiro

O modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) consolidou-se como uma das principais transformações estruturais do futebol brasileiro. Em 2025, o país alcançou a marca de 130 SAFs registradas até dezembro, segundo atualização do Mapa de Expansão divulgado pelo Observatório Social do Futebol. Esse avanço confirma a adesão crescente ao formato criado pela Lei 14.193/2021, sancionada para oferecer segurança jurídica, governança corporativa e previsibilidade econômica aos clubes. A legislação permitiu que associações civis sem fins lucrativos migrassem para o modelo empresarial. A mudança abriu caminho para a entrada de investidores e para a profissionalização da gestão. Para o advogado João de Almeida, especialista em direito societário esportivo, o diferencial foi a criação de um ambiente economicamente viável. “A Lei 14.193 trouxe incentivos para que clubes associativos se convertessem em sociedades anônimas. A grande diferença foi o regime de Tributação Específica do Futebol (TEF). Quando os projetos passaram a ser viáveis economicamente, o mercado reagiu e houve uma onda de investimentos”. O TEF prevê alíquota unificada de 5% sobre a receita nos cinco primeiros anos, reduzida para 4% a partir do sexto ano. Segundo Almeida, o modelo tornou-se peça-chave para a organização financeira das SAFs. “Ele facilita o planejamento, porque dá clareza sobre a carga tributária mensal e sua base de cálculo. Isso melhora a gestão de caixa, reduz riscos fiscais e torna o negócio mais competitivo frente a outras atividades”. Além do incentivo fiscal, Almeida explica que a lei instituiu instrumentos de reorganização financeira que ampliaram a segurança jurídica. Entre eles estão a recuperação judicial e o Regime Centralizado de Execuções (RCE). “A Lei das SAFs apresentou de forma clara essas possibilidades de reestruturação. O RCE organiza as execuções em um único juízo, evita bloqueios sucessivos de receitas e cria previsibilidade. Para o investidor, o passivo deixa de ser uma incerteza e passa a estar estruturado em um plano conhecido”. Segundo o advogado, o RCE não implica perdão de dívidas, mas estabelece regras objetivas para enfrentá-las, reduzindo o risco de decisões judiciais isoladas que comprometam o fluxo de caixa. Outro avanço relevante é a adoção de regras obrigatórias de governança corporativa, como conselho fiscal permanente, estruturas formais de gestão e divulgação periódica de informações. A lei também criou as ações ordinárias de classe A, que garantem à associação poder de veto sobre temas sensíveis. “As ações de classe A asseguram que elementos como nome, símbolos e tradição permaneçam preservados. Funcionam como uma salvaguarda institucional, conciliando identidade histórica, governança e profissionalismo”, afirma o especialista. Novo patamar Com maior transparência, previsibilidade tributária e organização do passivo, o modelo SAF elevou o patamar regulatório do futebol brasileiro. Para Almeida, o avanço é determinante para ampliar a atratividade ao capital estrangeiro. “O que faltava era um ambiente regulatório claro e previsível. A SAF cria bases mais sólidas para transformar o potencial do futebol brasileiro em projetos estruturados e atraentes para investimento”, conclui.