3º Festival de Cultura Popular celebra as raízes ancestrais do samba em Ouro Preto

Cantora Teresa Cristina será uma das atrações – Foto: Leo Aversa

Entre os dias 19 e 24 de maio, os distritos de Glaura e Antônio Pereira, em Ouro Preto, além de Cachoeira do Brumado, em Mariana, serão palco da terceira edição do Festival de Cultura Popular. Com programação gratuita, o evento reúne shows, oficinas, palestra, cortejo, feira gastronômica e apresentações artísticas que celebram as raízes ancestrais do samba e das culturas populares brasileiras.

A cantora Teresa Cristina é a principal atração do festival e apresenta o show “Jessé – As Canções de Zeca Pagodinho”. Outro destaque é Dona Zélia do Prato, referência do samba de roda do Recôncavo Baiano, que sobe ao palco ao lado do grupo belo-horizontino Herança Ancestral. A programação ainda conta com o grupo Samba em Revista, cantora Manu Dias, cortejos e espetáculos voltados ao público infantil.

Idealizadora e curadora do festival, Gabriela Gomes diz que o evento nasceu da necessidade de valorizar manifestações populares já existentes nos territórios. A iniciativa é resultado de pesquisas sobre cultura popular desenvolvidas a partir do protagonismo do tradicional bloco carnavalesco Zé Pereira dos Lacaios, de Ouro Preto.

“O Festival de Cultura Popular busca aquilo que é tradição, aquilo que é feito pelo povo e pertencente à cultura de um grupo. Quando estamos atentos a essas questões, tentamos fortalecer essas expressões e fazer com que elas também impulsionem produções locais e de outros territórios”, destaca.

Nesta edição, o samba foi escolhido como eixo central da programação. Para Gabriela, a homenagem representa o amadurecimento do próprio festival. “Chegou a hora de exaltar esse ritmo, essa dança, esse modo de expressão brasileira tão particular. Não tinha mais como não homenagear as sambadeiras do Recôncavo Baiano e reverenciar essa ancestralidade do samba”.

A proposta do festival também aposta no intercâmbio entre diferentes gerações, artistas e tradições culturais. “A ideia é promover uma troca dialógica, algo que ultrapasse gerações. As culturas populares são estruturas vivas, pulsantes, que permanecem pela força do coletivo e da resistência”, ressalta Gabriela.

Programação diversa

Além dos shows, o evento promove atividades formativas. Entre os dias 19 e 21 de maio, o Museu Boulieu recebe a oficina “Pedagogias Brasileiras do Ritmo”, ministrada por Emília Chamone e Marina Gomes. Já no dia 21, o historiador e escritor Luiz Antônio Simas conduz a palestra “O Espírito do Samba”, na Casa da Ópera, abordando a influência do gênero na identidade brasileira.

Já a partir do dia 22, o festival ocupa o distrito de Glaura com feira gastronômica e apresentações musicais. O grupo Samba em Revista divide o palco com a cantora Manu Dias, enquanto o cortejo do bloco Unidos da Boa Viagem promete animar as ruas do distrito. No dia 23, o espetáculo “Eh Boi”, do Grupo mineiro Kabana, será apresentado em Cachoeira do Brumado (Mariana), às 16h. Antônio Pereira (Ouro Preto), recebe o mesmo espetáculo no domingo, dia 24, também às 11h. Com um entrelaçado de causos, cantos e interações com a plateia, o espetáculo apresenta um boi desengonçado, que causa graça e curiosidade nas crianças.

Descentralização

Outro aspecto destacado pela curadora é a descentralização da programação, levando atividades culturais para distritos historicamente afastados das grandes atrações. “Os distritos recebem muito menos eventos do que as cidades- -sede. Nossa missão é formar público, criar plateia e encontrar outras tradições culturais. Em todo lugar existe expressão cultural, e queremos construir esse diálogo com as comunidades”.

Para Gabriela, um dos diferenciais do festival é justamente a construção coletiva junto aos moradores e artistas locais. “Esse não é um evento que chega para a cidade. É um evento construído com a cidade. A missão é trocar experiências, escutar o outro e construir junto”, conclui.

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