Setor de franquias faturou mais de R$ 26 bilhões em Minas Gerais

Um levantamento da Associação Brasileira de Franchising (ABF) apontou que o setor de franquias em Minas Gerais movimentou mais de R$ 26 bilhões em 2025, com crescimento de 10,2% na comparação com o ano anterior. Além do avanço no faturamento, o franchising no Estado também expandiu sua atuação geográfica. O total de unidades franqueadas alcançou 18.699 operações, o que representa uma alta de 4,9%. O segmento ainda foi responsável pela geração de mais de 158 mil empregos diretos, registrando aumento de 5,9%. O estudo da ABF também indicou os segmentos que mais contribuíram para o crescimento das franquias em Minas Gerais, com destaque para saúde, beleza e bem-estar, que avançou 18,3%, seguido por casa e construção, com alta de 16,5%, e entretenimento e lazer, que aumentou 14,2%. No contexto nacional, o setor de franquias também segue em expansão contínua. Dados da Pesquisa de Desempenho do Franchising 2025, divulgada pela ABF, mostram que o segmento alcançou faturamento recorde de R$ 301,7 bilhões, um crescimento de 10,5% frente ao período anterior. Atualmente, o Brasil reúne 202.444 unidades franqueadas, vinculadas a 3.297 marcas, que juntas geram cerca de 1,762 milhão de empregos diretos. Para a economista Renata Figueiredo, o bom desempenho do setor está diretamente ligado à capacidade de adaptação das franquias às novas demandas do mercado. “O modelo de negócio tem se mostrado resiliente mesmo diante de cenários econômicos desafiadores, as franquias oferecem um formato mais estruturado, com processos definidos e suporte ao franqueado, o que reduz riscos e aumenta as chances de sucesso. Isso atrai investidores, especialmente em momentos de incerteza”. Outro fator relevante é a mudança no perfil do consumidor, que passou a valorizar mais conveniência, qualidade e padronização. Segundo Renata, isso favorece diretamente o franchising. “As marcas franqueadas conseguem manter um padrão de atendimento e produto, independentemente da unidade, o que gera confiança no consumidor. Além disso, muitas redes têm investido em tecnologia e canais digitais, ampliando o alcance e as vendas”. No caso de Minas Gerais, a diversidade econômica do Estado também contribui para o crescimento do setor. Cidades de médio porte têm se tornado polos atrativos para expansão de franquias, especialmente nos segmentos de serviços e alimentação. “Há um movimento de interiorização muito forte. Regiões fora dos grandes centros apresentam demanda reprimida e custos operacionais mais baixos, o que favorece a abertura de novas unidades”, observa o consultor de negócios Eduardo Martins. No cenário nacional, o aumento no número de unidades reflete o interesse crescente de empreendedores pelo modelo e consolidando o setor como um dos principais geradores de trabalho no país. “Esse crescimento está associado também à busca por alternativas ao emprego formal, muitas pessoas têm optado por empreender, e as franquias surgem como uma porta de entrada mais segura, com suporte e reconhecimento de marca”, destaca. A digitalização dos negócios é outro elemento apontado como decisivo para o avanço do franchising. Martins diz que muitas redes aceleraram investimentos em plataformas on-line, delivery e estratégias de marketing digital nos últimos anos. “A integração entre o físico e o digital, o chamado modelo omnichannel, tem sido fundamental para ampliar receitas e fidelizar clientes”. As expectativas para 2026 são positivas, embora seja recomendada cautela. A projeção é de que o setor continue crescendo, ainda que em ritmo moderado, acompanhando o desempenho da economia brasileira. “Se houver estabilidade econômica, controle da inflação e melhora no acesso ao crédito, o franchising tende a manter uma trajetória de expansão”, explica. Ela acrescenta que setores ligados à saúde, bem-estar e serviços devem continuar em destaque, acompanhando tendências de consumo. “A população está mais preocupada com qualidade de vida, o que impulsiona esses segmentos. Além disso, áreas como educação, tecnologia e serviços especializados também têm potencial de crescimento”. Por outro lado, desafios como custos operacionais, carga tributária e necessidade de inovação constante permanecem no radar dos empresários. “O sucesso no franchising depende cada vez mais de gestão eficiente e capacidade de adaptação. As redes que investirem em inovação, treinamento e suporte ao franqueado terão mais chances de se destacar”, conclui.
Uso de IA em conteúdos falsos mais que triplica em um ano

A circulação de conteúdos falsos produzidos com o uso de inteligência artificial (IA) mais que triplicou no Brasil entre 2024 e 2025, registrando um crescimento de 308% no período. A informação faz parte de um levantamento inédito realizado pelo Observatório Lupa que analisa tendências, principais alvos e estratégias utilizadas na propagação de informações falsas. Para o estudo, foram examinados 617 conteúdos checados pela agência em 2025, em comparação com 839 verificações realizadas em 2024, a partir de análises qualitativas e quantitativas. Os resultados indicam que deepfakes e outros materiais manipulados com IA passaram de 39 registros em 2024, o equivalente a 4,6% das checagens feitas pela Agência Lupa naquele ano, para 159 casos em 2025, representando 25% do total de verificações. Na prática, isso significa um aumento de 120 ocorrências desse tipo de desinformação. O levantamento indica que, em 2024, a inteligência artificial era utilizada principalmente na aplicação de golpes digitais, como a produção de deepfakes de celebridades promovendo plataformas fraudulentas. Já em 2025, a tecnologia passou a ser usada de forma mais estratégica no campo político: quase 45% dos conteúdos gerados com IA apresentavam viés ideológico, frente aos 33% registrados no ano anterior. A análise também revelou que mais de 75% dos materiais com uso de IA que circularam em 2025 exploravam a imagem ou a voz de pessoas públicas, sobretudo de lideranças políticas. Entre os principais alvos identificados no estudo estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), citado em 36 conteúdos falsos, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 33 casos, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em 30 registros. Segundo a sondagem, o WhatsApp deixou de concentrar a maior parte da circulação de desinformação, passando de quase 90% dos casos em 2024 para 46% em 2025. Para o Observatório, essa queda não significa necessariamente uma redução das notícias falsas na plataforma, mas sim uma maior diversificação dos canais utilizados para disseminar esse tipo de conteúdo. A professora de comunicação digital, Samira Costa, esclarece que a sofisticação dos conteúdos falsos exige mais atenção dos usuários antes de compartilhar qualquer informação. “Hoje é possível criar vídeos e áudios extremamente realistas com poucos recursos técnicos. Muitas vezes, a pessoa vê uma imagem ou ouve uma fala aparentemente autêntica e acredita que aquilo é verdadeiro. É fundamental adotar uma postura mais crítica e sempre verificar a origem da informação”. Entre os principais sinais de alerta estão conteúdos que despertam forte emoção, como indignação ou surpresa, e que incentivam o compartilhamento imediato. “Mensagens alarmistas, com títulos chamativos ou que afirmam revelar algo ‘que a mídia não quer mostrar’, são estratégias comuns em conteúdos falsos”, explica. O especialista em educação midiática, Rafael Torres, também recomenda que os usuários procurem confirmar a informação em diferentes fontes antes de repassá-la. “Uma dica importante é pesquisar se aquele fato foi noticiado por veículos confiáveis ou checado por agências especializadas. Se apenas um perfil desconhecido está divulgando aquilo, há grande chance de ser falso”. Além disso, Torres destaca que inconsistências visuais e sonoras podem indicar manipulação. “Em vídeos feitos com IA, às vezes é possível perceber movimentos labiais estranhos, cortes abruptos ou falas que não combinam com o contexto. No caso de áudios, vale desconfiar quando a mensagem parece muito sensacionalista ou fora do padrão de comunicação da pessoa que supostamente estaria falando”. Outra medida importante é denunciar conteúdos suspeitos nas próprias plataformas digitais. Redes sociais e aplicativos de mensagens costumam oferecer ferramentas para reportar publicações enganosas ou perfis que espalham desinformação. Torres reforça que combater a desinformação depende também do comportamento individual dos usuários. “Cada pessoa tem um papel fundamental nesse processo. Antes de compartilhar qualquer conteúdo, é preciso fazer uma pausa, verificar a informação e pensar nas consequências. Muitas vezes, a simples decisão de não repassar uma mensagem já ajuda a interromper a cadeia de desinformação”.
Um em cada cinco adolescentes no mundo vive com obesidade

Informações do Atlas Mundial da Obesidade 2026 indicam que 20,7% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos no mundo apresentam sobrepeso ou obesidade, o que corresponde a aproximadamente um em cada cinco jovens, somando 419 milhões de pessoas. Segundo projeções da Federação Mundial da Obesidade, esse número pode chegar a 507 milhões até 2040, caso a tendência atual se mantenha. Em comunicado, a entidade adverte que o excesso de peso na infância pode desencadear problemas de saúde semelhantes aos verificados em adultos, como hipertensão e doenças cardiovasculares. As projeções indicam que, até 2040, cerca de 57,6 milhões de crianças poderão apresentar sinais iniciais de doenças cardiovasculares, enquanto 43,2 milhões devem manifestar hipertensão. Os dados apontam que no Brasil cerca de 6,6 milhões de crianças entre 5 e 9 anos apresentam sobrepeso ou obesidade. Quando se inclui a faixa etária de 10 a 19 anos, esse contingente chega a 9,9 milhões, somando aproximadamente 16,5 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos vivendo com excesso de peso no país. As projeções para 2040 indicam um cenário preocupante: mais de 1,6 milhão de jovens dessa faixa etária podem ser diagnosticados com hipertensão associada ao índice de massa corporal (IMC); cerca de 635 mil devem apresentar hiperglicemia relacionada ao IMC; aproximadamente 2,1 milhões podem ter níveis elevados de triglicerídeos; e 4,6 milhões podem desenvolver doença hepática esteatótica metabólica. Para a endocrinologista pediátrica Mariana Vasconcelos, o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, aliado à redução da atividade física, tem impacto direto na saúde das crianças. “A obesidade infantil é uma condição complexa, que envolve fatores biológicos, comportamentais e sociais. Hoje vemos crianças consumindo grandes quantidades de produtos ricos em açúcar, gorduras e sódio, ao mesmo tempo em que passam muitas horas diante de telas. Esse conjunto favorece o ganho de peso e pode desencadear problemas de saúde que eram mais comuns na vida adulta”. Segundo Mariana, os impactos do excesso de peso podem aparecer de forma precoce e afetar diferentes sistemas do organismo. “Crianças com obesidade têm maior risco de desenvolver hipertensão, resistência à insulina, diabetes tipo 2, alterações no colesterol e problemas no fígado. Além disso, existem consequências emocionais importantes, como baixa autoestima, ansiedade e episódios de bullying”. O nutricionista Carlos Menezes destaca que os hábitos familiares têm papel fundamental na formação do comportamento alimentar das crianças. “Os pais são os principais modelos para os filhos. Quando a família adota uma alimentação equilibrada e inclui atividades físicas na rotina, as crianças tendem a reproduzir esse comportamento. Oferecer frutas, verduras e refeições caseiras, reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e limitar o tempo de tela são medidas simples que fazem grande diferença”. Ele também ressalta a importância de estabelecer uma relação saudável com a comida desde cedo. “É fundamental evitar o uso de alimentos como recompensa ou punição. A criança precisa aprender a reconhecer sinais de fome e saciedade, além de entender que a alimentação saudável faz parte do cuidado com o corpo”. Além das mudanças no ambiente familiar, o profissional defende que o enfrentamento da obesidade infantil exige ações mais amplas por parte do poder público. “Esse é um problema que ultrapassa a responsabilidade individual das famílias. Precisamos de políticas que incentivem ambientes mais saudáveis, como regulamentação da publicidade de alimentos ultraprocessados voltada ao público infantil, rotulagem clara dos produtos e programas de alimentação saudável nas escolas”. Menezes defende investimentos em infraestrutura urbana que favoreçam a prática de atividades físicas. “Espaços públicos seguros, parques, ciclovias e quadras esportivas são fundamentais para estimular crianças e adolescentes a se movimentarem. A escola também pode desempenhar um papel central, ampliando o tempo dedicado à educação física e à educação alimentar”. Outra medida apontada é o fortalecimento da atenção básica em saúde, como programas de acompanhamento nutricional e orientação às famílias que podem ajudar na identificação precoce de casos de sobrepeso e na adoção de estratégias de prevenção.
Blocos criticam a concentração de recursos no Carnaval

Representantes dos blocos carnavalescos e escolas de samba de Belo Horizonte pedem mais investimentos e melhor infraestrutura para fortalecer a festa popular que, todos os anos, ocupa as ruas da capital. Durante reunião da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa, realizada no dia 10 de março, integrantes da comunidade do Carnaval levaram suas demandas a representantes dos governos estadual e municipal. Uma das maiores preocupações das lideranças ligadas ao Carnaval é a forma como os recursos públicos são destinados aos cortejos. Os blocos apontam críticas às chamadas vias sonorizadas, financiadas com aproximadamente R$ 10 milhões pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge). Embora a medida proporcione melhor qualidade de som, os critérios sobre quais grupos são contemplados geram questionamentos. De acordo com a Bruta, liga que representa cerca de 70 blocos carnavalescos, as chamadas vias sonorizadas, localizadas nas avenidas Brasil, Andradas e Amazonas, receberam 23 cortejos neste ano. Para a presidente da entidade, Marcela Linhares, do bloco “Então Brilha!”, a situação revela uma forte concentração de recursos direcionados a um número restrito de blocos. Ela sugere que o modelo de patrocínio da Codemge seja revisto, com a possibilidade de que os recursos sejam destinados diretamente aos blocos, que relatam dificuldades para custear a realização dos desfiles. “O aluguel de um trio elétrico custa cerca de R$ 70 mil, e muitos não conseguem arrecadar o montante. Não existe valorização do Carnaval sem dinheiro na mão dos blocos”. A Bruta também pede que sejam definidos critérios mais objetivos e transparentes para a seleção dos blocos contemplados pelas vias sonorizadas. Segundo Marcela Linhares, neste ano o “Alcova Libertina”, um dos blocos mais tradicionais de Belo Horizonte, não conseguiu desfilar na Avenida dos Andradas, local onde costumava se apresentar. Com o objetivo de garantir mais recursos para o carnaval, os blocos ainda defendem o aumento do limite de patrocínio previsto na Lei Estadual de Incentivo à Cultura (Leic). De acordo com Leandro César da Silva, diretor do bloco “Então Brilha!”, “os recursos destinados ao financiamento do Carnaval e de outras iniciativas culturais acabam se esgotando rapidamente”. Para Maria Elisa Abreu da Cruz, presidente da Liga das Escolas de Samba de Minas Gerais (Aliga), as agremiações necessitam de mais investimentos e de maior atenção por parte das políticas públicas. Ela também destacou que as escolas de samba vão além do espetáculo carnavalesco: funcionam como espaços de formação para profissionais da cultura, fortalecem o protagonismo feminino e ajudam a acolher jovens em situação de vulnerabilidade e expostos à violência. “A escola de samba oferece disciplina, pertencimento, identidade cultural e comunidade. Cada jovem que entra em uma bateria, em uma ala ou em uma oficina cultural encontra também um espaço de formação, convivência e cidadania”. A secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, contestou as críticas relacionadas à sonorização de algumas vias da cidade e disse que a iniciativa tem boa aceitação tanto entre os foliões quanto entre as agremiações carnavalescas. Ela também argumentou que, caso os recursos destinados à sonorização fossem distribuídos entre os mais de 600 blocos de rua existentes na capital, o valor recebido por cada grupo seria bastante reduzido. Já o vice-presidente da Belotur, Bruno Eduardo Silva Cassimiro, destacou o empenho da administração municipal em apoiar o Carnaval e afirmou que a prefeitura mantém disposição para dialogar com os blocos de rua e as escolas de samba. “Sabemos que temos muita coisa para melhorar, mas estamos de portas abertas para construir um Carnaval melhor”. A deputada Bella Gonçalves (Psol) fez críticas à postura da secretária de Estado de Cultura e Turismo e voltou a questionar a escolha de investir na sonorização de determinadas vias. Na avaliação da parlamentar, a medida representa uma “concentração excessiva” de recursos em uma ação específica, que não atende diretamente às necessidades dos blocos carnavalescos. “Queremos saber quem está lucrando com esse Carnaval, já que os blocos não recebem recursos para fazer seus cortejos”. A parlamentar reiterou que o teto de recursos da Leic não aumenta porque o governo estadual não permite. “Precisamos que o governo compreenda a importância da cultura”. Já a deputada Lohanna (PV) afirmou que os cidadãos precisam acompanhar a atuação da Secretaria de Estado de Cultura. “Que tipo de carnaval a gente quer: privado, com blocos selecionados sem transparência, ou descentralizado, que pertença ao povo mineiro?”.
32 novos radares de velocidade entraram em operação na capital

Com a entrada em funcionamento de 32 novos radares na semana passada, Belo Horizonte passou a contar com 146 equipamentos de monitoramento eletrônico ativos em 2026. Isso significa que, em média, a prefeitura colocou em operação cerca de 2,5 dispositivos por dia este ano. A maioria dos aparelhos instalados substitui antigos equipamentos, cujos contratos expiraram recentemente. Ainda assim, alguns locais passam a contar com fiscalização eletrônica pela primeira vez. Desde o fim de fevereiro, a Prefeitura de Belo Horizonte deixou de informar individualmente a data de início de funcionamento de cada novo radar. A administração municipal passou a reunir todos os equipamentos em uma planilha única. Antes, os dispositivos recém-instalados eram divulgados em uma página específica destinada a esse fim. Os últimos conjuntos de radares ativados neste ano haviam sido anunciados no encerramento de janeiro e também no fim de fevereiro. Já em março, a comunicação ocorreu logo no terceiro dia do mês. Embora a relação oficial aponte 146 aparelhos, esse número não corresponde, necessariamente, a 146 locais distintos de fiscalização. Isso porque há casos em que mais de um equipamento está instalado no mesmo endereço, sendo contabilizados separadamente conforme a faixa monitorada. Em alguns trechos do Anel Rodoviário, por exemplo, existem vários radares em um único ponto para acompanhar diferentes faixas ou sentidos de tráfego. Na prática, portanto, o total de dispositivos em operação pode não coincidir com a quantidade de pontos diferentes onde os condutores notarão a presença da fiscalização eletrônica. Segundo o engenheiro de trânsito, Marcos Albuquerque, os radares desempenham um papel fundamental na redução de acidentes e na conscientização dos motoristas sobre os limites de velocidade. “A instalação de radares não deve ser vista apenas como um instrumento de arrecadação de multas, mas como uma ferramenta preventiva. Quando bem posicionados, esses dispositivos ajudam a disciplinar o tráfego, evitam ultrapassagens perigosas e diminuem o número de acidentes graves em corredores críticos da cidade”. Além de contribuir para a segurança, os radares também têm potencial para melhorar a mobilidade urbana. “A fiscalização eletrônica cria um efeito de moderação de velocidade, o que ajuda a reduzir o congestionamento e permite que os veículos circulem de forma mais uniforme, diminuindo o risco de acidentes por freadas bruscas ou mudanças de faixa repentinas”. Ainda conforme Albuquerque, o planejamento da instalação dos radares deve considerar não apenas o volume de tráfego, mas também o histórico de acidentes e os pontos de maior risco, o que garante que o investimento seja direcionado de forma estratégica. Já o especialista em segurança viária, Roberto Lima, aponta que a simples presença de radares não garante uma redução significativa nos acidentes ou na velocidade média do tráfego. É necessário que haja educação para o trânsito, fiscalização complementar e planejamento urbano adequado. “Os radares funcionam como uma ferramenta de apoio, não como solução isolada. Eles são mais eficazes quando combinados com medidas como lombadas eletrônicas, campanhas de conscientização e fiscalização móvel em trechos estratégicos”. A percepção dos motoristas em relação aos radares também é um ponto importante. Muitos condutores reconhecem a importância dos equipamentos, mas ainda veem a fiscalização como punitiva. “É natural que haja resistência no início, mas com o tempo, percebe-se que os radares contribuem para um trânsito mais seguro e previsível. O desafio é equilibrar a necessidade de segurança com a sensação de que a fiscalização é justa e transparente”, explica Lima.
MG tem 4,5 mil novos MEIs na categoria comércio ambulante de alimentos

Apenas em 2025, mais de 56 mil brasileiros passaram a atuar como microempreendedores individuais (MEIs) no ramo de serviços ambulantes de alimentação, o que representa um avanço de 45% em relação a dois anos atrás. Em 2023, o total de registros foi de 38,8 mil, subindo para 42,8 mil em 2024. As informações são da base da plataforma DataSebrae. Minas Gerais concentra quase 10% desse total de novos microempreendedores individuais. No Estado, foram contabilizadas 4.508 formalizações de MEIs na categoria de comércio ambulante de alimentos em 2025. Os meses com maior número de registros foram janeiro, fevereiro e novembro. O aumento nas formalizações coincide com períodos festivos, tanto no cenário nacional quanto em Minas Gerais, como o Carnaval. A movimentação superior a R$ 1,4 bilhão na economia de BH no período contou com contribuição significativa dos vendedores ambulantes. A consultora de pequenos negócios, Mariana Tavares, avalia que a formalização por meio do MEI representa uma mudança estrutural para milhares de trabalhadores que antes atuavam na informalidade. Ela explica que o registro como microempreendedor garante acesso a diversos benefícios. “Ao se formalizar, o ambulante passa a ter CNPJ, pode emitir nota fiscal, acessar linhas de crédito com juros mais baixos e contribuir para a Previdência Social. Isso significa mais segurança para o negócio e para a família”. Além da proteção social, que inclui aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade, o enquadramento como MEI também facilita a participação em eventos organizados pelo poder público. “Em cidades como Belo Horizonte, a regularização é frequentemente exigida para o credenciamento de vendedores em grandes festas. O Carnaval da capital mineira, que nos últimos anos consolidou-se como um dos maiores do país, exemplifica esse movimento. Milhares de foliões ocupam as ruas a cada edição, ampliando o consumo de alimentos e bebidas e gerando oportunidades para quem trabalha de forma itinerante”, destaca. Com a simplicidade para ingressar ou se desligar do regime formal por meio do MEI no Brasil, é frequente a ocorrência de muitas aberturas e encerramentos de registros, conforme aponta o Sebrae. Ainda assim, Minas Gerais apresentou estabilidade no número de microempreendedores individuais ativos após o término do último ano. Entre os 4.508 CNPJs registrados no período, 2.711 foram encerrados, o que resultou em um saldo positivo de 1.797 novas empresas. O economista Rafael Campos ressalta que os 4,5 mil novos registros em Minas Gerais têm impacto que vai além do número absoluto. “Estamos falando de milhares de famílias inseridas de maneira mais estruturada na economia. Cada ambulante compra insumos, contrata ajudantes temporários e movimenta fornecedores locais. É um ciclo que começa na rua, mas se espalha por toda a cadeia produtiva”. Esse efeito multiplicador é percebido sobretudo em períodos festivos, o resultado é um fortalecimento da economia circular, conceito que descreve a manutenção dos recursos em uso pelo maior tempo possível dentro de uma mesma região. Segundo Campos, a formalização contribui para organizar esse fluxo econômico. “Quando o ambulante se torna MEI, passa a registrar suas compras e vendas, cria histórico financeiro e pode planejar melhor o negócio. Isso traz previsibilidade e estimula reinvestimentos. Parte do lucro obtido no Carnaval, por exemplo, costuma ser aplicada na melhoria de equipamentos ou na ampliação do cardápio”. Os dados de 2025 reforçam uma tendência observada nos últimos anos: a busca por autonomia profissional aliada à segurança jurídica. Muitos trabalhadores veem no empreendedorismo uma alternativa diante das oscilações do mercado formal de trabalho. Para Mariana, o desafio agora é garantir capacitação contínua. “Formalizar é o primeiro passo. Depois, é preciso investir em gestão, controle de estoque, precificação e atendimento ao cliente”.
Veículos de carga estão envolvidos em 43,93% das mortes nas BRs

No relatório mais recente da Operação Rodovida, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apresentou um panorama preocupante sobre acidentes nas estradas federais. De acordo com a corporação, nos últimos 66 dias foram contabilizadas 1.172 mortes, sendo que 514 envolveram veículos de carga, o equivalente a 43,93% do total de óbitos registrados no período. Ao todo, foram registrados 3.149 acidentes com esse tipo de veículo, número que corresponde a 23,81% de todos os sinistros nas rodovias federais. Segundo a PRF, entre os acidentes que envolveram veículos de carga, as colisões frontais se destacaram como as mais letais, somando 288 mortes. No intervalo do Carnaval, ao menos 130 pessoas perderam a vida nas rodovias. De acordo com a instituição, trata-se do período carnavalesco mais letal dos últimos dez anos. Os dados indicam crescimento de 8,54% no número de acidentes graves registrados durante os dias de festa. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a presidente da Comissão de Enfrentamento à Violência no Trânsito da OAB-MG, Alice Araújo Pedrosa. Quais são os principais fatores que levaram a esse número estatístico? Na minha avaliação, estão ligados tanto à conduta dos motoristas quanto ao desrespeito à jornada de trabalho. Os dados da Operação Rodovida são alarmantes: foram registrados 1,2 milhão de veículos com excesso de velocidade e mais de 58 mil ultrapassagens irregulares. Além disso, a conduta perigosa é reforçada por 11,1 mil flagrantes de embriaguez e 9,6 mil condutores usando o celular ao volante. Quanto à jornada, o fato de 17,1 mil motoristas terem desrespeitado a Lei do Descanso mostra que a fadiga é um componente crítico na segurança viária. A norma que regula o tempo de direção e descanso dos caminhoneiros é suficiente? A legislação que regula o tempo de direção (Lei do Descanso) estabelece parâmetros claros, como a pausa de 11 horas, mas os índices de mortalidade sugerem que a eficácia depende de uma fiscalização ainda mais onipresente. Embora existam normas rigorosas para o uso do cronotacógrafo (Resolução 938/22) e a obrigatoriedade do exame toxicológico para categorias C, D e E (Resolução 923/22), o alto número de infrações durante a Operação Rodovida indica que muitos condutores ainda arriscam o descumprimento. As empresas transportadoras também devem ser responsabilizadas com rigor quando há acidentes fatais? Sim, as transportadoras devem ter uma responsabilidade técnica e administrativa bem definida, pois a segurança não recai apenas sobre o condutor. O Contran já prevê mecanismos de responsabilização, como a Resolução 710/17, que regulamenta multas para pessoas jurídicas que não identificam o condutor infrator (Multa NIC). Além disso, normas como a Resolução 926/22 padronizam as notificações de penalidades para empresas, garantindo que a responsabilidade administrativa seja efetivada quando há falhas na gestão da frota ou do pessoal. Em que medida as condições das rodovias federais contribuem para a gravidade desses acidentes? Embora as fontes não detalhem o estado técnico do pavimento, as estatísticas de dinâmica de sinistros mostram que o desenho operacional das vias federais é palco para colisões de extrema gravidade. No período analisado, as colisões frontais foram as que mais resultaram em mortes em acidentes com veículos de carga, totalizando 288 óbitos. Isso evidencia que, independentemente da condição da pista, a infraestrutura das rodovias federais, muitas vezes de pista simples, contribui para a letalidade quando ocorre uma falha de conduta ou fadiga. Que políticas públicas podem ser implementadas de forma imediata para reduzir esses índices? Acredito que a implementação imediata deve focar na tecnologia de monitoramento e na expansão de planos estratégicos já existentes. Políticas como o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), disciplinado pela Resolução 1.004/23, devem ser priorizadas em todos os estados. Além disso, o uso de sistemas de livre passagem e a pesagem automatizada de veículos podem reduzir o estresse nas vias e melhorar o fluxo, diminuindo pontos de conflito. Você defende mudanças no Código de Trânsito Brasileiro ou em normas específicas para o transporte de cargas? Defendo a atualização constante das normas para acompanhar a realidade das estradas. O foco deve estar no refinamento das resoluções do Contran que tratam da formação de condutores e na sinalização viária. Mais do que grandes mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), precisamos de agilidade na regulamentação de novos dispositivos de segurança veicular e em campanhas educativas contínuas e obrigatórias, como as definidas para 2025 pela Resolução 1.014/24.
Beach tennis conquista cada vez mais adeptos

O crescimento acelerado do beach tennis nas praias e quadras de areia do Brasil tem transformado o esporte em um fenômeno social que vai muito além do lazer de verão. A combinação de dinamismo, ambiente descontraído e facilidade de aprendizagem explica parte desse sucesso, além dos benefícios físicos, mentais e sociais, que são determinantes para consolidar a modalidade como uma das mais procuradas. A quadra é semelhante à do vôlei de praia, separada por uma rede alta, e os jogadores utilizam raquetes sólidas e uma bola de baixa pressão. A principal característica do jogo é que a bola não pode quicar na areia, o que torna as trocas rápidas e exige reflexos apurados, coordenação motora e trabalho em equipe, especialmente nas partidas em duplas, formato mais comum da modalidade. Para o educador físico Ricardo Almeida, o beach tennis oferece um conjunto de estímulos físicos bastante completo. “É uma atividade aeróbica e anaeróbica ao mesmo tempo. O praticante realiza deslocamentos constantes na areia, que exigem mais do sistema cardiovascular, enquanto também executa movimentos explosivos, como saltos e cortadas, que trabalham força e potência muscular”. A instabilidade da areia é um diferencial importante, segundo Almeida. “A areia aumenta o recrutamento muscular, principalmente de membros inferiores e da região do core, contribuindo para fortalecimento e prevenção de lesões quando há orientação adequada”. Além do condicionamento cardiorrespiratório, o esporte contribui para melhora do equilíbrio, da coordenação e da agilidade. Como as partidas costumam ser dinâmicas e com intervalos curtos entre os pontos, o gasto calórico também é significativo. “Em uma hora de prática moderada a intensa, é possível gastar entre 400 e 600 calorias, dependendo da intensidade e do perfil do aluno. Os iniciantes devem passar por avaliação física e começar de forma progressiva, especialmente pessoas sedentárias ou com histórico de problemas articulares”, ressalta. Se os ganhos físicos chamam atenção, os impactos mentais e sociais do beach tennis também são destaque. A psicóloga do esporte Mariana Torres observa que o ambiente descontraído é um dos fatores que mais atraem novos praticantes. “Diferentemente de outras modalidades que podem parecer mais técnicas ou competitivas, o beach tennis costuma ter um clima acolhedor. As aulas são coletivas, há muita interação e o erro faz parte do processo de aprendizagem de forma leve”. Mariana ressalta que essa atmosfera favorece a redução do estresse e da ansiedade. “A prática regular libera endorfinas e outros neurotransmissores associados à sensação de bem-estar. Além disso, estar ao ar livre ou em contato com a areia cria uma experiência sensorial que contribui para relaxamento e melhora do humor. O esporte também fortalece vínculos sociais e muitas pessoas ampliaram seu círculo de amizades. Como as partidas geralmente são em duplas ou grupos, há constante cooperação, comunicação e troca”. Outro ponto que impulsiona a popularidade do esporte é a acessibilidade. Não é necessário ter experiência prévia em tênis ou em outros esportes de raquete para começar. As regras básicas podem ser aprendidas em poucas aulas, e os equipamentos são relativamente simples: raquete específica, bola adequada e roupas confortáveis. De acordo com Almeida, praticamente qualquer pessoa pode iniciar na modalidade, desde que respeite seus limites. “Crianças a partir de seis ou sete anos já conseguem aprender os fundamentos básicos de forma lúdica. Já os adultos de todas as idades também podem praticar, inclusive idosos, desde que haja adaptação da intensidade e acompanhamento”. Ele recomenda fazer uma avaliação médica se houver alguma condição pré-existente e procurar professores qualificados para aprender a técnica correta de empunhadura, posicionamento e movimentação. “Isso reduz o risco de lesões em ombro, cotovelo e joelho, além de acelerar o progresso”.
Belo Horizonte se prepara para receber o maior festival gamer

Belo Horizonte se prepara para viver um dos momentos mais marcantes de sua história no universo dos jogos eletrônicos. Entre os dias 18 e 21 de junho de 2026, o tradicional Expominas será palco do Game Fest Minas 2026, um festival com a intenção de consolidar Minas Gerais no calendário nacional e latino-americano de eventos gamer, reunindo tecnologia, cultura pop, e experiências imersivas em uma programação intensa de quatro dias. Mais do que um simples encontro de entusiastas dos games, o evento foi pensado como um hub de cultura, negócios e inovação voltado para todos os públicos que se conectam ao universo gamer, de jogadores casuais a profissionais do setor, passando por estudantes, desenvolvedores e investidores. O encontro ocupará todos os pavilhões do Expominas, que contará com estruturas amplas para competições de e-sports, experiências de realidade virtual (VR), inteligência artificial (IA), metaverso, áreas de robótica, espaços para desenvolvedores independentes, além de atrações temáticas como cosplay e robótica, criando um ambiente que une entretenimento, educação e também oportunidades de negócios. Para Ana Rocha, analista de mercado de jogos e cultura digital, o Game Fest Minas representa um marco significativo tanto para o segmento quanto para Belo Horizonte. “Eventos dessa natureza são fundamentais para que a cena gamer local seja vista com seriedade e conectada às grandes tendências globais. O festival não só celebra a paixão pelos games, mas também atrai investimentos, fomenta networking e oferece às empresas e desenvolvedores um ambiente para gerar parcerias”. Ela revela que a escolha de Belo Horizonte como sede é estratégica, pois a cidade já vem se destacando por sua cena tecnológica vibrante, com polos de inovação e um público jovem e engajado. “Ter um festival dessa escala no coração de Minas impulsiona a economia criativa local e reforça a capital como um destino vibrante para eventos tecnológicos e culturais”. A organização está com a expectativa de receber até 20 mil visitantes por dia, o que significa que o festival movimentará hotéis, restaurantes, comércio e serviços, além de gerar visibilidade para Minas Gerais em nível nacional. “Esse tipo de evento ajuda a descentralizar o mercado, que tradicionalmente se concentra em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, e traz oportunidades concretas para talentos mineiros se destacarem no cenário nacional e internacional”, observa Ana. Como parte de sua iniciativa social, o festival irá disponibilizar 20 mil ingressos sem custo para alunos da rede pública de Minas Gerais. A proposta busca democratizar o acesso ao universo gamer, incentivando os jovens a se aproximarem de áreas como tecnologia, inovação e desenvolvimento digital. A programação do Game Fest Minas foi cuidadosamente elaborada para contemplar diferentes frentes do universo gamer. Haverá competições oficiais de jogos populares, arenas dedicadas a experiências imersivas, espaços de networking para profissionais, painéis e palestras sobre tendências de tecnologia, empreendedorismo digital e o futuro dos games, além de atividades interativas pensadas para todas as idades. “Ver um evento que combina competições, cultura, tecnologia e inclusão é um passo importante para reconhecer os games como uma forma legítima de expressão cultural e também um campo profissional sólido. Isso cria um espaço onde a criatividade floresce, e os jogadores têm a chance de se conectar diretamente com empresas, marcas e outros profissionais”, destaca o desenvolvedor de jogos, Felipe Castro.
Mercado amplia desigualdade salarial entre diferentes setores

O mercado de trabalho no Brasil apresentou avanço em 2025, porém, a disparidade salarial entre diferentes setores continuou expressiva. Segundo levantamento do Infojobs, as áreas técnicas registraram remunerações médias que chegaram a ser até duas vezes superiores às oferecidas em funções operacionais. Os segmentos que concentraram o maior número de vagas, como atendimento ao cliente, comércio e vendas, logística, serviços gerais, alimentação e telemarketing, foram responsáveis por uma fatia significativa das admissões em 2025, representando aproximadamente 58% do total ao longo dos últimos 12 meses. Tratam-se de atividades indispensáveis para a dinâmica econômica e que mantêm procura constante por trabalhadores. Apesar do grande volume de oportunidades, essas áreas figuram entre as que oferecem menores remunerações quando comparadas a setores considerados estratégicos. Em funções relacionadas a atendimento, higienização, telemarketing e atividades operacionais, a média salarial permaneceu, na maioria dos casos, abaixo da quantia de R$ 2,5 mil por mês. Por outro lado, segmentos como tecnologia da informação (TI), contabilidade e finanças, recursos humanos e saúde registraram as maiores faixas salariais ao longo do ano. Na área de TI, por exemplo, os vencimentos médios iniciais ultrapassaram R$ 3,6 mil, enquanto em finanças e contabilidade os valores ficaram acima de R$ 3,3 mil mensais. A distância entre esses campos e os setores operacionais chega a quase dobrar o rendimento, o que reforça a segmentação do mercado de trabalho, onde o nível de qualificação e o ramo de atuação influenciam diretamente o acesso a melhores salários. Assim, mesmo com a expansão do total de admissões, a estrutura de remuneração no país continuou marcada por desequilíbrios. O aumento das vagas em funções operacionais ampliou as chances de entrada no mercado, mas não foi suficiente para encurtar a diferença em relação aos ganhos oferecidos por áreas mais especializadas. Para a economista do trabalho Helena Duarte, a discrepância salarial reflete a lógica de oferta e demanda aliada à exigência de formação específica. “Áreas técnicas requerem qualificação formal, domínio de ferramentas e, muitas vezes, atualização constante. Como há menos profissionais com esse perfil disponível, as empresas pagam mais para atrair e reter talentos. Já as funções operacionais costumam exigir menor tempo de formação e têm maior oferta de candidatos, o que pressiona os salários para baixo”. Ela avalia que a concentração de vagas operacionais também está ligada ao perfil produtivo do país. “A economia brasileira ainda é fortemente baseada em serviços e atividades de menor intensidade tecnológica. Isso gera grande volume de postos operacionais, mas limita a expansão de empregos altamente qualificados”. O sociólogo André Nascimento destaca que a dificuldade de acesso às áreas técnicas não se resume à falta de interesse dos trabalhadores. “Há barreiras estruturais importantes, como desigualdade educacional, necessidade de ingresso precoce no mercado de trabalho e baixa renda familiar. Muitas pessoas precisam trabalhar desde cedo e não conseguem investir tempo e recursos em cursos técnicos ou ensino superior”. A limitação no acesso a cursos de qualidade e a falta de informação sobre trajetórias profissionais também contribuem para perpetuar o ciclo. Helena acrescenta que a transformação digital acelerada nos últimos anos ampliou a demanda por profissionais qualificados, mas o sistema educacional não acompanhou a mesma velocidade. “Existe um descompasso entre o que o mercado exige e o que grande parte da população consegue acessar em termos de formação. Sem políticas consistentes de qualificação, a tendência é a segmentação se aprofundar”. Para mudar esse cenário, os especialistas defendem ações articuladas entre governo, empresas e instituições de ensino. Entre as propostas estão a ampliação de programas de formação técnica gratuita, parcerias entre empresas e escolas para capacitação prática e incentivo à educação continuada. “É fundamental criar trilhas de qualificação acessíveis, com cursos modulares e flexíveis, que permitam ao trabalhador estudar e trabalhar ao mesmo tempo”, sugere Nascimento. Outra medida apontada é o fortalecimento de políticas de inclusão digital e bolsas de estudo voltadas a áreas estratégicas. “Quando ampliamos o acesso à formação técnica, aumentamos as chances de mobilidade social e reduzimos a desigualdade salarial”, finaliza a economista.