Redução da desigualdade ainda continua um desafio persistente no Brasil

A redução do desemprego e da fome está entre os avanços apontados pelo Observatório Brasileiro das Desigualdades. Em 2025, o Brasil apresentou melhora em 71% dos indicadores analisados. Porém, a desigualdade de renda aumentou: o 1% mais rico passou a ganhar 31,5 vezes mais que os 50% mais pobres, contra 30,2 vezes no relatório anterior. Apesar dos avanços, a concentração de renda ainda representa um desafio para o país. Os resultados positivos identificados pelo Observatório aparecem em diversas áreas, como emprego, renda, combate à pobreza, segurança alimentar, educação e saúde. Também houve avanços no acesso a serviços básicos, na redução de homicídios entre jovens, das emissões de gases de efeito estufa e do desmatamento, além de maior presença de mulheres e pessoas negras em espaços de representação institucional. Em contrapartida, 13% dos indicadores apresentaram resultados negativos. Entre os principais problemas estão o aumento da desigualdade de renda, do comprometimento excessivo da renda com aluguel e da população exposta a áreas de risco geológico. O relatório também aponta que pessoas negras continuam sendo maioria desproporcional entre a população carcerária brasileira. A concentração de riqueza é resultado de fatores que se acumulam ao longo do tempo. Segundo a economista Helena Duarte, a desigualdade brasileira está ligada à formação histórica do país e à distribuição desigual de oportunidades. “Não se trata apenas de uma diferença entre quem ganha mais e quem ganha menos, as pessoas partem de condições muito diferentes. Quem nasce em uma família com patrimônio, acesso a boas escolas, melhor atendimento de saúde e uma rede de contatos tem mais possibilidades de acumular riqueza e transmitir todas essas vantagens para os filhos”. Segundo Helena, os períodos de crescimento econômico produzem resultados diferentes entre as camadas da população. Quando há aumento da renda, por exemplo, famílias que já possuem patrimônio e investimentos podem ampliar seus ganhos por meio de juros, aluguéis e valorização de ativos. “Já os trabalhadores que dependem principalmente do salário ficam mais expostos ao custo de vida e às oscilações do mercado de trabalho. O crescimento econômico é importante, mas não garante, sozinho, uma distribuição mais equilibrada dos recursos. É necessário criar mecanismos para que os ganhos de desenvolvimento cheguem também às parcelas mais pobres da população”. A população negra também continua sobrerepresentada no sistema prisional, outro sinal de que as desigualdades não se limitam à renda. Para o sociólogo André Nascimento, diferentes formas de exclusão acabam se reforçando. “A desigualdade econômica está relacionada a outras questões. Pessoas que têm menos acesso à educação, emprego formal, moradia adequada e serviços públicos enfrentam mais obstáculos ao longo da vida, quando essas dificuldades se acumulam, a possibilidade de ascensão social diminui”. Entre as medidas apontadas pelos especialistas estão o fortalecimento dos serviços públicos, a criação de empregos formais e a valorização dos salários. Políticas de transferência de renda também podem garantir condições básicas às famílias vulneráveis. Outra frente de discussão é o sistema tributário. Para Helena, uma tributação mais progressiva pode reduzir a concentração de recursos. “Quem possui maior capacidade econômica pode contribuir proporcionalmente mais para o financiamento das políticas públicas. Isso não significa apenas aumentar impostos, mas revisar a forma como diferentes tipos de renda e patrimônio são tributados. Os recursos arrecadados devem retornar à sociedade por meio de serviços públicos eficientes e investimentos que ampliem oportunidades”. Nascimento ressalta que as mudanças precisam ser mantidas no longo prazo. “A desigualdade não foi construída em poucos anos e, por isso, também não será eliminada rapidamente. É necessário combinar políticas de proteção social com medidas estruturais que melhorem a educação, o mercado de trabalho, a moradia e a distribuição de oportunidades”.
Falta de recursos financeiros barra eleição de jovens a cargos políticos

Pesquisa da Legisla Brasil sobre juventude e participação partidária aponta que o financiamento é um dos principais obstáculos para jovens em sua primeira eleição. Em 2024, candidaturas de 18 a 29 anos receberam, em média, R$ 23.028, cerca de 64% do valor destinado às candidaturas mais velhas, de R$ 36 mil. A diferença também aparece nos resultados: candidatos de 18 a 20 anos tiveram taxa de sucesso de 7,1%, contra 16% entre os de 35 a 44 anos. No total, jovens de 18 a 29 anos ocuparam apenas 6% das vereanças eleitas. O estudo combinou dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com entrevistas com mais de 60 jovens, entre filiados e ex-filiados a partidos de diferentes espectros políticos. Os resultados indicam que as chances de eleição diminuem entre os candidatos mais jovens. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com o diretor-executivo da Legisla Brasil, Fernando Haddad Moura. Existem consequências para a democracia quando uma parcela expressiva da população jovem não consegue chegar aos espaços de decisão? Sim, porque isso cria uma distância entre a participação política dos jovens e sua presença nos espaços de decisão. Em 2024, quase 30 mil pessoas de 18 a 29 anos se candidataram, mas apenas 6% das vereanças eleitas foram ocupadas por essa faixa etária, deixando demandas e perspectivas de uma parcela importante da população sub-representadas. Esse cenário também pode afastar os jovens da democracia, quando percebem que enfrentam mais dificuldades para chegar ao mandato. Quais são as principais barreiras enfrentadas por um jovem que decide disputar sua primeira eleição? O principal gargalo que verificamos está na passagem da candidatura ao mandato. Em 2024, a taxa de sucesso entre jovens de 18 a 29 anos foi de 11,9%, contra 14,4% entre os mais velhos; entre os de 18 a 20 anos, foi de apenas 7,1%, menos da metade dos 16% registrados entre candidatos de 35 a 44 anos. O dinheiro é parte do problema: candidaturas jovens receberam, em média, R$ 23 mil, contra R$ 36 mil das mais velhas. Somam-se a isso menor estrutura, apoio político e experiência eleitoral. Os dados de reeleição reforçam esse cenário: apenas 9,3% dos jovens estreantes foram eleitos, contra 64,6% dos que já ocupavam a cadeira. Assim, a principal barreira está em conquistar o primeiro mandato e, a partir dele, construir capital político para permanecer na disputa. Que papel os próprios partidos têm nessa desigualdade e onde termina a dificuldade estrutural de uma eleição e começa a responsabilidade das organizações partidárias? Os partidos têm um papel central nesse processo, pois definem o acesso a recursos, apoio e oportunidades de campanha. Por isso, as dificuldades dos jovens não podem ser atribuídas apenas às eleições. A pesquisa revela ainda uma distância entre o espaço que os partidos dizem oferecer aos jovens e o poder que efetivamente compartilham com eles. Muitas vezes, os jovens são mobilizados para tarefas de campanha, enquanto decisões sobre candidaturas, recursos e estratégias são concentradas. As novas regras eleitorais ajudaram ou dificultaram a entrada de jovens na disputa? Entre 2020 e 2024, as candidaturas jovens caíram 36%, contra 15% entre os demais grupos. A cláusula de desempenho e mudanças no quociente eleitoral podem ajudar a explicar esse movimento, ao aumentar a pressão por votos e recursos e levar os partidos a priorizarem candidaturas consideradas mais competitivas. Para os jovens, isso representa uma barreira adicional. Embora o financiamento médio tenha subido de R$ 7.609, em 2020, para R$ 23.028, em 2024, o valor ainda ficou abaixo do recebido pelas candidaturas mais velhas, mantendo a desigualdade de apoio. O que os partidos poderiam fazer já nas próximas eleições para reduzir essa barreira à entrada de jovens? O primeiro passo é garantir que os jovens participem das decisões dos partidos. Isso exige espaço real nas instâncias que definem recursos, candidaturas e estratégias. Embora existam mecanismos eleitorais de apoio a mulheres e pessoas negras, a juventude ainda não conta com instrumentos equivalentes. Por isso, os partidos poderiam fortalecer suas organizações de juventude, investir em formação, mentoria e preparação eleitoral, além de tornar mais transparentes a distribuição de recursos e a participação nas decisões.
Investimento do governo federal em esporte e lazer aumentou 128%

Os recursos destinados pelo governo federal às áreas de esporte e lazer apresentaram crescimento significativo nos últimos anos, segundo dados do estudo Placar Brasil, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva (IPIE). A pesquisa analisou e comparou os períodos de 2019 a 2022 e de 2023 a 2026 e entre os resultados está a evolução da média anual de investimentos na função Desporto e Lazer. O valor, que era de R$ 767,1 milhões no primeiro período analisado, chegou a R$ 1,75 bilhão no segundo, representando uma alta de 128,16%. O levantamento indica uma maior participação do esporte entre as áreas contempladas pelas políticas públicas federais. O impacto também pode ser observado no número de beneficiários. As ações desenvolvidas pela Secretaria Nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social tiveram crescimento de 132,69% na quantidade de beneficiários diretos, a média anual de pessoas atendidas saiu de cerca de 300 mil para quase 700 mil. Para o antropólogo do esporte Rafael Muniz, os números devem ser analisados não apenas pelo volume de dinheiro empregado, mas também pelo impacto que pode gerar na vida da população. “Quando o investimento público aumenta e chega a mais pessoas, o esporte deixa de ser visto apenas como uma atividade de competição e passa a funcionar também como uma ferramenta de educação, convivência, desenvolvimento pessoal e acesso a oportunidades”. Segundo Muniz, a presença de programas esportivos em comunidades pode ter papel especialmente relevante entre crianças e adolescentes. “Para muitos jovens, participar de uma atividade esportiva significa ter acesso a um espaço seguro, estabelecer vínculos, aprender a trabalhar em equipe e desenvolver disciplina. São experiências que podem contribuir para a formação desses jovens dentro e fora das quadras”. Outro indicador destacado pelo estudo é a expansão da estrutura destinada à prática esportiva. No período analisado, houve aumento de 59,21% na quantidade de núcleos esportivos implantados. Conforme o levantamento, essa expansão contribuiu para levar as políticas públicas a mais localidades do país e ampliar as oportunidades de acesso ao esporte, especialmente como ferramenta de inclusão social. A pesquisa também evidencia uma expansão dos recursos destinados à infraestrutura esportiva. Na comparação entre os dois períodos avaliados, a média anual de valores empenhados para obras e aquisição de equipamentos passou de R$ 254,9 milhões para R$ 530,9 milhões, representando uma alta de 108,29%. A quantidade média de projetos contemplados apresentou crescimento de 30,59%, paralelamente, o investimento médio destinado a cada iniciativa aumentou 59,50%. O Bolsa Atleta também registrou crescimento, a média anual de bolsas concedidas passou de 5.252 para 9.699, alta de 84,66%, enquanto os investimentos no programa aumentaram 86,23%. Na avaliação do educador físico Ricardo Menezes, políticas de incentivo aos atletas podem produzir efeitos que vão além do desempenho esportivo. “O apoio financeiro pode representar a diferença entre um jovem abandonar uma modalidade por falta de condições ou conseguir continuar treinando e competindo. Em muitos casos, o esporte funciona como uma porta de entrada para novas perspectivas de vida”. Menezes ressalta ainda que o esporte pode desempenhar um papel importante na redução das desigualdades. “Quando uma política pública oferece acesso gratuito ou subsidiado a atividades esportivas, ela cria oportunidades para pessoas que não teriam condições de pagar por treinamento, equipamentos ou espaços privados. Isso torna o esporte um instrumento importante de inclusão social”. Na Lei de Incentivo ao Esporte, a quantidade média anual de projetos apresentados subiu de 2.117 para 5.033, crescimento de 137,71%. Os recursos captados também avançaram, passando de R$ 489,8 milhões para R$ 1,15 bilhão por ano. No paradesporto, o número de entidades apoiadas cresceu de 22 para 124, enquanto o investimento médio anual passou de R$ 4,4 milhões para R$ 12,1 milhões. Para os especialistas, a expansão das políticas esportivas precisa ser acompanhada pela preocupação com a continuidade dos programas e pela distribuição dos recursos. Mais investimentos podem significar mais oportunidades, mas o alcance social depende da capacidade de fazer com que essas ações cheguem efetivamente às diferentes regiões e públicos.
Virada Cultural ocupa as ruas de Belo Horizonte com diversas atrações

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), através da Fundação Municipal de Cultura (FMC), anunciou os nomes de 136 artistas e servidores selecionados inicialmente para integrar a programação da Virada Cultural 2026. O evento acontecerá nos dias 29 e 30 de agosto. Entre os destaques estão a rapper Mac Júlia, que poderá dividir o palco com convidados, o Samba da Meia Noite, a apresentação de ballroom da House Of Capiva e os blocos Esquina, Volta Belchior e Funk You. O edital reúne uma ampla variedade de manifestações culturais e artísticas. Entre as áreas contempladas estão as artes cênicas, incluindo teatro, dança, circo e performance, além de música, literatura, leitura, audiovisual, artes visuais, design, cultura digital, games, novas mídias e arte digital. Também fazem parte da seleção iniciativas relacionadas ao patrimônio cultural, às culturas populares tradicionais e urbanas, à gastronomia, à cultura alimentar e à memória. O chamamento ainda prevê propostas de feiras culturais, intervenções e instalações em espaços urbanos, ações de bem-estar e projetos que combinem diferentes linguagens artísticas. Na modalidade Culturas de Rua, são aceitas propostas que envolvam graffiti, intervenções visuais, estêncil, pintura livre, sticker, lambe-lambe e pintura mural. Já a categoria Esportes Urbanos contempla modalidades como skate, ciclismo, rolimã, patins, basquete e slackline. Todas as atrações são distribuídas por espaços tradicionais da Virada, como a Praça da Estação, o Parque Municipal, o Viaduto Santa Tereza, as ruas Guaicurus, Bahia e Sapucaí, a Praça Raul Soares e a Praça Fuad Noman, no Edifício Sulacap. De acordo com o produtor cultural Rafael Lacerda, a realização de eventos gratuitos em grande escala contribui para aproximar a população de manifestações artísticas que, em outras circunstâncias, poderiam estar fora de seu alcance. “Quando a cultura ocupa as ruas e os equipamentos públicos, ela deixa de ser percebida como algo restrito a determinados grupos. A gratuidade é importante porque reduz uma das principais barreiras de acesso, mas a diversidade da programação também é fundamental para que diferentes públicos se sintam representados”. Segundo Lacerda, a democratização do acesso também precisa ser analisada pelo lado de quem produz arte. “Não basta levar o público aos eventos, é necessário criar oportunidades para que artistas de diferentes territórios, trajetórias e linguagens possam apresentar seu trabalho e receber uma gratificação por isso. Quando um edital contempla graffiti, ballroom, música, teatro, literatura, esportes urbanos e cultura digital, por exemplo, ele reconhece que a produção cultural de uma cidade é muito mais ampla do que aquilo que tradicionalmente chega aos grandes palcos”. Na visão do sociólogo André Nascimento, a Virada Cultural de BH também tem um papel importante na relação dos moradores com a própria cidade. “Um evento como esse é capaz de modificar temporariamente a maneira como as pessoas enxergam Belo Horizonte. Uma praça, uma rua ou um equipamento público deixam de ser apenas locais de passagem e passam a funcionar como espaços de convivência, expressão artística e encontro, isso ajuda a fortalecer o sentimento de pertencimento à cidade”. “Quando a cidade recebe uma programação extensa e diversificada, as pessoas passam a experimentar lugares que muitas vezes são vistos apenas como áreas de circulação. Essa ocupação pode gerar novas relações com o espaço urbano e mostrar que o centro da cidade também pode ser um lugar de lazer, cultura e convivência”, comenta. Ainda conforme Nascimento, eventos desse porte podem produzir efeitos simbólicos importantes para a população. “A cidade não é formada apenas por prédios, avenidas e serviços, ela também é construída pelas experiências compartilhadas. Quando milhares de pessoas ocupam os mesmos espaços para assistir a um espetáculo, participar de uma oficina ou simplesmente circular pela programação, cria-se uma experiência coletiva que ajuda a construir a memória da cidade”.
Brasil avança no turismo internacional e amplia o fluxo de visitantes

O Brasil registrou um dos maiores avanços no número de visitantes estrangeiros entre 2019 e 2025. De acordo com o relatório Tendências e Políticas do Turismo 2026, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país ocupou a quarta posição entre aqueles que mais ampliaram o fluxo de turistas internacionais no período. A quantidade de chegadas passou de 6,3 milhões para 9,3 milhões, representando um crescimento de 46%. Dados divulgados pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) também apontam para a continuidade desse movimento em 2026. Entre janeiro e junho, o país contabilizou 5,2 milhões de chegadas de turistas estrangeiros, resultado que representa o segundo melhor primeiro semestre já registrado. No mesmo período, os gastos desses visitantes movimentaram US$ 5,6 bilhões na economia nacional, montante 12% maior que o observado nos primeiros seis meses de 2025. A economista Marcela Andrade afirma que o turismo tem capacidade de distribuir os efeitos da atividade econômica para diferentes regiões. “Funciona como uma cadeia, o dinheiro gasto pelo visitante não fica concentrado apenas no hotel ou na companhia aérea. Ele chega ao restaurante, ao motorista, ao guia, ao artesão, ao comerciante e a diversos outros trabalhadores, por isso, quando o fluxo internacional cresce, o impacto pode se espalhar por vários segmentos da economia”. O desempenho registrado nos últimos anos pode ser explicado por uma combinação de fatores, esclarece Marcela. “Ações de promoção internacional ajudaram a ampliar a exposição do Brasil no exterior, apresentando destinos que vão além dos cartões-postais tradicionalmente associados ao país. Outro elemento importante é a variedade da oferta turística brasileira, visto que o país reúne diferentes paisagens, culturas e experiências em um único território. Esse patrimônio pode atender a perfis variados de visitantes, desde aqueles interessados em lazer e praias até turistas que procuram natureza, negócios, gastronomia, eventos ou manifestações culturais”. Segundo o agente de viagens, Vicente Brandão, a próxima etapa deve ser transformar o aumento no número de visitantes em uma política permanente de desenvolvimento. “Não basta comemorar recordes de chegada, o desafio é fazer com que o turista permaneça mais tempo, visite diferentes regiões e tenha motivos para retornar ao Brasil. Para isso, precisamos investir em infraestrutura, qualificação profissional, segurança, conectividade e divulgação internacional dos destinos”. “A infraestrutura aparece entre os principais pontos para sustentar o crescimento. Melhorias em aeroportos, estradas, transporte público, sinalização turística, acesso à internet e serviços básicos podem influenciar diretamente a experiência de quem visita o país”, comenta Brandão. Ele ressalta ainda que a qualificação da mão de obra é outro fator estratégico. “O contato com o turista ocorre em diferentes momentos da viagem e pode determinar a percepção que ele terá sobre o destino. Profissionais capacitados para trabalhar com hospitalidade, idiomas, tecnologia, gastronomia e atendimento especializado podem contribuir para elevar a qualidade dos serviços oferecidos”. Na avaliação de Brandão, a sustentabilidade deve acompanhar esse processo. “O aumento da quantidade de visitantes pode gerar benefícios econômicos, mas também provoca maior pressão sobre cidades, áreas naturais e patrimônios históricos. O planejamento precisa, portanto, conciliar crescimento e preservação, investimentos em gestão de destinos, saneamento, conservação ambiental e organização do fluxo de visitantes podem evitar que o sucesso turístico comprometa os próprios atrativos responsáveis por chamar a atenção dos viajantes”. “Mais do que alcançar novos recordes, o desafio será construir um turismo capaz de gerar empregos, distribuir renda, fortalecer empresas locais e estimular o desenvolvimento de diferentes regiões”, conclui Marcela.
Castigo físico em crianças ainda faz parte da rotina de muitas famílias

Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Futuro é Infância Saudável, vinculado à Fundação José Luiz Setúbal, em parceria com a Quaest, revelou uma discrepância entre o que os brasileiros consideram ser a forma mais adequada de educar crianças e adolescentes e a maneira como parte da população efetivamente reage em situações de desobediência ou conflito. Segundo o levantamento, 91% dos brasileiros acreditam que conversar com a criança e explicar o erro é a melhor forma de educar. Na prática, 93% afirmaram já ter adotado essa estratégia ao menos uma vez. Ao mesmo tempo, o estudo mostra que medidas mais severas ainda são comuns. Gritar com a criança foi admitido por 62% dos entrevistados, enquanto 49% disseram já ter dado tapas e 39% relataram ter ameaçado bater. O uso de objetos, como chinelos, foi citado por 27% dos participantes. Além disso, 48% afirmaram já ter aplicado castigos que restringem momentos de lazer. Outros 22% disseram ter beliscado ou puxado a orelha de uma criança, e 18% reconheceram ter recorrido a xingamentos ou ofensas. A pesquisa também investigou como os brasileiros reagiriam ao presenciar agressões contra crianças em espaços públicos. Entre os entrevistados, 32% disseram que não fariam nada por considerarem que se trata de um assunto particular. Outros 30% afirmaram que até gostariam de intervir, mas se sentiriam constrangidos. Já 21% responderam que conversariam diretamente com o responsável, enquanto 15% recorreriam a terceiros ou acionariam a polícia. Para a psicóloga educacional Carla Silva, a permanência dos castigos físicos está ligada a padrões culturais transmitidos entre gerações. “Muitos adultos reproduzem a forma como foram educados, acreditando que a punição física ensina respeito. No entanto, a ciência mostra que bater pode gerar medo e obediência momentânea, mas não favorece a compreensão do erro nem o desenvolvimento do autocontrole”. Segundo a especialista, a violência pode comprometer o vínculo entre pais e filhos e aumentar a probabilidade de problemas emocionais e comportamentais. “Quando a criança aprende pelo medo, ela deixa de desenvolver habilidades, como resolver conflitos, reconhecer emoções e assumir responsabilidades por suas atitudes”. Ela ressalta que momentos de desobediência fazem parte do desenvolvimento infantil e precisam ser compreendidos como oportunidades de aprendizagem. “A criança ainda está formando sua capacidade de controlar impulsos e entender limites. Por isso, uma reação agressiva do adulto pode transmitir a mensagem de que a força é uma forma aceitável de resolver conflitos”. A pedagoga Beatriz Lima destaca que estabelecer limites continua sendo essencial, mas isso não significa recorrer à agressão. “Educar com firmeza é diferente de educar com violência. Os responsáveis precisam definir regras claras, coerentes e adequadas à idade da criança, explicando as consequências de cada comportamento”. Entre as estratégias mais eficazes, Beatriz recomenda manter o diálogo, reforçar comportamentos positivos, aplicar consequências proporcionais às atitudes inadequadas e servir de exemplo no controle das próprias emoções. “Os filhos observam muito mais o comportamento dos adultos do que os discursos. Quando os pais conseguem manter a calma e agir com respeito diante das situações, aumentam as chances de que a criança também aprenda a lidar melhor com as frustrações”. O Estatuto da Criança e do Adolescente garante que crianças e adolescentes sejam educados e cuidados sem sofrer castigos físicos ou tratamentos cruéis e degradantes. A Lei nº 13.010/2014, conhecida como Lei Menino Bernardo, considera castigo físico qualquer ação com uso de força que cause sofrimento ou lesão, além de proibir humilhações, ameaças graves e ridicularizações. Casos de suspeita ou confirmação de violência podem ser denunciados ao Conselho Tutelar ou pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia para receber denúncias de violações de direitos.
Leishmaniose continua sendo um grave desafio de saúde pública no Brasil

Transmitida pela picada do flebotomíneo, conhecido popularmente como mosquito-palha, a leishmaniose pode se manifestar de duas formas principais: a tegumentar, que provoca lesões na pele e nas mucosas; e a visceral, considerada a forma mais grave por comprometer órgãos internos como fígado, baço e medula óssea. O Brasil concentra o maior número dos casos das Américas e mantém a doença como um problema endêmico em diversas regiões. Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2023, foram registrados aproximadamente 13 mil casos de leishmaniose tegumentar no país, mantendo uma média anual superior a 12 mil ocorrências nos últimos anos. Já a leishmaniose visceral apresenta cerca de dois mil casos notificados por ano, com maior concentração nas regiões Norte e Nordeste, embora a doença também esteja presente no Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Diferentemente do que muitas pessoas acreditam, cães infectados não transmitem diretamente a doença para os humanos, eles funcionam como importantes reservatórios do parasita em áreas urbanas, enquanto a transmissão depende obrigatoriamente da presença do inseto vetor. Segundo a infectologista Fernanda Diniz, um dos maiores desafios continua sendo o reconhecimento precoce dos sintomas. “Na forma tegumentar, a pessoa costuma apresentar uma ou mais feridas que não cicatrizam, geralmente indolores, mas que aumentam lentamente de tamanho, quando há comprometimento das mucosas, podem surgir lesões no nariz, boca e garganta. Já a leishmaniose visceral costuma provocar febre prolongada, perda de peso, fraqueza intensa, aumento do fígado e do baço, anemia e redução das células de defesa do organismo. Sem tratamento, essa forma pode evoluir para complicações graves e até levar à morte”. Ela explica que o diagnóstico depende da avaliação clínica associada a exames laboratoriais. “Conforme o quadro do paciente, podem ser utilizados testes sorológicos, exames parasitológicos, biópsias das lesões ou exames moleculares, como a reação em cadeia da polimerase (PCR). Na leishmaniose visceral, também são empregados testes rápidos disponíveis na rede pública de saúde”. Para o infectologista Marcelo Azevedo, o acesso rápido ao diagnóstico faz toda a diferença no prognóstico dos pacientes. “Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de cura e menores são as sequelas. Muitas pessoas convivem durante meses com lesões de pele acreditando se tratar de alergias ou infecções comuns. Na forma visceral, o atraso no diagnóstico aumenta o risco de complicações, principalmente em crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade”. O tratamento é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e varia conforme a forma clínica, a idade do paciente e a presença de outras doenças. “Entre os medicamentos utilizados estão os antimoniais pentavalentes, a anfotericina B em diferentes formulações e, em situações específicas, a miltefosina, incorporada recentemente como alternativa terapêutica para casos de leishmaniose tegumentar”, esclarece Azevedo. Prevenção Os especialistas ressaltam que não existe vacina disponível para prevenir a leishmaniose em seres humanos, por isso, as medidas preventivas permanecem fundamentais. Entre elas estão o uso de repelentes, roupas de mangas compridas em áreas de maior risco, instalação de telas em portas e janelas, limpeza frequente de quintais para reduzir matéria orgânica onde o vetor se desenvolve e o manejo adequado de resíduos. Nos locais com transmissão intensa, também são recomendadas ações de vigilância ambiental e controle do vetor realizadas pelos serviços de saúde. No caso dos cães, a prevenção inclui acompanhamento veterinário, uso de coleiras impregnadas com inseticida e vacinação quando indicada pelo veterinário. A identificação de um animal infectado não significa risco de transmissão direta para pessoas, mas sinaliza a necessidade de intensificar as medidas de vigilância e controle do mosquito na região.
Adjudicação pode destravar regularização da Ocupação Fidel Castro

Um litígio judicial que se estende há uma década, envolvendo um terreno pertencente à Construtora Centro-Oeste (CCO), penhorado em razão de débitos da empresa, constitui o principal entrave para a regularização das moradias de centenas de famílias residentes na Ocupação Fidel Castro, localizada no município de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A questão foi discutida durante audiência pública promovida pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O secretário nacional de Periferias do Ministério das Cidades, Vitor Araripe Pacheco, afirmou esperar que o impasse seja solucionado por meio da adjudicação urbana, mecanismo que consiste na transferência de um imóvel para quitação de dívida e que, se concretizado, representará uma iniciativa inédita no Brasil. “Será a primeira adjudicação urbana do Brasil. Vocês vão fazer história para todo o país”. A Ocupação Fidel Castro teve início em 2016, após cerca de 700 famílias vinculadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) se estabelecerem em um terreno localizado nas proximidades do Parque do Sabiá, em Uberlândia. Desde então, a comunidade cresceu e, atualmente, reúne aproximadamente 1,5 mil famílias. De acordo com o MTST, em 2024, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizou a transferência dos imóveis ao município por meio de doação. Entretanto, a Prefeitura de Uberlândia não aceitou a proposta, alegando não dispor dos recursos financeiros necessários para viabilizar o processo de regularização fundiária. Em 2025, o governo federal aprovou a habilitação da proposta apresentada pela Prefeitura para a regularização da área, a ser financiada com aproximadamente R$ 111 milhões provenientes do programa Novo PAC Periferia Viva. Apesar desse avanço, a implementação da iniciativa permanece condicionada à resolução da penhora incidente sobre o terreno pertencente à Construtora Centro-Oeste, que corresponde a quase metade da área ocupada pela Ocupação Fidel Castro. A parcela remanescente do território está distribuída entre outros cinco proprietários, embora ainda existam controvérsias quanto à delimitação dos respectivos imóveis. Segundo o coordenador nacional do MTST, Jairo dos Santos Pereira, a emissão de parecer favorável pela Advocacia-Geral da União, em fevereiro deste ano, à adjudicação do terreno onde está localizada a comunidade Fidel Castro representou um avanço importante, aproximando a concretização da regularização fundiária almejada pelos moradores. “A gente custou a aprender uma palavra aqui na ocupação, que é a adjudicação. A troca da dívida pelo imóvel. O primeiro caso de adjudicação urbana no Brasil será o da Ocupação Fidel Castro”. O procurador-seccional da Fazenda Nacional em Uberlândia, Lucas Dornelas, informou que a atuação do órgão depende da regulamentação da adjudicação urbana, etapa considerada necessária para o prosseguimento das medidas cabíveis. Mais dignidade Durante a reunião, o deputado estadual Leonídio Bouças (PSDB) manifestou apoio à transferência do terreno para o município, argumentando que essa medida representa a alternativa mais adequada para viabilizar a regularização fundiária da comunidade Fidel Castro. “É preciso ter habitação para ter dignidade. Viemos aqui para ser o elo e buscar solução”. A coordenadora do MTST, Joana Gama, destacou que, há dez anos, os moradores da comunidade lutam para concretizar o sonho de conquistar a casa própria com a devida regularização fundiária. “Nossa luta é pelo preconceito que enfrentamos lá fora. As crianças não têm ônibus escolar porque eles não entram na comunidade”. Além da regularização fundiária, os moradores da comunidade reivindicam o fornecimento de energia elétrica para todas as residências. O superintendente regional da Cemig, Wellington Cancian, informou que, segundo o presidente da empresa, Alexandre Peixoto, a solução depende da articulação entre diferentes instituições. A companhia não pode realizar ligações elétricas em áreas não regularizadas devido a um termo de compromisso firmado com o Ministério Público em 2014.
Tradição das quitandas mineiras é destaque no Banquetaço em BH

A tradição das quitandas de Minas Gerais ganhará destaque durante um grande encontro gastronômico aberto ao público, marcado para o dia 15 de agosto, na região Central de Belo Horizonte. O Banquetaço 2026 reunirá cozinheiras, integrantes de movimentos sociais, ativistas, entidades comunitárias e representantes da sociedade civil em uma mobilização pela valorização da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) e pela preservação dos costumes alimentares do Estado. Com o tema “Um Quitandaço”, a edição deste ano pretende reconhecer o papel histórico das quitandeiras e a riqueza dos conhecimentos culinários transmitidos ao longo das gerações. A iniciativa também ressalta a importância dos povos e comunidades tradicionais na manutenção de receitas, técnicas e modos de preparo que ajudaram a construir a identidade gastronômica de Minas Gerais. Para a nutricionista Cristina Souza, esses saberes representam memória, identidade e resistência cultural. “As práticas alimentares que formaram a gastronomia de Minas Gerais carregam histórias de comunidades, famílias e povos que ajudaram a construir o Estado. Preservá-las é reconhecer esse patrimônio e garantir que ele continue sendo transmitido às próximas gerações”. Além de valorizar as tradições e práticas alimentares, a iniciativa também busca promover uma reflexão sobre os rumos das políticas públicas de Segurança Alimentar e Nutricional em BH. De acordo com os organizadores, o encontro servirá ainda como um espaço de mobilização e manifestação diante da possibilidade de mudanças na gestão dessa política por parte da Prefeitura, em razão da proposta de transferir a administração da área e das críticas relacionadas à forma como vem sendo conduzido o diálogo com o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional. Cristina diz que o movimento tem papel estratégico ao aproximar a população das discussões sobre um tema que afeta milhares de pessoas. “A segurança alimentar não envolve apenas ter comida disponível na mesa, mas também garantir acesso contínuo a alimentos de qualidade, produzidos de forma sustentável e respeitando a cultura de cada território. Em uma cidade como Belo Horizonte, que possui uma forte tradição culinária, discutir essas políticas é extremamente fundamental para combater desigualdades e fortalecer redes comunitárias”, ressalta a nutricionaista. Ela reforça que o fortalecimento de iniciativas como o Banquetaço também contribui para aproximar a população das discussões sobre produção, distribuição e consumo de alimentos. “Quando uma comunidade reconhece o valor dos seus próprios saberes culinários, passa a enxergar a alimentação como um elemento de identidade e também como uma ferramenta de transformação social. A preservação das quitandas mineiras mostra que tradição e políticas públicas podem caminhar juntas na construção de sistemas alimentares mais justos”. Para o sociólogo André Nascimento, iniciativas como o Banquetaço ajudam a colocar a alimentação no centro das decisões públicas. “Quando a sociedade participa desse debate, também defende direitos básicos e cobra ações permanentes para garantir que ninguém seja privado de uma alimentação adequada. Esses encontros dão visibilidade a problemas que muitas vezes permanecem invisíveis no cotidiano urbano”. Movimentos coletivos são fundamentais para manter o tema da fome e da insegurança alimentar em evidência no debate público, ressalta Nascimento. “A alimentação é uma questão que envolve direitos, cultura e desenvolvimento. Eventos como o Banquetaço permitem que diferentes vozes participem da discussão e ajudam a lembrar que combater a insegurança alimentar exige ações contínuas, planejamento e compromisso dos governos e da sociedade”. O Banquetaço foi criado em 2019 como uma mobilização em reação à extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Desde sua criação, a iniciativa tem reunido diversos segmentos da sociedade em defesa do acesso à alimentação adequada como um direito fundamental, da soberania alimentar e do fortalecimento de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da fome.
70,2% dos varejistas mineiros esperam vender mais no segundo semestre

Uma pesquisa da Fecomércio MG aponta que 70,2% dos empresários acreditam em vendas maiores no segundo semestre, impulsionadas principalmente pelas datas comemorativas, como o Natal, e por ações de divulgação, promoções e melhorias no atendimento. Mesmo diante de desafios como inflação, endividamento das famílias e cautela dos consumidores, o setor mantém expectativas positivas. Embora 60,6% das empresas tenham atingido as expectativas no primeiro semestre, o levantamento revela diferentes realidades no setor. Enquanto alguns negócios apresentam resultados positivos, outros ainda enfrentam desafios como menor poder de compra dos consumidores, dificuldades de acesso ao crédito e aumento dos custos operacionais. Ainda assim, o calendário de datas comemorativas mantém perspectivas favoráveis para os próximos meses. Para a economista Paula Tavares, especialista em varejo e comportamento de consumo, o otimismo dos empresários está relacionado à concentração de oportunidades no segundo semestre. “O período reúne datas com forte apelo comercial, como Dia dos Pais, Dia das Crianças, Black Friday e Natal. Além disso, muitas empresas já perceberam que ações de relacionamento, promoções estratégicas e melhoria no atendimento podem influenciar a decisão de compra”. O Natal aparece como a principal aposta dos empresários, sendo citado por 41,1% dos entrevistados, seguido pelo Dia dos Pais (18,3%), Dia das Crianças (17,8%) e Black Friday (12,7%). Para 40,9% dos participantes, essas ocasiões devem gerar resultados melhores do que os registrados em 2025. Segundo o analista de mercado Daniel Cardoso, para transformar a expectativa em resultado, os lojistas precisam se preparar com antecedência. “Não basta apenas oferecer descontos. O consumidor está mais informado e compara preços, condições de pagamento e qualidade do atendimento. As empresas precisam trabalhar estoque, comunicação digital, treinamento das equipes e criar uma experiência de compra que gere valor”. Entre as estratégias previstas pelas empresas estão investimentos em propaganda (45,1%), promoções (26,3%) e atendimento diferenciado (24,9%), reforçando um varejo mais competitivo e voltado à experiência do cliente. O uso de redes sociais, canais de atendimento on-line e comunicação personalizada pode ajudar os comerciantes a alcançar novos públicos e manter o relacionamento com clientes antigos. Para Cardoso, a integração entre os ambientes físico e digital será um diferencial competitivo. “O consumidor atual busca praticidade e informações antes de decidir uma compra. Empresas que conseguem oferecer uma jornada simples, com atendimento rápido e comunicação clara, aumentam as chances de conversão”. O cartão de crédito parcelado deve ser o meio de pagamento mais utilizado, seguido pelo Pix. Para a Fecomércio MG, os dados indicam que o varejo mineiro inicia a segunda metade do ano preparado para aproveitar as oportunidades sazonais, equilibrando expectativas de crescimento com atenção aos desafios econômicos. Apesar das projeções positivas para o comércio, os especialistas destacam que o consumidor também precisa adotar um planejamento para evitar o comprometimento excessivo da renda. Para Paula, o ideal é organizar as compras com antecedência e estabelecer limites. “Antes de aproveitar uma promoção, é importante avaliar se aquele gasto realmente cabe no orçamento. Fazer uma lista de prioridades, comparar preços e evitar parcelamentos longos são atitudes que ajudam a manter a saúde financeira”. Ela ressalta ainda que datas comemorativas podem ser aproveitadas de maneira mais consciente. “O planejamento permite que as pessoas participem desses momentos sem transformar uma compra de curto prazo em uma dívida de vários meses”.