Belo Horizonte aposta na requalificação para revitalização do Centro

A aprovação, pela Câmara Municipal de Belo Horizonte, do projeto de lei voltado à revitalização da área central da cidade trouxe novas perspectivas para o mercado da construção civil. De iniciativa da Prefeitura, a proposta estabelece uma Operação Urbana Simplificada com o objetivo de estimular a realização de novos projetos, a recuperação e modernização de imóveis, iniciativas de retrofit e a ampliação do uso residencial em regiões que já contam com infraestrutura urbana. Entre as áreas abrangidas estão os bairros Carlos Prates, Bonfim, Lagoinha, Concórdia, Floresta, Santa Efigênia, Boa Viagem, Barro Preto e Colégio Batista. Para o setor, a expectativa é de que a regulamentação das medidas reduza obstáculos para a implantação de novos empreendimentos e favoreça a atividade econômica na capital. A iniciativa também poderá impulsionar a criação de postos de trabalho, a geração de renda e a circulação de recursos na economia de Belo Horizonte. A urbanista Michele Silveira avalia que um dos principais benefícios da iniciativa está na possibilidade de aproximar moradia, emprego e serviços. “Quando uma cidade consegue colocar novos moradores em regiões que já contam com transporte, comércio, escolas e equipamentos públicos, ela aproveita melhor a infraestrutura existente. Isso pode reduzir deslocamentos e contribuir para uma ocupação urbana mais eficiente”. Outro possível ganho, segundo a especialista, está na recuperação de edifícios que perderam sua função original. “O retrofit permite adaptar construções antigas às necessidades atuais, preservando parte da estrutura e, em alguns casos, elementos arquitetônicos importantes. A estratégia pode contribuir para modificar a paisagem de áreas degradadas sem depender exclusivamente da construção de grandes empreendimentos novos”. Apesar das perspectivas positivas, a requalificação também apresenta riscos. O aumento do interesse imobiliário pode elevar o preço dos imóveis e dos aluguéis, dificultando a permanência de moradores de menor renda. “Caso a transformação seja conduzida sem políticas de proteção social, a valorização da região pode acabar provocando a substituição de uma parcela da população que já vive no centro”, aponta Michele. O economista urbano Carlos Mendonça considera que o projeto pode produzir resultados importantes, mas alerta que os efeitos dependerão da maneira como as regras serão aplicadas. “Facilitar investimentos não é suficiente para garantir uma requalificação equilibrada. É preciso acompanhar os impactos sobre os preços, a população residente, o comércio tradicional e o patrimônio histórico. Se o processo for guiado apenas pela lógica imobiliária, existe o risco de produzir valorização sem necessariamente produzir uma cidade melhor para todos”. Na avaliação de Mendonça, a Operação Urbana Simplificada pode ser uma ferramenta adequada para acelerar a recuperação do Centro, mas não deve funcionar isoladamente. “Para que a estratégia seja considerada a melhor alternativa, seria necessário combinar incentivos ao setor privado com medidas de habitação, preservação do patrimônio, melhoria da mobilidade, segurança, zeladoria urbana e estímulo ao comércio local. A questão não é escolher entre investimento público ou privado. O desafio é fazer com que os dois trabalhem com objetivos urbanos claros”. A preocupação com a população que já ocupa essas áreas ganha relevância porque a requalificação tende a modificar não apenas os imóveis, mas também o perfil econômico e social dos bairros. Uma região com novos prédios residenciais, estabelecimentos comerciais e serviços pode recuperar movimento durante diferentes períodos do dia. Por outro lado, se o processo não considerar quem já mora e trabalha nesses locais, mudanças rápidas podem provocar a perda de atividades tradicionais. Para Michele, o principal indicador de sucesso deverá ser a capacidade de transformar a região de maneira permanente. “A região Central não pode ser pensada apenas como um lugar para receber obras. O objetivo final precisa ser criar uma área mais viva, diversificada e utilizada pela população em diferentes horários. Se houver novos moradores, comércio funcionando, espaços públicos qualificados e preservação da identidade dos bairros, a requalificação terá produzido um resultado consistente”.

Vendas de imóveis em Belo Horizonte recuam 6,7% no primeiro semestre

O mercado imobiliário de Belo Horizonte comercializou 12.099 imóveis no primeiro semestre de 2026, considerando unidades residenciais, pontos comerciais e lotes. O volume representa uma redução de 6,7% em comparação com as 12.970 unidades negociadas nos seis primeiros meses de 2025. Apesar do resultado inferior ao registrado no ano passado, o desempenho é avaliado como um movimento de acomodação depois do ciclo de crescimento observado pelo setor nos últimos anos. Para a economista Camila Nogueira, especialista em mercado imobiliário, a retração não significa necessariamente uma perda de força estrutural. “Depois de períodos de expansão mais acelerada, é comum que o mercado entre em uma fase de ajuste. O comprador passa a analisar mais as condições de financiamento, o preço e a perspectiva econômica antes de fechar negócio”, ressalta. O segmento residencial continuou dominando as transações realizadas na capital. Cerca de 90% das unidades comercializadas entre janeiro e junho pertenciam a essa categoria. Dentro dela, os apartamentos responderam pela maior parcela das vendas, com 9.485 unidades, contra 10.206 no primeiro semestre de 2025, uma queda de 7,1%. Ainda segundo Camila, a redução pode estar relacionada a um comportamento mais cauteloso dos consumidores. “A decisão de comprar um imóvel envolve um compromisso financeiro de longo prazo. Quando há maior percepção de incerteza, parte das famílias prefere adiar a aquisição, pesquisar mais ou esperar condições consideradas mais favoráveis”. O desempenho não foi uniforme entre os diferentes padrões de imóveis. Enquanto algumas categorias apresentaram retração, outras registraram crescimento. Os segmentos Super Luxo e Econômico Faixa 4 tiveram alta de 4,8% cada no período, enquanto o padrão Standard avançou 2,4%. Na direção contrária, as vendas caíram 33,2% entre os imóveis classificados como Luxo, 25,9% no padrão Alto, 19,3% no Médio e 7,9% no Econômico. De acordo com o consultor de mercado imobiliário, João Almeida, os movimentos aparentemente distintos refletem públicos com comportamentos e necessidades diferentes. “O consumidor de renda mais alta pode ter maior capacidade para aproveitar oportunidades específicas, enquanto a procura por imóveis econômicos está diretamente associada à necessidade de moradia e ao acesso a faixas de financiamento mais compatíveis com o orçamento das famílias”. A relevância dos imóveis de menor valor também aparece quando se observa um período mais amplo. Entre 2022 e 2026, as categorias Econômico e Econômico Faixa 4, que reúne unidades avaliadas entre R$ 400 mil e R$ 600 mil, concentraram 62,4% das unidades comercializadas em Belo Horizonte. Já os padrões Luxo e Super Luxo, somados, representaram apenas 2,5% das vendas. No primeiro semestre de 2026, os imóveis Econômico Faixas 2 e 3, com valores de até R$ 400 mil, responderam por aproximadamente 36,6% das unidades vendidas. A Faixa 4 acrescentou outros 22,5% desse total. Para Almeida, a expansão de 4,8% registrada no Econômico Faixa 4 pode estar associada à busca por imóveis que ofereçam um equilíbrio entre preço, localização e padrão construtivo. “Existe uma parcela de compradores que não encontra mais tantas alternativas nos imóveis de menor preço e acaba migrando para uma faixa um pouco superior, desde que consiga compatibilizar o valor da unidade com sua capacidade de pagamento”. No mercado de alto padrão, por outro lado, o comportamento é mais concentrado. Os imóveis classificados como Luxo, com valores entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões, e Super Luxo, acima de R$ 5 milhões, representaram juntos 2,4% das unidades comercializadas no primeiro semestre. Segundo Almeida, o crescimento do Super Luxo pode estar ligado à disponibilidade financeira de consumidores de maior renda e à aquisição de imóveis como forma de diversificação patrimonial. Mesmo com a retração registrada no primeiro semestre, a expectativa é de que o mercado apresente maior atividade na segunda metade de 2026. De acordo com Camila, o comportamento sazonal ajuda a explicar essa projeção. “O segundo semestre costuma ganhar força porque muitas famílias passam a ter maior disponibilidade financeira no fim do ano, enquanto outras começam a planejar mudanças de residência, seja por questões profissionais, familiares ou patrimoniais”.

Arte e cultura são duas ferramentas que podem ajudar na inclusão social

A arte e a cultura são fundamentais para a construção das relações sociais e para o fortalecimento da identidade comunitária, além de estimular o pensamento crítico, visto que as manifestações artísticas promovem inclusão e participação social. Por isso, a falta de espaços culturais acessíveis pode contribuir para a exclusão de diferentes grupos. No Brasil, muitas pessoas ainda enfrentam dificuldades para acessar serviços e espaços essenciais para uma vida digna. Nesse cenário, a cultura pode atuar como ferramenta de inclusão social, contribuindo para reduzir situações de vulnerabilidade. O contato com novos conhecimentos também pode fortalecer a autoestima e ampliar as oportunidades de participação na sociedade. Para discutir sobre o assunto, o Edição do Brasil conversou com a mestre em Educação, Laila Vieira de Oliveira. Quais são os benefícios da prática cultural em comunidades? A prática cultural intensifica o desejo pelo aprendizado para além do ensino formal: o escolar. A cultura amplia o olhar de quem a pratica para além de sua realidade, mas também colabora para sua transformação e aumento de suas possibilidades. As atividades têm impacto na diminuição da violência nesses espaços, promovem interação pessoal, estimulam a criatividade e a disciplina, trazem um novo olhar e uma esperança para essas pessoas. Que impacto social tem a cultura nas periferias? São as atividades culturais e empreendedoras que geram renda, e movimentam a cena da periferia. Além da questão econômica, o impacto da cultura na periferia é o fato do reconhecimento de produção cultural própria dos territórios, além do direito de a localidade usufruir de outros tipos de formação cultural, e que nenhuma se sobrepõe à outra. Um exemplo são os jovens periféricos que podem produzir funk, samba, rap, mas também conhecer e aprender sobre música clássica e aulas de balé. Inclusive, muitos projetos sociais trabalham com várias vertentes de formação cultural. Além de tudo isso, gera autonomia e protagonismo na população atendida. Qual a importância da cultura e arte chegarem a espaços como esses? A arte é uma característica do ser humano enquanto ser racional. Quando ela chega à periferia através de políticas públicas, de espaços de formação, de fomento de leis de responsabilidade fiscal, promove a relação do que a comunidade já produz, com os direitos culturais de mundo sendo acessados no espaço periférico. Como essas duas áreas auxiliam na desigualdade social? Quando a população tem acesso à arte e à cultura, sua visão de mundo se amplia, passa a reconhecer o que são os direitos humanos garantidos na constituição do país, e sua realidade vai se alterando. O ramo é um forte gerador de emprego e renda, e pode proporcionar uma trajetória de crescimento e conquistas, possibilitando o acesso a oportunidades que antes pareciam distantes. Na sua opinião, a arte é um instrumento que pode salvar jovens da criminalidade? Sim, embora a palavra “salvar” seja bastante conturbada, a arte é uma forma de promover acessos que, muitas vezes, a ausência do Estado, e a inserção do jovem em um poder paralelo, o faz perder seus sonhos, seus direitos. Com a arte é possível ver outras saídas na realidade em que se está inserido. Sem ilusão de que seja a única coisa a ser feita, obviamente precisa-se de uma rede fortalecida de atendimento do Estado, sociedade civil, mas a arte presente pode ser uma forma lúdica e que se comunica com a linguagem do jovem. O que pode ser feito para conscientizar a sociedade sobre a importância desses projetos culturais? É preciso que haja divulgação dos trabalhos nos meios de comunicação, conscientização feita desde a escola, e, para a população adulta, publicizar mais os trabalhos que já existem, para que eles sejam apoiados e surjam novos. Além do incentivo à doação financeira, as parcerias com empresas e ao voluntariado. Apesar de lento, o processo se mostra bastante efetivo.

Slow jogging: uma corrida de baixa intensidade no ritmo do bem-estar

O slow jogging é uma forma de corrida de baixa intensidade que vai priorizar conforto, regularidade e a possibilidade de conversar durante o exercício sem ficar excessivamente ofegante. Desenvolvida pelo professor japonês Hiroaki Tanaka, da Universidade de Fukuoka, a técnica vem despertando interesse entre pessoas que querem correr, mas não se identificam com treinos intensos. Na prática, a proposta é simples, mas exige uma mudança de mentalidade. Em vez de estabelecer a velocidade como principal objetivo, o praticante procura encontrar um ritmo que possa sustentar por um período prolongado. “O princípio mais importante é esquecer, por alguns minutos, a ideia de que correr significa necessariamente acelerar. No slow jogging, a pessoa deve encontrar uma intensidade confortável que consiga falar uma frase ou manter uma conversa. Caso esteja tão ofegante que mal consegue falar, provavelmente está acima do ritmo adequado”, explica a fisiologista Tereza Faria. A técnica costuma ser acompanhada de passos curtos, postura ereta e contato do pé com o solo pela região do mediopé, em vez de uma passada longa e pesada. A velocidade não precisa ser igual para todos, porque a prática é individual e depende do condicionamento físico. “Algumas referências apontam uma faixa aproximada de 3 a 5 km/h para iniciantes, mas o parâmetro mais importante é a percepção de esforço e a capacidade de conversar durante a atividade”, ressalta. Essa característica ajuda a diferenciar o slow jogging tanto da caminhada quanto da corrida tradicional. “A diferença não está apenas em correr devagar. Existe uma proposta de reduzir a pressão por desempenho e tornar a atividade sustentável. É uma corrida em que a pergunta deixa de ser ‘quanto consigo acelerar?’ e passa a ser ‘por quanto tempo consigo me movimentar bem e com prazer?’”, afirma o educador físico Ricardo Menezes. Para começar, os especialistas recomendam progressão gradual, especialmente para pessoas sedentárias. Uma sessão pode alternar períodos curtos de slow jogging com caminhada, aumentando o tempo conforme o corpo se adapta. A estratégia também pode ser utilizada por adultos mais velhos e pessoas que estão retomando os exercícios, pois o objetivo é permitir que o organismo se acostume progressivamente ao esforço. Por requisitar menos intensidade do que uma corrida convencional, a modalidade pode ser uma alternativa interessante para iniciantes, pessoas que estão retomando a atividade física ou indivíduos que simplesmente preferem exercícios menos extenuantes. “Baixa intensidade não significa ausência de carga. O corpo continua recebendo estímulo e precisa de adaptação. A vantagem é que podemos controlar esse estímulo com facilidade, reduzindo a velocidade ou alternando com caminhada”, explica Tereza. Entre os possíveis benefícios está a melhora do condicionamento cardiorrespiratório. A prática regular de corrida, inclusive em velocidades mais baixas, está associada a benefícios para a saúde cardiovascular e a uma redução do risco de mortalidade por diversas causas, a atividade aeróbica também pode contribuir para melhorar a capacidade física, a composição corporal, o controle metabólico e a resistência para realizar tarefas cotidianas. Os ganhos não se restringem ao organismo. Como o slow jogging reduz a cobrança por velocidade e desempenho, a experiência pode favorecer uma relação mais prazerosa com o exercício. “Quando a pessoa não sente que precisa provar nada, aumenta a chance de transformar o exercício em hábito. Isso pode repercutir no humor, na percepção de bem-estar e na disposição para manter uma rotina ativa”, observa Menezes. Outro aspecto importante é que o slow jogging não deve ser confundido com um exercício completamente livre de impacto. Apesar da menor intensidade, a corrida continua impondo cargas ao sistema musculoesquelético, por isso, a execução adequada, o aumento gradual do volume e a atenção aos sinais do corpo são importantes para diminuir o risco de desconfortos e lesões. Segundo os profissionais, dor persistente, tontura, falta de ar fora do habitual ou qualquer outro sintoma preocupante são motivos para interromper a atividade e buscar avaliação profissional.

Exposição “A ponta da língua” une memória e os sabores da cozinha

A relação entre comida, memória e expressão artística ganha destaque em “A ponta da língua”, exposição da artista visual paulistana Valentina Tedeschi, selecionada para a 9ª edição do Programa de Seleção da Piccola Galleria, da Casa Fiat de Cultura. A mostra pode ser visitada até 13 de setembro e apresenta cinco trabalhos, quatro esculturas e uma pintura sobre ferro, que investigam os vínculos entre o corpo humano e a natureza a partir de materiais e referências ligados à alimentação. Com entrada gratuita, a exposição faz parte da programação que marca os 20 anos da Casa Fiat de Cultura, celebrados ao longo de 2026. A pesquisa de Valentina tem origem na relação de sua família com a gastronomia, presente há gerações e marcada pela cozinha como espaço de convivência e transmissão de saberes. Formada em Artes Visuais, a artista aprofundou esse vínculo ao viver e trabalhar em um restaurante na Itália, experiência que ajudou a definir o caminho de sua investigação. Em sua produção, ingredientes, utensílios e outros materiais ganham novos significados ao serem incorporados à arte. A partir deles, Valentina aborda processos como transformação, conservação e deterioração, aproximando o fazer culinário da criação artística. Visual dos trabalhos O ferro é um dos principais elementos da exposição. Associado a panelas e utensílios domésticos, aparece nas obras em estado bruto, com marcas de oxidação e do desgaste provocado pelo tempo. Em vez de esconder a ferrugem, a artista transforma o processo em parte da linguagem visual dos trabalhos. O material passa, assim, a carregar marcas de sua trajetória, em diálogo com a transformação e a passagem do tempo presentes nos alimentos. Essa investigação se estende a outros materiais, como o mel, um dos conservantes naturais mais antigos da humanidade. “A comida sempre esteve presente na minha vida como parte da história da minha família e do trabalho desenvolvido por diferentes gerações. Depois da faculdade, percebi que esse universo também era o lugar da minha pesquisa. Trabalho com materiais que carregam o tempo em sua superfície, como o ferro e o mel, porque me interessa pensar como eles preservam histórias, transformam-se e continuam produzindo significados”, destaca Valentina. Em “Escorpião-amarelo” e “Artrópode”, o mel ganha formas que remetem a animais presentes nos ecossistemas relacionados à alimentação. Com o passar dos dias, o material sofre alterações naturais de cor e escurece, incorporando à obra os efeitos do tempo e do processo de transformação. Cozinha vira arte Já em ‘Espetinho’, a artista aproxima natureza e culinária ao apresentar um cogumelo de metal atravessado por um espeto, em referência às mudanças que os alimentos sofrem durante o preparo. Em “Arroz com feijão”, ela traz, sobre uma chapa de ferro oxidada, as marcas dos dois ingredientes que dão nome à obra. O trabalho também faz referência ao Banco Global de Sementes de Svalbard, na Noruega, criado para conservar espécies agrícolas e garantir sua disponibilidade para as próximas gerações. O nome da exposição, segundo a artista, remete à antiga ideia de que diferentes áreas da língua seriam responsáveis por identificar sabores, com a ponta associada ao gosto doce. Apesar de já ter sido descartada pela ciência, essa concepção permanece no imaginário coletivo e inspira Valentina a investigar a relação entre paladar, experiência e memória. De acordo com a curadora Julia Cavazzini Cunha, as obras de Valentina revelam como cozinhar representa uma das primeiras tecnologias desenvolvidas pela humanidade e como os alimentos preservam histórias que ultrapassam seu valor nutricional. “Ao combinar ferro, mel, oxidação e outros materiais associados à cozinha, a artista evidencia que a transformação da matéria também é uma forma de conservar gestos, saberes e experiências coletivas”.

Fim da taxa das blusinhas ameaça empregos e produção nacional

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou que o fim da “taxa das blusinhas” pode levar à perda de 109 mil empregos e reduzir em R$ 21,8 bilhões a produção nacional em 2026. A estimativa consta em nota técnica divulgada em agosto, que analisou os efeitos da retirada do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50. A CNI estima que 249,5 milhões de encomendas de pequeno valor sejam importadas pelo Programa Remessa Conforme (PRC) em 2026, alta de 56,3% ante 2025. Com a cobrança do imposto, o volume seria menor, chegando a 194,9 milhões de remessas. Ainda assim, o número representaria crescimento de 22,1% na comparação anual. Segundo a entidade, o fim da “taxa das blusinhas” pode elevar em 28% a entrada dessas encomendas no país. Em termos financeiros, a CNI estima que as importações pelo Programa Remessa Conforme somem R$ 23,6 bilhões em 2026, alta de 65,7% sobre 2025. Se a taxação fosse mantida, o valor chegaria a R$ 16,6 bilhões, avanço de 16,2%. Com o fim da cobrança, portanto, o montante das compras internacionais de pequeno valor deve crescer 42,3%. Segundo a nota técnica, cada R$ 1 em compras realizadas pelo Programa Remessa Conforme representa uma redução de R$ 3,11 na geração de valor ao longo das cadeias produtivas nacionais. A indústria de transformação seria a mais afetada. Isso ocorre porque produtos como eletrônicos, roupas e outros bens de consumo importados pelo programa competem com mercadorias produzidas no país. Por isso, cerca de dois terços do impacto estimado pela CNI se concentram nesse setor. Para a economista Paula Tavares, o efeito sobre o mercado interno depende da intensidade com que as pessoas substituem artigos nacionais pelos importados. “Quando o produto estrangeiro fica mais barato, o consumidor ganha poder de compra no curto prazo. O problema é que essa vantagem pode vir acompanhada de uma redução nas vendas das empresas brasileiras, especialmente nos setores que disputam diretamente esse mercado”. Ainda segundo Paula, a maior concorrência pode obrigar empresas nacionais a reduzir preços, elevar a produtividade e buscar maior eficiência. “Esse movimento, em determinadas circunstâncias, pode beneficiar os consumidores. Por outro lado, a entrada acelerada de produtos importados pode dificultar a sobrevivência de empresas menos competitivas e afetar investimentos e empregos. Há um ganho imediato para quem compra, mas também existe um possível custo para a produção doméstica. O desafio é encontrar um ponto de equilíbrio”. O economista Rafael Campos avalia que a decisão sobre a taxa não deve considerar apenas o preço pago pelo consumidor. “É preciso olhar para os dois lados. A redução do imposto pode melhorar o bem- -estar de quem compra e aumentar a concorrência, mas uma política que favoreça excessivamente a importação pode enfraquecer setores produtivos estratégicos e reduzir a capacidade de geração de emprego no país”. Na avaliação de Campos, manter a cobrança pode funcionar como uma forma de equilibrar a concorrência entre produtos nacionais e estrangeiros, desde que a tributação não seja elevada a ponto de restringir o acesso da população a bens de consumo. “O cliente não deveria ser colocado diante de uma escolha entre pagar caro por um produto nacional ou comprar barato do exterior. O ideal seria tornar a produção brasileira mais competitiva”. Para Paula, a melhor solução não seria simplesmente eliminar ou manter a cobrança sem mudanças. “Uma política equilibrada precisa proteger a produção nacional. O caminho mais sustentável é combinar uma tributação razoável com redução de custos, investimentos e aumento de produtividade”.

Plataforma Discord recorre contra suspensão de lives determinada pela ANPD

A plataforma Discord suspendeu por prazo indeterminado o recurso que permitia aos usuários realizarem transmissões de vídeo pelo aplicativo. A decisão ocorreu após uma determinação preventiva da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), emitida no dia 12 de agosto. Segundo a medida, a restrição busca impedir situações de violência e práticas de coerção envolvendo menores de idade. Entre os casos que motivaram a intervenção está o de uma adolescente de 13 anos, residente em Naviraí (MS), que morreu por suicídio em 22 de julho após ser vítima desse tipo de situação. De acordo com a plataforma, a restrição atinge apenas as funções relacionadas às transmissões ao vivo e ao envio de vídeos, sem interferir nas conversas por texto, nas chamadas de áudio ou nas demais ferramentas. A empresa também informou que mantém tratativas com a ANPD para encontrar uma alternativa que possibilite a retomada das transmissões de vídeo entre os usuários no Brasil. No dia 24 de agosto, a plataforma recorreu da decisão da ANPD. No pedido, a empresa requer que a medida seja suspensa imediatamente para permitir a retomada das lives e também solicita a revogação da decisão cautelar. Entre os argumentos apresentados estão a suposta ausência de competência da agência para impor a restrição, possíveis irregularidades no procedimento e o entendimento de que a penalidade aplicada seria excessiva. Para a psicóloga em educação digital Carla Silva, a intervenção da ANPD é considerada necessária diante da dimensão dos riscos envolvidos. “Quando uma plataforma apresenta dificuldades para impedir situações que podem colocar menores em perigo, é legítimo que o poder público cobre mudanças concretas. A prioridade deve ser garantir um ambiente digital mais seguro, principalmente para quem ainda está em fase de desenvolvimento”. Essa decisão, porém, também abre espaço para uma discussão sobre os limites da atuação do Estado na internet. Conforme o advogado de direito digital Victor Ferreira, medidas de proteção precisam estar acompanhadas de fundamentação jurídica e de critérios claros. “A proteção dos adolescentes é indispensável, mas uma restrição dessa natureza precisa observar competência legal, devido processo e proporcionalidade. A questão não é escolher entre segurança e liberdade, mas encontrar uma forma de preservar as duas”. Segundo Carla, a controvérsia mostra a importância crescente da ANPD na proteção de dados e na fiscalização de práticas que podem afetar a privacidade e a segurança dos brasileiros. “Criada pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a autoridade tem entre suas atribuições orientar, regulamentar e fiscalizar o cumprimento das regras relacionadas à proteção de dados pessoais. Quando o assunto envolve crianças e adolescentes, a preocupação ganha uma dimensão adicional, já que esse público pode estar mais vulnerável à manipulação, ao assédio e à exposição indevida no ambiente virtual”, alerta a psicóloga. A atuação da autoridade também reforça uma mudança na relação entre empresas de tecnologia e órgãos públicos. “Durante anos, plataformas digitais cresceram em ritmo acelerado, enquanto governos e legisladores buscavam acompanhar os novos problemas provocados por esses serviços. Hoje, questões como privacidade, segurança de menores, moderação de conteúdo e responsabilidade das empresas estão no centro do debate sobre a utilização das redes e aplicativos”, ressalta Ferreira. Ele comenta ainda que o recurso apresentado pelo Discord deverá levar essa discussão adiante. “Caso a empresa consiga reverter a decisão, as transmissões poderão ser restabelecidas, possivelmente acompanhadas de novas exigências de segurança. Se a ANPD mantiver a medida, o episódio poderá estabelecer um precedente importante sobre a capacidade da autoridade de determinar restrições temporárias a funcionalidades de grandes plataformas quando identificar riscos à proteção de dados e à segurança dos usuários”.

Cerca de 300 mil brasileiros são afetados por algum fenômeno trombótico

A trombose ocorre quando um coágulo de sangue, chamado trombo, se forma dentro de um vaso e dificulta ou interrompe a circulação. Na trombose venosa profunda (TVP), uma das formas mais conhecidas, as veias profundas das pernas são as mais atingidas pela condição. O principal risco é que parte do coágulo se desprenda e chegue aos pulmões, provocando uma embolia pulmonar, complicação potencialmente fatal. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), com dados de internações do Sistema Único de Saúde (SUS) entre janeiro de 2012 e maio de 2022, identificou mais de 425 mil hospitalizações relacionadas a tromboses venosas no período. A estimativa divulgada pela Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia é de que quase 300 mil brasileiros sejam acometidos anualmente por algum fenômeno trombótico. Segundo a médica vascular Fabiana Alvarenga, a trombose não tem uma única causa. “Cirurgias, principalmente as de maior porte, longos períodos de imobilidade, internações, câncer, obesidade, tabagismo, algumas doenças cardíacas e alterações hereditárias da coagulação estão entre os fatores associados ao aumento do risco. Gestação e pós-parto também exigem atenção, assim como o uso de determinados anticoncepcionais e tratamentos hormonais”. Fabiana explica que os sinais mais frequentes da trombose venosa profunda aparecem em apenas um dos membros. “Inchaço, dor ou sensibilidade, sensação de peso, aumento da temperatura e alteração da coloração da pele são sintomas que devem ser investigados, mas em alguns casos, a doença pode não produzir sinais evidentes. Um inchaço súbito, especialmente quando acompanhado de dor ou endurecimento da panturrilha, merece avaliação rápida”. Quando o coágulo chega aos pulmões, o quadro muda de gravidade. A falta de ar repentina, dor no peito, respiração acelerada, palpitações, tontura ou desmaio podem indicar embolia pulmonar e exigem atendimento de emergência. O Ministério da Saúde ressalta que um trombo pode se deslocar pela circulação e atingir os pulmões, cérebro ou coração, provocando lesões graves. Diagnóstico e tratamento Toda investigação começa pela avaliação clínica e pelo levantamento de fatores de risco. “O médico observa a história do paciente e, quando há suspeita de trombose venosa profunda, o ultrassom com Doppler é um dos principais exames utilizados para verificar o fluxo sanguíneo e identificar a presença de um coágulo. Dependendo da situação, exames de sangue e outros métodos de imagem podem complementar a investigação”, afirma Fabiana. Os especialistas ressaltam que o tratamento depende do local e da extensão do trombo, além das condições clínicas do paciente. Nos casos de trombose venosa, os anticoagulantes são frequentemente utilizados para impedir que o coágulo aumente e também para reduzir o risco de novos eventos. Em situações específicas e mais graves, podem ser considerados procedimentos para remover ou dissolver o trombo. O tratamento precisa ser individualizado e acompanhado por profissional de saúde, já que os anticoagulantes também podem aumentar o risco de sangramento. “A escolha do anticoagulante, a duração do tratamento e a necessidade de outros procedimentos dependem da recorrência, da causa da trombose, da presença de outras doenças e do risco de sangramento”, esclarece o hematologista Bruno Pereira. Ele alerta que a prevenção começa pela redução dos fatores de risco modificáveis como manter atividade física regular, evitar o tabagismo, controlar o peso e permanecer atento a doenças crônicas. “O diagnóstico precoce e o tratamento adequado reduzem o risco de complicações e podem evitar que um coágulo inicialmente localizado se transforme em emergência de maior gravidade”.

Ciência e tecnologia entram no debate sobre terras raras na Assembleia

A proposta de implantação do Centro de Inteligência e Tecnologia Avançadas em Terras Raras (Citar), em Poços de Caldas, ganhou destaque durante uma audiência pública. O encontro promovido pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) reuniu pesquisadores e representantes de instituições de ensino superior. O debate abordou as possibilidades de ampliar a atividade mineradora na região, buscando alternativas que reduzam seus impactos ambientais. A deputada Bella Gonçalves (PT), que esteve entre as parlamentares responsáveis pelo pedido da audiência, destacou o caráter inovador do debate. Segundo ela, a iniciativa remete às discussões que ganharam força no país durante a campanha “O petróleo é nosso”. A parlamentar Beatriz Cerqueira (PT), também autora do requerimento, recordou outras audiências públicas promovidas anteriormente para discutir a questão. Conforme estimativas apresentadas na reunião pelo diretor- -geral do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas (IFSULDEMINAS), do campus Poços de Caldas, Rafael Felipe Neves, “a região vulcânica conta com 15% de todas as terras raras do planeta. Ela abrange 12 cidades e já conta com dois grandes empreendimentos em fase avançada de licenciamento”. Daniel Tygel, presidente da Aliança em prol da APA da Pedra Branca, manifestou-se favoravelmente à interrupção da autorização até que as instituições científicas e os Poderes Executivo e Legislativo estejam estruturados para conduzir investimentos no setor mineral de forma ambientalmente mais responsável. Júnio Augusto Silva, superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ressaltou a importância de manter um acompanhamento permanente das atividades e de estabelecer uma comunicação constante com as empresas de mineração. Rafael Neves alertou para impactos como a supressão da Mata Atlântica, o acúmulo de resíduos e o excesso de ruídos, que podem afetar a fauna. Ele defendeu estudos contínuos, medidas para reduzir os danos da mineração e o fortalecimento da pesquisa científica e tecnológica local. “Quando falamos de terras raras, estamos fazendo uma escolha de que tipo de mineração e que tipo de país queremos ser. Hoje, somos exportadores de solo”, explicou o diretor da Unifal-MG, Leonardo Henrique Damasceno, que ressaltou que o país precisa ir além da simples exportação de minérios. Para aumentar o valor agregado desses recursos, segundo ele, é necessário investir em tecnologias de refino e nas demais etapas de beneficiamento. “Não existe mineração verde ou sustentável, mas existe mineração de menor impacto”, disse. Ele informou que o Centro de Inovação 4.0 e Engenharia Sustentável (Cies) será instalado no campus da Unifal-MG, enquanto o Centro de Estudos Ambientais em Mineração (Ceam) ficará sediado no IFSULDEMINAS. As duas estruturas integrarão o Citar. A criação do Centro de Inteligência foi recomendada em relatório federal sobre a mineração de terras raras no Sul de Minas. O projeto, estimado em cerca de R$ 40 milhões, poderá contar com recursos estaduais e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Marcela Paes, coordenadora-geral de Incentivo à Cooperação e à Inovação (COF) do Ministério da Educação, apontou ainda a iniciativa “Juros por Educação” como alternativa para viabilizar o Citar. Em Minas Gerais, o mecanismo pode disponibilizar R$ 1,09 bilhão para laboratórios, equipamentos, infraestrutura e novos cursos técnicos. “Como essas comunidades podem ser beneficiadas por meio da educação? Essa transformação precisa ser feita com muita responsabilidade e nós estamos à disposição para contribuir”. Ao encerrar a audiência, Bella Gonçalves reforçou os questionamentos sobre a concessão das licenças às duas empresas, diante da ausência de estudos sobre o caso que são considerados necessários. “Exploração do minério, sim, mas colocando a vida no centro do processo, como disse Daniel”.

Belo-horizontino perde mais de 130 horas por ano em congestionamentos

Motoristas e usuários do transporte em Belo Horizonte enfrentaram, em média, 130 horas de congestionamentos durante os períodos de maior movimento em 2025. O número coloca a capital mineira entre as cidades brasileiras com maior tempo perdido no trânsito. Belo Horizonte aparece empatada com Recife e fica atrás apenas de Curitiba, com 135 horas, e São Paulo, com 132 horas. O levantamento é da TomTom, empresa de tecnologia especializada em navegação, localização e análise de dados de mobilidade. Na classificação internacional, que reúne 492 cidades, Belo Horizonte aparece na 33ª colocação. Considerando apenas as capitais brasileiras analisadas no estudo, a cidade registrou o terceiro maior índice médio de congestionamento em 2025: 58,6%, um crescimento de 0,6 ponto percentual em comparação com o ano anterior. O resultado ficou abaixo somente das taxas registradas por Porto Alegre (59,6%) e Recife, líder do levantamento, com 64,7%. Em condições médias de tráfego, os motoristas da capital mineira conseguiram percorrer cerca de 5,3 quilômetros a cada 15 minutos. Para a urbanista Fernanda Bastos, o cenário de Belo Horizonte é resultado de uma combinação de fatores. “A cidade tem uma estrutura urbana que concentra empregos, serviços e atividades econômicas em determinadas áreas, enquanto uma parcela significativa da população precisa se deslocar diariamente a partir de regiões mais afastadas. Quando muitos desses deslocamentos acontecem nos mesmos horários e dependem do automóvel, a capacidade das vias é rapidamente atingida”. Outro fator apontado pela especialista é a dificuldade de ampliar indefinidamente a infraestrutura para automóveis. Belo Horizonte possui limitações físicas importantes, agravadas pela topografia e pelo próprio processo histórico de ocupação da cidade. A construção de novas pistas, viadutos e grandes corredores viários pode aliviar determinados pontos, mas não necessariamente resolve o problema de forma permanente. “Em determinados casos, quando uma via fica mais rápida, acaba atraindo novos veículos e volta a ficar saturada. Por isso, é necessário trabalhar também sobre a quantidade e a qualidade das alternativas de deslocamento”, afirma. O engenheiro de transportes, Leonardo Duarte, avalia que Belo Horizonte precisa combinar investimentos em infraestrutura com mudanças na forma como a população se desloca. “Não existe uma solução única para o congestionamento, a cidade precisa oferecer um transporte coletivo confiável, rápido, confortável e integrado. Se o ônibus demora muito mais que o carro, uma parcela da população que possui condições financeiras continuará escolhendo o automóvel, e o resultado será mais veículos nas ruas”. Para Duarte, uma política eficiente inclui a expansão e modernização do transporte coletivo, melhoria dos corredores existentes, integração tarifária e física entre ônibus, metrô e outros sistemas. “Quanto aos pequenos deslocamentos, calçadas adequadas, travessias seguras e infraestrutura cicloviária podem retirar viagens curtas do sistema motorizado”. O desafio, entretanto, não depende apenas da Prefeitura de Belo Horizonte. A dinâmica de deslocamentos da Região Metropolitana faz com que milhares de pessoas atravessem diariamente os limites municipais para trabalhar, estudar ou acessar serviços. Em Belo Horizonte, o congestionamento afeta não apenas o trânsito, mas também a qualidade de vida e a produtividade. Esse tempo perdido nas ruas representa horas que poderiam ser destinadas ao trabalho, ao lazer, à convivência familiar ou ao descanso. Para enfrentar o problema, os especialistas recomendam priorizar o transporte coletivo, integrar modais e ampliar investimentos em infraestrutura, tecnologia e segurança para pedestres e ciclistas.