Brasil ganhou mais 3 milhões de consumidores de livros em 2025

O total de pessoas que compraram livros no Brasil aumentou em 2025, segundo levantamento realizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em conjunto com a Nielsen BookData. A pesquisa indica que 18% dos brasileiros com mais de 18 anos adquiriram pelo menos um exemplar, físico ou digital, ao longo do ano passado. Esse percentual representa um crescimento de dois pontos percentuais em comparação com 2024, o equivalente a cerca de 3 milhões de novos consumidores. O levantamento Panorama do Consumo de Livros reuniu cerca de 16 mil entrevistas realizadas em outubro de 2025, contemplando tantas pessoas que adquiriram livros quanto aquelas que não fizeram compras no período de um ano. De acordo com o estudo, as mulheres correspondem a 61% dos consumidores de livros no Brasil. Ao analisar fatores como raça, classe social e gênero, os dados mostram que mulheres negras pertencentes à classe C formam o principal grupo de leitores no país, representando 15% do total. O levantamento também destacou que o avanço mais significativo foi observado entre os jovens. Entre pessoas de 18 a 34 anos, houve um crescimento de 3,4 pontos percentuais em comparação ao ano anterior. Para a socióloga Mariana Tavares, a popularização das redes sociais e de comunidades digitais de leitura tem desempenhado um papel relevante. “Nos últimos anos, vimos o surgimento de influenciadores literários e clubes de leitura on-line que aproximam principalmente o público jovem dos livros. Isso cria um senso de pertencimento e torna a leitura mais atrativa. Além disso, a diversidade de formatos, como e-books e audiolivros, também contribui para ampliar o acesso e adaptar o consumo às rotinas”. O bibliotecário Rafael Mendes aponta ainda o impacto de estratégias comerciais adotadas pelo mercado editorial. “Promoções em plataformas digitais, programas de assinatura e maior presença de livros em marketplaces ajudaram a reduzir barreiras de entrada para novos leitores. Embora o preço dos livros ainda seja considerado alto por parte da população, iniciativas de descontos e facilidades de pagamento têm incentivado a compra”. Entre os que não compraram livros em 2025, aproximadamente 35 milhões de brasileiros (28%) apontaram a ausência de livrarias ou pontos de venda próximos como fator desmotivador. Já 35% desse grupo consideram os livros caros. Dentro desse mesmo público, 16,3% afirmaram que optaram por baixar obras digitais gratuitas, enquanto 16,1% disseram ter acesso a arquivos em PDF sem custo. Para Mendes, esses dados revelam desigualdades estruturais no acesso ao livro. “O problema não é apenas o preço, mas também a distribuição. Muitas regiões do país carecem de livrarias, bibliotecas atualizadas e políticas de incentivo à leitura. Isso limita o contato das pessoas com os livros desde a infância e a pirataria, embora seja um problema para o setor editorial, também reflete a dificuldade de acesso a conteúdos legais e acessíveis”. Diante desse cenário, os especialistas defendem a adoção de políticas públicas e estratégias integradas para democratizar o acesso à leitura. Entre as medidas sugeridas estão o fortalecimento de bibliotecas públicas e escolares, a ampliação de programas de incentivo fiscal para o mercado editorial e a criação de políticas de distribuição de livros em regiões com menor oferta. “É fundamental investir em bibliotecas como espaços vivos, com acervo atualizado e atividades culturais que atraiam a comunidade”, afirma Mariana. Outra proposta envolve parcerias entre o setor público e privado para estimular a leitura, como programas de vouchers para compra de livros, feiras literárias itinerantes e incentivo à produção de conteúdo nacional. Ela também destaca a importância de campanhas de valorização da leitura. “Não basta facilitar o acesso físico ao livro, é preciso construir uma cultura leitora, mostrando que a leitura pode ser prazerosa e relevante no cotidiano das pessoas”. Ainda segundo a socióloga, os dados da pesquisa reforçam que, embora haja sinais de crescimento, persistem desafios relacionados à desigualdade de acesso, ao custo e à infraestrutura. “Superar essas barreiras exige esforços contínuos de governos, setor editorial e sociedade civil para garantir que o livro chegue a todos os brasileiros”.

Atacarejo mineiro cresce 10% e alcança faturamento de R$ 26 bilhões

As quatro maiores redes de atacarejo em Minas Gerais alcançaram, em 2025, um faturamento conjunto de R$ 26,1 bilhões, valor 10,13% superior ao obtido no ano anterior, quando somaram R$ 23,7 bilhões. Além disso, essas empresas contabilizaram 301 unidades em operação e empregaram 41.162 trabalhadores no Estado. As informações integram o Ranking Abaas 2026, elaborado pela NielsenIQ em parceria com a Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço (Abaas). São elas o Grupo Mart Minas (R$ 12,5 bilhões); Grupo ABC (R$ 5,5 bilhões); Grupo Bahamas (R$ 4,5 bilhões); Villefort (R$ 3,6 bilhões). De acordo com o relatório, o faturamento dessas quatro empresas com atuação em Minas Gerais representa 7,06% do total obtido pelas 24 companhias vinculadas à Abaas no país, que encerraram o último ano com receita de R$ 369,5 bilhões. O estudo também aponta que as 301 unidades das redes mineiras correspondem a 13,75% do total nacional, que soma 2.189 lojas. Já o número de funcionários, 41.162, equivale a 9,54% do contingente registrado por todos os associados, que juntos empregam 431.536 pessoas. Segundo o economista Eduardo Moreira, o crescimento do faturamento pode ser atribuído a diversos fatores, como a consolidação do modelo de vendas de atacarejo, que combina preços competitivos com variedade de produtos. “O consumidor está cada vez mais atento ao custo-benefício, especialmente após o período de inflação elevada nos últimos anos. O atacarejo consegue oferecer produtos em grandes quantidades a preços mais baixos, atraindo desde pequenos comerciantes até famílias que compram em volume para reduzir gastos mensais”. O levantamento indica que a receita movimentada nacionalmente no último ano foi 11% superior ao de 2024, e equivalente a cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. No mesmo período, houve avanço no número de empregos diretos e de lojas, com altas de 12% e 11%, respectivamente. Moreira reforça a relevância social do setor. “O atacarejo é estratégico para a economia, pois além de movimentar bilhões em faturamento, cria oportunidades de emprego em diferentes níveis, desde funções administrativas até operacionais. Em regiões com menor acesso a supermercados de grande porte, essas lojas se tornam essenciais para abastecer a população e fortalecer o comércio local”. Ainda conforme a sondagem, o consumo das famílias brasileiras cresceu 1,3% em 2025, com projeção de alta de 1,5% para 2026. No atacarejo, o volume comercializado avançou 1,7%, enquanto o varejo independente e as mercearias registraram retração de 5,2%. Já os bares apresentaram queda de 6,8% ao longo do ano passado. Para Moreira, essa tendência indica que o consumidor está cada vez mais buscando formas de economizar sem abrir mão da quantidade e da qualidade dos produtos, o que favorece diretamente o modelo de atacarejo. A analista econômica Laura Pires acredita que a perspectiva para 2026 é de continuidade no crescimento, especialmente se houver investimentos em infraestrutura e estratégias de marketing voltadas ao consumidor final. “Muitos estão investindo em tecnologia para melhorar a experiência de compra e em logística para ampliar a cobertura no Estado e no país. A expectativa é que o faturamento continue em alta, acompanhando a demanda por produtos mais acessíveis e em maior quantidade”. O setor de atacarejo também desempenha papel importante no fortalecimento de cadeias produtivas. Segundo Laura, o aumento da demanda por produtos em grandes volumes também impacta fornecedores, produtores e distribuidores, gerando efeito multiplicador em toda a economia. “A competitividade do setor estimula ainda melhorias na eficiência operacional, na qualidade do atendimento e na diversificação de produtos, beneficiando o consumidor”. Apesar dos números positivos, Laura alerta que o crescimento do setor depende de fatores estruturais, como o desenvolvimento de centros urbanos com infraestrutura, políticas públicas que incentivem a formalização de pequenos comerciantes e investimentos em capacitação da mão de obra.

Intolerância: ataques às religiões de matriz africana crescem

Os dados mais recentes do Disque Direitos Humanos, canal oficial de denúncias do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, revelam um cenário preocupante de intolerância religiosa no Brasil. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o serviço registrou 2.774 ocorrências relacionadas a práticas discriminatórias motivadas por religião. O levantamento chama atenção, sobretudo, para a concentração de casos envolvendo religiões de matriz africana, historicamente alvo de preconceito no país. De acordo com o relatório, entre as religiões explicitamente identificadas nas denúncias, a Umbanda aparece com 228 registros, seguida pelo Candomblé, com 161 ocorrências. Há ainda 47 casos classificados como Umbanda e Candomblé e outros 40 enquadrados em categorias diversas, mas também vinculados a tradições afro-brasileiras. Especialistas avaliam que esses números refletem não apenas episódios isolados, mas um padrão estrutural de discriminação enraizado na sociedade brasileira. Para a socióloga Andreia Lima, a predominância dessas tradições entre os alvos de intolerância não é coincidência. “As religiões de matriz africana carregam um histórico de marginalização que remonta ao período escravocrata. Durante séculos, práticas culturais e religiosas de origem africana foram criminalizadas ou associadas a estigmas negativos, o que ainda reverbera no imaginário coletivo. Mesmo com avanços legais que garantem a liberdade religiosa, o preconceito persiste em formas explícitas e veladas”. Além disso, há um componente social e territorial relevante. Muitas casas de culto de Umbanda e Candomblé estão localizadas em áreas periféricas, o que as torna mais vulneráveis a ataques e menos protegidas pelo poder público. Ela ressalta que a desigualdade social agrava o problema. “Quando somamos racismo estrutural, desigualdade econômica e intolerância religiosa, temos um cenário em que determinados grupos ficam mais expostos à violência e têm mais dificuldade de acessar mecanismos de proteção e justiça”. Os tipos de ocorrências registradas no Disque Direitos Humanos variam desde agressões verbais e ameaças até depredação de espaços religiosos e violência física. Em muitos casos, as vítimas relatam medo de denunciar, o que indica que os números podem ser ainda maiores. “Existe uma subnotificação significativa, muitas pessoas não acreditam que haverá resposta efetiva ou temem represálias”, acrescenta. Diante desse cenário, especialistas defendem uma abordagem multifacetada para enfrentar a intolerância religiosa no Brasil. Há a necessidade de fortalecer a aplicação das leis já existentes. A Constituição Federal garante a liberdade de crença, e a legislação prevê punições para crimes de discriminação religiosa. No entanto, segundo o antropólogo Carlos Menezes, é preciso avançar na efetividade dessas normas. “Não basta ter leis, é fundamental que haja investigação adequada dos casos registrados, responsabilização dos agressores e principalmente apoio às vítimas”. No âmbito educacional, Menezes cita a inclusão de conteúdos sobre diversidade religiosa nos currículos escolares como uma medida essencial. “O combate ao preconceito começa na formação das novas gerações, precisamos ensinar desde cedo que o Brasil é um país plural, com múltiplas tradições religiosas que merecem respeito. Isso ajuda a desconstruir estigmas e a promover uma cultura de tolerância”. Já no campo social, iniciativas de diálogo inter- -religioso e campanhas de conscientização são apontadas como caminhos promissores. O antropólogo ressalta a importância de envolver diferentes setores da sociedade. “É necessário que líderes religiosos, organizações civis, mídia e poder público atuem juntos para combater narrativas de ódio e promover o respeito mútuo”. Na avaliação de Andreia, o fortalecimento de políticas públicas específicas para proteção de comunidades religiosas vulneráveis é necessário. Isso inclui desde a criação de canais mais acessíveis de denúncia até ações de segurança para templos e terreiros. “Garantir que esses espaços possam funcionar sem medo é uma questão de direitos humanos”.

Brasil pode somar 1,2 milhão de pessoas com doença de Parkinson em 2060

A doença de Parkinson, condição neurológica progressiva que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, ainda é cercada por dúvidas. Caracterizada principalmente por alterações motoras, como tremores e rigidez muscular, ela também impacta aspectos cognitivos e emocionais. Um levantamento conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), aponta que mais de 500 mil brasileiros com 50 anos ou mais convivem atualmente com a doença. As projeções, no entanto, indicam um crescimento expressivo nas próximas décadas: até 2060, esse contingente pode ultrapassar 1,2 milhão de pessoas. O estudo também revela que a maioria dos casos é identificada apenas em fases mais avançadas, o que sugere que os sinais iniciais da doença frequentemente não são reconhecidos ou acabam sendo ignorados. Segundo a neurologista Helena Duarte, o Parkinson tem origem complexa e multifatorial. “A doença está associada à degeneração de neurônios produtores de dopamina em uma região do cérebro chamada substância negra. A dopamina é fundamental para o controle dos movimentos, e sua redução causa os sintomas característicos”. Ela ressalta que fatores genéticos e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença, embora, na maioria dos casos, não haja uma causa única. Os sintomas vão muito além dos tremores, que são frequentemente vistos como sua principal marca. Helena destaca que “os primeiros sinais podem ser sutis, como diminuição do olfato, alterações no sono e uma leve lentidão nos movimentos. Com o tempo, surgem rigidez muscular, instabilidade postural e dificuldades na fala e na escrita”. Além disso, sintomas não motores, como depressão, ansiedade e comprometimento cognitivo, também são comuns e muitas vezes negligenciados. O diagnóstico ainda é essencialmente clínico, baseado na avaliação dos sintomas e no histórico do paciente. “Não existe um exame único que confirme o Parkinson de forma definitiva, os exames de imagem podem ser usados para descartar outras condições, mas a observação médica especializada continua sendo o principal instrumento diagnóstico”, explica. Essa realidade pode levar a atrasos na identificação da doença, especialmente em fases iniciais. Em relação ao tratamento, embora ainda não exista cura, há diversas abordagens capazes de melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O uso de medicamentos que aumentam ou substituem a dopamina é a base do tratamento. “A levodopa continua sendo o padrão ouro, mas hoje contamos com outras opções terapêuticas e até intervenções cirúrgicas, como a estimulação cerebral profunda, em casos selecionados”, explica o neurocirurgião Ricardo Tavares. Ele enfatiza também a importância de terapias complementares, como fisioterapia, fonoaudiologia. A prevenção do Parkinson ainda é um campo em desenvolvimento, mas estudos indicam que hábitos saudáveis podem reduzir riscos ou retardar o aparecimento dos sintomas. “Atividade física regular, alimentação equilibrada e estímulo cognitivo são aliados importantes para a saúde do cérebro”, afirma. Tavares ressalta que, para além dos aspectos médicos, muitos pacientes enfrentam preconceito e isolamento, principalmente devido às manifestações motoras visíveis. “É fundamental que a sociedade compreenda que o Parkinson não define a pessoa. É possível manter uma vida ativa e digna”. Campanhas de conscientização, acessibilidade em espaços públicos e políticas de inclusão no mercado de trabalho são algumas das medidas apontadas como essenciais para reduzir a marginalização. Além disso, o suporte familiar e comunitário desempenha papel crucial no bem- -estar dos pacientes. “O acolhimento faz toda a diferença. Quando a pessoa se sente compreendida, ela enfrenta a doença com mais autonomia e confiança”, conclui.

Excesso de mineração preocupa autoridades e comunidades

Durante a abertura da audiência pública promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que aborda os episódios de extravasamento nas minas da Fábrica e da Viga, pertencentes à Vale, em Ouro Preto, bem como a falha registrada no Dique do Fraille, na Mina Casa de Pedra, operada pela CSN, em Congonhas, na região Central do Estado, a deputada Bella Gonçalves (PT) sintetizou. “Estamos falando de como podemos adaptar estruturas de mineração para o cenário de chuvas extremas”. De acordo com Sandoval Pinto Filho, diretor de Meio Ambiente e Saúde da União das Associações Comunitárias de Congonhas (Unaccon), a atividade minerária ocupa cerca de 40% a 50% da área territorial do município de Congonhas, o que, segundo ele, transforma a região em uma “típica zona de sacrifício”. Filho afirmou que há episódios de intimidação dirigidos a pessoas que se mobilizam em defesa da vida. Também criticou a ausência de transparência e as barreiras que dificultam o engajamento da população. Além disso, mencionou problemas nos equipamentos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). “Os moradores das áreas de risco são sujeitos de direitos e não meros espectadores. Não queremos morar debaixo da lata de lixo da mineração”. “O pavor e o medo tomaram conta dos moradores. Nós nem sequer tínhamos acesso à informação, não sabíamos se a falha na drenagem era na mina, se era no dique. Todos são atingidos”, desabafou a moradora da Comunidade Santa Quitéria, em Congonhas, Aline Soares Marcos. Ela também atua como integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e mencionou ocorrências de problemas respiratórios, além do uso frequente de medicamentos ansiolíticos. “Sofremos diariamente com a poeira contaminando nossa saúde física e com o medo comprometendo nossa saúde mental”. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Extração de Ferro e Metais Básicos de Congonhas, Belo Vale e Ouro Preto, Rafael Ávila, ressaltou que, para além da exploração da mão de obra, marcada por demissões e ampliação das jornadas, as empresas provocam impactos negativos ao meio ambiente. “O trabalhador gera R$ 1 milhão de riquezas por ano e recebe em torno de 5% desse valor”. O sindicalista afirmou que a origem do problema está na relação entre o setor privado e o Estado. Como exemplos desse vínculo prejudicial, citou os incentivos fiscais concedidos e a flexibilização nos processos de licenciamento. “Temos que impor limites a esse sistema”. Na avaliação do secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Congonhas, João Luis de Castro, é preciso estabelecer normas, em nível estadual e federal, para as pilhas de rejeitos e estéreis. Ele também destacou a necessidade de fortalecer a fiscalização dos sumps, estruturas auxiliares da mineração que atuam como pequenas bacias para captação de água e prevenção de alagamentos. Castro apontou ainda como avanço o acordo de reparação firmado entre a Prefeitura e a Vale em 13 de março. Pelo termo, a empresa deverá investir R$ 25 milhões na ampliação do Museu de Congonhas e R$ 200 milhões na construção de um hospital para tratar problemas de pele, respiratórios e de saúde mental relacionados à exposição a danos ambientais. O procurador da República e coordenador do Grupo de Trabalho Rio Doce do Ministério Público Federal, Eduardo Henrique Aguiar, alertou para a proximidade entre as estruturas que se romperam e a Barragem de Forquilha, considerada uma das maiores do mundo em área de mineração e classificada no nível 3 de emergência, o mais alto. No Brasil, apenas outra barragem se encontra nessa mesma condição, localizada em Itatiaiuçu, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Aguiar ressaltou a importância de revisar e atualizar os parâmetros meteorológicos diante dos impactos provocados pelas mudanças climáticas. “As barragens que existem não foram projetadas para suportar os novos volumes de chuvas que estão cada vez mais frequentes”. Segundo o procurador, o episódio da Mina da Viga serve como alerta para evitar o licenciamento fragmentado, que não considera os impactos acumulativos e integrados das atividades ao redor. Ele também enfatizou a necessidade urgente de modernizar a legislação, incluindo normas para a operação de outras estruturas de mineração, como cavas e sumps. “Essas estruturas precisam ter normas rígidas de segurança, não apenas as barragens”.

BH é reconhecida como “Cidade Árvore do Mundo” pelo terceiro ano seguido

Pelo terceiro ano seguido, Belo Horizonte foi reconhecida como “Cidade Árvore do Mundo” devido às diversas iniciativas ambientais implementadas recentemente. A capital permanece entre os municípios premiados pela Arbor Day Foundation e pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), que atualmente inclui 283 cidades em 24 países. Em 2025, Belo Horizonte realizou mais de 50 mil plantios e lançou o Plano Municipal de Arborização Urbana (PMAU), desenvolvido com a participação da sociedade civil. O programa busca expandir e preservar a cobertura arbórea de forma planejada, combinando ações imediatas e estratégias de longo prazo, com manejo adequado, monitoramento constante e priorização de áreas estratégicas. Para 2026, a meta é repetir o volume de plantios alcançado no ano anterior. Para que uma cidade seja reconhecida, é necessário cumprir cinco critérios: possuir equipe técnica e servidores designados para gestão das árvores urbanas; manter políticas e regulamentações ambientais locais; ter mapeamento e conhecimento detalhado do patrimônio arbóreo; garantir recursos financeiros para o manejo; e promover datas ou eventos voltados à celebração das árvores. “Ser reconhecida como ‘Cidade Árvore do Mundo’ vai além de um selo ambiental. Significa compromisso com a qualidade de vida, sustentabilidade urbana e resiliência frente às mudanças climáticas. Árvores reduzem a poluição do ar, baixam a temperatura urbana e proporcionam sombra e bem-estar à população. Não se trata apenas de plantar árvores, trata-se de integrar a vegetação ao tecido urbano de forma planejada, garantindo sombra, qualidade do ar e absorção de água da chuva”, afirma a urbanista Michele Silveira. O impacto desse trabalho é sentido no cotidiano da população. Ela explica que árvores nas ruas e parques contribuem para a redução das temperaturas urbanas, atuando como “ares-condicionados naturais”; melhoram a qualidade do ar ao filtrar poluentes e partículas suspensas; contribuem para a gestão de águas pluviais, reduzindo alagamentos e erosão; além de proporcionar espaços de convivência mais agradáveis. “Quando caminhamos sob árvores, sentimos imediatamente um ambiente mais acolhedor e saudável. Isso influencia desde a nossa saúde física até o bem-estar psicológico”. Apesar dos avanços, o paisagista Leonardo Magalhães aponta desafios e áreas que demandam melhorias e investimentos mais robustos. Um dos pontos críticos é a manutenção e longevidade das árvores já plantadas, especialmente em bairros periféricos onde serviços públicos de poda, irrigação e cuidado mais intensivo ainda são insuficientes. “O grande obstáculo não é só plantar, mas garantir que essas árvores cresçam e cumpram seu papel por décadas, isso exige não apenas recursos, mas também uma gestão integrada entre secretarias, sociedade civil e comunidades locais”. Outro ponto de atenção é a desigualdade na distribuição da arborização pela cidade. Zonas centrais e bairros de maior poder aquisitivo tendem a ser mais arborizados, enquanto áreas periféricas ainda carecem de cobertura vegetal adequada, deixando seus moradores mais expostos ao calor e com menor acesso aos benefícios ambientais. Ele ressalta a importância de que a Prefeitura invista em projetos que priorizem essas regiões. A educação ambiental também aparece como um campo a ser fortalecido. “Embora a gestão já promova projetos de conscientização, muitos cidadãos ainda desconhecem aspectos importantes sobre o ciclo de vida das árvores, espécies adequadas a cada tipo de solo e clima, ou os cuidados durante períodos de seca ou fortes ventos”, explica Magalhães.

Setor de eventos deve crescer 8% e gerar 143 mil novos empregos

O setor de eventos deve seguir em expansão em 2026, com crescimento previsto de 7,8% no consumo e a geração de aproximadamente 143 mil novos empregos formais no Brasil, conforme projeções da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape). Segundo a entidade, os gastos relacionados à recreação devem chegar a R$ 151,9 bilhões no próximo ano, ante os R$ 140,8 bilhões estimados para 2025. Os economistas que assinam o estudo consideram o crescimento expressivo, refletindo a consolidação do setor tanto em suas atividades principais quanto nas áreas indiretas impactadas pelos eventos. “Esses números mostram que o setor de eventos se consolidou como um dos motores do consumo e da geração de empregos no Brasil. O crescimento não é apenas quantitativo, mas qualitativo, pois envolve a diversificação das atividades e o fortalecimento das cadeias produtivas associadas”, afirma Lucas Ribeiro, consultor em gestão de eventos. O hub setorial, composto por 52 atividades relacionadas ao setor, deve gerar cerca de 120 mil empregos, representando 83,9% das novas vagas. Entre os segmentos mais beneficiados estão bares e restaurantes, hospedagem, segurança privada, serviços gerais, publicidade, marketing e agências de turismo. A previsão indica um crescimento de 24% em relação aos níveis anteriores à pandemia. Para Ribeiro, “o aumento expressivo de vagas no hub setorial reflete a retomada plena das atividades pós-pandemia e a importância de setores indiretos que dependem do movimento de eventos e entretenimento”. O core business, abrangendo organização de eventos, atividades artísticas e culturais, espetáculos, lazer e produção esportiva, deve gerar aproximadamente 23 mil novos empregos formais em 2026. Atualmente, esses setores mantêm um nível de empregos 80,9% superior ao registrado em 2019. O profissional vê esse crescimento como resultado de um efeito acumulado de investimentos em cultura, tecnologia e inovação. “Além da retomada de grandes eventos, temos observado o fortalecimento de projetos culturais e esportivos que geram empregos diretos e indiretos, ampliando o impacto econômico do setor”. “O aumento de consumo e empregos é um indicativo de que o setor se profissionalizou, diversificou suas atividades e passou a gerar impactos positivos em várias cadeias produtivas, desde alimentação e hospedagem até publicidade e serviços de segurança”, completa. Ele reforça que os números de 2026 ainda podem ser superados, à medida que investimentos em tecnologia, logística e gestão de eventos avançam. A economista Ana Clara Medeiros aponta que o crescimento do setor de eventos tem impacto direto na economia nacional. Além de gerar empregos formais, os eventos estimulam consumo, fomentam pequenas e médias empresas e aumentam a arrecadação tributária. “Cada evento realizado movimenta um conjunto de serviços que vai muito além do próprio entretenimento. Estamos falando de uma cadeia econômica que envolve transporte, alimentação, hospedagem, marketing, tecnologia e serviços gerais, criando um efeito multiplicador importante para a economia”. Outro fator relevante é o efeito da inovação e digitalização no setor. Plataformas de gestão de eventos, aplicativos de venda de ingressos e soluções de marketing digital para atrações culturais têm ampliado a capacidade de gerar empregos e aumentar a produtividade. “A tecnologia permite que o setor atenda a públicos maiores e de forma mais eficiente, gerando mais oportunidades de trabalho e aumentando o impacto econômico das atividades”, ressalta. Apesar das projeções otimistas, especialistas alertam para a necessidade de políticas públicas que mantenham o crescimento sustentável do setor. Educação profissional, capacitação técnica e incentivos à cultura e ao entretenimento são apontados como elementos essenciais para consolidar os ganhos de empregos e fortalecer a economia. “Não se trata apenas de gerar números, mas de criar qualidade de emprego, segurança jurídica e sustentabilidade para o setor a longo prazo”, enfatiza o consultor.

ECA Digital amplia a proteção on-line de crianças e adolescentes

O estudo “Práticas de aferição de idade em 25 serviços digitais usados por crianças no Brasil”, de 2025, aponta que 84% das plataformas mais utilizadas por crianças no país, 21 de um total de 25 analisadas, não realizavam verificação etária no momento da criação de contas. Os dados retratam um cenário anterior à entrada em vigor do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA) Digital no dia 17 de março. Também conhecido como Lei Felca, o marco jurídico tem como foco a proteção de crianças e adolescentes no ambiente on-line, incluindo redes sociais, jogos, plataformas de vídeo e e-commerces voltados a esse público. A norma veda o uso exclusivo da autodeclaração de idade, como informar a data de nascimento ou apenas marcar uma opção. Na prática, as plataformas não podem mais se basear somente na informação fornecida pelo usuário. A legislação também passa a exigir supervisão parental e a adoção de mecanismos efetivos de verificação etária para acesso a conteúdos e serviços digitais. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a advogada especialista em Direito Digital, Chayana de Rezende. O que muda em relação ao que já existia no Estatuto da Criança e do Adolescente tradicional? O ECA (1990) foi pensado para uma infância no mundo físico, mas a expansão do ambiente digital ampliou riscos sem que a aplicação da lei acompanhasse. O princípio da proteção integral permanece, mudando sua aplicação diante de riscos on-line, que deixam de ser episódios isolados e passam a ser fenômenos estruturais e escaláveis. Exposição de imagem, uso de dados e violência digital tornam-se centrais. O dever de cuidado se amplia, incluindo agentes privados. Assim, o avanço está em fazer direitos já existentes valerem no ambiente digital com maior alcance e rapidez. Quais são as principais responsabilidades impostas às plataformas digitais? A mudança central é que plataformas digitais deixam de alegar neutralidade: quem organiza e amplifica conteúdo é agente ativo e responde proporcionalmente ao seu poder. Isso implica três deveres: prevenir riscos, agir rapidamente diante de danos e não se omitir. Em um ambiente de curadoria algorítmica, a inércia passa a ter relevância jurídica. Essa visão tensiona o modelo do Marco Civil, ao reconhecer que não há neutralidade real. O objetivo não é censurar, mas alinhar poder e responsabilidade. Como a lei contribui para combater algumas práticas antigas como cyberbullying, exploração sexual e aliciamento on-line? A lei corrige a defasagem entre a rápida evolução digital e uma proteção jurídica ainda analógica, reforçando deveres já existentes à luz do princípio da proteção integral. Violências como cyberbullying e aliciamento passam a ser tratadas como fenômenos estruturais e amplificados. A responsabilidade deixa de focar só na autoria e inclui a capacidade de intervenção. A omissão, diante de controle e moderação, deixa de ser neutra. Sem negar a liberdade de expressão, o foco é prevenir danos e reduzir sua propagação no ambiente digital. Empresas de tecnologia podem ser penalizadas caso não cumpram as regras? Sim, o descumprimento deixa de ser apenas reputacional e passa a gerar consequências jurídicas. A responsabilização decorre da ação ou omissão diante de violações, sobretudo envolvendo crianças. As punições são progressivas: medidas corretivas para cessar o dano, multas para garantir rapidez e responsabilização civil com indenização. A lógica segue o Marco Civil, mas reforça deveres de diligência. Assim, a omissão passa a ter custo, sem impedir a inovação, apenas limitando a impunidade. Como o ECA Digital aborda a proteção de dados pessoais de crianças e adolescentes? O Estatuto da Criança e do Adolescente Digital redefine dados de crianças como extensões de sua identidade e vulnerabilidade. Reforça a exigência de maior cuidado, transparência e justificativa no tratamento dessas informações. A lógica deixa de ser coleta ampla e passa a exigir finalidade legítima e necessidade real. Alinhado à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), vai além ao proteger a formação da criança no ambiente digital. Como dados moldam algoritmos e comportamentos, seu uso deixa de ser neutro. O foco é limitar uma lógica de exploração antes pouco regulada. Na sua avaliação, o que ainda precisa avançar na legislação brasileira sobre proteção digital de menores? O Brasil avançou, mas ainda corre atrás de um cenário que evolui mais rápido que a lei. Falta enfrentar o modelo econômico baseado em engajamento, que tensiona a proteção de crianças. Não basta regular condutas se o sistema incentiva exposição e coleta de dados. A legislação ainda trata algoritmos como neutros, ignorando seu impacto na formação e comportamento. Soma-se a isso a lentidão do direito frente ao dano imediato e a falta de educação digital estruturada. O desafio é regular com mais firmeza e responsabilidade.

Pilates possibilita a melhora na qualidade de vida

O pilates tem ganhado cada vez mais espaço no cotidiano de pessoas que buscam qualidade de vida, condicionamento físico e equilíbrio mental. Entre 2019 e 2024, os check-ins em aulas de pilates na plataforma Wellhub registraram crescimento de 277,6%. O resultado coloca a modalidade como a segunda atividade física mais praticada no país. De acordo com o fisioterapeuta Renato Lacerda, especialista em reabilitação funcional, o pilates se diferencia de outras atividades físicas por priorizar a execução consciente dos movimentos. “O método trabalha o corpo de forma global, com foco especial na região do core, que inclui abdômen, lombar e pelve. Isso contribui não só para a estética, mas principalmente para a estabilidade corporal e prevenção de lesões. A prática regular pode melhorar significativamente a postura, reduzir dores crônicas e aumentar a flexibilidade”. Além dos benefícios físicos, o pilates também se destaca pelos impactos positivos na saúde mental. O profissional ressalta que a conexão entre respiração e movimento é um dos pilares da técnica. “Durante os exercícios, o praticante é estimulado a manter a concentração e o controle da respiração, o que ajuda a reduzir níveis de estresse e ansiedade. Muitas pessoas relatam sensação de bem-estar logo após as aulas. Esse aspecto torna o pilates uma alternativa interessante para quem busca não apenas condicionamento físico, mas também equilíbrio emocional”. Outro ponto relevante é a versatilidade da prática, que pode ser adaptada para diferentes objetivos e necessidades, desde reabilitação de lesões até condicionamento físico mais intenso. A instrutora Carla Siqueira destaca que o método pode ser realizado tanto no solo, com o auxílio de acessórios como bolas e faixas elásticas, quanto em equipamentos específicos, como o reformer. “Cada modalidade tem suas particularidades, mas ambas oferecem resultados eficazes quando orientadas por um profissional qualificado”. Ela alerta que alguns cuidados são essenciais antes de iniciar a prática e a avaliação física é um dos primeiros passos recomendados. “É fundamental que a pessoa passe por uma análise prévia para identificar limitações, histórico de lesões ou condições de saúde específicas. Isso permite que o treino seja personalizado e seguro. O aluno também deve informar ao instrutor qualquer desconforto durante os exercícios”. Também é importante respeitar os limites do próprio corpo e não se basear em repetições exaustivas ou movimentos bruscos, mas sim na qualidade da execução. “Não adianta querer evoluir rapidamente sem dominar a técnica. O progresso no pilates é gradual e consciente, e isso é o que garante resultados duradouros”, explica. A instrutora diz que a atividade é considerada inclusiva, pode ser praticada por jovens, adultos, idosos e até mesmo gestantes, desde que com as devidas adaptações. “O método também é frequentemente indicado para pessoas em processo de reabilitação. Pacientes com dores na coluna, problemas articulares ou recuperação pós-cirúrgica podem se beneficiar muito, pois os exercícios são de baixo impacto e focados no fortalecimento muscular”. “Para idosos, pode contribuir para a manutenção da mobilidade, equilíbrio e autonomia, reduzindo o risco de quedas. Já para gestantes, quando liberado pelo médico, ajuda no fortalecimento da musculatura abdominal e pélvica, além de aliviar dores comuns durante a gravidez”, reforça. Nos últimos anos, o pilates também passou a ser incorporado à rotina de atletas e praticantes de outras modalidades esportivas, como forma de complementar o treinamento. Isso ocorre porque o método melhora a consciência corporal, a coordenação motora e a eficiência dos movimentos, fatores que impactam diretamente o desempenho esportivo. Com uma proposta que une corpo e mente, o pilates se consolida como uma prática completa e acessível. “Seus benefícios vão além da estética, abrangendo aspectos fundamentais para a saúde e o bem-estar. O sucesso na modalidade depende de orientação adequada, disciplina e respeito aos limites”, conclui Carla.

Exposição dedicada a Renoir marca os 20 anos da Casa Fiat de Cultura

Até 10 de maio de 2026, a Casa Fiat de Cultura recebe a exposição “Renoir na Casa Fiat de Cultura”, que apresenta 11 pinturas e uma escultura do artista francês Pierre-Auguste Renoir (1841-1919), que foi um dos nomes mais importantes do impressionismo, e seus retratos e cenas ao ar livre revolucionaram a pintura moderna ao substituir a rigidez acadêmica por cores vibrantes e pinceladas soltas. O conjunto, pertencente ao acervo do MASP, é exibido pela primeira vez fora de São Paulo e percorre diferentes fases da carreira do artista, permitindo ao público apreciar obras originais que atravessam mais de um século e permanecem referência na história da arte moderna. A visitação conta ainda com uma sala imersiva, criada especialmente pela Casa Fiat de Cultura, dedicada à obra ‘Rosa e Azul’ (1881). O espaço possibilita que o público examine de perto os detalhes das pinturas, aproximando-se das pinceladas, das camadas de cor e da percepção do volume nas obras. Elementos audiovisuais oferecem contexto sobre o período de criação e a história das peças, proporcionando uma conexão mais profunda com um dos retratos mais icônicos do impressionismo francês. A exposição faz parte das celebrações pelos 20 anos da instituição e oferece entrada gratuita ao público. Segundo Massimo Cavallo, presidente da Casa Fiat de Cultura, a chegada de Renoir a Belo Horizonte representa um momento histórico nas comemorações dos 20 anos da instituição. “Celebrar duas décadas de atuação com a obra de um artista dessa dimensão reforça o papel da Casa Fiat de Cultura na circulação de grandes mestres no Brasil. A exposição de Renoir sintetiza esse percurso e consolida nosso compromisso com uma programação gratuita e de alcance internacional”. Membro da primeira geração do impressionismo, ao lado de Claude Monet e Edgar Degas, Renoir participou das exposições independentes que desafiaram os Salões franceses oficiais. No entanto, sua produção não se restringiu apenas à experimentação impressionista: após uma viagem à Itália em 1881, aprofundou o estudo da tradição clássica e começou a organizar suas composições. Essa fusão entre inovação e diálogo com o passado conferiu à sua obra uma singularidade dentro do movimento. Na exposição, os visitantes poderão explorar diferentes fases da carreira de Renoir. Obras como “A banhista e O cão griffon – Lise à beira do Sena” (1870) ilustram sua fase inicial, ainda influenciada pela pintura acadêmica. Já trabalhos voltados às banhistas, como “Banhista enxugando a perna direita” (1910) e “Banhista enxugando o braço direito” (1912), produzidos nas primeiras décadas do século 20, destacam volumes marcantes, cores quentes e um estudo aprofundado da textura da pele e da dissolução dos contornos. A escultura “Vênus vitoriosa” (1916) complementa o percurso, mostrando como Renoir transferiu para o bronze suas reflexões sobre movimento e sensualidade. “As obras de Renoir foram incorporadas ao acervo do MASP durante o período das grandes aquisições, entre o fim dos anos 1940 e início dos 1950, quando o italiano Pietro Maria Bardi estruturou um núcleo fundamental de arte europeia no Brasil. As 12 obras reunidas nesta exposição percorrem praticamente toda a carreira do artista e raramente são apresentadas em conjunto. Anteriormente à mostra acontecer na ocasião da inauguração do novo edifício do MASP, o conjunto havia sido exibido há 23 anos, no próprio museu”, explica Fernando Oliva, curador da mostra e doutor em história da arte pela USP.