Veículos de carga estão envolvidos em 43,93% das mortes nas BRs

No relatório mais recente da Operação Rodovida, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apresentou um panorama preocupante sobre acidentes nas estradas federais. De acordo com a corporação, nos últimos 66 dias foram contabilizadas 1.172 mortes, sendo que 514 envolveram veículos de carga, o equivalente a 43,93% do total de óbitos registrados no período. Ao todo, foram registrados 3.149 acidentes com esse tipo de veículo, número que corresponde a 23,81% de todos os sinistros nas rodovias federais. Segundo a PRF, entre os acidentes que envolveram veículos de carga, as colisões frontais se destacaram como as mais letais, somando 288 mortes. No intervalo do Carnaval, ao menos 130 pessoas perderam a vida nas rodovias. De acordo com a instituição, trata-se do período carnavalesco mais letal dos últimos dez anos. Os dados indicam crescimento de 8,54% no número de acidentes graves registrados durante os dias de festa. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a presidente da Comissão de Enfrentamento à Violência no Trânsito da OAB-MG, Alice Araújo Pedrosa. Quais são os principais fatores que levaram a esse número estatístico? Na minha avaliação, estão ligados tanto à conduta dos motoristas quanto ao desrespeito à jornada de trabalho. Os dados da Operação Rodovida são alarmantes: foram registrados 1,2 milhão de veículos com excesso de velocidade e mais de 58 mil ultrapassagens irregulares. Além disso, a conduta perigosa é reforçada por 11,1 mil flagrantes de embriaguez e 9,6 mil condutores usando o celular ao volante. Quanto à jornada, o fato de 17,1 mil motoristas terem desrespeitado a Lei do Descanso mostra que a fadiga é um componente crítico na segurança viária. A norma que regula o tempo de direção e descanso dos caminhoneiros é suficiente? A legislação que regula o tempo de direção (Lei do Descanso) estabelece parâmetros claros, como a pausa de 11 horas, mas os índices de mortalidade sugerem que a eficácia depende de uma fiscalização ainda mais onipresente. Embora existam normas rigorosas para o uso do cronotacógrafo (Resolução 938/22) e a obrigatoriedade do exame toxicológico para categorias C, D e E (Resolução 923/22), o alto número de infrações durante a Operação Rodovida indica que muitos condutores ainda arriscam o descumprimento. As empresas transportadoras também devem ser responsabilizadas com rigor quando há acidentes fatais? Sim, as transportadoras devem ter uma responsabilidade técnica e administrativa bem definida, pois a segurança não recai apenas sobre o condutor. O Contran já prevê mecanismos de responsabilização, como a Resolução 710/17, que regulamenta multas para pessoas jurídicas que não identificam o condutor infrator (Multa NIC). Além disso, normas como a Resolução 926/22 padronizam as notificações de penalidades para empresas, garantindo que a responsabilidade administrativa seja efetivada quando há falhas na gestão da frota ou do pessoal. Em que medida as condições das rodovias federais contribuem para a gravidade desses acidentes? Embora as fontes não detalhem o estado técnico do pavimento, as estatísticas de dinâmica de sinistros mostram que o desenho operacional das vias federais é palco para colisões de extrema gravidade. No período analisado, as colisões frontais foram as que mais resultaram em mortes em acidentes com veículos de carga, totalizando 288 óbitos. Isso evidencia que, independentemente da condição da pista, a infraestrutura das rodovias federais, muitas vezes de pista simples, contribui para a letalidade quando ocorre uma falha de conduta ou fadiga. Que políticas públicas podem ser implementadas de forma imediata para reduzir esses índices? Acredito que a implementação imediata deve focar na tecnologia de monitoramento e na expansão de planos estratégicos já existentes. Políticas como o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), disciplinado pela Resolução 1.004/23, devem ser priorizadas em todos os estados. Além disso, o uso de sistemas de livre passagem e a pesagem automatizada de veículos podem reduzir o estresse nas vias e melhorar o fluxo, diminuindo pontos de conflito. Você defende mudanças no Código de Trânsito Brasileiro ou em normas específicas para o transporte de cargas? Defendo a atualização constante das normas para acompanhar a realidade das estradas. O foco deve estar no refinamento das resoluções do Contran que tratam da formação de condutores e na sinalização viária. Mais do que grandes mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), precisamos de agilidade na regulamentação de novos dispositivos de segurança veicular e em campanhas educativas contínuas e obrigatórias, como as definidas para 2025 pela Resolução 1.014/24.
Beach tennis conquista cada vez mais adeptos

O crescimento acelerado do beach tennis nas praias e quadras de areia do Brasil tem transformado o esporte em um fenômeno social que vai muito além do lazer de verão. A combinação de dinamismo, ambiente descontraído e facilidade de aprendizagem explica parte desse sucesso, além dos benefícios físicos, mentais e sociais, que são determinantes para consolidar a modalidade como uma das mais procuradas. A quadra é semelhante à do vôlei de praia, separada por uma rede alta, e os jogadores utilizam raquetes sólidas e uma bola de baixa pressão. A principal característica do jogo é que a bola não pode quicar na areia, o que torna as trocas rápidas e exige reflexos apurados, coordenação motora e trabalho em equipe, especialmente nas partidas em duplas, formato mais comum da modalidade. Para o educador físico Ricardo Almeida, o beach tennis oferece um conjunto de estímulos físicos bastante completo. “É uma atividade aeróbica e anaeróbica ao mesmo tempo. O praticante realiza deslocamentos constantes na areia, que exigem mais do sistema cardiovascular, enquanto também executa movimentos explosivos, como saltos e cortadas, que trabalham força e potência muscular”. A instabilidade da areia é um diferencial importante, segundo Almeida. “A areia aumenta o recrutamento muscular, principalmente de membros inferiores e da região do core, contribuindo para fortalecimento e prevenção de lesões quando há orientação adequada”. Além do condicionamento cardiorrespiratório, o esporte contribui para melhora do equilíbrio, da coordenação e da agilidade. Como as partidas costumam ser dinâmicas e com intervalos curtos entre os pontos, o gasto calórico também é significativo. “Em uma hora de prática moderada a intensa, é possível gastar entre 400 e 600 calorias, dependendo da intensidade e do perfil do aluno. Os iniciantes devem passar por avaliação física e começar de forma progressiva, especialmente pessoas sedentárias ou com histórico de problemas articulares”, ressalta. Se os ganhos físicos chamam atenção, os impactos mentais e sociais do beach tennis também são destaque. A psicóloga do esporte Mariana Torres observa que o ambiente descontraído é um dos fatores que mais atraem novos praticantes. “Diferentemente de outras modalidades que podem parecer mais técnicas ou competitivas, o beach tennis costuma ter um clima acolhedor. As aulas são coletivas, há muita interação e o erro faz parte do processo de aprendizagem de forma leve”. Mariana ressalta que essa atmosfera favorece a redução do estresse e da ansiedade. “A prática regular libera endorfinas e outros neurotransmissores associados à sensação de bem-estar. Além disso, estar ao ar livre ou em contato com a areia cria uma experiência sensorial que contribui para relaxamento e melhora do humor. O esporte também fortalece vínculos sociais e muitas pessoas ampliaram seu círculo de amizades. Como as partidas geralmente são em duplas ou grupos, há constante cooperação, comunicação e troca”. Outro ponto que impulsiona a popularidade do esporte é a acessibilidade. Não é necessário ter experiência prévia em tênis ou em outros esportes de raquete para começar. As regras básicas podem ser aprendidas em poucas aulas, e os equipamentos são relativamente simples: raquete específica, bola adequada e roupas confortáveis. De acordo com Almeida, praticamente qualquer pessoa pode iniciar na modalidade, desde que respeite seus limites. “Crianças a partir de seis ou sete anos já conseguem aprender os fundamentos básicos de forma lúdica. Já os adultos de todas as idades também podem praticar, inclusive idosos, desde que haja adaptação da intensidade e acompanhamento”. Ele recomenda fazer uma avaliação médica se houver alguma condição pré-existente e procurar professores qualificados para aprender a técnica correta de empunhadura, posicionamento e movimentação. “Isso reduz o risco de lesões em ombro, cotovelo e joelho, além de acelerar o progresso”.
Belo Horizonte se prepara para receber o maior festival gamer

Belo Horizonte se prepara para viver um dos momentos mais marcantes de sua história no universo dos jogos eletrônicos. Entre os dias 18 e 21 de junho de 2026, o tradicional Expominas será palco do Game Fest Minas 2026, um festival com a intenção de consolidar Minas Gerais no calendário nacional e latino-americano de eventos gamer, reunindo tecnologia, cultura pop, e experiências imersivas em uma programação intensa de quatro dias. Mais do que um simples encontro de entusiastas dos games, o evento foi pensado como um hub de cultura, negócios e inovação voltado para todos os públicos que se conectam ao universo gamer, de jogadores casuais a profissionais do setor, passando por estudantes, desenvolvedores e investidores. O encontro ocupará todos os pavilhões do Expominas, que contará com estruturas amplas para competições de e-sports, experiências de realidade virtual (VR), inteligência artificial (IA), metaverso, áreas de robótica, espaços para desenvolvedores independentes, além de atrações temáticas como cosplay e robótica, criando um ambiente que une entretenimento, educação e também oportunidades de negócios. Para Ana Rocha, analista de mercado de jogos e cultura digital, o Game Fest Minas representa um marco significativo tanto para o segmento quanto para Belo Horizonte. “Eventos dessa natureza são fundamentais para que a cena gamer local seja vista com seriedade e conectada às grandes tendências globais. O festival não só celebra a paixão pelos games, mas também atrai investimentos, fomenta networking e oferece às empresas e desenvolvedores um ambiente para gerar parcerias”. Ela revela que a escolha de Belo Horizonte como sede é estratégica, pois a cidade já vem se destacando por sua cena tecnológica vibrante, com polos de inovação e um público jovem e engajado. “Ter um festival dessa escala no coração de Minas impulsiona a economia criativa local e reforça a capital como um destino vibrante para eventos tecnológicos e culturais”. A organização está com a expectativa de receber até 20 mil visitantes por dia, o que significa que o festival movimentará hotéis, restaurantes, comércio e serviços, além de gerar visibilidade para Minas Gerais em nível nacional. “Esse tipo de evento ajuda a descentralizar o mercado, que tradicionalmente se concentra em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, e traz oportunidades concretas para talentos mineiros se destacarem no cenário nacional e internacional”, observa Ana. Como parte de sua iniciativa social, o festival irá disponibilizar 20 mil ingressos sem custo para alunos da rede pública de Minas Gerais. A proposta busca democratizar o acesso ao universo gamer, incentivando os jovens a se aproximarem de áreas como tecnologia, inovação e desenvolvimento digital. A programação do Game Fest Minas foi cuidadosamente elaborada para contemplar diferentes frentes do universo gamer. Haverá competições oficiais de jogos populares, arenas dedicadas a experiências imersivas, espaços de networking para profissionais, painéis e palestras sobre tendências de tecnologia, empreendedorismo digital e o futuro dos games, além de atividades interativas pensadas para todas as idades. “Ver um evento que combina competições, cultura, tecnologia e inclusão é um passo importante para reconhecer os games como uma forma legítima de expressão cultural e também um campo profissional sólido. Isso cria um espaço onde a criatividade floresce, e os jogadores têm a chance de se conectar diretamente com empresas, marcas e outros profissionais”, destaca o desenvolvedor de jogos, Felipe Castro.
Mercado amplia desigualdade salarial entre diferentes setores

O mercado de trabalho no Brasil apresentou avanço em 2025, porém, a disparidade salarial entre diferentes setores continuou expressiva. Segundo levantamento do Infojobs, as áreas técnicas registraram remunerações médias que chegaram a ser até duas vezes superiores às oferecidas em funções operacionais. Os segmentos que concentraram o maior número de vagas, como atendimento ao cliente, comércio e vendas, logística, serviços gerais, alimentação e telemarketing, foram responsáveis por uma fatia significativa das admissões em 2025, representando aproximadamente 58% do total ao longo dos últimos 12 meses. Tratam-se de atividades indispensáveis para a dinâmica econômica e que mantêm procura constante por trabalhadores. Apesar do grande volume de oportunidades, essas áreas figuram entre as que oferecem menores remunerações quando comparadas a setores considerados estratégicos. Em funções relacionadas a atendimento, higienização, telemarketing e atividades operacionais, a média salarial permaneceu, na maioria dos casos, abaixo da quantia de R$ 2,5 mil por mês. Por outro lado, segmentos como tecnologia da informação (TI), contabilidade e finanças, recursos humanos e saúde registraram as maiores faixas salariais ao longo do ano. Na área de TI, por exemplo, os vencimentos médios iniciais ultrapassaram R$ 3,6 mil, enquanto em finanças e contabilidade os valores ficaram acima de R$ 3,3 mil mensais. A distância entre esses campos e os setores operacionais chega a quase dobrar o rendimento, o que reforça a segmentação do mercado de trabalho, onde o nível de qualificação e o ramo de atuação influenciam diretamente o acesso a melhores salários. Assim, mesmo com a expansão do total de admissões, a estrutura de remuneração no país continuou marcada por desequilíbrios. O aumento das vagas em funções operacionais ampliou as chances de entrada no mercado, mas não foi suficiente para encurtar a diferença em relação aos ganhos oferecidos por áreas mais especializadas. Para a economista do trabalho Helena Duarte, a discrepância salarial reflete a lógica de oferta e demanda aliada à exigência de formação específica. “Áreas técnicas requerem qualificação formal, domínio de ferramentas e, muitas vezes, atualização constante. Como há menos profissionais com esse perfil disponível, as empresas pagam mais para atrair e reter talentos. Já as funções operacionais costumam exigir menor tempo de formação e têm maior oferta de candidatos, o que pressiona os salários para baixo”. Ela avalia que a concentração de vagas operacionais também está ligada ao perfil produtivo do país. “A economia brasileira ainda é fortemente baseada em serviços e atividades de menor intensidade tecnológica. Isso gera grande volume de postos operacionais, mas limita a expansão de empregos altamente qualificados”. O sociólogo André Nascimento destaca que a dificuldade de acesso às áreas técnicas não se resume à falta de interesse dos trabalhadores. “Há barreiras estruturais importantes, como desigualdade educacional, necessidade de ingresso precoce no mercado de trabalho e baixa renda familiar. Muitas pessoas precisam trabalhar desde cedo e não conseguem investir tempo e recursos em cursos técnicos ou ensino superior”. A limitação no acesso a cursos de qualidade e a falta de informação sobre trajetórias profissionais também contribuem para perpetuar o ciclo. Helena acrescenta que a transformação digital acelerada nos últimos anos ampliou a demanda por profissionais qualificados, mas o sistema educacional não acompanhou a mesma velocidade. “Existe um descompasso entre o que o mercado exige e o que grande parte da população consegue acessar em termos de formação. Sem políticas consistentes de qualificação, a tendência é a segmentação se aprofundar”. Para mudar esse cenário, os especialistas defendem ações articuladas entre governo, empresas e instituições de ensino. Entre as propostas estão a ampliação de programas de formação técnica gratuita, parcerias entre empresas e escolas para capacitação prática e incentivo à educação continuada. “É fundamental criar trilhas de qualificação acessíveis, com cursos modulares e flexíveis, que permitam ao trabalhador estudar e trabalhar ao mesmo tempo”, sugere Nascimento. Outra medida apontada é o fortalecimento de políticas de inclusão digital e bolsas de estudo voltadas a áreas estratégicas. “Quando ampliamos o acesso à formação técnica, aumentamos as chances de mobilidade social e reduzimos a desigualdade salarial”, finaliza a economista.
Discord anuncia mudanças para ampliar proteção de jovens e adolescentes

A plataforma de comunicação Discord anunciou uma mudança abrangente em suas regras de uso que promete transformar a experiência de jovens e adolescentes na rede digital. A partir de março de 2026, a empresa vai implementar globalmente um conjunto de medidas de segurança voltadas para proteger usuários de 13 a 17 anos, incluindo verificações de idade mais rígidas e configurações que colocam todos os perfis em um modo “adequado para adolescentes” por padrão, caso não confirmem serem maiores de idade. Segundo informações divulgadas pela própria Discord e veículos de tecnologia, novas ferramentas restritivas passarão a ser ativadas automaticamente em todos os perfis não verificados, bloqueando o acesso a conteúdo sensível ou a chats e servidores destinados a públicos adultos. Para sair desse modo e ter mais liberdade na plataforma, os usuários poderão ter de comprovar sua idade por meio de reconhecimento facial via tecnologia de vídeo ou através do envio de um documento oficial de identidade. O objetivo declarado pela empresa é reforçar a proteção dos adolescentes em um ambiente em que a exposição a riscos e interações inadequadas tem se intensificado com o crescimento do uso de redes sociais. De acordo com a psicóloga educacional Carla Silva, “uma comunidade digital sem filtros ou salvaguardas robustas pode ser um terreno fértil para a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos que vão desde violência ou pornografia até linguagem ofensiva e discurso de ódio. Configurações padronizadas que protegem automaticamente os usuários jovens ajudam a mitigar riscos, mas não substituem o papel ativo dos responsáveis e da educação digital”. A nova abordagem do Discord inclui ainda variantes de controle de comunicação, como o redirecionamento automático de mensagens não solicitadas para uma caixa específica, impedindo que adolescentes recebam mensagens diretas de estranhos sem filtros, e a imposição de avisos ao receber solicitações de amizade de pessoas desconhecidas. Carla explica que é fundamental que empresas de tecnologia assumam responsabilidade concreta pela segurança dos usuários mais jovens. “A internet oferece oportunidades incríveis de aprendizado e socialização, mas sem mecanismos de proteção adequados, esses ambientes podem rapidamente colocar crianças em situações de risco, a iniciativa do Discord é uma resposta importante a essa demanda, mas precisa ser acompanhada de transparência, controle de dados e diálogo com pais, especialistas e adolescentes”. O anúncio também prevê a criação de um Conselho de Adolescentes, formado por usuários de 13 a 17 anos, que deverão colaborar na formulação de recursos e políticas, garantindo que as mudanças não só limitem riscos, mas respeitem as necessidades de interação dos jovens. De acordo com a pedagoga e consultora educacional, Ana Maria Costa, “o desenvolvimento saudável de adolescentes no ambiente digital depende tanto de políticas de segurança eficazes quanto de educação contínua sobre o uso responsável da tecnologia”. Ela ressalta que “plataformas como o Discord podem fazer grandes avanços técnicos em proteção, mas os maiores benefícios vêm quando esses esforços são complementados por conversas em casa e na escola sobre limites, respeito e cidadania digital”. No final de janeiro, o YouTube informou que passaria a utilizar ferramentas de inteligência artificial para reconhecer contas pertencentes a menores de idade em países como Brasil e Austrália. A iniciativa já vinha sendo aplicada em algumas nações europeias. Também em janeiro, o Roblox, plataforma de jogos on-line bastante popular, implementou novos mecanismos de proteção, para acessar o chat, os usuários passaram a precisar confirmar a própria idade. “Para as famílias, as recomendações passam por manter um diálogo aberto com seus filhos sobre o uso das redes, limitar o tempo de exposição, revisar periodicamente as configurações de privacidade disponíveis em cada plataforma e acompanhar de perto mudanças nas políticas de segurança anunciadas pelas empresas de tecnologia”, conclui Ana Maria.
Mulheres entre 30 e 50 anos são mais afetadas pela fibromialgia

Fevereiro é conhecido mundialmente como o mês de conscientização sobre a fibromialgia, assinalado pela cor roxa em campanhas que buscam dar visibilidade a uma condição ainda pouco compreendida. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a doença afeta cerca de 2% a 3% da população brasileira, com uma maior incidência em mulheres do que em homens, sobretudo na faixa etária entre 30 e 50 anos de idade. O distúrbio crônico é caracterizado por dor musculoesquelética generalizada, fadiga intensa, distúrbios do sono e uma série de outros sintomas que afetam profundamente a qualidade de vida. Segundo a reumatologista Carolina Menezes, a fibromialgia ainda é um desafio para a medicina moderna justamente porque não há um exame específico que a confirme. “O diagnóstico é clínico, baseado em critérios definidos pelo Colégio Americano de Reumatologia que levam em conta a presença de dor difusa ao longo do corpo por mais de três meses, além de sintomas associados como fadiga, alterações do sono e problemas cognitivos ou névoa mental”. Para a especialista, a falta de um marcador biológico dificulta tanto a identificação precoce quanto a aceitação da doença por parte de profissionais de saúde menos familiarizados com o tema. A causa da fibromialgia ainda não é totalmente esclarecida, mas pesquisadores apontam para uma combinação de fatores genéticos, neuroquímicos e ambientais. “Sabemos que há uma alteração na maneira como o sistema nervoso central processa os sinais de dor, um fenômeno chamado sensibilização central, que faz com que estímulos normalmente leves sejam interpretados como intensamente dolorosos”, explica a neurologista Marina Torres. Carolina destaca que os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas a dor difusa é o mais característico. “Ela pode ser sentida em músculos, tendões e articulações, e costuma ser descrita como uma dor profunda e persistente. Pacientes também relatam fadiga intensa que não melhora com o descanso, distúrbios do sono, como insônia ou sono não reparador, e sensibilidade exagerada a estímulos como luz, ruído e toque, além de dificuldades cognitivas, como memória falha, dificuldade de concentração e sensação de lentidão mental”. Tratamento O tratamento da fibromialgia é multidimensional, já que não existe uma cura definitiva. “Aqui não falamos em eliminar completamente os sintomas, mas em reduzir sua intensidade e melhorar a funcionalidade do paciente”, afirma Marina. “Medicamentos que modulam os neurotransmissores envolvidos na percepção da dor podem ser úteis em alguns casos, mas não são eficazes para todos. Em paralelo, terapias como atividade física regular, especialmente exercícios de baixo impacto como caminhada, natação e alongamentos, têm papel central no alívio da dor e na melhora da qualidade de vida”, ressalta. A neurologista comenta ainda a importância de incluir técnicas de relaxamento que ajudam a reduzir a tensão muscular e melhorar o equilíbrio emocional. “O corpo e a mente estão intimamente ligados na fibromialgia. Técnicas que atuam sobre o estresse e a ansiedade reduzem a sensação de dor e promovem bem-estar”. Embora não exista uma maneira de prevenir a fibromialgia de forma garantida, especialistas indicam medidas que podem reduzir o risco de agravamento dos sintomas ou ajudar no enfrentamento da condição. Marina recomenda atenção ao gerenciamento do estresse, manutenção de um padrão regular de sono e prática de exercícios físicos adaptados à capacidade individual. “A convivência com a fibromialgia exige adaptação e paciência. Para muitos, isso significa reorganizar rotinas, ajustar expectativas e aprender a escutar o próprio corpo”.
População em situação de rua cresceu 30% nos últimos cinco anos em BH

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontam que, nos últimos cinco anos, a população em situação de rua em Belo Horizonte cresceu 30%. O total de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade passou de 11.858 em 2020 para 15.474 em 2025. A questão em Minas Gerais é ainda mais preocupante: nos últimos cinco anos, o número de pessoas em situação de rua passou de 23.433 para 33.139, um aumento de 41%. O Estado ocupa o terceiro lugar no país, atrás apenas de São Paulo (150.958) e Rio de Janeiro (33.656). A socióloga Andreia Lima destaca que o aumento não se deve a um único fator, mas a uma combinação de problemas econômicos, sociais e administrativos. “Minas Gerais, assim como outros estados brasileiros, não conseguiu implementar políticas de habitação de longo prazo. Existem programas temporários, abrigos emergenciais e auxílios pontuais, mas falta planejamento estratégico, investimento em moradia popular e integração entre saúde, educação e assistência social. Isso faz com que a população vulnerável permaneça sem perspectivas e aumente a cada crise econômica ou social”. Ela cita que o estudo também indica que a crise habitacional não é o único problema. A fragilidade das redes de proteção social, a violência urbana e a dificuldade de acesso a serviços básicos, como saúde e alimentação, agravam a situação dos moradores de rua. “Muitas pessoas que vivem na rua enfrentam doenças crônicas, dependência química ou problemas de saúde mental sem ter acesso a tratamento adequado. Além disso, a falta de documentação ou o histórico de violência dificultam a inclusão em programas sociais”. O assistente social Paulo Nogueira afirma que a solução para reduzir o número de pessoas em situação de rua precisa ser abordada em duas frentes: ações emergenciais de curto prazo e políticas estruturais de longo prazo. “Medidas imediatas podem incluir a ampliação de abrigos, distribuição de kits de higiene e alimentação, além de equipes móveis de atendimento social e psicológico. No curto prazo, garantir dignidade, segurança e acesso a serviços básicos. Isso não resolve o problema, mas evita uma degradação ainda maior”. No longo prazo, a solução passa pelo desenvolvimento de políticas habitacionais integradas e permanentes, com foco em moradia popular, aluguel social e incentivo à regularização fundiária. O profissional ressalta a importância da articulação entre diferentes esferas do governo. “Não adianta apenas criar programas isolados, é preciso integrar habitação, saúde, educação, assistência social e emprego. Só assim poderemos reduzir estruturalmente o número de pessoas em situação de rua, evitando que mais famílias e indivíduos caiam na vulnerabilidade extrema”. Nogueira afirma que ONGs, empresas e universidades podem contribuir com programas de capacitação profissional, formação de cooperativas e apoio psicológico e social, fortalecendo a rede de proteção e inclusão. “O Estado sozinho não consegue dar conta do problema e parcerias estratégicas podem gerar soluções efetivas, combinando recursos, conhecimento e engajamento social”. O aumento da população em situação de rua em Belo Horizonte e em Minas Gerais reflete, portanto, uma série de desafios estruturais, desde a desigualdade econômica até a insuficiência das políticas públicas de habitação e assistência social. Os especialistas alertam que, sem ação coordenada e contínua, os números tendem a crescer, trazendo consequências graves para a sociedade como um todo, incluindo aumento da violência urbana, sobrecarga dos serviços públicos e degradação social.
Consórcio de imóveis apresenta crescimento significativo em Minas

De acordo com a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), o consórcio de imóveis apresentou um crescimento significativo nos últimos anos. Entre 2020 e 2025, as vendas de cotas tiveram alta próxima de 300%. Nos últimos 20 anos, desde 2005, aproximadamente 1,55 milhão de participantes foram contemplados, permitindo a compra de imóveis para moradia, negócios ou investimentos. Esse cenário é especialmente visível em Minas Gerais, onde o consórcio de imóveis tem grande relevância, representando cerca de 10% do total de cotas vendidas no país. O desempenho do Estado acompanha a tendência nacional, ao mesmo tempo em que destaca o aumento do interesse local pelo produto, principalmente para a compra de imóveis em um mercado que continua crescendo ano após ano. A Ademicon, principal administradora independente de consórcios do Brasil em créditos ativos, acompanha essa tendência e registra crescimento na procura por consórcios de imóveis em Minas Gerais. Em 2025, o faturamento da empresa no segmento no Estado atingiu R$ 2,8 bilhões, registrando um aumento de 131% em comparação ao ano anterior. Consumidores atentos Segundo o consultor de mercado imobiliário João Almeida, o avanço do consórcio no Estado está ligado a fatores econômicos e sociais que têm levado os consumidores a repensarem a forma de adquirir imóveis. “O aumento das taxas de juros e a instabilidade econômica tornaram o financiamento bancário menos atrativo para muitos brasileiros. O consórcio, por sua vez, oferece planejamento financeiro, parcelas previsíveis e sem cobrança de juros, o que permite ao comprador organizar seu orçamento com segurança”. A modalidade permite que o participante se prepare para a compra do imóvel sem se comprometer com dívidas onerosas. “O consórcio não é apenas uma alternativa mais barata, mas também uma forma de construir patrimônio de maneira gradual e estratégica. O cliente sabe exatamente quanto vai pagar e pode planejar a contemplação de acordo com seus objetivos pessoais e financeiros”, complementa. Segurança financeira A preferência pelo consórcio também reflete mudanças no comportamento do consumidor mineiro. De acordo com o Sindicato dos Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Sindimóveis), o mercado imobiliário do Estado fechou 2025 com crescimento de cerca de 20% nas vendas, superando as expectativas do setor mesmo diante de taxas de juros ainda altas. Mesmo diante de juros elevados, os mineiros têm buscado alternativas que priorizem a segurança financeira e reduzam o risco de endividamento. “O consórcio passou a ocupar um papel central na estratégia de compra, especialmente para jovens casais e famílias que buscam conquistar o primeiro imóvel de forma planejada”, avalia a economista Camila Nogueira. Ela ressalta que entre os benefícios do consórcio, além da ausência de juros e da previsibilidade das parcelas, estão a possibilidade de contemplação por sorteio ou lance, e a flexibilidade para utilizar o crédito conforme a necessidade do comprador. “Ele oferece liberdade para escolher o imóvel, seja para moradia, investimento ou negócio. É uma alternativa que combina disciplina financeira e oportunidade de realização do sonho da casa própria sem sobrecarregar o orçamento familiar”. Para além do aspecto financeiro, Camila destaca o impacto positivo na organização das finanças pessoais e no planejamento de longo prazo. “Participar de um consórcio exige compromisso, mas também ensina o participante a planejar cada passo, desde a escolha da cota até o momento de usar o crédito. Essa disciplina ajuda a evitar decisões impulsivas e reduz o risco de endividamento, algo que não ocorre com a facilidade de crédito instantâneo oferecida pelos financiamentos tradicionais”. Ainda na avaliação da economista, a modalidade também tem sido bem recebida por investidores e famílias que buscam imóveis comerciais ou de lazer. “Alguns clientes usam o consórcio para adquirir imóveis de investimento ou unidades que valorizem ao longo do tempo. É uma forma de aplicar recursos de forma segura, sem pagar juros abusivos, e ainda garantir um ativo que tende a se valorizar no futuro”. “O consórcio não resolve todos os problemas do mercado, mas é uma solução inteligente para quem quer conquistar um imóvel sem comprometer o orçamento e sem depender exclusivamente dos bancos. É uma tendência que veio para ficar”, conclui Almeida.
Uso da força letal pela polícia aumenta insegurança no Brasil

Um relatório da Human Rights Watch no Brasil aponta que a adoção recorrente da força letal pela polícia, como política de segurança, tem produzido o efeito oposto ao esperado, ampliando a violência e a sensação de insegurança nas cidades. Segundo o levantamento, entre janeiro e novembro de 2025, ações policiais resultaram na morte de 5.920 pessoas, sendo que a população negra apresenta uma probabilidade três vezes e meia maior de vitimização quando comparado com a população branca. O documento também chama atenção para a ação policial mais letal no Rio de Janeiro, a Operação Contenção, realizada em outubro do ano passado nos Complexos da Penha e do Alemão, que deixou 122 mortos durante ofensiva voltada à captura de lideranças da facção Comando Vermelho. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com o fundador e presidente da Associação Nacional da Advocacia Negra (ANAN) e presidente da ONG Clã da Negritude, Estevão Silva. Quando uma morte causada por policial deixa de ser uma ação legítima e passa a configurar execução ou violação de direitos humanos? Do ponto de vista jurídico, a regra é que a polícia não pode matar, pois sua função é prevenir e conter crimes, protegendo a vida. A morte causada por policial só é admitida, de forma excepcional, em legítima defesa ou para proteger a vida de terceiros, sempre com uso de meios proporcionais e moderados. Crimes contra o patrimônio, como furto ou roubo, não justificam o uso letal da força. Fora dessas hipóteses, a morte configura execução e violação grave de direitos humanos, inclusive quando há desproporção ou impossibilidade de defesa da vítima. Para além dos números, quais são os impactos dessas mortes nas famílias, nas comunidades periféricas e na democracia brasileira? O impacto da morte de homens, especialmente jovens negros, é profundo e estrutural em uma sociedade patriarcal. Ao eliminar o principal provedor, referência e proteção da família, ocorre a desestruturação econômica, psicológica e social do núcleo familiar, afetando filhos, mães e companheiras. Muitas famílias passam a depender de redes informais ou assistência que o Estado não garante, aumentando a vulnerabilidade social. A dor das mães, sobretudo negras, é devastadora e frequentemente acompanhada da ausência de justiça. Essa dinâmica alimenta ciclos de exclusão, violência e pode ser compreendida como uma forma de genocídio da população negra, com efeitos a curto, médio e longo prazo. O Brasil tem mecanismos eficazes para investigar mortes causadas por policiais? Possui boas ferramentas e métodos de investigação, como a polícia científica, mas elas não são aplicadas de forma igualitária. Quando as vítimas são pessoas negras ou da periferia, prevalece um imaginário social que naturaliza essas mortes, tratando esses corpos como “matáveis”, o que desestimula a apuração. Além disso, quando há suspeita de envolvimento policial, a investigação costuma ser feita pela própria corporação, o que compromete sua credibilidade. De que forma discursos políticos que exaltam o “confronto” ou a “guerra ao crime” impactam o aumento da estatística? O discurso de “guerra contra o crime” ou “guerra contra as drogas” é equivocado, perverso e profundamente perigoso, pois a lógica da guerra pressupõe a eliminação do inimigo. Ao adotar essa semântica, autoridades autorizam simbolicamente a morte de pessoas associadas, no imaginário social, ao crime e às drogas, em geral, negras e pobres. Não se fala em “guerra” contra crimes de colarinho branco. Essa linguagem reforça estigmas, legitima a violência e aumenta diretamente a letalidade policial. Quais medidas urgentes o Estado brasileiro deveria adotar para reduzir a letalidade policial? Para reduzir significativamente a letalidade policial, o Estado deve adotar duas medidas centrais: a desmilitarização da polícia e a criação de protocolos claros e proporcionais de uso da força. O Brasil é exceção ao manter uma polícia ostensiva fortemente armada em espaços civis, o que naturaliza a violência e aumenta o risco de mortes. Experiências internacionais mostram que forças menos armadas e mais orientadas pela inteligência reduzem conflitos letais. Protocolos bem definidos, aliados à redução de armas em circulação, tornam a atuação policial mais racional e segura.
Corrida de rua ganha força entre mulheres e jovens

A segunda edição do estudo Por Dentro do Corre, desenvolvido pela Olympikus em parceria com a Box1824, aponta que aproximadamente 2 milhões de brasileiros passaram a correr em 2025. Com esse crescimento, o número total de praticantes no país alcançou 15 milhões, frente aos 13 milhões registrados no ano anterior, uma alta de 15%. O levantamento também revela transformações nos hábitos dos corredores. Embora a frequência dos treinos tenha diminuído, as sessões ficaram mais longas, o que contribui para o aumento da insatisfação com o próprio rendimento, especialmente entre os iniciantes na modalidade. O levantamento revela uma distribuição equilibrada entre os gêneros, com mulheres correspondendo à metade dos participantes, além do crescimento da classe C, que agora responde por 43% dos praticantes. O perfil etário também ficou mais jovem: a média de idade recuou de 37 para 34 anos, impulsionada sobretudo pela expansão do grupo entre 18 e 24 anos, atualmente responsável por 20% do total de corredores. Para a educadora física Marina Albuquerque, o novo perfil reflete transformações mais amplas no comportamento da população. “A corrida de rua tem uma barreira de entrada muito baixa. Não exige mensalidade, pode ser praticada em espaços públicos e permite que cada pessoa avance no próprio ritmo. Isso faz com que mulheres, jovens e pessoas de renda média encontrem no esporte uma alternativa acessível e compatível com suas rotinas”. Também houve aumento na adesão a grupos organizados e assessorias especializadas, além da ampliação do contingente de corredores que passaram a competir em provas, percentual que avançou de 23% para 29% no intervalo de um ano. De acordo com a pesquisa, a escassez de tempo e as preocupações com segurança continuam sendo as principais barreiras para a prática, principalmente entre o público feminino. Na avaliação da profissional, o comportamento está ligado ao aspecto social da modalidade. “Correr deixou de ser apenas uma atividade solitária. Os grupos oferecem motivação, troca de experiências e sensação de pertencimento. Para quem está começando, especialmente mulheres e jovens, isso faz toda a diferença para manter a regularidade e ganhar confiança. Esse aumento da presença feminina escancara a necessidade de políticas urbanas que garantam iluminação, ocupação dos espaços e segurança”. A fisiologista Carla Menezes cita que os benefícios da corrida ajudam a explicar porque, mesmo diante desses obstáculos, o esporte continua atraindo novos adeptos. “Do ponto de vista físico, a prática regular melhora o condicionamento cardiovascular, fortalece músculos e ossos, auxilia no controle do peso e reduz o risco de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes”. Já no campo mental, os ganhos são igualmente relevantes. “A corrida é uma poderosa aliada da saúde emocional. Ela ajuda a reduzir o estresse, a ansiedade e os sintomas de depressão, além de melhorar a autoestima e a qualidade do sono”, destaca. A corrida também surge como uma resposta a um cotidiano cada vez mais digital e sedentário. “Existe uma busca por equilíbrio. Muitos jovens passam o dia conectados e encontram na modalidade um momento de desconexão, contato com o próprio corpo e com a cidade. Já para a classe C, o esporte representa uma oportunidade de cuidado com a saúde sem comprometer o orçamento, reforçando seu caráter inclusivo”. Ao incorporar novos públicos e responder às demandas de uma sociedade mais diversa, o esporte se consolida como uma prática plural, acessível e alinhada aos desafios contemporâneos.