Discord anuncia mudanças para ampliar proteção de jovens e adolescentes

A plataforma de comunicação Discord anunciou uma mudança abrangente em suas regras de uso que promete transformar a experiência de jovens e adolescentes na rede digital. A partir de março de 2026, a empresa vai implementar globalmente um conjunto de medidas de segurança voltadas para proteger usuários de 13 a 17 anos, incluindo verificações de idade mais rígidas e configurações que colocam todos os perfis em um modo “adequado para adolescentes” por padrão, caso não confirmem serem maiores de idade. Segundo informações divulgadas pela própria Discord e veículos de tecnologia, novas ferramentas restritivas passarão a ser ativadas automaticamente em todos os perfis não verificados, bloqueando o acesso a conteúdo sensível ou a chats e servidores destinados a públicos adultos. Para sair desse modo e ter mais liberdade na plataforma, os usuários poderão ter de comprovar sua idade por meio de reconhecimento facial via tecnologia de vídeo ou através do envio de um documento oficial de identidade. O objetivo declarado pela empresa é reforçar a proteção dos adolescentes em um ambiente em que a exposição a riscos e interações inadequadas tem se intensificado com o crescimento do uso de redes sociais. De acordo com a psicóloga educacional Carla Silva, “uma comunidade digital sem filtros ou salvaguardas robustas pode ser um terreno fértil para a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos que vão desde violência ou pornografia até linguagem ofensiva e discurso de ódio. Configurações padronizadas que protegem automaticamente os usuários jovens ajudam a mitigar riscos, mas não substituem o papel ativo dos responsáveis e da educação digital”. A nova abordagem do Discord inclui ainda variantes de controle de comunicação, como o redirecionamento automático de mensagens não solicitadas para uma caixa específica, impedindo que adolescentes recebam mensagens diretas de estranhos sem filtros, e a imposição de avisos ao receber solicitações de amizade de pessoas desconhecidas. Carla explica que é fundamental que empresas de tecnologia assumam responsabilidade concreta pela segurança dos usuários mais jovens. “A internet oferece oportunidades incríveis de aprendizado e socialização, mas sem mecanismos de proteção adequados, esses ambientes podem rapidamente colocar crianças em situações de risco, a iniciativa do Discord é uma resposta importante a essa demanda, mas precisa ser acompanhada de transparência, controle de dados e diálogo com pais, especialistas e adolescentes”. O anúncio também prevê a criação de um Conselho de Adolescentes, formado por usuários de 13 a 17 anos, que deverão colaborar na formulação de recursos e políticas, garantindo que as mudanças não só limitem riscos, mas respeitem as necessidades de interação dos jovens. De acordo com a pedagoga e consultora educacional, Ana Maria Costa, “o desenvolvimento saudável de adolescentes no ambiente digital depende tanto de políticas de segurança eficazes quanto de educação contínua sobre o uso responsável da tecnologia”. Ela ressalta que “plataformas como o Discord podem fazer grandes avanços técnicos em proteção, mas os maiores benefícios vêm quando esses esforços são complementados por conversas em casa e na escola sobre limites, respeito e cidadania digital”. No final de janeiro, o YouTube informou que passaria a utilizar ferramentas de inteligência artificial para reconhecer contas pertencentes a menores de idade em países como Brasil e Austrália. A iniciativa já vinha sendo aplicada em algumas nações europeias. Também em janeiro, o Roblox, plataforma de jogos on-line bastante popular, implementou novos mecanismos de proteção, para acessar o chat, os usuários passaram a precisar confirmar a própria idade. “Para as famílias, as recomendações passam por manter um diálogo aberto com seus filhos sobre o uso das redes, limitar o tempo de exposição, revisar periodicamente as configurações de privacidade disponíveis em cada plataforma e acompanhar de perto mudanças nas políticas de segurança anunciadas pelas empresas de tecnologia”, conclui Ana Maria.

Mulheres entre 30 e 50 anos são mais afetadas pela fibromialgia

Fevereiro é conhecido mundialmente como o mês de conscientização sobre a fibromialgia, assinalado pela cor roxa em campanhas que buscam dar visibilidade a uma condição ainda pouco compreendida. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a doença afeta cerca de 2% a 3% da população brasileira, com uma maior incidência em mulheres do que em homens, sobretudo na faixa etária entre 30 e 50 anos de idade. O distúrbio crônico é caracterizado por dor musculoesquelética generalizada, fadiga intensa, distúrbios do sono e uma série de outros sintomas que afetam profundamente a qualidade de vida. Segundo a reumatologista Carolina Menezes, a fibromialgia ainda é um desafio para a medicina moderna justamente porque não há um exame específico que a confirme. “O diagnóstico é clínico, baseado em critérios definidos pelo Colégio Americano de Reumatologia que levam em conta a presença de dor difusa ao longo do corpo por mais de três meses, além de sintomas associados como fadiga, alterações do sono e problemas cognitivos ou névoa mental”. Para a especialista, a falta de um marcador biológico dificulta tanto a identificação precoce quanto a aceitação da doença por parte de profissionais de saúde menos familiarizados com o tema. A causa da fibromialgia ainda não é totalmente esclarecida, mas pesquisadores apontam para uma combinação de fatores genéticos, neuroquímicos e ambientais. “Sabemos que há uma alteração na maneira como o sistema nervoso central processa os sinais de dor, um fenômeno chamado sensibilização central, que faz com que estímulos normalmente leves sejam interpretados como intensamente dolorosos”, explica a neurologista Marina Torres. Carolina destaca que os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas a dor difusa é o mais característico. “Ela pode ser sentida em músculos, tendões e articulações, e costuma ser descrita como uma dor profunda e persistente. Pacientes também relatam fadiga intensa que não melhora com o descanso, distúrbios do sono, como insônia ou sono não reparador, e sensibilidade exagerada a estímulos como luz, ruído e toque, além de dificuldades cognitivas, como memória falha, dificuldade de concentração e sensação de lentidão mental”. Tratamento O tratamento da fibromialgia é multidimensional, já que não existe uma cura definitiva. “Aqui não falamos em eliminar completamente os sintomas, mas em reduzir sua intensidade e melhorar a funcionalidade do paciente”, afirma Marina. “Medicamentos que modulam os neurotransmissores envolvidos na percepção da dor podem ser úteis em alguns casos, mas não são eficazes para todos. Em paralelo, terapias como atividade física regular, especialmente exercícios de baixo impacto como caminhada, natação e alongamentos, têm papel central no alívio da dor e na melhora da qualidade de vida”, ressalta. A neurologista comenta ainda a importância de incluir técnicas de relaxamento que ajudam a reduzir a tensão muscular e melhorar o equilíbrio emocional. “O corpo e a mente estão intimamente ligados na fibromialgia. Técnicas que atuam sobre o estresse e a ansiedade reduzem a sensação de dor e promovem bem-estar”. Embora não exista uma maneira de prevenir a fibromialgia de forma garantida, especialistas indicam medidas que podem reduzir o risco de agravamento dos sintomas ou ajudar no enfrentamento da condição. Marina recomenda atenção ao gerenciamento do estresse, manutenção de um padrão regular de sono e prática de exercícios físicos adaptados à capacidade individual. “A convivência com a fibromialgia exige adaptação e paciência. Para muitos, isso significa reorganizar rotinas, ajustar expectativas e aprender a escutar o próprio corpo”.

População em situação de rua cresceu 30% nos últimos cinco anos em BH

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontam que, nos últimos cinco anos, a população em situação de rua em Belo Horizonte cresceu 30%. O total de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade passou de 11.858 em 2020 para 15.474 em 2025. A questão em Minas Gerais é ainda mais preocupante: nos últimos cinco anos, o número de pessoas em situação de rua passou de 23.433 para 33.139, um aumento de 41%. O Estado ocupa o terceiro lugar no país, atrás apenas de São Paulo (150.958) e Rio de Janeiro (33.656). A socióloga Andreia Lima destaca que o aumento não se deve a um único fator, mas a uma combinação de problemas econômicos, sociais e administrativos. “Minas Gerais, assim como outros estados brasileiros, não conseguiu implementar políticas de habitação de longo prazo. Existem programas temporários, abrigos emergenciais e auxílios pontuais, mas falta planejamento estratégico, investimento em moradia popular e integração entre saúde, educação e assistência social. Isso faz com que a população vulnerável permaneça sem perspectivas e aumente a cada crise econômica ou social”. Ela cita que o estudo também indica que a crise habitacional não é o único problema. A fragilidade das redes de proteção social, a violência urbana e a dificuldade de acesso a serviços básicos, como saúde e alimentação, agravam a situação dos moradores de rua. “Muitas pessoas que vivem na rua enfrentam doenças crônicas, dependência química ou problemas de saúde mental sem ter acesso a tratamento adequado. Além disso, a falta de documentação ou o histórico de violência dificultam a inclusão em programas sociais”. O assistente social Paulo Nogueira afirma que a solução para reduzir o número de pessoas em situação de rua precisa ser abordada em duas frentes: ações emergenciais de curto prazo e políticas estruturais de longo prazo. “Medidas imediatas podem incluir a ampliação de abrigos, distribuição de kits de higiene e alimentação, além de equipes móveis de atendimento social e psicológico. No curto prazo, garantir dignidade, segurança e acesso a serviços básicos. Isso não resolve o problema, mas evita uma degradação ainda maior”. No longo prazo, a solução passa pelo desenvolvimento de políticas habitacionais integradas e permanentes, com foco em moradia popular, aluguel social e incentivo à regularização fundiária. O profissional ressalta a importância da articulação entre diferentes esferas do governo. “Não adianta apenas criar programas isolados, é preciso integrar habitação, saúde, educação, assistência social e emprego. Só assim poderemos reduzir estruturalmente o número de pessoas em situação de rua, evitando que mais famílias e indivíduos caiam na vulnerabilidade extrema”. Nogueira afirma que ONGs, empresas e universidades podem contribuir com programas de capacitação profissional, formação de cooperativas e apoio psicológico e social, fortalecendo a rede de proteção e inclusão. “O Estado sozinho não consegue dar conta do problema e parcerias estratégicas podem gerar soluções efetivas, combinando recursos, conhecimento e engajamento social”. O aumento da população em situação de rua em Belo Horizonte e em Minas Gerais reflete, portanto, uma série de desafios estruturais, desde a desigualdade econômica até a insuficiência das políticas públicas de habitação e assistência social. Os especialistas alertam que, sem ação coordenada e contínua, os números tendem a crescer, trazendo consequências graves para a sociedade como um todo, incluindo aumento da violência urbana, sobrecarga dos serviços públicos e degradação social.

Consórcio de imóveis apresenta crescimento significativo em Minas

De acordo com a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), o consórcio de imóveis apresentou um crescimento significativo nos últimos anos. Entre 2020 e 2025, as vendas de cotas tiveram alta próxima de 300%. Nos últimos 20 anos, desde 2005, aproximadamente 1,55 milhão de participantes foram contemplados, permitindo a compra de imóveis para moradia, negócios ou investimentos. Esse cenário é especialmente visível em Minas Gerais, onde o consórcio de imóveis tem grande relevância, representando cerca de 10% do total de cotas vendidas no país. O desempenho do Estado acompanha a tendência nacional, ao mesmo tempo em que destaca o aumento do interesse local pelo produto, principalmente para a compra de imóveis em um mercado que continua crescendo ano após ano. A Ademicon, principal administradora independente de consórcios do Brasil em créditos ativos, acompanha essa tendência e registra crescimento na procura por consórcios de imóveis em Minas Gerais. Em 2025, o faturamento da empresa no segmento no Estado atingiu R$ 2,8 bilhões, registrando um aumento de 131% em comparação ao ano anterior. Consumidores atentos Segundo o consultor de mercado imobiliário João Almeida, o avanço do consórcio no Estado está ligado a fatores econômicos e sociais que têm levado os consumidores a repensarem a forma de adquirir imóveis. “O aumento das taxas de juros e a instabilidade econômica tornaram o financiamento bancário menos atrativo para muitos brasileiros. O consórcio, por sua vez, oferece planejamento financeiro, parcelas previsíveis e sem cobrança de juros, o que permite ao comprador organizar seu orçamento com segurança”. A modalidade permite que o participante se prepare para a compra do imóvel sem se comprometer com dívidas onerosas. “O consórcio não é apenas uma alternativa mais barata, mas também uma forma de construir patrimônio de maneira gradual e estratégica. O cliente sabe exatamente quanto vai pagar e pode planejar a contemplação de acordo com seus objetivos pessoais e financeiros”, complementa. Segurança financeira A preferência pelo consórcio também reflete mudanças no comportamento do consumidor mineiro. De acordo com o Sindicato dos Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Sindimóveis), o mercado imobiliário do Estado fechou 2025 com crescimento de cerca de 20% nas vendas, superando as expectativas do setor mesmo diante de taxas de juros ainda altas. Mesmo diante de juros elevados, os mineiros têm buscado alternativas que priorizem a segurança financeira e reduzam o risco de endividamento. “O consórcio passou a ocupar um papel central na estratégia de compra, especialmente para jovens casais e famílias que buscam conquistar o primeiro imóvel de forma planejada”, avalia a economista Camila Nogueira. Ela ressalta que entre os benefícios do consórcio, além da ausência de juros e da previsibilidade das parcelas, estão a possibilidade de contemplação por sorteio ou lance, e a flexibilidade para utilizar o crédito conforme a necessidade do comprador. “Ele oferece liberdade para escolher o imóvel, seja para moradia, investimento ou negócio. É uma alternativa que combina disciplina financeira e oportunidade de realização do sonho da casa própria sem sobrecarregar o orçamento familiar”. Para além do aspecto financeiro, Camila destaca o impacto positivo na organização das finanças pessoais e no planejamento de longo prazo. “Participar de um consórcio exige compromisso, mas também ensina o participante a planejar cada passo, desde a escolha da cota até o momento de usar o crédito. Essa disciplina ajuda a evitar decisões impulsivas e reduz o risco de endividamento, algo que não ocorre com a facilidade de crédito instantâneo oferecida pelos financiamentos tradicionais”. Ainda na avaliação da economista, a modalidade também tem sido bem recebida por investidores e famílias que buscam imóveis comerciais ou de lazer. “Alguns clientes usam o consórcio para adquirir imóveis de investimento ou unidades que valorizem ao longo do tempo. É uma forma de aplicar recursos de forma segura, sem pagar juros abusivos, e ainda garantir um ativo que tende a se valorizar no futuro”. “O consórcio não resolve todos os problemas do mercado, mas é uma solução inteligente para quem quer conquistar um imóvel sem comprometer o orçamento e sem depender exclusivamente dos bancos. É uma tendência que veio para ficar”, conclui Almeida.

Uso da força letal pela polícia aumenta insegurança no Brasil

Um relatório da Human Rights Watch no Brasil aponta que a adoção recorrente da força letal pela polícia, como política de segurança, tem produzido o efeito oposto ao esperado, ampliando a violência e a sensação de insegurança nas cidades. Segundo o levantamento, entre janeiro e novembro de 2025, ações policiais resultaram na morte de 5.920 pessoas, sendo que a população negra apresenta uma probabilidade três vezes e meia maior de vitimização quando comparado com a população branca. O documento também chama atenção para a ação policial mais letal no Rio de Janeiro, a Operação Contenção, realizada em outubro do ano passado nos Complexos da Penha e do Alemão, que deixou 122 mortos durante ofensiva voltada à captura de lideranças da facção Comando Vermelho. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com o fundador e presidente da Associação Nacional da Advocacia Negra (ANAN) e presidente da ONG Clã da Negritude, Estevão Silva. Quando uma morte causada por policial deixa de ser uma ação legítima e passa a configurar execução ou violação de direitos humanos? Do ponto de vista jurídico, a regra é que a polícia não pode matar, pois sua função é prevenir e conter crimes, protegendo a vida. A morte causada por policial só é admitida, de forma excepcional, em legítima defesa ou para proteger a vida de terceiros, sempre com uso de meios proporcionais e moderados. Crimes contra o patrimônio, como furto ou roubo, não justificam o uso letal da força. Fora dessas hipóteses, a morte configura execução e violação grave de direitos humanos, inclusive quando há desproporção ou impossibilidade de defesa da vítima. Para além dos números, quais são os impactos dessas mortes nas famílias, nas comunidades periféricas e na democracia brasileira? O impacto da morte de homens, especialmente jovens negros, é profundo e estrutural em uma sociedade patriarcal. Ao eliminar o principal provedor, referência e proteção da família, ocorre a desestruturação econômica, psicológica e social do núcleo familiar, afetando filhos, mães e companheiras. Muitas famílias passam a depender de redes informais ou assistência que o Estado não garante, aumentando a vulnerabilidade social. A dor das mães, sobretudo negras, é devastadora e frequentemente acompanhada da ausência de justiça. Essa dinâmica alimenta ciclos de exclusão, violência e pode ser compreendida como uma forma de genocídio da população negra, com efeitos a curto, médio e longo prazo. O Brasil tem mecanismos eficazes para investigar mortes causadas por policiais? Possui boas ferramentas e métodos de investigação, como a polícia científica, mas elas não são aplicadas de forma igualitária. Quando as vítimas são pessoas negras ou da periferia, prevalece um imaginário social que naturaliza essas mortes, tratando esses corpos como “matáveis”, o que desestimula a apuração. Além disso, quando há suspeita de envolvimento policial, a investigação costuma ser feita pela própria corporação, o que compromete sua credibilidade. De que forma discursos políticos que exaltam o “confronto” ou a “guerra ao crime” impactam o aumento da estatística? O discurso de “guerra contra o crime” ou “guerra contra as drogas” é equivocado, perverso e profundamente perigoso, pois a lógica da guerra pressupõe a eliminação do inimigo. Ao adotar essa semântica, autoridades autorizam simbolicamente a morte de pessoas associadas, no imaginário social, ao crime e às drogas, em geral, negras e pobres. Não se fala em “guerra” contra crimes de colarinho branco. Essa linguagem reforça estigmas, legitima a violência e aumenta diretamente a letalidade policial. Quais medidas urgentes o Estado brasileiro deveria adotar para reduzir a letalidade policial? Para reduzir significativamente a letalidade policial, o Estado deve adotar duas medidas centrais: a desmilitarização da polícia e a criação de protocolos claros e proporcionais de uso da força. O Brasil é exceção ao manter uma polícia ostensiva fortemente armada em espaços civis, o que naturaliza a violência e aumenta o risco de mortes. Experiências internacionais mostram que forças menos armadas e mais orientadas pela inteligência reduzem conflitos letais. Protocolos bem definidos, aliados à redução de armas em circulação, tornam a atuação policial mais racional e segura.

Corrida de rua ganha força entre mulheres e jovens

A segunda edição do estudo Por Dentro do Corre, desenvolvido pela Olympikus em parceria com a Box1824, aponta que aproximadamente 2 milhões de brasileiros passaram a correr em 2025. Com esse crescimento, o número total de praticantes no país alcançou 15 milhões, frente aos 13 milhões registrados no ano anterior, uma alta de 15%. O levantamento também revela transformações nos hábitos dos corredores. Embora a frequência dos treinos tenha diminuído, as sessões ficaram mais longas, o que contribui para o aumento da insatisfação com o próprio rendimento, especialmente entre os iniciantes na modalidade. O levantamento revela uma distribuição equilibrada entre os gêneros, com mulheres correspondendo à metade dos participantes, além do crescimento da classe C, que agora responde por 43% dos praticantes. O perfil etário também ficou mais jovem: a média de idade recuou de 37 para 34 anos, impulsionada sobretudo pela expansão do grupo entre 18 e 24 anos, atualmente responsável por 20% do total de corredores. Para a educadora física Marina Albuquerque, o novo perfil reflete transformações mais amplas no comportamento da população. “A corrida de rua tem uma barreira de entrada muito baixa. Não exige mensalidade, pode ser praticada em espaços públicos e permite que cada pessoa avance no próprio ritmo. Isso faz com que mulheres, jovens e pessoas de renda média encontrem no esporte uma alternativa acessível e compatível com suas rotinas”. Também houve aumento na adesão a grupos organizados e assessorias especializadas, além da ampliação do contingente de corredores que passaram a competir em provas, percentual que avançou de 23% para 29% no intervalo de um ano. De acordo com a pesquisa, a escassez de tempo e as preocupações com segurança continuam sendo as principais barreiras para a prática, principalmente entre o público feminino. Na avaliação da profissional, o comportamento está ligado ao aspecto social da modalidade. “Correr deixou de ser apenas uma atividade solitária. Os grupos oferecem motivação, troca de experiências e sensação de pertencimento. Para quem está começando, especialmente mulheres e jovens, isso faz toda a diferença para manter a regularidade e ganhar confiança. Esse aumento da presença feminina escancara a necessidade de políticas urbanas que garantam iluminação, ocupação dos espaços e segurança”. A fisiologista Carla Menezes cita que os benefícios da corrida ajudam a explicar porque, mesmo diante desses obstáculos, o esporte continua atraindo novos adeptos. “Do ponto de vista físico, a prática regular melhora o condicionamento cardiovascular, fortalece músculos e ossos, auxilia no controle do peso e reduz o risco de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes”. Já no campo mental, os ganhos são igualmente relevantes. “A corrida é uma poderosa aliada da saúde emocional. Ela ajuda a reduzir o estresse, a ansiedade e os sintomas de depressão, além de melhorar a autoestima e a qualidade do sono”, destaca. A corrida também surge como uma resposta a um cotidiano cada vez mais digital e sedentário. “Existe uma busca por equilíbrio. Muitos jovens passam o dia conectados e encontram na modalidade um momento de desconexão, contato com o próprio corpo e com a cidade. Já para a classe C, o esporte representa uma oportunidade de cuidado com a saúde sem comprometer o orçamento, reforçando seu caráter inclusivo”. Ao incorporar novos públicos e responder às demandas de uma sociedade mais diversa, o esporte se consolida como uma prática plural, acessível e alinhada aos desafios contemporâneos.

Circuito Liberdade se consolida como o maior da América Latina

Instituído pelo Governo de Minas Gerais e administrado pela Fundação Clóvis Salgado (FCS), o Circuito Liberdade vive um novo momento de crescimento. Atualmente, reúne 56 equipamentos, incluindo museus, espaços voltados à cultura e ao turismo e, mais recentemente, iniciativas ligadas à economia criativa. Desde abril do ano passado, o conjunto teve uma ampliação de 60%, com a incorporação de 21 novas instituições, o que reforça sua posição como o maior complexo cultural, turístico, educacional e criativo da América Latina. Ao longo de seus 15 anos de trajetória, o complexo consolidou- -se como uma rede de fomento cultural, integrando programações e realizando eventos desenvolvidos de forma colaborativa. Nos últimos anos, passou a direcionar atenção especial aos negócios da economia criativa, que contribuem simultaneamente para o fortalecimento cultural, a dinamização do turismo e a geração de desenvolvimento econômico. Desde 2020, o circuito passou a abranger toda a área delimitada pela Avenida do Contorno. Em permanente processo de ampliação, o complexo vem registrando, desde o início do ano passado, um crescimento significativo no fluxo de visitantes. Apenas no primeiro semestre de 2025, mais de 3,7 milhões de pessoas participaram das atividades promovidas pela rede, número cerca de 70% superior ao registrado no mesmo período de 2024. Esses resultados o reforçam como um dos mais relevantes polos culturais e turísticos de Minas Gerais e do Brasil. Para o museólogo Marcelo Cardoso, a importância do Circuito Liberdade para Belo Horizonte se dá tanto em termos simbólicos quanto práticos. “O complexo não é apenas um conjunto de espaços. Ele representa a materialização de um projeto cultural urbano que dialoga com a história da cidade, reforça sua identidade e democratiza o acesso à arte. É um modelo que outras capitais poderiam observar”. Ele afirma que esse crescimento traduz efeitos palpáveis para a cidade. “O espaço tem impulsionado o turismo cultural, favorecendo a ocupação hoteleira, o comércio local, restaurantes, serviços e, sobretudo, gerando empregos diretos e indiretos. Ele cria uma dinâmica que transforma Belo Horizonte em destino obrigatório para quem busca experiências culturais ricas e diversificadas”. Moradores de Belo Horizonte também reconhecem a relevância do conjunto cultural para o cotidiano da população. Cardoso explica que a oferta cultural ampliada trouxe mais vida às ruas e mais oportunidades de aprendizagem. “Antes, muitos de nós precisávamos sair da cidade para ter acesso a oficinas, exposições ou cursos. Hoje, o circuito atende a diferentes públicos, de crianças a idosos, e aproxima as pessoas da arte, da história e de práticas criativas que enriquecem nosso dia a dia”. O fortalecimento de iniciativas de economia criativa é apontado como um diferencial. Esses empreendimentos, que vão de estúdios de design a coletivos de audiovisual, contribuem não apenas para a formação, mas também para a disseminação de competências ligadas à inovação. Segundo o produtor cultural Rafael Lacerda, “ao conectar artistas, produtores culturais, empreendedores e o público em um mesmo ecossistema, o polo cultural estimula tanto a produção artística quanto a sustentabilidade econômica das atividades culturais”. O momento vivido pelo circuito demonstra que investimentos em cultura podem gerar impactos amplos e duradouros. “Ao integrar patrimônio histórico, produção artística, turismo, educação e economia criativa em uma mesma plataforma, BH fortalece não apenas sua vocação cultural, mas também seu potencial de desenvolvimento humano e urbano. E, mais do que um ponto turístico, se firma hoje como um motor de integração social e cultural, abrindo portas para que cada vez mais pessoas participem ativamente da cena artística da cidade e da região”, conclui.

Inteligência artificial transforma a economia criativa

Um levantamento realizado pela Deck revela que 93,5% dos trabalhadores da área cultural e da economia criativa acreditam ser provável que a Inteligência Artificial (IA) transforme a maneira como suas atividades profissionais serão executadas nos próximos cinco anos. A pesquisa ouviu 1.555 profissionais, atuantes em 16 segmentos do setor, entre junho e setembro de 2025. O estudo também indica que 35,5% dos participantes consideram plausível que seus postos de trabalho venham a ser substituídos por soluções baseadas em IA nesse intervalo. O temor é mais acentuado entre profissionais de cinema, rádio e televisão, onde o índice chega a 44,9%, e no setor musical, com 44,3%. Mesmo com a expansão das ferramentas, a sondagem aponta uma diferença significativa entre a utilização da IA e o entendimento sobre ela: 62% dos entrevistados dizem não conseguir reconhecer quais produtos ou serviços fazem uso de inteligência artificial. Essa dificuldade é ainda maior entre profissionais com mais de 45 anos. Para o consultor em inovação criativa Eduardo Salgado, esse descompasso revela um problema central. “A IA já está embutida em softwares de edição, plataformas de streaming, ferramentas de design, recomendação de conteúdo e análise de audiência. Muitos profissionais usam essas soluções diariamente sem perceber que estão lidando com inteligência artificial. Isso limita o potencial de uso estratégico da tecnologia”. Ele pondera que o risco não está na tecnologia em si, mas na forma como a ferramenta é incorporada. “Ela tende a substituir tarefas repetitivas e operacionais, não a criatividade humana em sua essência. O perigo real é o profissional que ignora essas ferramentas e perde competitividade. Quem aprende a usá-las como apoio, e não como ameaça, amplia seu repertório e seu valor no mercado”. Ainda assim, prevalece uma visão positiva. Para 66,2% dos participantes, a inteligência artificial pode contribuir para o aprimoramento do mercado de trabalho criativo no médio prazo, índice semelhante ao observado em pesquisas realizadas com a população em geral. Esse dado sugere que, mesmo diante das incertezas, há uma percepção clara de que a tecnologia pode gerar novas oportunidades, ampliar a produtividade e abrir caminhos para modelos de negócio inovadores. Entre os benefícios apontados estão a otimização do tempo, a ampliação do acesso a ferramentas antes restritas a grandes estruturas e a possibilidade de experimentação criativa. “Um designer independente, por exemplo, consegue hoje testar conceitos visuais, variações de layout e paletas de cores em minutos, algo que antes demandava horas. Isso não elimina o olhar humano, mas libera tempo para decisões mais estratégicas”, destaca o especialista em tecnologia Lucas Mendonça. Para que esses ganhos se concretizem, o conhecimento sobre IA se torna um ativo fundamental. Segundo Mendonça, compreender como os algoritmos funcionam, quais são seus limites e como direcionar seu uso é uma habilidade cada vez mais valorizada. “Não é necessário que todo profissional se torne programador, mas é essencial saber dialogar com a tecnologia, fazer boas perguntas, interpretar resultados e manter senso crítico”. “As empresas precisam abandonar a lógica de substituir pessoas por sistemas e adotar uma visão de complementaridade. A IA pode assumir etapas operacionais, como análise de dados, organização de acervos e automação de fluxos, enquanto os profissionais ficam responsáveis por curadoria, criação conceitual e tomada de decisões. Quando essa divisão é bem estruturada, o ganho é coletivo, tanto em produtividade quanto em qualidade criativa”, destaca. A pesquisa evidencia também uma busca cada vez maior por qualificação, especialmente em cursos voltados para automação de processos, gestão de projetos culturais apoiados por inteligência artificial e utilização prática da tecnologia em diferentes segmentos da economia criativa.

Pesquisa revela que trabalhadores vivem em burnout contínuo

A edição 2025 da pesquisa Work Relationship Index acendeu um sinal de alerta para empresas e lideranças em todo o país ao revelar um agravamento significativo no nível de insatisfação dos trabalhadores brasileiros. De acordo com o estudo, 34% dos profissionais estão hoje classificados na chamada Zona Crítica, faixa que indica ruptura iminente na relação entre empregado e empresa. O número representa um crescimento de nove pontos percentuais em relação a 2024, confirmando uma tendência que já vinha sendo observada desde o ano anterior: o trabalhador brasileiro vive em um estado de burnout contínuo, marcado por exaustão emocional, desengajamento e perda de sentido no trabalho. “Não estamos falando de um mal- -estar pontual, mas de uma fadiga estrutural, que se acumula ao longo dos anos e encontra pouco espaço de escuta dentro das organizações”, analisa a psicóloga organizacional Helena Mota. Na chamada Zona Saudável, o índice permanece estável, alcançando 29% dos trabalhadores, o mesmo percentual registrado no ano anterior. Já a Zona de Atenção concentra 37% dos profissionais, número que representa uma queda de oito pontos percentuais em comparação a 2024. O relatório mostra que o enfraquecimento do vínculo entre o trabalhador brasileiro e o emprego está diretamente ligado à sensação de deterioração da relação com as empresas. A redução nos índices de satisfação relacionados à realização profissional, à qualidade da liderança e à valorização das pessoas revela que muitos colaboradores não se sentem reconhecidos ou apoiados no dia a dia corporativo. Para Helena, a promessa de maior equilíbrio após o período mais agudo da pandemia não se concretizou para muitos profissionais. “Pelo contrário, metas mais agressivas, equipes reduzidas, jornadas prolongadas e a dificuldade de desconexão no trabalho híbrido contribuíram para a manutenção de um estado permanente de alerta”. Os dados mostram que 71% dos profissionais percebem um aumento significativo nas cobranças e nas expectativas. Mais da metade relata ter vivido processos de mudança organizacional, como programas de corte de despesas e desligamentos em volume superior à média mundial. Para 39%, as empresas demonstram priorizar resultados financeiros em detrimento do cuidado com as pessoas. Outros 29% afirmam ter passado por iniciativas de redução de custos, enquanto 39% dizem ter acompanhado demissões recentes. Ela ressalta que muitos colaboradores relatam sentir que suas opiniões não são consideradas e que as empresas falam sobre bem-estar, mas não praticam mudanças concretas. “Existe um abismo entre o discurso institucional e a experiência real do funcionário. Isso gera cinismo organizacional, que é extremamente nocivo”. O estudo também aponta mudanças no comportamento das novas gerações. Entre os trabalhadores da Geração Z, 57% mantêm uma atividade profissional adicional, o que sinaliza a busca por maior sentido, autonomia ou segurança financeira. Além disso, nove em cada dez entrevistados afirmam que aceitariam receber menos se isso significasse mais flexibilidade na rotina de trabalho. Carlos Menezes, consultor em gestão de pessoas, destaca que outro fator relevante é a insegurança em relação ao futuro profissional, mesmo empregados, muitos trabalhadores vivem sob constante medo de demissões, reestruturações e metas inalcançáveis. “Quando a pessoa sente que precisa provar seu valor o tempo todo para não perder o emprego, o trabalho deixa de ser um espaço de desenvolvimento e passa a ser um campo de sobrevivência”. Diante desse cenário, ele defende que as empresas precisam rever a forma como se relacionam com seus colaboradores. “Mais do que oferecer benefícios pontuais ou ações simbólicas, é necessário promover mudanças estruturais na cultura organizacional. Escuta não é aplicar uma pesquisa anual e arquivar os resultados. É criar canais contínuos, seguros e confiáveis, nos quais o funcionário possa falar sem medo de retaliação”. A liderança tem papel central nesse processo. O estudo indica que equipes com gestores preparados para dialogar, dar feedbacks claros e reconhecer esforços apresentam níveis menores de estresse, mesmo em contextos desafiadores. Para Menezes, investir na formação emocional das lideranças é estratégico. “Muitos gestores foram promovidos por competência técnica, mas não receberam preparo para lidar com pessoas, isso gera ruído, conflitos mal resolvidos e sensação de abandono”.

Mononucleose e herpes labial são infecções comuns na Folia

Com a aproximação do Carnaval, período marcado por festas prolongadas, blocos lotados, beijos compartilhados e uma rotina fora do habitual, especialistas alertam para o aumento do risco de transmissão de infecções virais comuns nessa época do ano, como a mononucleose infecciosa, conhecida popularmente como “doença do beijo”, e o herpes labial. Embora muitas vezes tratadas com descuido por não serem, na maioria dos casos, doenças graves, ambas exigem atenção, especialmente em momentos de maior exposição e queda da imunidade. Mononucleose A mononucleose é causada principalmente pelo vírus Epstein-Barr (EBV) e é transmitida, sobretudo, pelo contato com a saliva, explica o infectologista Marcelo Azevedo. “O Carnaval cria um cenário perfeito para a disseminação do vírus: pessoas cansadas, imunidade baixa, consumo de álcool e contato íntimo com múltiplos parceiros. Além do beijo, o compartilhamento de copos, garrafas, latinhas e talheres também pode facilitar a transmissão”. Segundo Azevedo, os sintomas da mononucleose podem surgir entre quatro e seis semanas após o contágio e costumam incluir febre persistente, dor de garganta intensa, aumento das amígdalas, ínguas no pescoço, fadiga extrema e, em alguns casos, aumento do baço e do fígado. “Muitas pessoas confundem com uma gripe forte ou amigdalite, o que atrasa o diagnóstico, que é feito por avaliação clínica associada a exames de sangue específicos, que identificam anticorpos contra o vírus”. Não existe um tratamento antiviral específico para a mononucleose. Azevedo diz que o manejo é feito com repouso, hidratação, analgésicos e antitérmicos para alívio dos sintomas. “O repouso é fundamental, principalmente para evitar complicações como a ruptura do baço, que pode ocorrer se a pessoa insistir em atividades físicas intensas. Durante o Carnaval, ao menor sinal de sintomas, a recomendação é evitar festas, procurar atendimento médico e não compartilhar objetos pessoais”. Herpes labial Já o herpes labial, causado pela herpes simples tipo 1 (HSV-1), é ainda mais comum. Estima-se que grande parte da população adulta já tenha tido contato com o vírus, que permanece adormecido no organismo e pode ser reativado em situações de estresse, exposição excessiva ao sol, noites mal dormidas e baixa imunidade, todos bastante frequentes durante a folia. “O Carnaval reúne praticamente todos os gatilhos para uma crise de herpes”, esclarece a dermatologista Paula Nogueira. As lesões costumam começar com coceira, ardência ou formigamento nos lábios, evoluindo para pequenas bolhas dolorosas que se rompem e formam crostas. “O diagnóstico geralmente é clínico, feito pela observação das lesões e o tratamento inclui antivirais tópicos ou orais, que ajudam a reduzir a duração e a intensidade dos sintomas, especialmente quando iniciados logo nos primeiros sinais. Quanto mais cedo a pessoa começa o tratamento, melhor o controle da crise”, reforça. Ela recomenda evitar beijar ou ter contato direto com pessoas que apresentem lesões visíveis nos lábios ou sintomas suspeitos. “No caso do herpes, é fundamental não beijar ninguém enquanto houver feridas ativas, pois o risco de transmissão é alto. Também não se deve compartilhar maquiagem, batons, copos ou garrafas e o uso de protetor labial com fator de proteção solar ajuda a prevenir crises causadas pelo sol intenso”. Manter uma boa hidratação, alimentar-se adequadamente e adotar cuidados básicos de higiene e proteção ajudam a garantir que o Carnaval termine apenas com boas lembranças.