
A escritora e colunista mineira Ingrid Haas foi indicada ao Prêmio Jabuti com a obra “A descoberta que mudou a minha vida”, voltada ao público jovem e centrada em temas como comunicação não violenta, pertencimento, conflitos emocionais e relações humanas. Considerado o prêmio literário mais tradicional do país, o Jabuti reconhece anualmente obras e profissionais que se destacam no cenário editorial brasileiro.
Ela relata que recebeu a indicação com muita alegria, pois é uma grande oportunidade de visibilidade. “O Prêmio Jabuti é uma referência no cenário literário brasileiro, e isso gera interesse e reconhecimento para a obra. Mais do que uma conquista pessoal, vejo como uma validação de um tema urgente: precisamos falar, cada vez mais cedo, sobre habilidades socioemocionais com os jovens”.
Segundo Ingrid, a descoberta que originou o livro nasceu de inquietações muito reais da sua trajetória profissional. “Atuando há anos com diversidade, inclusão, gestão de conflitos e desenvolvimento humano, comecei a perceber um padrão preocupante nos jovens: muita ansiedade, solidão, necessidade de pertencimento, inclusive nas redes sociais e dificuldade de lidar com frustrações. Essa inquietação me fez questionar: Como seria a nossa vida se tivéssemos aprendido habilidades socioemocionais na adolescência?”.
A partir disso, a narrativa foi construída. “Não revelo a descoberta de imediato, o leitor percorre esse caminho junto com os personagens, vivendo os conflitos, as reflexões e, aos poucos, acessando uma nova forma de se comunicar, se entender e se relacionar”, destaca.
A autora conta que para equilibrar elementos pessoais com a construção literária da obra mergulhou no universo dos adolescentes. “Conversei com muitos jovens e escutei os desafios que enfrentam: bullying, exclusão, preconceitos, inseguranças e a forte necessidade de pertencimento. A partir dessas vivências, construí uma narrativa envolvente e acessível, que não só retrata esses conflitos, mas, principalmente, apresenta caminhos possíveis. O livro não fica apenas no problema, oferecendo soluções práticas para transformar relações e a forma de se comunicar”.
Ela expõe o desejo de, com a obra, provocar identificação, mas, principalmente, movimento. “Quero que o leitor se pergunte: por que nunca aprendi isso antes? e, a partir daí, comece a olhar com mais consciência para si, para suas emoções e para a forma como se relaciona. Se o livro conseguir despertar mais empatia, melhorar diálogos e transformar relações, na família, nas amizades e na escola, ele já cumpriu seu papel”.
“Quando falamos de desenvolvimento humano e relações, estamos lidando com algo vivo, que se transforma o tempo todo. A ideia é que o livro se desdobre em uma série que vai aprofundar desafios reais vividos pelos adolescentes, trazendo reflexões, temas ligados aos direitos humanos e, principalmente, caminhos possíveis para relações mais saudáveis”, finaliza a escritora.