
O Dia dos Namorados de 2026, comemorado em 12 de junho, se destaca como uma das datas mais importantes para o varejo no Brasil. De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, a expectativa é de que aproximadamente 93 milhões de consumidores participem das compras, impulsionando o comércio nessa ocasião.
Em média, os brasileiros devem gastar cerca de R$ 238 na compra de presentes para a data, o que pode gerar uma movimentação de aproximadamente R$ 22,14 bilhões nos setores de varejo e serviços. A pesquisa também indica que a maior parte dos consumidores pretende presentear cônjuges (58%) ou parceiros (as) (34%). Além disso, 61% dos entrevistados afirmam que devem comprar apenas um presente, enquanto 27% planejam adquirir dois itens, resultando em uma média de 1,4 presentes por consumidor.
Os itens mais desejados pelos consumidores incluem roupas (38%), seguidos por perfumes, cosméticos e maquiagens (34%). Também aparecem na lista calçados (20%), jantares (20%) e bombons ou chocolates (18%). Em relação às comemorações, 39% dos entrevistados pretendem celebrar a data em casa, enquanto 31% devem optar por restaurantes e 8% planejam comemorar em hotéis ou motéis. A maior parte dos consumidores (75,70%) afirma que pretende adquirir os presentes em lojas físicas.
Sobre o pagamento, a forma à vista será a mais utilizada, representando 69% das intenções, com destaque para o Pix (34%). Já o pagamento parcelado é mencionado por 28% dos consumidores, principalmente no cartão de crédito (22%), com média de 3,5 parcelas.
Para a economista Paula Albuquerque, o desempenho expressivo do Dia dos Namorados está ligado à combinação entre emoção e estratégia comercial. “É uma data em que o consumo é altamente simbólico. As pessoas não compram apenas um produto, mas uma forma de demonstrar afeto. Isso reduz a sensibilidade ao preço em muitos casos e amplia o potencial de vendas, especialmente em categorias como moda, beleza e gastronomia”.
O crescimento do uso de meios de pagamento instantâneos também contribui para acelerar decisões de compra, segundo Paula. “O Pix, por exemplo, reduz a fricção na hora da transação e favorece a conclusão imediata da venda, o que é muito importante em períodos de alta demanda”.
Já o especialista em varejo, Eduardo Naves, destaca que o resultado positivo para o comércio também depende de estratégias bem estruturadas ao longo das semanas que antecedem a data. “O varejo que se sai melhor é aquele que não espera a última hora. Campanhas antecipadas, vitrines temáticas e comunicação emocional ajudam a criar conexão com o consumidor e aumentam o fluxo nas lojas”.
Na avaliação de Naves, a integração entre canais físicos e digitais também é determinante. “O cliente quer praticidade. Ele pesquisa on-line, compara preços e muitas vezes finaliza a compra na loja física. As marcas que conseguem unir esses dois ambientes saem na frente”.
Apesar do potencial de consumo, os especialistas alertam para a necessidade de planejamento financeiro por parte dos consumidores. Com o aumento do uso do crédito e do parcelamento, o risco de endividamento pode crescer se não houver controle dos gastos. Paula recomenda cautela. “O ideal é estabelecer um orçamento antes de sair às compras e respeitá-lo. O parcelamento deve ser usado com cuidado, porque pequenas prestações acumuladas podem comprometer a renda dos meses seguintes. Presentear não precisa significar desequilibrar as finanças pessoais”.
Do lado das empresas, o Dia dos Namorados segue sendo uma oportunidade estratégica para ampliar vendas e fidelizar clientes. Além de promoções e descontos, o varejo tem investido em experiências personalizadas, kits temáticos e ações voltadas à jornada completa do consumidor. “Não se trata apenas de vender mais barato, mas de criar uma experiência marcante. Embalagens especiais, atendimento diferenciado e ações digitais bem planejadas podem influenciar a decisão de compra”, finaliza Naves.