
As internações por pneumonia ou influenza geraram um impacto financeiro estimado em R$ 381 milhões, somente nos meses de janeiro e fevereiro de 2025, segundo dados levantados pela Planisa, com base em informações do Sistema Único de Saúde (SUS). O cálculo considera o valor mediano de R$ 4.697,36 por hospitalização. Nesse período, o país registrou 81.249 internações por pneumonia ou influenza, com 10.106 óbitos.
De acordo com o Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) obtido via DATASUS, entre 2020 e 2024, as internações por pneumonia aumentaram 112%, de 311.572 casos em 2020 para 659.595 em 2024. A faixa etária mais acometida foi a de 80 anos ou mais, com 482.118 internações e concentrou o maior número de óbitos, com 118.223 registros.
O médico infectologista e presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Adelino de Melo Freire Júnior, explica que esses dados demonstram que as infecções respiratórias continuam produzindo um impacto relevante sobre a saúde da população e do sistema hospitalar brasileiro. “E é importante lembrar que o número de internações representa apenas a parcela mais grave dos casos. Há uma quantidade muito maior de pessoas atendidas em unidades básicas, pronto-atendimentos e consultórios”.
Ele destaca que a complexidade dos pacientes internados é uma preocupação. O envelhecimento da sociedade e o aumento de patologias como diabetes, insuficiência cardíaca, câncer e doenças pulmonares crônicas fazem crescer o número de pessoas mais vulneráveis a formas graves de pneumonia.
Júnior pontua ainda que o envelhecimento é um dos principais fatores que deverão aumentar a carga da pneumonia. “Isso significa que poderemos ter mais internações, maior necessidade de terapia intensiva e períodos de recuperação mais prolongados. As projeções populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram uma transformação contínua da estrutura etária”.
Para reduzir o número de internações, é necessário atuar antes de o paciente chegar ao hospital, afirma o especialista. “Isso inclui ampliar as coberturas vacinais, identificar grupos de risco, assim como fortalecer a atenção primária e garantir acesso rápido à avaliação médica, quando surgem sinais de infecção respiratória”.
Elevação no número de casos
O pneumologista Daniel Britas ressalta que algumas situações justificam a elevação do número de casos de pacientes com pneumonia. “A baixa cobertura vacinal é um fator muito importante, tanto na faixa etária infantil quanto geriátrica. Além disso, esse período de clima seco e frio reduz a defesa do sistema respiratório e propicia a multiplicação e propagação de infecções virais”.
Segundo Britas, a demora em buscar atenção médica é um ponto de preocupação. “Muitas vezes, os pacientes já chegam com quadros mais graves e mais extensos de comprometimento pulmonar. Por isso, quando alguns sintomas aparecerem no decorrer da infecção, como aumento e persistência da febre ou piora da falta de ar, é necessário procurar um atendimento médico”.
“A definição do tratamento principal passa ainda pela identificação do causador da infecção, se é uma pneumonia viral ou bacteriana. Sendo bacteriana, a escolha do antibiótico fica a critério do médico, mas caso o paciente tenha alguma comorbidade de base, se teve alguma internação recente, se é um morador de casas de saúde ou asilos, essas características também pesam na escolha do medicamento”, finaliza.
Políticas públicas
Na avaliação do infectologista, a prioridade dos governantes deve ser recuperar e manter altas coberturas vacinais, com campanhas permanentes e busca ativa de pessoas que não foram vacinadas. “É preciso fortalecer a vigilância integrada dos vírus respiratórios, a capacidade dos laboratórios públicos, a atenção primária, o acesso a medicamentos, e a existência de protocolos para identificação precoce dos sinais de gravidade”.
Outros pilares são o combate ao tabagismo e à poluição do ar, o controle das doenças crônicas, a qualificação das instituições de longa permanência para idosos e os programas de uso racional de antibióticos, complementa Júnior. “A política pública mais efetiva será aquela que combine vacinação, vigilância, diagnóstico oportuno e assistência organizada”.