Virada Cultural ocupa as ruas de Belo Horizonte com diversas atrações

Foto: Alexandre Mota

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), através da Fundação Municipal de Cultura (FMC), anunciou os nomes de 136 artistas e servidores selecionados inicialmente para integrar a programação da Virada Cultural 2026. O evento acontecerá nos dias 29 e 30 de agosto. Entre os destaques estão a rapper Mac Júlia, que poderá dividir o palco com convidados, o Samba da Meia Noite, a apresentação de ballroom da House Of Capiva e os blocos Esquina, Volta Belchior e Funk You.

O edital reúne uma ampla variedade de manifestações culturais e artísticas. Entre as áreas contempladas estão as artes cênicas, incluindo teatro, dança, circo e performance, além de música, literatura, leitura, audiovisual, artes visuais, design, cultura digital, games, novas mídias e arte digital.

Também fazem parte da seleção iniciativas relacionadas ao patrimônio cultural, às culturas populares tradicionais e urbanas, à gastronomia, à cultura alimentar e à memória. O chamamento ainda prevê propostas de feiras culturais, intervenções e instalações em espaços urbanos, ações de bem-estar e projetos que combinem diferentes linguagens artísticas.

Na modalidade Culturas de Rua, são aceitas propostas que envolvam graffiti, intervenções visuais, estêncil, pintura livre, sticker, lambe-lambe e pintura mural. Já a categoria Esportes Urbanos contempla modalidades como skate, ciclismo, rolimã, patins, basquete e slackline.

Todas as atrações são distribuídas por espaços tradicionais da Virada, como a Praça da Estação, o Parque Municipal, o Viaduto Santa Tereza, as ruas Guaicurus, Bahia e Sapucaí, a Praça Raul Soares e a Praça Fuad Noman, no Edifício Sulacap.

De acordo com o produtor cultural Rafael Lacerda, a realização de eventos gratuitos em grande escala contribui para aproximar a população de manifestações artísticas que, em outras circunstâncias, poderiam estar fora de seu alcance. “Quando a cultura ocupa as ruas e os equipamentos públicos, ela deixa de ser percebida como algo restrito a determinados grupos. A gratuidade é importante porque reduz uma das principais barreiras de acesso, mas a diversidade da programação também é fundamental para que diferentes públicos se sintam representados”.

Segundo Lacerda, a democratização do acesso também precisa ser analisada pelo lado de quem produz arte. “Não basta levar o público aos eventos, é necessário criar oportunidades para que artistas de diferentes territórios, trajetórias e linguagens possam apresentar seu trabalho e receber uma gratificação por isso. Quando um edital contempla graffiti, ballroom, música, teatro, literatura, esportes urbanos e cultura digital, por exemplo, ele reconhece que a produção cultural de uma cidade é muito mais ampla do que aquilo que tradicionalmente chega aos grandes palcos”.

Na visão do sociólogo André Nascimento, a Virada Cultural de BH também tem um papel importante na relação dos moradores com a própria cidade. “Um evento como esse é capaz de modificar temporariamente a maneira como as pessoas enxergam Belo Horizonte. Uma praça, uma rua ou um equipamento público deixam de ser apenas locais de passagem e passam a funcionar como espaços de convivência, expressão artística e encontro, isso ajuda a fortalecer o sentimento de pertencimento à cidade”.

“Quando a cidade recebe uma programação extensa e diversificada, as pessoas passam a experimentar lugares que muitas vezes são vistos apenas como áreas de circulação. Essa ocupação pode gerar novas relações com o espaço urbano e mostrar que o centro da cidade também pode ser um lugar de lazer, cultura e convivência”, comenta.

Ainda conforme Nascimento, eventos desse porte podem produzir efeitos simbólicos importantes para a população. “A cidade não é formada apenas por prédios, avenidas e serviços, ela também é construída pelas experiências compartilhadas. Quando milhares de pessoas ocupam os mesmos espaços para assistir a um espetáculo, participar de uma oficina ou simplesmente circular pela programação, cria-se uma experiência coletiva que ajuda a construir a memória da cidade”.

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