
O Brasil registrou um dos maiores avanços no número de visitantes estrangeiros entre 2019 e 2025. De acordo com o relatório Tendências e Políticas do Turismo 2026, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país ocupou a quarta posição entre aqueles que mais ampliaram o fluxo de turistas internacionais no período. A quantidade de chegadas passou de 6,3 milhões para 9,3 milhões, representando um crescimento de 46%.
Dados divulgados pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) também apontam para a continuidade desse movimento em 2026. Entre janeiro e junho, o país contabilizou 5,2 milhões de chegadas de turistas estrangeiros, resultado que representa o segundo melhor primeiro semestre já registrado. No mesmo período, os gastos desses visitantes movimentaram US$ 5,6 bilhões na economia nacional, montante 12% maior que o observado nos primeiros seis meses de 2025.
A economista Marcela Andrade afirma que o turismo tem capacidade de distribuir os efeitos da atividade econômica para diferentes regiões. “Funciona como uma cadeia, o dinheiro gasto pelo visitante não fica concentrado apenas no hotel ou na companhia aérea. Ele chega ao restaurante, ao motorista, ao guia, ao artesão, ao comerciante e a diversos outros trabalhadores, por isso, quando o fluxo internacional cresce, o impacto pode se espalhar por vários segmentos da economia”.
O desempenho registrado nos últimos anos pode ser explicado por uma combinação de fatores, esclarece Marcela. “Ações de promoção internacional ajudaram a ampliar a exposição do Brasil no exterior, apresentando destinos que vão além dos cartões-postais tradicionalmente associados ao país. Outro elemento importante é a variedade da oferta turística brasileira, visto que o país reúne diferentes paisagens, culturas e experiências em um único território. Esse patrimônio pode atender a perfis variados de visitantes, desde aqueles interessados em lazer e praias até turistas que procuram natureza, negócios, gastronomia, eventos ou manifestações culturais”.
Segundo o agente de viagens, Vicente Brandão, a próxima etapa deve ser transformar o aumento no número de visitantes em uma política permanente de desenvolvimento. “Não basta comemorar recordes de chegada, o desafio é fazer com que o turista permaneça mais tempo, visite diferentes regiões e tenha motivos para retornar ao Brasil. Para isso, precisamos investir em infraestrutura, qualificação profissional, segurança, conectividade e divulgação internacional dos destinos”.
“A infraestrutura aparece entre os principais pontos para sustentar o crescimento. Melhorias em aeroportos, estradas, transporte público, sinalização turística, acesso à internet e serviços básicos podem influenciar diretamente a experiência de quem visita o país”, comenta Brandão.
Ele ressalta ainda que a qualificação da mão de obra é outro fator estratégico. “O contato com o turista ocorre em diferentes momentos da viagem e pode determinar a percepção que ele terá sobre o destino. Profissionais capacitados para trabalhar com hospitalidade, idiomas, tecnologia, gastronomia e atendimento especializado podem contribuir para elevar a qualidade dos serviços oferecidos”.
Na avaliação de Brandão, a sustentabilidade deve acompanhar esse processo. “O aumento da quantidade de visitantes pode gerar benefícios econômicos, mas também provoca maior pressão sobre cidades, áreas naturais e patrimônios históricos. O planejamento precisa, portanto, conciliar crescimento e preservação, investimentos em gestão de destinos, saneamento, conservação ambiental e organização do fluxo de visitantes podem evitar que o sucesso turístico comprometa os próprios atrativos responsáveis por chamar a atenção dos viajantes”.
“Mais do que alcançar novos recordes, o desafio será construir um turismo capaz de gerar empregos, distribuir renda, fortalecer empresas locais e estimular o desenvolvimento de diferentes regiões”, conclui Marcela.