Existem muitas obras sobre um de nossos mais famosos personagens, Joaquim José da Silva Xavier, o alferes Tiradentes, construído a partir da primeira República para ser o nosso herói nacional, cuja história é uma das mais debatidas pelos historiadores. Joaquim José foi um militar mediano, de boa estrutura em todos os aspectos. Foi a figura central da Inconfidência Mineira, por ter assumido heroicamente a “desordem”, livrando seus pares da morte, e de ter sido o único condenado a ela pela rainha Maria I de Portugal, pelo levante “mais grave” contra a metrópole. Com certeza, a Inconfidência Mineira foi o primeiro ato da mais alta significância para uma nação livre do jugo colonial, onde alguns especialistas “atestem” que nunca fomos colônia.
Homens de alto quilate na sociedade, ocupantes de cargos públicos e de situação financeira relevante, participaram do patriótico movimento! Primeiro queriam o “País Minas” — discretamente uma monarquia, após a adesão de outras unidades nacionais, como São Paulo e Rio, onde Tiradentes teria tido um papel aglutinador para a união em torno da ideia revolucionária separatista, e formar uma nova República. A História é grande! Vale a pena ser estudada, ser lida com a atenção que ela e nós merecemos.
Lamentavelmente, depois de um período monárquico com a independência, a nação se tornou prisioneira de uma mal proclamada República. Sentimos falta de pessoas como Tiradentes e os inconfidentes, de Pedro I, Leopoldina, José Bonifácio, padre Belchior, José Joaquim da Rocha, Joaquina do Pompéu, entre outros para nos brindar um país cujos Poderes hoje não se respeitam, e um Judiciário que se entrega às mazelas da aparente constitucionalidade. Democracia e soberania se tornaram reféns de narrativas corruptas e incapazes de nos mostrar o caminho. Precisamos de um Poder Moderador?!
A verdade sobre Tiradentes é uma obra excepcional, de autoria de um de nossos maiores historiadores mineiros, o professor Waldemar de Almeida Barbosa. O livro divide entre o real e o imaginário e no tempo a historiografia brasileira sobre a Conjuração Mineira, e notadamente sobre Joaquim José da Silva Xavier na Inconfidência mineira. Augusto de Lima Júnior enfatizou no prefácio: “O historiador Waldemar de Almeida Barbosa não deixou brecha que não esmiuçasse e colocasse a verdade em seu lugar. Saúdo nestas linhas o historiador mineiro que estabelece a crítica histórica no Brasil e o faz com brilho excepcional”. E concluiu: “Consagram o autor deste livro como um dos mais abalizados historiadores de nosso tempo”.
Barbosa conseguiu mudar a figura enforcada de Tiradentes para ser o verdadeiro Patrono Cívico da pátria. Torná-lo verdadeiramente humano e sem as inverdades que coroaram parte da sua trajetória. Ele sensibilizou o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), Demerval Pimenta, e conseguiram que o Decreto n. 58.168, de 11 de abril de 1966, fosse revogado, mudando a figura enforcada e barbada do protomártir.
A importância e a imponência de A verdade sobre Tiradentes são tão atuais que João Camilo de Oliveira Torres nos explica na orelha que “se nem todas as conclusões deste ensaio serão admitidas pacificamente, um fato é verdadeiro: ele soube fixar bem a estatura humana do Tiradentes e a sua digna e nobre figura de revolucionário”. “Não sei se a Inconfidência vingaria, nem se isto seria bem ou mal — um historiador não cuida de hipóteses, mas de fatos”.
Waldemar mostrou não um outro Tiradentes, mas o verdadeiro Tiradentes, a personalidade n. 1 da Inconfidência Mineira.
Nesta Semana Cívica Nacional, vamos relembrar com patriotismo e respeito o 21 de abril. É dever de amor à Pátria de cada brasileiro. O IHGMG fará domingo ato comemorativo na praça Tiradentes em BH! Viva a Liberdade!