Turismo rural aumenta a renda de produtores em até 30% no Estado

Foto: Divulgação/Emater-MG

O turismo rural tem impulsionado a renda de produtores em Minas Gerais, com aumento de até 30% em algumas propriedades que abriram as portas para visitantes. Experiências com queijos, cafés, doces e cachaças têm atraído turistas e transformado atividades tradicionais do campo em novos negócios.

Atualmente, são 266 propriedades abertas ao turismo. Em 2025, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) realizou cerca de 3,4 mil atendimentos a produtores que investem no segmento, com presença em diferentes regiões, como Norte, Sul e Noroeste do Estado.

A coordenadora técnica de Turismo Rural da Emater-MG, Thatiana Garcia, destaca que a atividade começou a crescer no pós-pandemia. “As pessoas começaram a querer entender mais sobre a produção de alimentos, e também ter uma vivência no local. Temos produtores que já vivem exclusivamente do turismo. Eles não vendem mais produtos para terceiros, e para adquiri-los, é preciso ir até a propriedade”.

Em Ritápolis, no Campo das Vertentes, a Queijaria Seu Jorge transformou o dia a dia da produção em uma atração turística. Administrado por sete mulheres da mesma família, o local recebe visitantes interessados em conhecer o processo de fabricação. “O turista chega da cidade grande com muitas expectativas, e é uma troca interessante. Ele pode acompanhar a ordenha, ver como o queijo é feito, para depois saboreá-lo com café”, conta a proprietária Vera Lúcia Cardoso.

Já em São João del-Rei, a Cachaça Morro Grande abriu o alambique à visitação e passou a integrar o roteiro turístico da região. Com produção anual entre 15 mil e 20 mil litros, o produtor José do Carmo Rezende explica que o turista vai ver todo o processo de fabricação da cachaça. “Desde o plantio e a moagem, até a degustação. Isso ajuda a valorizar a bebida e aumentar ainda mais as vendas”.

Thatiana acrescenta que o turismo rural não se limita à produção de itens como queijo e cachaça, há outras atividades. “O ecoturismo, visitas em comunidades tradicionais, como quilombolas, indígena e ribeirinhos, além das propriedades de produtos orgânicos”.

Acreditar no potencial

A técnica ressalta que existem duas principais dificuldades dos produtores para exercer esse tipo de atividade em suas propriedades. “Eles precisam acreditar em seu potencial. É necessário compreender que os turistas querem visitar e vivenciar essas experiências. A partir disso, aparece o segundo obstáculo, que é a precificação. Muitos ainda não conseguem entender que as pessoas pagam para ir nas propriedades rurais e valorizam esse tipo de turismo”.

Ela afirma ainda que a Emater ajuda na capacitação dos produtores. “Mas, também na orientação dos profissionais que trabalham diretamente nos escritórios locais da instituição. Fazemos um diagnóstico para entender se aquela propriedade consegue ou não receber visitantes, o que precisa desenvolver e qual é o desejo do produtor. A metodologia mais utilizada pelos extensionistas é do ouvir, de ver o que aquele empreendedor quer, como vai vivenciar e o que ele quer fazer”.

“As nossas expectativas sobre o turismo rural são as melhores e maiores possíveis. Acreditamos que esse crescimento faça movimentar cada vez mais o segmento externamente e internamente. A atividade traz uma valorização do município. Queremos desenvolver esse setor para que cresça cada dia mais e prevaleça mais forte”, complementa.

A partir de maio, será aberta a atualização para a 4ª edição do catálogo Ruralidade Viva, que é uma iniciativa para dar mais visibilidade aos trabalhos desses produtores. As pessoas que tiverem interesse, é só procurar o escritório da Emater, conversar com o técnico e fazer o cadastro. A entidade auxilia todos, desde quem está começando até aquele que já está no mercado. “Estamos abertos para fazer o atendimento a todos que se interessarem em trabalhar com turismo rural”, finaliza Thatiana.

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