Um número que assustou os belo-horizontinos: nos dois primeiros meses deste ano, a cidade registrou a mórbida marca de 13 mil acidentes de trânsito, muitos deles com vítimas fatais. Essa é a moldura de uma capital onde as obras estruturantes nunca saem do planejamento. A realidade se complicou nas últimas décadas, sem as intervenções para minorar os problemas, o drama se alastra para quem se vê obrigado a enfrentar essa caótica situação. Claro que existe também a imprudência por parte dos motoristas.
Estatísticas alarmantes, divulgadas pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), destacam que a Avenida Cristiano Machado lidera as ocorrências. A via tem aproximadamente 11 km de extensão e registrou 596 colisões, com uma média de 10 por dia e três mortes. Inclusive, deixou para trás o famoso Anel Rodoviário, campeão de acidentes na cidade por anos a fio.
Reportando a realidade dos fatos, o especialista em segurança viária, José Carlos Souza, vaticina que a Cristiano Machado funciona como corredor híbrido. “Ao mesmo tempo em que é via de trânsito rápido, ela também está inserida em uma área urbana densa, com cruzamentos frequentes, acessos comerciais e grande circulação de pedestres. Essa mistura reduz a previsibilidade do tráfego”.
Outra opinião a ser levada em consideração é a da urbanista Fernanda Bastos. Ela analisa que a Avenida Cristiano Machado foi estruturada para priorizar a fluidez dos veículos, mas não acompanhou de forma adequada o crescimento populacional e a expansão de atividades comerciais ao longo do seu eixo. “Há uma disputa intensa entre carros, ônibus, motocicletas e pedestres, sem que a infraestrutura tenha sido totalmente adaptada”.
Os especialistas sugerem medidas práticas, com a implementação de dispositivos para redução de velocidade e reforço na fiscalização eletrônica, não somente na Cristiano Machado, mas também na Antônio Carlos e no Anel Rodoviário.
Este é um desafio a ser direcionado ao prefeito de BH, Álvaro Damião (União Brasil). Ele carece de reestruturar a cidade para evitar que as principais vias de acesso ao Centro se transformem em um permanente pesadelo para quem almeja circular por esses espaços. Para buscar um horizonte límpido para o dilema, a administração precisa fazer investimentos substanciais, inclusive com a participação do Estado e do governo federal.