
Sangramento anal, dor, coceira e a presença de caroços na região do ânus são sintomas frequentemente associados à hemorroida, um problema que afeta cerca de metade das pessoas com mais de 50 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, esses mesmos sinais também podem indicar doenças mais graves, como o câncer colorretal, o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil, com estimativa de 45.630 novos casos por ano, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
A semelhança entre os sintomas reforça a importância da avaliação médica para que o diagnóstico correto seja feito o quanto antes. Dados da OMS mostram ainda que cerca de 25 mil brasileiros são submetidos a cirurgias para tratar a doença hemorroidária no Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre os sintomas mais comuns estão coceira, irritação, dor durante ou após a evacuação, sensação de inchaço e sangramento com sangue vermelho-vivo, normalmente observado no papel higiênico, nas fezes ou no vaso sanitário. Apesar de frequente na doença hemorroidária, esse sinal não deve ser encarado como algo normal.
“Alterações como nódulos, inchaços, bolinhas e até pequenas protuberâncias perto do ânus são muito comuns, mas nem tudo é hemorroida. O diagnóstico depende de uma avaliação médica, e é preciso estar atento para não postergar diagnósticos importantes”, alerta a proctologista Clarisse Casali.
Além da avaliação clínica, Clarisse destaca que podem ser feitos exames como pesquisa de sangue oculto nas fezes e colonoscopia com biópsia, que permitem identificar mudanças no cólon e no reto. “Alguns sintomas exigem atenção imediata, como sangramento intenso ou com coágulos, alteração persistente do hábito intestinal, fezes escuras, perda de peso sem causa aparente, fadiga constante e histórico familiar de câncer colorretal. Pessoas com mais de 50 anos também devem manter acompanhamento regular, mesmo na ausência de sintomas”.
Outras doenças podem provocar manifestações semelhantes, entre elas fissura anal, fístula, abscesso e pólipos intestinais. Por isso, o diagnóstico diferencial é essencial para definir o tratamento adequado e evitar que doenças potencialmente graves sejam descobertas apenas em estágios avançados.
Vida saudável
O cirurgião do aparelho digestivo Marcel Autran César Machado reforça que mudanças no estilo de vida beneficiam tanto a saúde intestinal quanto a prevenção de doenças. “Algumas medidas preventivas são fundamentais para manter a saúde, como adotar um estilo de vida ativo, já que o exercício regular ajuda a reduzir o risco de câncer e pode ajudar a evitar constipação, um fator de risco para hemorroidas. Além de uma alimentação rica em fibras e hidratação adequada”.
Machado reforça que sintomas persistentes nunca devem ser tratados apenas com automedicação. “A procura por atendimento médico diante de qualquer sangramento anal ou alteração intestinal continua sendo a principal estratégia para garantir um diagnóstico precoce e aumentar bastante as chances de sucesso no tratamento, especialmente nos casos de câncer colorretal”, conclui.