
Setenta anos depois da publicação de Grande Sertão: Veredas, a obra de Guimarães Rosa será um dos eixos da 4ª edição do Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu), que também homenageia o geógrafo Milton Santos em seu centenário. O evento será entre os dias 26 e 30 de agosto, no Centro Histórico da cidade.
A programação será gratuita, com transmissão on-line pelo YouTube e reunirá convidados nacionais e internacionais. Além dos debates literários e do Prêmio de Redação voltado a estudantes locais, esta edição contará com uma exposição ao ar livre com 24 reproduções de obras do pintor Alberto da Veiga Guignard.
O tema deste ano será “Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo”, em uma homenagem aos patronos, o escritor João Guimarães Rosa e o geógrafo Milton Santos. Segundo a organização, Rosa fez do sertão um território de linguagem e reflexão sobre a condição humana. Santos revolucionou a geografia ao mostrar como o espaço, as cidades e as desigualdades moldam a vida contemporânea. Suas obras permanecem atuais e continuam oferecendo instrumentos para pensar um mundo em transformação.
Para a Curadora Regional do Fliparacatu, Daniela Prado, trazer esse tema é convidar o paracatuense a olhar para dentro e perceber que a identidade regional não é isolada. “Paracatu é uma síntese do sertão, não apenas o sertão geográfico, mas o mítico, profundo e subjetivo imortalizado por Afonso Arinos e Guimarães Rosa”.
Segundo Daniela, Paracatu é um livro aberto esculpido em casarões, igrejas e ruas de pedra. “A literatura se beneficia dessa arquitetura, assim como o patrimônio ganha novas vidas por meio das palavras. Realizar palestras, cortejos e contações de histórias no Centro Histórico faz com que as pessoas vivenciem a memória viva da cidade”.
E a participação local é a espinha dorsal desse evento, afirma a curadora. “Desde o planejamento, buscamos manter um diálogo aberto com a equipe do festival, com os coletivos culturais, artesãos, músicos e escritores da terra. Promovemos lançamentos de livros locais, participamos das mesas de debate, apoiamos no concurso de redação e no clube de leitura incitando a experimentar os autores que virão. O Fliparacatu não vem ‘de fora para dentro’, ele brota da própria comunidade e se expande”.
Programação infanto-juvenil
Para as crianças e adolescentes foram pensadas atrações como oficinas, peças de teatro, contação de histórias, entre outros. O curador da programação infantil-juvenil, Rafael Nolli, destaca que a ideia foi oferecer experiências que aproximem esse público dos livros de forma afetiva e significativa.
“Buscamos reunir autores, ilustradores, contadores de histórias e artistas que dialogam com diferentes faixas etárias, sempre priorizando a qualidade literária e a participação ativa do público. Além disso, a programação foi construída com um olhar especial para as escolas, oferecendo atividades apoiadas na bibliodiversidade, de modo a ampliar o contato dos estudantes com múltiplas vozes, gêneros e perspectivas da literatura”, acrescenta.
Nolli ressalta ainda que o evento amplia o repertório cultural dos participantes. “Promove o contato com diferentes vozes da literatura e reforça a importância da arte na formação cidadã. Nosso maior desafio é garantir o acesso contínuo aos livros e à mediação de leitura. Formar leitores depende de bibliotecas vivas, escolas e políticas públicas que valorizem a literatura como parte essencial da educação e da cultura”.
Legado
Mais do que movimentar a cena cultural, Daniela acredita que o principal legado do festival é a formação de leitores e a ativação da memória cultural. “Ver crianças e jovens ocupando as praças com livros nas mãos, debatendo ideias e descobrindo a escrita como potência, muda o futuro de uma cidade. E ainda há um impacto econômico e turístico sustentável, ao lado do fortalecimento permanente das instituições culturais locais, como a Academia de Letras e as redes escolares”.
Ela finaliza com um convite: “Venham todos para o Fliparacatu e descubram que o sertão não é um lugar distante: é o acolhimento, a poesia e o infinito que habitam em cada um de nós, cercado pela beleza do nosso patrimônio histórico”. A programação completa está disponível no site oficial do festival.