Concessão do Parque Biribiri em discussão na Assembleia Legislativa

Localizado na Serra do Espinhaço, em Diamantina, o Parque Estadual do Biribiri é considerado um divisor de águas das bacias dos rios São Francisco, Doce e Jequitinhonha. A proposta de concessão do espaço, apresentada pelo Governo de Minas, foi discutida na Comissão de Participação Popular, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), no dia 7 de abril. A Associação Comunitária do Bairro Cidade Nova afirmou que a cobrança de ingressos, prevista no edital, na prática, representa um processo de privatização que altera a função social do parque. A entidade também critica a falta de diálogo com a população. A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável visitou o local no dia 27 de março, e durante a visita, os moradores de Diamantina entregaram um abaixo-assinado com 4,5 mil assinaturas contra a concessão da unidade de conservação. Por outro lado, o Executivo estadual defende que a concessão à iniciativa privada vai garantir os recursos necessários para melhorar os serviços oferecidos aos turistas do Parque do Biribiri. A expectativa é ampliar o número de visitantes e impulsionar o turismo na região. Ao longo de 30 anos, estão previstos investimentos que totalizam o valor de R$ 38 milhões. Em 24 de fevereiro, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) realizou uma audiência pública sobre o projeto, etapa obrigatória no processo de concessão. O encontro, no entanto, foi alvo de críticas de movimentos sociais, que alegaram dificuldades para a participação popular. Segundo os relatos, a reunião teve pouca divulgação, ocorreu em local de difícil acesso, em dia útil, e registrou quedas de energia durante o debate. O deputado Marquinhos Lemos (PT), autor do requerimento, contesta os termos do contrato. “A responsabilidade de manutenção vai continuar sendo do Estado. Então, os nossos funcionários vão ter que continuar com essa mesma responsabilidade. O que nós estamos passando, na verdade, é só a exploração daquilo que a gente tem, que é o que vai dar lucro, mas não vai ser para o Estado”. Sobre a reunião do IEF, Lemos destaca que foi uma mera tentativa de audiência. “Os moradores devem ser ouvidos. E precisamos também de investimentos públicos para suprir as carências estruturais do parque, em vista dos pouco mais de R$ 1 milhão por ano exigidos em três décadas, por contrato, da iniciativa privada”. O coordenador do movimento “O Parque do Biribiri é nosso”, Bruno Mendes, ressalta que o projeto é ruim, foi mal elaborado e, sobretudo, mal comunicado. “Está em curso um processo de intimidação da comunidade para que ela não se manifeste contra a concessão. Observamos o zelo do governo em dialogar com o investidor, mas a negligência no diálogo com a população”. Desafios de gestão A Coordenadora do Núcleo de Projetos Especiais do IEF, Cecília Vilhena, explicou que o Programa de Concessões de Parques Estaduais surge dos desafios de gestão das 95 unidades de conservação em Minas, com problemas inerentes à burocracia, baixa oferta de serviços e o potencial turístico subaproveitado, devido à falta de expertise dos órgãos ambientais no tema. Cecília pontua que as intervenções propostas seriam apenas nas Cachoeiras da Sentinela e dos Cristais, representando menos de 1% dos 17 mil hectares do parque. “A concessão não transfere a propriedade ao investidor, as benfeitorias são revertidas ao Estado ao final do acordo e todas as ações empreendidas pela iniciativa privada são reguladas por contrato”. “Como órgão público, temos uma flexibilidade baixa, ainda que consigamos o recurso para investir nos serviços que o parque precisa, o Biribiri necessita de infraestrutura para ordenar essa visitação que acontece de forma nociva ao meio ambiente”, ressaltou. Sobre a preocupação da comunidade relativa à cobrança de ingressos, a concessão estabelece a gratuidade para todos os moradores de Diamantina, garantiu a coordenadora. “No primeiro ano do contrato, a gratuidade será para todos. A partir do quarto ano, o ingresso atingirá o valor máximo de R$ 30 para o público, após a conclusão das obras mínimas”. Concluída a fase de consulta à população, ocorrerá o lançamento do edital de concessão, em julho. No segundo semestre será realizada a licitação.

Lucas Vieira assume presidência da Associação Mineira de Municípios

O prefeito de Iguatama, Lucas Vieira, assumiu a presidência da Associação Mineira de Municípios (AMM), substituindo Luís Eduardo Falcão. O mandato segue até 2028. O novo presidente destacou que sua gestão dará continuidade ao trabalho realizado pelo antecessor. “Falcão sempre abriu espaço na AMM para ouvir as demandas dos prefeitos de todas as regiões do Estado e para trabalharmos em conjunto. Claro que vamos fazer algumas adaptações pontuais, mas sempre mantendo a essência do trabalho que construímos ao longo desse período”. Falcão ressaltou que Vieira deve imprimir sua identidade à gestão. “Acredito que ele dará sua própria cara à administração, com suas características, mas é um trabalho que já vinha sendo desenvolvido em conjunto, não apenas por nós dois, mas por toda a diretoria, que também tem desempenhado um papel importante”. Vieira afirmou que suas prioridades serão os contratos dos municípios com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a revisão do pacto federativo. “Há diversos contratos com a Copasa vencendo, e precisamos encontrar uma solução para essas cidades. Em relação à revisão do pacto federativo, é urgente ampliar o debate, já que a vida acontece, de fato, nos municípios”. Novos rumos Após deixar o comando da Prefeitura de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão pretende intensificar agendas pelo interior do Estado. “Vamos ampliar essas visitas, pois, na minha visão, não há outra forma de trabalhar pelo futuro de Minas Gerais senão vivenciando a realidade dos municípios e dialogando com quem enfrenta os problemas no dia a dia”. Sobre a possibilidade de compor uma chapa ao Governo de Minas como candidato a vice-governador ao lado do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), Falcão confirmou o convite e disse que o aceitou, mas ponderou que não há definição. “Tudo está sendo construído com diálogo, e o que for melhor para Minas Gerais será feito. Tenho convicção de que minha experiência administrativa, com dois mandatos bem-sucedidos em um município com mais de 170 mil habitantes, além do contato com prefeitos e vereadores de todo o Estado, contribui para uma compreensão mais ampla da realidade do interior. Acredito que isso agrega muito. Meu apoio a ele é total”, finalizou.

Após definidas as filiações partidárias, jogo político 2026 começa a ser jogado

Apesar de um certo nervosismo de véspera, no prazo final para mudança de partido político, de acordo com critérios da Justiça eleitoral, nenhum parlamentar com mandato em Minas ficou de fora das agremiações partidárias. Como se sabe, o dono do Partido Avante, deputado Luís Tibé, expulsou quatro companheiros de sigla para ser o único beneficiado com a votação da legenda. E não foi apenas Luís Tibé que agiu dessa maneira. O dono de outra sigla partidária, deputado Fred Costa (PRD), não aceitou a chegada de parlamentares considerados bons de votos. Assim, na disputa à Câmara Federal, Fred reinará no topo do partido, com a possibilidade de algumas candidaturas de baixo resultado nas urnas. Isso pode garantir mais uma reeleição dele ao Congresso Nacional. Dança das cadeiras Presidido pelo deputado Newton Cardoso Júnior, o MDB, que registrou a saída do líder do Governo na Assembleia, João Magalhães, para o PSD, recebeu a inscrição do parlamentar estadual Arlen Santiago, que no último pleito chegou à marca de 107.236 votos. Nos meandros da ALMG comenta-se que o MDB é um dos poucos partidos políticos com representação em grande parte dos municípios mineiros, inclusive com eleição de vários prefeitos e vereadores. Outro tema dominante no ambiente político se refere à filiação do senador Rodrigo Pacheco ao PSB, o mesmo partido do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Os socialistas terminaram conquistando muitas novas fichas de filiação, inclusive do ex-procurador-geral de Justiça de Minas, Jarbas Soares, e o ex-presidente da Assembleia, Romeu Queiroz. Este último, segundo amigos, analisa a possibilidade de voltar à vida pública. Indagado a respeito do motivo de optar pelo PSB, Romeu vaticinou. “Estou voltando para o mesmo partido no qual fui filiado há décadas passadas”. Candidaturas ao Senado A imprensa de Minas Gerais abriu longo espaço para noticiar o arranjo político comandado pelo deputado Domingos Sávio. Ao fazer as pazes com o grupo político do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), uniu forças no Oeste mineiro e deu visibilidade a sua pré-candidatura ao Senado. Pessoas próximas entendem que por estar filiado ao Partido Liberal, mesma sigla de Flávio Bolsonaro, o projeto de Sávio pode conquistar muitos votos. Ao chegar ao PSD, o senador Carlos Viana, segundo a lenda, foi abraçado pelo grupo político do governador Mateus Simões (PSD). Seu projeto de buscar a reeleição à Casa Alta do Senado parece ter conquistado alguns pontos na popularidade junto aos eleitores. O problema está no afastamento do chefe do Executivo de outro pretendente à vaga majoritária, o ex-secretário de Governo, Marcelo Aro (PP). Sobre a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), na busca por uma das duas vagas ao Senado, tudo vai depender de um projeto maior, perpassando pela disputa ao Governo do Estado. Por exemplo, caso seja confirmada a candidatura de Rodrigo Pacheco ao Palácio Tiradentes, a proposta de Marília pode se erguer. Caso contrário, segundo matemáticos da política mineira, seria pregar no deserto. Com essas definições das filiações partidárias, o fato é que o jogo visando conquistar espaços no Parlamento, no Palácio Tiradentes e no Congresso Nacional, começa a ser jogado a partir deste mês de abril.

Excesso de mineração preocupa autoridades e comunidades

Durante a abertura da audiência pública promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que aborda os episódios de extravasamento nas minas da Fábrica e da Viga, pertencentes à Vale, em Ouro Preto, bem como a falha registrada no Dique do Fraille, na Mina Casa de Pedra, operada pela CSN, em Congonhas, na região Central do Estado, a deputada Bella Gonçalves (PT) sintetizou. “Estamos falando de como podemos adaptar estruturas de mineração para o cenário de chuvas extremas”. De acordo com Sandoval Pinto Filho, diretor de Meio Ambiente e Saúde da União das Associações Comunitárias de Congonhas (Unaccon), a atividade minerária ocupa cerca de 40% a 50% da área territorial do município de Congonhas, o que, segundo ele, transforma a região em uma “típica zona de sacrifício”. Filho afirmou que há episódios de intimidação dirigidos a pessoas que se mobilizam em defesa da vida. Também criticou a ausência de transparência e as barreiras que dificultam o engajamento da população. Além disso, mencionou problemas nos equipamentos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). “Os moradores das áreas de risco são sujeitos de direitos e não meros espectadores. Não queremos morar debaixo da lata de lixo da mineração”. “O pavor e o medo tomaram conta dos moradores. Nós nem sequer tínhamos acesso à informação, não sabíamos se a falha na drenagem era na mina, se era no dique. Todos são atingidos”, desabafou a moradora da Comunidade Santa Quitéria, em Congonhas, Aline Soares Marcos. Ela também atua como integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e mencionou ocorrências de problemas respiratórios, além do uso frequente de medicamentos ansiolíticos. “Sofremos diariamente com a poeira contaminando nossa saúde física e com o medo comprometendo nossa saúde mental”. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Extração de Ferro e Metais Básicos de Congonhas, Belo Vale e Ouro Preto, Rafael Ávila, ressaltou que, para além da exploração da mão de obra, marcada por demissões e ampliação das jornadas, as empresas provocam impactos negativos ao meio ambiente. “O trabalhador gera R$ 1 milhão de riquezas por ano e recebe em torno de 5% desse valor”. O sindicalista afirmou que a origem do problema está na relação entre o setor privado e o Estado. Como exemplos desse vínculo prejudicial, citou os incentivos fiscais concedidos e a flexibilização nos processos de licenciamento. “Temos que impor limites a esse sistema”. Na avaliação do secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Congonhas, João Luis de Castro, é preciso estabelecer normas, em nível estadual e federal, para as pilhas de rejeitos e estéreis. Ele também destacou a necessidade de fortalecer a fiscalização dos sumps, estruturas auxiliares da mineração que atuam como pequenas bacias para captação de água e prevenção de alagamentos. Castro apontou ainda como avanço o acordo de reparação firmado entre a Prefeitura e a Vale em 13 de março. Pelo termo, a empresa deverá investir R$ 25 milhões na ampliação do Museu de Congonhas e R$ 200 milhões na construção de um hospital para tratar problemas de pele, respiratórios e de saúde mental relacionados à exposição a danos ambientais. O procurador da República e coordenador do Grupo de Trabalho Rio Doce do Ministério Público Federal, Eduardo Henrique Aguiar, alertou para a proximidade entre as estruturas que se romperam e a Barragem de Forquilha, considerada uma das maiores do mundo em área de mineração e classificada no nível 3 de emergência, o mais alto. No Brasil, apenas outra barragem se encontra nessa mesma condição, localizada em Itatiaiuçu, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Aguiar ressaltou a importância de revisar e atualizar os parâmetros meteorológicos diante dos impactos provocados pelas mudanças climáticas. “As barragens que existem não foram projetadas para suportar os novos volumes de chuvas que estão cada vez mais frequentes”. Segundo o procurador, o episódio da Mina da Viga serve como alerta para evitar o licenciamento fragmentado, que não considera os impactos acumulativos e integrados das atividades ao redor. Ele também enfatizou a necessidade urgente de modernizar a legislação, incluindo normas para a operação de outras estruturas de mineração, como cavas e sumps. “Essas estruturas precisam ter normas rígidas de segurança, não apenas as barragens”.

Com apoio de Lula, Rodrigo Pacheco supera Cleitinho ao Governo de Minas

A corrida eleitoral para o comando do Governo de Minas Gerais ganhou novos contornos com nova pesquisa, divulgada no dia 1º de abril, mostrando que o apoio do presidente Lula (PT) ao senador Rodrigo Pacheco o coloca em primeiro lugar na preferência do eleitorado mineiro. Conforme o levantamento feito pela Atlas/ Intel, Pacheco, que se filiou ao PSB, tem 37,9% das intenções de voto. O segundo colocado, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), sem apoio declarado de algum grupo político, aparece com 34,2% da preferência. Já o atual governador de Minas, Mateus Simões (PSD), surge com 11,5% caso considerados os suportes do ex-governador Romeu Zema (Novo) e do clã Bolsonaro. A pesquisa traz que 2.125 mineiros participaram dela. O levantamento foi feito entre os dias 25 e 30 de março deste ano e está registrado com os protocolos MG-01664/2026 e BR-05686/2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, sendo que o nível de confiança da sondagem é de 95%. Eleição em Minas Um dos fatores que chamam a atenção na pesquisa é o fato de o senador Rodrigo Pacheco não ter anunciado ainda a intenção de se candidatar ao Palácio Tiradentes, em que pese a existência de uma pressão para que ele aceite ser o candidato apoiado por Lula em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país e tido como crucial pelo presidente da República para alavancar, de maneira real, sua candidatura à reeleição. Lula já confidenciou a interlocutores que vê no senador Pacheco a única chance de obter um palanque robusto em Minas e que lhe fortaleça em uma eleição que se avizinha sob um cenário acirrado. Por seu turno, o senador Cleitinho dá sinais de um “vaivém” sobre a disputa majoritária em Minas. Antes, entusiasmado com pesquisas ainda muito incipientes, Cleitinho deu mostras de que iria se candidatar. Porém, mais recentemente, “pisou no freio” e passou a emitir sinais ambíguos que revelam a necessidade de uma avaliação mais profunda sobre a sua participação no pleito. Um exemplo foi o anúncio de postergar algum tipo de decisão para junho ou julho deste ano. Cleitinho ainda lida com a possibilidade de Luís Eduardo Falcão, prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), desistir de aceitar ser candidato a vice na sua chapa. O nome de Falcão vinha sendo especulado nesse sentido, mas ele não deu mostras de que irá deixar o cargo de prefeito da cidade mineira. Já Mateus Simões está percorrendo o interior do Estado, utilizando-se da infraestrutura que possui como governador de Minas, na tentativa de alavancar seu nome. Conhecido por seu tom professoral e comedido ao longo dos anos na função de vice-governador, ele parece destoar do seu passado como gestor mais afeito à burocracia palaciana. Não se sabe se sob uma orientação de marqueteiros, mas Simões passou a ostentar uma agressividade, muitas vezes com ares de ser forçada, na tentativa de um hipotético reconhecimento como sendo representante da direita mais radical no Estado. Sem apoios declarados O levantamento da AtlasIntel ainda traz, sob a perspectiva da ausência de apoios declarados, os nomes do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), com 11,7%, o senador Carlos Viana (Podemos), que obteve 7,5%, o ex-vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB), com 4%, e o blogueiro Ben Mendes, com 3,7% da preferência do eleitorado.

Rodrigo Pacheco, Aécio, Clésio e Marília em uma mesma chapa

Em Brasília, logo após um jantar realizado entre a cúpula nacional do PSB com o senador mineiro Rodrigo Pacheco (PSD), houve uma especulação de qual time seria ideal para formação de uma chapa para participar do pleito eleitoral deste ano em Minas Gerais. Apesar de ser uma insinuação, essa estrutura seria montada com Pacheco disputando o governo, o empresário Clésio Andrade como vice-governador, o deputado Aécio Neves (PSDB) como senador, cabendo a segunda vaga na disputa à ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT). Para quem julga improvável esse arranjo político, vale lembrar que o presidente do PSDB mineiro, deputado Paulo Abi-Ackel, defendeu a aproximação entre Aécio e Pacheco. Clésio Andrade é visto como muito próximo do Palácio do Planalto, enquanto Marília Campos é uma das poucas estrelas a brilhar com mais intensidade no cenário petista mineiro. Lideranças sazonais Os matemáticos da política mineira analisam o cenário da peleja de 2026 como um desafio instigante. É que os nomes atualmente na liderança ao Palácio Tiradentes são personalidades pré-fabricadas pela internet, longe de representar as tradicionais lides políticas de Minas Gerais, celeiro de grandes coestaduanos que deixaram as suas marcas gravadas nos pergaminhos ao longo da história. Para cientistas políticos, está em curso a personificação de pré-candidatos com intensa participação no mundo virtual, mas essas preferências públicas pelos seus nomes podem ser passageiras, como acontece sempre na vertente on-line. Até porque, deve ser mencionado o caso do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Para se tornar o astro da popularidade em Minas, tem discurso límpido e faz críticas ao sistema. Ideologicamente, defende os princípios da direita, mas os seus modos utilizados para se perpetuar no poder cavalgam no dorso das estruturas antigas, introjetando sua família na vida pública. Um irmão é vereador, outro é prefeito de Divinópolis e o terceiro é deputado estadual. Certamente, Cleitinho diria o contrário para o público em geral, mas não difundiu qual seria a sua proposta de governo, caso fosse consagrado vitorioso no pleito deste ano. Como outros advindos do mundo virtual, o senador implementa narrativas para atrair a população, porém, nada de entabular rumos diferentes para economia, infraestrutura, políticas de valorização dos funcionários públicos, prioridades para os temas como educação, saúde e segurança. Ainda relativamente ao pleito de 2026, essa será uma semana decisiva por conta do prazo para filiações partidárias. Especificamente sobre Rodrigo Pacheco, a aposta de Brasília é que ele vai ser candidato, mesmo sem um rumo plausível do projeto. Isso lembra muito a situação de Fernando Haddad, em São Paulo, alçado candidato para fortalecer o palanque do presidente Lula (PT).

Fabiano Cazeca destaca projetos e mudança para o Partido Liberal

O empresário e comunicador Fabiano Cazeca fez um balanço positivo de sua atuação na Câmara dos Deputados, com presença ativa no Plenário e apresentação de propostas voltadas a demandas práticas da população. Entre os projetos apresentados, Cazeca destaca iniciativas em diferentes áreas. Uma delas propõe a obrigatoriedade de informar a validade de produtos no momento da compra on-line, alterando o Código de Defesa do Consumidor. “Parece simples, mas evita prejuízo. Tem gente que compra produto caro e perde porque não sabia da validade”. Outro projeto visa proibir o overbooking em voos comerciais. “Você compra, paga, faz check-in e na hora de embarcar descobre que ficou sem lugar. Isso não é justo. A companhia tem que respeitar a capacidade do avião”. Na área jurídica, o deputado propôs que advogados nomeados em casos de justiça gratuita sejam remunerados pelo Estado. “O juiz pode convocar, mas alguém precisa pagar. Ninguém é obrigado a trabalhar de graça”. Também fazem parte do conjunto de propostas mudanças na lei de consórcios e a autorização para instalação de pontos de recarga para veículos elétricos em condomínios. Mudança de partido Com a recente filiação ao Partido Liberal (PL), Cazeca afirma que pretende dar continuidade a esse trabalho e ampliar sua atuação legislativa. A decisão, segundo o parlamentar, foi motivada tanto por afinidade ideológica quanto por estratégia política. “A filosofia do partido sempre me agradou bastante, com defesa de valores nacionais e das pessoas. Além disso, entendi que no PL tenho melhores condições de disputar e continuar esse trabalho que venho fazendo”. Ele também ressalta o peso do convite recebido de lideranças da sigla em Minas Gerais. “Foi um convite especial que recebi com muita responsabilidade. Estou confiante de que foi a escolha certa”. De olho em 2026, o deputado projeta um cenário de fortalecimento do partido e de protagonismo mineiro na política nacional. “Minas Gerais seguirá como peça-chave nas articulações eleitorais, porque tem uma tradição política muito forte, já revelou grandes nomes e continua com parlamentares respeitados. Vai continuar tendo protagonismo nas decisões nacionais”. Sobre o PL, a sua expectativa é de crescimento consistente, impulsionado por lideranças com forte apelo popular. “O partido ganhou uma dimensão muito grande e tende a avançar ainda mais. Isso fortalece a bancada e amplia a capacidade de influência nas decisões do país”. Com a mudança de sigla e foco na continuidade do mandato, Fabiano Cazeca busca consolidar sua atuação em Brasília e ampliar sua relevância no cenário político. “Quero continuar trabalhando para o povo e para o Brasil, com dedicação total”, conclui.

Servidores da educação reivindicam recomposição salarial na ALMG

Com o objetivo de acolher as reivindicações dos servidores da rede pública estadual de ensino para valorização das políticas de carreira e salário, foi realizada uma audiência pública na Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Em greve desde o dia 4 de março, os servidores representados pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) têm como principal demanda a recomposição salarial de 41,83% para todos os níveis e carreiras da educação básica. O índice corresponde às perdas acumuladas entre 2019 e 2025. A categoria também reivindica que o reajuste seja estendido aos trabalhadores temporários e aos aposentados sem paridade, ou seja, aqueles que não recebem automaticamente os mesmos reajustes concedidos aos servidores da ativa, entre outras propostas. O Governo de Minas anunciou um reajuste de 5,4% para todo funcionalismo público estadual. Segundo a nota oficial, a recomposição deve beneficiar cerca de 673 mil servidores ativos, inativos e pensionistas da administração direta e indireta, com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2026. O projeto de lei que formaliza a proposta foi encaminhado à ALMG pelo governador Romeu Zema (Novo) no dia 11 de março, mas ainda aguarda leitura no Plenário para iniciar a tramitação. Para a deputada Beatriz Cerqueira (PT), presidente da Comissão e autora do requerimento, um reajuste de 5,4% tem repercussão muito pequena na vida dos servidores. “A gente chega a um nível de precarização tão estrutural que esse índice não faz diferença. Tenho oito anos como deputada e qual foi a política de valorização dos profissionais de educação do Governo Zema? Não temos”. A coordenadora-geral do Sind-UTE, Denise de Paula Romano, denunciou que o setor da educação em Minas Gerais enfrenta uma “despolítica de valorização”. “Marcada pelo achatamento dos vencimentos e pela aplicação equivocada da proporcionalidade da Lei do Piso (Lei 11.738/2008), o que teria transformado o piso salarial em teto. O Estado pratica hoje os piores vencimentos do Brasil, somos a rede mais precarizada do país, com 80% da categoria composta por profissionais com vínculos precários de trabalho e apenas 20% de concursados”. Conforme dados que ela apresentou na reunião, em cerca de seis anos, a gestão do governador Zema abdicou de quase R$ 100 bilhões em impostos por causa das renúncias fiscais. Assim, deixou de investir mais de R$ 24 bilhões na educação. “O volume de renúncia fiscal e incentivos concedidos pelo governo estadual causam um cenário onde profissionais da educação abandonam a rede para atuar em aplicativos de transporte. Além disso, os auxiliares da educação básica recebem na faixa do salário mínimo e enfrentam a ameaça constante de projetos de terceirização”, acrescenta. Denise ainda alertou para um “apagão” na educação, destacando que a desvalorização da carreira tem afastado jovens e estudantes da profissão de professor. “A categoria está exposta a níveis de violência política, patrimonial, psicológica e de gênero. Além dos baixos salários, a rede estadual não tem atrativos, os profissionais se especializam, fazem mestrado ou doutorado e acabam deixando o setor público”. Posição do Governo A subsecretária de Gestão de Recursos Humanos da Secretaria de Estado de Educação, Gláucia Cristina Ribeiro, reiterou que a educação deve ser pautada pelo diálogo contínuo. “Entendemos que a categoria tem as suas demandas, e não desvalorizamos nenhuma delas. A gente sabe que o reajuste de 5,4% pode parecer pouco, mas é o esforço que o governo tem feito para atingir a todas as carreiras e secretarias”. “Temos trabalhado muito na valorização dos professores e da carreira. Não é uma falta de compromisso, às vezes, é uma dificuldade mesmo da situação que enfrentamos, como a questão da Lei de Responsabilidade Fiscal e outras adversidades”, finaliza. Embora não tenha estabelecido uma agenda imediata para novas negociações, a gestão se comprometeu a analisar as reivindicações da categoria e apresentar uma resposta definitiva na próxima semana.

Escolha de um nome para vice-governador tem sido um desafio

A janela partidária, período quando se permite a mudança de sigla, está em sua reta final, cuja data- -limite será em 31 de março. Na Assembleia Legislativa, aconteceu uma intensa dança das cadeiras. A surpresa maior recaiu na decisão do deputado João Magalhães em deixar o MDB para se filiar ao PSD, partido do vice-governador Mateus Simões, pré-candidato ao Governo de Minas Gerais. Desde o final do ano passado, Magalhães se queixava do desconforto de conviver com o presidente do MDB, o influente deputado federal Newton Cardoso Júnior, a quem o parlamentar acusa de não ser democrático em suas decisões cotidianas no âmbito do partido. Decisão sobre vice Para além de especulações citando nomes já conhecidos como possíveis opções ao cargo de vice-governador, uma novidade surgiu na semana passada: a chance do atual presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB), ser escolhido na qualidade de vice na chapa a ser encabeçada pelo senador Rodrigo Pacheco. Juridicamente, estaria tudo certo. Vale dizer, Tadeu, já eleito Conselheiro do Tribunal de Contas, não está impedido de disputar qualquer cargo, enquanto não acontece a sua efetiva posse naquela Corte. No momento, a lista de postulantes como companheiro de chapa do pré-candidato, senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), já conta com três sugestões: presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão (Republicanos); presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe; e o empresário Vittorio Medioli. O curioso é que o nome do presidente da Fiemg faz parte ainda da preferência do candidato Mateus Simões (PSD). Também está no âmbito de Simões a possibilidade de convencer seu amigo e secretário de Governo, Marcelo Aro (PP), em desistir de disputar o Senado para ser o número dois em sua chapa ao Palácio Tiradentes. Já na porta do Café Nice, no Centro de Belo Horizonte, onde temas políticos fazem parte do bate-papo cotidiano, frequentadores comentam que o pré-candidato ao governo, Alexandre Kalil (PDT), diante da dificuldade de convencer alguém para ser seu vice nesta peleja, deve convidar a companheira de partido, a deputada federal Duda Salabert. Mas tudo não passa de conversa de populares, sem avaliação ou confirmação do partido e coordenadores de campanha do ex-prefeito.

Blocos criticam a concentração de recursos no Carnaval

Representantes dos blocos carnavalescos e escolas de samba de Belo Horizonte pedem mais investimentos e melhor infraestrutura para fortalecer a festa popular que, todos os anos, ocupa as ruas da capital. Durante reunião da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa, realizada no dia 10 de março, integrantes da comunidade do Carnaval levaram suas demandas a representantes dos governos estadual e municipal. Uma das maiores preocupações das lideranças ligadas ao Carnaval é a forma como os recursos públicos são destinados aos cortejos. Os blocos apontam críticas às chamadas vias sonorizadas, financiadas com aproximadamente R$ 10 milhões pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge). Embora a medida proporcione melhor qualidade de som, os critérios sobre quais grupos são contemplados geram questionamentos. De acordo com a Bruta, liga que representa cerca de 70 blocos carnavalescos, as chamadas vias sonorizadas, localizadas nas avenidas Brasil, Andradas e Amazonas, receberam 23 cortejos neste ano. Para a presidente da entidade, Marcela Linhares, do bloco “Então Brilha!”, a situação revela uma forte concentração de recursos direcionados a um número restrito de blocos. Ela sugere que o modelo de patrocínio da Codemge seja revisto, com a possibilidade de que os recursos sejam destinados diretamente aos blocos, que relatam dificuldades para custear a realização dos desfiles. “O aluguel de um trio elétrico custa cerca de R$ 70 mil, e muitos não conseguem arrecadar o montante. Não existe valorização do Carnaval sem dinheiro na mão dos blocos”. A Bruta também pede que sejam definidos critérios mais objetivos e transparentes para a seleção dos blocos contemplados pelas vias sonorizadas. Segundo Marcela Linhares, neste ano o “Alcova Libertina”, um dos blocos mais tradicionais de Belo Horizonte, não conseguiu desfilar na Avenida dos Andradas, local onde costumava se apresentar. Com o objetivo de garantir mais recursos para o carnaval, os blocos ainda defendem o aumento do limite de patrocínio previsto na Lei Estadual de Incentivo à Cultura (Leic). De acordo com Leandro César da Silva, diretor do bloco “Então Brilha!”, “os recursos destinados ao financiamento do Carnaval e de outras iniciativas culturais acabam se esgotando rapidamente”. Para Maria Elisa Abreu da Cruz, presidente da Liga das Escolas de Samba de Minas Gerais (Aliga), as agremiações necessitam de mais investimentos e de maior atenção por parte das políticas públicas. Ela também destacou que as escolas de samba vão além do espetáculo carnavalesco: funcionam como espaços de formação para profissionais da cultura, fortalecem o protagonismo feminino e ajudam a acolher jovens em situação de vulnerabilidade e expostos à violência. “A escola de samba oferece disciplina, pertencimento, identidade cultural e comunidade. Cada jovem que entra em uma bateria, em uma ala ou em uma oficina cultural encontra também um espaço de formação, convivência e cidadania”. A secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, contestou as críticas relacionadas à sonorização de algumas vias da cidade e disse que a iniciativa tem boa aceitação tanto entre os foliões quanto entre as agremiações carnavalescas. Ela também argumentou que, caso os recursos destinados à sonorização fossem distribuídos entre os mais de 600 blocos de rua existentes na capital, o valor recebido por cada grupo seria bastante reduzido. Já o vice-presidente da Belotur, Bruno Eduardo Silva Cassimiro, destacou o empenho da administração municipal em apoiar o Carnaval e afirmou que a prefeitura mantém disposição para dialogar com os blocos de rua e as escolas de samba. “Sabemos que temos muita coisa para melhorar, mas estamos de portas abertas para construir um Carnaval melhor”. A deputada Bella Gonçalves (Psol) fez críticas à postura da secretária de Estado de Cultura e Turismo e voltou a questionar a escolha de investir na sonorização de determinadas vias. Na avaliação da parlamentar, a medida representa uma “concentração excessiva” de recursos em uma ação específica, que não atende diretamente às necessidades dos blocos carnavalescos. “Queremos saber quem está lucrando com esse Carnaval, já que os blocos não recebem recursos para fazer seus cortejos”. A parlamentar reiterou que o teto de recursos da Leic não aumenta porque o governo estadual não permite. “Precisamos que o governo compreenda a importância da cultura”. Já a deputada Lohanna (PV) afirmou que os cidadãos precisam acompanhar a atuação da Secretaria de Estado de Cultura. “Que tipo de carnaval a gente quer: privado, com blocos selecionados sem transparência, ou descentralizado, que pertença ao povo mineiro?”.