Indefinição de Rodrigo Pacheco pode refletir na campanha de Lula

Reuniões, conspirações, falações e insinuações têm acontecido nos bastidores da política mineira, com o fito de encontrar um projeto minimamente viável, tendo em vista as eleições ao Governo de Minas. Recentemente, surgiu a notícia de que um forte movimento está sendo feito para desidratar a campanha do candidato à reeleição, o governador Mateus Simões (PSD). Os rumores sobre essa tese foram levantados nos bastidores do Parlamento mineiro, quando passou a circular a seguinte informação. Para isolar cada vez mais o atual chefe do Executivo na peleja deste ano, existe o esboço de um projeto para turbinar a candidatura do presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe (PL). As fontes acrescentam que o pré-candidato estaria em conversações avançadas com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). O parlamentar está sendo convencido a apoiar Roscoe, em entendimento com apoio nacional das duas siglas. O grupo abriria espaço para garantir a eleição dos dois irmãos do senador: um que pleiteia ser deputado federal, e outro já em pré-campanha para a Assembleia Legislativa de Minas. Pacheco, a incógnita Ao longo dos anos, não se registrou um debate com situação atípica para o pleito ao Palácio Tiradentes. Desde o início de 2026, a cada hora se forma uma onda de comentários. Porém, o burburinho para saber o destino do senador Rodrigo Pacheco (PSB) sempre pautou os encontros de palpiteiros políticos. Decifrar efetivamente o que planeja o parlamentar mineiro é complicado. Até porque, o político não passa uma semana sem oferecer pistas diferentes a respeito de suas futuras labutas eleitorais. Sua empreitada é recheada de mistério. A esperada aliança entre o socialista e o PT visando o Governo do Estado, através do presidente Lula, continua na pauta. Porém, não com a mesma ênfase de outrora. Políticos dos partidos de esquerda categorizam que essa demora para traçar um rumo tem levado grandes siglas estaduais a acertarem alianças eleitorais, especialmente com Mateus Simões, Alexandre Kalil (PDT) e até mesmo em relação ao pré-candidato Gabriel Azevedo (MDB). A irritação nos bastidores de alguns nomes aliados de Pacheco se deve ao fato de sua morosidade em definir se está empenhado com o projeto de reeleição do presidente Lula. Na semana passada, em Contagem, já foi dito que seria bom a ex-prefeita Marília Campos (PT) ficar em estado de alerta. Ela pode ser convencida a mudar de rota, deixando de lado a sua pretensão em disputar o Senado e encabeçar chapa ao Palácio Tiradentes, caso essa celeuma envolvendo Rodrigo Pacheco não seja resolvida.

Ao menos uma em cada 10 crianças não vai à escola em 876 cidades

Segundo informações do novo indicador de atendimento escolar em nível municipal, elaborado pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), embora a matrícula na educação infantil seja obrigatória para crianças a partir dos 4 anos no Brasil, ainda existem muitas fora da escola. Em cerca de 16% dos municípios, o equivalente a 876 cidades, pelo menos 10% delas entre 4 e 5 anos não estão frequentando creches ou pré-escolas. As disparidades se tornam ainda mais evidentes quando se observa a localização dessas cidades. Na região Norte, por exemplo, 29% dos municípios (130 ao todo) apresentam índices inferiores a 90% de crianças nessa etapa de ensino. No Sul, esse cenário é menos acentuado, com 11% dos municípios registrando menos de 90% das crianças de 4 a 5 anos na escola. No Centro-Oeste, esse percentual chega a 21% (99 municípios), enquanto no Nordeste é de 17% (304 municípios) e, no Sudeste, de 13% (213 municípios). Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com Lívia Maria Fraga, pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Infância e Educação Infantil – NEPEI/UFMG. Quais fatores estruturais explicam a exclusão de crianças da educação infantil no Brasil? Sob uma perspectiva interseccional das desigualdades, diversos estudos indicam que as principais diferenças no acesso à educação infantil estão relacionadas à localização e à renda. Crianças de áreas rurais têm cerca de 20% menos chances de frequentar creches do que as de áreas urbanas. Já o fator renda é ainda mais determinante: crianças de famílias de baixa renda possuem 30% menos acesso do que aquelas de maior renda, o que contraria a ideia de que a creche é um serviço destinado apenas às populações mais pobres. Quais são os benefícios de frequentar creche ou pré-escola nessa faixa etária? Pesquisas indicam que crianças que frequentam pré-escolas de qualidade têm trajetórias escolares mais bem-sucedidas, sobretudo quando as etapas seguintes também oferecem boas condições de ensino. A educação infantil favorece a socialização, amplia aprendizagens, desenvolve diferentes linguagens e contribui para uma formação baseada na igualdade de gênero e no respeito às relações étnico-raciais. Esses números escondem desigualdades ainda maiores quando se consideram renda, raça ou área urbana e rural? O Brasil ainda apresenta desigualdades no acesso à educação infantil, especialmente entre regiões. Norte, Centro-Oeste e Nordeste concentram os menores índices de atendimento. Isso se deve a dificuldades de acesso, como longas distâncias, transporte precário e uso de vias fluviais, além da menor oferta de instituições, relacionada à baixa arrecadação municipal e limitações de gestão. Na sua opinião, onde estão os principais gargalos: financiamento, infraestrutura, formação de professores ou gestão? A qualidade das creches e pré- escolas também pode gerar exclusão. Ela envolve a formação e valorização dos profissionais da educação infantil, boas condições de trabalho e infraestrutura adequada, com espaços, brinquedos e materiais pedagógicos. Inclui ainda gestão participativa e políticas públicas voltadas às populações mais vulneráveis. O que deveria ser prioridade imediata para reduzir esse déficit de matrículas? A boa gestão do financiamento da educação é essencial para políticas de primeira infância, que devem ser articuladas com saúde, assistência social e infraestrutura urbana. A ampliação do acesso também depende da busca ativa de crianças fora da pré-escola, da melhoria da acessibilidade e da garantia de atendimento inclusivo à educação especial.

CCBB Belo Horizonte no ranking dos 100 museus mais visitados

O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) passou a figurar entre os 100 museus mais visitados do mundo em 2025. De acordo com o ranking internacional divulgado pelo jornal “The Art Newspaper”, a instituição mineira alcançou a 69ª colocação na lista global. Ao longo do período analisado, o espaço cultural da capital recebeu cerca de 1,1 milhão de visitantes, consolidando um número bastante significativo. A entidade responsável estruturou o ranking a partir de informações oficiais disponibilizadas pelas próprias instituições culturais. Os dados considerados abrangem o intervalo de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2025, e o cálculo do público foi feito de forma criteriosa, com base na comercialização e na emissão de ingressos. Localizado na Praça da Liberdade, o Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte ocupa um edifício histórico que por si só já representa um patrimônio arquitetônico da cidade. Nos últimos anos, o espaço tem se destacado por oferecer uma agenda plural, que inclui exposições de artes visuais, mostras de cinema, espetáculos teatrais e atividades educativas. Essa combinação de atrações tem contribuído para ampliar o alcance do público e consolidar o CCBB como um ambiente de convivência e formação cultural. Para o museólogo Marcelo Cardoso, a presença do CCBB BH no ranking internacional simboliza uma mudança importante na percepção da produção cultural na cidade. “Quando um equipamento cultural de Belo Horizonte aparece em uma lista global como essa, há um reconhecimento não apenas da instituição, mas de todo um ecossistema artístico que vem sendo fortalecido na cidade. Isso estimula artistas locais, atrai exposições de grande porte e amplia o diálogo com circuitos internacionais”. lém do impacto simbólico, há reflexos diretos no turismo. Ele destaca que rankings como o do “The Art Newspaper” funcionam como uma vitrine global. “Turistas culturais buscam destinos que ofereçam experiências relevantes e reconhecidas. Estar entre os museus mais visitados do mundo coloca BH em um mapa estratégico, o que pode aumentar o fluxo de visitantes, movimentar a rede hoteleira, restaurantes e outros serviços ligados à economia criativa”. Outro ponto ressaltado é o papel do CCBB na democratização do acesso à cultura. Grande parte das atividades oferecidas pelo centro cultural é gratuita ou possui preços acessíveis, o que permite a participação de públicos diversos. Para o produtor cultural Rafael Lacerda, esse aspecto é fundamental para o sucesso da instituição. “O CCBB consegue equilibrar excelência artística com inclusão. Ao oferecer programação de alto nível com entrada gratuita ou a baixo custo, ele rompe barreiras históricas de acesso e aproxima diferentes camadas da população das artes”. Segundo Lacerda, esse modelo também contribui para a formação de novos públicos. “Muitas pessoas têm no CCBB o primeiro contato com uma exposição internacional ou com o teatro. Esse tipo de experiência pode transformar a relação do indivíduo com a cultura ao longo da vida”. Com a visibilidade internacional ampliada, o Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte se consolida não apenas como um ponto de referência local, mas como um agente relevante no cenário cultural global. A presença na lista dos museus mais visitados do mundo reforça o potencial da capital mineira como destino cultural e evidencia o papel estratégico de instituições que apostam na inclusão, na diversidade e na valorização da arte como instrumento de transformação social.

Alerta para casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave

Minas Gerais está entre os 14 estados em nível de alerta, risco ou alto risco para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com tendência de crescimento dos casos, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG). Até abril deste ano, foram notificadas 7.592 ocorrências de SRAG, sendo 428 por influenza. Conforme o Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os casos de SRAG por influenza A têm impactado crianças de até 4 anos e idosos. Em 2026, já foram notificadas 37.244 ocorrências. Destas, 15.816 (42,5%) tiveram resultado positivo para vírus respiratórios, 14.723 (39,5%) foram negativas e 3.990 (10,7%) ainda aguardam resultado. Também houve aumento das hospitalizações pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças menores de 2 anos de idade. A pesquisadora do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz (Procc/Fiocruz), Tatiana Portella, afirma que o VSR é um dos principais responsáveis por internações por SRAG nessa faixa etária. “O vírus também é uma das principais causas de bronquiolite. Por isso, é essencial que gestantes, a partir da 28ª semana, tomem a vacina contra o vírus para proteger seus bebês nos primeiros meses de vida”. O pediatra e intensivista pediátrico da Unimed-BH, Bruno Morais Damião, reforça que a principal medida de prevenção de SRAG são as vacinas. “Não existe outra forma de prevenir uma infecção viral grave, principalmente os abaixo de um ano, prematuros, e os menores de dois anos que têm comorbidades. A imunização é o mecanismo mais eficaz e estudado para esse tipo de síndrome”. Ele acrescenta ainda que os pais podem ensinar as crianças doentes a forma mais higiênica de toalete de vias respiratórias e nasal. “Como colocar o braço na frente da boca na hora de tossir; usar máscara, quando sabidamente estão com alguma infecção gripal; e levar ao médico quando ver algum sinal de gravidade, como falta de ar”. Já que esse sintoma é um dos principais sinais de SRAG, alerta Damião. “Percebemos a piora de um quadro gripal quando a infecção que começou mais leve, com obstrução nasal e febre no início, com o passar do tempo tem uma piora no estado geral e do padrão de respiração, insuficiência respiratória, principalmente nas crianças, que vão apresentar uma respiração mais acelerada”. SRAG De acordo com a SES/MG, a SRAG não é uma doença específica, mas um conjunto de sintomas graves que afetam a respiração. Começa como uma gripe, mas piora rapidamente, exigindo cuidados urgentes. Ela pode ser provocada por diversos tipos de vírus e bactérias, sendo as mais comuns, o vírus da gripe (Influenza); coronavírus, que causa a COVID-19; vírus sincicial respiratório (VSR) e outros que também atacam o sistema respiratório. O principal procedimento de tratamento é o suportivo, que é focado em estabilizar o paciente, garantindo oxigenação adequada e manejo dos sintomas enquanto o corpo combate a infecção subjacente. “A ideia é deixar o paciente hidratado, porque perde muito líquido pela via respiratória e tem que manter a oxigenação do sangue. Em alguns casos, só a oferta de oxigênio pelo cateter nasal é suficiente, em outros, precisam da ventilação não invasiva”, destaca o pediatra. O profissional complementa dizendo que a SRAG pode acometer qualquer faixa etária. “Desde crianças, adultos e idosos. É uma enfermidade grave, com possibilidade de insuficiência respiratória, e em alguns casos, com um atendimento mais intensivo”. A recomendação é procurar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), em casos leves. Já sintomas como falta de ar, respiração acelerada e piora do estado geral indicam a necessidade de atendimento imediato em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou hospitais.

Nomes bem avaliados para conquistar votos no pleito de 2026

Uma meia dúzia de ex-prefeitos em cidades de Minas Gerais estão embalados para disputar as eleições de 2026. A grande novidade é a confirmação do nome do jornalista e radialista Eduardo Costa, que já está em plena atividade política, visitando as lideranças com destaque para contatos a partir de eventos na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Nos bastidores da Assembleia Legislativa, consta que Eduardo será apoiado pelo deputado João Vítor Xavier, agora cumprindo período de licença para cuidar de assuntos particulares, pois se tornou o principal executivo do grupo de comunicação, compreendendo a Rádio Itatiaia e a CNN Brasil, em São Paulo. Falcão na disputa Ao renunciar ao cargo de prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (Republicanos) deixou também o importante posto de presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM). Quando estava no comando de sua cidade, se gabava de ter sido eleito para o segundo mandato com algo em torno de 80% dos votos. Nesse limiar de maio, o futuro político de Falcão parece incerto. Seu projeto inicial previa compor chapa, na qualidade de vice, do pré-candidato ao Governo do Estado, senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Amigos do ex-prefeito afiançam que se ele não for aproveitado como vice-governador, poderá pleitear uma vaga na Câmara Federal, com potencial de conquistar muitos votos somente em Patos de Minas, o que lhe garantiria uma possível vitória consagradora. Incentivado por amigos do ninho tucano, o ex-atleta e ex-deputado João Leite é outro nome alentado para pleitear uma vaga no Congresso Nacional. Atualmente conectado com projetos de logística de transportes, Leite é tido como um nome muito querido pelos evangélicos, especialmente no que diz respeito à Igreja da Lagoinha, espaço de orações frequentado por toda a sua família. Comandando há mais de cinco anos o programa de TV denominado “Mundo dos Negócios”, na TV Band Minas, o empresário e advogado Fabiano Cazeca tem projeto encaminhado para tentar conquistar uma cadeira no Parlamento Federal. Pessoas próximas dizem que esta é a sua grande oportunidade, sobretudo por haver se tornado mais conhecido pela população por conta de sua imagem associada ao mundo televisivo.

Lei da Escuta Protegida ainda enfrenta desigualdades no Brasil

Sancionada em 2017, a Lei nº 13.431, conhecida como Lei da Escuta Protegida, instituiu no Brasil um novo modelo de atendimento voltado a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência. A norma criou mecanismos para evitar a revitimização – situação em que a vítima precisa repetir diversas vezes relatos traumáticos em ambientes inadequados – e estabeleceu procedimentos específicos, como a escuta especializada e o depoimento especial. A legislação também determinou a atuação articulada entre os setores de saúde, assistência social, educação, segurança pública e Justiça, com foco na proteção integral, no acolhimento humanizado e na responsabilização dos agressores. Nove anos depois, a lei é considerada um marco na defesa da infância, embora ainda enfrente obstáculos para sua plena implementação em todo o país. Em entrevista ao Edição do Brasil, o superintendente de Advocacy da Childhood Brasil, Itamar Gonçalves, analisa os avanços e os desafios desse processo. Nove anos após a sanção da lei, o Brasil conseguiu incorporar o princípio de evitar a revitimização? Houve um avanço real no campo normativo e também na conscientização. Hoje existe maior entendimento sobre os efeitos perversos da revitimização, que é uma forma de violência institucional. Profissionais da saúde, educação, assistência social, segurança pública e Justiça passaram a reconhecer a importância de métodos mais adequados. Mas, na prática, ainda enfrentamos limitações estruturais importantes. Quais avanços mais concretos podem ser destacados nesse período? Um dos principais indicadores é o crescimento das salas de depoimento especial. Saímos de apenas duas salas em 2003 para mais de 1.800 em 2025. Também houve criação de comitês de gestão colegiada e maior mobilização social em torno da proteção da infância. Por que a implementação segue desigual entre as regiões do país? Principalmente por falta de infraestrutura adequada e ausência de equipes capacitadas. Em muitas comarcas, especialmente no Norte e Nordeste, ainda faltam espaços apropriados e profissionais treinados no Protocolo Brasileiro de Entrevista Forense. Isso revela que o país ainda precisa de investimento contínuo e coordenação federativa efetiva. A integração entre os órgãos que compõem a rede de proteção ainda é um desafio para que a lei funcione de forma plena e articulada? Sem dúvida. A lei pressupõe fluxos e protocolos unificados entre conselhos tutelares, escolas, saúde, delegacias e Justiça. Porém, a maioria dos crimes contra crianças e adolescentes ainda é investigada por delegacias comuns, muitas vezes sem preparo técnico para lidar com vítimas dessa faixa etária. Sem rede integrada, a eficácia da lei fica comprometida. Além da desigualdade regional e da falta de integração, que outros gargalos ainda preocupam na aplicação da lei? Falta estrutura pericial em muitos municípios, faltam protocolos nos Institutos Médico-Legais e a coleta de vestígios pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não se tornou realidade em todo o país. Além disso, muitas vítimas são ouvidas muito tempo depois do fato ocorrido, o que prolonga o sofrimento das famílias. O que precisa ser prioridade daqui para frente para que a legislação avance de forma efetiva em todo o país? Precisamos fortalecer o Pacto Nacional pela Implementação da Lei da Escuta Protegida e ampliar os esforços de estados e municípios. Mais do que reconhecer avanços, é necessário universalizar essas práticas, com compromisso institucional, monitoramento e investimento contínuo. A violência contra crianças e adolescentes é prevenível e pode ser enfrentada por uma rede verdadeiramente integrada e humanizada.

Turismo rural aumenta a renda de produtores em até 30% no Estado

O turismo rural tem impulsionado a renda de produtores em Minas Gerais, com aumento de até 30% em algumas propriedades que abriram as portas para visitantes. Experiências com queijos, cafés, doces e cachaças têm atraído turistas e transformado atividades tradicionais do campo em novos negócios. Atualmente, são 266 propriedades abertas ao turismo. Em 2025, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) realizou cerca de 3,4 mil atendimentos a produtores que investem no segmento, com presença em diferentes regiões, como Norte, Sul e Noroeste do Estado. A coordenadora técnica de Turismo Rural da Emater-MG, Thatiana Garcia, destaca que a atividade começou a crescer no pós-pandemia. “As pessoas começaram a querer entender mais sobre a produção de alimentos, e também ter uma vivência no local. Temos produtores que já vivem exclusivamente do turismo. Eles não vendem mais produtos para terceiros, e para adquiri-los, é preciso ir até a propriedade”. Em Ritápolis, no Campo das Vertentes, a Queijaria Seu Jorge transformou o dia a dia da produção em uma atração turística. Administrado por sete mulheres da mesma família, o local recebe visitantes interessados em conhecer o processo de fabricação. “O turista chega da cidade grande com muitas expectativas, e é uma troca interessante. Ele pode acompanhar a ordenha, ver como o queijo é feito, para depois saboreá-lo com café”, conta a proprietária Vera Lúcia Cardoso. Já em São João del-Rei, a Cachaça Morro Grande abriu o alambique à visitação e passou a integrar o roteiro turístico da região. Com produção anual entre 15 mil e 20 mil litros, o produtor José do Carmo Rezende explica que o turista vai ver todo o processo de fabricação da cachaça. “Desde o plantio e a moagem, até a degustação. Isso ajuda a valorizar a bebida e aumentar ainda mais as vendas”. Thatiana acrescenta que o turismo rural não se limita à produção de itens como queijo e cachaça, há outras atividades. “O ecoturismo, visitas em comunidades tradicionais, como quilombolas, indígena e ribeirinhos, além das propriedades de produtos orgânicos”. Acreditar no potencial A técnica ressalta que existem duas principais dificuldades dos produtores para exercer esse tipo de atividade em suas propriedades. “Eles precisam acreditar em seu potencial. É necessário compreender que os turistas querem visitar e vivenciar essas experiências. A partir disso, aparece o segundo obstáculo, que é a precificação. Muitos ainda não conseguem entender que as pessoas pagam para ir nas propriedades rurais e valorizam esse tipo de turismo”. Ela afirma ainda que a Emater ajuda na capacitação dos produtores. “Mas, também na orientação dos profissionais que trabalham diretamente nos escritórios locais da instituição. Fazemos um diagnóstico para entender se aquela propriedade consegue ou não receber visitantes, o que precisa desenvolver e qual é o desejo do produtor. A metodologia mais utilizada pelos extensionistas é do ouvir, de ver o que aquele empreendedor quer, como vai vivenciar e o que ele quer fazer”. “As nossas expectativas sobre o turismo rural são as melhores e maiores possíveis. Acreditamos que esse crescimento faça movimentar cada vez mais o segmento externamente e internamente. A atividade traz uma valorização do município. Queremos desenvolver esse setor para que cresça cada dia mais e prevaleça mais forte”, complementa. A partir de maio, será aberta a atualização para a 4ª edição do catálogo Ruralidade Viva, que é uma iniciativa para dar mais visibilidade aos trabalhos desses produtores. As pessoas que tiverem interesse, é só procurar o escritório da Emater, conversar com o técnico e fazer o cadastro. A entidade auxilia todos, desde quem está começando até aquele que já está no mercado. “Estamos abertos para fazer o atendimento a todos que se interessarem em trabalhar com turismo rural”, finaliza Thatiana.

Síndrome do intestino irritável pode afetar a qualidade de vida

Abril é dedicado à conscientização da síndrome do intestino irritável, uma doença gastrointestinal crônica que atinge milhões de pessoas e ainda é pouco compreendida e frequentemente subdiagnosticada. Caracterizada por um conjunto de sintomas recorrentes que afetam o funcionamento do intestino, a condição não provoca alterações estruturais visíveis em exames laboratoriais ou de imagem, o que muitas vezes contribui para atrasos no diagnóstico e para a sensação de insegurança em quem convive com a doença. De acordo com a gastroenterologista Isabela Moreira, a síndrome do intestino irritável deve ser entendida como uma condição multifatorial. “Não existe uma única causa para o distúrbio. O que observamos é uma interação entre fatores biológicos, como alterações na motilidade intestinal e na sensibilidade visceral, e fatores psicológicos, como estresse e ansiedade. Além disso, há evidências de que a microbiota intestinal desempenha um papel importante no desenvolvimento e na manutenção dos sintomas”. Segundo Isabela, os sintomas mais comuns incluem dor abdominal recorrente, geralmente associada à evacuação, além de alterações no padrão intestinal, que podem se manifestar como diarreia, constipação ou alternância entre ambas. Muitos pacientes também relatam sensação de inchaço abdominal, excesso de gases e sensação de evacuação incompleta. “Esses sinais podem variar em intensidade e frequência, o que torna o quadro ainda mais heterogêneo”. “Essa variabilidade é justamente uma das marcas da doença, que não segue um padrão fixo. Há pacientes que passam semanas praticamente assintomáticos e, de repente, entram em crises intensas. A imprevisibilidade é um dos fatores que mais afetam a saúde mental dos indivíduos”, acrescenta. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na avaliação dos sintomas e na exclusão de outras doenças orgânicas que possam causar manifestações semelhantes, como doença inflamatória intestinal, intolerâncias alimentares ou infecções gastrointestinais. “Atualmente, são utilizados os critérios de Roma IV, que consideram a presença de dor abdominal recorrente associada a alterações na frequência ou na forma das fezes, por um período mínimo de tempo. Exames complementares podem ser solicitados para descartar outras condições, mas não existe um teste específico que confirme a síndrome”. Não há cura definitiva para a síndrome, mas existem diversas estratégias capazes de controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O tratamento costuma ser individualizado e pode incluir mudanças na alimentação, uso de medicamentos e acompanhamento psicológico. “Dietas com redução de alimentos fermentáveis têm mostrado bons resultados em muitos casos. Além disso, antiespasmódicos, laxantes, antidiarreicos e, em algumas situações, antidepressivos em doses baixas podem ser utilizados para modular a dor e o funcionamento intestinal”, destaca a nutricionista clínica Cristina Souza. Ela ressalta que o cuidado com o aspecto emocional é fundamental no manejo da doença. “Muitos pacientes subestimam o impacto do estresse no intestino. Hoje sabemos que existe uma comunicação direta entre o cérebro e o sistema gastrointestinal, chamada eixo cérebro-intestino. Isso significa que fatores emocionais podem desencadear ou agravar sintomas intestinais de forma clara”. A prevenção não é totalmente estabelecida, justamente por se tratar de uma condição de origem multifatorial e ainda não completamente compreendida. No entanto, hábitos saudáveis podem reduzir a frequência e a intensidade das crises. “Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, boa qualidade do sono e controle do estresse são fatores considerados protetores. Evitar o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, cafeína e bebidas alcoólicas também pode contribuir para a redução dos sintomas em pessoas predispostas”, destaca a nutricionista. Apesar dos desafios, o prognóstico da doença é geralmente favorável quando há diagnóstico adequado e acompanhamento contínuo. A patologia tende a ser crônica, mas não evolui para condições mais graves como câncer ou insuficiência intestinal. O foco do tratamento está na adaptação do paciente à condição e no controle dos sintomas ao longo do tempo, permitindo uma vida funcional e ativa.

Minas debate sobre os direitos da natureza e impactos da mineração

Iniciativas em municípios e regiões de Minas Gerais já deram origem a normas que reconhecem a natureza como detentora de direitos. Contudo, a forte presença da atividade mineradora no Estado representa um dos principais obstáculos à efetiva proteção ambiental, como foi destacado em audiência pública realizada no contexto do Dia Internacional da Mãe Terra, data criada pela ONU em 2009 e comemorada todos os anos em 22 de abril. Promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a reunião também foi motivada pelo III Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza, que ocorrerá a partir de 31 de julho nas cidades de Ouro Preto e Mariana. O evento reunirá povos indígenas, comunidades tradicionais, movimentos sociais, universidades, representantes do poder público e a sociedade civil para debater o reconhecimento da natureza como sujeito de direitos. A discussão foi requerida pelas deputadas Beatriz Cerqueira e Leninha, ambas do PT. Leninha, que ocupa a 1ª vice-presidência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), destacou a relevância do tema para um Estado marcado por desigualdades sociais e ambientais e afetado pelos impactos da mineração. “Minas Gerais é importante para o Brasil e para esse tema, porque guarda marcas profundas do modelo econômico e de atividades como a mineração. Uma realidade que se intensifica com a desertificação, o empobrecimento do solo e os extremos climáticos”. Ao chamar atenção para iniciativas que se opõem à preservação ambiental, Beatriz Cerqueira mencionou ainda o Projeto de Lei 3.991/22, de sua autoria. A proposta prevê a inclusão, nos conteúdos de educação ambiental, do estudo sobre os impactos do uso de agrotóxicos e ainda aguarda votação em segundo turno. Conforme expôs ela, “demorou quatro anos para o projeto ser levado ao Plenário, por força de setores como o industrial e agropecuário, contra pautas de proteção de territórios, águas e meio ambiente”. Representante do Ministério Público Federal, o procurador Helder Magno da Silva destacou que setores como o da mineração devem repensar sua relação com comunidades locais e povos originários, que tradicionalmente orientam suas práticas pelo cuidado e pelo respeito à Mãe Terra. “O próprio Ministério Público precisa repensar a prática antiga de fazer Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), que resultam no recebimento de recursos que também financiam a nossa instituição a partir da degradação e em um momento em que o licenciamento ambiental está capenga e prevalece a lógica do capitalismo. É como se a natureza continuasse a ser vendida”. De acordo com Silva, mecanismos de reparação por prejuízos, a exemplo dos acordos firmados após o rompimento da barragem de Fundão, da Vale, acabam transmitindo a ideia de que o dano pode ser compensado. “Os governos estaduais e federal, ávidos por recursos, acabam aceitando esses acordos e a lógica das empresas se sobrepõe aos direitos da natureza”. Três municípios do Norte de Minas, Porteirinha, Nova Porteirinha e Serranópolis de Minas, aprovaram leis que reconhecem os direitos do Rio Mosquito, fundamental para comunidades rurais da região, afetadas pela seca e por eventos climáticos extremos. As normas preveem, entre outras ações, a criação de um fundo para financiar a proteção do rio. Segundo Aldinei Dias Leão, do Centro de Referência em Direitos Humanos do Norte de Minas, a regulamentação já iniciou a formação de comitês responsáveis por acompanhar essas iniciativas. Bruna Medeiros Bolzani, advogada socioambiental do Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso, afirmou que o debate sobre os direitos da natureza exige uma transformação profunda de paradigmas. “É reconhecer que rios, florestas, biomas e ecossistemas possuem valores, independentemente de sua utilidade para os seres humanos”. Ivo Poletto, articulador nacional e integrante do Grupo Executivo do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, defendeu que a preservação da natureza também passa pela superação de uma lógica colonial e capitalista de pensamento, a qual favorece uma exploração econômica prejudicial ao planeta. Por sua vez, a defensora pública Ana Cláudia Storch destacou, durante o debate, a importância de ir além dos marcos jurídicos atuais relacionados ao tema, especialmente para lidar com as emergências climáticas. “Nosso sistema jurídico não consegue absorver toda a complexidade que envolve esses limites da natureza”.

Governo propõe modelo cívico-militar nas escolas estaduais

O governador Mateus Simões (PSD) enviou, no início deste mês, à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) um projeto de lei para criar o Programa das Escolas Cívico-Militares (PECM) na rede estadual. Atualmente, nove unidades já funcionam neste modelo no Estado. O texto prevê a adesão voluntária, condicionada à aprovação da comunidade escolar em consulta pública. A finalidade do projeto, segundo o governo, é a promoção da educação integral, da disseminação da cultura da paz e da disciplina nas instituições escolares, sem interferência na autonomia pedagógica. Para analisar os impactos da proposta, o Edição do Brasil conversou com a professora e diretora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Angélica Consenza. O que caracteriza, na prática, uma escola cívico-militar dentro da rede pública? Uma escola cívico-militar é uma unidade pública em que a gestão é compartilhada entre educadores e militares. Os professores e diretores são responsáveis pela área pedagógica, e os militares da reserva, como policiais e bombeiros, atuam na gestão administrativa, financeira e disciplinar. Nesse primeiro momento, já há uma cisão, porque dentro de uma instituição, a equipe gestora também realiza o pedagógico. O modelo tem sido expandido em estados como Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Em Minas, a implementação enfrenta entraves jurídicos e resistência da comunidade escolar. Há, inclusive, decisões alternadas entre suspensão e autorização por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) e do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Em que esse formato difere das instituições militares tradicionais, como o Colégio Tiradentes da Polícia Militar? O Colégio Tiradentes é gerido diretamente pela Polícia Militar, a gestão é integralmente militar, e é focado em dependentes dos militares, filhos e parentes. Já a escola cívico-militar está vinculada à Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) e atende a comunidade local com militares atuando na gestão administrativa e disciplinar, enquanto a direção pedagógica permanece com profissionais civis. Há evidências concretas de que escolas cívico-militares melhoram o desempenho dos alunos? Não. Apesar de a SEE-MG, em documentos oficiais, como o memorando nº 187/2025, sustentar que o programa tem se mostrado uma iniciativa promissora, integrando valores cívicos e disciplinares ao projeto pedagógico das escolas, dando destaque às implementações ocorridas em nove instituições que demonstram impactos positivos, não há evidências consistentes baseadas em pesquisa, avaliações nacionais e internacionais, que comprovem a eficácia desse modelo na melhoria da aprendizagem, ou até mesmo na redução de problemas como violência e evasão escolar. O modelo dialoga com as diretrizes da educação pública brasileira? Existem inúmeras denúncias de que as instituições que adotaram esse modelo têm restringido debates importantes para a sociedade na formação de crianças e jovens, como racismo, LGBTQIA+fobia, questões ambientais e direitos humanos. Apesar das escolas cívico-militares seguirem a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), elas estão distantes do currículo efetivamente praticado. Também há relatos de aumento na dificuldade de diálogo entre docentes e discentes, além de prejuízos à participação da comunidade escolar. Todas essas questões representam um grave retrocesso aos princípios da gestão democrática, como pluralismo de ideias pedagógicas, respeito à liberdade e valorização da tolerância, que estão previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Esse projeto possui força para resolver os problemas da educação pública em Minas Gerais? Não. É necessário reafirmar todas as políticas públicas estaduais, além do compromisso com a educação democrática, crítica e inclusiva, que está na nossa Constituição. Os padrões autoritários contradizem frontalmente essa concepção de formação cidadã e crítica que norteia os princípios basilares da legislação educacional e também da própria atuação das faculdades de educação e dos institutos formadores de professores das universidades de Minas Gerais e do Brasil como um todo.