Tradição das quitandas mineiras é destaque no Banquetaço em BH

Foto: ANA/Divulgação

A tradição das quitandas de Minas Gerais ganhará destaque durante um grande encontro gastronômico aberto ao público, marcado para o dia 15 de agosto, na região Central de Belo Horizonte. O Banquetaço 2026 reunirá cozinheiras, integrantes de movimentos sociais, ativistas, entidades comunitárias e representantes da sociedade civil em uma mobilização pela valorização da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) e pela preservação dos costumes alimentares do Estado.

Com o tema “Um Quitandaço”, a edição deste ano pretende reconhecer o papel histórico das quitandeiras e a riqueza dos conhecimentos culinários transmitidos ao longo das gerações. A iniciativa também ressalta a importância dos povos e comunidades tradicionais na manutenção de receitas, técnicas e modos de preparo que ajudaram a construir a identidade gastronômica de Minas Gerais.

Para a nutricionista Cristina Souza, esses saberes representam memória, identidade e resistência cultural. “As práticas alimentares que formaram a gastronomia de Minas Gerais carregam histórias de comunidades, famílias e povos que ajudaram a construir o Estado. Preservá-las é reconhecer esse patrimônio e garantir que ele continue sendo transmitido às próximas gerações”.

Além de valorizar as tradições e práticas alimentares, a iniciativa também busca promover uma reflexão sobre os rumos das políticas públicas de Segurança Alimentar e Nutricional em BH. De acordo com os organizadores, o encontro servirá ainda como um espaço de mobilização e manifestação diante da possibilidade de mudanças na gestão dessa política por parte da Prefeitura, em razão da proposta de transferir a administração da área e das críticas relacionadas à forma como vem sendo conduzido o diálogo com o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional.

Cristina diz que o movimento tem papel estratégico ao aproximar a população das discussões sobre um tema que afeta milhares de pessoas. “A segurança alimentar não envolve apenas ter comida disponível na mesa, mas também garantir acesso contínuo a alimentos de qualidade, produzidos de forma sustentável e respeitando a cultura de cada território. Em uma cidade como Belo Horizonte, que possui uma forte tradição culinária, discutir essas políticas é extremamente fundamental para combater desigualdades e fortalecer redes comunitárias”, ressalta a nutricionaista.

Ela reforça que o fortalecimento de iniciativas como o Banquetaço também contribui para aproximar a população das discussões sobre produção, distribuição e consumo de alimentos. “Quando uma comunidade reconhece o valor dos seus próprios saberes culinários, passa a enxergar a alimentação como um elemento de identidade e também como uma ferramenta de transformação social. A preservação das quitandas mineiras mostra que tradição e políticas públicas podem caminhar juntas na construção de sistemas alimentares mais justos”.

Para o sociólogo André Nascimento, iniciativas como o Banquetaço ajudam a colocar a alimentação no centro das decisões públicas. “Quando a sociedade participa desse debate, também defende direitos básicos e cobra ações permanentes para garantir que ninguém seja privado de uma alimentação adequada. Esses encontros dão visibilidade a problemas que muitas vezes permanecem invisíveis no cotidiano urbano”.

Movimentos coletivos são fundamentais para manter o tema da fome e da insegurança alimentar em evidência no debate público, ressalta Nascimento. “A alimentação é uma questão que envolve direitos, cultura e desenvolvimento. Eventos como o Banquetaço permitem que diferentes vozes participem da discussão e ajudam a lembrar que combater a insegurança alimentar exige ações contínuas, planejamento e compromisso dos governos e da sociedade”.

O Banquetaço foi criado em 2019 como uma mobilização em reação à extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Desde sua criação, a iniciativa tem reunido diversos segmentos da sociedade em defesa do acesso à alimentação adequada como um direito fundamental, da soberania alimentar e do fortalecimento de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da fome.

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