Mostra “Luz, Câmera e Resistência” debate sobre racismo em Venda Nova

Além dos curtas-metragens, haverá rodas de conversa – Foto: Divulgação

A 1ª Mostra “Luz, Câmera e Resistência” promove sessões de cinema seguidas de debates sobre as relações raciais no Brasil. As conversas serão organizadas a partir dos eixos racismo e saúde, racismo e educação, racismo e gênero, e racismo e estética. A ação, gratuita e aberta ao público, será realizada entre os dias 19 e 21 de agosto, no Centro Cultural Venda Nova, em Belo Horizonte.

A programação reúne a exibição de quatro curtas-metragens e rodas de conversa conduzidas por especialistas. A proposta é utilizar o cinema como ferramenta de educação e reflexão, criando um espaço de diálogo entre diferentes gerações, incluindo estudantes do 9º ano, alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e a comunidade local.

A coordenadora do projeto, Elizabeth Rouwe, destaca que o ponto de partida é a preocupação com a banalização do racismo entre a maioria dos adolescentes devido a alguns conteúdos produzidos nas redes sociais. “O Luz, Câmera e Resistência surgiu tanto como um espaço para discutir o tema quanto como um movimento de resistência. Mostrando ao público que, mesmo diante do racismo, resistimos”.

A mostra é mais do que uma exibição de curtas-metragens, ressalta a coordenadora. “É um espaço de educação racial para discutir as diferentes manifestações do racismo e como ele atravessa os corpos negros. O cinema abre caminhos para conversas que muitas vezes são difíceis, mas necessárias”.

“Ele é uma ‘porta mágica’ que encanta com o som, imagem, histórias e personagens. Cada olhar, gesto, sorriso ou lágrima transmite algo para o público. É uma ferramenta pedagógica fundamental para a educação”, acrescenta.

Sessão de filmes

Serão exibidos filmes que abordam diferentes perspectivas sobre identidade, desigualdade racial e resistência. Entre as obras estão: “Kbela”, que traz um olhar sensível sobre a experiência do racismo vivido por mulheres negras; e “Ó do Pupa, Lugar de Resistência”, que aborda questões relacionadas à diáspora africana, violência racial e resistência.

Também será exibido o “Vista a Minha Pele”, que traz um Brasil invertido, onde os lugares de privilégio são ocupados por pessoas negras; e o “Corpo Preto”, filme que debate como o racismo impacta o atendimento em saúde, evidenciando desigualdades no tratamento de pacientes negros.

Participam dos debates a enfermeira obstétrica, mestre em Saúde das Populações pela UFMG e doutoranda em Saúde Coletiva pela Fiocruz Minas, Karina Cristina Rouwe de Souza; a designer, cerimonialista e professora de moda, Maryhn Benedita; a doutoranda em Ciência Política pela UFMG e cofundadora do Instituto GENi – Gênero e Interseccionalidades, Carla Rosário; e a historiadora, professora e doutoranda em História pela UFMG, Aline Cerqueira.

De acordo com Maryhn Benedita, discutir racismo e estética em um evento voltado para estudantes e a comunidade é relevante porque ajuda a combater preconceitos e a valorizar a diversidade. “Esse debate promove a conscientização sobre os impactos do racismo, fortalece a autoestima das pessoas negras e colabora para a construção de uma convivência mais inclusiva, respeitosa e igualitária”.

A moda pode contribuir para o enfrentamento do racismo ao valorizar a diversidade, combater estereótipos e dar visibilidade às culturas e identidades negras de forma respeitosa, afirma Maryhn. “É importante que marcas promovam inclusão em campanhas, cargos de liderança e processos criativos, garantindo representatividade real e combatendo a discriminação no setor”.

Para Elizabeth, é preciso que projetos como o “Luz, Câmera e Resistência” continuem atuando em diálogo com a sociedade. “Trazendo discussões raciais, ou de outros temas tão importantes quanto, para que se torne uma rotina cultural e educacional neste território e em outros”.

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