
Entre os dias 19 e 30 de agosto, a Praça Raul Soares, em Belo Horizonte, será palco do CURA – Festival de Arte Urbana. Depois de cinco anos de ocupação, o evento se despede do local, onde construiu um dos principais conjuntos de arte pública a céu aberto do país.
As pinturas começam em 19 de agosto e poderão ser acompanhadas pelo público diretamente da praça. A programação será realizada de 26 a 30 de agosto, com atrações que unem arte, música, esporte e convivência, incluindo o highline entre os prédios do hipercentro. A programação completa e os nomes dos artistas serão divulgados ainda em agosto.
O tema deste ano, “Descansar Enquanto”, propõe uma reflexão sobre o descanso como direito e posicionamento diante de uma sociedade marcada pelo excesso de estímulos, informações e urgências. A ideia é tratar o descanso não apenas como uma pausa, mas como uma forma de resistência às estruturas que produzem exaustão e afetam de maneira desigual diferentes grupos sociais.
A escolha também está relacionada à própria trajetória do CURA na Raul Soares. Para a idealizadora do festival, Priscila Amoni, a presença prolongada no local permitiu construir uma relação que vai além da realização de um evento. Segundo ela, a atuação do projeto contribuiu para chamar a atenção para as necessidades da praça e estimular mudanças no entorno.
“Acho que é muito visível a transformação que causa um festival estar presente em um território da forma que a gente está. Aconteceu isso na Rua Sapucaí, conseguimos enxergar com muita nitidez quando tem um projeto cultural atuando em um território de forma mais profunda do que simplesmente um evento”.
Priscila destaca que o festival passou também a solicitar melhorias para a praça, como áreas de lazer, arborização e mobiliário urbano. “A gente reivindica as falhas do poder público naquele ponto, o CURA está pedindo que ali seja usado como um parque com mais árvores e mobiliário urbano”.
Na avaliação da idealizadora, os efeitos da ocupação podem ser percebidos também na movimentação do entorno. “Nós percebemos que desde a chegada do CURA, multiplicou o número de estabelecimentos e a movimentação cultural na Raul Soares. Vemos que o poder público está olhando ali”.
Curadoria coletiva
Outra novidade de 2026 é a construção do conceito da edição por uma Comissão Criativa, formada por artistas, pesquisadores, produtores e agentes culturais que atuam em Belo Horizonte, com participação da curadora convidada Luciara Ribeiro.
Segundo Priscila, a iniciativa representa uma ampliação de um processo de democratização que o festival desenvolve desde suas primeiras edições. “Buscamos horizontalizar os processos e trazer a diversidade desde o início. A gente traz mesas de conversa sobre o que a cidade estava reivindicando. Depois, trouxemos isso para a seleção de artistas”.
“O diferencial da Comissão Criativa é que isso se amplia radicalmente. Selecionamos 10 pessoas que estão pensando a cidade em diversos setores culturais e colocamos nessa comissão, que propôs o que o CURA vai debater este ano. Isso é um ato democrático radical de trazer escuta ao que a cidade tem a dizer”, complementa.
Uma etapa na trajetória
Embora seja a última edição na Raul Soares, Priscila não trata a saída como o fim da relação com o território. Para ela, o festival segue acompanhando as demandas da capital e poderá ocupar diferentes espaços ao longo de sua trajetória. “O CURA é muito mais do que um evento, é um projeto que deixa legado, transforma a paisagem, deixa obras de arte em grande escala na cidade, interfere no turismo e valoriza um território para ter movimentação turística e cultural ali”, conclui.