Minas Novas aposta em trilha turística para impulsionar economia da localidade

Iniciativa cria passeio pelo centro histórico do município – Foto: Filipe Gutfraind

Com um percurso estruturado de 1,7 quilômetro, a cidade de Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, implementou o projeto “Trilha do Patrimônio Minas Novas – Novas Descobertas”, que conduz os turistas por igrejas barrocas, casarões coloniais, monumentos e espaços culturais do município, com o intuito de impulsionar a economia local.

Criado para ser feito de forma autoguiada, com apoio de guia digital ou audioguias, a trilha orienta o visitante a conhecer, além dos pontos históricos, a gastronomia local, a produção do artesanato em cerâmica e o comércio. A visita pode durar entre três e quatro horas.

A Trilha do Patrimônio reúne 31 atrativos: sete templos religiosos, nove instituições públicas, sete prédios comerciais, quatro residências históricas, cinco logradouros e monumentos, além de um patrimônio natural. Dois contam com proteção federal, o Sobradão e a Capela São José de Botas, dois com proteção estadual e 16 com proteção municipal.

Já na parte da gastronomia, as quitandas de Minas Novas figuram entre os atrativos para quem passa pela cidade. São a expressão viva de uma cultura que resiste há quase três séculos, transmitida de cozinha em cozinha, por mulheres que guardam em suas receitas a memória de um território inteiro.

Por meio do Programa Prepara Gastronomia, o Sebrae Minas está documentando receitas, capacitando quitandeiras em gestão e boas práticas de produção e construindo um dossiê de patrimonialização para o reconhecimento formal desse saber como patrimônio imaterial.

O conteúdo sobre os pontos do percurso está disponível gratuitamente em duas plataformas: em formato de guia digital para leitura, no site pedraspreciosas.tur.br/minas-novas, e no Spotify, em áudio.

Turismo de experiência

A iniciativa do Sebrae Minas, em parceria com a Prefeitura Municipal, nasceu de um trabalho técnico conduzido por uma equipe de profissionais especializados em patrimônio e turismo, que realizou visita de imersão na cidade para mapear o roteiro.

O analista da entidade mineira, Julian Silva, ressalta que a Trilha do Patrimônio é uma resposta direta a uma mudança de comportamento do turista contemporâneo, que busca cada vez menos o consumo passivo de atrativos e cada vez mais o envolvimento ativo.

“O percurso, onde a caminhada em si toma apenas meia hora, e todo o restante é dedicado às paradas, leituras e descobertas, foi desenhado exatamente para esse perfil. Não é um roteiro de visitação rápida, mas um convite à imersão”.

“Ao caminhar pelas mesmas ruas que testemunharam o Ciclo do Ouro, provar as quitandas centenárias e conhecer de perto o artesanato em cerâmica, o visitante não apenas observa o município, ele vivencia o território, o que está plenamente alinhado à tendência nacional de valorização do turismo de experiência”, complementa.

Economia local

O prefeito do município, Alessandro Mota, destaca que a integração de turismo e cultura às ações de desenvolvimento é essencial para fortalecer os setores comerciais. “Minas Novas tem potencial, mas precisamos conectar todas essas preciosidades”.

“Estamos falando de um território singular que carrega uma riqueza cultural que poucos lugares do Brasil podem ter: artesanato reconhecido internacionalmente, gastronomia enraizada, paisagens naturais, patrimônio histórico, e comunidades que guardam tradições vivas”, acrescenta.

O objetivo central do Sebrae Minas é transformar o fluxo turístico em renda para os pequenos negócios do entorno, esclarece Silva. “A cidade já recebe visitantes pontualmente, o que o projeto faz é dar estrutura e permanência a esse interesse, prolongando a estadia do turista e ampliando as oportunidades de consumo”.

O analista afirma ainda que a expectativa é que o programa consolide Minas Novas no mapa do turismo histórico e cultural do estado. “Esperamos a maturação de um ecossistema local de pequenos negócios. Que iniciativas como o dossiê de patrimonialização das quitandas avancem até a identificação formal como patrimônio imaterial, e que o reconhecimento já internacional do artesanato em cerâmica local ganhe ainda mais projeção”, finaliza.

Compartilhe

Em destaque