Turismo rural aumenta a renda de produtores em até 30% no Estado

O turismo rural tem impulsionado a renda de produtores em Minas Gerais, com aumento de até 30% em algumas propriedades que abriram as portas para visitantes. Experiências com queijos, cafés, doces e cachaças têm atraído turistas e transformado atividades tradicionais do campo em novos negócios. Atualmente, são 266 propriedades abertas ao turismo. Em 2025, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) realizou cerca de 3,4 mil atendimentos a produtores que investem no segmento, com presença em diferentes regiões, como Norte, Sul e Noroeste do Estado. A coordenadora técnica de Turismo Rural da Emater-MG, Thatiana Garcia, destaca que a atividade começou a crescer no pós-pandemia. “As pessoas começaram a querer entender mais sobre a produção de alimentos, e também ter uma vivência no local. Temos produtores que já vivem exclusivamente do turismo. Eles não vendem mais produtos para terceiros, e para adquiri-los, é preciso ir até a propriedade”. Em Ritápolis, no Campo das Vertentes, a Queijaria Seu Jorge transformou o dia a dia da produção em uma atração turística. Administrado por sete mulheres da mesma família, o local recebe visitantes interessados em conhecer o processo de fabricação. “O turista chega da cidade grande com muitas expectativas, e é uma troca interessante. Ele pode acompanhar a ordenha, ver como o queijo é feito, para depois saboreá-lo com café”, conta a proprietária Vera Lúcia Cardoso. Já em São João del-Rei, a Cachaça Morro Grande abriu o alambique à visitação e passou a integrar o roteiro turístico da região. Com produção anual entre 15 mil e 20 mil litros, o produtor José do Carmo Rezende explica que o turista vai ver todo o processo de fabricação da cachaça. “Desde o plantio e a moagem, até a degustação. Isso ajuda a valorizar a bebida e aumentar ainda mais as vendas”. Thatiana acrescenta que o turismo rural não se limita à produção de itens como queijo e cachaça, há outras atividades. “O ecoturismo, visitas em comunidades tradicionais, como quilombolas, indígena e ribeirinhos, além das propriedades de produtos orgânicos”. Acreditar no potencial A técnica ressalta que existem duas principais dificuldades dos produtores para exercer esse tipo de atividade em suas propriedades. “Eles precisam acreditar em seu potencial. É necessário compreender que os turistas querem visitar e vivenciar essas experiências. A partir disso, aparece o segundo obstáculo, que é a precificação. Muitos ainda não conseguem entender que as pessoas pagam para ir nas propriedades rurais e valorizam esse tipo de turismo”. Ela afirma ainda que a Emater ajuda na capacitação dos produtores. “Mas, também na orientação dos profissionais que trabalham diretamente nos escritórios locais da instituição. Fazemos um diagnóstico para entender se aquela propriedade consegue ou não receber visitantes, o que precisa desenvolver e qual é o desejo do produtor. A metodologia mais utilizada pelos extensionistas é do ouvir, de ver o que aquele empreendedor quer, como vai vivenciar e o que ele quer fazer”. “As nossas expectativas sobre o turismo rural são as melhores e maiores possíveis. Acreditamos que esse crescimento faça movimentar cada vez mais o segmento externamente e internamente. A atividade traz uma valorização do município. Queremos desenvolver esse setor para que cresça cada dia mais e prevaleça mais forte”, complementa. A partir de maio, será aberta a atualização para a 4ª edição do catálogo Ruralidade Viva, que é uma iniciativa para dar mais visibilidade aos trabalhos desses produtores. As pessoas que tiverem interesse, é só procurar o escritório da Emater, conversar com o técnico e fazer o cadastro. A entidade auxilia todos, desde quem está começando até aquele que já está no mercado. “Estamos abertos para fazer o atendimento a todos que se interessarem em trabalhar com turismo rural”, finaliza Thatiana.
Belo Horizonte registra mais de 13 mil acidentes no início de 2026

Belo Horizonte contabilizou mais de 13 mil ocorrências de trânsito apenas nos dois primeiros meses de 2026. De acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a Avenida Cristiano Machado, um dos principais eixos viários da capital, passou a liderar o ranking de acidentes e fatalidades. Com extensão de 11,7 km, a via registrou 596 colisões, cerca de 10 por dia, e três mortes, ultrapassando o Anel Rodoviário, que teve 519 acidentes e um óbito ao longo de seus 22 km, mesmo sendo historicamente o trecho com maiores índices na cidade. Além disso, os registros de combinação entre consumo de álcool e direção seguem em patamar elevado. Em Minas Gerais, foram contabilizadas 546 ocorrências desse tipo, das quais 253 envolveram ao menos uma vítima. Em Belo Horizonte, a capital do estado, houve 47 registros relacionados a essa situação. O cenário na Cristiano Machado é resultado de uma combinação de fatores estruturais, comportamentais e de planejamento urbano. O especialista em segurança viária e trânsito, José Carlos Souza, explica que a via concentra características que aumentam significativamente o risco de acidentes. “A Cristiano Machado funciona como um corredor híbrido: ao mesmo tempo em que é via de trânsito rápido, ela também está inserida em uma área urbana densa, com cruzamentos frequentes, acessos comerciais e grande circulação de pedestres. Essa mistura eleva o conflito viário e reduz a previsibilidade do tráfego”. Segundo Souza, outro ponto crítico é a alta taxa de variação de velocidade ao longo do trecho. “O motorista sai de um segmento de fluxo livre e rapidamente encontra semáforos, entradas de bairros e pontos de ônibus. Essa alternância exige uma atenção constante que nem sempre é respeitada, o que contribui para colisões traseiras e laterais”. A urbanista Fernanda Bastos acrescenta que o desenho urbano da avenida também influencia diretamente os índices elevados de acidentes. “A Cristiano Machado foi estruturada para priorizar a fluidez dos veículos, mas não acompanhou de forma adequada o crescimento populacional e a expansão de atividades comerciais ao longo do seu eixo. Hoje, há uma disputa intensa entre carros, ônibus, motocicletas e pedestres, sem que a infraestrutura tenha sido totalmente adaptada para isso”. Diante do cenário, especialistas defendem que a redução dos acidentes depende de um conjunto integrado de políticas públicas. Entre as medidas mais citadas está o reforço na fiscalização eletrônica e presencial, especialmente em vias de alto fluxo como a Cristiano Machado e o Anel Rodoviário. “A fiscalização precisa ser constante e inteligente, com uso de dados em tempo real para identificar pontos críticos e horários de maior risco”, afirma Souza. No campo da prevenção ao consumo de álcool associado à direção, o especialista defende campanhas educativas contínuas e ações integradas com bares, restaurantes e aplicativos de transporte. “A conscientização precisa ser permanente, não apenas em datas comemorativas. Além disso, políticas que incentivem alternativas seguras de deslocamento após o consumo de álcool são fundamentais para reduzir esse tipo de ocorrência”. Outra estratégia apontada por Fernanda é a requalificação urbana da avenida, com foco na redução de conflitos entre diferentes modais de transporte. Isso inclui a criação de travessias mais seguras para pedestres, reorganização de acessos, melhorias na sinalização e revisão dos limites de velocidade em trechos específicos. “Não basta apenas punir o comportamento inadequado. É necessário redesenhar o espaço urbano para que ele induza comportamentos mais seguros”.
Projeto social utiliza pedrinhas para apoiar as crianças com autismo

Em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma ação do Projeto CASA (Cultura, Assistência Social e Atividades Esportivas) tem se consolidado como exemplo de impacto social ao utilizar pedrinhas sensoriais artesanais para auxiliar na regulação emocional de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). A proposta surgiu no Polo 20 do projeto, dentro de uma oficina de biscuit, e rapidamente ganhou novos significados. Produzidas pelas próprias participantes, as pedrinhas passaram a ser utilizadas como recurso terapêutico, ajudando no foco e no controle das emoções, especialmente em ambientes com excesso de estímulos. Conforme explica a coordenadora de projetos do Instituto Ramacrisna, Aline Fauez, a iniciativa nasceu da escuta ativa da comunidade. “Identificamos uma demanda significativa de crianças com autismo e TDAH e buscamos alternativas que pudessem contribuir no dia a dia. A produção de itens sensoriais foi uma forma prática de integrar inclusão à proposta do projeto”. A ação foi ampliada para outras oficinas e passou a envolver mais participantes, fortalecendo o engajamento coletivo. Segundo Aline, os impactos são percebidos diretamente pelas famílias. “Nosso principal indicador é a escuta contínua. Os relatos mostram melhora no comportamento, no bem-estar e até na interação social das crianças”. Um desses relatos é o de Rayane Clisma, de 28 anos, que acompanha de perto os efeitos da iniciativa no cotidiano do filho, Alan Gabriel, de 7 anos. “A pedrinha realmente o acalma, é visível a diferença quando ele a utiliza. Um dia esqueceu o objeto em casa e ficou muito mais agitado na escola. Depois disso, a própria coordenação sugeriu que ele tivesse uma pedrinha na mochila. Como mãe, tem sido uma experiência excelente”. Do ponto de vista clínico, a psicóloga Jéssica Tauane esclarece que o uso de objetos sensoriais é um recurso importante no apoio à regulação emocional. “Pessoas com TEA podem ter maior sensibilidade a estímulos, como texturas. As pedrinhas funcionam como um ponto de foco, ajudando o corpo e a mente a se organizarem melhor e favorecendo a sensação de calma”. Ela ressalta ainda que o benefício não se limita ao autismo. “Esses recursos também podem ajudar pessoas com ansiedade, reduzindo a tensão, e indivíduos com TDAH, auxiliando na concentração ao canalizar a inquietação. Apesar dos resultados positivos, o uso das pedrinhas deve ser complementar. São ferramentas de apoio que contribuem no dia a dia, mas não substituem o acompanhamento profissional”, pontua. Para Aline Fauez, o diferencial da iniciativa está na transformação de uma atividade simples em solução concreta. “Quando uma oficina passa a ter também uma função terapêutica, ampliamos o impacto social, fortalecemos vínculos e promovemos pertencimento”. Sobre a ação realizada pelo Instituto Ramacrisna em parceria com a Prefeitura de Betim, o Projeto CASA oferece atividades gratuitas nas áreas de esporte, cultura e educação. A iniciativa busca promover desenvolvimento social e ampliar oportunidades nas comunidades atendidas. A experiência com as pedrinhas sensoriais mostra que, com escuta e criatividade, ações simples podem gerar mudanças significativas, não apenas para quem participa diretamente, mas também para suas famílias.
Artesanato da Mantiqueira fortalece a identidade cultural em Delfim Moreira

Nas montanhas da Serra da Mantiqueira, em Delfim Moreira, no Sul de Minas, está localizada a Associação Cultural de Artistas e Artesãos de Delfim Moreira (Academ), conhecida como Grimpeiros, que reúne 12 artesãos. O grupo começou a se estruturar entre 2021 e 2022, a partir da percepção de que muitos artesãos do município atuavam de forma isolada. A trajetória dos Grimpeiros é marcada por ações de capacitação e acompanhamento promovidas pelo Sebrae Minas, em parceria com a Prefeitura. A partir dessas iniciativas, os artesãos passaram a participar de feiras do setor e missões técnicas. Atualmente, o grupo recebe uma consultoria de governança, voltada ao fortalecimento da gestão da associação e na consolidação do trabalho coletivo. Um dos marcos da trajetória da Academ ocorreu em dezembro de 2025, com a inauguração de uma loja coletiva na antiga estação ferroviária da cidade. O espaço se tornou vitrine permanente para a produção artesanal local e um novo ponto de valorização da cultura do município. A associação produz peças como crochê, tricô, bordados, biscuit e artesanato religioso. A analista de negócios do Sebrae Minas, Andressa Paes, explica que a instituição começou a atuar na região em 2021. “Com um trabalho inicial de sensibilização do território, voltado para identificar e desenvolver as vocações econômicas locais. Já em 2022, demos início a esse processo de forma mais estruturada, com a realização do Curso Cultcoop, que teve como objetivo trabalhar a cultura da cooperação entre os artesãos”. Andressa afirma que o artesanato tem um impacto importante na economia de Delfim Moreira, atuando como um vetor de desenvolvimento local. “A atividade tem um papel fundamental, pois vai muito além da produção de objetos decorativos ou utilitários. Ele representa a história, a cultura e o modo de vida dessa população”. “Muitas peças são produzidas com técnicas tradicionais. Esses saberes carregam influências dos antepassados e mantêm vivas as tradições da região. Além disso, o artesanato fortalece a identidade da comunidade, pois reflete características próprias da cidade, como os materiais utilizados, os estilos e os temas das peças”, acrescenta. Desafios Entre os utensílios produzidos estão trabalhos em cestaria com fibra de bananeira, costura criativa, sabonetes e velas artesanais, artigos em madeira e objetos decorativos feitos com elementos naturais, como pinhas e cabaças. A Academ também desenvolveu a Coleção Araucária, criada a partir de um processo de design voltado ao artesanato. Inspiradas na paisagem da Mantiqueira, as peças incorporam símbolos da região, como o pinhão, o sol surgindo entre as montanhas e a araucária. O artesão Tom Rainer, 40 anos, conta que cada peça carrega um exemplar original da história de Delfim Moreira. “Da cultura local e de uma identidade única que o povo mineiro possui. É um trabalho que reflete tradições passadas de geração em geração, feito pelas mãos de pessoas que realmente amam o que fazem”. Rainer faz crochê, e desde 2025, é um associado da Academ. “Esse é um espaço onde consigo desenvolver e mostrar meu trabalho, expandir minha rede de contatos e conhecer pessoas novas e incríveis, de diferentes gerações, histórias e posições. Apesar das diferenças, todos compartilham algo muito forte em comum: o amor pelo artesanato”. Um dos principais obstáculos para esses profissionais é a baixa visibilidade fora da região, ressalta Andressa. “Muitos artesãos são reconhecidos apenas localmente, o que dificulta alcançar novos públicos em outras cidades, estados ou até no meio digital. Sem divulgação adequada, seus produtos acabam não sendo conhecidos por potenciais clientes”. “Outro desafio importante é a necessidade de profissionalização, especialmente nas áreas de gestão e marketing. Além disso, há as dificuldades de acesso a canais de venda maiores, como lojas especializadas, feiras nacionais, marketplaces e exportação. Entrar nesses espaços geralmente exige padronização, escala de produção, documentação e estratégias comerciais que nem sempre estão ao alcance dos pequenos produtores. Nesse contexto, o apoio de instituições como o Sebrae é fundamental”, finaliza.
BH é reconhecida como “Cidade Árvore do Mundo” pelo terceiro ano seguido

Pelo terceiro ano seguido, Belo Horizonte foi reconhecida como “Cidade Árvore do Mundo” devido às diversas iniciativas ambientais implementadas recentemente. A capital permanece entre os municípios premiados pela Arbor Day Foundation e pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), que atualmente inclui 283 cidades em 24 países. Em 2025, Belo Horizonte realizou mais de 50 mil plantios e lançou o Plano Municipal de Arborização Urbana (PMAU), desenvolvido com a participação da sociedade civil. O programa busca expandir e preservar a cobertura arbórea de forma planejada, combinando ações imediatas e estratégias de longo prazo, com manejo adequado, monitoramento constante e priorização de áreas estratégicas. Para 2026, a meta é repetir o volume de plantios alcançado no ano anterior. Para que uma cidade seja reconhecida, é necessário cumprir cinco critérios: possuir equipe técnica e servidores designados para gestão das árvores urbanas; manter políticas e regulamentações ambientais locais; ter mapeamento e conhecimento detalhado do patrimônio arbóreo; garantir recursos financeiros para o manejo; e promover datas ou eventos voltados à celebração das árvores. “Ser reconhecida como ‘Cidade Árvore do Mundo’ vai além de um selo ambiental. Significa compromisso com a qualidade de vida, sustentabilidade urbana e resiliência frente às mudanças climáticas. Árvores reduzem a poluição do ar, baixam a temperatura urbana e proporcionam sombra e bem-estar à população. Não se trata apenas de plantar árvores, trata-se de integrar a vegetação ao tecido urbano de forma planejada, garantindo sombra, qualidade do ar e absorção de água da chuva”, afirma a urbanista Michele Silveira. O impacto desse trabalho é sentido no cotidiano da população. Ela explica que árvores nas ruas e parques contribuem para a redução das temperaturas urbanas, atuando como “ares-condicionados naturais”; melhoram a qualidade do ar ao filtrar poluentes e partículas suspensas; contribuem para a gestão de águas pluviais, reduzindo alagamentos e erosão; além de proporcionar espaços de convivência mais agradáveis. “Quando caminhamos sob árvores, sentimos imediatamente um ambiente mais acolhedor e saudável. Isso influencia desde a nossa saúde física até o bem-estar psicológico”. Apesar dos avanços, o paisagista Leonardo Magalhães aponta desafios e áreas que demandam melhorias e investimentos mais robustos. Um dos pontos críticos é a manutenção e longevidade das árvores já plantadas, especialmente em bairros periféricos onde serviços públicos de poda, irrigação e cuidado mais intensivo ainda são insuficientes. “O grande obstáculo não é só plantar, mas garantir que essas árvores cresçam e cumpram seu papel por décadas, isso exige não apenas recursos, mas também uma gestão integrada entre secretarias, sociedade civil e comunidades locais”. Outro ponto de atenção é a desigualdade na distribuição da arborização pela cidade. Zonas centrais e bairros de maior poder aquisitivo tendem a ser mais arborizados, enquanto áreas periféricas ainda carecem de cobertura vegetal adequada, deixando seus moradores mais expostos ao calor e com menor acesso aos benefícios ambientais. Ele ressalta a importância de que a Prefeitura invista em projetos que priorizem essas regiões. A educação ambiental também aparece como um campo a ser fortalecido. “Embora a gestão já promova projetos de conscientização, muitos cidadãos ainda desconhecem aspectos importantes sobre o ciclo de vida das árvores, espécies adequadas a cada tipo de solo e clima, ou os cuidados durante períodos de seca ou fortes ventos”, explica Magalhães.
“Projeto Pega a Visão” proporciona inclusão cultural em Belo Horizonte

Entre abril e junho de 2026, o bairro São Geraldo, na região Leste de Belo Horizonte, se transformará em um polo de formação artística gratuita voltado a jovens da rede pública da capital. O projeto “Pega a Visão: Atividades de Formação e Reflexão”, será realizado no Espaço Cultural Suelly Freire, aposta na arte como ferramenta de pertencimento, identidade e transformação social. A iniciativa oferecerá oficinas de Contação de História, Dança Afro, Danças Urbanas, Passinho de BH, Rima e Trança Afro. Os interessados deverão preencher um formulário on-line no Instagram @sfcultural até o dia 27 de março. Segundo o gestor do espaço e idealizador do projeto, Leonard Henrique, a escolha das linguagens parte da vivência real dos jovens. “Ao sair de casa, um jovem sempre vai encontrar um cabelo trançado, dançarinos debaixo do viaduto, uma batalha de slam. O especial é quando a gente pega o que é do cotidiano e leva para outro espaço, possibilitando o desenvolvimento dessas técnicas”. A ideia central do projeto está ancorada em dois pilares: experimentação e pertencimento. Leonard Henrique explica que ao transformar manifestações culturais em objeto de estudo, o projeto busca fortalecer a autoestima e a identidade dos participantes. “Quando a gente conta a história e a grandeza dessas atividades, desperta o pertencimento do jovem periférico”. Outro ponto relevante é o enfrentamento do preconceito que ainda cerca essas expressões culturais. Ele destaca que mesmo presentes no cotidiano, muitas dessas práticas não são reconhecidas como formas legítimas de arte. “Grande parte dos jovens veem, mas não têm acesso ou até têm preconceito com essas atividades. Quando experimentam e aprendem, passam a se apropriar da própria cultura, sem achar que ela é menor”. Voltado prioritariamente para estudantes do ensino fundamental, médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede pública, o projeto aposta no potencial criativo desses jovens. Para o gestor, esse público representa uma força artística ainda pouco explorada. “Ali está uma usina criativa. Quando a gente oferece ferramentas e pertencimento, surgem artistas periféricos muito potentes”. A escolha dos oficineiros também seguiu essa lógica de valorização de trajetórias ligadas aos territórios. O processo envolveu aproximação e diálogo com artistas reconhecidos em suas áreas, reforçando a proposta de construir uma formação ainda mais conectada com a realidade local. Ao todo, cerca de 120 jovens devem participar das atividades ao longo dos três meses. Para Leonard Henrique, o impacto vai além do aprendizado individual. “Dizem que uma andorinha não faz verão. Mas 120 pessoas pensando em arte já começam a fazer um movimento na periferia. A gente começa uma pequena revolução cultural”. O projeto será concluído em julho, com a Mostra “Pega a Visão”, aberta ao público. O evento vai apresentar os percursos criativos desenvolvidos pelos participantes e reforçar a ideia de que a formação artística, quando pensada a partir das periferias, pode ser um instrumento de autonomia e reescrita de narrativas.
Juiz de Fora é a terceira cidade com maior área urbanizada em declive

Com 65 mortes decorrentes das últimas chuvas, Juiz de Fora, localizada na Zona da Mata mineira, é a terceira cidade brasileira com maior área urbanizada em declive. Em 2024, o município tinha 1.256 hectares construídos onde a inclinação representa risco maior de deslizamento, segundo o Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil. Minas Gerais é o Estado brasileiro com a maior área urbanizada em alta declividade, ou seja, construída em encostas íngremes que oferecem risco aos moradores. Há quase 14,5 mil hectares de área com pessoas vivendo em locais de risco, e as fortes chuvas de fevereiro deixaram, no total, 72 mortes. Nas últimas quatro décadas, as áreas urbanas no Brasil cresceram 2,5 vezes, passando de 1,8 milhão de hectares, em 1985, para 4,5 milhões em 2024, ou 0,5% do território nacional, um aumento de cerca de 70 mil hectares ao ano. Já as áreas urbanizadas em altas declividades avançaram mais de três vezes no período. Em 1985, eram 14 mil hectares; em 2024, 43,4 mil. Desse total, 40,5 mil hectares estão em áreas urbanas da Mata Atlântica. Em 1985, os municípios com mais áreas urbanizadas em regiões de alta declividade eram Rio de Janeiro (1,16 mil hectares), Belo Horizonte (900 hectares) e São Paulo (730 hectares). Em 2024, a liderança continuou com o Rio de Janeiro (1,7 mil), porém, São Paulo assumiu a vice-liderança (1,5 mil) e Juiz de Fora subiu para a terceira posição, à frente de Belo Horizonte (1,2 mil). “O processo de urbanização de Minas Gerais desafia permanentemente a geografia. O avanço das construções sobre relevos acentuados é um padrão muito forte na Zona da Mata, onde se localiza Juiz de Fora. Embora seja uma cidade média, hoje já é o terceiro município do país com maior ocupação urbana em áreas de encostas e risco potencial”, destaca Talita Micheleti, da equipe de mapeamento de áreas urbanizadas do MapBiomas. O professor de Engenharia Ambiental e Sanitária, e Civil do Centro Universitário das Faculdades Metropolitana Unidas (FMU), Guillermo Ruperto Martín Cortés, explica que a urbanização em encostas íngremes, se for devidamente planejada e efetuada, não deve oferecer riscos à segurança nem ao ambiente. “O grave problema se encontra na falta de controle administrativo e diretrizes sobre requisitos mínimos para ter autorização de construção”. “Em princípio, da mesma maneira que as autoridades governamentais exigem o licenciamento ambiental para a execução de qualquer projeto econômico-industrial, a administração municipal deveria supervisionar de maneira efetiva o uso dos solos, exigir laudos geotécnicos dos lotes a serem construídos e a capacitação técnica dos possíveis construtores. Do contrário, os efeitos conhecidos de todos, são desmoronamentos, quedas de barreira e fatalidades com as consequências naturais na alteração do relevo da região”, afirma o professor. Favelas O estudo calculou também a área de favelas que se encontram em terrenos com alta declividade. Eram 2.266 hectares em 1985 e passou para 5.704 em 2024, um aumento de mais de 150%. O Rio de Janeiro lidera, com 1.730 hectares, seguido por São Paulo (1.061) e Minas Gerais (1.057). Para Cortés, o maior problema das grandes urbes é poder prever e planejar o crescimento populacional com vistas a satisfazer a demanda dos serviços básicos à população. “Como energia, água, saúde, comunicação, transporte, ensino e segurança. A essas adversidades são somadas a necessidade de controlar ou regular a ocupação em áreas de risco”. Os governos devem dispor de uma secretaria especial de urbanização, ressalta o docente. “Com engenheiros civis e ambientais que supervisionam constantemente o crescimento construtivo do município e do Estado. Estes especialistas carecem elaborar periodicamente, pelo menos de maneira anual, relatórios sobre a situação construtiva em relação com os dados técnicos”. Ele salienta ainda que a elaboração de planos construtivos de novas moradias e a sua efetivação, por parte dos governos municipais e estaduais, seria uma contribuição muito forte para diminuir esses problemas e a tendência de construção irregular em áreas de alto risco.
32 novos radares de velocidade entraram em operação na capital

Com a entrada em funcionamento de 32 novos radares na semana passada, Belo Horizonte passou a contar com 146 equipamentos de monitoramento eletrônico ativos em 2026. Isso significa que, em média, a prefeitura colocou em operação cerca de 2,5 dispositivos por dia este ano. A maioria dos aparelhos instalados substitui antigos equipamentos, cujos contratos expiraram recentemente. Ainda assim, alguns locais passam a contar com fiscalização eletrônica pela primeira vez. Desde o fim de fevereiro, a Prefeitura de Belo Horizonte deixou de informar individualmente a data de início de funcionamento de cada novo radar. A administração municipal passou a reunir todos os equipamentos em uma planilha única. Antes, os dispositivos recém-instalados eram divulgados em uma página específica destinada a esse fim. Os últimos conjuntos de radares ativados neste ano haviam sido anunciados no encerramento de janeiro e também no fim de fevereiro. Já em março, a comunicação ocorreu logo no terceiro dia do mês. Embora a relação oficial aponte 146 aparelhos, esse número não corresponde, necessariamente, a 146 locais distintos de fiscalização. Isso porque há casos em que mais de um equipamento está instalado no mesmo endereço, sendo contabilizados separadamente conforme a faixa monitorada. Em alguns trechos do Anel Rodoviário, por exemplo, existem vários radares em um único ponto para acompanhar diferentes faixas ou sentidos de tráfego. Na prática, portanto, o total de dispositivos em operação pode não coincidir com a quantidade de pontos diferentes onde os condutores notarão a presença da fiscalização eletrônica. Segundo o engenheiro de trânsito, Marcos Albuquerque, os radares desempenham um papel fundamental na redução de acidentes e na conscientização dos motoristas sobre os limites de velocidade. “A instalação de radares não deve ser vista apenas como um instrumento de arrecadação de multas, mas como uma ferramenta preventiva. Quando bem posicionados, esses dispositivos ajudam a disciplinar o tráfego, evitam ultrapassagens perigosas e diminuem o número de acidentes graves em corredores críticos da cidade”. Além de contribuir para a segurança, os radares também têm potencial para melhorar a mobilidade urbana. “A fiscalização eletrônica cria um efeito de moderação de velocidade, o que ajuda a reduzir o congestionamento e permite que os veículos circulem de forma mais uniforme, diminuindo o risco de acidentes por freadas bruscas ou mudanças de faixa repentinas”. Ainda conforme Albuquerque, o planejamento da instalação dos radares deve considerar não apenas o volume de tráfego, mas também o histórico de acidentes e os pontos de maior risco, o que garante que o investimento seja direcionado de forma estratégica. Já o especialista em segurança viária, Roberto Lima, aponta que a simples presença de radares não garante uma redução significativa nos acidentes ou na velocidade média do tráfego. É necessário que haja educação para o trânsito, fiscalização complementar e planejamento urbano adequado. “Os radares funcionam como uma ferramenta de apoio, não como solução isolada. Eles são mais eficazes quando combinados com medidas como lombadas eletrônicas, campanhas de conscientização e fiscalização móvel em trechos estratégicos”. A percepção dos motoristas em relação aos radares também é um ponto importante. Muitos condutores reconhecem a importância dos equipamentos, mas ainda veem a fiscalização como punitiva. “É natural que haja resistência no início, mas com o tempo, percebe-se que os radares contribuem para um trânsito mais seguro e previsível. O desafio é equilibrar a necessidade de segurança com a sensação de que a fiscalização é justa e transparente”, explica Lima.
Santa Rita do Sapucaí sedia maior competição nacional de robótica

Entre os dias 6 e 8 de março, o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) realiza, em Santa Rita do Sapucaí (MG), a 10ª edição da IronCup (Inatel Robotics National Cup), considerada a maior competição de robótica de Minas Gerais e a única do país com 15 categorias em disputa. O evento reúne mais de 600 competidores e cerca de 500 robôs inscritos, considerado um recorde. Os interessados podem se inscrever no endereço inatel.br/ironcup. Para o coordenador da competição, Alexandre Baratella, a dimensão alcançada ao longo da década. “Começamos em 2017 com cerca de 70 pessoas e poucas equipes de fora. Hoje são mais de 600 competidores e quase 500 robôs. Se considerar o número de categorias, é a maior competição do Brasil”. O crescimento acima de 10% em relação ao ano passado reflete a consolidação do evento no cenário nacional, pontua Baratella. “O aumento no número de robôs foi muito superior a 10%. Isso se deve à visibilidade das competições e ao interesse crescente dos estudantes por tecnologia e inovação”, pontua. Baratella explica que a IronCup também é uma das quatro competições brasileiras que classificam para o All Japan Robot Sumo Tournament, no Japão, nas categorias de Sumô Mini e 3 kg, rádio controlado e autônomo. “O campeão dessas categorias garante vaga para disputar o Mundial do Japão. Isso ajuda a elevar o nível técnico das disputas”. Além do aspecto competitivo, Baratella reforça o caráter formativo do evento. “A IronCup é um evento educativo. Mais do que colocar um robô para lutar, promovemos conexões, networking e desenvolvimento de soft skills. Os participantes aprendem a competir sob pressão, a trocar experiências e a trabalhar em equipe”. Entre os destaques técnicos está a equipe RobotBulls, atual tetracampeã na categoria Robô Trekking. A capitã da equipe, Mayara do Prado Almeida, conta que o interesse pela robótica começou ainda na infância. “Na escola, construíamos pequenos robôs movidos a pilha. Aquilo despertou minha curiosidade e no ensino médio tive certeza de que queria seguir na engenharia”. A RobotBulls competirá em todas as categorias da IronCup, incluindo Trekking, Sumô, Combate, Follow Line, VSS e Hóquei. “Os desafios técnicos são constantes. Observamos falhas nas competições e buscamos melhorias ao longo do ano. Estamos sempre evoluindo”, afirma Mayara. “A preparação inclui rigor na validação técnica. Nós utilizamos balanças, paquímetros e medidores para garantir que peso e dimensões estejam dentro das regras. Esse controle evita desclassificações”, complementa. Na avaliação de Mayara, o alto nível dos adversários é um estímulo. “O nível técnico é sempre altíssimo. Aprendemos muito com outras equipes e também compartilhamos conhecimento. A IronCup proporciona uma bagagem valiosa para a vida acadêmica e profissional”. Mesmo sendo uma competição “em casa”, a capitã da RobotBulls diz que a pressão é grande. “Existe uma responsabilidade adicional por representar o Inatel dentro da própria instituição. É uma das competições mais difíceis do nosso calendário”. Independentemente do resultado, Mayara revela que o aprendizado é garantido. “A IronCup nos ensina a tomar decisões sob pressão, resolver problemas rapidamente e lidar com frustrações e conquistas. É uma preparação intensa para a vida profissional”, conclui.
Quase 2 mil pessoas já andaram de Capivarã na Lagoa da Pampulha

O passeio de Capivarã, um catamarã turístico, na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, deu início à retomada da navegação turística no local. A operação começou no final de dezembro do ano passado, e a experiência é ofertada de quinta a domingo, com três saídas diárias e ingressos gratuitos. Segundo a Prefeitura de BH, o intuito é estimular novas dinâmicas de visitação, valorizar o Conjunto Arquitetônico e paisagístico reconhecido como Patrimônio Cultural Mundial, na categoria de Paisagem Cultural, e oferecer mais uma opção de contemplação do complexo, agora a partir de uma perspectiva diferente, diretamente sobre as águas. Até o momento, 1.913 pessoas já participaram do passeio. Durante a experiência, um guia de turismo apresenta a história, a arquitetura, a paisagem e a importância cultural e ambiental do Conjunto Arquitetônico. O trajeto passa pelos principais monumentos da Pampulha, revelando detalhes, curiosidades e novos olhares. As entradas são disponibilizadas semanalmente, às terças-feiras, a partir das 12h, por meio da plataforma Sympla. Cada passeio oferece 24 ingressos, sendo permitido até dois por CPF. O presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel, ressalta que a criação desse projeto representa um novo passo na ampliação das experiências turísticas da Pampulha. “Nós entendemos que o turismo contemporâneo é feito de vivências, de conexão emocional com o território. O passeio de barco amplia o repertório do visitante e fortalece toda a cadeia produtiva do turismo local”. Era uma iniciativa muito demandada pela população e também pelos turistas, salienta o presidente. “Essa retomada é simbólica, porque contribui diretamente para a revitalização da imagem da Pampulha, fortalece o posicionamento de Belo Horizonte como destino cultural e impulsiona nosso processo de internacionalização. É uma entrega concreta que dialoga com a vocação turística da cidade”. “Para colocar o projeto em prática, cumprimos etapas fundamentais para garantir segurança e excelência na navegação. Uma iniciativa dessa magnitude exige o cumprimento rigoroso de todas as normas da Marinha do Brasil. Além disso, todo o processo de contratação da empresa operadora seguiu os trâmites legais. Também houve um trabalho técnico de planejamento operacional, definição de rotas, adequação do ponto de embarque e estruturação da experiência como um produto turístico qualificado”, acrescenta. Satisfação Em pesquisa realizada pelo Observatório do Turismo de Belo Horizonte, a atividade registrou média geral de satisfação de 9,8 (a nota máxima é 10). O principal destaque da experiência é a navegação, apontada por 46% dos participantes. Em seguida, 27,4% destacaram as explicações do guia como o grande diferencial. A maior parte do público participante é composto pelo gênero feminino (55,3%), com o masculino constituindo de 39,6%. Os passeios atraíram majoritariamente moradores de Belo Horizonte (65%) e da região metropolitana (24,1%), além de turistas do interior de Minas Gerais e de outros estados, que juntos representaram 19,9% do público. A média de idade dos participantes foi de aproximadamente 37 anos. De acordo com Cruvinel, os índices confirmam que o projeto foi bem estruturado em todas as etapas. “Desde o planejamento até a entrega da experiência ao público. Mais do que números, esses indicadores mostram que estamos entregando uma experiência qualificada, segura e memorável. Não chega a ser uma surpresa, porque houve planejamento técnico envolvido, porém, é uma confirmação muito importante de que estamos no caminho certo”. Célia Rodrigues, moradora do Bairro Santa Cruz, região Nordeste de Belo Horizonte, participou do passeio e destacou a experiência. “É muito legal ver a Pampulha pela perspectiva do catamarã, navegando pelas águas da Lagoa. Eu costumo passear bastante pela região, no entanto, do chão, a gente não consegue observar tudo. Com essa nova iniciativa, consegui viver uma experiência diferente, apreciando a paisagem, a arquitetura e a história da Pampulha de um jeito especial”, comenta.