Número de eleitores jovens de 16 e 17 anos aumenta quase 80%

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de jovens de 16 e 17 anos que fizeram o cadastro eleitoral e estão aptos a votar cresceu 78% em comparação com 2020. São 1.836.081 eleitores nessa faixa etária. O crescimento desse grupo superou o do eleitorado em geral, que subiu 5,4% de um pleito municipal a outro. Já nas eleições gerais de 2022, os adolescentes haviam comparecido em número ainda maior, com o alistamento de 2,1 milhões (51,13% acima de 2018). Para entender sobre o impacto desses índices nas eleições, o Edição do Brasil conversou com o cientista político e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Raul Magalhães. O que explica o aumento recente no número de eleitores jovens no Brasil? Em 2012, houve forte adesão de jovens menores de 18 anos. Esse engajamento, no entanto, caiu em 2016 e voltou a recuar em 2020, ano marcado por uma queda mais acentuada, influenciada pelo contexto da pandemia. A partir de 2024, observa- -se uma retomada, movimento que se repete em 2026. Isso indica um retorno à normalidade no engajamento político dessa faixa etária. Por outro lado, o atual contexto político também exerce influência direta nesse crescimento. O elevado grau de polarização da sociedade brasileira, marcado por divisões ideológicas e debates morais intensos, tem contribuído para atrair mais jovens ao voto facultativo. Como o ambiente digital e as redes sociais influenciam a decisão desse grupo de votar? O ambiente digital e as redes sociais exercem forte influência sobre a decisão dos jovens de votar, assim como impactam diversos outros aspectos de suas vidas. Apesar de sugerir maior facilidade de acesso à informação, esse ambiente nem sempre cumpre esse papel de forma efetiva. Isso porque, é comum a vivência em “bolhas” de informação e convivência. De alguma maneira, as mensagens são muito retroalimentadas dentro de um caldo de cultura específico, no caso dos jovens e das redes em geral, as informações são muito superficiais, com base em análises fracas. Assim, embora o meio digital tenha potencial para ampliar o acesso à informação, seu uso não necessariamente resulta em maior nível de conhecimento político. Há diferenças relevantes entre o comportamento político dos jovens atuais e de gerações anteriores? As diferenças entre a juventude atual e os das gerações anteriores ainda demandam análises mais aprofundadas, mas, entre os jovens inseridos em um ambiente marcado pela internet e pela formação de grupos, as chamadas “bolhas”, a influência tende a ser mais horizontal. Diferentemente de modelos mais tradicionais, nos quais os jovens tinham os adultos como referência, o cenário atual aponta para uma maior autonomia desses grupos, em que o comportamento dos próprios integrantes das “bolhas” orienta decisões e posicionamentos. No entanto, esse é um processo ainda em curso, cujos desdobramentos futuros são incertos. Além disso, não é possível analisar a juventude apenas como uma faixa etária homogênea. Fatores como classe social, raça, religião e os espaços de convivência continuam exercendo influência significativa sobre o comportamento desse grupo. Os partidos políticos estão preparados para dialogar com esse público? Não, as legendas operam, atualmente, sob uma lógica fortemente orientada pelo financiamento público e pela gestão de recursos institucionais, o que garante aos parlamentares maior margem de manobra para buscar a reeleição. Nesse cenário, não há uma preocupação em estabelecer comunicação com os jovens, nem uma identificação desse grupo com os políticos profissionais. O que precisa acontecer para que o jovem não apenas vote, mas participe mais ativamente da política? Uma reformulação geral na democracia, e isso não se relaciona apenas aos jovens, mas aos eleitores em geral. A distância que o eleitorado tem da política é porque depois do voto, o sistema passa a operar com uma lógica própria, muitas vezes distante e pouco responsiva. Isso gera a sensação de que a participação individual tem pouco impacto real no funcionamento da política.

16 equipes vão participar da Taça Brasil Sub-15 de Futsal

A 29ª Taça Brasil de Clubes Sub-15 Masculina Divisão Especial de Futsal vai acontecer na Arena Sabiazinho, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, entre os dias 27 de abril e 3 de maio. Serão 16 equipes de diferentes estados do país participando da competição e os jogos serão abertos ao público. Considerada uma das principais vitrines do futsal de base nacional, a competição vai reunir atletas nascidos em 2011 e 2012. Divididas em quatro grupos, as equipes disputarão a fase classificatória em turno único. Os dois melhores de cada grupo avançam para as quartas de final, enquanto os demais seguem na disputa de classificação geral. Os times que conquistaram os títulos dos campeonatos estaduais em 2025 estarão presentes: A.A. Paraíba (PB), ACEMA/Maringá (PR), Álvares Cabral (ES), Audax Abaetetuba (PA), Bela Vista de Goiás (GO), Bonfort TCF (SC), C.E.U. ABC (MS), CSA Futsal (AL), Futel Uberlândia (MG), GBF Esportes (MA), Guerreirinhos Manaus (AM), Náutico (PE), Penha E.C. (RJ), Potyguar Seridoense (RN), Santos Palmas/JP Futsal (TO) e Uberlândia Academy (MG). As três primeiras rodadas vão acontecer entre os dias 27 e 29 de abril, com partidas nos horários de 9h, 10h30, 12h, 13h30, 15h, 16h30, 18h e 19h30. No dia 30, tem a disputa das quartas de final, nos horários de 15h, 16h30, 18h e 19h30. A semifinal será no sábado, 2 de maio, às 14h e 16h. E a grande final no domingo, 3 de maio, às 10h. O diretor-geral da Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel), Edson Zanatta, destaca que, mais uma vez, Uberlândia foi escolhida para sediar uma grande competição esportiva, por conta de sua localização e, principalmente, pela excelente estrutura esportiva. “É um importante campeonato, que dará visibilidade ao município e ainda beneficiará diretamente diversos setores da economia, como hotelaria, transporte e alimentação”. A realização de competições na cidade é extremamente relevante, pois evidencia a estrutura que o município tem para o esporte e fortalece o seu desenvolvimento local, afirma Zanatta. “Além de projetar Uberlândia no cenário esportivo, esses eventos contribuem diretamente para a formação de atletas e ampliam as oportunidades de crescimento dentro da modalidade. A experiência de participar de uma competição nacional é fundamental para o amadurecimento esportivo e pessoal dos jovens”. Outro ponto importante é o impacto nas categorias de base, que passam a enxergar novas possibilidades a partir dessas vivências. “A presença de grandes competições funciona como um estímulo concreto para crianças e adolescentes, mostrando que é possível evoluir e alcançar níveis mais altos no esporte”, ressalta o diretor. A competição é promovida pela Confederação Brasileira de Futsal (CBFS), com apoio da Prefeitura de Uberlândia, por meio da Futel, e da Federação Mineira de Futsal, e os jogos serão transmitidos nos canais do YouTube da CBFS e Neto TV. Sabiazinho Com 8.861 metros quadrados, a Arena Sabiazinho tem capacidade para receber até 6.013 pessoas nas arquibancadas. Foi inaugurado em 2007, e nos últimos anos, o local sediou grandes eventos, como três decisões da Superliga de Vôlei Feminino, final da Superliga Masculina, Sul-Americano Feminino de Clubes e Torneio Pré-Olímpico Feminino de Vôlei, além de shows. Futsal O futsal é uma das modalidades esportivas mais praticadas no Brasil. De acordo com dados da CBFS, somente no primeiro semestre de 2025 foram registradas mais de 40 mil movimentações de atletas. No cenário internacional, o país é a principal potência da modalidade. A seleção masculina é a maior campeã mundial, somando sete títulos, dois no período da FIFUSA e cinco sob organização da FIFA. E no feminino, são cinco títulos mundiais conquistados nas edições disputadas até 2015. Internamente, o futsal brasileiro possui uma estrutura ampla de competições organizadas ao longo do ano, incluindo torneios nacionais como a Copa do Brasil e a Taça Brasil, que envolvem equipes de todas as regiões e diversas categorias, da base ao adulto. Esse calendário contribui para o desenvolvimento da modalidade e para a revelação de talentos.

“Três Mulheres Altas”: peça clássica discute o envelhecimento feminino

Um clássico da dramaturgia contemporânea, agraciada com o Prêmio Pulitzer, a peça “Três Mulheres Altas”, escrita por Edward Albee no início da década de 1990, chega a Belo Horizonte, nos dias 16 e 17 de maio, em três apresentações no Grande Teatro Sesc Palladium. O espetáculo traz o embate de três mulheres em diferentes fases da vida: juventude, maturidade e velhice. Em cena, as personagens batizadas pelo autor apenas pelas letras A, B e C. A mais velha (Ana Rosa), que já passou dos 90, está doente e embaralha memórias e acontecimentos, enquanto repassa a sua vida para a personagem B (Helena Ranaldi), apresentada como uma espécie de cuidadora ou dama de companhia. A mais jovem, C (Fernanda Nobre), é uma advogada responsável por administrar os bens e recursos da idosa que não consegue mais lidar com as questões financeiras e burocráticas. Entre os muitos embates travados pelas três, a grande protagonista é a passagem do tempo e também a forma que lidamos com o envelhecimento. Para o diretor Fernando Philbert, o espetáculo dialoga no período presente, atento às demandas e aos desejos femininos do aqui e agora. “É uma peça que lança foco sobre as escolhas de uma mulher na vida. Evidenciamos a violência velada que elas sofrem, seja no preconceito social, na misoginia preponderante ou nas lutas e batalhas que têm de travar para terem respeito da sociedade”. “O texto do Albee nos faz refletir sobre ‘qual é a melhor fase da vida?’, além de questões sobre o olhar da juventude para a velhice, sobre a pessoa de 50 anos que também já acha que sabe tudo e, fundamentalmente, sobre o que nós fazemos com o tempo que nos resta. Apesar dos temas profundos, a peça é uma comédia em que rimos de nós mesmos”, analisa o diretor. Ao adaptar a obra, o principal desafio é o paradoxo de esquecer que é um texto consagrado, afirma Philbert. “E descobrir a história que contamos partindo do olhar que temos para a vida atual, o que nos faz pensar sobre as questões desta peça. É refletir as nossas histórias junto das palavras do texto e assim abrir espaço para que a plateia tenha empatia com o espetáculo”. “Espero que o público leve consigo o valor do tempo e suas vontades. Entender que a nossa vida é feita de escolhas, sejam elas fáceis ou difíceis e que estas escolhas determinam nosso futuro”, finaliza Philbert. Identificação A atriz Ana Rosa, que interpreta a personagem mais velha, afirma que o principal atrativo da peça está na forma como o texto é construído. “Essa história é muito bem contada e de uma forma inteligente, englobando três personagens em várias épocas diferentes. E a que eu interpreto mostra toda a experiência de vida que ela tem, que é uma coisa fascinante”. Ana explica que a personagem nasceu no início do século 20, período em que as mulheres tinham pouca ou nenhuma representatividade social, e entrar nesse universo foi um desafio. “Era uma época em que a mulher dependia do pai e depois do marido. Só ficava em casa, a única função era ter filhos e cuidar do lar, não podia nem mesmo votar”. Em turnê pelo país há dois anos, o espetáculo tem recebido forte adesão do público. De acordo com Ana Rosa, sessões extras têm sido abertas em diferentes capitais, como ocorreu recentemente em Manaus, diante da alta procura. “A reação do público é incrível, porque as pessoas se identificam muito com as personagens. E a gente espera que realmente esse público fique satisfeito com as nossas apresentações”. Peça Escrita em 1991 e lançada em 1994, “Três Mulheres Altas” marcou uma virada na trajetória de Edward Albee. A obra rendeu ao dramaturgo algumas de suas melhores críticas e reavivou o interesse por seu trabalho. Com fortes traços autobiográficos, a peça foi escrita pouco tempo após a morte de sua mãe adotiva, que teria inspirado a personagem mais velha. Após abandoná- -la aos 18 anos, Albee voltou a ter contato com a mãe em seus últimos dias, quando já estava doente de Alzheimer. No entanto, alguns especialistas defendem que a peça não pode ser reduzida a este fato. Serviço: Peça: “Três Mulheres Altas”Dias: 16 e 17 de maioHorários: sábado, às 20h; e domingo, às 16h e 19hLocal: Grande Teatro Sesc PalladiumEndereço: Rua Rio de Janeiro, 1046 – CentroIngressos: Sympla

MG deixou de arrecadar R$ 128 bilhões em função de benefícios fiscais

Segundo dados do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), o Governo de Minas deixou de arrecadar R$ 22 bilhões em impostos devido à concessão de benefícios fiscais a empresas de diversos setores em 2024. Entre 2017 e 2024, o Estado renunciou aproximadamente R$ 128,3 bilhões. Em termos comparativos, esse montante representa mais de 70% da dívida com a União, atualmente estimada em R$ 180 bilhões. Ainda de acordo com o relatório do TCE, o total de renúncias fiscais saiu de R$ 17.763.410, em 2017, para R$ 22.165.617, em 2024. Em dezembro, o órgão anunciou que fará o monitoramento de todas as concessões deste tipo no Estado, para ampliar a transparência, avaliar os impactos desses benefícios nas contas públicas e verificar o cumprimento das contrapartidas assumidas pelas empresas. O economista Gelton Filho explica que o peso atual da renúncia fiscal no orçamento é de, aproximadamente, 21% da receita. “O volume de isenções e renúncias nos últimos anos alcançou patamares tão elevados que impediram diversas políticas públicas fundamentais para a população. Somando o valor, poderiam ser construídas linhas inteiras do metrô interligando as principais cidades da região metropolitana, por exemplo”. “Se adicionarmos os índices de 2025 e 2026, os números são muito mais alarmantes. Nos dois anos citados são cerca de R$ 48,2 bilhões, o que torna a gestão completamente insustentável e gera problemas graves de caixa como já projetado pelo próprio governo. Não há como manter esses números crescentes e ao mesmo tempo equacionar a dívida pública ou ao menos reduzi-la, quanto mais atender as demandas sociais cada vez mais presentes”, complementa. Tem décadas que isenções fiscais começaram a ser questionadas pela ausência de contrapartidas, ressalta o economista. “No caso mineiro, pelo sigilo imposto, há de se questionar se cada empresa beneficiada gerou o retorno devido ou se esses valores serviram apenas para acumulação pessoal de alguns grupos financeiros. Isenções são instrumentos pontuais e não devem ser permanentes como se tornaram”. Filho ressalta ainda que no mesmo período em que se ampliaram as renúncias e isenções, a dívida pública cresceu em patamar relevante. “No início do governo Romeu Zema (Novo), a dívida era de R$ 113,8 bilhões (dado de dezembro de 2018) e em sua saída alcançou R$ 205 bilhões, crescimento de R$ 91,2 bilhões. Em 2026, as isenções vão chegar perto de R$ 25,2 bilhões. Portanto, houve uma escolha pública de não pagar a dívida enquanto abriu-se mão de receita indiscriminadamente”. Posição do Governo Por meio de nota, o Governo de Minas destaca que o Estado, assim como os demais entes federativos, participa da concorrência e competição nacional pela atratividade de investimentos, incremento de seu parque industrial e logístico, diversificação econômica e geração de empregos. Normalmente, as táticas da “Guerra Fiscal” são identificadas como benefícios fiscais, mas na realidade são atrativos e incentivos comerciais para alcançar resultados na geração de empregos e aumento de renda, e quem se beneficia são os estados que conseguem mais empresas e mais recursos para investir nas Políticas Públicas sem aumentar os impostos. A política tributária de Minas Gerais tem papel fundamental nos resultados alcançados pela atual gestão, somando mais de R$ 530 bilhões de investimentos atraídos e a geração de mais de 1 milhão de empregos, desde 2019. Esses são alguns dos resultados consolidados pela estratégia de incentivos, corresponsável também por desenvolver o Produto Interno Bruto (PIB), que pela primeira vez na história, alcançou a marca de R$ 1 trilhão, em 2024. Ressaltamos que na atual gestão não foram criados novos incentivos fiscais, apenas mantidos os modelos já existentes desde 2017. “Em tempo, reforçamos que o Governo de Minas cumpre os mínimos constitucionais de investimento em Saúde e Educação. O montante aplicado em Ações e Serviços Públicos de Saúde, considerando a despesa empenhada (R$ 11,58 bilhões), foi de 12,36%, superando o mínimo de 12% exigido pela legislação. Em relação à Manutenção e Desenvolvimento do Ensino, o índice foi de 25,40%, considerando a apuração pelo total da despesa empenhada (R$ 23,81 bilhões), sendo 0,40% maior que a aplicação mínima constitucional (25%)”.

Déficit habitacional cai 14% em Minas e aluguel segue maior vilão

A Fundação João Pinheiro, em parceria com o Ministério das Cidades, apurou que o déficit habitacional em Minas Gerais chegou a 478.756 domicílios em 2023, uma queda de 14% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o número de moradias com algum tipo de inadequação caiu de 1.385.041 para 1.329.725, o que corresponde a 19,1% das residências do estado. No Brasil, o índice foi estimado em 5.977.317 domicílios, queda de 3,8%. Em Minas, o principal fator do déficit é o ônus excessivo com aluguel urbano, quando mais de 30% da renda familiar é destinada à moradia, situação que atinge 366.353 domicílios (76,5%). Em seguida aparecem a coabitação, com 76.154 moradias (15,9%), e a habitação precária, com 36.249 unidades (7,6%). O estudo aponta ainda que 46,6% das famílias afetadas têm renda entre um e dois salários mínimos, e que 62,2% dos domicílios são chefiados por mulheres. Para o cientista social e professor da UniArnaldo Centro Universitário de Belo Horizonte, Luciano Gomes dos Santos, a melhora nos indicadores não significa necessariamente que todas essas famílias passaram a viver em moradias adequadas. “O déficit habitacional é um indicador complexo, a redução pode ocorrer se as pessoas deixam de gastar mais de 30% da renda com aluguel. Isso não quer dizer que novas moradias foram construídas ou que conquistaram uma habitação definitiva e adequada. Em muitos casos, a melhora pode refletir mudanças econômicas ou demográficas e não necessariamente uma transformação estrutural do acesso à moradia”. O especialista acrescenta que a atuação do poder público ainda é considerada insuficiente. “A política habitacional no Brasil enfrenta desafios históricos, como falta de continuidade entre governos, escassez de recursos e dificuldades de articulação entre políticas urbanas, fundiárias e sociais. Embora existam programas e iniciativas relevantes, a escala da demanda por moradia é muito maior do que a capacidade atual de produção de habitações populares. Além disso, a política habitacional não se resume à construção de casas, envolve planejamento urbano”. Futuro A redução observada pode ser um sinal positivo, destaca Santos. “Porém, ainda é cedo para afirmar que existe uma tendência consolidada de queda. O déficit habitacional costuma variar de acordo com fatores econômicos e demográficos. Se houver continuidade de investimentos em habitação popular, melhoria das condições de renda e expansão de políticas urbanas integradas, é possível que a tendência de redução se mantenha. Porém, crises econômicas ou retração de políticas podem interromper esse processo”. Segundo o cientista, os principais desafios para reduzir ainda mais o déficit habitacional em Minas Gerais estão ligados a fatores estruturais. “Um deles é o alto custo do solo urbano nas áreas com maior oferta de emprego e serviços. Outro desafio é o financiamento para famílias de baixa renda. É necessário ampliar políticas de urbanização de assentamentos precários, regularização fundiária e melhoria da infraestrutura urbana, além de integrar a política habitacional ao planejamento das cidades”, finaliza. Investimento A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese) informou, por meio de nota, que tem ampliado as políticas habitacionais com investimento de cerca de R$ 100 milhões nos últimos anos. As ações priorizam famílias em vulnerabilidade inscritas no CadÚnico. Entre os programas estão o Auxílio Porta de Entrada (Apê), que concede subsídio de até R$ 25 mil para compra da casa própria e pode ser combinado a programas federais, e o Moradas Gerais, que promove melhorias habitacionais em municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Outra frente é o Minas Reurb que busca ampliar a regularização fundiária urbana e garantir o título de propriedade às famílias. Desde 2019, o programa viabilizou mais de 85 mil títulos de regularização, sendo mais de 21 mil emitidos em 301 municípios, beneficiando 256 mil mineiros. Para este ano, foram anunciados investimentos de R$ 11,2 milhões, com previsão de regularizar 4.870 imóveis e beneficiar cerca de 15 mil pessoas em 16 cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os recursos são provenientes do Acordo de Reparação do Rio Doce.

64% dos jovens adultos dizem não consumir bebidas alcoólicas

De acordo com a pesquisa Ipsos-Ipec, encomendada pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) para a sétima edição da publicação “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”, a taxa de abstinência entre jovens apresentou crescimento. Entre pessoas de 18 a 24 anos, o índice subiu de 46% para 64%, enquanto na faixa de 25 a 34 anos o aumento foi de 47% para 61%. No panorama geral, 64% dos brasileiros declararam não consumir bebidas alcoólicas em 2025, um aumento em relação a 2023, quando 55% afirmaram não beber. Os maiores aumentos ocorreram entre indivíduos com ensino superior (de 49% para 62%), moradores da região Sudeste (de 51% para 62%) e das classes A e B (de 44% para 55%), sendo mais acentuado nos municípios localizados em regiões metropolitanas e capitais. Segundo a psicóloga clínica Karen Lourenço, uma das explicações para essa queda de consumo está em uma mudança de valores entre gerações. “Durante muito tempo o álcool teve um papel central na socialização juvenil, associado à ideia de aproveitar a vida em festas e encontros frequentes. Entre os jovens atuais, vemos uma redefinição desse ideal. Para muitos deles, está relacionado ao cuidado com o corpo e com a saúde mental. Existe ainda uma preocupação maior com a própria imagem e com o desempenho pessoal, algo influenciado pelas redes sociais”. “Nesse cenário, práticas como atividade física, atenção à higiene e as horas de sono, alimentação equilibrada e cuidado com a saúde mental passam a ocupar um espaço importante no estilo de vida, e o álcool deixa de ter o papel central que tinha na socialização de gerações anteriores. Hoje, jovens se divertem indo à academia, praticando ioga, participando de encontros matinais, corridas, entre outras coisas. E isso contribui para a saúde e também para a boa imagem nas redes sociais”, complementa. Para Karen, a redução do consumo de álcool entre os jovens pode trazer impactos sociais relevantes ao longo do tempo. “Podemos esperar uma mudança na cultura de socialização que não foca exclusivamente em festas centralizadas em álcool e em encontros feitos exclusivamente para beber. Além disso, pode haver efeitos positivos na saúde pública, como menor incidência de acidentes e doenças relacionadas ao álcool, e também uma valorização maior de estilos de vida que priorizam autocuidado e equilíbrio emocional”. Saúde física A médica Gastroenterologista e Hepatologista do Hospital Belo Horizonte, Camila Caroline Leal Oliveira, explica que o fígado é o principal órgão responsável por metabolizar o álcool. “Quando o consumo é frequente, pode causar acúmulo de gordura nas células hepáticas e inflamação. Com o tempo, esse processo pode evoluir para fibrose, que é a formação de cicatrizes no fígado decorrentes da agressão crônica. Em estágios mais avançados, podem evoluir para cirrose”. Camila ressalta que essa abstinência dos jovens pode ter um impacto positivo importante na saúde pública. “Quanto menor a exposição ao álcool ao longo da vida, menor a chance de desenvolver inflamação hepática crônica e fibrose. Existe uma preocupação crescente com o aumento de enfermidades hepáticas nesse grupo de pessoas. Por isso, é interessante manter um acompanhamento com exames periódicos, fazer pelo menos um check-up hepatológico, incluindo rastreio para hepatites virais, e receber orientação sobre hábitos de vida, especialmente em relação ao consumo de álcool”. Sem interesse A jovem Thais de Paula, de 29 anos, que atualmente trabalha como babá, conta que não consome álcool. “Já experimentei, mas não gosto do efeito em mim. Na verdade, nunca me interessei, talvez porque meus pais consomem e eu não gosto da forma que eles agem quando bebem. Meu pai já teve problemas com bebidas por causa do vício e isso é algo que não quero para minha vida”. Thais relata ainda que já sofreu pressão para consumir álcool. “Inclusive, nas vezes que provei foram porque as pessoas diziam que eu precisava beber, porém, sempre que provava me sentia estranha. A última vez que tomei metade de um drink passei mal”. Ela destaca ainda que pretende continuar essa abstinência. “Em breve vou completar 30 anos, não faz sentido começar a beber agora”.

Servidores da educação reivindicam recomposição salarial na ALMG

Com o objetivo de acolher as reivindicações dos servidores da rede pública estadual de ensino para valorização das políticas de carreira e salário, foi realizada uma audiência pública na Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Em greve desde o dia 4 de março, os servidores representados pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) têm como principal demanda a recomposição salarial de 41,83% para todos os níveis e carreiras da educação básica. O índice corresponde às perdas acumuladas entre 2019 e 2025. A categoria também reivindica que o reajuste seja estendido aos trabalhadores temporários e aos aposentados sem paridade, ou seja, aqueles que não recebem automaticamente os mesmos reajustes concedidos aos servidores da ativa, entre outras propostas. O Governo de Minas anunciou um reajuste de 5,4% para todo funcionalismo público estadual. Segundo a nota oficial, a recomposição deve beneficiar cerca de 673 mil servidores ativos, inativos e pensionistas da administração direta e indireta, com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2026. O projeto de lei que formaliza a proposta foi encaminhado à ALMG pelo governador Romeu Zema (Novo) no dia 11 de março, mas ainda aguarda leitura no Plenário para iniciar a tramitação. Para a deputada Beatriz Cerqueira (PT), presidente da Comissão e autora do requerimento, um reajuste de 5,4% tem repercussão muito pequena na vida dos servidores. “A gente chega a um nível de precarização tão estrutural que esse índice não faz diferença. Tenho oito anos como deputada e qual foi a política de valorização dos profissionais de educação do Governo Zema? Não temos”. A coordenadora-geral do Sind-UTE, Denise de Paula Romano, denunciou que o setor da educação em Minas Gerais enfrenta uma “despolítica de valorização”. “Marcada pelo achatamento dos vencimentos e pela aplicação equivocada da proporcionalidade da Lei do Piso (Lei 11.738/2008), o que teria transformado o piso salarial em teto. O Estado pratica hoje os piores vencimentos do Brasil, somos a rede mais precarizada do país, com 80% da categoria composta por profissionais com vínculos precários de trabalho e apenas 20% de concursados”. Conforme dados que ela apresentou na reunião, em cerca de seis anos, a gestão do governador Zema abdicou de quase R$ 100 bilhões em impostos por causa das renúncias fiscais. Assim, deixou de investir mais de R$ 24 bilhões na educação. “O volume de renúncia fiscal e incentivos concedidos pelo governo estadual causam um cenário onde profissionais da educação abandonam a rede para atuar em aplicativos de transporte. Além disso, os auxiliares da educação básica recebem na faixa do salário mínimo e enfrentam a ameaça constante de projetos de terceirização”, acrescenta. Denise ainda alertou para um “apagão” na educação, destacando que a desvalorização da carreira tem afastado jovens e estudantes da profissão de professor. “A categoria está exposta a níveis de violência política, patrimonial, psicológica e de gênero. Além dos baixos salários, a rede estadual não tem atrativos, os profissionais se especializam, fazem mestrado ou doutorado e acabam deixando o setor público”. Posição do Governo A subsecretária de Gestão de Recursos Humanos da Secretaria de Estado de Educação, Gláucia Cristina Ribeiro, reiterou que a educação deve ser pautada pelo diálogo contínuo. “Entendemos que a categoria tem as suas demandas, e não desvalorizamos nenhuma delas. A gente sabe que o reajuste de 5,4% pode parecer pouco, mas é o esforço que o governo tem feito para atingir a todas as carreiras e secretarias”. “Temos trabalhado muito na valorização dos professores e da carreira. Não é uma falta de compromisso, às vezes, é uma dificuldade mesmo da situação que enfrentamos, como a questão da Lei de Responsabilidade Fiscal e outras adversidades”, finaliza. Embora não tenha estabelecido uma agenda imediata para novas negociações, a gestão se comprometeu a analisar as reivindicações da categoria e apresentar uma resposta definitiva na próxima semana.

Juiz de Fora é a terceira cidade com maior área urbanizada em declive

Com 65 mortes decorrentes das últimas chuvas, Juiz de Fora, localizada na Zona da Mata mineira, é a terceira cidade brasileira com maior área urbanizada em declive. Em 2024, o município tinha 1.256 hectares construídos onde a inclinação representa risco maior de deslizamento, segundo o Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil. Minas Gerais é o Estado brasileiro com a maior área urbanizada em alta declividade, ou seja, construída em encostas íngremes que oferecem risco aos moradores. Há quase 14,5 mil hectares de área com pessoas vivendo em locais de risco, e as fortes chuvas de fevereiro deixaram, no total, 72 mortes. Nas últimas quatro décadas, as áreas urbanas no Brasil cresceram 2,5 vezes, passando de 1,8 milhão de hectares, em 1985, para 4,5 milhões em 2024, ou 0,5% do território nacional, um aumento de cerca de 70 mil hectares ao ano. Já as áreas urbanizadas em altas declividades avançaram mais de três vezes no período. Em 1985, eram 14 mil hectares; em 2024, 43,4 mil. Desse total, 40,5 mil hectares estão em áreas urbanas da Mata Atlântica. Em 1985, os municípios com mais áreas urbanizadas em regiões de alta declividade eram Rio de Janeiro (1,16 mil hectares), Belo Horizonte (900 hectares) e São Paulo (730 hectares). Em 2024, a liderança continuou com o Rio de Janeiro (1,7 mil), porém, São Paulo assumiu a vice-liderança (1,5 mil) e Juiz de Fora subiu para a terceira posição, à frente de Belo Horizonte (1,2 mil). “O processo de urbanização de Minas Gerais desafia permanentemente a geografia. O avanço das construções sobre relevos acentuados é um padrão muito forte na Zona da Mata, onde se localiza Juiz de Fora. Embora seja uma cidade média, hoje já é o terceiro município do país com maior ocupação urbana em áreas de encostas e risco potencial”, destaca Talita Micheleti, da equipe de mapeamento de áreas urbanizadas do MapBiomas. O professor de Engenharia Ambiental e Sanitária, e Civil do Centro Universitário das Faculdades Metropolitana Unidas (FMU), Guillermo Ruperto Martín Cortés, explica que a urbanização em encostas íngremes, se for devidamente planejada e efetuada, não deve oferecer riscos à segurança nem ao ambiente. “O grave problema se encontra na falta de controle administrativo e diretrizes sobre requisitos mínimos para ter autorização de construção”. “Em princípio, da mesma maneira que as autoridades governamentais exigem o licenciamento ambiental para a execução de qualquer projeto econômico-industrial, a administração municipal deveria supervisionar de maneira efetiva o uso dos solos, exigir laudos geotécnicos dos lotes a serem construídos e a capacitação técnica dos possíveis construtores. Do contrário, os efeitos conhecidos de todos, são desmoronamentos, quedas de barreira e fatalidades com as consequências naturais na alteração do relevo da região”, afirma o professor. Favelas O estudo calculou também a área de favelas que se encontram em terrenos com alta declividade. Eram 2.266 hectares em 1985 e passou para 5.704 em 2024, um aumento de mais de 150%. O Rio de Janeiro lidera, com 1.730 hectares, seguido por São Paulo (1.061) e Minas Gerais (1.057). Para Cortés, o maior problema das grandes urbes é poder prever e planejar o crescimento populacional com vistas a satisfazer a demanda dos serviços básicos à população. “Como energia, água, saúde, comunicação, transporte, ensino e segurança. A essas adversidades são somadas a necessidade de controlar ou regular a ocupação em áreas de risco”. Os governos devem dispor de uma secretaria especial de urbanização, ressalta o docente. “Com engenheiros civis e ambientais que supervisionam constantemente o crescimento construtivo do município e do Estado. Estes especialistas carecem elaborar periodicamente, pelo menos de maneira anual, relatórios sobre a situação construtiva em relação com os dados técnicos”. Ele salienta ainda que a elaboração de planos construtivos de novas moradias e a sua efetivação, por parte dos governos municipais e estaduais, seria uma contribuição muito forte para diminuir esses problemas e a tendência de construção irregular em áreas de alto risco.

Páscoa 2026: chocolate mais caro pesa no bolso do consumidor

A celebração da Páscoa ocorre no dia 5 de abril, e o mercado já indica uma tendência de aumento nos preços do chocolate e dos bombons. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os valores do chocolate em barra e do bombom acumularam alta de 24,77% nos 12 meses encerrados em janeiro. Em Belo Horizonte, um levantamento do site de pesquisa Mercado Mineiro em dez redes de supermercados aponta que os ovos de Páscoa estão até 35,8% mais caros. O aumento mais expressivo foi registrado no ovo Trakinas 190g, que saiu de R$ 59,62 em 2025, para R$ 80,99 em 2026. Entre os estabelecimentos, a maior variação de preço foi observada no Laka e Diamante Negro 494g, encontrado entre R$ 94,99 e R$ 124,19, diferença de 30,74%. Já o item mais barato foi o Lacta ao Leite 157g, com um valor médio de R$ 53,19, alta de 11,86% em comparação com 2025. O economista e professor dos cursos de Gestão e Negócios do UniBH, Fernando Sette Júnior, explica que o doce vem sofrendo uma pressão muito acima do padrão de inflação percebido pelo consumidor médio. “Como chocolate em barra e bombom são produtos diretamente dependentes de insumos específicos, qualquer encarecimento relevante ao longo da cadeia tende a ser repassado ao preço final”. “Além disso, como a Páscoa é um período de forte apelo comercial, há uma concentração maior da demanda justamente em um momento no qual os custos já estão elevados. Isso faz com que o consumidor perceba mais intensamente a alta e associa o encarecimento dos produtos a um movimento generalizado de aumento no setor de chocolates”, salienta. Para Júnior, os valores dos ovos em Belo Horizonte tendem a mexer com as projeções do varejo mineiro no primeiro semestre. “Porque a Páscoa é uma data relevante para o comércio. Preços maiores podem até inflar o faturamento nominal, já que cada unidade vendida gera mais receita em reais”. No entanto, existe o risco desse faturamento crescer menos do que o esperado, destaca o profissional. “Inclusive, decepcionar em termos reais, caso a alta de preços desestimule as compras. Se o consumidor reduzir a quantidade ou trocar produtos premium por opções mais baratas, o varejo pode ter um resultado nominal aparentemente positivo, porém, com perda de dinamismo real nas vendas. E isso pode levar empresas e supermercados a revisar estoques, campanhas e reforços de equipe. Nesse contexto, a contratação temporária, por exemplo, pode continuar existindo, mas com perfil mais seletivo”. Empregos O levantamento da Fecomércio MG indica que a grande maioria das empresas (98,3%) afirmou que não pretende contratar funcionários temporários para o período. Apenas 1,3% dos empresários indicaram que deverão reforçar as equipes, com uma média de cerca de dois trabalhadores adicionais por estabelecimento. Apesar de não ter uma perspectiva grande de contratação, cerca de 60,6% das empresas afirmaram que o período tem impacto positivo nas vendas. Em relação ao desempenho esperado, 51,2% dos empresários acreditam que o consumo será semelhante ao do ano passado, enquanto 33% projetam crescimento. A pesquisa também aponta a expectativa de gasto dos consumidores, as compras devem se concentrar nas faixas entre R$ 50,01 e R$ 70 (33,3%) e entre R$ 70,01 e R$ 100 (28,4%). Consumidor Essa alta acumulada no chocolate tende a deixar o consumidor mais cauteloso. “Como se trata de um aumento muito expressivo em um item diretamente ligado à data, a reação mais provável é a busca por opções de menor valor, redução da quantidade comprada e maior comparação de preços entre marcas e lojas”, afirma o economista. Ele destaca ainda que o cenário aponta para forte pressão sobre o consumo. “Isso aumenta a chance de o faturamento crescer em valores correntes, mas sem avanço efetivo em volume vendido. A retração real pode ocorrer justamente porque o consumidor continua participando da data, entretanto, compra menos”. “A Páscoa é um período que pode manter movimento no comércio, porém, com uma menor quantidade de itens por compra, menor diversificação no carrinho e mais substituições por produtos que possuem menor preço. Esse é um ambiente típico em que a receita nominal não traduz necessariamente um desempenho real mais forte”, finaliza.

“Penduricalhos” geram impactos relevantes no orçamento público

Um assunto que está dominando o país é sobre as remunerações extras pagas a uma elite do funcionalismo, que levam os contracheques dos servidores a superarem o teto constitucional (atualmente em R$ 46.366,19), os denominados “penduricalhos”. No dia 25 de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai iniciar a votação sobre as decisões que suspenderam esse pagamento nos Três Poderes. Para entender mais sobre o impacto desses valores no orçamento público, o Edição do Brasil conversou com a professora de Direito Constitucional do UniArnaldo Centro Universitário de Belo Horizonte, Virgínia Machado. O que são os chamados “penduricalhos”? Os “penduricalhos” estão relacionados às verbas que podem ser pagas aos agentes públicos além da remuneração regular prevista para a função. A Constituição permite essa ação, que teoricamente não têm o objetivo de enriquecer o indivíduo, mas de ressarcir despesas relacionadas ao exercício do cargo, como auxílio-alimentação ou diárias por deslocamento. O problema surge quando esses pagamentos, que não estão submetidos ao teto constitucional, justamente por terem caráter de ressarcimento, passam a ser utilizados de forma ampliada ou sem controle. Qual é o impacto estimado desses valores extras no orçamento público? O impacto é considerado relevante, já que representam a criação de despesas adicionais, muitas vezes não acompanhadas da correspondente previsão de receita. Quando benefícios como esses são instituídos, especialmente sem previsão legal clara, surge um problema orçamentário, pois não há garantia de que eles estejam contemplados nas leis que organizam o orçamento. Em alguns casos, essas verbas são criadas por meio de atos administrativos normativos e não por lei, o que levanta dúvidas se o gasto estava efetivamente previsto no planejamento financeiro do ente federativo. Isso também gera questionamentos sobre a origem dos recursos utilizados para custear esses pagamentos e se essas receitas estavam originalmente destinadas a outras áreas da administração pública. Essas verbas podem comprometer a capacidade de investimento do Estado em políticas públicas estruturantes? Qualquer despesa pública que não esteja inicialmente prevista na Lei Orçamentária Anual (LOA) e alinhada ao planejamento estabelecido no Plano Plurianual (PPA) pode configurar uma irregularidade e gerar consequências relevantes na execução do orçamento. Isso ocorre porque, uma vez instituído o pagamento de determinados benefícios a agentes públicos, o gasto tende a se manter até que haja alguma revisão ou suspensão formal. Nesse contexto, despesas dessa natureza podem comprometer recursos que poderiam ser direcionados a programas, políticas públicas ou investimentos em infraestrutura. O impacto tende a ser ainda mais significativo em municípios, onde os orçamentos são geralmente mais limitados. Há mecanismos de transparência suficientes para acompanhar esse pagamento? Do ponto de vista da legislação de transparência e da Lei de Acesso à Informação, essas verbas devem, sim, ser discriminadas. Na prática, porém, observa-se que muitas vezes há desinteresse ou desconhecimento da sociedade sobre a existência desses mecanismos. Isso revela não apenas uma lacuna de informação, mas também questões culturais e educacionais mais amplas, que dificultam o acompanhamento do orçamento público pela população, fiscalização de gastos e cobrança por maior transparência. Propostas de reforma administrativa costumam incluir restrições a “penduricalhos”? As propostas de reforma administrativa não tratam diretamente da proibição das verbas indenizatórias. No que diz respeito especificamente aos chamados “penduricalhos”, não se observam grandes avanços. A principal necessidade apontada é a criação de critérios mais claros e moralizadores para as verbas indenizatórias, com definição de limites mínimos e máximos, regras sobre as fontes de receita que financiarão esses pagamentos e critérios objetivos sobre quais agentes podem recebê-los e em quais circunstâncias. Além disso, reforça-se o entendimento de que despesas dessa natureza não podem ser criadas sem previsão legal e orçamentária