Lesões no futebol elevam a busca por tratamentos

Às vésperas da Copa do Mundo, o futebol internacional voltou a conviver com um velho problema: as lesões que afastam atletas de grandes competições. As situações que aconteceram com Rodrygo, Éder Militão, Jack Grealish e Hugo Ekitike reacenderam o debate sobre a importância da medicina esportiva, especialmente dos exames de imagem e das terapias modernas utilizadas na recuperação física de atletas profissionais e amadores. A rotina intensa do calendário esportivo, marcada por jogos frequentes e pouco tempo de recuperação, tem elevado os índices de problemas musculares e articulares. Segundo o médico radiologista Harley De Nicola, as lesões mais comuns no futebol de alto rendimento atingem principalmente os membros inferiores. “As lesões musculares, ligamentares e tendíneas continuam sendo as mais frequentes no futebol porque envolvem estruturas submetidas a explosão, aceleração, mudança brusca de direção e contato físico constante”. Nesse cenário, os exames de imagem passaram a ter um papel fundamental não apenas no diagnóstico, mas também no acompanhamento da recuperação. Técnicas como ressonância magnética, ultrassom musculoesquelético e tomografia computadorizada permitem avaliar a gravidade das lesões, a presença de inflamações e a evolução do tratamento. De acordo com o radiologista, o monitoramento contínuo reduz o risco de retorno precoce dos atletas às atividades. “Nem sempre a melhora clínica significa cicatrização completa da estrutura lesionada. O acompanhamento por imagem auxilia na tomada de decisão e reduz o risco de recidiva”. Estudos nacionais e internacionais reforçam esse panorama. Pesquisa conduzida pela University of South Wales apontou que as regiões mais lesionadas em jogadores profissionais são a coxa, o tornozelo e o joelho. Já um levantamento realizado pela Unifesp também identificou predominância de lesões nos membros inferiores, especialmente musculares. Tratamentos regenerativos Além do diagnóstico por imagem, a medicina esportiva vem incorporando tratamentos regenerativos avançados para acelerar a recuperação e melhorar a condição funcional dos atletas. Um dos exemplos recentes envolve Neymar, convocado para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo após meses de recuperação física. Segundo o fisioterapeuta Alexandre Alcaide, terapias como ondas de choque e PRP, técnica que utiliza plasma rico em plaquetas, contribuíram diretamente para a evolução clínica do jogador. “Esse conjunto de exercícios aliado aos recursos regenerativos avançados faz com que o tecido consiga se recuperar em plenitude. Muitas vezes, não se recupera totalmente, mas consegue entregar 100% da qualidade funcional disponível naquele momento”. Os procedimentos foram utilizados principalmente na recuperação do menisco lesionado e da sutura realizada no joelho do atleta. Conforme o especialista, as técnicas favorecem a cicatrização, ajudam no controle da dor e permitem retorno mais seguro às atividades esportivas. Os benefícios, porém, não se restringem ao esporte profissional. Alcaide destaca que os métodos também são aplicados em casos de artrose, lesões musculares, problemas no ombro e dores articulares em pacientes comuns. Atletas amadores Harley De Nicola alerta que praticantes amadores também precisam de cuidados médicos e acompanhamento adequado. Ele explica que a tentativa de reproduzir a intensidade do esporte de alto rendimento sem preparação física suficiente aumenta o risco de lesões graves. “Existe uma tendência de reprodução da intensidade do esporte de elite sem o mesmo preparo físico, recuperação ou acompanhamento médico”, finaliza.
Jovens negras são principais vítimas da adultização precoce

Na adolescência, muitas mulheres negras brasileiras já são levadas a assumir tarefas domésticas, contribuir para o sustento da família e, em muitos casos, deixar de lado aspectos da própria individualidade. Essa é uma das conclusões da pesquisa “Jovens”, divulgada pela Globo durante o evento Negritudes, realizado em São Paulo. O estudo aponta que essas jovens frequentemente vivenciam responsabilidades típicas da vida adulta de forma precoce. Em vez de viver plenamente a juventude, muitas passam a desempenhar funções de cuidado e a participar do suporte financeiro e emocional do lar. De acordo com a pesquisa, essa realidade não se restringe à adolescência, podendo acompanhar essas mulheres ao longo de diferentes etapas da vida, inclusive na fase idosa. O relatório relaciona seus resultados aos dados do Censo do IBGE, que indicam que cerca de 60% dos jovens no Brasil são negros, sendo 49% pardos e 11% pretos. O levantamento também aponta que mulheres negras apresentam os maiores índices de maternidade precoce entre a população jovem. Atualmente, aproximadamente 32% das mulheres jovens já são mães. Para muitas dessas jovens, a fase da juventude é frequentemente encurtada pela necessidade de assumir responsabilidades como o cuidado de irmãos, a contribuição com as despesas domésticas e a realização de tarefas normalmente associadas ao universo adulto. Em contraste, entre homens brancos, esse tipo de responsabilidade costuma surgir apenas na vida adulta, enquanto entre mulheres brancas tende a aparecer mais tardiamente, ao final da juventude. Especialistas destacam que essa realidade não pode ser explicada por escolhas individuais, mas sim por um conjunto de fatores históricos e sociais que perpetuam desigualdades no Brasil. A socióloga Andreia Lima explica que o fenômeno está diretamente ligado à forma como o racismo estrutural organiza as oportunidades desde a infância. “Existe uma naturalização da ideia de que meninas negras são mais maduras, mais responsáveis e, portanto, podem assumir funções de cuidado mais cedo. Isso faz com que famílias, muitas vezes sem alternativas econômicas, depositem sobre elas uma carga que deveria ser coletiva ou dos adultos”. Segundo Andreia, a desigualdade também se reproduz no acesso à educação de qualidade, à renda e a políticas de proteção social. “Quando faltam políticas públicas efetivas de apoio às famílias em situação de vulnerabilidade, essas jovens acabam sendo absorvidas por uma lógica de sobrevivência. Isso interrompe trajetórias escolares e limita a possibilidade de mobilidade social”. Já o antropólogo Carlos Menezes aponta que a desigualdade de renda e a precarização do trabalho são fatores determinantes para a entrada precoce de jovens negras em responsabilidades adultas. “Muitas famílias dependem do trabalho informal e da renda instável. Nesse contexto, a jovem negra é colocada como parte fundamental da estratégia de sobrevivência doméstica. Isso não é uma escolha individual, é uma imposição das condições sociais”. “A maternidade precoce, quando ocorre, intensifica esse ciclo. Sem acesso adequado à saúde reprodutiva, educação sexual e apoio social, a maternidade na juventude se torna mais um fator de interrupção de projetos de vida. Isso reduz ainda mais as chances de permanência na escola e no ensino superior”, completa. Eles apontam que a reversão desse quadro depende de políticas públicas integradas e de longo prazo. Entre as medidas sugeridas estão o fortalecimento da rede de proteção social às famílias em vulnerabilidade, ampliação de creches públicas em tempo integral, políticas de permanência escolar e maior acesso à educação sexual e reprodutiva. Para Andreia, também é fundamental desconstruir estereótipos que naturalizam a sobrecarga das meninas negras. “É preciso enfrentar a ideia de que elas são ‘naturalmente mais maduras’. Isso é um mecanismo simbólico que legitima a desigualdade. A infância e a juventude dessas meninas precisam ser protegidas com o mesmo rigor dedicado a outros grupos sociais”. Menezes reforça a importância de políticas de renda e inclusão produtiva. “Transferência de renda, qualificação profissional e acesso ao ensino superior são ferramentas essenciais para quebrar esse ciclo. Sem isso, continuaremos reproduzindo a mesma estrutura de desigualdade geração após geração”.
Novas diretrizes reforçam tratamento da fibromialgia no país

A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) publicou novas diretrizes para o tratamento da fibromialgia no Brasil, atualizando recomendações que estavam em vigor desde 2010. O documento traz evidências científicas recentes e reforça a importância do acompanhamento contínuo, do uso racional de medicamentos e das abordagens não farmacológicas para o cuidado aos pacientes. A fibromialgia afeta entre 2,5% e 3% da população brasileira e é caracterizada por dor crônica generalizada, fadiga, distúrbios do sono, alterações cognitivas e impactos significativos na qualidade de vida. Segundo a SBR, o manejo da doença exige uma atuação interdisciplinar, envolvendo médicos, fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos. O presidente da SBR, José Eduardo Martinez, explica que a atualização era necessária diante do avanço das pesquisas sobre a síndrome. “As últimas recomendações já eram antigas e muita literatura internacional e nacional foi publicada desde que o nosso consenso foi apresentado. Havia a necessidade dessa atualização”. De acordo com o especialista, embora não tenham ocorrido mudanças radicais no tratamento, as novas diretrizes reforçam medidas consideradas fundamentais. “Educação em saúde e exercícios físicos são os pilares do tratamento. Estudo após estudo aponta que as abordagens não farmacológicas são as mais eficazes”. Entre as recomendações com maior nível de evidência científica estão programas de exercícios aeróbicos e fortalecimento muscular, terapias psicológicas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), além de práticas complementares como acupuntura e Tai Chi Chuan. As diretrizes também passam a incluir com mais força técnicas de estimulação transcraniana para controle da dor. “Nós temos uma literatura suficiente para recomendar modalidades que combinam exercício físico e também combate ao estresse, como o Tai Chi Chuan, que vem aparecendo de forma evidente nos estudos”, explicou Martinez. Outro destaque do documento é a recomendação do uso de instrumentos padronizados para monitorar a evolução clínica dos pacientes, como o Revised Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQR) e o Fibromyalgia Survey Questionnaire (FSQ). Segundo analisa o presidente da SBR, essas ferramentas ajudam a fazer uma avaliação se o paciente está melhorando, piorando ou permanecendo estável ao longo de todo o tratamento. Remédios As novas diretrizes também fazem alertas importantes sobre medicamentos frequentemente utilizados sem respaldo científico. Conforme Martinez, o documento não recomenda o uso rotineiro de opioides, anti-inflamatórios, benzodiazepínicos e canabinoides para o tratamento da fibromialgia. “Os opioides não só não têm eficácia como trazem efeitos colaterais significativos, como risco de dependência, problemas psiquiátricos e risco de quedas em idosos”, ressalta. Sobre os canabinoides, o médico afirma que ainda faltam evidências conclusivas. “Os estudos científicos são conflitantes. Alguns mostram benefício, outros não. Ainda não há dados para que se recomende o uso dos canabinoides”. A SBR também tenta combater informações incorretas sobre a doença. O presidente da entidade reforça que a fibromialgia não é uma doença autoimune nem puramente emocional. “Ela pode ser influenciada por questões emocionais, mas não é uma doença inflamatória”, conclui.
11,5 mil adolescentes cumprem medidas socioeducativas

Até o final de abril, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contabilizava 11.542 adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas de internação ou semiliberdade no Brasil. Esses números voltam a ganhar destaque em meio à discussão sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. A proposta, apresentada em 2015 pelo então deputado Gonzaga Patriota (PSB) e relatada pelo deputado Coronel Assis (PL), é um tema que reaparece com frequência no Congresso Nacional. Recentemente, ela voltou a ser debatida após ser desmembrada da PEC da Segurança Pública para tramitação separada. Especialistas, porém, contestam a proposta. Para discutir o assunto, o Edição do Brasil conversou com a pesquisadora do Centro de Estudos de Criminalidade da UFMG, Ludmila Ribeiro. Em sua avaliação, propostas como essa podem ter um caráter simbólico ou eleitoral? A redução da maioridade penal tem forte apelo simbólico e eleitoral, baseada na ideia de que diminuiria os atos infracionais cometidos por adolescentes. Contudo, dados recentes apontam queda no número de jovens apreendidos e internados, influenciada também pela redução da população juvenil. Assim, não há evidências de que penas mais duras reduzam a criminalidade. O problema exige menos foco no agravamento das punições e mais investimento em políticas de prevenção. As prisões brasileiras teriam condições de receber adolescentes de 16 e 17 anos? O sistema prisional brasileiro não possui estrutura adequada nem para os adultos encarcerados, muito menos para adolescentes de 16 e 17 anos. Em alguns estados, a ocupação das prisões ultrapassa 200%, revelando grave superlotação. Além disso, há poucas oportunidades de educação e trabalho, já que apenas parte dos presos tem acesso a atividades laborais. As políticas de saúde, assistência social e educação ligadas ao sistema prisional são precárias, dificultando a ressocialização. O sistema socioeducativo brasileiro consegue cumprir seu papel de ressocialização? Ainda há poucos estudos conclusivos sobre a eficácia do sistema socioeducativo na ressocialização de adolescentes. Pesquisas do Instituto Sou da Paz e de Valéria Oliveira apontam três fatores principais ligados à reincidência. O primeiro é a prática de atos infracionais em idade muito precoce, o que evidencia a necessidade de políticas preventivas. O segundo é a internação ainda muito jovem, já que o contato precoce com ambientes violentos tende a reforçar trajetórias criminosas. O terceiro fator é o apoio familiar após a saída da privação de liberdade: famílias acolhedoras aumentam significativamente as chances de reintegração e mudança de vida. Qual o peso de fatores como pobreza, evasão escolar e ausência de políticas públicas nesse cenário? O debate sobre criminalidade juvenil deve ir além da pobreza e focar no papel da escola. Em um contexto dominado pela tecnologia, muitos jovens consideram a escola pouco atrativa, inclusive os de classes médias e altas. Casos de violência sexual e contra a mulher envolvendo estudantes de boa condição social mostram que o problema não se resume à desigualdade econômica. É necessário repensar o modelo educacional e enfrentar padrões de gênero que reforçam masculinidades violentas. A escola é fundamental nesse processo, mas precisa atuar junto a políticas de saúde e assistência social, especialmente no cuidado ao uso de drogas e à saúde mental. Como equilibrar proteção integral da juventude e responsabilização por crimes graves? O período máximo de internação no sistema socioeducativo é de três anos, diferença não tão grande em relação à média de cinco anos no sistema prisional. Ainda assim, a sociedade brasileira mantém uma visão punitivista, associando a responsabilização apenas ao sofrimento e ao encarceramento. Porém, adolescentes já podem cumprir longos períodos de privação de liberdade nessa fase de desenvolvimento. Por isso, o debate deve priorizar também medidas de proteção e reintegração. Isso inclui políticas de educação, saúde, assistência social e apoio psicológico, além de combater a resistência de escolas em receber jovens que cumprem medidas socioeducativas.
Dormir poucas horas pode impactar a saúde dos adolescentes

Uma pesquisa publicada na revista científica JAMA, conduzida com 120 mil jovens, apontou que 76,8% dos adolescentes apresentam privação de sono, dormindo sete horas ou menos por noite. O levantamento também mostrou que cerca de 25% descansam somente cinco horas diariamente. No Brasil, informações da Fundação Oswaldo Cruz indicam que aproximadamente metade dos jovens não alcança a quantidade mínima de sono recomendada. A privação de sono entre adolescentes tem sido associada a uma série de problemas de saúde e dificuldades no cotidiano. Alterações de humor, dificuldade de concentração, baixo rendimento escolar, ansiedade e aumento do risco de doenças cardiovasculares estão entre as consequências mais comuns. Além disso, o uso excessivo de telas e a rotina intensa de estudos e atividades extracurriculares aparecem como alguns dos principais fatores responsáveis pela redução das horas de descanso. Para a neurologista Helena Duarte, o organismo dos adolescentes sofre impactos profundos quando o descanso adequado deixa de fazer parte da rotina. “O sono é um processo biológico essencial para a consolidação da memória, para o equilíbrio hormonal e para a recuperação do corpo. Quando um jovem dorme menos do que precisa, ele passa a apresentar sinais claros de desgaste físico e mental, mesmo que não perceba”. Segundo a médica, a privação contínua de sono interfere diretamente na capacidade de aprendizado. “Muitos adolescentes acreditam que estudar até tarde da noite melhora o desempenho escolar, mas ocorre o contrário. Sem dormir adequadamente, o cérebro perde eficiência na retenção de informações, na criatividade e na capacidade de resolver problemas”. Além dos prejuízos cognitivos, os impactos emocionais também chamam atenção. A irritabilidade e a dificuldade em lidar com frustrações tendem a aumentar em jovens que dormem pouco. “Existe uma relação forte entre privação de sono e transtornos emocionais, como ansiedade e depressão. O cérebro cansado reage de forma mais intensa aos estímulos negativos do cotidiano”, destaca Helena. Outro ponto de preocupação é o risco de acidentes. Jovens sonolentos apresentam mais dificuldade de atenção no trânsito, em atividades físicas e até em tarefas simples do dia a dia. “O déficit de sono reduz os reflexos e a capacidade de tomar decisões rápidas. Isso pode representar um perigo para adolescentes que já dirigem ou utilizam motocicletas”. A psicóloga Lara Fagundes, avalia que a rotina contemporânea tem contribuído diretamente para o problema. “Os adolescentes vivem hoje em um ambiente de hiperconexão. Muitos passam horas nas redes sociais, jogando on-line ou assistindo vídeos até de madrugada. O celular se tornou um dos principais responsáveis pela redução das horas de sono”. Existe ainda uma pressão social relacionada à produtividade, relata Laura. “Há jovens que acumulam escola, cursos, atividades físicas e responsabilidades familiares. Em meio a tantas exigências, o sono acaba sendo visto como algo secundário”, explica. A especialista também ressalta que muitos adolescentes enfrentam dificuldades emocionais silenciosas, o que pode agravar a insônia. “Ansiedade relacionada ao futuro, pressão estética e comparações nas redes sociais fazem com que muitos tenham dificuldade para relaxar antes de dormir”. Ela alerta que mudar esse cenário exige uma mudança nos hábitos diários. Entre as recomendações está estabelecer horários fixos para dormir e acordar, inclusive aos fins de semana. “O cérebro funciona melhor quando existe regularidade. Dormir cada dia em um horário diferente dificulta a produção adequada de melatonina, hormônio responsável pelo sono”. Helena destaca que o uso excessivo de celulares, tablets e computadores antes de dormir prejudica a qualidade do sono, já que a luz das telas reduz a sensação de cansaço e mantém o cérebro em estado de alerta. A recomendação é evitar aparelhos eletrônicos uma hora antes de deitar. Hábitos como consumir café, energéticos e refeições pesadas à noite também podem atrapalhar o descanso. Manter o quarto escuro, silencioso e confortável, e praticar exercícios físicos regulares, ajuda o organismo a relaxar e melhora a qualidade do sono.
Vendas do Dia dos Namorados devem injetar R$ 22 bilhões

O Dia dos Namorados de 2026, comemorado em 12 de junho, se destaca como uma das datas mais importantes para o varejo no Brasil. De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, a expectativa é de que aproximadamente 93 milhões de consumidores participem das compras, impulsionando o comércio nessa ocasião. Em média, os brasileiros devem gastar cerca de R$ 238 na compra de presentes para a data, o que pode gerar uma movimentação de aproximadamente R$ 22,14 bilhões nos setores de varejo e serviços. A pesquisa também indica que a maior parte dos consumidores pretende presentear cônjuges (58%) ou parceiros (as) (34%). Além disso, 61% dos entrevistados afirmam que devem comprar apenas um presente, enquanto 27% planejam adquirir dois itens, resultando em uma média de 1,4 presentes por consumidor. Os itens mais desejados pelos consumidores incluem roupas (38%), seguidos por perfumes, cosméticos e maquiagens (34%). Também aparecem na lista calçados (20%), jantares (20%) e bombons ou chocolates (18%). Em relação às comemorações, 39% dos entrevistados pretendem celebrar a data em casa, enquanto 31% devem optar por restaurantes e 8% planejam comemorar em hotéis ou motéis. A maior parte dos consumidores (75,70%) afirma que pretende adquirir os presentes em lojas físicas. Sobre o pagamento, a forma à vista será a mais utilizada, representando 69% das intenções, com destaque para o Pix (34%). Já o pagamento parcelado é mencionado por 28% dos consumidores, principalmente no cartão de crédito (22%), com média de 3,5 parcelas. Para a economista Paula Albuquerque, o desempenho expressivo do Dia dos Namorados está ligado à combinação entre emoção e estratégia comercial. “É uma data em que o consumo é altamente simbólico. As pessoas não compram apenas um produto, mas uma forma de demonstrar afeto. Isso reduz a sensibilidade ao preço em muitos casos e amplia o potencial de vendas, especialmente em categorias como moda, beleza e gastronomia”. O crescimento do uso de meios de pagamento instantâneos também contribui para acelerar decisões de compra, segundo Paula. “O Pix, por exemplo, reduz a fricção na hora da transação e favorece a conclusão imediata da venda, o que é muito importante em períodos de alta demanda”. Já o especialista em varejo, Eduardo Naves, destaca que o resultado positivo para o comércio também depende de estratégias bem estruturadas ao longo das semanas que antecedem a data. “O varejo que se sai melhor é aquele que não espera a última hora. Campanhas antecipadas, vitrines temáticas e comunicação emocional ajudam a criar conexão com o consumidor e aumentam o fluxo nas lojas”. Na avaliação de Naves, a integração entre canais físicos e digitais também é determinante. “O cliente quer praticidade. Ele pesquisa on-line, compara preços e muitas vezes finaliza a compra na loja física. As marcas que conseguem unir esses dois ambientes saem na frente”. Apesar do potencial de consumo, os especialistas alertam para a necessidade de planejamento financeiro por parte dos consumidores. Com o aumento do uso do crédito e do parcelamento, o risco de endividamento pode crescer se não houver controle dos gastos. Paula recomenda cautela. “O ideal é estabelecer um orçamento antes de sair às compras e respeitá-lo. O parcelamento deve ser usado com cuidado, porque pequenas prestações acumuladas podem comprometer a renda dos meses seguintes. Presentear não precisa significar desequilibrar as finanças pessoais”. Do lado das empresas, o Dia dos Namorados segue sendo uma oportunidade estratégica para ampliar vendas e fidelizar clientes. Além de promoções e descontos, o varejo tem investido em experiências personalizadas, kits temáticos e ações voltadas à jornada completa do consumidor. “Não se trata apenas de vender mais barato, mas de criar uma experiência marcante. Embalagens especiais, atendimento diferenciado e ações digitais bem planejadas podem influenciar a decisão de compra”, finaliza Naves.
Prefeitos das maiores cidades na mira dos candidatos ao governo

Como há uma indefinição quanto aos nomes que irão participar da campanha ao Governo de Minas em 2026, os pretendentes a esse projeto buscam com toda ênfase apoio dos prefeitos, especialmente nas maiores cidades. Isso será importante no início das campanhas, no sentido de empolgar as lideranças de outros municípios. Neste projeto relativamente ao pilar de sustentação política na peleja estadual, um dos nomes mais cobiçados é do prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), cujo município registra aproximadamente dois milhões de eleitores. Se o chefe do Executivo da capital não está ainda tão popular a ponto de transferir votos a um possível apadrinhado, também é verdade que ele não tem desgastes mais expressivos em sua administração. Portanto, uma aliança com Damião de qualquer que seja o proponente ao Palácio Tiradentes, pode ser uma janela de oportunidade. Outros nomes significativos No segundo colégio eleitoral do Estado, Uberlândia, ostentando quase 500 mil eleitores, pode significar um reforço para quem almeja a aproximação com o atual prefeito da cidade, Paulo Sérgio (PP). O mandatário tem realizado grandes feitos no município, e sua inclinação para qualquer um dos pré-candidatos tem ares de importância nesta eleição ao governo mineiro. A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), pelas suas ligações políticas, tende a ficar com um nome ligado à esquerda, cujo escolhido ainda é uma incógnita. Vale registrar que JF é o terceiro maior aglomerado de votos, com mais de 400 mil eleitores. Na Região Metropolitana de Nova Lima, o prefeito João Marcelo Dieguez (Cidadania) merece uma observação positiva. Diferentes institutos de pesquisa o classificam com mais de 80% de popularidade. Ele é hoje uma das fortes lideranças municipalistas do Estado, especialmente pelo fato de ter elevado a sua cidade à categoria de uma das melhores urbes de Minas e do Brasil para se viver. Com certeza, o prefeito nova-limense é uma de figuras mais cortejadas neste momento, por todos os políticos que almejam voos mais altos do comando na política majoritária e proporcional de Minas Gerais. O prefeito de Betim, Heron Guimarães (União Brasil), e o de Montes Claros, Guilherme Guimarães (União Brasil), são lideranças fortes. Se estão politicamente hibernados, deve ser pelo fato de as campanhas estarem ainda apenas nas redes sociais. Com a cassação do prefeito de Governador Valadares, Coronel Sandro Fonseca (PL), semana passada, o município está fragilizado em relação a este tipo de abordagem eleitoral. Em Ipatinga, Capital do Vale do Aço, as debilidades administrativas do prefeito Gustavo Nunes (PL) o deixam à margem dessa empreitada.
Medo da criminalidade muda comportamento dos brasileiros

A violência urbana deixou de ser apenas um problema estatístico e passou a moldar diretamente a rotina da população brasileira. Evitar determinados trajetos, restringir horários de circulação e abrir mão de objetos pessoais se tornaram medidas de autoproteção adotadas por milhões de pessoas diante do avanço da criminalidade. Pesquisa recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha revela que 41% da população afirma conviver com o crime organizado na região onde mora, enquanto cresce a sensação de que o Estado perdeu espaço para as facções em diversas áreas urbanas do país. Em entrevista ao Edição do Brasil, o especialista em Inteligência Policial e Segurança Pública, André Santos Pereira, analisa os principais impactos desse cenário sobre a liberdade da população e aponta alguns caminhos para enfrentar o avanço crescente da violência e da impunidade. Como a percepção de domínio das facções impacta a relação da população com os espaços públicos? A percepção de que o crime organizado domina o território altera drasticamente a relação do cidadão com a cidade. Isso se manifesta fisicamente por meio de barricadas e vigilância armada, restringindo o direito constitucional de ir e vir. O espaço público deixa de ser um local de convivência e passa a ser visto como território de risco, pautado pelas regras impostas pelas facções, como a cobrança de taxas ilegais a comerciantes. Mesmo com redução de alguns crimes violentos, cresce a sensação de insegurança. O que explica esse descompasso? Existe um grave descompasso entre a propaganda do governo e a realidade das ruas. A redução de crimes letais não anula o impacto dos delitos do dia a dia, como roubos de celulares e golpes virtuais. A população baseia seu medo na sensação de onipresença da criminalidade comum e na baixa capacidade de punição desses crimes patrimoniais, o que gera insegurança generalizada. A mudança de hábitos da população representa uma normalização da violência? Sim. Quando o cidadão deixa de sair à noite ou evita usar seus pertences de valor como alianças e celulares para se autopreservar, a violência deixa de ser apenas um evento fortuito e passa a ser um elemento estruturante da vida urbana. Isso revela uma normalização patológica da insegurança e sinaliza uma questão bastante preocupante: a sociedade passou a aceitar a incapacidade do Estado em garantir proteção mínima das pessoas. Mulheres e pessoas de baixa renda aparecem entre os grupos mais afetados. O que pode ser feito? É necessário ampliar o monitoramento eletrônico ativo de agressores, garantindo aplicação em massa de tornozeleiras em casos de violência contra a mulher. Além disso, o poder público deve investir em inteligência policial, tecnologia e identificação imediata de criminosos em áreas de grande circulação, assegurando que o policiamento e a investigação cheguem às periferias e aos centros urbanos. O programa “Brasil Contra o Crime Organizado” pode trazer resultados concretos? A iniciativa é necessária, mas o sucesso depende de ultrapassar o papel. O combate à lavagem de dinheiro e o bloqueio de ativos são fundamentais para asfixiar economicamente as facções. O principal desafio é garantir integração de dados entre forças de segurança e entes federativos, além de enfrentar a impunidade. Quais mudanças estruturais seriam mais urgentes para restaurar a sensação de segurança? É urgente fortalecer a investigação criminal com investimento em inteligência policial e cibernética, além de revisar regras de progressão de regime e benefícios penais para crimes violentos. A população só voltará a confiar nas instituições quando o risco de cometer um crime for maior do que o benefício obtido com ele.
Cancelamentos de corrida são queixas dos apps de transporte

O cancelamento de corridas poucos minutos antes do embarque é a principal reclamação do artista cênico Gustavo Gomes, de 61 anos, sobre os aplicativos de transporte. O usuário utiliza o serviço pelo menos duas vezes por semana. Gomes alega que esse problema gera atrasos nos seus compromissos. “Se a gente cancela, recebemos multa. Quando eles cancelam, não temos nenhum respaldo. Sou morador de Sete Lagoas, na região Central, e utilizo o aplicativo da 99 para o lazer. Mas, encontro algumas dificuldades na prestação desse serviço, por exemplo, encontrar motoristas em determinados horários”. Segundo dados do ProconData, entre 1º de janeiro e 28 de abril de 2026, foram registradas 1.181 reclamações dos aplicativos Uber, 99, Indrive e Lady Driver, em Minas Gerais. Em Belo Horizonte, no mesmo período, foram 552 manifestações no Procon e na Ouvidoria do Ministério Público de Minas Gerais. Conforme uma análise realizada pela Peck Advogados, baseada nos dados da plataforma Reclame Aqui, as queixas dos consumidores obtiveram uma alta de 19,5%, entre 2022 e 2023. Foi um aumento de 100 mil para 124 mil registros. Falta de transparência nas tarifas, motoristas pouco preparados ou mal avaliados, atrasos significativos, e, em alguns casos, problemas de segurança, foram as principais reclamações. O sócio da Peck Advogados, Henrique Rocha, destaca que uma das principais razões por trás desse aumento está relacionada à expansão rápida e à falta de regulação efetiva. “A concorrência acirrada entre diferentes empresas de aplicativos de transporte privado levou a práticas comerciais agressivas, resultando em serviços inconsistentes e inadequados”. “A resistência de algumas empresas em lidar efetivamente com as reclamações dos usuários e implementar mudanças positivas em resposta ao feedback contribuiu para a persistência desses entraves”, afirma Rocha. O Procon e a Secretaria Nacional do Consumidor recomendam que, diante de problemas com aplicativos de transporte, o consumidor utilize os canais oficiais da plataforma e, caso não resolvido, registre a queixa em órgãos de defesa do consumidor. Jornadas longas O motorista Willian Mendes, de 35 anos, que trabalha para os aplicativos Uber, 99 e Indrive em Belo Horizonte e Região Metropolitana, ressalta que os principais desafios do dia a dia são a insegurança, a baixa remuneração e a falta de suporte. “São entre 10 e 12 horas à frente do volante e o valor pago pelas corridas é péssimo. O suporte oferecido pelos aplicativos é muito ruim e o atual modelo de gestão afeta a qualidade do serviço”. Já o condutor Gustavo Brant, de 44 anos, que trabalha com a Uber e, esporadicamente, a 99 Pop, aponta também a insegurança e a instabilidade dos ganhos como as principais dificuldades. “Sou motorista de aplicativo desde 2018, trabalho entre 8 e 12 horas por dia. O pagamento por corrida, na maioria das vezes, é baixo diante dos custos que temos, com manutenção do veículo e combustível, além do desgaste físico e mental”. Ele pontua que o suporte oferecido pelos aplicativos poderia ser melhor. “Muitas vezes, o motorista sente falta de um atendimento mais humano e de soluções mais rápidas para problemas importantes. E o modelo atual das plataformas acaba impactando a qualidade do serviço, porque os condutores precisam trabalhar jornadas muito longas para conseguir manter a renda, o que gera desgaste e afeta toda a operação”. “Já precisei cancelar corridas em algumas situações, principalmente quando o embarque era em local de risco, o passageiro demorava excessivamente, não compensava financeiramente ou havia informações desencontradas no chamado”, pontua. Brant conta também que já teve situações envolvendo avaliações injustas e problemas no aplicativo. “Mas, felizmente nunca tive bloqueio definitivo. Muitos motoristas vivem com receio constante de punições automáticas. Porém, ainda acho que vale a pena continuar no serviço, principalmente pela flexibilidade de horário”. A reportagem entrou em contato com os aplicativos Uber, 99 e Indrive, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.
Onicofagia: quando o hábito de roer unhas vira um transtorno

A onicofagia, termo médico utilizado para descrever o hábito compulsivo de roer unhas, é frequentemente tratada como um comportamento simples ou um vício sem maiores consequências. No entanto, especialistas alertam que o problema pode estar associado a transtornos emocionais, ansiedade e até dificuldades de regulação emocional, afetando não apenas a saúde física, mas também a autoestima e a vida social de quem convive com a condição. Embora seja mais comum na infância e na adolescência, o hábito pode persistir na vida adulta e, em casos mais graves, exigir acompanhamento psicológico e psiquiátrico. De acordo com um estudo publicado na revista científica National Library of Medicine, 20% a 30% da população mundial, em todas as faixas etárias, roem as unhas. O comportamento costuma surgir de forma aparentemente inofensiva, muitas vezes em momentos de tensão, preocupação ou tédio, mas pode evoluir para episódios repetitivos e difíceis de controlar. As consequências incluem deformações nas unhas, infecções bacterianas e danos aos dentes. A psicóloga Lara Fagundes explica que a onicofagia está diretamente relacionada ao modo como o cérebro responde ao estresse. “Roer as unhas funciona, para muitas pessoas, como uma válvula de escape emocional. O ato produz uma sensação momentânea de alívio e ajuda a descarregar tensão acumulada. O problema é que o cérebro passa a associar esse comportamento ao conforto emocional, criando um ciclo repetitivo”. Embora a ansiedade seja um dos fatores mais comuns associados ao problema, ela não é a única causa. “Existem pacientes que desenvolvem o hábito por imitação durante a infância, enquanto outros apresentam a condição ligada a transtornos obsessivo-compulsivos, hiperatividade ou dificuldades emocionais mais profundas. Em muitos casos, a pessoa nem percebe que está roendo as unhas, porque o comportamento se torna automático”, afirma Lara. O diagnóstico da onicofagia é clínico e geralmente realizado por psicólogos, psiquiatras ou dermatologistas. A avaliação considera a frequência do comportamento, o grau de lesão provocado nas unhas e o impacto emocional causado pela compulsão. Em situações mais graves, o hábito pode provocar sangramentos constantes, dores e infecções recorrentes. A dermatologista Helena Moura destaca que o problema vai muito além da questão de estética. “As unhas funcionam como uma barreira de proteção natural do corpo. Quando a pessoa rói constantemente essa estrutura, abre portas para fungos, bactérias e inflamações. Também há alguns riscos odontológicos importantes, como desgaste dos dentes, retração gengival e alterações na mordida”. Entre os principais sintomas observados em pacientes com onicofagia estão unhas muito curtas, deformadas ou irregulares, feridas ao redor dos dedos, cutículas machucadas e sensação frequente de culpa após os episódios compulsivos. Muitos pacientes relatam vergonha de mostrar as mãos em ambientes sociais ou profissionais, o que pode agravar quadros de insegurança e isolamento. “O sofrimento emocional costuma ser silencioso, segundo Lara. “Há pessoas que tendem a esconder as mãos o tempo todo ou evitam interações sociais por vergonha do estado das unhas. Isso afeta a autoestima e pode gerar um impacto psicológico significativo”. Especialistas ressaltam que a onicofagia não deve ser encarada apenas como falta de disciplina ou “mania”. O comportamento compulsivo possui componentes emocionais complexos e, em determinados casos, está relacionado a transtornos de ansiedade e depressão. O tratamento varia conforme a intensidade do quadro e as causas associadas. Helena explica que existem ainda recursos complementares usados para reduzir o impulso compulsivo. “Muitos pacientes se beneficiam do uso de bases com sabor amargo aplicadas nas unhas, além de cuidados estéticos que ajudam a preservar a aparência das mãos e reforçam a motivação para abandonar o hábito. Em situações mais severas, pode haver indicação de medicamentos para controle da ansiedade, sempre com acompanhamento médico”. A família também desempenha papel importante no tratamento, principalmente quando a onicofagia aparece na infância. Especialistas alertam que punições e críticas excessivas tendem a aumentar a ansiedade da criança, piorando o comportamento.