Lesões no futebol elevam a busca por tratamentos

Atletas têm enfrentado calendários com pouco espaço para descanso / Foto: Magnific.com

Às vésperas da Copa do Mundo, o futebol internacional voltou a conviver com um velho problema: as lesões que afastam atletas de grandes competições. As situações que aconteceram com Rodrygo, Éder Militão, Jack Grealish e Hugo Ekitike reacenderam o debate sobre a importância da medicina esportiva, especialmente dos exames de imagem e das terapias modernas utilizadas na recuperação física de atletas profissionais e amadores.

A rotina intensa do calendário esportivo, marcada por jogos frequentes e pouco tempo de recuperação, tem elevado os índices de problemas musculares e articulares. Segundo o médico radiologista Harley De Nicola, as lesões mais comuns no futebol de alto rendimento atingem principalmente os membros inferiores. “As lesões musculares, ligamentares e tendíneas continuam sendo as mais frequentes no futebol porque envolvem estruturas submetidas a explosão, aceleração, mudança brusca de direção e contato físico constante”.

Nesse cenário, os exames de imagem passaram a ter um papel fundamental não apenas no diagnóstico, mas também no acompanhamento da recuperação. Técnicas como ressonância magnética, ultrassom musculoesquelético e tomografia computadorizada permitem avaliar a gravidade das lesões, a presença de inflamações e a evolução do tratamento.

De acordo com o radiologista, o monitoramento contínuo reduz o risco de retorno precoce dos atletas às atividades. “Nem sempre a melhora clínica significa cicatrização completa da estrutura lesionada. O acompanhamento por imagem auxilia na tomada de decisão e reduz o risco de recidiva”.

Estudos nacionais e internacionais reforçam esse panorama. Pesquisa conduzida pela University of South Wales apontou que as regiões mais lesionadas em jogadores profissionais são a coxa, o tornozelo e o joelho. Já um levantamento realizado pela Unifesp também identificou predominância de lesões nos membros inferiores, especialmente musculares.

Tratamentos regenerativos

Além do diagnóstico por imagem, a medicina esportiva vem incorporando tratamentos regenerativos avançados para acelerar a recuperação e melhorar a condição funcional dos atletas. Um dos exemplos recentes envolve Neymar, convocado para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo após meses de recuperação física.

Segundo o fisioterapeuta Alexandre Alcaide, terapias como ondas de choque e PRP, técnica que utiliza plasma rico em plaquetas, contribuíram diretamente para a evolução clínica do jogador. “Esse conjunto de exercícios aliado aos recursos regenerativos avançados faz com que o tecido consiga se recuperar em plenitude. Muitas vezes, não se recupera totalmente, mas consegue entregar 100% da qualidade funcional disponível naquele momento”.

Os procedimentos foram utilizados principalmente na recuperação do menisco lesionado e da sutura realizada no joelho do atleta. Conforme o especialista, as técnicas favorecem a cicatrização, ajudam no controle da dor e permitem retorno mais seguro às atividades esportivas. Os benefícios, porém, não se restringem ao esporte profissional. Alcaide destaca que os métodos também são aplicados em casos de artrose, lesões musculares, problemas no ombro e dores articulares em pacientes comuns.

Atletas amadores

Harley De Nicola alerta que praticantes amadores também precisam de cuidados médicos e acompanhamento adequado. Ele explica que a tentativa de reproduzir a intensidade do esporte de alto rendimento sem preparação física suficiente aumenta o risco de lesões graves. “Existe uma tendência de reprodução da intensidade do esporte de elite sem o mesmo preparo físico, recuperação ou acompanhamento médico”, finaliza.

Compartilhe

Em destaque