Venda de veículos apresenta crescimento de quase 37% em março

Foram mais de um milhão de emplacamentos / Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O mercado brasileiro de veículos registrou forte expansão no primeiro trimestre de 2026. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que, em março, foram emplacados 513.099 veículos. Esse foi o segundo melhor resultado para o mês na série histórica da entidade. O volume representa crescimento de 36,86% em relação a fevereiro e de 35,26% em comparação com o mesmo período de 2025.

No acumulado entre janeiro e março, os emplacamentos, que englobam automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários, somaram 1.254.696 unidades, alta de 16,09% em comparação ao mesmo período do ano passado. O resultado é o terceiro melhor da série histórica, atrás apenas de 2011 e 2012.

Considerando apenas a venda de veículos zero quilômetros, que inclui os de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus, o crescimento foi de 45,55% em comparação a fevereiro e de 37,85% na comparação anual, somando 269.463 veículos comercializados. As motocicletas seguem se destacando como um dos principais pilares de expansão, com 221.573 unidades vendidas.

De acordo com o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, o desempenho reflete um cenário mais aquecido. “O terceiro mês do ano confirmou um mercado mais dinâmico, com desempenho disseminado entre os principais segmentos e um primeiro trimestre que já se posiciona entre os melhores da série histórica. O calendário ajudou, já que março contabilizou 22 dias úteis, mas os dados mostram reação da demanda”.

A economista Natalie Verndl explica que o fato de o acumulado ser o terceiro melhor resultado da série histórica se justifica por uma razão até numérica. “Ou em termos estatísticos, por conta da própria base comparativa ter sido mais fraca quando comparada com os dados mais recentes. Tivemos também um ponto sazonal, uma recuperação da demanda e um desempenho mais forte no mês de março, que acabou concentrando um volume mais elevado do número de emplacamentos”.

Esse resultado pode ser interpretado até como um indicador que antecede parcialmente a atividade econômica, afirma a economista. “Até porque, o nosso setor automotivo acaba respondendo mais rapidamente do que outros segmentos às variáveis como a renda, o emprego, o próprio crédito e a confiança do consumidor e da própria indústria”.

“A compra de veículos costuma refletir uma certa expectativa positiva sobre o futuro, por se tratar de um bem de consumo durável. Só que essa leitura tem que ser feita com uma ressalva, já que o desempenho do setor pode estar captando uma normalização após anos de restrição, tanto da oferta quanto à demanda, e isso não necessariamente reflete um ciclo de amplitude e uma sustentabilidade no crescimento econômico de toda a economia”, avalia Natalie.

“Um ponto importante de destacar é que, embora tenha essa melhora, o mercado brasileiro ainda não retornou plenamente a um patamar estrutural pré-pandemia em todos os seus segmentos, principalmente quando consideramos a produção e o encadeamento industrial, que continuaram sendo mais irregulares do que o ciclo anterior ao ano de 2020”, observa.

Juros e endividamento

Para Natalie, em termos de sustentabilidade, o mais provável é que tenha uma desaceleração ao longo do ano. “Ainda que o cenário apresente um crescimento positivo, porque o ritmo de 16% no trimestre tenha chegado acima do esperado para o ano como um todo, isso gira ainda em torno de uma expansão que acaba sendo um pouco mais moderada”.

A especialista ressalta que o ambiente macroeconômico ainda tem restrições relevantes. “Principalmente quando pensamos em juros elevados, que restringe a capacidade de um aumento das plantas produtivas; o endividamento das famílias, que está comprometendo a questão da renda e aquisição, tanto no curto, médio e provavelmente no longo prazo, uma vez que temos 80% da população brasileira em situação de endividamento e 40% em inadimplência. Tudo isso acaba limitando essa continuidade de um crescimento mais acelerado para o setor no início de 2026”.

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