
O comércio e o setor de serviços devem abrir 130 mil vagas temporárias e efetivas para o fim de ano de 2026, representando um acréscimo de 12 mil postos em relação ao ano passado, de acordo com a pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil.
Segundo o levantamento, a maior parte dos empresários (57%) pretende manter o quadro de funcionários como está, enquanto 26% já planejam aumentar a equipe e apenas 3% cogitam reduzi-la. Ao todo, 36% das empresas já contrataram ou pretendem contratar funcionários para o fim de ano, sejam eles temporários, informais, efetivos ou terceirizados.
A média será de 1,52 profissional temporário por empresa, e quase metade dos empreendimentos que farão contratação (47%) planeja reforçar o time com apenas um trabalhador. A duração média dessas contratações é de 2,4 meses, enquanto a média de efetivações é de um funcionário por empresa.
“A expectativa positiva dos empresários para este período festivo evidencia a resiliência e a força do nosso setor produtivo. Muito além de suprir picos sazonais de vendas, essas vagas temporárias representam uma verdadeira vitrine de talentos”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.
O economista e presidente do Sindicato dos Economistas de São Paulo (Sindescon-SP), Carlos Eduardo Oliveira Júnior, afirma que esses dados mostram que comércio e serviços seguem sustentando a geração de empregos no Brasil, refletindo expectativas dos empresários em relação à demanda e ao consumo. “O impacto disso é o aumento da renda disponível às famílias, impulsionamento do consumo e o fortalecimento da atividade econômica, criando um efeito positivo em diversos setores”.
Vagas
O mês de novembro concentra o maior volume de admissões (24%), à frente de setembro (18%) e outubro (17%). Entre as modalidades de contratação, 50% das vagas terão carteira assinada e 43% serão informais. Já 24% serão contratados como pessoa jurídica (PJ), enquanto 11% serão terceirizadas. Em relação à duração, 39% serão por tempo indeterminado.
A idade média dos contratados é de 26 anos, concentrada na faixa de 25 a 34 anos. Quanto ao gênero, 38% das empresas não têm preferência, enquanto 33% buscam mulheres e 28%, homens. A inclusão de pessoas com deficiência ainda é baixa, apenas 11% das empresas planejam vagas destinadas a esse público. Vendedor segue como a função mais demandada (23%), seguida por ajudante (22%), entregador (10%), manicure (10%), caixa (9%) e recepcionista (9%).
Para Júnior, as vagas temporárias revelam a confiança dos empresários nas vendas futuras. “Porém, devem ser analisadas junto com indicadores como faturamento, confiança do consumidor, crédito e inadimplência”.
“A distribuição de oportunidades formais e informais demonstra que há espaço para a formalização. Porém, a informalidade ainda permanece elevada. Isso reflete a busca das empresas por flexibilidade e menores custos de contratação. Esse cenário exige bastante atenção”, acrescenta.
Remuneração
A remuneração média é de R$ 1.805, uma queda de R$ 138 frente a 2025, e a carga horária também recuou de 7,75, para 7,54 horas diárias. Já 71% das empresas afirmam oferecer algum tipo de benefício aos contratados.
Essa redução da remuneração média sugere que muitas vagas estão concentradas em funções operacionais e de menor qualificação, explica Júnior. “Embora mais pessoas sejam empregadas, salários menores limitam o crescimento do poder de compra e do consumo”.
Oportunidades
Para além das contratações sazonais, o especialista ressalta que as principais oportunidades para a geração de empregos nos próximos anos estão na expansão dos serviços, comércio eletrônico, tecnologia, infraestrutura e transição energética. “Já os riscos incluem juros elevados, desaceleração econômica, incertezas fiscais e baixa qualificação profissional”.
“As contratações temporárias costumam servir como porta de entrada para o mercado formal. Dependendo do desempenho do trabalhador e do resultado das vendas, parte dessas vagas pode se transformar em emprego permanente”, finaliza.