
Entre os dias 14 e 18 de outubro, será realizada a 6ª Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte, no Centro Cultural Unimed-BH Minas. A programação terá cerca de 30 produções, com atividades on-line e todas as ações serão gratuitas.
Criada em 2021, a Semana de Cinema Negro nasceu com o propósito de ampliar a circulação de filmes realizados por pessoas negras e aproximar o público de diferentes cinematografias do Brasil, da diáspora e do continente africano. Ao longo de suas edições, o festival também consolidou ações de formação, encontros e debates para valorizar a memória e a produção audiovisual negra.
A idealizadora e diretora do festival, Layla Braz, explica que na faculdade ela sentia falta de falar e ver realizações negras. “Foi na mostra Fest Curtas que consegui acompanhar e saber um pouco mais sobre realizadores negros. Então, escrevi a Semana de Cinema Negro, no início de 2019, com o objetivo de trazer os filmes do continente africano e também apresentar a produção contemporânea e histórica de realizadores negros”.
“O festival tenta abrir espaço para uma discussão efetiva, apresentar uma quantidade maior de filmes para conseguir abraçar um pouco mais o que estava sendo produzido por pessoas negras e que os festivais hegemônicos não conseguiam abranger. Precisamos trazer uma variedade de produções para falar sobre o que são os cinemas negros, no plural, para discutir essa diversidade”, acrescenta.
A programação desta edição inclui sessões de cinema, ações para crianças e grupos escolares, recursos de acessibilidade e atividades que articulam o audiovisual a outras expressões culturais. A Semana também promove debates entre realizadores, pesquisadores, estudantes, críticos, profissionais do audiovisual e o público.
A realização da Semana de Cinema Negro é da Quiabo Produções, com o Minas Tênis Clube como correalizador. A retirada de ingressos e a programação completa serão divulgadas em breve no @semana.cinemanegrobh no Instagram.
Festival quase cancelado
Em agosto, a organização havia anunciado o cancelamento do festival por não conseguir garantir a captação necessária para sua realização, mesmo com as aprovações na Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte e na Lei Rouanet. A partir desse contexto, foi iniciada uma negociação que levou à entrada do Minas Tênis Clube como correalizador.
O programador das salas do Centro Cultural Unimed-BH, Samuel Marotta, guarda uma lembrança muito viva de uma das primeiras edições. “As plotagens, os cartazes, as camisas do evento. Tudo me encantou. Tinha bastante gente, música e uma comida deliciosa. Tudo isso em volta de uma programação extremamente criativa e potente. E, com isso, me veio o desejo genuíno de que a Semana nunca perdesse essa força”.
“O anúncio de que a edição de 2026 não aconteceria foi terrível para todos, seja da classe cinematográfica, da classe cultural ou do público. A descontinuidade de um festival tão importante quanto esse acarreta prejuízos muitas vezes incontornáveis. Foi nesse momento que veio o desejo de receber a Semana do Cinema Negro nas salas do Centro Cultural Unimed-BH Minas”, complementa.
Políticas públicas
Para Layla, o cinema negro brasileiro ainda precisa conquistar mais políticas públicas. “Ainda é um espaço muito difícil de se construir carreira, principalmente, realizar os próprios projetos. Por exemplo, cancelamos a edição deste ano, até conseguir um correalizador”.
Segundo a idealizadora, ainda existe resistência em reconhecer a importância e o potencial de iniciativas voltadas ao cinema negro. “As políticas públicas fazem a gente ter acesso para construir esse caminho, tanto com a realização cinematográfica quanto com os outros diversos trabalhos culturais. Precisamos desse meio também para ampliar a comunicação. Fazer com que trabalhos como esses cheguem em outros espaços descentralizados, periferias e interior, sendo esse meio essencial”, finaliza.