44,2% das famílias sentem o impacto da alta dos alimentos nas finanças

Foto: Magnific.com

O encarecimento dos alimentos é o principal fator de pressão sobre o orçamento familiar para 44,2% dos entrevistados, segundo uma pesquisa realizada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg. Como era possível indicar mais de uma alternativa no questionário, 32,1% mencionaram o aumento das despesas essenciais (como energia elétrica, água, gás e internet) como o item que mais afeta as finanças da família. Já 25% dos participantes apontaram o acúmulo de dívidas ou as taxas elevadas de juros como o principal impacto sobre sua situação financeira.

Entre os demais fatores apontados pelos entrevistados, 23,9% citaram os impostos como o principal responsável pelo impacto sobre suas finanças. Na sequência, aparecem as despesas com saúde, mencionadas por 11,1%, e o aumento nos custos de transporte ou combustível, indicado por 9,5%. Outros 5,5% apontaram a elevação dos preços dos serviços, enquanto 5,3% relacionaram a maior dificuldade financeira à falta de emprego. Já os gastos com educação foram citados por 4,3% dos participantes, e o aumento do aluguel ou do condomínio, por 3,9%. Além dessas alternativas, 10,1% dos eleitores afirmaram que outro fator é o que mais pesa sobre sua situação financeira.

Para o economista Rafael Gomes, a combinação entre clima, produção e custos de transporte ajuda a explicar porque determinados produtos podem ficar muito mais caros em pouco tempo. “Alimentos in natura são bastante sensíveis à oferta, uma quebra de safra ou uma alteração no clima pode reduzir a quantidade disponível e provocar uma alta rápida. Além disso, gastos com combustível, armazenamento e transporte também podem chegar ao preço final pago pelo consumidor”.

O cenário também mostra que o consumidor precisa olhar para além do preço de um único produto. Em alguns períodos, itens que estavam caros podem voltar a ficar mais baratos com a melhora da oferta. “Foi o que ocorreu no meio do ano, quando a alimentação no domicílio acumulou quedas após meses de alta. Dados oficiais mostram que, em junho, produtos in natura acumulavam alta no ano, enquanto em julho o comportamento dos preços começou a apresentar forte reversão”, ressalta.

Diante das oscilações, comparar preços e substituir produtos pode ser uma estratégia para reduzir o valor da feira sem comprometer a qualidade da alimentação. “A primeira recomendação é não montar o cardápio pensando em marcas ou produtos fixos. O consumidor pode escolher frutas, verduras e legumes da estação, que têm maior oferta, e trocar uma proteína mais cara por outra de preço mais acessível”, afirma o consultor de varejo e especialista em consumo, Eduardo Naves.

Ele reforça que o planejamento também evita desperdícios, que representam uma despesa muitas vezes invisível para as famílias. “Antes de ir ao supermercado, vale conferir o que já existe em casa e elaborar as refeições da semana. Comprar grandes quantidades de alimentos perecíveis apenas porque estão em promoção pode gerar economia no caixa, mas prejuízo quando parte da comida estraga”.

Naves explica que outra alternativa é priorizar alimentos básicos e versáteis, como arroz, feijão, ovos, legumes e verduras, combinando- -os de diferentes maneiras ao longo da semana. “A substituição também pode ser feita dentro de uma mesma categoria, se uma determinada fruta estiver muito cara, por exemplo, outras opções da estação podem ocupar o lugar”.

Nesse contexto, diminuir o gasto com alimentação pode representar uma das formas de reorganizar o orçamento mensal. A estratégia, porém, não precisa significar abrir mão de uma dieta equilibrada. Planejar as compras, pesquisar preços, aproveitar alimentos da estação, observar promoções realmente vantajosas e diversificar as opções são medidas que podem ajudar a diminuir a conta do supermercado.

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