Pesquisa revela que felicidade dos brasileiros caiu 28,4 pontos em sete meses

Foto: Magnific.com

A felicidade do brasileiro mudou de percepção ao longo de 2026. É o que aponta o “Mapa da Felicidade Real no Brasil”. Em fevereiro, 89,5% dos entrevistados se consideravam felizes. Seis meses depois, o percentual caiu para 61,1%, uma diferença de 28,4 pontos percentuais.

Na observação da especialista em Ciência da Felicidade e responsável pelo estudo, Renata Rivetti, o resultado é expressivo, mas precisa ser interpretado com cautela. “Estamos falando de uma queda na percepção declarada de felicidade e não afirmando que os brasileiros ficaram mais infelizes”.

A mudança veio acompanhada de outros indicadores. A parcela que afirma contar com amigos ou familiares como rede de apoio caiu de 87,2% para 78,3%. Ao mesmo tempo, aumentou de 50,5% para 66,1% o percentual de pessoas que já se sentiram tristes ou infelizes ao utilizar redes sociais. Entre os trabalhadores, também recuou de 76,6% para 70,8% a parcela que considera o trabalho uma fonte de felicidade.

Segundo Renata, outro ponto de atenção está nos vínculos. “Felicidade não é apenas uma experiência individual. Ela também é construída na relação com outras pessoas. Ter alguém para procurar quando a vida aperta, alguém com quem dividir uma conquista, uma dificuldade ou simplesmente estar junto produz algo que nenhuma tecnologia substitui completamente: pertencimento, segurança e reciprocidade”.

Sobre as redes sociais, a especialista reforça que é necessário tomar cuidado para não transformar as redes sociais em uma explicação única para um fenômeno muito mais complexo. “As redes não são apenas ferramentas neutras. Elas organizam aquilo que vemos, comparam nossas vidas às vidas de outras pessoas, estimulam uma exposição permanente e podem nos colocar diante de um volume grande de conflitos, notícias negativas, denúncias e opiniões divergentes”.

Dinheiro traz felicidade?

Se relações, trabalho e ambiente digital ajudam a explicar as diferentes dimensões do bem-estar, a situação financeira também interfere nessa equação. Uma pesquisa da Ipsos realizada em 2025 mostrou que 35% dos brasileiros consideravam sua situação financeira difícil ou muito difícil, enquanto outros 28% afirmavam estar apenas “se virando como podem”.

Conforme o especialista em felicidade e gestão financeira, Claudio Santana, a frase “dinheiro não traz felicidade” precisa ser relativizada. “Dinheiro traz felicidade até um certo ponto. A falta dele traz infelicidade”.

De acordo com Santana, o problema aparece quando ganhar mais passa a alimentar uma busca sem fim. Ele chama atenção para a comparação estimulada pelas redes sociais. “Acaba se vendo um retrato da vida do outro e acha que aquilo ali vai te fazer feliz. Isso cria uma corrida pelo próximo bem ou experiência que ainda não tem e quando conquista, você não tem o mesmo desejo”.

Nesse ponto, o especialista defende uma mudança na forma de utilizar os recursos. Em vez de direcionar o dinheiro exclusivamente para bens materiais, experiências e relacionamentos podem produzir benefícios mais duradouros. “Viagens, momentos com a família e encontros com amigos permanecem nas lembranças, enquanto a satisfação proporcionada por muitos objetos tende a diminuir”.

O dinheiro também pode comprar algo que, na avaliação de Santana, é mais valioso do que novos bens: tempo. “Contratar alguém para realizar uma tarefa doméstica ou um serviço profissional, por exemplo, pode liberar horas para atividades consideradas importantes”.

“Outra possibilidade é utilizar os recursos para fortalecer relacionamentos e ajudar outras pessoas. Conhecer os próprios gastos, organizar dívidas e estabelecer objetivos ajuda a diminuir a sensação de descontrole”, acrescenta.

Para Renata, existe uma espécie de infraestrutura humana do bem-estar, formada por vínculos, pertencimento, segurança, saúde, trabalho sustentável, tempo, autonomia e perspectiva de futuro. “A felicidade é individual na experiência, mas também é coletiva nas condições que a tornam possível”, conclui.

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