Futebol alegria do povo, futebol esporte dominante. No Brasil, todo mundo adora futebol, torce por algum time, faz parte de alguma torcida organizada. E mais, todos consomem produtos dos seus times, compram título de sócio-torcedor e não perdem jogo ao vivo.
Faz tempo que futebol não é mais a preferência absoluta do nosso povo. Ainda é forte, representa muito, mas vem perdendo terreno em boa velocidade, especialmente entre os mais jovens. Os motivos são diversos. Vai da evolução de outros esportes, passando por outras atrações mais interessantes e inclusivas. Merece reflexão séria e estudo profissional.
Preocupadas com o futuro, Fifa, Conmebol, CBF, federações e clubes devem estar se mexendo para sair da inércia e encontrar novos e bons caminhos. Mesmo porque, quem fica parado é poste.
Por aqui, a CBF mandou realizar uma pesquisa e chegou a números surpreendentes. Anotem: 59% da população nunca foi a um estádio e 72% da população feminina nunca frequentou estádio. Os motivos são sérios: Falta de transporte e segurança, preço muito alto dos ingressos e dos produtos vendidos dentro da arena, além de horários inadequados dos jogos.
Soma-se a tudo isso, sem precisar de qualquer pesquisa, a má qualidade dos jogos, os horários estranhos, a falta de ídolos de verdade, os constantes erros das arbitragens e a quantidade absurda de regras que atrapalham o espetáculo. Por exemplo, os jogadores entram em campo parecendo robôs, em fila dupla. Coisa mais idiota. Quem faz gol não pode comemorar junto ao torcedor que pagou para ver o espetáculo. Não pode tirar a camisa, vendida para o patrocinador.
Se não obedecer, é crime e recebe punição. Um absurdo. E o tal VAR, tecnologia sem competência, leva um enorme tempo para definir o óbvio. Tira a alegria e a emoção do melhor momento do futebol. É a tecnologia a serviço da burrice.
Enfim, o futebol vai deixando de ser um entretenimento descontraído, feliz, alegre, bom para reunir familiares e amigos nos estádios e se transformando em algo tenso, chato e cheio de frescuras.
É crescente a quantidade de jovens que não torcem para nossos times, preferindo os times famosos da Europa. A presença de crianças e jovens praticando ou assistindo outros esportes vem aumentando de forma considerável. Até mesmo os jogos virtuais têm tomado espaço do futebol. Parece ilusão, mas é coisa séria.
Evidente que não é o fim do futebol. Ele ainda é forte. Segundo pesquisa, 41% da população adora o jogo da bola, 89% acompanham o noticiário esportivo diariamente, 78% torcem por algum time, 47% comparecem ao estádio pelo menos uma vez por semana, 19% vão ao estádio de forma regular e 28% compram produtos dos seus times. E tem mais: 18% são torcedores fanáticos, 30% animados, 32% eventuais e 20% sem muito interesse.
Outros dados interessantes. 61% dos amantes do futebol preferem assistir aos jogos pela TV aberta, 38% pela TV paga. Cresce também as transmissões via streamings, tanto oficiais quanto piratas. O quantitativo desta audiência ainda não tem uma comprovação real. Mas, o público gosta, principalmente a nova geração. Verdade que acontece uma transformação enorme para o consumo do entretenimento. As opções são muitas, tanto para curtir algum esporte, como outras atrações. Impressionante como aumentou o interesse em praticar vôlei, fut7, corridas e outros.
Vai longe o tempo em que o pai, mãe, filhos, demais parentes e amigos iam juntos para o campo de futebol. Era a verdadeira torcida organizada. Atualmente, ir ao futebol ficou caro, além do medo da violência e demais problemas já citados, fazendo com que este tipo de confraternização vá minguando. As entidades organizadoras e realizadoras do futebol e os clubes praticantes precisam acordar para esta realidade. Ao continuar deitados na fama, vão acabar caindo da cama.
Entre várias outras demandas, é urgente mais investimento no transporte, no acesso e saída dos estádios, mais conforto e segurança dentro e no entorno. Diminuição forte dos custos, permitindo preços mais justos para os ingressos e produtos. O tempo corre e o futebol precisa correr muito para não perder o tempo de prestígio. O povo não é bobo. Os números estão aí.