Síndrome do olho seco é frequente no inverno e exige atenção

Foto: Pexels.com

Com a chegada do inverno, cresce também a preocupação de especialistas em saúde ocular com uma condição frequentemente subestimada, mas cada vez mais comum na população urbana: a síndrome do olho seco. É nesse contexto que o mês de julho passa a ser associado à campanha Julho Turquesa, uma iniciativa voltada à prevenção, diagnóstico e tratamento dessa doença que afeta a qualidade de vida de milhões de pessoas.

A síndrome do olho seco ocorre quando há uma instabilidade ou insuficiência do filme lacrimal, responsável por manter a superfície ocular lubrificada. Essa deficiência pode acontecer tanto pela baixa produção de lágrimas quanto pela evaporação excessiva delas. Entre os sinais mais comuns estão ardor, sensação de areia nos olhos, vermelhidão, coceira, visão embaçada e lacrimejamento paradoxal, quando o olho produz lágrimas em excesso como resposta à irritação.

A oftalmologista Helena Monteiro explica que o aumento dos casos durante o inverno não é coincidência. “No frio, o ar tende a ficar mais seco e as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados, muitas vezes com aquecedores ou ar-condicionado, que reduzem ainda mais a umidade do ambiente. Isso acelera a evaporação da lágrima e agrava os sintomas do olho seco, além disso, o uso prolongado de telas faz com que o paciente pisque menos, o que compromete a distribuição lacrimal”.

O diagnóstico da síndrome do olho seco é clínico, baseado na avaliação dos sintomas relatados pelo paciente e em exames oftalmológicos específicos. “Entre os testes mais utilizados estão a avaliação do tempo de ruptura do filme lacrimal, a coloração da superfície ocular com corantes especiais e o teste de Schirmer, que mede a produção de lágrimas. Em muitos casos, o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações como inflamações crônicas da córnea e até lesões na superfície ocular”, completa.

Na avaliação do oftalmologista Renato Ferreira, não ignorar os sinais iniciais é muito importante. “Muita gente acha que olho seco é apenas um desconforto passageiro, mas estamos falando de uma condição inflamatória crônica. Se não tratada, ela pode impactar significativamente a visão e a qualidade de vida, o paciente começa a evitar leitura, uso de computador e até atividades ao ar livre por conta do incômodo”.

O tratamento da síndrome do olho seco varia conforme a gravidade do quadro. Nos casos leves, o uso de lágrimas artificiais é geralmente suficiente para aliviar os sintomas e restaurar o equilíbrio do filme lacrimal. Já em situações mais moderadas ou graves, podem ser indicados colírios anti-inflamatórios, suplementação com ácidos graxos, terapias para estimular a produção lacrimal e procedimentos para oclusão dos pontos lacrimais, que reduzem a drenagem das lágrimas e prolongam sua permanência na superfície ocular.

Segundo Ferreira, a adesão ao tratamento é um dos maiores desafios. “Como os sintomas podem oscilar, muitos pacientes abandonam o processo quando se sentem melhor, mas o olho seco exige acompanhamento contínuo. A regularidade no uso dos colírios e a mudança de hábitos são tão importantes quanto a medicação”.

Quando se fala em prevenção, pequenas mudanças na rotina podem fazer grande diferença. Os especialistas recomendam pausas regulares durante o uso de telas, seguindo a regra 20-20-20, a cada 20 minutos, olhar para algo a 20 pés de distância (cerca de seis metros) por pelo menos 20 segundos, além de piscar conscientemente com mais frequência. A hidratação adequada do corpo, o uso de umidificadores de ar em ambientes secos e a proteção contra vento frio também são medidas importantes, durante o inverno.

Ele reforça ainda o impacto do estilo de vida moderno no aumento dos casos. “O olho seco deixou de ser uma condição exclusiva de idosos. Hoje vemos muitos jovens e adultos com os sintomas, principalmente por causa do uso intenso de smartphones, computadores e ambientes com ar-condicionado. O Julho Turquesa é importante justamente para alertar que esse problema está mais perto do que se imagina”.

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