
Jerry Lewis, um dos maiores nomes da história da comédia no cinema, será homenageado no ano em que completaria 100 anos. Entre os dias 27 de junho e 5 de julho, o Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte, recebe a mostra “A Invenção do Caos: Jerry Lewis”, reunindo sete filmes que evidenciam a originalidade e o legado do artista norte-americano. A entrada é gratuita e os ingressos devem ser retirados no site da Sympla ou presencialmente na bilheteria do Palácio das Artes.
Promovida pela Fundação Clóvis Salgado (FCS), a mostra apresenta seis produções realizadas entre 1960 e 1965, período considerado fundamental na trajetória de Lewis, além de “O Rei da Comédia” (1982), dirigido por Martin Scorsese. Segundo Vítor Miranda, gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado, a seleção destaca o momento em que o artista conquistou plena autonomia criativa dentro da indústria hollywoodiana.
“Ele passa a dirigir os filmes que protagoniza e desenvolve uma assinatura muito particular, em que a comédia está ligada a uma construção de linguagem. É quando ele assume de vez o controle artístico e cria algumas das obras mais inventivas da sua filmografia. Nesse momento, também passa a ser mais reconhecido internacionalmente como autor”, explica.
A programação inclui clássicos como “O Mensageiro Trapalhão” (1960), “O Terror das Mulheres” (1961), “O Professor Aloprado” (1963), “O Otário” (1964) e “Uma Família Fuleira” (1965). As obras revelam um cineasta que transformou o humor físico em uma linguagem cinematográfica.
O conceito de caos é central para compreender a obra do artista, ressalta Miranda. “O caos está no centro da comédia dele. Os personagens quase sempre são figuras fora de lugar, tentando funcionar em ambientes rígidos e organizados e isso gera descontrole, acidentes e situações absurdas. Mas esse caos não é só narrativo: ele também aparece na forma como a cena é construída, no ritmo acelerado e no uso criativo do espaço”.
Embora tenha alcançado enorme popularidade inicialmente ao lado de Dean Martin, Jerry Lewis consolidou uma carreira autoral após o fim da parceria. A mostra busca justamente ampliar o olhar do público sobre sua produção. De acordo com Miranda, os filmes selecionados deixam claro que existe um projeto autoral consistente ali. “Com escolhas muito específicas de enquadramento, ritmo e construção de humor. Isso ajuda a enxergar um artista que pensa o filme de forma completa, não apenas como intérprete”.
Além de homenagear um dos grandes nomes do cinema do século 20, a iniciativa pretende aproximar novas gerações da obra do cineasta. De acordo com o gerente, o humor de Lewis permanece atual. “Mesmo décadas depois, o humor físico e a sensação de inadequação continuam muito reconhecíveis. Os personagens vivem situações de deslocamento, insegurança e tentativa de se encaixar, algo bastante atual. Além disso, a forma visual de construir a comédia dialoga bem com uma certa sensibilidade contemporânea, um humor rápido e visual”.
Outro destaque da programação é “O Rei da Comédia”, único longa da mostra não dirigido por Lewis. No filme de Scorsese, o artista interpreta Jerry Langford, um apresentador de televisão perseguido por um fã obsessivo. “O filme funciona quase como um contraponto e, ao mesmo tempo, uma homenagem. Aparecendo em outra chave, mais contida e melancólica, o que reforça o impacto da sua imagem pública como comediante”, avalia Miranda.
O legado deixado por Jerry Lewis permanece vivo não apenas na comédia, mas em diferentes linguagens cinematográficas. “Sua ideia de controle total da mise-en-scène ajuda a consolidar um modelo de diretor-autoral dentro da comédia, em que ritmo, gesto e enquadramento são tão importantes quanto o texto”, conclui.
Serviço
“A Invenção do Caos: Jerry Lewis”
Datas: de 27 junho a 5 de julho
Horários: Variados
Local: Cine Humberto Mauro
Endereço: Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537 – Centro)
Entrada gratuita