Julho Amarelo reforça a importância de prevenir as hepatites virais

Foto: Unsplash.com

Consideradas um importante problema de saúde pública, as hepatites virais podem evoluir de forma silenciosa durante anos, aumentando o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. A campanha Julho Amarelo busca ampliar o conhecimento da população sobre as diferentes formas de transmissão, incentivar a realização de testes e reforçar que a doença pode ser tratada com sucesso.

Elas são inflamações no fígado provocadas por diferentes vírus, classificados principalmente como hepatites A, B, C, D e E. Embora todas afetem o mesmo órgão, elas apresentam características distintas quanto à forma de transmissão, à gravidade e às possibilidades de prevenção e tratamento. Em muitos pacientes, especialmente nas B e C, a infecção pode não causar sintomas por um longo período, o que favorece a evolução silenciosa da doença.

Segundo a hepatologista Mariana Almeida, “as hepatites A e E costumam ser transmitidas principalmente por água e alimentos contaminados, estando relacionadas às condições de saneamento e higiene. Já as hepatites B, C e D são transmitidas pelo contato com sangue contaminado e outros fluidos corporais, podendo ocorrer durante relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas, materiais perfurocortantes ou, em alguns casos, da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. A hepatite D depende da presença do vírus da hepatite B para infectar uma pessoa”.

Ela explica que cada tipo da doença apresenta evolução diferente. “A hepatite A geralmente provoca uma infecção aguda, da qual a maioria das pessoas se recupera completamente. A hepatite E também costuma ser autolimitada, embora possa representar maior risco para gestantes. Já as hepatites B e C podem se tornar crônicas, permanecendo no organismo por décadas e aumentando significativamente o risco de cirrose, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente”.

Entre os principais sintomas das hepatites virais estão cansaço excessivo, febre, mal-estar, perda de apetite, náuseas, vômitos, dor abdominal, urina escura, fezes claras e pele e olhos amarelados, quadro conhecido como icterícia. Entretanto, os especialistas alertam que boa parte das infecções, principalmente pelas hepatites B e C, não apresenta manifestações clínicas nas fases iniciais. Por esse motivo, muitas pessoas descobrem a doença apenas durante exames de rotina ou quando surgem complicações decorrentes do comprometimento do fígado.

O infectologista Marcelo Azevedo destaca que a falta de sintomas não significa ausência de danos ao organismo. “O vírus pode permanecer ativo por muitos anos, causando inflamação progressiva no fígado sem que o paciente perceba qualquer alteração. Isso reforça a necessidade de realizar testes, especialmente entre pessoas que apresentam fatores de risco ou que nunca fizeram o exame. O diagnóstico precoce permite iniciar o acompanhamento antes que ocorram lesões irreversíveis”.

De acordo com Azevedo, o diagnóstico das hepatites virais é realizado por exames laboratoriais. “Eles estão disponíveis em diversos serviços públicos de saúde, permitem identificar as hepatites B e C em poucos minutos. Quando o resultado é reagente, testes complementares confirmam o diagnóstico, avaliam a atividade do vírus e o comprometimento do fígado. Também podem ser solicitados exames de sangue para avaliar a função hepática e exames de imagem”.

A prevenção é uma das principais estratégias para reduzir as hepatites virais. “A vacinação contra as hepatites A e B, disponível no Programa Nacional de Imunizações, é a medida mais eficaz para evitar essas infecções. Como a hepatite D depende do vírus B, a vacina contra a hepatite B também oferece proteção indireta. Outras medidas incluem o uso de preservativos e a não reutilização ou compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas, alicates de unha e materiais para tatuagens ou piercings sem esterilização adequada”, explica o infectologista.

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