
Apesar de um início de ano marcado por retração econômica, Minas Gerais deve encerrar 2026 e 2027 com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), ainda que em ritmo mais lento. A projeção é do Departamento Econômico do Santander, que estima expansão de 1,2% para este ano e de 0,8% para 2027, desempenho alinhado ao cenário nacional de desaceleração da atividade econômica.
Segundo o estudo, o setor de serviços continuará sendo o principal motor da economia mineira, enquanto a agropecuária deve manter resultados acima da média nacional. Já a indústria segue pressionada pela política monetária restritiva e juros elevados.
“Nós verificamos que a política monetária restritiva segue impactando a indústria mineira, mas o setor de serviços vem puxando o crescimento. O agro segue resiliente, com crescimento acima da média nacional”, afirma Henrique Danyi, economista e um dos autores do levantamento.
Os números divulgados recentemente pela Fundação João Pinheiro (FJP), referentes ao primeiro trimestre de 2026, ajudam a explicar o cenário de crescimento mais moderado projetado para os próximos anos. No período, o PIB mineiro registrou retração real de 0,7% frente ao mesmo trimestre de 2025, e a economia estadual movimentou R$ 285,7 bilhões.
De acordo com a FJP, o resultado negativo foi provocado principalmente pela queda da agropecuária (-15,6%), da construção civil (-3,7%), das utilidades públicas (-2,2%) e da indústria de transformação (-0,3%). Em contrapartida, o setor de serviços apresentou crescimento de 1,5%, amenizando uma retração ainda maior da atividade econômica.
Agro pesa no resultado
A forte queda da agropecuária foi o principal fator para o desempenho negativo do trimestre. A retração está relacionada à menor produção de soja, arroz e sorgo, além de um evento pontual que afetou a atividade florestal.
“A redução no volume de produção da agricultura no período não foi acompanhada por queda equivalente dos insumos, o que potencializou a queda em termos de volume no primeiro trimestre de 2026. Além disso, houve a redução da produção florestal associada à paralisação da Cenibra para modernização e adequação de segurança em sua unidade produtiva”.
Apesar da retração observada no início do ano, a expectativa da Fundação é de melhora nos próximos trimestres. Isso porque 2026 é considerado um ano de bienalidade positiva para o café arábica, uma das principais culturas do Estado. “A produção do grão deve crescer mais de 20% em Minas Gerais, afetando positivamente os resultados dos próximos trimestres e o consolidado do ano, tendo em vista o peso e a importância do café na estrutura agrícola mineira”.
Desaceleração
Embora o PIB acumulado em quatro trimestres ainda apresente crescimento real de 0,8%, a FJP observa perda gradual de dinamismo da economia estadual. “Percebemos claramente uma perda de fôlego e desaceleração da economia mineira. Analisando as taxas trimestrais com ajuste sazonal, a economia completou três trimestres consecutivos sem apresentar crescimento econômico”.
Para os próximos meses, a avaliação da FJP é de que fatores internos e externos serão determinantes para o comportamento da economia mineira. Entre eles estão o cenário geopolítico, possíveis impactos sobre as exportações de commodities, as condições de crédito e o desempenho do setor de serviços, responsável por mais de 60% do PIB estadual.
Mesmo diante desses desafios, Henrique avalia que o crescimento continuará disseminado pelo país. “O desafio à frente passa a ser manter maior consistência no crescimento, em contexto de heterogeneidade regional e sensibilidade a choques climáticos e financeiros”, conclui.