
Depois de quase cinco décadas no jornalismo, sendo mais de 40 anos na Rádio Itatiaia, Eduardo Costa decidiu entrar definitivamente na política. Filiado ao União Brasil, o jornalista disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e afirma que a candidatura representa um novo desafio em sua trajetória profissional, motivado pelo desejo de transformar em ações as cobranças que fez durante anos aos gestores públicos.
Por muito tempo, Costa demonstrava que seu lugar era no rádio. A mudança de posição começou a amadurecer após as conversas para integrar a chapa do então governador Romeu Zema (Novo), em 2022, e a percepção de que poderia contribuir de outra forma com o Estado. “Eu pensava que meu negócio era o jornalismo. Tenho preguiça da política partidária por causa dos arranjos e das circunstâncias. Mas aquilo ficou na minha cabeça: se passei a vida inteira cobrando, por que não experimentar fazer diferente?”, disse em entrevista ao Edição do Brasil.
Aos 70 anos, o comunicador ressalta que a experiência acumulada o motivou a aceitar a disputa. “Já cumpri 59 anos de trabalho, sendo 49 no jornalismo. Não vivo sem propósito. Se eu chegar à ALMG, levo novas ideias. Embora seja um septuagenário, quero trazer ventos jovens para a política”.
As principais bandeiras do candidato estão concentradas em áreas como segurança pública, educação e mobilidade. Entre as propostas está a integração de porteiros de edifícios às forças de segurança, inspirada em um modelo adotado em Bogotá, além da defesa de melhorias na educação pública e de grandes obras de infraestrutura.
“Serei um defensor radical, permanente e irreversível do Rodoanel. Também quero discutir a duplicação da MG-424 e alternativas para melhorar a mobilidade na Região Metropolitana. Não quero discutir pautas de costume, mas as coisas que pegam no dia a dia das pessoas”, afirma.
Ele reitera que a escolha pelo União Brasil ocorreu por enxergar na legenda uma posição de centro, distante dos extremos ideológicos. “É um partido de centro com leve tendência à direita, e é assim que sou. Não consigo gostar dos radicais. Lembro sempre de Aristóteles, que dizia que os extremos são uma ameaça ao ser humano”.
Para o jornalista, esse mesmo entendimento explica seu apoio à decisão da legenda em aderir a chapa do governador Mateus Simões (PSD) à reeleição. “Acho que o partido acertou em apoiar o Mateus, que é um cara sério. Estou feliz com o rumo que a legenda está tomando e muito animado para disputar esta eleição”.
Ao deixar o microfone para buscar um mandato, Costa sabe que precisará convencer um público que o acompanhou por décadas na rádio a lhe dar um voto de confiança. “O esforço agora é mostrar que a credibilidade construída ao longo da minha carreira pode ser colocada a serviço da população. Meu discurso para convencer alguém é simples: olhe para a minha história. Ninguém fica mais de 40 anos na rádio mais ouvida do Brasil sem coerência, bom senso e responsabilidade”.
Costa revela que não busca apenas um novo cargo, mas uma oportunidade de continuar contribuindo com Minas Gerais sob outra perspectiva. “Enquanto eu tiver saúde, quero ser útil. Quero levar minha experiência de repórter para tentar mudar alguma coisa. Se eu não conseguir, pelo menos tentei. Não estou pronto para ficar em casa. Quero continuar trabalhando pelas pessoas”, conclui.