Dietas virais divulgadas nas redes sociais podem comprometer a saúde

Promessas de emagrecimento rápido trazem riscos / Foto: Magnific.com

Basta alguns minutos nas redes sociais para encontrar vídeos que prometem perder vários quilos em poucos dias. Jejum prolongado, corte de carboidratos, dietas “detox” e desafios alimentares fazem sucesso entre influenciadores e atraem milhares de pessoas em busca do corpo ideal. Apesar da popularidade, nutricionistas alertam que essas estratégias podem provocar prejuízos físicos e emocionais e ainda dificultar o emagrecimento no longo prazo.

A promessa de resultados rápidos é um dos principais atrativos. “As dietas da moda chamam atenção porque garantem um resultado imediato. Elas são extremamente restritivas, cortam grupos alimentares ou impõem jejuns prolongados, algo que o nosso metabolismo não consegue sustentar por muito tempo”, afirma a nutricionista Priscila Rodrigues.

“Na maioria das vezes, o peso eliminado não é gordura. O indivíduo desidrata, perde muita água e acredita que emagreceu. Depois, esse resultado não se mantém e ainda podem surgir compulsão alimentar, fraqueza e desnutrição”, acrescenta.

A nutricionista clínica e esportiva, Ana Camila Mininel Liberador, destaca que dietas restritivas favorecem uma espécie de “desnutrição funcional”, causada pela falta de vitaminas, minerais e outros nutrientes essenciais. “Mesmo que o objetivo seja emagrecer, essa carência pode provocar cansaço, tonturas, redução da disposição e perda de massa muscular. Com menos músculos, o metabolismo desacelera e aumenta a chance de recuperar o peso perdido”.

Outro problema frequente é a exclusão completa de grupos alimentares, segundo Ana Camila. “Os carboidratos são a principal fonte de energia do corpo e do cérebro. Já as gorduras boas participam da produção de hormônios, da absorção de vitaminas e da saúde cardiovascular. O maior risco está em transformar a alimentação em uma lista de proibições”.

As restrições costumam prejudicar o comportamento alimentar. Segundo Priscila, quem elimina determinados alimentos passa a pensar neles o tempo todo. “Chega um momento em que o corpo pede energia e o cidadão acaba ‘chutando o balde’, comendo tudo o que vê pela frente. Depois vem a culpa, inicia outra restrição e esse ciclo se repete. Isso tem agravado muito a saúde mental”.

Ela explica ainda que a fome emocional vai além da necessidade fisiológica. “A pessoa termina de almoçar e poucos minutos depois já procura um doce ou continua beliscando. Muitas vezes usa a comida para compensar felicidade, tristeza, ansiedade ou estresse. O chamado efeito sanfona também preocupa. Quando o organismo passa muito tempo ingerindo menos calorias do que precisa, entra em economia de energia. Isso pode gerar cansaço, irritação e metabolismo lento”.

Ana Camila ressalta também que a perda de massa muscular agrava esse processo. “Mais importante do que emagrecer rapidamente é preservar os músculos, reduzir gordura de forma gradual e criar hábitos que possam ser mantidos por toda a vida”.

“Uma dieta aparentemente inofensiva pode comprometer o controle da diabetes, da hipertensão ou de doenças renais. Além disso, sintomas como fraqueza, tonturas e falta de energia não devem ser encarados como parte normal do emagrecimento”, complementa.

As duas especialistas defendem que a perda de peso seja acompanhada por um profissional. “Enquanto as dietas da moda oferecem uma receita genérica, a nutrição personalizada considera a saúde, a rotina e os objetivos de cada indivíduo”, afirma Ana Camila.

Priscila reforça que investir em orientação especializada é mais vantajoso do que apostar em soluções milagrosas. “O nutricionista avalia exames, rotina, prática de atividade física e necessidades individuais. O que funciona para alguns não funciona para outros. A alimentação saudável continua sendo o caminho mais seguro para conquistar resultados duradouros e preservar a saúde”, conclui.

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