
Nos 12 meses encerrados em março, a procura por crédito por parte das empresas de Minas Gerais aumentou 10,8%, desempenho que colocou o Estado na liderança do crescimento entre os integrantes da região Sudeste. Na sequência aparecem São Paulo, com avanço de 10,2%; Rio de Janeiro, com 7,7%; e Espírito Santo, com 7,1%, conforme informações do Indicador de Demanda das Empresas por Crédito, elaborado pela Serasa Experian.
O resultado observado em Minas Gerais também superou a média nacional. No mesmo intervalo analisado, a demanda por crédito das empresas brasileiras apresentou expansão de 10,5%, índice ligeiramente inferior ao registrado no estado mineiro.
Para os especialistas, o aumento na busca por crédito está relacionado a diferentes fatores que fazem parte da rotina das empresas, especialmente em períodos de reorganização econômica. Os recursos obtidos junto a instituições financeiras costumam ser utilizados para reforçar o capital de giro, comprar mercadorias, adquirir máquinas e equipamentos, ampliar estruturas, investir em tecnologia ou equilibrar o fluxo de caixa diante de oscilações nas receitas.
Segundo o economista Fabrício Diniz, o crédito funciona como uma ferramenta de sustentação e crescimento para os negócios, principalmente aqueles que possuem oportunidades de expansão, mas não contam com capital próprio suficiente para executar seus projetos. “Muitas empresas recorrem ao financiamento porque precisam antecipar decisões, como aumentar, comprar novos equipamentos ou investir em tecnologia”.
Considerando a divisão por porte empresarial, as micro e pequenas empresas apresentaram o maior crescimento na procura por crédito no país, com alta de 10,6% no período avaliado. As empresas de médio porte registraram expansão de 7,5%, enquanto as grandes empresas tiveram aumento de 6,2%, ficando com a menor variação entre os grupos analisados.
Diniz acredita que a maior procura por crédito entre os pequenos empreendedores está ligada à necessidade de fortalecer a estrutura financeira das empresas. “Os micro e pequenos negócios geralmente possuem menos reservas para enfrentar períodos de maior demanda ou dificuldades temporárias, por isso, o acesso ao crédito pode ser decisivo para manter funcionários, negociar com fornecedores, ampliar a produção e continuar funcionando de maneira competitiva”.
Na avaliação por atividade econômica, todos os setores analisados apresentaram aumento no período considerado. O segmento de serviços teve o crescimento mais expressivo, com elevação de 15,7%. Em seguida, aparecem a agropecuária, com alta de 11,4%; a indústria, com 8,8%; e o comércio, que registrou a menor expansão entre os setores, com crescimento de 6,5%.
De acordo com o consultor financeiro Guilherme Ferraz, o movimento de busca por crédito tem impacto que vai além das próprias empresas, pois influencia toda a cadeia econômica. “Quando uma firma consegue financiamento e utiliza esse recurso para ampliar sua operação, pode contratar mais pessoas, comprar de fornecedores, aumentar sua produção e gerar mais circulação de dinheiro. O crédito empresarial funciona como um mecanismo que conecta investimento, consumo e geração de renda”.
Apesar da importância do crédito para o desenvolvimento dos negócios, muitos empresários ainda encontram dificuldades para conseguir financiamento. Para facilitar o acesso, Ferraz recomenda que “os empreendedores mantenham uma boa organização financeira, atualizem registros contábeis, acompanhem o histórico de pagamentos e apresentem um planejamento claro sobre a finalidade do recurso solicitado”.
Além das iniciativas individuais dos empresários, medidas públicas também podem ampliar o acesso ao crédito, principalmente para pequenos negócios. “Programas que compartilham riscos com as instituições financeiras podem estimular a concessão de recursos para negócios menores, que muitas vezes têm dificuldade de apresentar garantias suficientes. Quanto mais acessível for o crédito produtivo, maior tende a ser o impacto positivo sobre a economia”, finaliza Diniz.