
O turismo de bem-estar (15%) e o turismo esportivo (14%) figuram entre as modalidades mais desejadas para as próximas viagens, conforme levantamento do Ministério do Turismo, em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados.
Uma pesquisa recente da Maximum Boxing, empresa especializada em equipamentos para esportes de combate, reforça essa tendência ao apontar que o esporte tem se tornado um dos principais motivadores de viagem. Segundo o estudo, 54,8% dos entrevistados afirmam que viajar para assistir a eventos e competições ao vivo é hoje o principal motivo na escolha de um destino.
Para o antropólogo do esporte Rafael Muniz, esse movimento reflete uma transformação cultural mais ampla. “O esporte deixou de ser apenas um espetáculo passivo consumido pela televisão e se tornou uma experiência imersiva. As pessoas querem estar presentes, sentir o ambiente do estádio, viajar junto com o evento e fazer parte da narrativa esportiva. Essa mudança também está associada ao crescimento das redes sociais e à valorização de experiências compartilháveis, que tornam o ato de assistir a um evento ao vivo ainda mais desejado”.
Além disso, o estudo revela que esse interesse não se limita apenas ao papel de espectador. Cerca de 46,6% dos brasileiros demonstram vontade de viajar para praticar atividades esportivas, seja em destinos voltados para hobbies como surfe, trilhas e ciclismo (30,6%), seja para participar de provas e competições, como maratonas e torneios (16%).
A consultora em mercado esportivo e bem-estar, Rosângela Oliveira, avalia que esse comportamento tem impacto direto na economia do turismo. “Estamos vendo a formação de um consumidor que não apenas assiste ao esporte, mas o incorpora ao seu estilo de vida. Isso movimenta setores como hotelaria, alimentação, transporte e também a indústria de equipamentos esportivos. É um ciclo econômico bastante robusto. Destinos turísticos que oferecem infraestrutura para esportes ao ar livre ou eventos de grande porte tendem a se tornar mais competitivos no mercado global”, ressalta.
Outro ponto destacado pela pesquisa é o papel da influência social e digital nesse cenário. Segundo os dados, 22% dos entrevistados são motivados por ídolos esportivos, atletas e criadores de conteúdo. Já 16,4% associam suas viagens à busca por bem-estar, recuperação física e equilíbrio mental, enquanto 11,8% têm interesse em participar de cursos, workshops e formações esportivas durante suas viagens. Esse conjunto de motivações revela que o turismo esportivo se fragmenta em diferentes camadas de experiência, indo desde o entretenimento até o desenvolvimento pessoal.
Para Muniz, o crescimento dessa tendência também está ligado à profissionalização do esporte amador. “As pessoas estão treinando mais, se informando e levando o esporte com seriedade, mesmo em nível recreativo. Isso faz com que elas busquem eventos, competições e até viagens específicas para melhorar seu desempenho ou simplesmente viver o esporte de forma mais intensa”.
O futebol segue como o esporte mais popular entre os brasileiros e o principal motivador de viagens ligadas ao universo esportivo, impulsionado por grandes competições internacionais e eventos como a Copa do Mundo. Ainda assim, o interesse dos viajantes vai além das arquibancadas e envolve diferentes formas de vivenciar o esporte durante as viagens.
Na sequência, destacam-se os esportes de combate, como boxe, MMA e muay thai, que crescem por oferecer experiências mais imersivas. Nesse segmento, 58,6% dos interessados querem assistir a grandes eventos ao vivo, 36,8% desejam conhecer destinos referência, como a Tailândia no muay thai, e 23,4% buscam proximidade com atletas e ídolos das modalidades.
Os especialistas apontam ainda que o avanço dessa tendência deve se intensificar nos próximos anos, impulsionado pela expansão de eventos internacionais, pelo crescimento das corridas de rua, maratonas e competições amadoras, além da popularização de modalidades como ciclismo, surfe e esportes de aventura. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que viajar deixou de ser apenas uma forma de descanso e passou a ser também uma oportunidade de vivência ativa.