JK e a Economia – resposta a liberais extremados

O recente livro do vice-presidente do BDMG, Antônio Claret Júnior, apesar de reconhecer os inúmeros méritos de JK, procura imputar-lhe os males fiscais de hoje, não contextualizando os períodos econômicos do Brasil e do mundo nos anos 1950.

A inflação é um fenômeno que sempre existiu. A crise de 1929 nos Estados Unidos e a hiperinflação alemã que levou ao surgimento do nazismo são exemplos marcantes. No Brasil, tivemos a troca da moeda de 1000 réis para 1 cruzeiro em 1942.

A era JK foi no pós-Guerra Mundial e tínhamos a população majoritariamente vivendo no litoral. Havia carência de energia, de estradas, de empregos e alimentos. O desenvolvimentismo veio para industrializar o país e foi necessária a continuidade de investimentos somados à atração de empresas estrangeiras com financiamento público.

O endividamento público se iniciou há cerca de 200 anos quando a “abertura dos portos” por Dom João VI atraiu financiamentos de bancos ingleses e os recursos foram utilizados por Dom Pedro II para infraestrutura ferroviária e para cobrir as despesas da Guerra do Paraguai.

Não se pode, portanto, omitir nossa origem colonial. Sem a intervenção estatal, comum em países de grande extensão e grande população, ainda estaríamos muito mais atrasados. A iniciativa privada não assume obras de prazo de retorno financeiro longo pela natureza de sua busca legítima pelo lucro.

Trata-se, portanto, de uma discussão sobre liberalismo e a necessidade de integração de todas as camadas populares. Daí surgiu a social democracia que concilia as demandas. O “Programa de Metas” de JK foi concebido pelo também mineiro Lucas Lopes e foi uma iniciativa de planejamento público exequível, distante do populismo imediatista e dos longos planos quinquenais do comunismo soviético.

O livro erra e peca enormemente ao dizer que JK atrasou a economia de mercado quando o que ocorreu foi exatamente o contrário. JK criou as condições para um novo país, moderno, democrático e mais justo.

É importante lembrar que Brasília foi construída utilizando principalmente investimentos dos Institutos de Aposentadoria e Pensões existentes na época (IPASE, IAPI, IAPC, IAPB, IAPFESP, IAPM, IAPTEC) para a instalação de prédios habitacionais, administrativos e até hospitalares, além da venda de lotes e prédios pela Novacap e não somente recursos orçamentários como costumeiramente desinformam alguns detratores.

O maior legado de JK foi a expansão das fronteiras internas que possibilitaram a redistribuição populacional e a riqueza do agronegócio. Brasília é o símbolo deste movimento.

Juscelino Kubitschek foi um visionário de sucesso que enfrentou uma oposição interna que chegou a tentar dois golpes militares e pressões externas que o forçaram a romper com o FMI que pretendia tutelar o governo.

Até hoje, grandes projetos só se viabilizam com a participação estatal. O BNDES, criado no Governo Vargas, em 1952, é chamado a participar de todas as concessões à iniciativa privada (aeroportos, estradas, usinas elétricas, portos, ferrovias e metrôs).

Não é verdade, portanto, que JK endividou o país, criou a inflação ou promoveu estatização demasiada. Ele continua sendo nosso maior estadista. Esta é a verdade histórica.

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