Projetos na ALMG reforçam o combate à violência doméstica

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, em 1º turno, na última semana, dois Projetos de Lei (PLs) que alteram a Lei nº 22.256/2016, responsável por instituir a política de atendimento à mulher vítima de violência no Estado. Uma das propostas é o PL nº 4.172/2025, de autoria da deputada Maria Clara Marra (PSDB). O projeto institui o Programa de Atendimento Psicológico Remoto para Vítimas de Violência Doméstica e Familiar em Minas Gerais e prevê facilitar o acesso ao acompanhamento psicológico, especialmente em regiões onde a oferta presencial é escassa ou inexistente. A iniciativa busca oferecer suporte emocional e psicológico que auxilie na superação de traumas e na recuperação da autonomia das mulheres, além de fortalecer a rede de apoio por meio da integração do serviço com outros órgãos de proteção. A relatora e presidente da Comissão, deputada Ana Paula Siqueira (Rede), opinou pela aprovação da matéria. “A rede estadual de saúde passa a promover o atendimento psicológico remoto à mulher vítima de violência, especialmente em regiões onde o serviço presencial é escasso ou inexistente”. A proposta também autoriza a ampliação do serviço por meio de convênios e acordos de cooperação técnica e acadêmica, sob supervisão da Secretaria de Estado de Saúde. Outro projeto foi o PL nº 4.666/2025, de autoria da deputada Ione Pinheiro (União). A iniciativa cria o programa Beleza Empoderada contra a Violência Doméstica, destinado à capacitação de profissionais da área da beleza e da estética como agentes de enfrentamento ao problema. Na justificativa, a parlamentar ressaltou a necessidade de oferecer à sociedade instrumentos eficazes de combate à violência contra a mulher. Segundo Ione, esses profissionais mantêm convivência frequente e diálogo próximo com o público feminino, o que pode representar uma medida relevante para o fortalecimento das ações de prevenção e enfrentamento. Também relatora da proposta, Ana Paula Siqueira destacou que o texto deve avançar na tramitação. “A proposta estabelece ações que ampliam a rede de proteção e contribuem para o fortalecimento das políticas de enfrentamento da violência contra a mulher”, afirmou. O projeto prevê atividades de capacitação, orientação e divulgação sobre a Lei Maria da Penha, os direitos das mulheres, os mecanismos de proteção disponíveis, as formas de violência doméstica e familiar e seus impactos sociais, além dos canais de denúncia e dos serviços públicos de atendimento às vítimas. Também contempla a disponibilização de materiais educativos em formato físico e digital e a certificação dos participantes, com foco na valorização social e no engajamento comunitário no combate à violência doméstica.

Política de prevenção e combate a desastres recebe aperfeiçoamento

A política estadual de prevenção e combate a desastres decorrentes de chuvas intensas recebeu sugestões de aperfeiçoamento da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em 1º turno, através do Projeto de Lei (PL) 2.456/24. O intuito do PL é a preservação da vida e da incolumidade das pessoas, do ambiente e de bens materiais em face de vulnerabilidades decorrentes de eventos climáticos extremos. Agora, o projeto segue para análise da Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária. De autoria da deputada Bella Gonçalves (Psol), a parlamentar propõe a nova nomenclatura de Política Estadual de Prevenção e Enfrentamento às Vulnerabilidades Decorrentes de Eventos Climáticos Extremos, definindo as suas bases estruturais e as diretrizes das ações relacionadas aos direitos dos atingidos. Na implementação do projeto, serão observadas diretrizes como a priorização de ações preventivas, promoção de acolhimento e recuperação das populações atingidas e participação da sociedade civil nos processos decisórios. Os municípios, em situação de emergência ou em estado de calamidade pública decretados em razão de eventos climáticos extremos, terão prioridade na execução das atividades. O Estado será responsável por uma série de ações que visem socorro e assistência aos afetados, a prevenção e monitoramento de fenômenos climáticos e a recuperação do meio ambiente e da infraestrutura dos municípios afetados. O Executivo também celebrará convênios de cooperação com as cidades para atividades como a implantação de sistemas de alerta e prestação de assistência técnica e de auxílio econômico-financeiro. Será dada prioridade às populações atingidas que enfrentam o impacto desproporcional de desastres relacionados a eventos climáticos extremos em razão de sua raça, etnia, idade, deficiência, condição migratória, origem social e renda; habitam territórios onde há atividade de mineração; e habitam regiões afetadas por barragens, entendidas como as áreas onde se constatar impacto socioeconômico decorrente da construção, instalação, operação, ampliação, manutenção ou desativação de barragem. Segundo Bella Gonçalves, o PL visa adequar a direção para que se institua a política estadual de prevenção e enfrentamento às vulnerabilidades decorrentes de eventos climáticos extremos de forma mais ampla. “É importante constatar isso, estamos vivendo um período de mudanças climáticas que variam de ondas de calor e chuvas extremas que tem mudado o regime de prevenção aos desastres do nosso Estado e construído uma massa de refugiados climáticos”. “Pessoas desabrigadas em função de enchentes, deslizamentos ou mesmo dos efeitos que as chuvas ou calor extremos tem em regiões mineradas, o que agrava ainda mais a condição do Estado”, complementa. Substitutivos Durante a tramitação da matéria, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sugeriu adequações na técnica legislativa, por meio do substitutivo nº 1. A Comissão de Segurança Pública ressaltou a oportunidade de atualização da Lei 15.660, de 2005, que instituiu a política agora alterada. Porém, com o substitutivo nº 2, incorporou parâmetros e definições já vigentes em outras normas, em especial a Política Nacional de Defesa Civil, em vista de uma consolidação legislativa mais coesa e coerente. Já a relatora na Comissão de Meio Ambiente, deputada Ione Pinheiro (União), apresentou o substitutivo nº 3, o qual prevê uma nova lei para o conteúdo do projeto, uma vez que as alterações realizadas poderiam comprometer o entendimento do texto atualizado. Além disso, são feitos ajustes conceituais pontuais. “Essa proposição pretende ampliar a tipologia de desastres abrangidos pela política, definir seu público alvo prioritário e nela incluir ações específicas de garantias de direitos dos atingidos pelos desastres decorrentes de eventos climáticos extremos”, acrescenta a parlamentar.

Mais de uma dezena de deputados buscam novos partidos

A semana promete ser intensa nos bastidores da Assembleia Legislativa, por conta dos acontecimentos internos, inclusive a definição oficial pelo nome do presidente da Casa, Tadeu Leite (MDB), para o cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas. O Edição do Brasil antecipou essa informação no início do segundo semestre do ano passado, cabendo desmentidos à época. No entanto, a notícia agora foi confirmada. Pelo roteiro, Tadeu deverá ficar no posto até o final do ano, o que é permitido pelo Estatuto Interno do Tribunal. Entre outras ações, o parlamentar vai buscar reforçar a eleição de sua esposa, a deputada Maria Clara Marra (PSDB). Mudança de partidos Pela legislação eleitoral vigente, o prazo de filiação partidária para quem almeja ser candidato circunda entre 3 de março a 2 de abril deste ano. Os interessados no assunto já estão em efervescência à procura da melhor oportunidade para se juntar a um futuro projeto político eleitoral. O imbróglio fica por conta dos atuais parlamentares. Alguns irão participar dessa corrida pela mudança, mas constata-se a resistência para aceitação da chegada de novos membros, especialmente por parte das siglas menores. No Parlamento mineiro, circula uma lista de 12 nomes rejeitados. Essa janela partidária só é válida para quem já tem mandato. No prazo de 30 dias, todos carecem de tomar as suas decisões. Possivelmente, Tadeu Leite (MDB) e João Vítor Xavier (Cidadania) não disputariam novos mandatos. Já a lista de estaduais querendo uma cadeira no Congresso são: Bella Gonçalves (PSOL), Lohanna (PV), Cássio Soares (PSD), Leonídio Bouças (PSDB) e Cristiano Caporezzo (PL). Relativamente aos desejos de migrarem para novos partidos, é uma lista bem preponderante. À espera de um novo ninho partidário estão os deputados: Grego da Fundação (Mobiliza), Bosco (Cidadania), João Magalhães (MDB), Betinho Pinto Coelho (PV), Doorgal Andrada (PRD), Dr. Paulo (PRD), Chiara Biondini (PP), Arlen Santiago (Avante), Enes Cândido (Republicanos), Maria Clara Marra (PSDB), Raul Belém (Cidadania), Roberto Andrade (PRD), Lud Falcão (PODE) e Ana Paula Siqueira (Rede).

Alguns nomes são citados como fortes para disputar o Senado

O mundo político mineiro está surpreso com a aproximação entre o vice-governador Mateus Simões (PSD) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Segundo interlocutores, tem havido apenas agenda comum entre os políticos, porque ambos nutrem projetos diferentes. Nikolas planeja buscar mais um mandato com uma mega votação, contribuindo para a eleição de alguns parlamentares, assim como aconteceu no último pleito. Relativamente ao pré-candidato Mateus Simões, sua pretensão é convencer o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) a ser o seu vice na chapa. Ele tem se esquivado a bater o martelo sobre o assunto. A desculpa mais recente seria no sentido de prestar assistência a um familiar com problemas de saúde. Aécio para o Senado Reunindo informações debatidas em ambientes fechados, antes e durante o Carnaval, há uma constatação da construção da candidatura para o Senado do atual presidente do PSDB nacional, o deputado federal e ex- -governador Aécio Neves. Essa possibilidade seria em um contexto da possível candidatura ao Governo de Minas do senador Rodrigo Pacheco (PSD). No campo político da peleja em torno de Pacheco ao Palácio Tiradentes, o nome da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), também é mencionado para disputar a Casa Alta do Congresso. Ela mesma disse que há duas vagas, então seria bom possuir na disputa um político de centro, para buscar votos desse segmento para além do centro-direita e centro-esquerda. Para os matemáticos da política mineira, Aécio Neves se encaixaria perfeitamente nesse perfil descrito pela prefeita de Contagem. Para além dessas informações, existe outro nome forte com apoio do governador Romeu Zema (Novo) e do seu vice Mateus Simões. Ao deixar de ser deputado, o secretário de Governo, Marcelo Aro, sempre mirou a disputa ao Senado. Sua pretensão se tornou cada vez mais visível ao ser indicado para o cargo atual, o que lhe permitiu estreitar o relacionamento com deputados estaduais de diferentes partidos. Também intermediou inúmeros projetos às prefeituras, especialmente as mais distantes da Região Metropolitana. “O quadro de agora deixa bastante claro que se Aécio Neves efetivamente optar por uma candidatura dessa magnitude, terá pela frente um competidor que tem bala na agulha”, pontuam os amigos do secretário de Governo.

Partido Liberal enfrenta dilemas na disputa ao Palácio Tiradentes

Por meses a fio, a indecisão foi uma realidade no âmbito do grupo político em torno dos interesses eleitorais envolvendo o Palácio do Planalto, com expectativa de encontrar um nome ideal para disputar o Governo de Minas, cuja sugestão sempre recaiu sobre o senador Rodrigo Pacheco (PSD). No entanto, como se estivesse desinteressado em aceitar o desafio, o parlamentar fez o assunto esticar por pelo menos quatro meses. Esse cenário de vai e volta agora migrou para o Partido Liberal, o mesmo da família Bolsonaro. Na disputa mineira por cargos majoritários, especialmente ao Governo de Minas, o assunto entre os liberais se transformou em uma verdadeira Torre de Babel. São várias pessoas de “tribos” coirmãs falando ao mesmo tempo, mas sem um norte concreto para seguir. Nas entrevistas concedidas, alguns parlamentares externam que tudo vai ficar resolvido no final deste mês, quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro vier a Belo Horizonte. Ela, segundo informações, possui carta branca para orientar seus companheiros mineiros. A dificuldade do grupo é saber como entabular um entendimento para buscar uma candidatura competitiva ao Palácio Tiradentes. Teria que ser alguém alinhado com o nome do pré-candidato Flávio Bolsonaro. Surgem vários nomes, como o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), o deputado Nikolas Ferreira (PL) e agora o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe. Antes dessa definição em relação ao governo, existem fissuras internas. Para o Senado, são citados nomes já em efervescência nos bastidores, como o presidente do PL em Minas, deputado Domingos Sávio, e o parlamentar Cristiano Caporezzo. Se a candidatura de Sávio for levada a efeito, haverá uma nova fresta a ser cuidada, qual seja a escolha de um nome para sucedê-lo na presidência do partido. Já o vice-governador Mateus Simões (PSD) está com sua candidatura em plena evidência, especialmente circulando pelo interior do Estado, cujos atos são turbinados pela presença do governador Romeu Zema (Novo). Como não poderia deixar de ser, Simões faz acenos constantes ao grupo bolsonarista para somar ao seu projeto. Essa pretensão do vice-governador esbarra no projeto político do governador Zema, atualmente pré-candidato à Presidência da República, embora as primeiras pesquisas apontem que o chefe do Executivo mineiro não tem a preferência dos eleitores. O quadro confuso deve mudar após o Carnaval, com possibilidade de entendimento e alinhamento desses grupos interessados em conquistar o Palácio Tiradentes. No momento, a realidade é que a sucessão mineira está indefinida, sem um nome com popularidade suficiente para vislumbrar uma vitória em outubro.

Bolsonaristas podem apoiar Roscoe para o Governo do Estado

Apresença da ex-primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro, nos dias 27 e 28 de fevereiro, em Belo Horizonte, pode significar uma série de decisões quanto ao rumo a ser tomado pelo PL em Minas. Mas uma coisa que parece ser consenso entre os liberais é que o deputado federal Nikolas Ferreira se manteria como candidato à reeleição, com expectativa de conquistar mais de dois milhões de votos. Isso ajudaria na eleição de uma dúzia de parlamentares ao Congresso Nacional, beneficiando o Partido Liberal por conta de verbas, como o Fundo Partidário e o Fundo Eleitoral. Na pré-pauta a ser apresentada a Michelle Bolsonaro, estaria uma prancheta com os nomes do deputado federal e presidente do partido em Minas, Domingos Sávio; do parlamentar estadual Cristiano Caporezzo; e também do deputado federal Eros Biondini; todos dispostos a pleitear o Senado. Relativamente à sucessão ao Governo do Estado, segundo fontes, a cúpula dos liberais em Minas ainda aguarda a definição de uma possível candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) para receber o apoio dos bolsonaristas. Para além disso, começam a ser mencionados nomes como o do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, que já anunciou a intenção de deixar o cargo em abril. Seus defensores rumo ao Palácio Tiradentes lembram que ao longo dos anos o presidente comandou o denominado grupo das 11 entidades empresariais mineiras que movimentam a economia, com impacto direto na geração de empregos no Estado. Aécio fora do páreo A visita a Belo Horizonte do presidente nacional do PSB, João Campos, em encontro marcado pela presença de centenas de prefeitos, vereadores e lideranças políticas em um hotel na Zona Sul da capital, movimentou a pauta política. O partido ainda nutre a esperança de aumentar o arco de alianças em Minas para se posicionar a respeito das disputas pelos cargos majoritários, segundo informações procedentes da direção. Portanto, o evento não tratou da disputa deste ano, mas sim de incrementar a organização partidária do PSB. No cardápio eleitoral, ficou registrada a informação relacionada à saída do senador Rodrigo Pacheco do PSD para se filiar ao União Brasil, cujo projeto está sendo debatido abertamente em Brasília e em Minas. A sua ida para a sigla já contaria com as boas-vindas do prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, e do chefe do Executivo de Betim, Heron Guimarães. Se efetivamente decidir por sua candidatura ao Governo do Estado, até o momento, Pacheco teria o apoio do PT e talvez do seu antigo MDB. Nos bastidores da Assembleia Legislativa, a debandada dos emedebistas é dada como certa por parte do líder do Governo no Parlamento mineiro, o deputado João Magalhães. A semana terminou com uma curiosidade. Não se detectou qualquer movimento em defesa de algum tipo de projeto do deputado federal Aécio Neves (PSDB). Em Brasília, cogita-se que o político mineiro almeja se manter fora da disputa eleitoral deste ano e ficar apenas como presidente nacional do PSDB, ao estilo do que vem acontecendo com Gilberto Kassab, no PSD, e Valdemar Costa Neto, no PL.

Legislação antecipa fim das carroças em Belo Horizonte para 2026

No dia 22 de janeiro entrou em vigor a Lei Municipal nº 11.611/2023, que antecipa em cinco anos a proibição da circulação de veículos de tração animal, popularmente conhecidos como carroças, na capital mineira. A norma, que modifica dispositivos de uma lei anterior, reduz o prazo originalmente previsto para a extinção dessa prática urbana, de 2031 para 2026, e passa a valer oficialmente no município neste início de ano. De autoria do vereador Wanderley Porto (PRD), a lei foi sancionada em novembro de 2023 e assinada pelo prefeito de Belo Horizonte na ocasião. A proposta resultou da junção de iniciativas parlamentares que ganharam apoio na Câmara Municipal e visam a proteção do bem-estar animal e a modernização das práticas urbanas. Entretanto, a implementação prática da lei não ocorre sem desafios. A Associação dos Carroceiros e Carroceiras Unidos de Belo Horizonte e Região Metropolitana relatou falta de planejamento e apoio efetivo por parte da Prefeitura de BH, o que poderia impactar na renda de famílias que dependem dessa atividade. Porto afirma que essa é uma preocupação legítima e foi considerada desde o início, pois sabem que muitas famílias sofrem com a precarização do trabalho. “A lei não tem como objetivo penalizá- -las, mas romper com um modelo ultrapassado, inseguro e cruel, tanto para os animais quanto para as próprias pessoas que dependiam dessa atividade. O que defendemos é uma transição justa, que substitua a tração animal por alternativas de trabalho mais seguras, dignas e sustentáveis”. Ele esclarece que houve escuta de diferentes setores ao longo dos anos, incluindo audiências públicas com trabalhadores, veterinários, organizações de proteção animal e poder público. “A lei é resultado de um processo amadurecido, baseado em dados locais e experiências de outras cidades”. O político explica que a legislação prevê que o poder público atue para construir políticas de transição, como programas de capacitação, inclusão em outras atividades produtivas e apoio social, conforme a realidade de cada família. “Os carroceiros precisam procurar a Prefeitura para serem orientados e encaminhados. O objetivo é que o fim das carroças caminhe junto com políticas públicas que ofereçam novas oportunidades de renda. Essa é uma diretriz que seguimos cobrando e acompanhando de perto”. A Prefeitura deve realizar a fiscalização por meio de ações de campo, atendimento a denúncias e monitoramento. No entanto, antes da lei entrar em vigor, em 22 de janeiro, uma decisão liminar da Justiça suspendeu a aplicação das multas previstas, por isso ainda há carroças circulando pela cidade. Enquanto isso, foi lançado um canal de denúncias pelo WhatsApp, o BH sem Carroça: (31) 98282- 6850. A população pode enviar fotos e vídeos, sempre sem expor ou confrontar o condutor, informando data, horário e local da ocorrência. As denúncias estão sendo encaminhadas diretamente aos órgãos fiscalizadores. Segundo o vereador, a lei prevê sanções administrativas, como multas, que serão aplicadas conforme a regulamentação e o devido processo legal. Além disso, está tramitando na Câmara um projeto de lei de sua autoria que prevê a troca da carroça por um veículo alternativo, provavelmente um triciclo, a ser oferecido pela Prefeitura. “Também estamos debatendo a possibilidade de apreensão da carroça e o aumento das taxas para reaver cavalos recolhidos. O objetivo não é punir, mas garantir que a lei seja respeitada e que os animais não continuem sendo submetidos a sofrimento”. Na opinião de Porto, a médio e longo prazo, o impacto será extremamente positivo. “A cidade avança em segurança no trânsito, em proteção animal, em modernização urbana e em justiça social. Ao substituir uma atividade precária por alternativas mais dignas, Belo Horizonte se alinha a uma tendência nacional e internacional de cidades mais humanas, seguras e responsáveis”.

Divergências marcam o dia a dia do Partido dos Trabalhadores em Minas

Vivendo do passado, o Partido dos Trabalhadores em Minas parece esquecer a sua baixa performance nas últimas eleições, e continua implementando gestos de fortaleza, quando o tema se refere ao pleito deste ano. Querem impor condições para apoiar um nome que não seja do partido. Em síntese, mais uma vez, a sigla está completamente dividida, no tangente à sucessão ao Palácio Tiradentes, assim como esteve fora de foco nos últimos pleitos. Até parece um estigma petista a nível nacional. No momento, o duelo está sendo verbalizado pelo deputado estadual Cristiano Silveira, que já foi presidente do partido. No entendimento dele, o seu grupo pode perfeitamente bancar uma candidatura ao Governo de Minas, com condições de enfrentar a verdadeira muralha montada pelo vice-governador Mateus Simões (PSD), com sua ampla estrutura e apoio logístico capaz de fazer inveja a qualquer outro candidato do perfil ideológico de centro-direita no Brasil. Cristiano X Rogério Correia O assunto vem ocasionado calorosas conversas, especialmente entre Cristiano Silveira e o parlamentar federal Rogério Correia, tido como um representante da ala mais radical do PT. No projeto eleitoral deste ano, porém, defende a tese de apoiar um nome de origem partidária fora do seu campo político. Essa posição de Correia foi efetivamente contestada por Silveira na semana passada. Em entrevistas concedidas à imprensa, o deputado estadual se dizia convencido de que uma candidatura própria do partido tem plenas condições de vencer o pleito, embora não tenha apresentado qualquer informação complementar capaz de validar a sua locução. Enquanto ocorre esse verdadeiro bate-cabeça em Minas, o presidente Lula continua sem um palanque forte no Estado para o seu projeto com vistas à peleja nacional. À medida em que o tempo passa, situações como a da prefeita de Contagem, Marília Campos, vão se avolumando nas salas dos assessores interessados em debater o tema. Para ser candidata ao Senado, a chefe do Executivo exige que o convite seja proferido diretamente pelo presidente da República. Que a aliança partidária de seu apoio seja proativa o suficiente para levar a sua candidatura aos 853 municípios. Ela também só aceita o desafio se for a única candidata à Casa Alta, no âmbito do seu grupo político. Neste caso, a prefeita estaria descartando a possível presença do atual ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). Em paralelo a essas informações, a ironia relacionada aos petistas omissos, a exemplo do eterno deputado federal Patrus Ananias; do ex- -ministro Luiz Dulci; da prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão; da presidente estadual da legenda, deputada Leninha; entre tantos outros que estão esperando um milagre acontecer. Enquanto isso, os seus adversários estão na labuta, fazendo alianças e pedindo apoio de lideranças municipais, como é o caso do candidato do MDB, Gabriel Azevedo, atualmente visitando inúmeras cidades, preferencialmente onde os prefeitos são do mesmo partido. Como se diz nos corredores da Assembleia Legislativa, o PT mineiro é um partido pequeno, com ares de grandeza. Segundo os interlocutores, o forte mesmo é o “lulismo”. O resto é especulação.

Apoio dos prefeitos da Grande BH é fundamental na eleição ao governo

Nos dias em torno do Carnaval acontecerão definições de nomes com a intenção de disputar o Governo de Minas. E o apoio de grupos para formação de uma aliança mais consistente se torna relevante. O desafio dos postulantes ao Palácio Tiradentes é conquistar eleitores de regiões tão antagônicas, como o denso Triângulo Mineiro e o descampado Vale do Jequitinhonha. As duas localidades possuem uma extensão territorial que poderia ser equivalente a um Estado Independente. Região Metropolitana Em verdade, os 30 municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte, com mais de quatro milhões de eleitores, merecem uma atenção especial dos candidatos, tanto ao governo quanto também ao Senado, visto que este ano serão escolhidos dois senadores para as cadeiras atualmente ocupadas por Rodrigo Pacheco (PSD) e Carlos Viana (Podemos). Para os jornalistas da crônica política mineira, quem almeja sair na dianteira desse projeto eleitoral, carece se cercar de alianças fortes para garantir um mínimo de competitividade frente aos adversários. Conquistar o apoio de alguns prefeitos das cidades do entorno da capital é um viés positivo. Neste sentido, não se pode negar a importância de nomes como o do prefeito de BH, Álvaro Damião (União Brasil). Ele representa uma preponderante parcela dos dois milhões de votantes no pleito que se aproxima. Já o prefeito de Nova Lima e presidente da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel), João Marcelo Dieguez (Cidadania), tem uma administração pertinente e é considerado um homem público bem avaliado. O político possui grande relevância, caso aceite subir a um palanque para defender uma candidatura majoritária, por conta da sua capilaridade junto a outros líderes municipais, inclusive perante os seus colegas prefeitos. Neste arco de nomes influentes, merece um registro especial a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT). Totalizando mais de 400 mil eleitores, a chefe do Executivo se gaba de nunca ter perdido uma eleição e já está no comando da cidade pela quarta vez. Seu apoio a qualquer nome em uma peleja polarizada pode fazer muita diferença. O candidato que nutrir expectativas positivas em sua aposta eleitoral não pode deixar de buscar uma aproximação com o prefeito de Betim, Heron Guimarães (União Brasil), e seu grupo político. O município tem cerca de 300 mil eleitores e a atual administração tem sido bem avaliada, segundo as pesquisas mais recentes.

Especulações marcam os bastidores dos debates sobre o pleito deste ano

Neste período de férias do Legislativo, os assuntos referentes às eleições funcionam muito à base de especulações, até mesmo por conta do interesse do Palácio do Planalto em se inserir nos embates regionais, inclusive em Minas, onde continua o quadro de indefinição para saber qual o nome competitivo para enfrentar o projeto em curso, comandado pelo vice-governador Mateus Simões (PSD). Relativamente ao pleito ao Governo do Estado, existem fatos que merecem mais atenção do eleitor. Por exemplo, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) mantém um discurso dúbio, e cada hora indica uma direção diferente, mas nada de centralizar a sua decisão em um elo mais eloquente e de conexão com o pleito que se aproxima. Rodrigo Pacheco O mês de janeiro está quase chegando ao fim sem que a imprensa mineira seja efetivamente informada qual o projeto destinado a acolher as pretensões eleitorais do senador Rodrigo Pacheco (PSD). O parlamentar tem vociferado a pessoas próximas que em 30 dias anunciará o caminho que deve seguir. Fontes de Brasília apontam que Pacheco está analisando alguns cenários distintos. Um deles é saber da configuração da bancada de senadores, com possíveis acomodações de alguns de seus colegas em legendas diferentes. A partir desse posicionamento, haverá a sua própria resolução rumo ao pleito de 2026. Por parte da denominada centro-esquerda, referente ao certame para suceder Romeu Zema (Novo) no Palácio Tiradentes, existem comentários insinuando a possibilidade do presidente Lula (PT) abrir mão e não tentar montar um palanque forte no Estado, optando por abandonar a tese de uma aliança mais consistente. E diante destas circunstâncias, caminhar com um nome próprio do PT para disputar a peleja. Em última análise, seria o mesmo que “jogar a toalha”, pois isso tem chances de espelhar uma derrota antecipada do grupo político. Afinal, o PT mineiro sequer tem um nome com densidade popular para empreender um projeto dessa envergadura. Informações sinalizam que o grupo deve sugerir o deputado federal Rogério Correia para disputar o Governo de Minas, caso não haja associação com outras legendas. Enquanto o vice-governador Mateus Simões busca a consolidação de seu projeto político, o tema está cada vez mais eficiente nos bastidores. Agora, voltam às telas especulações sobre nomes como Aécio Neves (PSDB), Walfrido dos Mares Guia, Clésio Andrade (PSB) e Nikolas Ferreira (PL). Indefinição Especificamente em relação a Clésio Andrade, são levadas a efeito conjecturas de que o empresário está disposto a voltar a frequentar a cena eleitoral. No momento, uma decisão dele é aguardada para saber se pleiteia o Governo de Minas ou o Senado. O seu nome tem sido propalado perante muitas lideranças políticas, prefeitos e vereadores de diferentes regiões de Minas Gerais.