Como preservar músculos com o avançar da idade

A partir dos 30 anos, o corpo humano inicia um processo gradual de mudanças fisiológicas que, embora naturais, costumam ser percebidas de forma mais evidente ao longo das décadas seguintes. Entre as alterações mais discutidas por especialistas estão a perda progressiva de massa muscular e a redução da eficiência metabólica, fatores que influenciam diretamente a força, a disposição e a composição corporal. Pesquisadores da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP indicam que esse declínio muscular pode variar entre 3% e 8% a partir dos 30 anos, com aceleração significativa após os 60 anos. O estudo também sugere que o aumento do volume de treinamento pode ajudar a reduzir a falta de resposta ao exercício em pessoas idosas, reforçando a importância da atividade física estruturada ao longo da vida. Esse processo, segundo especialistas, está relacionado a múltiplos fatores biológicos. Dentre eles, destacam-se a diminuição natural da produção de hormônios anabólicos, como testosterona, estrogênio e hormônio do crescimento, além da redução da síntese proteica muscular, que é a capacidade do organismo de reparar e construir tecido muscular. Com o passar do tempo, também ocorre uma perda progressiva de unidades motoras, estruturas responsáveis pela ativação das fibras musculares, o que contribui para a redução de força e desempenho físico. Paralelamente, o metabolismo tende a ficar mais lento não apenas pela idade em si, mas principalmente pela diminuição da massa muscular, já que músculos são tecidos ativos e consomem energia mesmo em repouso. O educador físico Ricardo Menezes explica que esse processo começa de forma silenciosa e muitas vezes passa despercebido no dia a dia. “A partir dos 30 anos, o corpo já não tem a mesma eficiência na recuperação e manutenção muscular. Isso não significa que a perda de massa seja inevitável ou rápida, mas sim que existe uma tendência biológica que pode ser acelerada pelo sedentarismo, pela má alimentação e pelo estresse crônico. Quando a pessoa não treina força, essa perda tende a ser muito mais evidente ao longo dos anos”. Outro fator importante é a mudança no estilo de vida moderno, que reduz o nível de atividade física espontânea. “Hoje, muitas pessoas passam horas sentadas, o que reduz ainda mais o estímulo muscular necessário para manter a massa magra. O corpo funciona por demanda, se não há estímulo, ele economiza energia e reduz tecido muscular”. Além do impacto fisiológico, essas mudanças também influenciam diretamente a saúde metabólica. Com menos massa muscular, o organismo passa a gastar menos energia ao longo do dia, o que pode favorecer o acúmulo de gordura, sobretudo quando a alimentação não acompanha as novas necessidades do corpo. A fisiologista Carla Menezes destaca que é possível intervir positivamente nesse processo por meio de estratégias consistentes de treino e alimentação. “O envelhecimento não deve ser visto como sinônimo de perda inevitável de qualidade de vida. Quando estimulamos o músculo de forma adequada, especialmente com treino de força, conseguimos não só preservar, mas também recuperar massa muscular em diferentes idades. Isso melhora a força, a autonomia e também o metabolismo”. Ela acrescenta que a combinação de exercícios de força com atividades aeróbicas é uma das abordagens mais completas. “O treino de força atua diretamente na manutenção da massa magra, enquanto o aeróbico contribui para a saúde cardiovascular e o gasto calórico. Juntos, formam uma estratégia extremamente eficiente para o envelhecimento saudável”. De acordo com Carla, a alimentação também desempenha papel central nesse processo. A ingestão adequada de proteínas, aliada a um consumo equilibrado de carboidratos e gorduras saudáveis, ajuda a sustentar a síntese muscular e fornece energia para o treino. “Muitas pessoas subestimam a importância da proteína na maturidade. Ela é essencial para reparar microlesões musculares causadas pelo exercício e para manter o tecido ativo. Sem isso, o corpo tende a perder massa mais rapidamente”. Alguns hábitos como sono de qualidade, controle do estresse e regularidade na prática de exercícios são apontados como fundamentais para manter o metabolismo mais ativo e preservar a saúde ao longo dos anos.

Xadrez une aprendizado e desenvolvimento emocional

Muito além de um jogo de estratégia, o xadrez vem se consolidando como uma importante ferramenta para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social de crianças e adolescentes. Em escolas e projetos sociais, a prática tem ajudado alunos a aprimorar habilidades como concentração, memória, raciocínio lógico, autocontrole, além de contribuir para a redução da ansiedade e melhora da convivência social. No Instituto Ramacrisna, em Betim, o xadrez integra as atividades do Centro de Apoio Educacional Ramacrisna (CAER) e já apresenta impactos positivos na rotina dos estudantes. Durante as aulas, crianças e adolescentes aprendem não apenas os movimentos das peças, mas também valores ligados à disciplina, paciência e responsabilidade. Segundo a psicóloga do Instituto, Jéssica Tauane, o esporte estimula áreas importantes do cérebro relacionadas às funções cognitivas e emocionais. “O xadrez trabalha no desenvolvimento cognitivo e emocional. Ele ajuda a exercitar atenção, concentração, memória, planejamento e tomada de decisões. Como essas funções estão ligadas ao córtex pré-frontal, que também é responsável pelo controle emocional, o jogo contribui para essas questões”. Ela destaca ainda que o jogo ajuda crianças e adolescentes a lidarem melhor com frustrações e impulsos. “O xadrez ensina a ter paciência, controlar impulsos, obter autocontrole e entender que erros fazem parte do processo”. Em uma época marcada pelo excesso de telas e estímulos rápidos, atividades que exigem concentração e reflexão ganham ainda mais relevância. Para Jéssica, o xadrez funciona quase como um contraponto à dinâmica acelerada das redes sociais e vídeos curtos consumidos diariamente pelos jovens. “O excesso de telas acelera muito as crianças e adolescentes, aumentando sintomas de ansiedade. O xadrez é totalmente ao contrário disso. Durante o jogo, a criança precisa pensar antes de agir, prever consequências e criar estratégias. Isso exige paciência e ajuda muito no controle da ansiedade”, complementa. Os reflexos positivos também são percebidos dentro da sala de aula. O professor de xadrez Bruno Jacomini afirma que a prática é capaz de melhorar significativamente a concentração e o comportamento dos alunos. “Para vencer no xadrez, o enxadrista precisa desenvolver foco, respeitar regras e pensar antes de agir. Isso acaba refletindo também em outros aspectos da vida”. De acordo com o professor, cada partida estimula habilidades importantes para o desenvolvimento intelectual. “Durante o jogo, é necessário analisar o contexto, prever consequências e tomar decisões a cada lance. Isso desenvolve raciocínio lógico, planejamento estratégico e capacidade de resolver problemas”. Além dos ganhos cognitivos, o esporte também favorece a socialização, especialmente entre crianças mais tímidas. A psicóloga explica que o xadrez permite uma interação gradual, sem a pressão comum em esportes coletivos. “É um jogo individual, mas você lida com o adversário. Para crianças mais reservadas, é um espaço interessante porque existe interação social, mas de forma mais tranquila”. Jacomini reforça que o ambiente das aulas e torneios favorece a inclusão. “O xadrez aproxima alunos de diferentes perfis e incentiva respeito, convivência e cooperação. Aqueles que são tímidos conseguem ganhar mais confiança e interação social por meio do jogo”. O impacto positivo da modalidade pode acompanhar os estudantes por toda a vida. “O xadrez trabalha habilidades como planejamento, autocontrole e análise de consequências desde a infância. Isso reflete na adolescência e na vida adulta, principalmente na forma de lidar com decisões e conflitos”, conclui Jéssica.

Lesões no futebol elevam a busca por tratamentos

Às vésperas da Copa do Mundo, o futebol internacional voltou a conviver com um velho problema: as lesões que afastam atletas de grandes competições. As situações que aconteceram com Rodrygo, Éder Militão, Jack Grealish e Hugo Ekitike reacenderam o debate sobre a importância da medicina esportiva, especialmente dos exames de imagem e das terapias modernas utilizadas na recuperação física de atletas profissionais e amadores. A rotina intensa do calendário esportivo, marcada por jogos frequentes e pouco tempo de recuperação, tem elevado os índices de problemas musculares e articulares. Segundo o médico radiologista Harley De Nicola, as lesões mais comuns no futebol de alto rendimento atingem principalmente os membros inferiores. “As lesões musculares, ligamentares e tendíneas continuam sendo as mais frequentes no futebol porque envolvem estruturas submetidas a explosão, aceleração, mudança brusca de direção e contato físico constante”. Nesse cenário, os exames de imagem passaram a ter um papel fundamental não apenas no diagnóstico, mas também no acompanhamento da recuperação. Técnicas como ressonância magnética, ultrassom musculoesquelético e tomografia computadorizada permitem avaliar a gravidade das lesões, a presença de inflamações e a evolução do tratamento. De acordo com o radiologista, o monitoramento contínuo reduz o risco de retorno precoce dos atletas às atividades. “Nem sempre a melhora clínica significa cicatrização completa da estrutura lesionada. O acompanhamento por imagem auxilia na tomada de decisão e reduz o risco de recidiva”. Estudos nacionais e internacionais reforçam esse panorama. Pesquisa conduzida pela University of South Wales apontou que as regiões mais lesionadas em jogadores profissionais são a coxa, o tornozelo e o joelho. Já um levantamento realizado pela Unifesp também identificou predominância de lesões nos membros inferiores, especialmente musculares. Tratamentos regenerativos Além do diagnóstico por imagem, a medicina esportiva vem incorporando tratamentos regenerativos avançados para acelerar a recuperação e melhorar a condição funcional dos atletas. Um dos exemplos recentes envolve Neymar, convocado para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo após meses de recuperação física. Segundo o fisioterapeuta Alexandre Alcaide, terapias como ondas de choque e PRP, técnica que utiliza plasma rico em plaquetas, contribuíram diretamente para a evolução clínica do jogador. “Esse conjunto de exercícios aliado aos recursos regenerativos avançados faz com que o tecido consiga se recuperar em plenitude. Muitas vezes, não se recupera totalmente, mas consegue entregar 100% da qualidade funcional disponível naquele momento”. Os procedimentos foram utilizados principalmente na recuperação do menisco lesionado e da sutura realizada no joelho do atleta. Conforme o especialista, as técnicas favorecem a cicatrização, ajudam no controle da dor e permitem retorno mais seguro às atividades esportivas. Os benefícios, porém, não se restringem ao esporte profissional. Alcaide destaca que os métodos também são aplicados em casos de artrose, lesões musculares, problemas no ombro e dores articulares em pacientes comuns. Atletas amadores Harley De Nicola alerta que praticantes amadores também precisam de cuidados médicos e acompanhamento adequado. Ele explica que a tentativa de reproduzir a intensidade do esporte de alto rendimento sem preparação física suficiente aumenta o risco de lesões graves. “Existe uma tendência de reprodução da intensidade do esporte de elite sem o mesmo preparo físico, recuperação ou acompanhamento médico”, finaliza.

Esporte feminino cresce e mira patamar global

De acordo com um estudo divulgado pela Deloitte, a receita mundial do esporte feminino deve atingir US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15,3 bilhões) em 2026. A projeção indica um avanço de 25% na comparação com o ano anterior. Em 2025, o segmento gerou US$ 2,4 bilhões, acumulando um crescimento de 248% no período entre 2022 e 2025. Segundo a empresa, o futebol, o futebol americano e o basquete femininos devem responder, individualmente, por aproximadamente 35% da receita global do setor em 2026. A América do Norte deve permanecer na liderança do mercado, com faturamento estimado em US$ 1,64 bilhão, o que representa 54% do total. Já a Europa ocupa a segunda posição, com cerca de US$ 434 milhões, valor equivalente a 14%. No Brasil, o futebol feminino vem ganhando mais destaque e exposição. Em 2025, um levantamento do Ibope apontou que 92 empresas passaram a exibir suas marcas nos uniformes das 16 equipes do Brasileirão Feminino. Um estudo da Nielsen Sports, realizado em parceria com a empresa PepsiCo, indica que o futebol feminino deve figurar entre os cinco esportes mais acompanhados globalmente até 2030. A pesquisa também estima aumento de 38% na audiência, alcançando mais de 800 milhões de espectadores. Na avaliação da especialista em marketing Brenda Simões, o avanço está ligado a uma mudança estrutural no consumo esportivo. “O público está mais aberto à diversidade e as marcas perceberam que o esporte feminino entrega engajamento real. Não é apenas uma questão de justiça, mas de oportunidade de negócio, quando há investimento consistente, a audiência responde rapidamente”. O crescimento também é resultado de uma combinação de fatores culturais e tecnológicos, afirma Brenda. “A maior cobertura midiática, o acesso facilitado por plataformas digitais e o fortalecimento das ligas femininas criaram um ambiente mais favorável. Antes, faltava visibilidade, hoje, falta consolidar essa alta com estrutura”. Para a educadora física Ana Paula Neto, apesar dos avanços, os desafios ainda são significativos. “Entre os principais obstáculos das atletas mulheres estão a diferença salarial em relação ao esporte masculino, menor investimento em categorias de base, calendário competitivo irregular e menor exposição na mídia tradicional. Além disso, muitas jogadoras ainda precisam conciliar treinos e competições com outras atividades profissionais para garantir sustento”. A profissional ressalta que a valorização passa por políticas contínuas e não apenas ações pontuais. “Não basta investir em grandes eventos ou torneios específicos. É necessário criar um ecossistema sustentável, com os campeonatos estruturados, formação de base e contratos mais estáveis. Sem isso, o crescimento pode estagnar”. Brenda complementa que a visibilidade também depende de narrativa. “É preciso contar histórias, humanizar as atletas e ampliar a cobertura. Quando o público conhece as jogadoras, a conexão aumenta e o interesse se mantém”. Elas destacam que sem uma estrutura sólida desde cedo, o crescimento do esporte feminino pode perder força a médio prazo. “A ampliação de escolinhas, a criação de competições regionais regulares e o apoio financeiro a clubes formadores são vistos como medidas essenciais para garantir uma renovação constante de talentos e elevar o nível técnico das competições”, explica a educadora física. Além disso, a presença de mulheres em cargos de liderança dentro do esporte também é considerada fundamental para acelerar mudanças estruturais. “A maior participação feminina em comissões técnicas, diretorias e entidades esportivas contribui para decisões mais alinhadas às necessidades das atletas e para a construção de políticas mais inclusivas”, conclui Ana Paula.

Torcedor ainda acredita no hexa da Seleção Brasileira

Mesmo com um jejum de quase 24 anos sem conquistar a Copa do Mundo, a Seleção Brasileira segue mobilizando paixões, consumo e esperança entre os torcedores. É o que aponta a pesquisa “Envolvimento do Brasileiro com a Copa”, realizada pelo Centro de Estudos Aplicados de Marketing (CEAM), da ESPM-SP, com 400 entrevistados de todas as regiões do país. O levantamento mostra que 47% dos brasileiros ainda acreditam no hexa em 2026, enquanto 90% afirmam que vão torcer exclusivamente pelo Brasil durante o torneio. Os números revelam um torcedor dividido entre o amor pela camisa e a desconfiança em relação ao atual momento da Seleção. Ao mesmo tempo em que 72% dizem sentir orgulho da história da equipe nacional, 67% acreditam que a Seleção já foi mais importante no passado. Outros 65% afirmam sentir menos emoção ao assistir aos jogos atualmente. Para o pesquisador do CEAM ESPM, Eduardo Mesquita, o peso da tradição ainda sustenta a confiança do brasileiro. “O futebol no Brasil não é apenas esporte, é cultura, é identidade e parte da formação de quem somos. Crescemos ouvindo histórias dos títulos mundiais e vendo a Seleção como símbolo do país. Essa crença não se apaga com uma geração sem título”. A pesquisa também mostra que a relação do torcedor com a equipe ficou mais crítica. Apenas 34% dizem confiar nas decisões da CBF, e mais da metade considera que os jogadores atuais não demonstram o mesmo comprometimento de gerações anteriores. Segundo Mesquita, a comparação constante com os grandes times do passado ajuda a explicar essa percepção. “Minha geração viu Ronaldo Fenômeno, Romário, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Kaká, Roberto Carlos, Cafu e Dunga. Jogadores que dominavam o mundo. Quando você tem essa referência, qualquer coisa abaixo parece insuficiente”. O estudo também aponta a ausência de unanimidades no elenco atual. Neymar aparece como o jogador mais indispensável para 56% dos entrevistados, mas também registra elevada rejeição: 30,5% dizem que não o convocariam. Entre os jovens de 18 a 34 anos, o apoio ao atacante é maior, enquanto os mais velhos demonstram mais resistência. “Quem não viu não tem saudade. As novas gerações têm Neymar como referência máxima e ele é, de fato, o único nome que chega próximo ao nível daqueles jogadores que marcaram os anos 1990 e 2000”, destaca Mesquita. Enquanto nomes experientes enfrentam críticas, jovens como Endrick e Estevão aparecem como símbolos de renovação e esperança. O levantamento mostra que ambos possuem baixos índices de rejeição entre os torcedores. O atacante do Lyon é o caso mais emblemático: 15,5% o querem na Seleção, enquanto apenas 1,8% o rejeitam. Já o jogador do Chelsea aparece com 4,5% de aprovação e apenas 0,8% de rejeição. Evento aquece mercado Mesmo com críticas à equipe, a Copa do Mundo continua sendo um evento de grande impacto emocional e econômico para os brasileiros. Entre os entrevistados que afirmam gastar nos dias de jogos, quase metade estima desembolsar R$ 100 ou mais por partida. O consumo inclui alimentos, bebidas, produtos temáticos e encontros com amigos e familiares. Na avaliação do pesquisador, a Copa é um fenômeno cultural e econômico ao mesmo tempo. “Cada jogo da Seleção é uma festa nos lares brasileiros. Quando o consumo emocional e econômico se encontram, o resultado é esse: quem gasta, gasta de verdade”. A pesquisa revela ainda que, apesar do entusiasmo, o torcedor parece mais cauteloso em relação às chances da equipe. Mais da metade acredita que o Brasil pode ser eliminado antes da final. Para Mesquita, o cenário atual também reflete a transformação na forma como o público acompanha o futebol. “Hoje, a informação circula mais rápido, as críticas chegam mais longe e o torcedor tem mais ferramentas para expressar sua insatisfação. Os dados capturam isso”, conclui.

Projeto Superar promove inclusão através do esporte

Aos 14 anos, Kemilly Karoline Gulart Gonçalves encontrou no esporte mais do que uma atividade física: ganhou autonomia. Aluna do Projeto Superar desde 2022, a adolescente com deficiência visual pratica judô, onde já é faixa amarela, e natação, modalidades que ajudaram a melhorar sua movimentação no dia a dia. A experiência de Kemilly reflete a proposta do Projeto Superar que é promover a inclusão social da pessoa com deficiência através do esporte. O programa, executado por meio da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer da Prefeitura de Belo Horizonte, atende cerca de mil alunos com deficiência física, visual, intelectual, auditiva, múltipla e autismo, de forma gratuita. Sua avó e acompanhante, Lenita Gulart dos Santos, explica que conheceu o projeto através da mãe de um aluno. “Eu queria incluir ela em alguma atividade, e com o esporte, a Kemilly demonstra compromisso com o que faz, e também conhece e convive com outras crianças que possuem alguma deficiência. Isso é muito importante para ela e para mim”. “Minha neta é uma menina que tem facilidade de socializar. Com o Superar, ela aprendeu a ter mais respeito e ser grata aos professores, aos funcionários, a todos. É muito bom ver ela com esse amor e respeito com os profissionais e com os seus colegas”, comenta. Para Lenita, o nome do projeto já diz tudo, Superar. “É superar as dificuldades, os limites, as pessoas que às vezes não entendem, não respeitam o outro”. E finaliza com um pedido, “peço para as famílias que não deixem as suas crianças em casa. Tragam para socializarem nesse programa, porque elas são capazes, cada uma dentro da sua especialidade”. Um dos requisitos para ingressar no projeto é ter idade superior a seis anos, apresentar laudo de deficiência e existir vagas. Os contatos são pelo e-mail: superar@pbh.gov. br, e pelos telefones: (31) 3277-4546 e 3277-7681. São oferecidas 17 modalidades/atividades: iniciação esportiva, atletismo, basquetebol, bocha regular, bocha paralímpica, dança, futsal, goalball, judô, natação, rúgbi em cadeira de rodas, tênis de mesa, voleibol, voleibol sentado, patinação, funcional e percussão. Superar O gerente de paradesporto e responsável do programa Superar, Marcelo Mendes, explica que o projeto começou em 1994. “Sendo que os centros esportivos para pessoa com deficiência existem desde 2003, e se tornaram referência, a título internacional, com visitas frequentes de órgãos internacionais”. Mendes afirma que, no momento, não há previsão de aumento no número de vagas. “Para manter e expandir o programa, temos que garantir os orçamentos. Por ser uma política pública, precisamos de recursos, e esse é um dos principais desafios de manter o projeto”. O Superar é muito importante, porque contribui para a inserção social e autonomia dos alunos, relata o gerente. “O programa é muito voltado para essa questão de estar em sociedade e a autonomia, pois estudos já demostraram que o esporte, a atividade física, ajuda nesse ponto”, finaliza. Núcleos de Atendimento ● Regional NoroesteCentro de Referência Esportiva para Pessoas com DeficiênciaAv. Nossa Senhora de Fátima, 2.283 – Carlos Prates ● Regional BarreiroEscola Estadual de Ensino Especial Amaro NevesAv. Ximango, 280 – Flávio Marques Lisboa ● Regional Centro-SulInstituto São RafaelAv. Augusto de Lima, 2.109 – Barro Preto ● Regional Venda NovaEscola Municipal Moysés Kalil (parceria com a Secretaria de Educação)Rua Afonso Pereira da Silva, 10 – Mantiqueira Núcleo do Programa Esporte para Todos (PET) ■ Clube Palmeiras – Rua Grão Pará, 589 – Santa Efigênia■ Clube AABB – Rua Euclides Franco, 50 – Garças■ Clube Sírio – Av. Antônio Abrahão Caram, 350 – São José■ Clube Cruzeiro – Rua dos Guajajaras, 1.722 – Barro Preto■ Clube Oásis – Rua Salinas, 1993, Bairro Santa Tereza■ Clube AFAESC – Av. Carlos Luz, 675 – Caiçaras

Alongamento dinâmico pode melhorar desempenho físico

Antes de iniciar uma atividade física, o alongamento costuma ser indicado como parte do aquecimento. Entre os tipos existentes está o alongamento dinâmico, um método que talvez as pessoas não identifiquem pelo nome, mas que provavelmente já realizaram em algum momento. Esse tipo de alongamento é caracterizado por movimentos contínuos e controlados, que ajudam a preparar o corpo para o exercício. Ao contrário do alongamento estático, em que a posição é mantida por alguns segundos, no dinâmico o corpo permanece em movimento durante toda a execução. Segundo o fisioterapeuta esportivo Renato Lacerda, o principal diferencial do alongamento dinâmico está na forma como ele ativa o corpo. “Ao realizar movimentos repetidos e com amplitude controlada, o organismo começa a se adaptar gradualmente ao esforço que virá. Isso aumenta a temperatura muscular, melhora a elasticidade dos tecidos e favorece a resposta neuromuscular”. Em outras palavras, o corpo deixa de sair de um estado de repouso para um esforço intenso de forma abrupta. Além disso, o alongamento dinâmico contribui diretamente para a circulação sanguínea. Lacerda destaca que esse fator é essencial para o desempenho. “Com maior fluxo de sangue nos músculos, há também maior oferta de oxigênio e nutrientes. Isso prepara a musculatura para contrações mais eficientes e ajuda a evitar fadiga precoce”, afirma. Ele acrescenta que esse tipo de alongamento também estimula a lubrificação das articulações, já que favorece a liberação do líquido sinovial, permitindo movimentos mais suaves e seguros. Outro benefício importante está relacionado à especificidade dos movimentos. Diferentemente do alongamento estático, que muitas vezes trabalha o músculo de forma isolada, o dinâmico pode simular gestos semelhantes aos da atividade principal. A preparadora física Lívia Silveira explica que “se um atleta vai praticar corrida, por exemplo, faz muito mais sentido incluir exercícios que envolvam elevação de joelhos, passadas e deslocamentos. Porque melhora a coordenação motora e prepara o corpo de forma mais funcional”. Para esportes coletivos, como futebol e basquete, movimentos laterais e rotações também são bastante indicados. Entre os exemplos mais comuns de alongamento dinâmico estão o balanço de pernas, que trabalha a mobilidade do quadril e posterior de coxa; a rotação de braços, importante para aquecer ombros e parte superior do corpo; e o avanço alternado, conhecido como afundo dinâmico, que ativa glúteos e quadríceps. Exercícios como skipping, corrida no lugar com elevação dos joelhos, e deslocamentos laterais também são amplamente utilizados, especialmente em treinos funcionais e esportivos. Esses movimentos, quando realizados de forma progressiva, contribuem para um aquecimento completo. Apesar das vantagens, especialistas alertam que a execução correta é fundamental. Movimentos muito rápidos, desordenados ou com amplitude excessiva podem causar lesões. “O ideal é começar com intensidade leve e aumentar gradativamente, respeitando os limites do corpo”, orienta Lívia. Ela também ressalta a importância de manter a respiração controlada, evitando prender o ar durante os exercícios. Em comparação, o alongamento estático continua sendo útil, mas em contextos diferentes. De acordo com a preparadora física, ele é mais indicado para o momento pós-exercício ou para sessões específicas de ganho de flexibilidade. “Antes de atividades que exigem força e potência, o alongamento estático pode reduzir a capacidade muscular. Já o dinâmico prepara o corpo sem causar esse efeito”. A crescente adoção do alongamento dinâmico reflete uma mudança na forma como o aquecimento é encarado. A tendência é que essa prática continue ganhando espaço, especialmente entre aqueles que procuram melhorar o desempenho e treinar com mais segurança.

Comissão técnica: fator decisivo nos esportes

O que define uma vitória no esporte de alto rendimento nem sempre está restrito ao que o torcedor vê em quadra. No vôlei, modalidade marcada por intensidade e decisões rápidas, existe um “segundo jogo” acontecendo paralelamente e, muitas vezes, ele é determinante para o resultado final. Trata-se da atuação da comissão técnica, responsável por interpretar, ajustar e redefinir estratégias em tempo real. Antes mesmo do apito inicial, equipes entram em quadra com um plano de jogo estruturado. No entanto, a dinâmica da partida impõe variáveis imprevisíveis. É nesse contexto que a comissão técnica ganha protagonismo. “Os times têm planos táticos definidos quando vão para a partida e durante a partida são feitos ajustes, porque na verdade cada jogo tem a sua história, e em função do que está acontecendo no jogo, se muda a estratégia”, explica o auxiliar técnico da Seleção Brasileira Feminina de Vôlei, Paulo Coco. Ele aponta que essas mudanças nem sempre são perceptíveis para o público. Alterações no direcionamento do saque, reposicionamento de bloqueio ou até substituições pontuais fazem parte desse processo contínuo de leitura. “Se muda, por exemplo, no vôlei o direcionamento do saque, se muda a estratégia de bloqueio, então existe isso que a gente considera como segundo jogo nas estratégias que são decisivas”, completa. O limite entre manter o planejamento inicial e promover mudanças depende diretamente do desempenho da equipe em quadra. O auxiliar técnico revela que quando o plano funciona, a tendência é mantê-lo. Caso contrário, ajustes se tornam inevitáveis. “Se você, dentro do seu planejamento de jogo, as coisas estão funcionando bem e está levando vantagem sobre seu adversário, não requer mudança. Mas quando isso não acontece, é obrigado a fazer ajustes”. A tomada de decisão, porém, não é baseada apenas na intuição. Ele afirma que indicadores objetivos, como desempenho individual e coletivo, orientam a comissão técnica. “O resultado e a performance da sua equipe fazem com que nós tenhamos que intervir, seja mudando alguma estratégia ou posicionamento, e até substituindo aquele jogador”. Segundo ele, o conhecimento aprofundado das atletas também pesa nesse processo, já que algumas conseguem se recuperar ao longo da partida. Em competições de alto nível, como as disputadas pela Seleção Brasileira, a atuação da comissão técnica vai além das decisões táticas. A integração entre os profissionais é vista como peça-chave para o sucesso. “A comissão técnica hoje é multidisciplinar, e isso faz com que as atletas consigam desempenhar a mais alta performance”, finaliza Paulo Coco.

Patos de Minas recebe Copa Ciclística de Minas Gerais

A 3ª e 4ª etapas da Copa Ciclística de Minas Gerais serão realizadas em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, nos dias 23 e 24 de maio. A competição, que costuma atrair competidores de todo o Estado, tem expectativa de reunir mais de 300 atletas. Estão previstas duas provas, o contrarrelógio, na Estrada de Sumaré, e o circuito, na Lagoa Grande. Com o objetivo de desenvolver o ciclismo em Minas Gerais e promover o esporte como prática social, a Copa vai contar com categorias femininas e masculinas, desde Open ao Master. As inscrições podem ser feitas pelo site smarttimer.com.br e serão encerradas dois dias antes do evento. A premiação inclui medalhas para os cinco primeiros colocados de todas as categorias, em cada disputa, e prêmio em dinheiro do primeiro ao terceiro colocados. As duas primeiras etapas da Copa foram realizadas em Santos Dumont, na Zona da Mata. O circuito ainda passará por Araxá, no Alto Paranaíba, e, novamente, em Patos de Minas, antes da grande final em Ilicínea, no Sul de Minas, nos dias 22 e 23 de agosto. O presidente da Liga Patense de Ciclismo, Rodrigo Paes Leme, destaca que a Copa Ciclística de Minas Gerais traz um impacto positivo para as cidades. “O evento gera visibilidade, receita para as redes hoteleiras e comerciantes locais, além de promover o ciclismo como prática esportiva e de lazer”. A competição vem evoluindo a cada ano, com melhorias na organização e no nível técnico dos esportistas, ressalta Leme. “Nesta edição, o percurso está mais desafiador. Houve um aumento no número de participantes, pela qualidade das competições, segurança e transparência que a entidade tem para com os atletas. Nosso intuito é desempenhar um papel importante na promoção do esporte e no incentivo da formação de novos competidores”. “A Copa Ciclística ajuda a formar base para atletas que buscam competições nacionais e fortalece o nível dos esportistas de ponta, com etapas duras, velozes e uma estrutura de qualidade para competirem e se destacarem. E os colocamos em evidência junto aos órgãos competentes da Federação Mineira de Ciclismo (FMC) e da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC)”, esclarece. Desafios técnicos As etapas da Copa Ciclística de MG incluem: Estrada, uma prova de longa distância em estrada aberta ou fechada; Circuito, uma competição em circuito fechado com várias voltas, calculado em horas; e o Contrarrelógio (Crono), um torneio individual de tempo, com largadas a cada minuto, em um trajeto determinado. “O percurso da Copa, em Patos de Minas, apresenta desafios técnicos de velocidades altíssimas na etapa de crono, em um percurso de 20 km, com subidas e descidas rápidas. E o trajeto de circuito, na orla da lagoa, com velocidade média superior a 40 km/h”, afirma o presidente. Segundo Leme, a competição contribui para a popularização do ciclismo como prática esportiva e de lazer com estruturas e provas de qualidade. “Cronometragem de alto padrão, premiação, regulamento rigoroso, camisa de líder para 15 categorias oficiais a cada cidade sediada, e fotos de qualidade para incentivar a todos”. A competição A Copa Ciclística de Minas Gerais é uma competição organizada pela Liga Patense de Ciclismo, focada na modalidade de estrada e circuito, com etapas que movimentam as cidades mineiras. O projeto nasceu com a gestão do atual presidente da Liga, em 2025, com a ideia de incentivar o esporte no Estado, com atletas de alto nível em provas homologadas. O evento pontua para o ranking estadual da FMC na classe C.1.

Calor empurra milhões de pessoas para o sedentarismo

O aquecimento global decorrente das mudanças climáticas pode gerar um efeito pouco esperado e preocupante para a saúde mundial: o aumento do sedentarismo. De acordo com uma pesquisa internacional divulgada na revista The Lancet Global Health, a elevação das temperaturas tende a diminuir a prática de exercícios físicos, o que pode resultar em até 700 mil mortes adicionais por ano até 2050. O estudo avaliou informações de 156 países no período de 2000 a 2022 e apontou que cada mês extra com temperaturas médias superiores a 27,8 °C eleva a taxa de sedentarismo global em aproximadamente 1,44 ponto percentual. Nos países de baixa e média renda, que geralmente dispõem de menos estrutura para lidar com o calor, esse efeito é ainda mais acentuado, alcançando cerca de 1,85 ponto percentual. A inatividade física já é reconhecida como um dos principais fatores de risco para doenças crônicas, estando relacionada ao aumento da probabilidade de problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. Além disso, é responsável por cerca de 5% das mortes entre adultos, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 47% dos adultos são sedentários, índice que chega a 84% entre os mais jovens. O educador físico Ricardo Menezes explica que o corpo humano foi feito para o movimento. “Quando há uma quebra nesse padrão, surgem alterações metabólicas importantes, como aumento da pressão arterial, resistência à insulina e acúmulo de gordura corporal. Mesmo pequenas mudanças na rotina já podem trazer benefícios significativos”. Ele também destaca que a falta de atividade também afeta diretamente a saúde mental. “Pessoas sedentárias tendem a apresentar mais sintomas de ansiedade e depressão, além de dificuldades no sono e na concentração. A prática de exercícios libera substâncias que promovem bem-estar, como a endorfina, o que reforça a importância de uma rotina ativa”. Apesar dos riscos amplamente conhecidos, a adoção de hábitos mais saudáveis ainda esbarra em uma série de barreiras estruturais, sociais e econômicas. Em muitas regiões do país, especialmente nas periferias urbanas e áreas rurais, faltam espaços públicos adequados e seguros para a prática de atividades físicas, como praças, parques e ciclovias. Além disso, a rotina de trabalho intensa, muitas vezes associada a longos deslocamentos, reduz o tempo disponível para o lazer e o autocuidado. “Existe uma falsa ideia de que praticar atividade física exige investimento financeiro, quando, na verdade, muitas atividades podem ser realizadas gratuitamente. No entanto, a falta de informação e de políticas públicas eficazes acaba limitando essas possibilidades”, ressalta Menezes. Para reverter esse quadro, o cardiologista Renato Farias diz que a mudança de hábitos deve começar de forma gradual e adaptada à realidade de cada pessoa. “A OMS recomenda que adultos pratiquem entre 150 e 300 minutos de atividade física moderada por semana, o que pode incluir caminhadas, ciclismo, dança ou qualquer outra atividade que eleve a frequência cardíaca”. No entanto, qualquer movimento já é melhor do que nenhum. Entre as estratégias mais indicadas estão substituir o elevador por escadas, caminhar pequenas distâncias em vez de utilizar transporte motorizado, fazer pausas ativas durante o trabalho e incorporar atividades prazerosas à rotina. “O segredo não está em começar com treinos intensos, mas em criar consistência. A regularidade é o que traz resultados a longo prazo”, conclui. Além disso, políticas públicas são fundamentais para promover mudanças em larga escala. Investimentos em infraestrutura urbana, campanhas de conscientização e programas comunitários de incentivo à prática esportiva podem contribuir para tornar a atividade física mais acessível e inclusiva. Sem essas iniciativas, o sedentarismo tende a se agravar, ampliando desigualdades e pressionando os sistemas de saúde.