Vigílias – 11 a 18 de julho de 2026
Abastado ministro Em Brasília, comenta-se que o ministro de Minas e Energia, o mineiro Alexandre Silveira, projeta ficar no governo só até o final deste ano. Depois, Silveira deve abandonar a vida pública. A conferir. Amigos fraternos Jornalistas da crônica política mencionam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), gosta tanto do senador mineiro Rodrigo Pacheco (PSB), que poderia convencer o parlamentar a mudar o seu domicílio eleitoral para o Amapá, terra do dirigente da Casa Alta. Ufa. Espertos deputados Os últimos encontros regionais do governador Mateus Simões (PSD) contaram com a presença de inúmeros deputados estaduais. Na verdade, os políticos estavam interessados mesmo é na liberação das polpudas emendas parlamentares. Prefeito sem prestígio Vivendo um momento de baixa popularidade da sua administração, o prefeito de Ipatinga, Gustavo Nunes (PL), tem sido desdenhado por lideranças políticas que estão de olho na sucessão estadual. Para comentaristas, aparecer ao lado do chefe do Executivo nesse momento significa perder votos. Viana X Aro Segundo os matemáticos da política mineira, está difícil conciliar os interesses eleitorais entre o senador Carlos Viana (PSD) e o ex- -secretário de Governo, Marcelo Aro (PP). Eles querem a proteção do governador Mateus Simões (PSD), mas ambos vêm trocando farpas e tudo mais. Os aludidos homens públicos se arranham em busca de uma vaga no Senado. Que vença o melhor. Política internacional Os americanos vão carecer de turbinar a indústria do petróleo na Venezuela, para ajudar o país a minimizar a imensa crise provocada pelo terremoto, quando milhares de pessoas estão desabrigadas”. Opinião do empresário Emerson Kapaz, em comentário na TV Cultura. Rússia X Ucrânia Apesar das aparências dizerem o contrário, especialistas categorizam que é nítida a desvantagem da Rússia no conflito com a Ucrânia. Será, gente? Presidente mais afável Ao ser eleito presidente da Câmara de Vereadores, Juliano Lopes (Podemos) se apresentava como um dificultador no relacionamento com a Prefeitura de Belo Horizonte. Agora, o cidadão está todo maleável e tem gostado de assumir o Executivo de maneira interina algumas vezes. O poder é fascinante. Gabinete vazio O controvertido deputado João Magalhães (PSD) continua ostentando o posto de líder do Governo na Assembleia Legislativa, mas o seu gabinete está cada vez menos frequentado pelos seus pares. Até porque, por conta da legislação eleitoral, as benesses do governo estadual estão paralisadas. Carros importados Em São Paulo, empresários já comentam que se o governo brasileiro continuar oferecendo vantagens de isenção fiscal apenas para algumas empresas do setor automobilístico, o assunto pode acabar esbarrando na Justiça. Armas do Bolsonaro Em tom de ironia, o jornalista Fernando Abrucio disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro não consegue ficar distante de polêmicas. “Deve ser para massagear o seu ego. Agora, sua nova arenga é não saber explicar onde estão as suas armas de calibre pesado”. Redes sociais “As redes sociais americanas estão servindo de instrumento de orientação política e ideológica de direita, no sentido de influenciar até mesmo o resultado eleitoral dos países”. Essa é a avaliação da jornalista Ana Flor. Celulares roubados O Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública informa que a maioria dos celulares roubados não são apenas vendidos, mas também usados como instrumento essencial nos crimes praticados pelos marginais em todo o Brasil. Seleção Brasileira Frases de pessoas comuns nas ruas para explicar o fiasco da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. “O time estava sem garra e sem motivação não seria possível vencer o duelo”. Encontro recente O ministro Gilmar Mendes chamou a atenção de Lula e disse que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é comandado por dois indicados de Bolsonaro: Kassio Nunes Marques e André Mendonça. Na eleição passada, o presidente do TSE foi o ministro Alexandre de Moraes, que cassou Bolsonaro e impediu que o então candidato à reeleição usasse imagens de concentrações em sua propaganda eleitoral.
Política e futebol
Em pouco mais de um mês, encerra-se o prazo para a realização das convenções partidárias, quando os mais de 30 partidos no Brasil inteiro vão escolher os seus candidatos para disputar os cargos de presidente da República, governador, senador, deputado estadual e deputado federal. Pela sua importância e abrangência, o evento político deixa tudo em compasso de espera, esticando as discussões sobre temas de outras significações para o final do ano. Até mesmo os investimentos externos entram em banho-maria, como se a vida do cidadão comum também estivesse acoplada a essa conjuntura. A verdade é que o trabalhador tem o compromisso de continuar na labuta do dia a dia para garantir o sustento pessoal e de seus familiares. Os políticos e pensadores criam uma espécie de bolha, tentando manipular a opinião pública sobre a importância dessas convenções, quando se sabe que elas servem apenas para homologar os acordos e conchavos de seus proponentes. Paralelamente a essa empreitada política, tivemos um período de ilusão na Copa do Mundo. Tudo por aqui ficou colorido à base do verde e amarelo, mas não passou de uma fuga para que o torcedor pudesse desabafar, dissuadir muitas de suas mágoas, enquanto aguardava a fraca atuação da Seleção Brasileira. Esses dois eventos, político e esportivo, são considerados impactantes na rotina de cada um de nossos compatriotas. No entanto, após a derrota do Brasil para a Noruega por 2 a 1, ficou demonstrado que já não somos mais o país do futebol, depois de 30 anos sem vencer uma Copa do Mundo. Para restabelecer as práticas comuns desse nosso imenso Brasil, resta tão somente esperar o dia 15 de agosto, prazo final das convenções partidárias. Quem produz e quem trabalha, certamente estão ávidos por liberdade de ação e atuação, no caminho da construção de uma percepção proativa, desenhando o caminho de sucesso a ser conquistado sem interferência de fenômenos, como os temas tipificados nesse preâmbulo, envolvendo o futebol e a política. Enfim, que tenhamos um segundo semestre menos impactante do ponto de vista geral, possibilitando o florescimento de um novo tempo e valores interessantes para a nossa população.
Apenas votos do PT não são suficientes para eleger Marília Campos ao Senado

Um levantamento para efeito de avaliação interna do PT mineiro avança na direção do raciocínio, segundo o qual a decisão da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, em se dedicar à pré-campanha ao Senado, deixando de lado o convite para disputar o Governo de Minas, pode ter sido uma escolha de alto risco. Matemáticos no assunto avaliam que somente o voto dos petistas não será suficiente para garantir uma vitória dela rumo ao Senado. No caso, Marília carece de ter algum tipo de voto também de eleitores ligados a outros vieses ideológicos, porém, isso não é uma realidade factível no momento. Esses dados, comentados por assessores e interessados no tema, revelam ainda mais coisas. Os eleitores conservadores, se a eleição fosse hoje, tenderiam a votar em outras possíveis candidaturas à Casa Alta do Congresso Nacional, como Aécio Neves (PSDB), Domingos Sávio (PL), Carlos Viana (PSD) e Marcelo Aro (PP). Minas sem liderança Nos corredores da Assembleia Legislativa, assim como na porta do Café Nice, no Centro de BH, o tema eleição de 2026 toma conta dos comentários de pessoas comuns. Mas vem dessa sabedoria popular uma realidade nítida do que está acontecendo no momento: a falta de uma liderança política forte de Minas Gerais para ser referência no cenário político brasileiro. Há quem mencione que esse apagão de nomes daqui do Estado para se impor no contexto brasileiro tem permitido sobrevida para nomes como do próprio deputado Aécio Neves, que apesar de não ser tão reconhecido nesse panorama ainda nutre um certo prestígio junto ao público formador de opinião. Ao deixar o comando do Palácio Tiradentes, o ex-governador Romeu Zema (Novo) se intitulou pré-candidato à Presidência da República, mas se revelou um nome politicamente sem expressão e com dificuldade de convencimento. Ele não se impôs nesse ambiente referente ao certame político brasileiro. Pelo contrário, o mineiro é tido como um empresário improvisado na política, sem capacidade de articulação. Popularidade política A fábrica de popularidade não é a mesma que fabrica fortes lideranças. Até porque, em Minas existe um fenômeno das redes sociais, codinome deputado federal Nikolas Ferreira (PL), com milhões de seguidores. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), político forjado na era das mídias digitais, é outro fenômeno de popularidade, inclusive, com reconhecimento de sua importância pública pelo Brasil afora. Nikolas e Cleitinho são parlamentares expoentes de uma época de comunicação instantânea, porém, volátil. É como se dizer, são nomes populares publicamente, mas não enfatizam projetos de interesse objetivo e coletivo, mesmo porque, eles fazem parte de um grupo de influenciadores que se utilizam dos seus celulares para turbinar o cotidiano de um mundo surreal, concebido a partir da captação de cenas e acontecimentos do dia a dia, protagonizadas por parte de pessoas e personalidades de diferentes matizes.
Edição 2226 – 3 a 11 de julho de 2026

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Renúncias fiscais
A renúncia fiscal ocorre quando o governo abre mão de arrecadar parte dos impostos ou tributos devidos por empresas em prol de um estímulo da economia. Mas, há exceções quando se trata de conexão com firmas internacionais. O problema desse modelo é conviver com as espertezas de determinados segmentos empresariais. Quem é da geração dos anos 1960 deve se recordar da falta de seriedade de empresas que se instalavam na região Norte do Estado, especialmente em Montes Claros, e recebiam as benesses do governo, como empréstimos de juros módicos e completa isenção de impostos federais. Elas ficavam no local por dez anos, quase sempre impregnando o ambiente com as suas “carcaças”, e deixavam a lembrança de mais um golpe de esperteza. Nas últimas décadas, houve uma preponderante sofisticação desse processo. Segundo os entendidos no assunto, existe uma espécie de chantagem de determinados setores produtivos, quando do momento de expansão de suas atividades exigirem algum tipo de favorecimento oficial. Em Minas, o governo concede renúncias fiscais de valores do ICMS, cuja finalidade é incrementar o caixa do tesouro estadual para desenvolver as suas políticas públicas. Segundo denúncia dos deputados de oposição no âmbito da Assembleia Legislativa, há uma projeção de que as renúncias fiscais em Minas Gerais possam ultrapassar os R$ 26 bilhões nos próximos meses. A oposição recorreu à Justiça e conseguiu o direito de saber quais são as firmas beneficiadas pela decisão do governo. No bojo da lista, surge até mesmo uma dádiva conseguida à firma da família do ex-governador Romeu Zema (Novo). Sobre a revelação, não houve desmentido e esclarecimentos da Eletrozema. Essa atitude de abrir espaço para o crescimento das empresas em Minas Gerais é merecedora de aplausos. O problema é quando começam a surgir questionamentos quanto à lisura do certame. Outra realidade é que Minas contraiu uma dívida superior a R$ 200 bilhões com o governo federal, por isso, não deveria ter condições de abrir mão da arrecadação de impostos. Pelo contrário, carece de incrementar fontes de renda para honrar os compromissos financeiros com o Poder Central.
Troféu Tancredo Neves é entregue a 37 autoridades em grande cerimônia

Em noite de gala, valorização e reconhecimento, personalidades foram homenageadas com o Troféu Tancredo Neves por sua atuação de destaque.
Edição 2225 – 27 de junho a 4 de julho de 2026

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Vigílias – 27 de junho a 4 de julho de 2026
Adesão e interesseDe olho na liberação de emendas parlamentares, muitos deputados abandonaram a hostilidade para ficar mais próximos ao governador Mateus Simões (PSD), em suas viagens pelo interior do Estado. Ou seja, oportunismo puro desse grupo. Soares X PachecoNos bastidores da Assembleia Legislativa, uma das indagações constantes é saber quais foram os motivos para o distanciamento político entre o presidente do PSD mineiro, deputado Cassio Soares, e seu antigo padrinho, senador Rodrigo Pacheco (PSB). “Alguém ainda vai esclarecer toda essa situação um dia”, dizem. Culpa do ministro?Diante da dificuldade em montar uma base competitiva em Minas para defender o presidente Lula (PT) em seu projeto de reeleição, começam a ser apontados os possíveis culpados para esse imbróglio. Segundo analistas políticos, como secretário nacional do PSD, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, nunca deveria ter permitido a filiação do governador Mateus Simões à sigla. Partido NovoPela baixa popularidade de Romeu Zema (Novo) em sua pré-campanha rumo ao Palácio do Planalto, já tem matemático comentando sobre as possíveis dificuldades da sigla para eleger um número de deputados suficientes à Câmara Federal, para garantir a continuidade do partido no cenário nacional. Sucessão estadualAo menos por enquanto, não decolou o projeto político do presidente licenciado da Federação das Indústrias, empresário Flávio Roscoe, com objetivo de disputar a sucessão mineira. “Filiado ao Partido Liberal, sigla de forte presença em Minas, essa situação ainda pode ser revertida”, comentam os jornalistas da crônica política. Jogatina eletrônicaPesquisas apontam que uma média de 37% da população brasileira estaria fazendo apostas on-line nesse período de Copa do Mundo. Para os especialistas, isso está se transformando em uma epidemia nacional e causando o endividamento de muitas famílias. Esquerda no continenteAnalisando o crescimento do número de presidentes de países da América do Sul, eleitos com um viés ideológico de direita, o cientista político Sérgio Fausto vaticinou: “Pelo visto, apenas Brasil e Uruguai terão dirigentes mais ligados ao movimento de esquerda. Isso constata que a forte pressão de Donald Trump para conquistar aliados no continente tem dado resultados positivos”. Efeito Jaques Wagner“O senador baiano Jaques Wagner era a muralha de sustentação do PT no Senado. No entanto, devido ao seu envolvimento no Caso Master, se transformou em um pesadelo para a sigla. Uma realidade capaz de tirar o sono dos ocupantes do Palácio do Planalto”. Opinião do filósofo Mario Sergio Cortella. Polícia FederalSegundo especialistas, a Polícia Federal possui prestígio nacional e atuação independente. As ações da instituição têm contribuído para a manutenção da democracia no Brasil. Política internacionalQuando viu a Seleção do Haiti participando da Copa do Mundo, mesmo que em situação muito precária, a jornalista Patrícia Campos Mello não se conteve e rememorou a triste realidade de guerra civil que aquele país vive. “Deveria receber mais apoio da comunidade internacional”. Banco Master“Membros do Supremo Tribunal Federal e do Partido dos Trabalhadores estão envolvidos com o Banco Master. Mais nomes devem aparecer nesse lamaçal nos próximos dias”. Comentários do cientista político Ricardo Sennes. Briga de gigantesÉ motivo de piada a posição do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos). Acusado de ter recebido benefícios do banqueiro Daniel Vorcaro, Motta jogou a bola para cima de seu colega de parlamento, o poderoso senador Ciro Nogueira (PP). Uma briga de gigantes. Divisão no STFAs complicadas denúncias de envolvimento de membros do Supremo Tribunal Federal (STF) no Caso Master estão implementando uma espécie de linha divisória entres os ministros da Corte. Isso é o que comentam os jornalistas da crônica política de Brasília. Eduardo BolsonaroEnvolvido com problemas na Justiça e condenado por quatro anos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro ainda nutre a expectativa de ser candidato ao Senado por São Paulo. Informação direto de Brasília da jornalista Ana Flor.
Religião e gastronomia
Desde 1958, o manto sagrado de Nossa Senhora da Piedade cobre o território de Minas Gerais como um todo, já que ela figura desde então como padroeira do nosso Estado, por uma decisão que emanou diretamente de Roma, à época. Para os devotos, seu santuário está localizado a 1.746 metros de altitude, um pouco antes da cidade de Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. E foi nesse cenário, em meio à religiosidade e a límpida brisa de ar puro das montanhas de Minas, que aconteceu a primeira edição da Rota do Queijo de Minas, com uma imersão intimista na tradicional queijaria mineira, mediante produção artesanal, degustação, cozinha ao vivo, com a participação de restaurantes da região, além de boa música e apresentações em formato contemplativo. Quem teve a oportunidade de prestigiar o evento, também reviveu a história da localidade rememorada com uma degustação e a maturação do Queijo de Minas. Entre as décadas de 1950 e 2000, uma caravana de padres formava um grupo com o objetivo de expor produtos de diferentes regiões do Estado, especialmente Serra do Salitre, Araxá e também da histórica Diamantina. Esse certame reforça o potencial da Serra da Piedade como destino de turismo religioso, cultural e gastronômico. O turista pode apreciar no percurso a Basílica, a vista panorâmica da montanha e a memória do Queijo Frei Rosário. Os organizadores da Rota do Queijo externam a preocupação de envolver a comunidade do município, para interagir com as centenas de turistas presentes durante o acontecimento. Um dos destaques no evento foram os bordados produzidos em Caeté, merecendo aplausos dos visitantes e compradores dos aludidos produtos. É o tipo de acontecimento com o objetivo de garantir espaço para o turismo, sem macular a imagem de uma região de forte apelo espiritual. “Por aqui, a pessoa conversa com Deus mais de perto, para estarmos no alto de montanha, e ainda por cima podemos apreciar uma gastronomia de primeira qualidade”, dizem os religiosos encarregados do feito. Para quem não é de Minas, seja bem-vindo nessa aventura gastronômica/religiosa capaz de fazer qualquer um se apaixonar.
Cine Humberto Mauro recebe mostra em homenagem ao centenário de Jerry Lewis

Jerry Lewis, um dos maiores nomes da história da comédia no cinema, será homenageado no ano em que completaria 100 anos. Entre os dias 27 de junho e 5 de julho, o Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte, recebe a mostra “A Invenção do Caos: Jerry Lewis”, reunindo sete filmes que evidenciam a originalidade e o legado do artista norte-americano. A entrada é gratuita e os ingressos devem ser retirados no site da Sympla ou presencialmente na bilheteria do Palácio das Artes. Promovida pela Fundação Clóvis Salgado (FCS), a mostra apresenta seis produções realizadas entre 1960 e 1965, período considerado fundamental na trajetória de Lewis, além de “O Rei da Comédia” (1982), dirigido por Martin Scorsese. Segundo Vítor Miranda, gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado, a seleção destaca o momento em que o artista conquistou plena autonomia criativa dentro da indústria hollywoodiana. “Ele passa a dirigir os filmes que protagoniza e desenvolve uma assinatura muito particular, em que a comédia está ligada a uma construção de linguagem. É quando ele assume de vez o controle artístico e cria algumas das obras mais inventivas da sua filmografia. Nesse momento, também passa a ser mais reconhecido internacionalmente como autor”, explica. A programação inclui clássicos como “O Mensageiro Trapalhão” (1960), “O Terror das Mulheres” (1961), “O Professor Aloprado” (1963), “O Otário” (1964) e “Uma Família Fuleira” (1965). As obras revelam um cineasta que transformou o humor físico em uma linguagem cinematográfica. O conceito de caos é central para compreender a obra do artista, ressalta Miranda. “O caos está no centro da comédia dele. Os personagens quase sempre são figuras fora de lugar, tentando funcionar em ambientes rígidos e organizados e isso gera descontrole, acidentes e situações absurdas. Mas esse caos não é só narrativo: ele também aparece na forma como a cena é construída, no ritmo acelerado e no uso criativo do espaço”. Embora tenha alcançado enorme popularidade inicialmente ao lado de Dean Martin, Jerry Lewis consolidou uma carreira autoral após o fim da parceria. A mostra busca justamente ampliar o olhar do público sobre sua produção. De acordo com Miranda, os filmes selecionados deixam claro que existe um projeto autoral consistente ali. “Com escolhas muito específicas de enquadramento, ritmo e construção de humor. Isso ajuda a enxergar um artista que pensa o filme de forma completa, não apenas como intérprete”. Além de homenagear um dos grandes nomes do cinema do século 20, a iniciativa pretende aproximar novas gerações da obra do cineasta. De acordo com o gerente, o humor de Lewis permanece atual. “Mesmo décadas depois, o humor físico e a sensação de inadequação continuam muito reconhecíveis. Os personagens vivem situações de deslocamento, insegurança e tentativa de se encaixar, algo bastante atual. Além disso, a forma visual de construir a comédia dialoga bem com uma certa sensibilidade contemporânea, um humor rápido e visual”. Outro destaque da programação é “O Rei da Comédia”, único longa da mostra não dirigido por Lewis. No filme de Scorsese, o artista interpreta Jerry Langford, um apresentador de televisão perseguido por um fã obsessivo. “O filme funciona quase como um contraponto e, ao mesmo tempo, uma homenagem. Aparecendo em outra chave, mais contida e melancólica, o que reforça o impacto da sua imagem pública como comediante”, avalia Miranda. O legado deixado por Jerry Lewis permanece vivo não apenas na comédia, mas em diferentes linguagens cinematográficas. “Sua ideia de controle total da mise-en-scène ajuda a consolidar um modelo de diretor-autoral dentro da comédia, em que ritmo, gesto e enquadramento são tão importantes quanto o texto”, conclui. Serviço “A Invenção do Caos: Jerry Lewis” Datas: de 27 junho a 5 de julhoHorários: VariadosLocal: Cine Humberto MauroEndereço: Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537 – Centro)Entrada gratuita